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ABSTRACIONISMO GEOMÉTRICO

Posted by Profº Monteiro on julho 15, 2017

                                                         
A arte abstrata tende a suprimir toda a relação entre a realidade e o quadro, entre as linhas e os planos, as cores e a significação que esses elementos podem sugerir ao espírito. Quando a significação de um quadro depende essencialmente da cor e da forma, quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a sua obra à realidade visível, ela passa a ser abstrata.
Abstracionismo Sensível ou Informal, predominam os sentimentos e emoções. As cores e as formas são criadas livremente. Na Alemanha surge o movimento denominado “Der blaue Reiter” (O Cavaleiro Azul) cujos fundadores são os Kandinsky, Franz Marc entre outros.
Uma arte abstrata, que coloca na cor e forma a sua expressividade maior. Estes artistas se aprofundam em pesquisas cromáticas, conseguindo variações espaciais e formais na pintura, através das tonalidades e matizes obtidos. Eles querem um expressionismo abstrato, sensível e emotivo.
Com a forma, a cor e alinha, o artista é livre para expressar seus sentimentos interiores, sem relacioná-los a lembrança do mundo exterior. Estes elementos da composição devem Ter uma unidade e harmonia, tal qual uma obra musical.
Principais Artistas:
Franz Marc (1880-1916), pintor alemão, apaixonado pela arte dos povos primitivos, das crianças e dos doentes mentais, o pintor alemão Marc escolheu como temas favoritos os estudos sobre animais, conheceu Kandinsky, sob a influência deste, convenceu-se de que a essência dos seres se revela na abstração. A admiração pelos futuristas italianos imprimiram nova dinâmica à obra de Marc, que passou a empregar formas e massas de cores brilhantes próprias da pintura cubista.
Os nazistas destruíram várias de suas obras. As que restaram estão conservadas no Museu de Belas-Artes de Liège, no Kunstmuseum, em Basiléia, na Städtische Galarie im Lembachhaus, em Munique, no Walker Art Center, em Minneapolis, e no Guggenheim Museum, em Nova York.
Wassily Kandinsky (1866-1944), pintor russo, antes do abstracionismo participou de vários movimentos artísticos como impressionismo também atravessou uma curta fase fauve e expressionista. Escreveu livros, como em 1911, Sobre o espiritual na arte, em que procurou apontar correspondências simbólicas entre os impulsos interiores e a linguagem das formas e cores, e em 1926, Do ponto e da linha até a superfície, explicação mais técnica da construção e inventividade da sua arte. Dezenas de suas obras foram confiscadas pelos nazistas e várias delas expostas na mostra de “Arte Degenerada”.
Tachismo (de tache = mancha). Formado por manchas coloridas colocadas lado a lado em um certo parâmetro ou limite, no mínimo o braço do artista. Também existe um tipo de abstrato informal formado por manchas, porém, elas não possuem parâmetro definido pelo braço do artista como no Tachismo. São manchas criadas impulsivamente com toda a liberdade ou efusão emocional do artista.
Grafismo é todo abstracionismo formado por uma grafia não cognificada.
Orfismo tem ligação com a música. Principal artista: Sonia Delaunay.
Raionismo formado por raios, estanques, deslizes e riscos com luminosidade. Principal artista: Larionov/Gontcharova
Action Painting ou pintura de ação gestual, criada por Jackson Pollock nos anos de 1947 a 1950 faz parte da Arte Abstrata Americana. Em 1937, fundou-se nos Estados Unidos, a Sociedade dos Artistas Abstratos. O abstracionismo cresce e se desenvolve nas Américas, chegando à criação de um estilo original.
Características da Pintura:
  • Compreensão da pintura como meio de emoções intensas.
  • Execução cheia de violenta agressividade, espontaneidade e automatismo.
  • Destruição dos meios tradicionais de execução – pincéis, trincha, espátulas, etc.
  • Técnica: pintura direta na parede ou no chão, em telas enormes, utilizando tinta à óleo, pasta espessa de areia, vidro moído.
Principais Artistas:
Jackson Pollock (1912-1956), pintor americano, introduziu nova modalidade na técnica, gotejando (dripping) as tintas que escorrem de recipientes furados intencionalmente, numa execução veloz, com gestos bruscos e impetuosos, borrifando, manchando, pintando a superfície escolhida com resultados extraordinários e fantásticos, algumas vezes realizada diante do público. Desenvolveu pesquisas sobre pintura aromática. Nos últimos trabalhos nessa linha, o artista usou materiais como pregos, conchas e pedaços de tela, misturavam-se às camadas de tinta para dar relevo à textura. Usou freqüentemente tintas industriais, muitas delas usadas na pintura de automóveis.
Willem de Kooning (1904-1997), nos anos 20 e 30, antes de atacar suas telas, o jovem De Kooning, que abandonou a Holanda aos 22 anos a bordo de um cargueiro, começou a vida como carpinteiro e pintor de paredes. De cultura européia, De Kooning herdaria o apreço ela arte figurativa, tornando-se um admirador da obra de seu conterrâneo Rembrandt e do francês  Cèzanne. Ao contrário de seus colegas de vanguarda, que aboliram a representação figurativa de seus quadros. De Konning fez das figuras femininas – a marca da diferença em seu trabalho. “Minha obra vive de incluir as coisas, não de excluí-las”, costumava afirmar. Ao final dos anos 40, junto com Jackson Pollock, Arshile Gorky e Mark Rothko, revolucionaria a pintura americana, fundando a vanguarda expressionista abstrata. Com seus borrões e respingos de tinta atirados contra ela a tela, Pollock, o maior de todos, secundado por De Koonning e companhia, deslocou de Paris para Nova York a capital mundial das artes. Diversamente dos expressionistas europeus, que no começo do século converteram sua arte numa forma de panfletagem político-social, a vanguarda expressionista ianque tratou de banir a política de seus quadros, preferindo expremir as misérias da condição humana nos limites da existência individual. Morreu vítima do mal de Alzheimer em sua casa-ateliê em Long Island, perto de Nova York.

