Mostrando postagens com marcador ARCADISMO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ARCADISMO. Mostrar todas as postagens

Literatura Portuguesa Arcadismo - Pré Romantismo

Posted by Profº Monteiro on junho 24, 2016

Questões


01. (CESEP - PE)
I - "O momento ideológico, na literatura do Setecentos, traduz a crítica da burguesia culta, ilustrada, aos abusos da nobreza e do clero."
II - "O momento poético, na literatura do Setecentos, nasce de um encontro, embora ainda amaneirado, com a natureza e os afetos comuns do homem".
III - "Façamos, sim, façamos doce amada / Os nossos breves dias mais ditosos." Estes versos desenvolvem o tema do carpe diem.
a)todas as proposições são corretas
b)só a proposição I é correta
c)só a proposição II é correta
d)são corretas somente as proposições I e II
e)só a proposição III é correta


02. Sobre Bocage, assinale a informação incorreta:
a)A capacidade de representar o traço caricatural e ridículo de situações e pessoas, aliada à versificação fluente e precisa, à linguagem próxima da oralidade, fazem-nos rir, até nas passagens vulgares, mesmo quando discordamos da visão distorcida e encobertamente moralista
b)Além de produzir poesia culta, foi poeta popular e exímio improvisador
c)Os alvos privilegiados de sua sátira foram os mulatos e os mestiços das colônias orientais. É contra eles que mostra a presunção de superioridade do branco europeu, o racismo e o preconceito
d)Sob a linguagem grosseira, mas sempre divertida, com que representa situações escabrosas, revela-se, muitas vezes, um moralismo bastante convencional, machista e preconceituoso
e)A sátira bocagiana é superior à sua produção lírica, além de ser muito mais popular, autêntica e original


03. (MACKENZIE) Sobre a obra de Bocage, é correto afirmar que:
a)pode ser colocada como ponto máximo da poesia romântica portuguesa
b)seus sonetos contêm o mais alto sopro de seu talento lírico, sendo considerado um dos maiores sonetistas da língua
c)não supera regras e as coerções literárias ligadas ao movimento arcádico
d)a sátira ocupa o lugar de maior importância em seu desenvolvimento
e)basicamente se faz de anedotas, todas se aproximando da obscenidade grosseira


04. "O poeta que não seguir aos Antigos perderá de todo o norte, e não poderá jamais alcançar aquela força, energia e majestade que nos retratam o famoso e angélico semblante da Natureza.
Devemos imitar e seguir os Antigos: assim no-lo ensina Horácio, no-lo dita a razão; e o confessa todo o mundo literário."
O texto acima, de autoria de Correia Galvão, um dos fundadores da Arcádia Lusitana, define propostas do neoclassicismo que:
a)propõem a valorização do subjetivismo e da originalidade
b)se incompatibilizam com a tradição renascentista
c)contradizem os ideais clássicos
d)serão retomadas e adaptadas, no século XIX, pelo Parnasianismo
e)serão integralmente respeitadas por Bocage


05. Movimento estético que gravita em torno de três diretrizes, Natureza, Verdade e Razão, buscando fazer da literatura a "expressão racional da natureza para, assim, manifestar a verdade". Trata-se do:
a)Simbolismo
b)Modernismo
c)Neoclassicismo
d)Barroco
e)Romantismo


06. (FUVEST) De Bocage, pode-se dizer que:
a)escreveu contos eróticos
b)é o expoente máximo da poesia portuguesa do século XVIII
c)representa a poesia parnasiana em Portugal
d)foi grande cultor do soneto barroco
e)passou a maior parte de sua vida no Brasil


07. Assinale a incorreta sobre Bocage
a)A tensão entre o racionalismo neoclássico e o individualismo pré-romântico é um dos eixos temáticos de sua obra
b)À semelhança de Gregório de Matos, notabilizou-se como poeta satírico e como poeta lírico
c)A lírica bocagiana evoluiu do Arcadismo convencional para o egocentrismo pré-romântico
d)Foi fundador da Escola Arcádia Lusitana, em 1756, e pertenceu à Nova Arcádia, mas rompeu com as duas agremiações


08. (FUVEST) Bocage foi:a)um poeta pré-romântico
b)o poeta mais representativo do Arcadismo em Portugal
c)o poeta mais representativo do Arcadismo no Brasil
d)o escritor-chave para a compreensão do movimento barroco


09. Bocage só não escreveu:
a)poesia lírica reflexiva
b)poesia lírica bucólica
c)poesia encomiástica e de circunstância
d)poesia satírica e obscena
e)poesia épica


