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Como os pais podem ensinar leitura para seus filhos

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 19, 2017
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Como os pais podem ensinar leitura para seus filhos

Matéria publicada em 16/09/2012

*Autora: Cristiane Ferreira é Pedagoga e Coach Educacional

A escola é o ambiente formal escolhido pela sociedade para o ensino da leitura e escrita e suas regras cultas. Dispõe de profissionais qualificados e os recursos necessários para o ensino. Porém, mesmo antes de ter a instrução formal na escola, a criança começa a aprender a ler na família, adquirindo os hábitos de leitura dos adultos que a cercam na primeira infância e construindo suas hipóteses iniciais sobre funcionamento da escrita ainda em casa.

            Quando a criança tem oportunidade de entrar em contato com diversos materiais escritos, como livros e revistas, por exemplo, vai compreendendo que os textos são combinações de palavras, que por sua vez são formadas por sílabas e letras e que são a representação de objetos e da língua falada.
A descoberta de que é possível representar os sons por meio de grafismos é um passo muito importante para o aprendizado da leitura e uma conclusão nem sempre tão simples de se alcançar, mas que pode ser facilitada por meio da convivência com leitores ativos.
Ao ter contato constante com a leitura feita pelos adultos, as crianças aprendem também que os textos trazem uma mensagem e servem para comunicar, divertir, ensinar. Dessa forma, desde pequena, a criança começa a compreender a importância da leitura e escrita e sua função social na vida das pessoas.
O aluno que chega à idade escolar com uma base sólida sobre o funcionamento do sistema da escrita terá o aprendizado sistemático da leitura mais dinâmico e será alfabetizado mais rapidamente.
Por esse motivo, os pais devem ler para os seus filhos, indicando com os dedos as palavras que estão sendo lidas; o livro deve ser posicionado de forma que a criança possa acompanhar a leitura, ao lado do adulto, observando o texto e as imagens continuamente, ao invés de ficar no lado oposto, tendo apenas a visão da capa.
Assim a criança já vai aprendendo que as palavras escritas podem ser faladas, que para ler é preciso seguir da esquerda para a direita, que existe um sentido em tudo o que está escrito e que, ao contrário dos desenhos, as palavras não tem semelhança com os objetos que representam.
Ao ver o desenho de um carro, a criança já consegue identificar qual objeto está representado, diferentemente de ver a palavra carro. Para saber o que a palavre representa, será preciso ler, ou seja, aprender a decodificar o sistema de escrita. Saber a diferença entre as formas de representar objetos (por meio de textos ou imagens) é uma habilidade sutil e implícita, mas muito importante para a compreensão da língua e uma das bases iniciais do processo de alfabetização.
Para auxiliar os filhos nesse processo, os pais devem deixar livros à disposição das crianças, junto com seus brinquedos. É aconselhável adquirir livros infantis que contenham imagens e textos, para que a crianças façam comparações e possam ler livremente.
Como ainda não dominam a língua e nem o código escrito, provavelmente os pequenos inventarão suas histórias e indicarão as frases lidas com dedo, “fingindo ler”. Os adultos devem evitar corrigir e deixar a criança inventar suas histórias, pois isso favorece a imaginação e a relação positiva com a língua escrita. Com o tempo, a própria criança começará a fazer perguntas do tipo “o que está escrito aqui?”. Nesse momento o adulto pode fazer a leitura solicitada.
Os pais também podem despertar o interesse dos filhos fazendo suas leituras diárias na frente das crianças. Ler jornal, livro e até um manual de instrução na frente dos pequenos fará com que as crianças percebam que ler é algo tão saudável, rotineiro quanto escovar os dentes. Como a leitura, diferente do ato de escovar os dentes, é algo que só os adultos fazem, logo a criança terá curiosidade e irá pedir ou pegar o livro ou jornal da casa.
Além dos pais, outros membros da família como irmãos mais velhos, avós, primos e até vizinhos e amigos, podem e devem participar de momentos de leitura junto com os pequenos.
Dessa forma a leitura passará a fazer parte da rotina da criança. E isso é o grande passo para a alfabetização, uma vez que boa parte das dificuldades de aprendizagem em leitura consiste na desmotivação do aluno que não consegue entender o que é leitura, para que serve e sua importância na vida das pessoas.

Cristiane Ferreira é Pedagoga pela PUC SP.  Possui ainda formação em psicopedagogia e coaching.
Atua como professora de ensino fundamental na rede municipal de ensino de São Paulo, coach educacional, life coach e realiza suporte pedagógico a crianças e adultos com dificuldades de aprendizagem no Instituto de Psicologia IPSI Brasil.
Foi diretora da Meta Escolas Integradas, arte educadora e professora de educação infantil no Colégio Marajoara.
É membro da International Association of Coaching (USA), Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional e presidente da Seção São Paulo do International Dance Council (CID UNESCO).