Produzindo uma resenha de filme

Posted by Profº Monteiro on agosto 20, 2013




BELO HORIZONTE - MG ESCOLA DE EDUCACAO BASICA E PROFISSIONAL DA UFMG - CENTRO PEDAGOGICO







Coautor(es)







Luiz Prazeres




Estrutura Curricular










Modalidade / Nível de Ensino




Componente Curricular




Tema







Ensino Fundamental Final




Língua Portuguesa




Língua oral e escrita: prática de produção de textos orais e escritos







Ensino Fundamental Final




Língua Portuguesa




Análise linguística: processos de construção de significação







Ensino Fundamental Final




Língua Portuguesa




Análise linguística: modos de organização dos discursos







Dados da Aula

O que o aluno poderá aprender com esta aula



















· (Re)conhecer uma resenha;







· Compreender o uso de estratégias textuais e discursivas das resenhas de filme;







· Identificar os usos sociais das resenhas;







· Reconhecer as sequências textuais/tipológicas que compõem uma resenha de filme;







· Identificar estratégias argumentativas utilizadas nas resenhas.

Duração das atividades







7 aulas de 50 minutos.

Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno







* Noções de verbos







* Noções de adjetivos

Estratégias e recursos da aula



















· Computador/ internet (sala de informática)







· Data show







· Caixas de som







Aula 1:







O gênero a ser trabalhado nesta aula é a resenha. Para que seus alunos tenham conhecimentos prévios acerca desse gênero, escolha uma resenha de filme e leve-a para a sala de aula. Cada aluno deve receber a sua. Faça, juntamente com eles, a leitura de pausa protocolada, ou seja, aquela em que o professor interrompe a leitura para fazer observações e questionamentos para a turma.







Abaixo, segue uma sugestão de resenha:







LISBELA E O PRISIONEIRO







Osman Lins















http://edownloadmusicas.com/gerarlink.co.cc/achedownloads_imagens/46276_t_1604100928.jpg



















LISBELA E O PRISIONEIRO é uma comédia romântica e conta a história divertida do malandro, aventureiro e conquistador Leléu (Selton Mello, de A Invenção do Brasil, O Auto da Compadecida, Lavoura Arcaica), e da mocinha sonhadora Lisbela (Débora Falabella, de O Clone, Dois Perdidos em uma Noite Suja), que adora ver filmes americanos e sonha com os heróis do cinema.













