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O que é linguística

Posted by Profº Monteiro on abril 12, 2017
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A autora Eni Pulcinelli Orlandi em seu livro "O que é linguística" afirma que o ser humano necessita de conhecimentos para poder se estabelecer no mundo em que vive. É por isso que ela procura explicações para tudo que existe, um exemplo importante é a procura de explicações para a linguagem que o acompanha onde quer que ela esteja, isto é, ela é extremamente necessária para a convivência com os outros.
O homem sempre está a procura de respostas que possam explicar a linguagem, pois ela o acompanha desde sempre, isto através da literatura, poesias, religião, lendas etc. Tudo isso mostra a curiosidade do homem pela linguagem.
Para Eni, a linguística é completamente diferente da gramática tradicional, normativa, que estabelece regras de correção para o uso da linguagem verbal, oral ou escrita. Ela estuda a estrutura (como se forma, sua origem, sua decomposição) e a função (qual papel como elemento comum a uma coletividade de linguagem humana).
Como a linguagem é uma abstração, a lingüística busca o estudo cientifico dessa linguagem, determinando normas que possibilitem o conhecimento no tempo e no espaço. Ela se preocupa com a faculdade humana de produzir signos orais e escritos de comunicação, também leva em conta principalmente a possibilidade de individuo pesquisar e buscar novos conhecimentos. Por esse motivo é que a língua portuguesa deve ser revista não como fator de exclusão, mas como um elo de interação entre os personagens que possuem um bem comum: uma mesma língua-mãe.
Quando o ser humano fala ou escreve ele produz sinais que são chamados de signos. Esses signos é que une o homem com os demais, ou seja, com sua realidade social e natural;
De acordo com Saussure a definição de signo é como uma união entre significante (imagem acústica) e significado (conceito), sendo o significante o suporte material do signo ou de uma expressão.
Saussure também faz uma distinção importante que é a separação da língua e fala. Para ele língua é o conjunto de todas as regras que determinam o emprego de sons e relações sintáticas necessárias para a produção de significados, isto é, fato social, geral e visual, em contrapartida a fala é a execução da língua pelo individuo falante, ela depende do individuo e não da sistemática.
Nesta distinção também há a que separa a sincronia da diacronia. A sincronia é o estado atual do sistema da língua, já a diacronia é a sucessão de diferentes estados da língua em evolução. Ele inclui a fala e a diacronia deixando somente os conceitos de língua, valor e sincronia.
São traçadas pela escritora as funções da linguagem. Essas funções vão ser caracterizadas de acordo com o papel de cada um dos elementos do esquema de comunicação que é: emissor que transmite a mensagem ao receptor, canal que liga o emissor com o receptor e o código de comunicação que une todos estes elementos.
Vamos recapitular as funções:
Expressiva > Centrada no emissor
Conotativa > Centrada no receptor
Referencial > Centrada no objeto de comunicação
Fática > Centrada no canal, ligação entre emissor e receptor.
Poética > Centrada na mensagem
Metalingüística > No código
Quando nós falamos, colocamos em funcionamento todas essas funções, sendo que algumas podem apresentar mais que as outras, isso depende do contexto de cada uma.
A autora também trata neste livro do objetivo da sociolingüística que é sistematizar a variação existente na linguagem. Ela julga que a mesma não é homogênea, mas é heterogênea e dinâmica.
Podemos observar hoje que a linguagem esta sempre em mudança, inovando-se a cada dia conforma a atualidade. Como a sociolingüística mantém separado a lingüística e o social ela não produz inovações quando a análise propriamente lingüística.
A linguagem não é só ordem e principio de classificação. Como o ser humano ela é feita também por suas ilusões e seus mistérios, e são essas ilusões e mistérios é que fascina.
Conclusão
Este livro "O que é lingüística" esclarece todas as duvidas que me acompanhava. Nele a autora traz muitas definições e exemplos do que é realmente lingüística.
Esta leitura possibilitou o aprendizado e me incentivou ainda mais para se interar do assunto, procurando livros, pessoas mais informadas sobre o mesmo, enfim, tudo que pudesse suprir minhas necessidades e expectativas.
Ele me auxiliou no aprendizado e me fez entender o que é lingüística, sua relação com as outras ciências, seus objetivos, sua divisão, a contribuição de Saussure para com ela, a diferença entre a lingüística e a gramática, finalmente tudo que se relaciona com ela.
Evidentemente este trabalho foi muito bom, pois agora não só eu, mas com certeza todos os acadêmicos que o leram estão mais informados, ou seja, obterão com a leitura mais conhecimentos sobre esta disciplina.
Espero que cada vez mais possamos nos interar sobre este assunto para alcançar mais instruções e experiências sobre o mesmo.

LIVRO PRECONCEITO LINGUISTICO

Posted by Profº Monteiro on março 16, 2017


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No livro "Preconceito Lingüístico" o autor Marcos Bagno, defende com vigor a língua viva e verdadeiramente falada no Brasil.
O livro contém 183 páginas e é publicado pelas Edições Loyola (11ª edição, 2002). Está dividido em quatro partes e um anexo: I – A mitologia do preconceito lingüístico; II – O círculo vicioso do preconceito lingüístico; III – A desconstrução do preconceito lingüístico; e IV – O preconceito contra a lingüística e os lingüistas. O anexo refere-se à carta enviada pelo autor à revista Veja.
Para o autor "tratar da língua é tratar de um tema político", já que também é tratar de seres humanos.
"O preconceito lingüístico está ligado, em boa medida, à confusão que foi criada, no curso da história, entre a língua e gramática normativa"
Marcos Bagno diz que a língua é como um rio que se renova, enquanto a gramática normativa é como a água do igapó, que envelhece, não gera vida nova a não ser que venham as inundações.
O preconceito lingüístico, vem sendo alimentado diariamente pelos meios de comunicação, que pretendem ensinar o que é "certo" e o que é "errado", sem falar, é claro nos instrumentos tradicionais de ensino da língua, ou seja a gramática normativa e os livros didáticos.
Para superar os preconceitos lingüísticos, o autor começa por lembrar, catalogar e dissecar alguns mitos consagrados:
"A língua portuguesa apresenta uma unidade surpreendente" - o maior e mais sério dentre os outros mitos, por ser prejudicial à educação e não reconhecer que o português falado no Brasil é bem diversificado, mesmo a escola tentando impor a norma lingüística como se ela fosse de fato comum a todos os brasileiros. As diferenças de status social em nosso país, explicam a existência do verdadeiro abismo lingüístico entre os falantes das variedades não-padrão do português brasileiro que compõe a maior parte da população e os falantes da suposta variedade culta, em geral não muito bem definida, que é a língua ensinada na escola.
"Brasileiro não sabe português/Só em Portugal se fala bem português"- de acordo com o autor, essas duas opiniões refletem o complexo de inferioridade de sermos até hoje uma colônia dependente de uma país mais antigo e mais "civilizado". O brasileiro sabe português sim. O que acontece é que o nosso português é diferente do português falado em Portugal. A língua falada no Brasil , do ponto de vista lingüístico já tem regras de funcionamento, que cada vez mais se diferencia da gramática da língua falada em Portugal. Na língua falada, as diferenças entre o português de Portugal e o português falado Brasil são tão grandes que muitas vezes surgem dificuldades de compreensão. O único nível que ainda é possível uma compreensão quase total entre brasileiros e portugueses é o da língua escrita formal, porque a ortografia é praticamente a mesma, com poucas diferenças. Concluí-se que nenhum dos dois é mais certo ou mais errado, mais bonito ou mais feio: são apenas diferentes um do outro e atendem às necessidades lingüísticas das comunidades que os usam, necessidades lingüísticas que também são diferentes.
"Português é muito difícil" – para o autor essa afirmação consiste na obrigação de termos de decorar conceitos e fixar regras que não significam nada para nós. No dia em que nossa língua se concentrar no uso real, vivo e verdadeiro da língua portuguesa do Brasil, é bem provável que ninguém continue a repetir essa bobagens. Todo falante nativo de um língua sabe essa língua, pois saber a língua, no sentido científico do verbo saber, significa conhecer intuitivamente e empregar com naturalidade as regras básicas de funcionamento dela. A regência verbal é caso típico de como o ensino tradicional da língua no Brasil não leva em conta o uso brasileiro do português. Por mais que o aluno escreva o verbo assistir de forma transitiva indireta, na hora de se expressar passará para a forma transitiva direta: "ainda não assisti o filme do Zorro!"
Tudo isso por causa da cobrança indevida, por parte do ensino tradicional, de uma norma gramatical que não corresponde à realidade da língua falada no Brasil.
"As pessoas sem instrução falam tudo errado" – Isso se deve simplesmente a um questão que não é linguística, mas social e política – as pessoas que dizem Cráudia, Praca, Pranta pertencem a uma classe social desprestigiada, marginalizada, que não tem acesso à educação forma e aos bens culturais da elite, e por isso a lingua que elas falam sobre o mesmo preconceito que pesa sobre elas mesmas, ou seja, sua língua é considerada "feia", "pobre", "carente", quando na verdade é apenas diferente da língua ensinada na escola. Assim, o problema não está naquilo que se fala, mas em quem fala o quê. Neste caso, o preconceito lingüístico é decorrência de um preconceito social.
"O lugar onde melhor se fala português no Brasil é o Maranhão" – O que acontece com o português do Maranhão em relação ao português do resto do país é o mesmo que acontece com o português de Portugal em relação ao português do Brasil: não existe nenhuma variedade nacional, regional ou local que seja intrinsecamente "melhor", "mais pura", "mais bonita", "mais correta" que outra. Toda variedade lingüística atende às necessidades da comunidade de seres humanos que a empregam. Quando deixar de atender, a ela inevitavelmente sofrerá transformações para se adequar à novas necessidades.
"O certo é falar assim porque se escreve assim" – o que acontece é que em toda língua mundo existe um fenômeno chamado variação, isto é, nenhuma língua é falada do mesmo jeito em todos os lugares, assim como nem todas as pessoas falam a própria língua de modo idêntico. A ortografia oficial é necessária, mas não se pode ensiná-la tentando criar uma língua falada "artificial" e reprovando como "erradas" as pronúncias que são resultado natual das forças internas que governam o idiomas.
"É preciso saber gramática para falar e escrever bem" – Segundo Mário Perini em Sofrendo a gramática (p.50), "não existe um grão de evidência em favor disso; toda a evidência disponível é em contrário". Afinal, se fosse assim, todos os gramáticos seriam grandes escritores, e os bons escritores seriam especialistas em gramática.
A gramática normativa é decorrência da língua, é subordinada a ela, dependente dela. Como a gramática, porém, passou a ser um instrumento de poder e de controle. A língua passou a ser subordinada e dependente da gramática.
"O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social" – esse mito como o primeiro são aparentados porque ambos tocam em sérias questões sociais. A transformação da sociedade como um todo está em jogo, pois enquanto vivermos numa estrutura social cuja existência mesma exige desigualdades sociais profundas, toda tentativa de promover a "ascensão" social dos marginalizados é, senão hipócrita e cínica pelo menos de uma boa intenção paternalista e ingênua.
O autor do livro descreve a existência de um círculo vicioso de preconceito lingüístico composto de três elementos: o ensino tradicional, a gramática tradicional e os livros didáticos. Na visão de Bagno, isso não funciona assim, "a gramática tradicional inspira a prática de ensino, que por sua vez provoca o surgimento da indústria do livro didático, cujos autores, fechando o círculo, recorrem à gramática tradicional como de fonte de concepções e teorias sobre a língua". A maneira como o ensino é administrado tem sido estudada pelo Ministério da Educação e nos Parâmetros curriculares nacionais" reconhece que há "muito preconceito decorrente do valor atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente reconhecidas e, quando são, são objeto de avaliação negativa. Bagno cita o quarto elemento como sendo os comandos paragramaticais, ou seja todo esse arsenal de livros, manuais de redação de empresas jornalísticas, programadas de rádio e de televisão, colunas de jornal e de revista, CD-ROMS, "consultórios gramaticais" por telefone e por a afora, que é a "saudável epidemia" citada por Arnaldo Niskier.
De acordo com Bagno, o formidável poder de influência dos meios de comunicação e dos recursos da informática poderia ser de grande utilidade se fosse usado precisamente na direção oposta: na destruição dos velhos mitos, na elevação da auto-estima lingüística dos brasileiros, na divulgação do que há de realmente fascinante no estudo da língua.