Serviço
Cristiane Ferreira
Pedagogia Clínica e Coaching
(11) 5641-2586
contato@cristianeferreira.com

Fontes: Segs , http://tudosobreleitura.blogspot.com.br

Ler não é obrigação

Posted by Profº Monteiro on outubro 08, 2016
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Ler não é obrigação

Publicada no jornal Gazeta do Povo em 18/09/2012

Felipe Lindoso, pesquisador e consultor de leitura

O jornalista, tradutor e consultor Felipe Lindoso tornou-se uma voz necessária ao se falar de leitura no Brasil. Por uma razão prática – ele povoou de informações seguras um setor dado a discursos inflamados e bem-intencionados a favor do livro. O resultado é flagrante. Para ele, ler é atividade lúdica e necessária, mas também é algo tão concreto quanto o mercado da soja.

Parece exagero, mas ao costurar leitura e desenvolvimento, o especialista em políticas públicas criou uma estratégia para fazer do negócio dos livros e da leitura um assunto tão sério quanto os demais. Não é uma guerra vencida. Há muito que se palmilhar para que os índices de leitura no Brasil estejam à mesma mesa de negociação em que se discute o pré-sal ou o Código Florestal. Mas o pesquisador figura entre os que trabalham para criar uma cultura que considere as letras um capital decisório no vai não vai que balança as economias emergentes.

O livro O Brasil pode ser um país de Leitores?, de 2004, é uma prova de sua ambição. A obra radiografa os maus humores nacionais com o livro e a literatura desde os princípios da Nação. Entre uma tragédia e outra, o estudo levanta fontes para outros pesquisadores – como os interessados em entender um fenômeno como Ágape, o livro de 7 milhões de exemplares do padre Marcelo Rossi. E retoma pendengas já bastante debatidas, porém crônicas, como os tropeços da escola e da família na formação dos leitores.

Felipe Lindoso é entrevistado da série “Leitura na prática”, que a Gazeta do Povo publica até 21 de outubro. Confira:

Para que tornar-se um leitor?
Quem lê e amplia seus horizontes culturais tem mais oportunidades de se desenvolver. Mas essa é uma opção individual, desde que estejam dadas as condições de escolha. O que acontece hoje é que as oportunidades de acesso ao livro são reduzidas. As famílias não são leitoras, as escolas ainda não preparam as condições para essa escolha, e o sistema de bibliotecas públicas é precário, para usar uma palavra suave. Por isso, ser leitor ou não independe de uma escolha. Na maioria dos casos, não há oportunidades.

É possível reaprender a ler?
Em uma palestra, o professor Ítalo Moriconi [organizador de Os cem melhores poemas brasileiros do século] assinalou o quanto temos que aprender, inclusive sobre as posturas necessárias para uma boa leitura. Essa postura não é “natural”, é socialmente induzida. Ler é uma questão de aprendizado e de escolha. Mas é importante destacar que ler não é obrigação. Pode ser uma necessidade, inclusive profissional. Há pessoas que desfrutam da leitura por prazer. Outras, ainda, por convicções religiosas ou políticas. Por essas características, a leitura não acontece somente nos momentos de lazer e descanso, quando concorre com a tevê, o cinema, a música e a simples conversa. A leitura depende de circunstâncias...

Aproveitando a deixa, qual o papel da escola nessa seara...
Deixar de tornar a leitura obrigatória. Deixar os livros à disposição dos alunos para que escolham o que querem ler, em literatura. Aí o professor pode motivar os alunos para ler alguns títulos, mas sem obrigação. Como diz o Ziraldo, o importante é ler, não aprender...

O que diria das bibliotecas escolares?
Salvo as proverbiais exceções, são muito ruins. Começa que na maioria das escolas não existe biblioteca, nem como “salas de leitura”. Já vi escolas nas quais as diretoras “despejaram” a biblioteca para abrigar mais alunos. Mas as bibliotecas são ruins sobretudo porque as professoras não são leitoras, não foram formadas e capacitadas para transmitir o gosto pela leitura. Daí que não ligam para as bibliotecas. As bibliotecas muitas vezes viram lugar de “castigo”: aluno mal comportado vai para a biblioteca, na qual encontra muitas vezes professoras afastadas da sala de aula, por alergia a giz, problemas nervosos e outros quetais.

O que fazer para que melhorem?
Melhorando – e muito – a qualidade dos professores. Depois, é preciso capacitar adequadamente os encarregados das bibliotecas. Não que devam ser necessariamente bibliotecários – mas um conjunto de bibliotecas escolares deveria ser supervisionado por bibliotecários. Os que ali trabalham precisam ser formados para a função, e não ocupar o lugar como um quebra-galho qualquer. Finalmente, a biblioteca escolar precisa ter um acervo amplo, com diversidade de escolhas, tanto de literatura quanto dos chamados paradidáticos. E com liberdade para os alunos escolherem o que desejam ler. Sem imposições e muito menos vigilância e censura.

Na última edição da pesquisa de Retratos da Leitura no Brasil os professores aparecem como principais incentivadores do livro, ultrapassando em influência os pais. O que diria?
O grande problema é que a maioria das famílias é de não leitores. O contato com os livros não aparece em casa, tanto por essa razão como também por questões econômicas. Livros são caros, proporcionalmente ao nível de renda dos brasileiros. Programas como o “Agentes de leitura”, que vai às casas para trabalhar com as famílias a questão da leitura, levam livros e indicam as bibliotecas. É uma possibilidade.

