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Mostrando postagens com o rótulo RIMBAUD

O INDOMÁVEL RIMBAUD

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O INDOMÁVEL RIMBAUD Edição organizada por Ivo Barroso é referência para estudos sobre o poeta Marcelo Jacques “Eu quis dizer o que isso diz, literalmente e em todos os sentidos”, teria dito Arthur Rimbaud à mãe em resposta a uma pergunta sobre a significação das “pequenas histórias em prosa” que constituem “Uma estadia no inferno”. Se considerarmos que esse texto é, ao lado das “Iluminações”, o grande legado em prosa do jovem poeta das Ardenas, podemos ver na afirmação, mais do que uma frase de efeito, a síntese de uma poética que não cessou de reclamar “invenções de desconhecido”, e que, como disse Mallarmé, “nenhuma circunstância literária realmente preparou”. “Uma estadia no inferno” e “Iluminações” fazem parte da  Prosa poética  de Rimbaud, organizada por Ivo Barroso, cuja segunda edição revista foi recentemente lançada pela Topbooks. Se a primeira tradução de “Uma estadia no inferno”, de 1972, já era a melhor versão brasileira da obra, as sucessivas e cuidadosas re...

Cartas de um visionário

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Cartas de um visionário Chega às livrarias  Correspondência , o terceiro e último volume da obra completa de Arthur Rimbaud. O tradutor Ivo Barroso comenta a evolução do poeta até atingir o ponto mais alto:  Iluminações , com os primeiros versos livres. Desde o começo do século 20, quando os teóricos russos alcunhados de formalistas deram plena autonomia à literatura — instituindo assim os preceitos da crítica literária moderna — evita-se estabelecer a relação de causa e efeito entre a vida do autor e sua obra. Entrementes, o antigo modelo persiste de modo didático nos mais variados métodos de ensino. Como se pudesse abalizar a obra, a leitura de certos autores inicia-se pela sua biografia; cada linha escrita seria forçosamente fruto de algum fato peculiar na existência do escritor. No caso de uma vida revolta e múltipla como a de Arthur Rimbaud, a análise da obra dificilmente escapa à associação com sua biografia. Um dos grandes expoentes da poesia francesa, Rimbaud real...

Cordialmente, Arthur Rimbaud

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Cordialmente, Arthur Rimbaud Primeira edição brasileira com as cartas do poeta mostra uma vida partida em duas, entre o gênio precoce e a existência errante na África Miguel Conde Autorretrato na varanda de casa, no Harar (1883) Num dia de julho de 1873, o poeta Paul Verlaine andava pelas ruas de Londres levando uma rara provisão de comida e a dose costumeira de bebida para a casa onde vivia com Arthur Rimbaud, o jovem talentoso por quem há pouco mais de um ano abandonara a mulher, o filho, o emprego, e de modo geral todos os compromissos que até então fazi-am dele um integrante respeitável da sociedade parisiense. Ao se aproximar do número 8 da Great College Street, porém, ouviu o grito sarcástico do amante: "Que ar de babaca, com esse arenque e a garrafa na mão!". Seria apenas uma provocação infantil, não fossem as incontáveis punhaladas (metafóri-cas e literais) já trocadas pelos dois escritores em sua rotina de brigas, bebedeiras e pe-núria. Decidido a encerrar o rel...

A ERA DO CACAREJO

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A ERA DO CACAREJO “Num momento como o nosso, em que somos atazanados por um bando de palpiteiros ensandecidos, que manifestam permanentemente os próprios pensamentos, Rimbaud recorda as infinitas virtudes do silêncio. Ele é um modelo para todos nós”. Rimbaud espancava Verlaine. Eu invejo Rimbaud. Eu gostaria de ter espancado Verlaine. Eu gostaria de ter espancado qualquer poeta simbolista. Verlaine vingou-se alguns anos mais tarde, num quarto de hotel, dando dois tiros em Rimbaud. Eu também invejo Verlaine. Ele tinha apenas má pontaria. A editora  Topbooks , depois de publicar os poemas de Rimbaud, agora publicou suas cartas, otimamente traduzidas e comentadas por Ivo Barroso. O primeiro lote de cartas mostra Rimbaud e Verlaine espancando um ao outro e atirando um no outro. Qual é o interesse disso? Para mim, nenhum. Eu poria os dois na cadeia. De fato, os dois foram parar na cadeia. O que realmente interessa é o segundo lote de cartas, escritas a partir de 1875, quando Rimbau...