Bagno cita o professor Napoleão Mendes de Almeida
Falecido em 1998, como o mais respeitado e renomado propagador do preconceito lingüístico por meio de comandos paragramaticais no Brasil durante muito tempo. Ele nunca escondeu sua intolerância e seu autoritarismo em suas colunas de jornal, como também o seu profundo preconceito social registrado no seu Dicionário de questões vernáculas. Para Napoleão, a literatura brasileira morreu com Machado de Assis, tudo que veio com o Modernismo e a modernidade é desprezível. Carlos Drummond de Andrade, nem pensar. Napoleão o condenou aos infernos só porque trocou o verbo haver pelo ter no verso " No meio do caminho tinha uma pedra".
Além de Napoleão, Marcos Bagno cita também Luiz Antônio Sacconi que escreveu o livro Não erre mais! Um festival de besteiras que é consumido com todo o tipo de expressões preconceituosas.
Mas segundo Bagno, o problema se estende à imprensa. Ele destacou uma coluna da Professora Dad Squarisi, que escreve no Correio Brasiliense as Dicas de Português, e analisou. É preciso reconhecer a capacidade da Professora Dad e a utilidade dela no resultado.
Bagno faz uma avaliação rigorosa a uma coluna publicada no Correio Brasiliense em 26.06.1996 e republicada no Diário de Pernambuco no dia 15.11.1998, com o título Português ou Caipirês?, a que se referia à viagem do presidente Fernando Henrique Cardoso à Portugal, quando acusou os brasileiros de serem todos caipiras.
O texto de Bagno aponta todos os preconceitos praticados pela autora da coluna contra o povo brasileiro, sem esquecer da questão gramatical.
Dad afirma que o brasileiro, caipira, jeca-tatu, capial, matuto, "sem nenhum compromisso com a gramática portuguesa, não faz concordância em frases como vende-se carros". Segundo Bagno "a questão da partícula se em enunciados do tipo acima vem sendo investigada há muito tempo nos estudos gramaticais e lingüísticos brasileiros. O que todos os estudiosos concluem é que, na língua falada no Brasil, no português brasileiro, ocorreu uma reanálise sintática nesse tipo de enunciado, isto é, o falante brasileiro não considera mais esses enunciados como orações passivas sintéticas. O que a gramática normativa insiste em classificar como sujeito a gramática intuitiva do brasileiro interpreta como objeto direto.
Mas Bagno informa ainda que os lingüistas Manoel Said Ali, Antenor Nascentes e Joaquim Mattoso Câmara Jr., reconhecem o fenômeno e que em todas as classes sociais o brasileiro escreve o verbo no singular e põe o substantivo no plural. Ele mostra também que em Portugal expõe este mesmo "defeito" gramatical. Bagno quer dizer com esse exemplo que as normas cultas são várias e mudam de acordo com o uso da língua. A Rigidez na defesa de certos dogmas pode não apenas reforçar preconceitos como expor os especialista a uma situação indesejável.
Não podemos deixar de reconhecer a existência de uma crise no ensino da Língua Portuguesa, nascida na recusa dos defensores da gramática tradicional em acompanhar os avanços da ciência da linguagem. Para se mudar esse quadro é necessário uma mudança de atitude, perder essa idéia de "certo" e "errado" e refletir a respeito dessas dez cisões propostas por Bagno para um ensino mais consciente e menos preconceituoso:
1) Conscientizar-se de que todo falante nativo de uma língua é um usuário competente dessa língua, por isso ele SABE essa língua. Com mais ou menos quatro anos de idade, uma criança já domina integralmente a gramática de sua língua. Sendo assim,
2) Não existe erro de português. Existem diferentes gramáticas para as diferentes variedades de português, gramáticas que dão conta dos usos que diferem da alternativa única proposta pela Gramática Normativa.
3) Não confundir erro de português (que, afinal, não existe) com simples erro de ortografia. A ortografia é artificial, ao contrário da língua, que é natural. A ortografia é uma decisão política, por isso ela pode mudar de uma época para outra. Línguas que não têm sistema escrito nem por isso deixam de ter sua gramática.
4) Tudo o que os gramáticos conservadores chamam de erro é na verdade um fenômeno que tem uma explicação científica perfeitamente demonstrável. Nada é por acaso.
5) Toda língua muda e varia. O que hoje é visto como certo já foi erro no passado. O que hoje é visto como erro pode vir a ser perfeitamente aceito como certo no futuro da língua.
6) A língua portuguesa não vai nem bem, nem mal. Ela simplesmente VAI, isto é, segue seu caminho, transformando-se segundo suas próprias tendências internas.
7) Respeitar a variedade lingüística de uma pessoa é respeitar a integridade física e espiritual dessa pessoa como ser humano digno de todo respeito, porque
8) A língua permeia tudo, ela nos constitui enquanto seres humanos. Nós somos a língua que falamos. Enxergamos o mundo através da língua. Assim,
9) O professor de português é professor de TUDO. Por isso talvez devesse ter um salário igual à soma dos salários de todos os demais professores.
10) Ensinar bem é ensinar para o bem. É valorizar o saber intuitivo do aluno e não querer suprimir autoritariamente sua língua materna, acusando-a de ser "feia" e "corrompida". O ensino da norma culta tem de ser feito como um acréscimo à bagagem lingüística da pessoa e não como uma substituição de uma língua "errada" por uma "certa".
Na quarta parte do livro o autor trata do preconceito contra a lingüística e os lingüistas. De acordo com Bagno, os termos e conceitos da Gramática Tradicional estabelecidos há mais de 2.300 anos, continuam a ser repassados praticamente intactos de uma geração de alunos para outra, como se desde aquela época remota não tivesse acontecido nada na ciência da Linguagem.
Com referência a lingüística ele diz que como toda a ciência, é o lugar das surpresas, das descobertas, do novo, da substituição de paradigmas, da reformulação crítica das teorias. Mesmo com todas essas inovações , a gramatical tradicional ainda encontra apoio e defesa quase que irracional.
A atividade dos lingüistas brasileiros, segundo Marcos Bagno, vem sofrendo ataques contra qualquer tentativa de democratização do saber e da sociedade. Os atuais detratores da ciência lingüística acusam os estudiosos da linguagem de defenderem o não-ensino das formas padronizadas do português, numa tentativa detalhada e sofisticada em duas ou três afirmações toscas e propositadamente deturpadas.
Bagno cita em seu livro um caso de preconceito contra os lingüistas, por absolutas desconsideração e omissão. Refere-se ao projeto de lei (de 1999) do deputado Aldo Rebelo (PcdoB/SP) sobre "a promoção, a proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa, que embora tratando de assuntos que dizem respeito ao campo de investigação da lingüística teórica e aplicada, em nenhum momento faz referência aos cientistas da linguagem, às pessoas que se dedicam profissionalmente ao estudo da língua.
Além de Aldo Rebelo, Bagno cita nomes como Napoleão que lançava seu ataques contra o lingüista e as concepções obscurantistas sobre a ciência da linguagem de Pasquale Cipro Neto.
Por fim o Professor Marcos Bagno em uma carta enviada à Revista Veja, diz que nossos meios de comunicação de massa se encontram na contramão da História quando o assunto é língua. Pois a mídia continua a dar as costas à investigação científica da linguagem, preferindo consagrar-se a divulgação dos "mitos" em nossa língua, deixando espaço para alguns oportunistas com atitudes anticientíficas dogmáticas e até obscurantistas a respeito da língua e seu ensino. E solicita então que seja concedido um espaço aos verdadeiros especialistas, às pessoas que dedicam toda a sua energia, vida e inteligência ao estudo dos fenômenos da linguagem humana e à proposição de novos métodos de ensino, capazes de dar voz aos que, por força de tantas estruturas sociais injustas, sempre foram mantidos em silêncio.