Lisbela está noiva e de casamento marcado, quando Leléu chega à cidade. O casal se encanta e passa a viver uma história cheia de personagens tirados do cenário nordestino: Inaura, uma mulher casada e sedutora (Virginia Cavendish, de O Cravo e a Rosa, Dona Flor e seus Dois Maridos) que tenta atrair o herói; um marido valentão e "matador", Frederico Evandro (Marco Nanini, de Carlota Joaquina - Princesa do Brasil, O Auto da Compadecida); um pai severo e chefe de polícia, Tenente Guedes (André Mattos, de Como Nascem os Anjos); um pernambucano com sotaque carioca, Douglas (Bruno Garcia, de Os Maias, O Quinto dos Infernos), visto sob o prisma do humor regional; e um "cabo de destacamento", Cabo Citonho (Tadeu Mello, de Xuxa e os Duendes, O Cupido Trapalhão), que é suficientemente astuto para satisfazer os seus apetites.







Lisbela e Leléu vão sofrer pressões da família, do meio social e também com as suas próprias dúvidas e hesitações. Mas, em uma reviravolta final, cheia de bravura e humor, eles seguem seus destinos. Como a própria Lisbela diz, a graça não é saber o que acontece. É saber como acontece. Quando acontece.







Apesar da história se passar no nordeste brasileiro, os dramas destas personagens, suas aflições e sonhos são universais. Não se trata, portanto, de um filme regionalista, embora se utilize com inteligência dos recursos interessantes que uma história nordestina pode trazer, como o colorido das paisagens, o sotaque alegre e algumas tradições regionais.







Mesmo as personagens mais caricatas, como o Cabo Citonho, vivido por Tadeu Mello, funcionam com todos os seus trejeitos sem forçar a barra para ser engraçado. De modo geral, a escolha do elenco foi muito acertada: Selton Mello tem a mistura certa da doçura com a malandragem. Débora Falabella está perfeita no papel, com alegria, pureza e beleza transbordantes. Bruno Garcia sempre uma carta na manga do diretor, do popular ao irritante num pulo. Virginia Cavendish, uma das mentoras do projeto, linda, sensual e provocante, bem diferente da sua personagem boa moça de "O Auto da Compadecida". André Mattos já provou ser mais do que carismático e Marco Nanini fecha tudo com chave de ouro. Seu vilão cruel de olhos vermelhos e cabelos crespos dá o equilíbrio que a história exige, sem se tornar pesada demais.







Disponível em:







http://www.jayrus.art.br/Apostilas/LiteraturaBrasileira/Contemporanea/Osman_Lins_Lisbela_e_o_Prisioneiro.htm



















Agora, reproduza a resenha em data show e faça, com auxílio dos alunos a análise da resenha conforma as orientações a seguir:







As resenhas em geral compõem-se de elementos básicos que caracterizam esse gênero. São eles:







* Contexto \ Expansão do contexto:







São as informações que vão além do filme. Conta sobre outros filmes já feitos pelos atores e diretores, relaciona o filme com outros filmes e aborda a vida pessoal do elenco.







* Informações básicas







Refere-se à parte técnica do filme: nome, duração, elenco, direção, roteiro, gravadora...







* Descrição resumida







É o resumo do filme. É quando o enredo é anunciado ao leitor da resenha.







* Juízos de valor







Os juízos de valor são os posicionamentos expressos pelo resenhista ao longo de seu texto. Podem ser críticas positivas ou negativas, mas que acabam por recomendar, ou não, o filme para o leitor.







* Argumento







O argumento é a justificativa referente ao juízo de valor proferido. Em uma resenha não é suficiente dizer que gosta ou não gosta, é preciso justificar a opinião com argumentos.



