ECLIPSE DE UMA PAIXÃO

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ECLIPSE DE UMA PAIXÃO (Total Eclipse, EUA/ França, Bélgica, 1995, Cor, 111’) De: Agnieszka Holland Com: Leonardo DiCaprio, David Thewlis, Romane Bohringer Sinopse: Arthur Rimbaud, "o poeta dos sentidos", como ficou conhecido, revolucionou a poesia do final do século XIX e continua influenciando escritores e surpreendendo leitores até hoje. O filme foca o turbulento período de produção literária de Rimbaud, que coincide com o tempo em que viveu apadrinhado por outro grande poeta, Paul Verlaine. Mas a admiração de um escritor pelo outro vai além, faz com que ambos de apaixonem, para desespero da mulher de Verlaine. Um filme que transcende em si mesmo é assim como pode ser definido Eclipse de Uma Paixão. Primeiro pela escolha do tema, muito difícil de ser tratado por sinal, que é a vida de Arthur Rimbaud,um dos poetas fundadores da Era Moderna na literatura mundial, sua influência na literatura é absurda, influenciando os mais diversos poetas. Agnie...

O transgressor mais adorado

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O transgressor mais adorado A obra completa do poeta francês Arthur Rimbaud, que parou de escrever aos 20 anos, recebe primorosa tradução pelo poeta mineiro Ivo Barroso Luís Antônio Giron O poeta francês Arthur Rimbaud (1854-1891) ganhou admiradores entre seus colegas brasileiros. Vinicius de Moraes e outros se inspiraram nos poemas ''As Iluminações'' e ''Oração da Tarde'', nos quais convivem visões proféticas e palavrões. Apesar disso, ainda não se completou a tradução brasileira de toda a obra de Rimbaud. A lacuna deverá ser preenchida quando o escritor Ivo Barroso lançar a  Correspondência  de Rimbaud. O volume [ já em fase final de produção ] encerrará a edição da integral do bardo visionário [ pela editora  Topbooks ]. ''Depois de uma vida devotada a ele, vou encerrar a missão'', promete Barroso, que já traduziu 220 das 250 cartas do poeta - algumas delirantes . Barroso acaba de lançar o volume  Poesia Completa  de Rimbaud, em e...

RIMBAUD SEM FIM

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RIMBAUD SEM FIM Com a publicação da correspondência do poeta francês, Brasil tem acesso à obra completa de uma figura sem equivalentes nos dias atuais; biografia feita por Edmund White também é editada no país Irinêo Baptista Netto Rimbaud (1854-1891) é o tipo de figura que a indústria cultural de hoje adoraria explorar. É até inexplicável que não o façam. Jovem e rebelde, escreveu toda a poesia pela qual é lembrado entre os 16 e os 19 anos. Com 19 (uma criança para os padrões atuais, mas definitivamente um adulto na segunda metade do século XIX), abandonou a literatura para virar mercador de armas na África e nunca mais escreveu outro verso. Nunca mais. A vida era pouco para Rimbaud. Há questão de semanas, o Brasil entrou para o grupo de países que podem ler, na língua pátria, tudo o que produziu o “poeta das sensações”. Foi quando a Topbooks publicou  Correspondência , terceiro e último volume das obras completas, com tradução de Ivo Barroso, que já havia vertido ao português a...

O místico selvagem

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O místico selvagem Em tradução primorosa, a Correspondência de Rimbaud revela a gênese do poeta maldito e do explorador colonial SILVIANO SANTIAGO*  / ESPECIAL PARA A FOLHA Em 1924, o jovem Carlos Drummond escreve a Mário de Andrade: "Nasci em Minas, quando devera nascer (não veja cabotinismo nesta confissão, peço-lhe!) em Paris. O meio em que vivo me é estranho: sou um exilado". Em 1879, o jovem Arthur Rimbaud (1854-91) escrevia de Charleville a seu mentor: "Minha cidade natal é supremamente idiota entre todas as cidades pequenas da província. Estamos exilados em nossa própria pátria!!!". A sensação de exílio no torrão natal tem repercussões por personagens como Emma Bovary, de Gustave Flaubert, ou Luísa, de Eça de Queirós, e pelos poemas de Cesário Verde e reafirma a posição de Paris como centro do projeto cultural e artístico ocidental. Marca de nascença O exílio é marca de nascença e, no caso de Flaubert e de Eça, serve para reforçar o drama da frustraçã...