Aula Funcionalismo

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 08, 2017

O funcionalismo se preocupa em estudar a relação entre a estrutura gramatical da língua e seus vários contextos da comunicação, indo alem das propostas teóricas acerca da natureza da linguagem.

Os funcionalistas concebem a linguagem como instrumento de interação social e analisa a motivação para os fatos da língua ,ela procura explicar a regularidade no uso interativo da língua .

Por exemplo:

Nas frases

1 você é desonesto

2desonesto é você


Pela analise sintática não se poderia explicar o uso de uma frase ou outra ,porem na 1ª frase temos uma afirmação enquanto na 2ª temos uma replica ou resposta acentuada pela inversão do predicativo desonesto e sendo assim esta 2ª frase só fará sentido em uma situação em que no contexto o interlocutor tenha feito um insulto anterior.
Nesse exemplo percebemos a essência da analise funcionalista que visa trabalhar com frases dentro de um contexto de comunicação é a universalidade dos usos da linguagem na comunicação,ao contrario dos gerativistas que defendem que ops universais derivam de uma herança genética da raça humana.

Os funcionalistas pregam que uma criança aprende a linguagem e a gramática da mesma forma que aprende outros tipos de aprendizagem de acordo com o seu meio e interlocutores ao contrario dos gerativista que defendem a aquisição da linguagem como algo especifico e único .

Com isso também pode-se dizer que a criança tendo uma capacidade cognitiva rica ela ira se adaptar as situações sociais,culturais,e ambientais de sua época e meio de convívio,

Sendo assim a língua tem funções externas ao sistema lingüístico e as funções externas influenciam na organização do sistema lingüístico.

Em uma analise mais radical funcionalista ,os propósitos comunicativos dos interlocutores definem as categorias gramaticais demodo que não existiria o modo extrutural denominado sintaxe, a língua seria descrita apenas pelos princípios comunicativos.

Nessa linha temos o trabalho de du bois (1985) sobre a estrutura dos argumentos,e de hopper e tompsompson (1980) que trata da transitividade como uma categoria que deriva do discurso.

Em uma postura mais moderada admite uma interação entre forma e funçãode modo que as funções externas atuariam juntas com a organização formal do sistema lingüístico sem fundamentalmente definir suas categorias básicas.
Segundo a fonologia desenvolvida em praga os fonemas, definidos como mínimos do sistema lingüístico, não são elementos mínimos em si, mas feixes e conjuntos de traços distintivos simultâneos.
Função distintiva
Ex o fonema p e b o 1 é oclusivo bilabial surdo o 2 é oclusivo,bilabial sonoro
E isto distingue palavras como pata e bata /pico e bico
Função demarcadora
Acento Tonico
Serve para demarcar a fronteira entre uma forma e outra
Por exemplo, nas palavras (fábrica) substantivo e (fabrica) verbo.

Função expressiva
Indica sentimento por
Ex: na palavra liiiiiiiido.

Jakobson é responsável pelo conceito de marcação na morfologia que estabelece distinção entre categorias marcadas e não marcadas .
Ex:a oposição entre p e b vista antes se da na sonoridade sendo p + sonoro é marcado e b – sonoro é não marcado , na morfologia a palavra meninos + plural é marcada e menino no singular é não marcada
Segundo mathesius na teoria da perspectiva (que é uma analise em termos da informação transmitida pela organização das palavras).
Ex:
Eu já li este livro
Esse livro eu já li

De acordo com o funcionalismo não podemos dizer que as frases têm o mesmo significado, pois, apesar de terem o mesmo conteúdo semântico, não tem o mesmo conteúdo pragmático.
Pois é importante ressaltar que o fato de “esse livro” já ter ou não, sido mencionado anteriormente é decisivo para a analise da frase, pois, na frase B da se status de informação já dada e o coloca no inicio da frase.
Jan firbas desenvolveu na década de 60 um modelo de estrutura informacional que busca analisar sentenças efetivamente enunciadas para determinar sua função comunicativa.
Ex: 1 o que Maria comprou ?
2 Maria comprou uma bolsa preta.
À parte da sentença que representa a informação dada tem menos dinamismo comunicativo, ou seja a informação dada por ela é mínima e se chama tema , a parte que tem a informação nova é a rema .

40 exercícios sobre formação de palavras com gabarito

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 07, 2017

Faça os exercícios sobre o processo de formação das palavras e prepare-se para as provas finais. Os exercícios de processo de formação das palavras irão lhe ajudar a entender a matéria e desenvolver um raciocínio lógico.

1. (IBGE) Assinale a opção em que todas as palavras se formam pelo mesmo
      processo:
      a) ajoelhar / antebraço / assinatura
      b) atraso / embarque / pesca
      c) o jota / o sim / o tropeço
      d) entrega / estupidez / sobreviver
      e) antepor / exportação / sanguessuga

 2. (BB) A palavra "aguardente" formou-se por:
      a) hibridismo     d) parassíntese
      b) aglutinação     e) derivação regressiva
      c) justaposição

3. (AMAN) Que item contém somente palavras formadas por justaposição?
      a) desagradável - complemente
      b) vaga-lume - pé-de-cabra
      c) encruzilhada - estremeceu
      d) supersticiosa - valiosas
      e) desatarraxou - estremeceu

4. (UE-PR) "Sarampo" é:
      a) forma primitiva
      b) formado por derivação parassintética
      c) formado por derivação regressiva
      d) formado por derivação imprópria
      e) formado por onomatopéia

5. (EPCAR) Numere as palavras da primeira coluna conforme os processos de formação numerados à direita. Em seguida, marque a alternativa que corresponde à seqüência numérica encontrada:
      ( ) aguardente     1) justaposição
      ( ) casamento     2) aglutinação
      ( ) portuário         3) parassíntese
      ( ) pontapé         4) derivação sufixal
      ( ) os contras     5) derivação imprópria
      ( ) submarino     6) derivação prefixal
      ( ) hipótese
      a) 1, 4, 3, 2, 5, 6, 1         d) 2, 3, 4, 1, 5, 3, 6
      b) 4, 1, 4, 1, 5, 3, 6         e) 2, 4, 4, 1, 5, 3, 6
      c) 1, 4, 4, 1, 5, 6, 6

6. (CESGRANRIO) Indique a palavra que foge ao processo de formação de chapechape:
      a) zunzum         d) tlim-tlim
      b) reco-reco        e) vivido
      c) toque-toque

 7. (UF-MG) Em que alternativa a palavra sublinhada resulta de derivação imprópria?
      Às sete horas da manhã começou o trabalho principal: a votação.
      Pereirinha estava mesmo com a razão. Sigilo... Voto secreto ... Bobagens, bobagens!
      Sem radical reforma da lei eleitoral, as eleições continuariam sendo uma farsa!
      Não chegaram a trocar um isto de prosa, e se entenderam.
      Dr. Osmírio andaria desorientado, senão bufando de raiva.

 8. (AMAN) Assinale a série de palavras em que todas são formadas por parassíntese:
      a) acorrentar, esburacar, despedaçar, amanhecer
      b) solução, passional, corrupção, visionário
      c) enrijecer, deslealdade, tortura, vidente
      d) biografia, macróbio, bibliografia, asteróide
      e) acromatismo, hidrogênio, litografar, idiotismo

9. (FFCL SANTO ANDRÉ) As palavras couve-flor, planalto e aguardente são formadas por:
      a) derivação         d) composição
      b) onomatopéia     e) prefixação
      c) hibridismo

10. (FUVEST) Assinale a alternativa em que uma das palavras não é formada por prefixação:
      a) readquirir, predestinado, propor d) irrestrito, antípoda, prever
      b) irregular, amoral, demover e) dever, deter, antever
      c) remeter, conter, antegozar

11. (LONDRINA-PR) A palavra resgate é formada por derivação:
      a) prefixal         d) parassintética
      b) sufixal         e) imprópria
      c) regressiva

12. (CESGRANRIO) Assinale a opção em que nem todas as palavras são de um mesmo radical:
      a) noite, anoitecer, noitada     d) festa, festeiro, festejar
      b) luz, luzeiro, alumiar     e) riqueza, ricaço, enriquecer
      c) incrível, crente, crer

13. (SANTA CASA) Em qual dos exemplos abaixo está presente um caso de derivação parassintética?
      a) Lá vem ele, vitorioso do combate.
      b) Ora, vá plantar batatas!
      c) Começou o ataque.
      d) Assustado, continuou a se distanciar do animal.
      e) Não vou mais me entristecer, vou é cantar.

14. (UF-MG) Em todas as frases, o termo grifado exemplifica corretamente o processo de formação de palavras indicado, exceto em:
      a) derivação parassintética - Onde se viu perversidade semelhante?
      b) derivação prefixal - Não senhor, não procedi nem percorri.
      c) derivação regressiva - Preciso falar-lhe amanhã, sem falta.
      d) derivação sufixal - As moças me achavam maçador, evidentemente.
      e) derivação imprópria - Minava um apetite surdo pelo jantar.