Em seu livro O Brasil pode ser um país de leitores? o senhor fala do papel das religiões na difusão da leitura. Continua pensado assim?
Historicamente, os países do protestantismo clássico se beneficiaram da doutrina que dá aos fiéis o contato direto com a divindade, no qual a leitura da Bíblia assumia um papel de importância. A Igreja Católica, ao contrário, sempre acreditou nos intermediários. A primeira tradução da Bíblia em português só aconteceu em meados do século 19. Entretanto, hoje, os fundamentalistas evangélicos aqui no Brasil assumem esse papel de intermediação. A compra de Bíblias é o maior fenômeno editorial do Brasil – e do mundo – mas daí a dizer que a Bíblia é lida vai um grande passo. Hoje não acredito que qualquer religião contribua positivamente para a leitura e a ilustração, e aí estão os fundamentalistas negando a ciência e a evolução.

Podemos pensar em um índice de desenvolvimento a partir da leitura?
Basta ver a quantidade de bibliotecas e os índices de leituras dos países avançados econômica e socialmente. Só nos EUA existem quase 200 mil bibliotecas públicas. Na Europa Ocidental – França, Inglaterra, Itália e mesmo a Espanha e Portugal – a questão do acesso aos livros é considerado de importância estratégica. No Brasil, quando existem, as bibliotecas geralmente estão no centro que, quando não degradado, ainda é o reduto das elites.


Análise de "O enfermeiro", de Machado de Assis

Posted by Profº Monteiro on agosto 06, 2013


O conto "O enfermeiro" é um bom ponto de partida para conduzir uma análise literária com a turma. Você também pode usar as etapas abaixo para analisar outras obras junto dos alunos. Aproveite!

Objetivos
- Conhecer os procedimentos de análise literária
- Reconhecer a complexidade da obra machadiana
- Entender a importância dos escritos machadianos para a compreensão da estrutura social brasileira
- Discutir as relações entre literatura e sociedade

Conteúdos
- Procedimentos de análise literária
- Forma literária
- Estrutura social brasileira no sistema escravista

Anos
9º ano

Tempo estimado
Quatro aulas

Materiais necessários
- Cópia do conto "O enfermeiro", de Machado de Assis (o conto está disponível para download gratuito no site Domínio Público. Clique aqui e acesse )



Leia mais - Machado de Assis: um clássico para todos
Leia mais - Análise de "Conto de Escola", de Machado de Assis
Desenvolvimento
1ª etapa
Conduza a leitura do conto "O enfermeiro", de Machado de Assis com a turma. Fique atento às observações dos alunos e esclareça eventuais dúvidas sobre palavras que eles desconhecem. Se necessário retome alguns pontos para assegurar que todos compreenderem o enredo.

Neste momento o mais importante é responder a pergunta: sobre o que fala o texto? Faça um resumo e conte "a história com suas próprias palavras". Por conta disso, seja curto e objetivo e fique atento apenas ao essencial.

Exemplo: O conto "O enfermeiro" narra a história de Procópio, um homem do Rio de Janeiro que vai ao interior trabalhar como enfermeiro para um velho coronel muito doente. Durante um bom tempo ele aguenta o mau-humor e as agressões verbais do coronel com paciência e resignação. No entanto, quando o velho parte para a agressão física, o enfermeiro perde a cabeça e o estrangula. O doente morre e Procópio esconde o assassinato declarando que ele morreu dormindo. Ao voltar para o Rio, o ex-enfermeiro descobre-se herdeiro universal do coronel. Sentindo-se culpado pela morte do ex-patrão, decide doar aos pobres toda a herança. Com o tempo, porém, convence-se de que aquela morte foi uma fatalidade e passa a gozar a herança inesperada.

2ª etapa
Ao analisar um conto, buscamos elementos para interpretá-lo e atingir o seu sentido mais profundo. Desde o início temos em mente uma ideia do que o conto significa, isto é, uma hipótese interpretativa ou um elemento que nos deixou intrigados. No caso do conto "O enfermeiro", sabemos com toda certeza que Procópio enriqueceu porque herdou a fortuna do coronel. Mas não conhecemos como ele deixou de sentir-se culpado pela morte e desistiu de doar todo o dinheiro.
Também não fica muito clara a razão da repentina explosão de ódio que o levou a matar o velho, visto que Procópio ainda não tinha tido reações intensas diante dos maus tratos que sofria - a não ser a decisão de deixar o doente, tomada pouco antes.

Em obras literárias de qualidade, há sempre algo a ser respondido pelo leitor. A interpretação se constrói por um trabalho de leitura do qual participam ativamente tanto o escritor quanto o leitor. O autor deixa "fios soltos" que devem ser resolvidos por quem lê a obra. Para responder essas questões menos evidentes na leitura do conto (chamadas aqui de "questões norteadoras"), precisamos criar as nossas hipóteses interpretativas.

Formule, junto dos alunos, questões norteadores e veja quais hipóteses interpretativas eles criaram.

Exemplo de questões norteadoras: - Por que Procópio, que parecia tão resignado e paciente, de repente pula no pescoço do coronel e o mata?
- Como é que ele se livra da culpa e decide desfrutar a herança?