Depois de discutir com seus alunos os componentes da resenha, identifique com eles, na resenha escolhida, cada um desses elementos. Para isso, faça uma legenda:







( ) Contexto \ Expansão do contexto







( ) Informações básicas







( ) Descrição resumida







( ) Juízos de valor







( ) Argumento



















Sua resenha deverá ficar parecida com esta:































LISBELA E O PRISIONEIRO







Osman Lins















Depois de localizar esses elementos no texto, peça que os alunos respondam as seguintes questões:

A resenha escrita por Osman Lins recomenda ou não o filme Lisbela e o prisioneiro? Justifique.

A resenha lida utiliza todos os elementos constituintes desse gênero? Ela o faz de modo bem distribuído ou acaba privilegiando exageradamente algum recurso?

Você acha que essa pode ser considerada uma boa resenha?



















Aula 2:







Nesta aula, proponha a seus alunos que, assim como na aula anterior, eles mesmos façam a análise de uma resenha. Sugerimos abaixo a resenha do filme Central do Brasil.















http://www.mundodececi.com/wp-content/central-do-brasil1.jpg



















O filme “Central do Brasil”, segundo seu diretor, Walter Salles1 , “é a história de um menino em busca do pai que nunca conheceu”. É também a procura de um outro país: “A procura pelo pai se confunde pouco a pouco com a procura por um outro Brasil (...), um país onde a fraternidade e a compaixão ainda são possíveis. Um país onde a indiferença e o cinismo não cabem mais”.
















Procura pelo pai, pelo país, pela pátria, enfim, é o tema central deste belo filme: a busca das raízes do menino que, como nós, é órfão da grande cidade, que amamos, mas não nos acolhe, e que perdoamos o desamparo como o filho de mãe solteira perdoa seu abandono.







E é este personagem, Josué, de nome bíblico, que tem que empreender a viagem de volta dos retirantes – aquela que seus pais efetuaram: ao Nordeste, não por coincidência, lugar de origem da pátria brasileira. É isto que aproxima “Central do Brasil” das narrativas míticas: a epopéia, a aventura, a empreitada, em busca de uma nova realidade que é ao mesmo tempo um retorno. A busca de raízes depois de um longo exílio, em que habitamos uma terra estranha a nós, estrangeira.







Então é necessária uma passagem: a partir da “Central do Brasil”, estação ferroviária que em certa época foi o “coração” do Brasil, e que hoje é mais um retrato de sua miséria, é traçado um percurso ao centro histórico e simbólico – já que cenário de seu descobrimento – do País: o Nordeste. Alcançado no filme através das estradas rodoviárias. Os caminhos de ferro da “Central do Brasil” há muito deixaram de operar ou de ter importância.







Mas “Central do Brasil” é também, para Walter Salles, “a história de uma mulher que se tornou insensível ao mundo que a cerca”. Em má situação estamos então nesta identificação possível com a figura de Josué – que procura um pai, mas também um país –, porque além do pai/país que é preciso buscar, e de uma mãe morta, atropelada tragicamente e ironicamente (já que por um ônibus numa estação ferroviária) só é possível, não diríamos confiar, mas acreditar numa figura de mulher que se tornou insensível.







Talvez também não por acaso, uma professora. Duvidamos até, nós espectadores, ao assistirmos ao filme, depois de desconfiados em relação ao seu caráter, se esta personagem é mesmo uma professora. Mas uma imagem rápida e terrível acaba por dissolver nossas desconfianças: ali está Dora, mais moça, com sua turma uniformizada de alunos, no retrato da estante da sala da sua casa, a nos olhar candidamente. E é em uma personagem ambígua assim que o pequeno Josué tem que acreditar: professora, mas aposentada, que garante sua sobrevivência na “Central do Brasil” escrevendo cartas que não envia. Por cinismo? Melhor dizendo, por uma profunda descrença: ela analisa as cartas redigidas cuidadosamente e, como um deus, julga os dramas nelas esboçados, separando algumas que pretende enviar algum dia (sua gaveta de cartas é similar à lista de boas intenções que redigimos no ano-novo, mas que nunca cumprimos). Tão ambígua é esta personagem, que inicialmente presta-se a vender o menino para traficantes de crianças, respaldada na sua descrença: “Qual o futuro que ele teria aqui?” Mas o faz em troca de um supersofisticado aparelho de TV: a questão da perda de valores na modernidade insinua-se nesta imagem.