15. (UF-MG) Em "O girassol da vida e o passatempo do tempo que passa não brincam nos lagos da lua", há, respectivamente:
      a) um elemento formado por aglutinação e outro por justaposição
      b) um elemento formado por justaposição e outro por aglutinação
      c) dois elementos formados por justaposição
      d) dois elementos formados por aglutinação
      e) n.d.a


16. (UF-SC) Aponte a alternativa cujas palavras são respectivamente formadas por justaposição, aglutinação e parassíntese:
      a) varapau - girassol - enfaixar
      b) pontapé - anoitecer - ajoelhar
      c) maldizer - petróleo - embora
      d) vaivém - pontiagudo - enfurece
      e) penugem - plenilúdio - despedaça

17. (UF SÃO CARLOS) Considerando-se os vocábulos seguintes, assinalar a alternativa que indica os pares de derivação regressiva, derivação imprópria e derivação sufixal, precisamente nesta ordem:
      embarque
      histórico
      cruzes!
      porquê
      fala
      sombrio
      a) 2-5, 1-4, 3-6     d) 2-3, 5-6, 1-4
      b) 1-4, 2-5, 3-6     e) 3-6, 2-5, 1-4
      c) 1-5, 3-4, 2-6

18. (VUNESP) Em "... gordos irlandeses de rosto vermelho..." e "... deixa entrever o princípio de uma tatuagem.", os termos grifados são formados, respectivamente, a partir de processos de:
      a) derivação prefixal e derivação sufixal
      b) composição por aglutinação e derivação prefixal
      c) derivação sufixal e composição por justaposição
      d) derivação sufixal e derivação prefixal
      e) derivação parassintética e derivação sufixal

19. (FURG-RS) A alternativa em que todas as palavras são formadas pelo mesmo processo de composição é:
      a) passatempo - destemido - subnutrido
      b) pernilongo - pontiagudo - embora
      c) leiteiro - histórico - desgraçado
      d) cabisbaixo - pernalta - vaivém
      e) planalto - aguardente - passatempo

20. (UNISINOS) O item em que a palavra não está corretamente classificada quanto ao seu processo de formação é:
      a) ataque - derivação regressiva
      b) fornalha - derivação por sufixação
      c) acorrentar - derivação parassintética
      d) antebraço - derivação prefixal

 e) casebre - derivação imprópria

21. (FUVEST) Nas palavras: atenuado, televisão, percurso temos, respectivamente, os seguintes processos de formação as palavras:
      a) parassíntese, hibridismo, prefixação
      b) aglutinação, justaposição, sufixação
      c) sufixação, aglutinação, justaposição
      d) justaposição, prefixação, parassíntese
      e) hibridismo, parassíntese, hibridismo

22. (UF-UBERLÂNDIA) Em qual dos itens abaixo está presente um caso de derivação parassintética:
      a) operaçãozinha         d) assustadora
      b) conversinha         e) obrigadinho
      c) principalmente

 23. (OBJETIVO) "O embarque dos passageiros será feito no aterro". Os dois termos sublinhados representam, respectivamente, casos de:
      a) palavra primitiva e palavra primitiva
      b) conversão e formação regressiva
      c) formação regressiva e conversão
      d) derivação prefixal e palavra primitiva
      e) formação regressiva e formação regressiva

24. (UFF-RIO) O vocábulo catedral, do ponto de vista de sua formação é:
      a) primitivo
      b) composto por aglutinação
      c) derivação sufixal
     d) parassintético
     e) derivado regressivo de catedrático

24. (PUC) Assinale a classificação errada do processo de formação indicado:
      a) o porquê - conversão ou derivação imprópria
      b) desleal - derivação prefixal
      c) impedimento - derivação parassintética
      d) anoitecer - derivação parassintética
      e) borboleta - primitivo

 25. (UF-PR) A formação do vocábulo sublinhado na expressão "o canto das sereias" é:
      a) composição por justaposição     d) derivação sufixal
      b) derivação regressiva         e) palavra primitiva
      c) derivação prefixal

 26. (ES-UBERLÂNDIA) Todos os verbos seguintes são formados por parassíntese (derivação parassintética), exceto:
      a) endireitar d) desvalorizar
      b) atormentar e) soterrar
      c) enlouquecer

27. (FUVEST) Assinalar a alternativa em que a primeira palavra apresenta sufixo formador de advérbio e, a segunda, sufixo formador de substantivo:
      a) perfeitamente varrendo d) atrevimento ignorância
      b) provavelmente erro e) proveniente furtado
      c) lentamente explicação

 28. (FUVEST) As palavras adivinhar - adivinho e adivinhação - têm a mesma raiz, por isso são cognatas. Assinalar a alternativa em que não ocorrem três cognatos:
      a) alguém - algo - algum
      b) ler, leitura - lição
      c) ensinar - ensino, ensinamento
      d) candura - cândido - incandescência
      e) viver - vida - vidente

 29. (FCMSC-SP) As palavras expatriar, amoral, aguardente, são formadas por:
      a) derivação parassintética, prefixal, composição por aglutinação
      b) derivação sufixal, prefixal, composição por aglutinação
      c) derivação prefixal, prefixal, composição por justaposição
      d) derivação parassintética, sufixal, composição por aglutinação
      e) derivação prefixal, prefixal, composição por justaposição

30. (MACK) As palavras entardecer, desprestígio e oneroso, são formadas, respectivamente, por:
      a) prefixação, sufixação e parassíntese
      b) sufixação, prefixação e parassíntese
      c) parassíntese, sufixação e prefixação
      d) sufixação, parassíntese e prefixação
      e) parassíntese, prefixação e sufixação

31. (FUVEST) Foram formadas pelo mesmo processo as seguintes palavras:
      a) vendavais, naufrágios, polêmicas
      b) descompõem, desempregados, desejava
      c) estendendo, escritório, espírito
      d) quietação, sabonete, nadador
      e) religião, irmão, solidão

32. (TRE-ES) Quem possui inveja é:
      a) invejozo d) invejoso
      b) invejeiro e) invejador
      c) invejado

 33. (ETF-SP) Assinalar a alternativa que indique corretamente o processo de formação das palavras sem-terra, sertanista e desconhecido:
      composição por justaposição, derivação por sufixação, derivação por prefixação e sufixação
      composição por aglutinação, derivação por sufixação e derivação por parassíntese
      composição por aglutinação, derivação por sufixação e derivação por sufixação
      composição por justaposição, derivação por sufixação e composição por aglutinação
      composição por aglutinação, derivação por sufixação e derivação por prefixação

34. (FUVEST) Assinalar a alternativa que registra a palavra que tem o sufixo formador de advérbio:
      a) desesperança         d) extremamente
      b) pessimismo         e) sociedade
      c) empobrecimento

35. (CESGRANRIO) Os vocábulos aprimorar e encerrar classificam-se, quanto ao processo de formação de palavras, respectivamente, em:
      a) parassíntese - prefixação
      b) parassíntese - parassíntese
      c) prefixação - parassíntese
      d) sufixação - prefixação e sufixação
      e) prefixação e sufixação - prefixação

36. (PUC) Considerando o processo de formação de palavras, relacione a coluna da direita com a da esquerda:
      ( 1 ) derivação imprópria         ( ) desenredo
      ( 2 ) prefixação             ( ) narrador
      ( 3 ) prefixação e sufixação         ( ) infinitamente
      ( 4 ) sufixação             ( ) o voar
      ( 5 ) composição por justaposição     ( ) pão de mel
      a) 3, 4, 2, 5, 1     d) 2, 4, 3, 5, 1
      b) 2, 4, 3, 1, 5     e) 4, 1, 5, 2, 3
      c) 4, 1, 5, 3, 2

 37. (ETF-SP) Assinalar a alternativa em que as duas palavras
são formadas por parassíntese:
      a) indisciplinado - desperdiçar
      b) incineração - indescritível
      c) despedaçar - compostagem
      d) endeusado - envergonhar
      e) descamisado - desonestidade

38. (ETF-SP) Assinalar a alternativa correta quanto à formação das seguintes palavras: girassol; destampado; vinagre; irreal.
      a) sufixação; parassíntese; aglutinação; prefixação
      b) justaposição; prefixação e sufixação; aglutinação; prefixação
      c) justaposição; prefixação e sufixação; sufixação; parassíntese
      d) sufixação; parassíntese; derivação regressiva; sufixação
      e) aglutinação; prefixação; aglutinação; justaposição

39. (CESGRANRIO) As palavras esquartejar, desculpa e irreconhecível foram formadas, respectivamente, pelos processos de:
      a) sufixação - prefixação - parassíntese
      b) sufixação - derivação regressiva - prefixação
      c) composição por aglutinação - prefixação - sufixação
      d) parassíntese - derivação regressiva - prefixação
      e) parassíntese - derivação imprópria - parassíntese

40. (PUC-RJ) A palavra engrossar apresenta o mesmo processo de formação de:
      a) embalançar         d) encobrir
      b) abstrair             e) perfurar
      c) encaixotar

Gabarito

      1 - B 11 - C 21 - A 31 - D
      2 - B 12 - B 22 - D 32 - D
      3 - B 13 - E 23 - E 33 - A
      4 - C 14 - A 24 - C 34 - D
      5 - E 15 - C 25 - B 35 - A
      6 - E 16 - D 26 - D 36 - B
      7 - D 17 - C 27 - E 37 - D
      8 - A 18 - D 28 - C 38 - B
      9 - D 19 - B 29 - A 39 - D
      10 - E 20 - E 30 - E 40 - C 

Significação de palavras - exercícios com gabarito

Posted by Profº Monteiro on maio 28, 2014

Confira a lista de exercícios completos e com gabarito sobre a Significação de palavras.

1) Assinale a alternativa cujas palavras substituem adequadamente as palavras e expressões destacadas abaixo:

 Passou-me sem atenção que a sua intenção era estabelecer uma diferença entre os ignorantes e os valentes, corajosos. 

a) desapercebido - descriminar - incipientes - intemeratos. 
b) despercebido - discriminar - insipientes - intimoratos. 
c) despercebido - discriminar - insipientes - intemeratos.
d) desapercebido - descriminar - insipientes - intemeratos. 
e) despercebido - discriminar - incipientes - intimoratos. 

2) O apaixonado rapaz ficou extático diante da beleza da noiva. A palavra destacada é sinônima de: 
a) imóvel 
b) admirado
c) firme 
d) sem respirar
e) indiferente

3) Indique a alternativa errada: 
a) As pessoas mal-educadas, sempre se dão mal com os outros. 
b) Os meus ensinamentos foram mal interpretados. 
c) Vivi maus momentos, naquela época. 
d) Temos que esclarecer os mau-entendidos. 
e) Os homens maus sempre prejudicam os bons. 

4) os sinônimos de exilado, assustado, sustentar e expulsão são, respectivamente: 
a) degredado, espavorido, suster e proscrição. 
b) degradado, esbaforido, sustar e prescrição. 
c) degredado, espavorido, sustar e proscrição. 
d) degradado, esbaforido, sustar e proscrição. 
e) degradado, espavorido, suster e prescrição. 