Exemplo de hipóteses interpretativas: acho que o assassinato do coronel pode ter sido uma explosão de ódio acumulado em função das muitas agressões sofridas no convívio com o doente. Nesse sentido, o ferimento com a moringa teria sido a "gota d’água" para o enfermeiro. Quanto à herança, talvez a ganância e a possibilidade única de mudar de vida tenham sido mais fortes para Procópio do que seus sentimentos cristãos.


3ª etapa
Prossiga a análise com os estudantes. Tenha em mente que cada obra literária tem inúmeros elementos que a constituem e, de fato, é impossível investigar todos. Para esta etapa, escolha analisar os elementos que respondam as questões norteadoras formuladas por seus alunos.

Lembre que a análise deve construir argumentos que sustentem a interpretação. É ela que vai conduzir o leitor conforme seu raciocínio. Como se, lendo a sua análise, o leitor compartilhasse das mesmas dúvidas que você e dissesse "também não entendi" ou "não acho essa questão pertinente".

Não podemos esquecer também que, em arte, forma é conteúdo. Por isso, ressalte com os estudantes a contribuição de alguns aspectos formais na economia do conto. O que são "aspectos formais"? São elementos que se referem mais a como algo está sendo dito do que ao que está sendo dito. Exemplos: tipo de narrador, a caracterização de algum personagem, o tempo, o espaço e o tipo de discurso.

Neste caso, os estudantes poderão identificar que o conto foi narrado em primeira pessoa, em um tom confessional. Eles poderão notar que Procópio revela a história apenas por estar à beira da morte. Este é um detalhe importante, que indica que algo desabonador será descoberto.

Também pode chamar a atenção o personagem do coronel, que se delicia em ofender e humilhar os que o cercam. Algumas frases também parecem ambíguas, como a do penúltimo parágrafo ("...mas a verdade é que ele devia morrer...") e o epitáfio que Procópio recomenda para si próprio ("Bem aventurados os que possuem, porque eles serão consolados").

Exemplo resumido de análise que você e seus alunos poderão formular: O parágrafo inicial de "O enfermeiro" sugere ao leitor que algo de muito grave será confessado, pois o narrador só ousa confessá-lo por estar moribundo. Quando ele parte para a história em si, temos ideia de sua condição de homem livre (estamos no Rio de Janeiro, em 1860, quando ainda vigorava a escravidão no Brasil), pobre e obrigado a prestar serviços de copista para um padre (seu ex-colega de colégio) em troca de moradia e comida. A oportunidade de trabalhar como enfermeiro para o coronel Felisberto lhe parece ótima, dado que, além de casa e pão, receberia também um bom salário. Mas o coronel, apesar de velho e muito doente, se aproveita de suas prerrogativas de rico proprietário para divertir-se humilhando os que, como Procópio, dele dependem. "Tinha perto de sessenta anos, e desde os cinco toda a gente lhe fazia a vontade. Se fosse só rabugento, vá; mas ele era também mau, deleitava-se com a dor e a humilhação dos outros."

Por falta de alternativa melhor, o enfermeiro decide resignar-se aos maus-tratos do velho, que não demoraram a se estender da agressão verbal para a física. Primeiro, o coronel Felisberto "pegou da bengala e atirou-me dous ou três golpes. Não era preciso mais; despedi-me imediatamente...". No entanto, por insistência do doente, o enfermeiro acaba ficando, aparentemente conformado com os maus tratos: "Eu, com o tempo, fui calejando, e não dava mais por nada; era burro, camelo, pedaço d’asno, idiota, moleirão, era tudo. (...) Mais de uma vez resolvi sair, mas instado pelo vigário, ia ficando."

Depois de um ano trabalhando para o coronel, Procópio decide finalmente ir embora ("Já por esse tempo, tinha eu perdido a escassa dose de piedade que me fazia esquecer os excessos do doente; trazia dentro de mim um fermento de ódio e aversão.") e combina com o vigário o prazo de um mês para que se procure um substituto.

É então que, em seus acessos de raiva, o coronel atira no enfermeiro primeiro um prato de mingau e depois uma moringa que lhe atinge o rosto. "...tal foi a dor que não vi mais nada; atirei-me ao doente, pus-lhe as mãos ao pescoço, lutamos, e esganei-o."
Muito irritado e com muito medo de ser preso, Procópio disfarça as marcas no pescoço do cadáver e declara que o coronel amanheceu morto. A mentira não é questionada e o enterro decorre tranqüilamente. De volta ao Rio, o remorso perturba o ex-enfermeiro: "...não ria, falava pouco, mal comia, tinha alucinações, pesadelos..."

Sabendo-se herdeiro universal do coronel, a culpa o inspira a doar toda a herança recebida. "Não era só escrúpulo; era também o modo de resgatar o crime por um ato de virtude; pareceu-me que ficava assim de contas saldas." No entanto, conforme vai se aproximando o recebimento da fortuna, Procópio desenvolve um mecanismo de auto-ilusão em que se convence de que o crime foi na verdade uma luta e uma fatalidade. Era possível até que tivesse havido uma coincidência entre morte e luta, dado que a vida do coronel estava mesmo por um fio. Aliado a isso, o consenso dos moradores da vila em relação à perversidade do morto acabou por dissipar da alma do ex-enfermeiro a idéia da doação total, que se restringe a algumas poucas obras de caridade.