A personagem Irene (seria esta uma alusão àquela de Manoel Bandeira? ou àquela de Caetano?) é muito interessante em termos dramáticos por fornecer um contraponto à personagem principal vivida por Fernanda Montenegro. Mais do que um contraponto, é um “alter-ego” de Dora, que proclama: “Para tudo há um limite.” E que precipita a trama: é a partir do “resgate” de Josué das mãos dos traficantes que Dora torna-se alguém em que é possível depositar alguma esperança. A grandiosidade da figura de Dora está em que ela ousa mudar no momento em que é mais difícil reparar o que foi feito. Assim como Josué, Dora inicia então um movimento de retorno. Nas palavras do diretor do filme, “a personagem tem pela primeira vez a possibilidade de reverter o curso de sua vida.”







Dora torna-se, assim, alguém em quem é possível confiar. Confiança esta, não depositada em vão: nesta busca pelo pai desconhecido e pela pátria, é esta figura de mulher que se projeta como guia: uma mulher forte, experiente, mas que na sua condição de “desiludida” é pouco suscetível à pieguice ou às saídas fáceis ou falsas (seria muito fácil, por exemplo, neste momento do filme, que Dora “adotasse” Josué), e que no entanto daí por diante persiste, e por vezes desiste, neste caminho, que é a única possibilidade para ela, também: a perdição de Josué é a sua própria, e se ela se revolta, não é uma revolta contra o menino, mas sim uma revolta contra a condição de solidão absoluta de ambos.







Neste caminhar pontuado por uma alternância “persistência/desistência”, por vezes é Dora que desiste, por vezes Josué, mas sempre um movimento complementar ao outro, como “roca e fuso”, diria Clarice Lispector, como “pião e barbante”, nos diz a imagem presente no filme.







E é a história de uma provação, a que assistimos então: o encontro com o caminhoneiro, que nos parece tão promissor, acaba por ser frustrante para a mulher e para o menino, ávidos que estão de um pai, de uma pátria, ou apenas de um homem que pudesse guiá-los nesta procura. Acabamos, no entanto, também por compreender e perdoar o caminhoneiro que foge à aproximação.







Dora e Josué estão sozinhos nesta trilha, um terá que guiar o outro, como duas criaturas cegas à procura de uma visão. Como se apenas mulheres e crianças pudessem trilhar este caminho.







Chegam à terra prometida, onde toda a esperança, então, desfaz-se: o endereço os envia a um pai que não é o verdadeiro, e este não tem endereço. E Josué encontra-se órfão agora duplamente, porque também sem esperanças de encontrar. Mas como nas parábolas, procurava algo e encontra outra coisa: se o pai torna-se, neste momento do filme, inatingível, encontra em Dora, a partir da cena paradigmática que serve de cartaz ao filme – Josué embala Dora em seu colo –, uma filiação. Mas não se trata da sua adoção por ela, mas de uma inversão da situação de adoção: é o menino que escolhe a mulher.







E juntos tocam um pequeno negócio: na feira, Josué agencia fregueses para a escrivã, o que possibilitará a continuação da jornada. Ele agora quer ser iniciado no cinismo que percebia ser parte da função, mas Dora não permite a destruição das cartas. Dora transformou-se. Ou retornou ao que sempre foi? E então, como só nas narrativas bíblicas costuma acontecer – não por acaso trata-se de uma procissão, no momento de reconciliação, que é também um momento de desistência – Josué não procura mais –, é que inesperadamente, e aparentemente nem mais desejado, surge o que penosamente se buscou: Josué encontra seus irmãos.







Descobre-se assim que tanto quanto buscou, também foi aguardado: o retrato na parede da sala, trazendo enfim a figura dos pais de Josué reunidos, um casal. E seus irmãos com quem compartilha o jogo, o trabalho, o sono, sem deixar-se conhecer.