5) Trate de arrumar o aparelho que você quebrou e costurar a roupa que você rasgou, do contrário não sairá de casa nesse final de semana. As palavras destacadas podem ser substituídas por: 
a) concertar, coser e se não. 
b) consertar, coser e senão. 
c) consertar, cozer e senão. 
d) concertar, cozer e senão. 
e) consertar, coser e se não.


6) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase abaixo: Da mesma forma que os italianos e japoneses _________para o Brasil no século passado, hoje os brasileiros_________para a Europa e para o Japão, à busca de uma vida melhor; internamente, os para o Sul, pelo mesmo motivo. 

a) imigraram - emigram - migram
b) migraram - imigram - emigram 
c) emigraram - migram - imigram. 
d) emigraram - imigram - migram. 
e) imigraram - migram - emigram 

7) Há erro de grafia em: 
a) Eucláudia trabalha na seção de roupas. 
b) Hoje haverá uma sessão extraordinária na Câmara de Vereadores. 
c) O prefeito da cidade resolveu fazer a cessão de seus rendimentos à creche municipal. 
d) Voto 48a sessão, da 191a zona eleitoral. 
e) Ontem, fui ao cinema na sessão das dez. 

8) Assinale a letra que preenche corretamente as lacunas das frases apresentadas. A ___________da greve era ________, mas o líder dos trabalhadores iria __________ mais uma vez. 
a) deflagração - eminente - reivindicar. 
b) defragração - iminente - reinvidicar. 
c) deflagração - iminente - reivindicar. 
d) defragração - eminente - reinvindicar. 
e) defragração - eminente - reivindicar 

9 )Assinale a letra que preenche corretamente as lacunas das frases apresentadas. em mecânica de automóveis, ele foi diagnosticar o problema no motor do carro do diretor. 
a) esperto - tachado - incipiente. 
b) experto - tachado - insipiente. 
c) experto - taxado - insipiente. 
d) esperto - taxado - incipiente. 
e) esperto - taxado - incipiente. 

10) Assinale a letra que preenche corretamente as lacunas das frases apresentadas. O ladrão foi pego em _________, quando tentava levar _______quantia, devido a uma caminhões bem em frente ao banco. 
a) flagrante - vultosa - coalizão. 
b) fragrante - vultuosa - colisão. 
c) flagrante - vultosa - colisão. 
d) fragrante - vultuosa - coalizão. 
e) flagrante - vultuosa - coalizão. 
Gabarito1) B 2) B 3) D 4) A 5) B 6) A 7) D 8 ) C 9) D 10) C

Exercícios sobre os Elementos da Comunicação

Posted by Profº Monteiro on maio 15, 2014


EXERCÍCIOS SOBRE OS ELEMENTOS DE COMUNICAÇÃO 

1. O pai conversa com a filha ao telefone e diz que vai chegar atrasado para o jantar.
Nesta situação, podemos dizer que o canal é:
a) o pai
b) a filha
c) fios de telefone
d) o código
e) a fala

2. Assinale a alternativa incorreta:
a) Só existe comunicação quando a pessoa que recebe a mensagem entende o seu significado.
b) Para entender o significado de uma mensagem, não é preciso conhecer o código. 
c) As mensagens podem ser elaboradas com vários códigos, formados de palavras, desenhos, números
etc.
d) Para entender bem um código, é necessário conhecer suas regras.
e) Conhecendo os elementos e regras de um código, podemos combiná-los de várias maneiras, criando 
novas mensagens.

3. Uma pessoa é convidada a dar uma palestra em Espanhol. A pessoa não aceita o convite, pois não sabia falar com fluência a língua Espanhola. Se esta pessoa tivesse aceitado fazer esta palestra seria um
fracasso porque:
a) não dominava os signos
b) não dominava o código
c) não conhecia o referente
d) não conhecia o receptor
e) não conhecia a mensagem

4. Um guarda de trânsito percebe que o motorista de um carro está em alta velocidade. Faz um gesto pedindo para ele parar. Neste trecho o gesto que o guarda faz para o motorista parar, podemos dizer que é:
a) o código que ele utiliza
b) o canal que ele utiliza
c) quem recebe a mensagem
d) quem envia a mensagem
e) o assunto da mensagem

5. A mãe de Felipe sacode-o levemente e o chama: “Felipe está na hora de acordar”.
O que está destacado é:
a) o emissor
b) o código
c) o canal
d) a mensagem
e) o referente

6. Podemos afirmar que Referente é:
a) quem recebe a mensagem
b) o assunto da mensagem
c) o que transmite a mensagem
d) quem envia a mensagem
e) o código usado para estabelecer comunicação

Funções da Linguagem

Posted by Profº Monteiro on abril 08, 2014
A linguagem pode ser usada de diferentes formas pelo emissor de uma mensagem durante um processo de comunicação. A escolha precisa da função da linguagem mais adequada aumenta a chance de êxito no processo de comunicação, ou seja, a reação desejada no receptor.

Livros indicados

Linguagem da Propaganda Funções da Linguagem Lingüística e Comunicação

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Tópicos

  • O processo de comunicação
    • Emissor e receptor
    • Repertório e código
    • Intenção e feedback
    • Meio, mensagem e ruído
  • Relação entre o processo de comunicação e as funções da linguagem
    • Expressiva - Emissor
    • Referencial - Contexto
    • Fática - Meio
    • Apelativa - Receptor
    • Poética - Mensagem
    • Metalinguística - Código
  • Função expressiva
    • Primeira pessoa do singular (eu)
    • Emoções
    • Interjeições
    • Exclamações
    • Blog
    • Autobiografia
    • Cartas de amor
  • Função Referencial
    • Terceira pessoa do singular (ele/ela)
    • Informações
    • Descrições de fatos
    • Neutralidade
    • Jornais
    • Livros técnicos
  • Função Apelativa ou Conativa
    • Segunda pessoa do singular
    • Imperativo
    • Figuras de linguagem
    • Discursos políticos
    • Sermões
    • Promoção em pontos de venda
  • Função Fática
    • Interjeições
    • Lugar-comum
    • Saudações
    • Comentários sobre o clima
  • Função Poética
    • Subjetividade
    • Figuras de linguagem
    • Brincadeiras com o código
    • Poesia
    • Letras de música
    • Propaganda
  • Função Metalinguística
    • Referência ao próprio código
    • Poesia sobre poesia
    • Propaganda sobre propaganda
    • Dicionário
    retirado de
    http://www.usabilidoido.com.br/funcoes_da_linguagem.html

    Correção e tratamento de erros e seus possíveis efeitos na produção oral,e no processo de aprendizagem / aquisição de língua estrangeira em classe de adolescentes”

    Posted by Profº Monteiro on fevereiro 20, 2014

    Sobre a pesquisadora:
    Simone Afini Cardoso-Brito defendeu sua tese dissertação de mestrado na UNESP de são José do rio preto. Hoje, ela faz parte do corpo docente da Fatec de Guarulhos.
    Introdução
    1 - Estudo Dos Erros
     Na Análise Constrativa.
    2 - Estudos realizados principalmente no exterior por:
     Fisiak em 1964.
     Nikel em 1967.
     Filipovic e Arabski em 1968.
     Chitoran e Duskova em 1969 .
     Buteau em 1970.
     Dezió em 1971.
     Burt & Kisparski em 1972.
     Olsson em 1973.
     Tomiyana em 1980.
     Mukattashi em 1983.
     Gargallo em 1993.


    3 - Início da investigação no Brasil.
     Torres... 1980.
     Figueiredo... 1982.
     Kachan... 1987.
     Liberali... 199.
     Quaresma de Figueiredo... 2001.
     Correção de erros orais e seu tratamento.
    4 - Erros na produção oral.
     Quais foram seus efeitos no aprendiz?
     O que causou? O que provocou nos ouvintes?
    5 - Objetivos do trabalho
     Investigar com três professores de língua inglesa de diferentes contextos.
    São eles:
     Escola livre de línguas
     Escola pública de ensino fundamental
     Escola particular de ensino fundamental

    6 - Justificativa do contexto.
     Perguntas norteadoras, desenvolvidas durante a coleta e análise de dados.
    1 - Como professores e alunos conceituam o erro em sala de aula?
    2 - Como professores e alunos vivenciam o erro em sala de aula?
    A - Como ocorrem a correção e tratamento de erros orais nos contextos pesquisados?
    B - Como reagem os alunos ao serem corrigidos e aos erros cometidos pelos colegas?
    3 - Que efeitos têm a correção e o tratamento de erros no desenvolvimento da oralidade no processo de Aprendizagem/Aquisição da língua estrangeira?

    Fundamentação Teórica
     Taxonomia de estratégia de superfície
     Taxonomia comparativa
     Taxonomia comunicativa
     Teoria de aquisição de línguas de vygotsky
    Metodologia da investigação
     Pesquisa de natureza etnográfica.
     Desenvolvida pelos antropólogos para estudar a cultura e a sociedade.
     O estudo de caso etnográfico,é extremamente útil, para conhecer os problemas, e entender a dinâmica da pratica objetiva.
    Dados
     C 1: Turma formada por 6 adolescentes de um curso particular de idiomas ,com idade entre 12 e 16 anos.

     C 2: Turma de uma escola publica formada por 35 alunos de 6ª série, do ensino fundamental, com idade de 15 a 16 anos.

     C 3: Turma de escola particular com 17 alunos da 6ª série, entre 12 e 13 anos .

    Período de coleta de dados
     1ºC - assistiu -se, 14 aulas.
     2ºC - assistiu -se, 12 aulas.
     2ºC - assistiu -se, 09 aulas.
    Instrumentos de coletas
     Gravações, de áudio e vídeo de produções orais durante o período de (1) semestre.
     Transcrições de fragmentos das aulas.
     Classificação de erros: tipos de ocorrências e correção.