É bom que a análise inclua trechos do texto, isso ajuda a dar voz à obra. É possível interpretar que o conto fala da flexibilidade moral de um indivíduo ganancioso. O estrangulamento do coronel teria sido mesmo uma explosão de ódio acumulado durante um ano e os remorsos teriam se dissipado frente às delícias da fortuna. Trata-se de uma leitura verdadeira, mas faltam algumas questões a resolver. Por isso, pergunte:

Por que o coronel, mesmo velho e muito doente, insiste em humilhar e ofender o enfermeiro pelo qual depois revela tanto apreço? E o que significa a frase dúbia "...mas a verdade é que ele devia morrer...".Qual o sentido do epitáfio de Procópio?

Para responder a essas questões é necessário entrarmos em outra etapa do trabalho analítico.

4ª etapa
Agora, faça uma exposição do contexto histórico da obra e do funcionamento da sociedade escravista. A literaturafaz parte do tecido social em que está inserida. Como diz o especialista Antonio Cândido, também determinam a obra as "...circunstâncias de sua composição, o momento histórico, a vida do autor, o gênero literário, as tendências estéticas de seu tempo, etc. Só encarando-a assim teremos elementos para avaliar o significado da maneira mais completa possível (que é sempre incompleta, apesar de tudo)."

Exemplo resumido de comentário: "O enfermeiro" se passa em 1860, período de apogeu do Império brasileiro. Após a independência, a única coisa que unificava as elites de todo o território nacional era a escravidão, vista politicamente como um "mal necessário". Entre 1850 e 1860, acaba a tensão entre elites regionais e poder local e passa a ser possível a extinção efetiva do tráfico negreiro.

No entanto, a sistema colonial escravista produzira na sociedade brasileira uma camada de homens livres pobres que, não sendo proprietários e impedidos de se proletarizar, permaneceram à margem do sistema e, do ponto de vista da produção econômica, sem razão de ser. Restou a essa camada significativa da população a alternativa de sobreviver dos favores dos grandes, de escassas e mal-remuneradas profissões liberais (barbeiro, costureira etc.), de pequenos golpes ou furtos. O nosso copista-enfermeiro, Procópio José Gomes Valongo, pertence à camada dos homens livres na ordem escravocrata, dependente dos favores de um ex-colega ou de trabalhos raros e, no caso do coronel Felisberto, ultrajantes.

5ª etapa
Após tudo o que foi conversado, peça que os estudantes resgatem o que pensavam antes da análise. A interpretação é a mesma? Antes da análise, eles haviam pensando na relação entre a narração e o contexto da obra? Comente a distância entre a compreensão inicial do conto e a consciência de sua complexidade após o trabalho interpretativo.

Aproveite para discutir também as relações entre literatura e sociedade e a importância de se encarar a literatura como um objeto de conhecimento.

Avaliação
Proponha um trabalho de análise de outro conto de Machado, preferencialmente em grupos pequenos. Avalie se os estudantes conseguem formular questões pertinentes à obra e se conseguem se distanciar da leitura parafrástica e construir interpretações coerentes.
Helena Weisz
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura

ANALISE DO TEXTO

Posted by Profº Monteiro on agosto 06, 2013


Analisar as características dos personagens pode ser uma boa atividade para que a turma compreenda o enredo de uma história

Objetivos
- Aumentar o repertório literário.
- Ler textos pré-selecionados e analisar os personagens, identificando as características e a importância de cada um para a narrativa.
- Apresentar um seminário sobre os personagens das histórias lidas.

Conteúdo
- Leitura.

Anos
- 7º ao 9º.

Tempo estimado
- 12 aulas.

Material necessário
- Textos: Felicidade Clandestina (Clarice Lispector, 60 págs., Ed. Rocco), O Doido da Garrafa(Adriana Falcão, 132 págs, Ed. Planeta do Brasil), Suflê de Chuchu (publicado em Comédias Para se Ler na Escola, Luis Fernando Veríssimo, 148 págs, Ed. Objetiva), Rosa Regada (publicado em Boa Companhia - Contos, Amilcar Bettega Barbosa, 128 págs. Ed. Companhia das Letras).





Reescrita com personagem-narrador
Estudo de personagens
Comparação de personagens de diferentes histórias


Desenvolvimento
1ª Etapa
Retome com os jovens a estrutura básica de uma narrativa (espaço, narrador, tempo, enredo, personagem, tipo de discurso) e explique que vocês vão aprofundar o estudo sobre o personagem. Mostre a diferença entre as funções que podem ser desempenhada por ele: protagonista, antagonista ou secundário. Relembre também a classificação quanto à evolução na narrativa: personagem plano (ou linear), que mantém o comportamento, e personagem redondo (ou esférico), que surpreende no desenrolar da trama.