Identificados com Josué, sentimos nossa orfandade redimida, confortados pela descoberta de uma irmandade com quem dividir a herança de um pai que nos nomeou: a descoberta de uma pátria, enfim.




E Dora? Há uma circularidade no filme, também mais própria das formas tradicionais de narração do que da linguagem cinematográfica: Dora, a escrivã e guardiã de cartas alheias, na última cena é retratada escrevendo uma carta a Josué: agora, ela também tem alguém com quem corresponder-se.







E ademais, uma “recordação”, único registro de seu encontro com Josué: o “binóculo” – esta forma de suporte fotográfico hoje em extinção, que faz parte do imaginário de toda uma época que explorava possibilidades que nos parecem agora ingênuas (mas o que dirão as gerações futuras acerca do fascínio que as novas tecnologias suscitam em nós?), que traz o retrato deles, celebrando sua união.







Disponível em: http://www.apropucsp.org.br/revista/r04_r15.htm



















Peça ainda que eles respondam:

A resenha escrita por Talitha Ferraz de Souza recomenda ou não o filme Central do Brasil? Justifique.

A resenha lida utiliza todos os elementos constituintes desse gênero? Ela o faz de modo bem distribuído ou acaba privilegiando exageradamente algum recurso?

Você acha que essa pode ser considerada uma boa resenha?



















Aula 3:







Nesta aula, leve os alunos à sala de informática para pesquisarem sobre o gênero resenha.







Eles devem seguir o seguinte roteiro:

O que é uma resenha?

Quais são os usos sociais desse gênero?

Como deve ser uma resenha?



















Para responder à pesquisa, sugerimos os seguintes sites:

http://www.lendo.org/como-fazer-uma-resenha/

http://www.lendo.org/modelos-de-resenha-exemplos/

http://www.pucrs.br/gpt/resenha.php



















Aula 4:







Escolha um filme brasileiro, adequado à faixa etária e faça a exibição para os alunos.







Sugerimos o filme O bem amado, pois os alunos, depois de assisti-lo, produzirão uma resenha do filme e, como atividade complementar, o professor pode sugerir que os alunos pesquisem sobre a novela de mesmo nome e façam um seminário, comparando as diferenças e semelhanças das duas obras.















http://www.cinepop.com.br/cartazes/bemamado_1.jpg































Aula 5 e 6:







Faça aos alunos a seguinte proposta de produção de texto:







Agora que você assistiu ao filme O bem amado, escreva uma resenha sobre esse filme. Imagine que sua resenha será publicada no jornal Estado de Minas (ou outro jornal de grande circulação de sua cidade ou estado). Lembre-se dos elementos necessários a uma resenha.







Aula 7:







Depois que os alunos escreverem a resenha, peça que retornem à legenda feita na aula 1 e façam a análise do texto que escreveram, grifando as informações com suas respectivas cores.

Recursos Complementares



















Professor, para saber mais sobre o gênero resenha, consulte:

Avaliar uma resenha:







http://www.letras.ufmg.br/arquivos/matte/grad/uni003/AvaliarResenha.pdf

A produção de resenha:







http://www.letras.ufmg.br/cpq/revista%20revele/revista_dois/ANA%20VIRGINIA%20%20-%20PRODU%C3%87%C3%83O%20DE%20RESENHA.pdf







Sugerimos também a atividade “O críticos e suas críticas”, disponível em:







http://www.letras.ufmg.br/redigir/criticos.pdf

Avaliação







Professor, avalie seu aluno em todas as etapas da escrita da resenha, desde a leitura até a produção. Verifique se ele reconhece o uso social do gênero, sua finalidade, seus aspectos mais relevantes, sua forma, seus elementos composicionais. Ainda, verifique na produção da resenha sobre o filme O bem amado se o texto do aluno possui todas as cores da legenda e, consequentemente, os elementos necessários ao gênero. Lembre-o da necessidade de justificar cada juízo de valor feito. Se necessário, peça que o aluno faça uma reescrita da resenha, acrescentado o que houver faltado.