    Objetivo

     Verificar indícios de aprendizagem /aquisição da língua alvo.
    Finalidade
     Analisar, se a correção funcionou como andaime no processo de aprendizagem.
     Analise descritiva elaborada.
    Questionários (respondido por alunos)
    Entrevistas (com alunos e professores)
    Registros no diário da pesquisadora
    Considerações
     As interações de sala de aula foram consideradas dados primários,
     Entrevistas, registros e questionários, considerados dados secundários,
     Utilizados para confirmar as asserções levantadas nos dados primários.
    Análise e discussão dos dados
     Percentual de erros
    1º C 158 correções, pronuncia 26%, vocabulário 23%, verbos 21%.
    2º C 50 correções,pronuncia 58 %, perguntas 24% vocabulário 12%.
    3º C 28 correções,pronuncia 50%, pronomes, 25%, verbos vocabulário
    numerais 8 % cada um.
     Visão dos professores e alunos sobre o erro
    Alunos do 1º C, não se incomodam com o erro, apesar do P1 considerar
    negativo.
    Nos C 2 e 3 os alunos consideram o erro negativo e P, 2º e 3º C, positivo.
    No 1º C 62% da correção é feita de imediato pelo P1
    No 2 e 3 C, a correção é feita em boa parte,pelos pares e professor e a
    correção imediata é pouco usada.
    Atitudes do professor
    P 1 ,afirma dar tempo ao aluno para a auto
    correção, porem na pratica interrompe o aluno
    a todo tempo.
     Fragmentos da pesquisa
    Pesquisadora: você presta atenção nas correções?
    Aluno C 1: não, devido à repetição exaustiva da forma correta.
    Pesquisadora: como você se sente, quando um outro colega erra?
    1 C não me incomoda, pois ninguém nasce sabendo.
     Quando realizar as correções
    Ficar alerta para quando o aluno estiver receptivo ao feedback.
    Valorizar seus pontos fortes,desenvolver pontos fracos e não deixar que o aluno
    seja ameaçado por suas falhas.
    Nos três casos ocorre apenas a correção dos erros e não o tratamento
    P 1: acredita que tratamento é a forma a qual o professor se posiciona, diante o
    erro agredindo ,ou tratando sua falha já os Ps 2 e 3, entendem o tratamento como
    sanar o erro do aluno e não apenas corrigi-lo momentaneamente.

    P 1,Crê que o aluno, tem de ser exposto no
    mínimo dez vezes à forma correta para
    interiorizar, o conteúdo por meio de áudio e
    vídeo (tratamento do erro)
    Tratar não é o mesmo que sanar
    O que é aprender e ensinar ?
    Momento 1
     1-P1: Do you think this helps the process?
     2-JP1: No, if my teacher beat me, how do I say ficar bravo?
     3-P1: How do you say that?
     4-P: Nervous
     5-F2: Angry
     6-JP1: I’ll be nervous with her. She dont’ have
     7-P1: She?
     8-JP1: She don’t have
     9-P1: She?
     10 JP1: What?
     11-P1: She?
     12-F1: Has
     13-JP1: She don’t has
     14-P1: She don’t has?
     15-F2: doesn’t
     16-JP1: She doesn’t have the right of beathing (Aula 12 do primeiro contexto).
    Momento 2
     1-JP1: I don’t like Portuguese this. I have a teacher, she is very, how do I say chata? Borin. How do you say brava?Very very hungry
     2-P1: Angry!
     3-JP1: I don’t like her so
     4-P1: Maybe she’s hungry and that’s why she’s angry
     5-JP1: Yes, yeah (incompreensível) I’ll send her a pizza and she’ll not be so angry, hungry
     6-P1: angry (Aula 12 do Segundo contexto).
    Momento 3
     1-P1: JP1, would you please read the next paragraph?
     2-JP1: Wait a minute! I don’t like she, because she sent me out, she sent me out in the first day at class
     3-P1: Excuse me,was this at the new school?
     4-JP1: Yes, she will put/ pãt/ me and
     5-P1: She sent you out of the class
     6- JP1: Não, ela ia me pôr ai bateu o sinal
     7-P1: Sent you out of the class
     8-JP1: He would send but, how do I say bateu o sinal?
     9-P1: the bell rang
     10-JP1: the bell rang, but this is the English teacher, she is very bra (pára de falar), nervous. She gave negative for all my class and you have to (incompreensível) the letters, have letters to my, to fathers, they call yout home and say your son received negative because (incompreensível) your classeroom (Aula 12 do Primeiro contexto).
    COMO PRODUZIR MATERIAIS PARA O ENSINO DE LÍNGUAS
    ANALISE
    As necessidades dos alunos
    O que eles precisam aprender
    O material deve oferecer ajuda ao aluno no grau que ele se
    encontra

    DESENVOLVIMENTO
    Definições de objetivos ( Específicos e Gerais).
    Deve ser clara e objetiva.
    Assim o aluno saberá o que se espera dele.
    Permite,a quem produz o material, saber se a
    aprendizagem está sendo eficiente, ajudando
    na avaliação.

    IMPLEMENTAÇÃO
    Material utilizado pelo professor
    Desenvolvido de forma intuitiva,o professor explica aos alunos o
    que deve ser feito.
    Material utilizado por outro professor
    O material deve conter instruções de como ser utilizado
    ( Objetivo da atividade/ Tipo de conhecimento que está sendo construído/ como a atividade deve ser dirigida junto com os alunos/ As possiveis respostas para as questões / Como trabalhar certas respostas dadas pelos alunos)

    Material utilizado sem a presença do professor
    Situação complicada, deve-se oferecer o necessário ao
    aluno.
    (para ele construir o conhecimento / Procurar prever o que vai acontecer / Idéia das possíveis dúvidas dos alunos / Necessidade de alta motivação)

    AVALIAÇÃO
    Informal
    O professor prepara uma folha de exercícios e
    vê como funciona / reformula, para usar uma
    segunda vez.
    Formal
    Especialistas avaliam o material / há
    entrevistas com alunos/ Em alguns casos
    (livros) pode ser pilotado.
    Conclusão

     Conceitos de erros,dos professores e alunos
     Vivência,correção e tratamento de erro em sala de aula.
     Analise de dados e verificação dos efeitos da correção e tratamento de erros no desenvolvimento da oralidade no processo de aprendizagem / aquisição da língua estrangeira.
     Encaminhamentos e sugestões finais.

    Referências bibliográficas
     Brown,H,D.Principles of language Learning and teaching .New Jersey: Prentice Hall 1987.
     Burt,M.K.,Kiparsky,C. Global and local mistaakes.In:schumam,J,H.,Stenson,N.(ED) News Frontiers in second language learning.Rowley,Massachusetts:Newsburry house,1975
     Corder,S,P the significance of leaners’s error .irral,V,p.161-70,1967.
     Introducting Applied linguistics. Great britain: Penguin education,1973.
     Luchesi,C,C.Avaliação escolar para alem do autoritarismo 1986
     Selinker , L. interlanguage IRAL v,x N 3 1972
     Vygotsky, L.S.Mind in society.United States:Havard,1978

    ANÁLISE LITERÁRIA NO EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 20.20-28