2ª Etapa
Apresente os títulos dos quatro textos a serem estudados: Felicidade Clandestina, O Doido da Garrafa, Suflê de Chuchu e Rosa Regada e apresente os autores. Incentive a turma a realizar inferências sobre os textos somente com base nos títulos. Por exemplo, em que consistiria uma felicidade clandestina? O que seria um doido da garrafa? E que garrafa seria essa? O que terá acontecido com o suflê? Será que há relação com o fato do chuchu ser considerado insosso? A rosa do título seria uma mulher com esse nome ou se acaso se referiria à flor? Discuta essas e outras questões e monte um quadro com as opiniões.

3ª Etapa
Distribua cópias de todos os textos para os alunos e solicite que leiam o material individualmente. Considere realizar o momento da leitura em outro ambiente que não a sala de aula, como o pátio ou o jardim da escola e recomende algumas leituras para serem realizadas como tarefa de casa. Combine um prazo com a garotada.

4ª Etapa
Encerradas as leituras, peça que estudantes comentem os textos lidos e retome as questões sobre os títulos, que foram registradas no quadro anteriormente: quais inferências se confirmaram?

5ª Etapa
Divida a classe em três grupos - cada um será responsável por analisar mais a fundo uma histórias já lidas e também os personagens que fazem parte delas. Os jovens poderão escolher de qual grupo querem participar. Para começar a análise dos personagens, eleja um dos textos - por exemplo, Suflê de Chuchu - e organize um trabalho coletivo, em que você faça o papel de mediador. Assim, os alunos terão um modelo a seguir quando estiverem analisando o texto eleito por eles. Além de chamar atenção para as descrições feitas pelo autor, ressalte outros aspectos que podem ter muito a revelar sobre os personagens. Dentre eles, o jeito de falar e o vocabulário usado por eles e o comportamento de cada um. Com Suflê de Chuchu, instigue os alunos a inferir como era a vida da personagem Duda no Brasil antes da viagem, principalmente no que se refere às tarefas domésticas. Sugira que façam um contraponto com a realidade dela na França. Peça também que caracterizem os pais da personagem (protetores, modernos, tradicionais...). O fragmento do 1º parágrafo pode servir de ponto de partida para a análise: "(...) O primeiro telefonema desde que ela embarcara, mochila nas costas (a Duda, que em casa não levantava nem a sua roupa do chão!), na Varig, contra a vontade do pai e da mãe.".

6ª Etapa
Explique para a turma que a tarefa agora é cada grupo analisar os personagens da narrativa escolhida e preparar um seminário a respeito. Ressalte a importância de todos os grupos contarem com um material para apoiar as falas (como cartazes ou slides) durante a apresentação. Esclareça também a validade de prepararem uma explanação breve sobre a vida do autor da história. Quanto às análises das personagens, deixe claro para os alunos que elas devem ir além das classificações estudadas anteriormente (personagem plano ou esférico, protagonista, antagonista ou secundário). Esclareça que é importante que eles busquem no texto informações - explícitas ou não - para apresentar os personagens. Instrua-os a buscarem pistas no modo de falar e no vocabulário deles, na forma com que se vestem, no temperamento, nas relações com os outros personagens...

7ª Etapa
Agende reuniões com cada grupo para que os jovens apresentem a você o que analisaram até então. Ajude-os a aperfeiçoar o trabalho, apresentando questões desafiadoras. Por exemplo:

- "No conto Felicidade Clandestina há uma descrição minuciosa da filha do dono da livraria, porque será que isso acontece?", "Com base no que o autor escreveu, como provavelmente é a narradora?". Sugira para a turma listar os dados que revelam informações sobre os personagens e analisá-los, lembrando que a narradora-personagem deste texto é descrita física e psicologicamente (como aparece nos trechos "Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres" ou "Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe.").
- Em O Doido da Garrafa chame a atenção dos alunos para o parágrafo inicial do texto. "O que faz o personagem ser considerado doido pelas outras pessoas?" e "Quais atitudes ou gestos do personagem estão realmente fora do que a sociedade considera ‘normal’ e quais são ‘comuns’"? Instigue-os a perceber as características apresentadas sobre os outros personagens do texto. Chame a atenção ainda para as descrições metafóricas usadas para caracterizar o modo de vida do "doido da garrafa", como aparece no trecho: "Sentia uma paixão azul dentro do peito, desde criança, sempre que olhava o mar e orgulhava-se muito disso".

- No texto Rosa Regada chame a atenção para a descrição feita sobre Rosa no primeiro parágrafo. Qual possivelmente é a idade dela? É possível saber como ela é física e psicologicamente usando o texto como base? Como interpretar a afirmativa, contida no texto: "Rosa era quase um verão"? Sobre seus pais, chame a atenção sobre a relação entre eles e seus afazeres (o pai duro e silencioso de formão em punho e a mãe, em um canto da choupana, tecendo uma colcha para um inverno distante). Peça que os jovens analisem também a relação da personagem com a natureza e a importância disso para o desenrolar da narrativa.