    Posted by Profº Monteiro on setembro 02, 2011
    ANÁLISE LITERÁRIA NO EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 20.20-28
    Laércio Rios Guimarães1
    RESUMO
    Trata da análise do texto bíblico partindo das normas para análise literária concentrando-se no texto do evangelho de Mateus no capítulo 20: 20-28. Apresenta a visão e estratégia do narrador, o tempo (velocidade e ordem), o cenário da história; identifica os personagens e traça o perfil e ação deles; e descreve um fio condutor de enredo com os itens exposição, tensão, resolução e desfecho. Toma como referencial teórico as idéias de Daniel Marguerat e Yvan Bourquin, além de João Cesário Leonel Ferreira. Conclui apresentando uma aplicação específica da narrativa à vida do leitor.
    Palavras-chave
    Análise literária; narrativa bíblica; tensão; resolução; desfecho.
    ABSTRACT
    This article is a literary analysis of the biblical text found in Gospel of Matthew chapter 20, verses 20 to 28. The narrator’s view and strategy, the time (speed and order of facts), the story’s scenario were herein presented, and also characters were identified together with their profile and type of action. Moreover, this article describes the narrative line of thought composed by exposition, tension, resolution and conclusion. Theory references used were the concepts of Daniel Marguerat, Yvan Bourquin and João Cesário Leonel Ferreira. At last, a specific application of the narrative is made to the reader’s life.
    Key words
    Literary Analysis; Biblical Narrative; Tension; Resolution; Conclusion.
    1 Mestrando em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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    Introdução
    O presente trabalho procura apresentar uma análise bíblica partindo das normas literárias para interpretação das narrativas. Não se trata da única, mas é uma excelente ferramenta que pode dirigir o leitor ao entendimento e aplicação do texto, fazendo-o se aprofundar e adentrar na história narrada, estreitando mais o caminho entre o texto bíblico e o homem de nossa época – tarefa que tem se tornado árdua nos últimos tempos, dada a distância de tempo e conceito atuais com relação aos textos bíblicos. A riqueza da literatura e narrativa bíblica ficarão evidentes aos olhos de qualquer leitor que poderá olhá-la com mais seriedade e menor desconfiança.
    Texto Bíblico: Mateus 20.20-282
    20 Então, se chegou a ele a mulher de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pediu-lhe um favor.
    21 Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda.
    22 Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.
    23 Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai.
    24 Ora, ouvindo isto os dez, indignaram-se contra os dois irmãos.
    25 Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles.
    26 Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;
    27 e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo;
    28 tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
    Narrador
    O narrador se apresenta no texto em terceira pessoa e faz uso da onisciência tanto quanto da onipresença. Os diálogos apresentam os detalhes e os desejos da esposa de
    2 Versão utilizada: BÍBLIA Sagrada. 2. ed. Revista e atualizada no Brasil. Tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
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    Zebedeu bem como de seus filhos. Concomitantemente a isso, também as respostas de Jesus informam ao leitor o que se passa na mente dele.
    No entanto, não se informa ao leitor como se deu a indignação dos dez discípulos contra os dois irmãos. Teriam eles externado este sentimento? A conversa se deu somente entre eles? Quem sabe algum tipo de suspiro ou burburinho que se podia ouvir no ar? Ou a expressão no rosto de cada um poderia manifestar a contrariedade pelo pedido dos outros dois? O narrador deixa ao leitor a imagem do que ali se passou, convidando-o a se colocar na cena, a entender o sofrimento e luta pelos quais Jesus passou ao perceber a falta de entendimento de seus discípulos mesmo depois de todos seus ensinos referentes à humildade e ao serviço (cf. Mateus 18.1-4; 19.14, 21), e à limitação e defeitos humanos presentes neles.
    Tempo
    O narrador não explicita o tempo cronológico no texto em si. Pode-se recorrer ao texto anterior, no capítulo 20.17, onde o narrador especifica que Jesus estava para subir, juntamente com seus discípulos, para Jerusalém onde seu ministério terreno teria fim. É nesse momento que a mulher de Zebedeu, com seus dois filhos, faz o pedido por eles e para eles. A decisão de chegar a Jerusalém traz à tona o momento de cumprimento do reino que estava sendo prometido e quando a promessa de assentar-se no trono da glória poderia se cumprir (cf. 19.28). Chegar a Jerusalém é, na mente da mulher e de seus filhos, o momento em que tudo se concretizaria e onde eles poderiam ter primazia entre os demais discípulos.
    Há ainda outros aspectos presentes nesta narrativa que tratam do tempo e que se tornam relevantes para o entendimento do texto:
    Velocidade da narrativa
    Tomando como ponto de partida as idéias de Marguerat e Bourquin (2009: 107-112) sobre velocidade na qual se apresentam a (1) pausa descritiva (desaceleração da narração, quando um segmento da narrativa corresponde a uma duração nula no plano da história contada), (2) a cena (ritmo considerado normal em que narrativa e história contada
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    caminham em tempo igual), (3) o sumário (narrativa é acelerada usando-se poucas palavras para relatar um período longo da história contada) e (4) a elipse (a narração adota uma velocidade extrema, passando em silêncio um período da história contada), o texto pode apresentar a seguinte divisão:
    v. 20a - Pausa descritiva:
    Então, se chegou a mulher de Zebedeu, com seus filhos [...]
    v. 20b -23 – Cena:
    [...] e, adorando-o, pediu-lhe um favor.
    Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda.
    Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.
    Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo, é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai
    v. 24 –Pausa Descritiva:
    Ora, ouvindo isto os dez, indignaram-se contra os dois irmãos
    v. 25-28 – Cena:
    Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos
    Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;
    e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo;
    tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
    Ordem da narrativa
    Seguindo ainda Marguerat e Bourquin (2009: 112-119) a ordem da narrativa subdivide-se em: (1) sincronia (que se detém no tempo da história contada em seu começo, meio e fim) e (2) anacronia (que se caracteriza pelos saltos da narrativa seja para o futuro – denominado prolepse -, seja para o passado – denominado analepse). Dessa forma, o texto apresenta os seguintes elementos:
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    v. 20 – sincronia:
    Então, se chegou a mulher de Zebedeu, com seus filhos e, adorando-o, pediu-lhe um favor.
    v. 21 – anacronia (prolepse externa):
    Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda.
    v. 22 – anacronia (prolepse mista):
    Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.
    v. 23 – anacronia (prolepse mista):
    Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha
    direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo, é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai.
    v. 24-27 – sincronia:
    Ora, ouvindo isto os dez, indignaram-se contra os dois irmãos.
    Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles.
    Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;
    e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo;
    v. 28 – anacronia (prolepse interna):
    tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
    Pode-se também trabalhar com a idéia de (1) tempo mortal (representado pelos dados históricos) e (2) tempo monumental (representado pelo tempo escatológico) que dará o seguinte quadro:
    Mulher de Zebedeu e Dois Filhos
    Jesus
    Tempo Mortal: Assentar-se à direita e à esquerda no reino de Jesus
    Tempo Monumental: sentar-se à direita e à esquerda compete ao Pai
    Tempo Mortal: Bebereis o meu cálice
    Tabela 1 – Gênero de Tempo em Mateus 20.20-28
    A perspectiva de tempo adotada por Jesus, parece ser a interpretação de KECK et al. (1995: 397) que chama o tempo monumental de futuro ultimato e o tempo mortal de futuro imediato:
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    Há uma marcante progressão nos três “Filho do Homem” ditos nesta sessão. Primeiro, um futuro ultimato: O Filho do Homem sentará no seu glorioso trono (19:28). Esta declaração da vitória escatológica do reino de Deus é representada pela base de toda instrução de 19:1-20:34. Segundo, trata-se do futuro imediato: o quadro do sofrimento e vindicação do Filho do Homem (20:18-19). Isso é o que os discípulos têm olhado através do curto significado. Terceiro diz respeito ao presente: a figura da auto-doação do Filho do Homem servindo aos outros (20.28). Este é o modelo para a própria vida e ministério presente dos discípulos (tradução nossa).
    Cenário
    Responder onde a narrativa ocorre, olhando somente para o texto, traz certa dificuldade. É necessário recorrer ao contexto anterior no capítulo 20.17-19 que afirma que Jesus está para subir a Jerusalém a fim de cumprir o objetivo máximo de seu ministério terreno: ser condenado à morte pelos sacerdotes e escribas, ressuscitando, porém ao terceiro dia. O capítulo 20.29 especifica o local em que a narrativa ocorre, qual seja, a cidade de Jericó de onde eles saem imediatamente depois. Hendriksen confirma isso ao dizer:
    Não há nada de preciso acerca de “então”, nem declara Mateus exatamente onde se deu o evento. À luz de uma comparação entre o versículo 18 e o 19 podemos, não obstante, concluir, com boa porcentagem de probabilidade, que ocorreu no caminho para Jerusalém via Jericó (2001: 342).
    Tendo poucos dados geográficos neste trecho da narrativa, o enquadramento na perícope deve ser visto muito mais como social e para sua explicação é necessário recorrer ao contexto de desejo de poder na expectativa do reino messiânico. O pedido da mãe dos filhos de Zebedeu é de que eles tenham posição privilegiada quando Jesus reinar sobre Israel e sobre o mundo. Obviamente, pela resposta e comparação dadas por Jesus no versículo 25, o referencial para aqueles homens que estão ao seu redor é o do próprio poder estabelecido naquela época, ou seja, do poder romano com toda sua estrutura. Jesus apresenta outro referencial que vai de encontro àquele que estava na mente da mãe e de seus dois filhos, assim como na dos demais discípulos. Ele inverte o sentido, trazendo como modelo para o cristianismo as pessoas da base da pirâmide social: os servos ou
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    escravos que, na verdade, dentro do padrão romano não passavam de um simples objeto nas mãos de seus proprietários.
    A ideia de servir já tinha sido ensinada por Jesus, como pode ser visto em 18.1-5; 19.29-30 e 20.16. Não é difícil supor, portanto, que o conceito estivesse bem evidente na mente de seus discípulos e que, dessa forma, eles deveriam ter entendido tal ensino como a base para a criação de uma nova ordem e de um novo padrão de relacionamento entre eles e os seus futuros seguidores. O reino messiânico não copia os padrões dos reinos dos homens: ele é um reino de glória baseado no serviço e não na opressão e no domínio do mais forte sobre os mais fracos.
    Personagens
    A ação da narrativa é desenvolvida pelos personagens ali presentes. O texto apresenta-os da seguinte forma: (1) os dez, (2) os dois irmãos (3) Jesus (o Filho do Homem), e a (4) mulher de Zebedeu que não tem o nome conhecido pelo leitor.