6ª Etapa
Antes de apresentar a análise dos personagens para a apresentação e a breve biografia, é interessante que todos planejem ler o texto analisado em voz alta para os colegas. O professor é um modelo de leitor para os estudantes e por isso deverá ajudar os estudantes para que leiam com entonação e entusiasmo, a fim de proporcionar um prazer estético com uma leitura bem feita. Após a leitura, cada grupo poderá apresentar, com apoio dos cartazes ou slides, a análise. Ao final de cada apresentação, peça que a garotada expresse impressões sobre os aspectos apresentados, concordando ou discordando do grupo. Aja como um moderador nesse momento, inclusive levantando novas questões.

Avaliação
Analise se cada aluno foi capaz de ler com atenção e autonomia os textos selecionados, identificar e analisar os personagens, além de participar ativamente das discussões. No que se refere à apresentação do seminário, avalie a participação em todo o processo de pesquisa, montagem do material de apoio e na apresentação. É importante verificar também a qualidade das inferências feitas pelos estudantes e o quanto eles se prendem a características explícitas. Para aperfeiçoar eventuais fragilidades de leitura, é interessante selecionar um novo texto para que a turma realize mais uma análise, desta vez, individualmente.
Consultoria Eliza de Almeida
Professora da EE São João Batista, em Oliveira, a 159 quilômetros de Belo Horizonte.


Leitura e escrita de textos do gênero memórias literárias
Posted:Tue, 11 Jun 2013 01:32:00 +0000

Neste projeto de Língua Portuguesa, convide os alunos a ler e a escrever uma coletânea de memórias literárias

Objetivos
- Ampliar a competência comunicativa, lendo e escrevendo textos socialmente relevantes sobre o trabalho com o gênero textual memórias literárias.
- Ler, ouvir, compreender e comentar textos com base no gênero memórias literárias.
- Identificar as características formais e discursivas do gênero memórias literárias.
- Planejar, produzir, reescrever, revisar e publicar memórias literárias.
- Realizar análise linguística sobre os textos produzidos.
Conteúdos
- Gênero textual Memórias Literárias.
- Leitura e compreensão.
- Produção textual.
- Procedimentos de produção, reescrita e revisão de textos.
- Análise linguística - coesão, coerência, plural, tempos verbais, transposição da fala para a escrita, uso da letra maiúscula, pronomes, pontuação, vocabulário.
Obs.: dependendo das dificuldades da turma, outros conteúdos linguísticos podem ser acrescentados ao projeto.
Tempo estimado
Oito meses.

Ano
5º ao 8º ano.



Especial | Produção de Texto
Especial | Leitura
Tudo sobre Língua Portuguesa



Material necessário
- Filme "Adorável Professor" (Stephen Herek, 440 min, Buena Vista Filmes do Brasil, tel. 11/5503-9900)
- Coletânea "Meu Professor Inesquecível" (Fanny Abramovich/org., 160 págs., Ed. Gente, tel. 11/3670-2500, 31,90 reais)
- Conto "Galinha ao Molho Pardo", de Fernando Sabino (1923-2004), presente no livro "O Menino no Espelho" (176 págs., Ed. Record, tel. 21/2585-2407, 34,90 reais).
- Biblioteca, acervo de livros ou textos do gênero Memórias Literárias.
- Laboratório de informática com acesso a internet (facultativo).

Desenvolvimento
1ª etapa
Como atividade introdutória, forme um círculo e distribua ao centro várias gravuras que remetam ao campo semântico da Educação. Sugira que cada aluno escolha uma imagem relacionada às suas vivências educacionais e fale sobre fatos e professores que foram importantes. Explique à turma que, nessa aula e nas seguintes, vocês vão falar sobre docentes inesquecíveis. Escolha um texto da coletânea Meu Professor Inesquecível, divida-o de acordo com os parágrafos e peça que cada estudante leia um em voz alta. Promova uma discussão sobre o texto. Proponha uma produção escrita baseada no seguinte enunciado: “É hora de recordar sua vida estudantil. Relembre os melhores momentos, os professores, os acontecimentos inesquecíveis e produza um texto utilizando suas memórias”. Durante as três atividades, inicie o mapeamento da turma com base na análise dos textos produzidos, focando o que cada um já sabe e o que necessita aprender.

2ª etapa
Pergunte à classe quais as qualidades de um bom professor. Liste as respostas no quadro. Em seguida, informe que todos assistirão ao filme Meu Adorável Professor. Ao terminar, proponha uma roda de conversa com base nas seguintes questões:
- Como se sentiram ao assistir ao filme?
- Já tinham ouvido lembranças semelhantes?
- A história lembra alguma situação que já vivenciaram?
- O que já aconteceu na vida estudantil de vocês que mereça ficar registrado?
Os alunos devem falar sobre os temas propostos e registrar as considerações nos cadernos. Divida os alunos em duplas e proponha que façam uma lista com o nome dos bons professores que conheceram, os fatos mais importantes que vivenciaram juntos e o que chamou mais a atenção durante as aulas. Com base nisso, discuta o uso da letra maiúscula. Incentive as duplas a sistematizar as regras de uso. Para finalizar, trabalhe a distinção entre memória e memórias por meio de consultas a dicionários e de uma discussão coletiva.