    Cabe classificar os personagens de acordo com sua função na narrativa. Eles podem ser protagonistas, antagonistas ou personagens cordão. Além desse aspecto, pode-se classificá-los de acordo com suas características: quando há riquezas de descrição tem-se um personagem redondo, quando o narrador apresenta poucas descrições do personagem tem-se um personagem plano, e quando apenas servem limitadamente ao enredo apresentam-se como personagens cordão. Por fim, os personagens podem ser classificados de acordo com o esquema chamado “actantancial” (MARGUERAT; BOURQUIN, 2009: 80-81) que apresenta o actante (aquele que pode realizar a transformação que está no centro da narrativa), o sujeito (aquele que corre atrás de um objeto que julga valioso), o destinador (mobiliza o sujeito para a busca do objeto que ele remeterá ao destinatário), o destinatário, o adjuvante (aquele que ajuda o sujeito na busca e seu objeto), e o oponente (obstáculos à busca do objeto).
    Jesus, o Filho do Homem, é o protagonista da narrativa e o personagem principal. É a ele que é dirigido o pedido da mãe dos dois discípulos. Ele é solícito em ouvi-la; esclarecedor quanto à impossibilidade de atender o pedido; apaziguador, pois trata da questão do ciúme entre os seus discípulos. Por ser aquele que pode realizar a
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    transformação que está no centro da narrativa, Jesus atua como actante. É também o destinatário, pois é nele que o objetivo dos sujeitos da narrativa pode ser concretizado.
    A Mulher de Zebedeu é um personagem cordão que está a serviço do enredo. Sua característica pode, talvez, ser medida pela maneira pela qual se dirige a Jesus. Ela o adora, pede-lhe um favor e intercede pelos filhos. Reverência, amor maternal e ambição podem ser vistos nesta personagem. Ela se torna a adjuvante da narrativa por tentar fazer seus dois filhos (os sujeitos) atingirem o seu objetivo pretendido.
    Os dois filhos da mulher de Zebedeu também são protagonistas na narrativa uma vez que a mãe intercede por eles junto a Jesus e que os mesmos aparecem respondendo afirmativamente à pergunta: “Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber?” Estes dois discípulos são ambiciosos, usam a mãe para atingir seus objetivos e demonstram não entender qual o verdadeiro significado de “beber o cálice” proposto por Cristo. Talvez ainda estivessem pensando na perspectiva do reino de poder de Jesus:
    Depois do próximo anúncio do sofrimento e morte inocente pelos quais passaria Jesus, os dois discípulos pedem poder e status na presente perícope. O texto providencia a ocasião para o ensino de Jesus sobre a natureza de servir e a prioridade no reino. Os filhos de Zebedeu mostram estar completamente errados em seu conceito de serviço. Eles demonstram que não entenderam o ensino de Jesus no material precedente a respeito dos primeiros serem os últimos e os últimos serem os primeiros (19:30; 20:16). O verdadeiro servo, o servo no reino, é alcançado somente através de serviço e auto-sacrifício. Jesus é o próprio exemplo supremo deste tipo de serviço (HAGNER, 1995: 578, tradução nossa).
    Pode-se também destacar a atitude egoísta e arrogante em relação aos demais companheiros de discipulado. Eles são os sujeitos dentro do sistema “actancial”, pois correm atrás de um objeto que julgam valioso, no caso, uma posição privilegiada no reino de Cristo, o Filho do Homem.
    Os outros dez discípulos, semelhantemente à mãe dos dois personagens, aqui aparecem como personagens cordão. A narrativa afirma claramente que se indignaram contra os outros dois companheiros pelo pedido que fizeram a Jesus. A indignação demonstra ciúme e de certa maneira o mesmo desejo por parte deles. Portanto, a visão sobre o reino de Jesus na mente dos dez era a mesma que existia na mente dos outros dois.
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    Tema
    O versículo 26 apresenta o tema deste trecho: [...] quem quiser ser o primeiro entre vós, será esse o que vos sirva. Pode-se apresentar o tema: “A Grandiosidade para os Seguidores de Cristo é Servir”.
    Enredo
    O enredo mostra o desenvolvimento da história e é na tensão que se deve ter especial atenção, pois a partir dela o leitor terá sua expectativa despertada em relação aos fatos. A idéia sobre o reino é primordial neste desenvolvimento. Para os judeus que viviam na época de Jesus, o reino seria político com o devido restabelecimento da glória dos tempos de Davi exercendo poder e total vitória sobre os inimigos. Fica ainda mais fácil entender tal sentimento ao notar-se que Israel já amargara a angústia de ser submetido ao domínio de quatro impérios seguidos: o Babilônico, o Persa, o Grego e, agora, o Romano. Ladd descreve este pensamento judaico sobre o “reino” da seguinte maneira:
    A oferta que nosso Senhor fez do reino de Deus não é o oferecimento de um reino político, nem compreendia bênçãos nacionais nem materiais. Os judeus desejavam um rei político para vencer seus inimigos.
    [...] Temos descoberto que a esperança popular da vinda do reino de Deus significava o final do século e a manifestação do governo de Deus em poder e em glória, quando todo mal seria exterminado da terra [...].
    [...] Este mesmo problema estava implicado na relação do messianismo do Nosso Senhor. Os judeus, inclusive os discípulos de Jesus, esperavam que o Messias fosse um rei “davídico” conquistador, diante do qual os inimigos de Deus e o povo de Deus não poderiam resistir; ou seria um ente sobrenatural que viria à terra com poder e grande glória para destruir aos maus e trazer o reino de Deus com poder (Daniel 7). Em qualquer destes casos, a vinda do Messias significaria o fim deste século e a aparição do reino de Deus em poder.
    [...] O fato está em que os judeus da época de Nosso Senhor não entendiam o capítulo cinquenta e três de Isaías. Não sabiam que se referia ao Messias. Esperavam somente um rei conquistador, um poderoso Filho do Homem celestial em vez de um servo sofredor. Conseqüentemente, lhe deram as costas, recusaram segui-lo. Assim como rechaçaram Sua oferta do reino porque não era o que estavam buscando; rechaçaram Seu caráter messiânico porque não era um chefe conquistador, o tipo de monarca que eles desejavam (1988: 145-148, tradução nossa).
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    Registrado este aspecto histórico, pode-se sugerir uma estrutura para o presente texto que conta com as seguintes partes: (1) exposição inicial - que apresenta as circunstâncias da ação; (2) tensão ou nó – o elemento que introduz a tensão narrativa; (3) resolução ou desenlace – aplicação da transformação sobre o sujeito; e (4) desfecho ou situação final – exposição do novo estado após a eliminação da tensão ou dificuldade.
    Exposição – v. 20-21
    Apresenta os protagonistas (os filhos da mulher de Zebedeu e Jesus), a mulher de Zebedeu e o pedido para que os seus filhos tenham posição de proeminência no reino de Messiânico.
    Tensão 1 – v. 22
    A primeira tensão é marcada pelo questionamento de Jesus em relação ao pedido feito pela mãe em nome de seus filhos. Ele deixa claro que o pedido está sendo feito por falta de conhecimento em relação a tudo o que ele ensinou até ali e em relação às consequências dele ser realmente atendido, pois o resultado seria acompanhá-lo em seus sofrimentos identificados aqui com a expressão “beber o cálice” que está prestes a acontecer, e que pode ser melhor compreendida a partir da explicação de Hendriksen:
    No modo de expressão do Antigo Testamento e dos que estão familiarizados com sua literatura, “beber o cálice”, quer dizer, beber seu conteúdo, significa passar de forma completa por esta ou aquela experiência, seja favorável (Sal. 16:5; 23:5; 116:13; Jer. 16:7) ou desfavorável (Sal. 11:6; 75:8; Is. 51:17, 22; Jer. 25:15; Lm. 4:21; Ez. 23:32; Hab. 2:16). Jesus também falou do cálice de seu amargo sofrimento (Mt. 26:39, 42; Mr. 14:36; Lc. 22:42). E no Novo Testamento veja-se também Ap. 14:10; 16:19; 17:4; 18:6. Então, estão estes discípulos dispostos a serem participantes de seus sofrimentos, quer dizer, dos sofrimentos por seu nome e por sua causa (10:16, 17, 38; 16:24; 2 Co. 1:5; 4:10; Gl. 6:17; Fil. 3:10; Col. 1:24; 1 Pe 4:13; Ap. 12:4, 13, 17). (2003: 555, tradução nossa).
    O pedido é respondido com outra pergunta à qual se espera uma reação. Os dois irmãos respondem afirmativamente, persistindo assim em sua falta de conhecimento do que os esperava.
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    Resolução 1 – v. 23
    A primeira tensão é solucionada parcialmente: se mesmo sem entender os dois irmãos queriam “beber do cálice”, então isto é o que iria acontecer. Mas o pedido continuaria em aberto. Há um conflito entre ideias e tempo: os dois discípulos pensam no reino terreno e no tempo mortal, enquanto Jesus trata do reino de Deus e do tempo monumental. Para fazer parte deste reino que tem perspectiva futura é necessário passar pelo mesmo caminho do Filho do Homem, que é o da humilhação para depois, sim, alcançar a devida exaltação. Até aqui eles desconheciam esse fato.
    Tensão 2 – v. 24
    Uma nova tensão é apresentada a partir do momento em que os dez discípulos restantes ficam indignados contra o pedido e contra os autores do pedido de glória. Mas o que teria trazido esta indignação e como ela teria ficado evidente? Como já mencionado no item sobre o narrador, este deixa a cena em aberto para que o leitor a imagine e olhe com mais atenção para a reação do protagonista, Jesus, do que para os demais personagens. Todavia, o fato de terem se indignado com os dois irmãos demonstra ciúmes, inveja e o desejo de terem o mesmo lugar solicitado pelos dois.
    Resolução 2 – v. 25-27
    A resolução para a segunda tensão vem do próprio Jesus de maneira extremamente didática: ele ensina e prova a possibilidade de obediência deste ensino pelo seu próprio exemplo. O modelo de seu reino é o serviço, tarefa que ele, o Filho do Homem, veio fazer para, então, passar a ser modelo para os súditos. Um pequeno gráfico comparativo pode deixar isso claro:
    Reino de Cristo
    o primeiro... será vosso servo
    grande... será o que vos sirva
    Reino dos Povos
    governadores dominam
    maiorais exercem autoridade
    Tabela 2 – Reino de Cristo x Reino dos Homens
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    A resolução passa, obviamente, por uma mudança nas mentes de seus seguidores: o modelo não pode ser mais o que eles conhecem e pelo qual eles tanto almejavam. O modelo agora é a própria liderança e governo de Jesus.
    Desfecho – v. 28
    Jesus é o próprio exemplo de grandiosidade, pois sua missão é servir. Seu reino não é o que pensam os dois irmãos, a mãe e os dez discípulos. É o reino onde a humildade é a principal virtude dos que dele participam. Não é um reino onde alguns poucos exercem autoridade sobre muitos, mas onde o seu rei ensina o princípio de liderança serva onde muitos servirão uns aos outros, pois “o Filho do homem [...][veio] dar a sua vida em resgate de muitos” (20.28).
    Vale à pena apresentar a estrutura quiástica presente no enredo que pode ser vista a seguir:
    A – Pedido para sentar à direita e à esquerda (v. 21).
    B – Questionamento sobre beber o cálice (v. 22).
    B’ – Afirmação sobre beber o cálice (v. 23).
    A’ – Resposta sobre sentar a direita e a esquerda (v. 23).
    Conclusão
    A análise narrativa de Mateus 20.20-28 ajuda os leitores a entenderem a tensão do ser humano diante da possibilidade de experimentar poder e glória. As características de cada personagem, a tensão trazida ao meio por um pedido que gera ciúmes e revela o caráter humano que deve ser transformado pelo ensino de Jesus, são elementos narrativos constitutivos da riqueza textual desta passagem bíblica. A pouca presença do narrador e a falta de detalhes convidam o leitor a penetrar na cena e imaginar a situação ali vivida. A relevância do texto e o ensino presente atingem o comportamento e a vida do homem atual que luta por glória e domínio a qualquer custo. O reino de Cristo é diferente: é formado pelos mansos, humildes, servos, pelos que consideram a si mesmos os menores de todos a
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    fim de serem considerados pelo Grande Rei como os maiores. Enfim, como Hendriksen expressa muito bem:
    Jesus esteve enfatizando que em seu reino o maior é medido pela fita métrica da humildade (18.1-4); que a salvação pertence aos pequeninos e aos que se tornam semelhantes a eles (19.14); que confiar plenamente no Senhor, negar-se a si mesmo e dar, em vez de receber, é a marca registrada de seus verdadeiros seguidores (19.21) (2001: 341).
    Referências bibliográficas
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