3ª etapa
Lance para a turma uma tempestade de ideias sobre o título da coletânea Meu Professor Inesquecível. Levante os seguintes questionamentos:
- Quem é seu professor inesquecível?
- O que ele fez de especial?
Apresente à classe o escritor Marcos Rey (1925-1999), um dos autores que participam da coletânea. Leia o texto dele em voz alta. Peça que os alunos formem duplas e conversem sobre a maneira como o professor inesquecível do autor é apresentado no texto. Todos devem listar suas considerações. Discuta-as coletivamente e vá preparando, no quadro, um panorama das características do gênero memórias literárias. Peça que os estudantes registrem as informações no caderno.

4ª etapa
Distribua vários textos de memórias de diferentes autores para que os alunos realizem uma leitura silenciosa. Divida a turma em duplas e proponha que comentem sobre o que leram, escolham o texto que mais chamou a atenção e apresentem-no oralmente aos colegas. Convide um funcionário da biblioteca escolar (ou outro professor, caso a escola não possua biblioteca) para uma entrevista coletiva. A classe deverá fazer perguntas sobre as memórias estudantis dele. Proponha que cada dupla escreva um texto sobre as memórias que ouviu, prestando atenção nas alterações que ocorrem ao transpor a linguagem oral para a escrita. O trabalho deve ser realizado da seguinte maneira: um aluno é escolhido para ser o escriba e o outro narra as memórias como se fossem dele. O escriba registra tudo no caderno e o colega ajuda a melhorar a produção. Ao surgirem dúvidas, as duplas podem recorrer aos colegas e ao professor. A ideia é que a turma vá aprimorando os textos ao longo da aula. No fim, todos devem registrar no caderno as produções coletivas.
Tomando como parâmetro essas produções, selecione alguns trechos dos textos que a turma produziu no começo do projeto. Sem especificar de quem é cada texto, analise coletivamente questões concernentes a coesão, coerência e vocabulário, fazendo as alterações necessárias e promovendo a reescrita coletiva. Chame a atenção também para aspectos relativos ao uso dos tempos verbais e dos pronomes, além de enfatizar a importância dos sinais de pontuação.

5ª etapa
Realize uma visita à biblioteca da escola. Convide um estudante a escolher um livro na seção de Memórias Literárias e realizar a leitura em voz alta para a turma. Sugira que todos escolham um texto de memórias para realizar a leitura silenciosa na biblioteca e um livro para ler em casa. Incentive os alunos a visitar a biblioteca constantemente e auxilie-os a criar esse hábito. Se a escola possuir laboratório de informática, complemente a atividade pedindo que a turma pesquise na internet informações sobre os autores lidos. Retornando à sala de aula, proponha que os alunos socializem as informações encontradas. Com base nelas, montem coletivamente uma lista com a vida e a obra de cada autor. Escolha um estudante para digitar a lista. Faça cópias dela e entregue à classe. Para finalizar a etapa, com base nelas, elabore um plano global para a produção final do tema meu professor inesquecível. Explique à classe que o texto deve ter as seguintes características: ser construído com base na vivência, ter foco narrativo e pronomes em primeira pessoa, utilizar narrador-personagem, ser uma produção com início, meio e fim e utilizar tempo e espaço apropriados ao gênero. Peça que todos registrem o plano no caderno. Lance a proposta para que cada um prepare um roteiro provisório.

6ª etapa
Inicie o trabalho com o texto Galinha ao Molho Pardo. A primeira leitura pode ser feita em voz alta pelo professor e acompanhada pelos alunos, que devem ter uma cópia em mãos. Realize uma análise coletiva dos usos dos sinais de pontuação, que pode resultar na construção de um quadro temático. Relembre todas as atividades realizadas e, de posse do material produzido pelos estudantes ao longo das aulas e do roteiro, peça que cada um comece a produção do texto final. O título deve ser Meu Professor Inesquecível. Explique que as produções vão compor uma coletânea que será apresentada à escola.

7ª etapa
Com base na produção da etapa anterior, realize um processo de revisão coletiva e outro individual. Para começar, liste no quadro problemas que permeiam a maioria dos textos, discuta-os e apresente as explicações mais gerais. Em seguida, devolva os textos e proponha que os alunos formem duplas para melhorarem suas produções. Recolha os textos, leia-os minuciosamente e anote sugestões para aprimorá-los. Entregue as produções com observações específicas para que cada um realize a reescrita individual. Leia novamente os textos e sugira os últimos aprimoramentos e as questões ortográficas que precisam ser ajustadas. Estabeleça um prazo para a entrega da versão final. Para finalizar, peça que os alunos produzam uma capa para a coletânea. Organize o livro e prepare a cerimônia de lançamento. Faça uma lista de professores, funcionários e membros da comunidade que serão convidados.

Produto final
Livro com as memórias literárias da turma.

Avaliação
Os avanços na aprendizagem precisam ser avaliados por meio da análise comparativa das produções, registro processual dos textos e dificuldades da turma e das intervenções realizadas pelo professor. Tudo deve ser registrado e organizado em um portfólio.
Consultoria Antonio Oziêlton de Brito Sousa
Professor de Língua Portuguesa na EEF Odilon de Souza Brilhante, em Ocara, Ceará, e vencedor do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 em 2012.