10. (MACKENZIE) Sobre Bocage, é incorreto afirmar que:
a)em sua obra lírica, o Arcadismo interessou apenas como postura, aparência, pois, no fundo, o poeta foi um pré-romântico
b)como poeta satírico, ironizou contemporâneos seus, o clero, a nobreza decadente
c)como abriu mão totalmente dos valores neoclássicos, desprezou o apuro formal, o bucolismo e a postura pastoril
d)o subjetivismo, a confidência de sua vida interior, a confissão foram elementos freqüentes em sua obra lírica
e)houve, notada inclusive por ele mesmo em um famoso soneto, uma série de semelhanças entre sua vida e a de Camões


Gabarito do seu teste



01 - A 02 - E 03 - B 04 - D 05 - C


06 - B 07 - D 08 - A 09 - E 10 - C

Questões Arcadismo - Literatura

Posted by Profº Monteiro on junho 02, 2016


Gabarito no final das questões.



Questão 1
(VUNESP) Há no Arcadismo brasileiro uma obra satírica de forma epistolar que suscitou dúvidas de autoria durante mais de um século. Assinale abaixo a alternativa que apresente o nome correto dessa obra e seu autor mais provável:

a) O Reino da estupidez e Francisco de Melo Franco

b) Viola de Lereno e Domingos Caldas Barbosa

c) O desertor e Manuel Inácio da Silva Alvarenga

d) Cartas chilenas e Tomás Antônio Gonzaga

e) Os Bruzundangas e Lima Barreto







Questão 2 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas.

0) O arcadismo tem como um dos traços principais a inspiração clássica

1) A natureza é a base da sabedoria para os árcades

2) O Arcadismo Brasileiro se caracteriza por sua forte religiosidade

3) Tomás Antônio Gonzaga nos deixou uma poesia marcada pela pobreza de expressão e pela banalidade

4) O melhor da produção dos árcades brasileiros está no teatro








Questão 3 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas.

0) A maior parte da lírica de Tomás Antônio Gonzaga é composta por poemas de difícil compreensão.

1) Com a literatura dos árcades surge na poesia a exaltação da paisagem brasileira e temas como a família.

2) Pastores e pastoras numa paisagem bucólica, este é um dos elementos da literatura arcádica brasileira.

3) Vários poetas pertencentes ao Arcadismo brasileiro foram presos por escreverem romances com assuntos políticos.

4) O Arcadismo brasileiro não nos deixou poemas épicos, estando sua produção limitada à poesia lírica.








Questão 4 (UFPE)
"É bom, minha Marília, é bom ser dono
De um rebanho, que cubra monte e prado;
Porém, gentil Pastora, o teu agrado;
Vale mais que um rebanho, e mais que um trono
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela."
Tomas A. Gonzaga
No poema acima, as marcas do Arcadismo são. Assinale as afirmativas verdadeiras e as falsas.

0) Tema da vida pastoril no contato com a natureza idealizada.

1) Ideal de vida simples retratado através de uma linguagem despojada. Inversões e paradoxos, próprios do Barroco, caem em desuso.

2) Percepção do mundo terreno como efêmero e vão, o que resulta no sentimento de nulidade diante do poder divino.

3) Descrição de um episódio pastoril num ambiente de harmonia, onde inexistem conflitos.

4) Tom épico, relatando grandes feitos heróicos.








Questão 5 (UFPB) Na poesia arcádica ou neoclássica, NÃO se encontra

a) a influência das idéias iluministas.

b) a valorização do campo em detrimento da cidade.

c) a ênfase na interpretação subjetiva da realidade.

d) o retorno aos ideais greco-latinos.

e) a adoção de pseudônimos pelos poetas, que se figuravam pastores.









Questão 6 (UFPA) O Arcadismo é um estilo de época que pode ser definido, segundo o que determina a seguinte afirmação:


a) Nesse período o homem é regido pelas leis físico-químicas, pela hereditariedade e pelo meio social

b) A poesia dessa época dá ênfase ao poder de vidência do artista

c) Destaca-se nessa fase certo gosto pelo equilíbrio, pela simplicidade e pela harmonia, a partir dos modelos clássicos antigos

d) Há nessa Escola literária uma tendência à valorização do humor, com vistas a afugentar as circunstâncias desagradáveis da vida

e) Enfatiza-se na criação poética, desse momento, a utilização do valor sugestivo da música










Questão 7 (UFMG)
Leia o soneto que se segue, de Cláudio Manuel da Costa.


Pastores, que levais ao monte o gado,
Vede lá como andais por essa serra;
Que para dar contágio a toda a terra,
Basta ver-se o meu rosto magoado:

Eu ando (vós me vedes) tão pesado;
E a pastora infiel, que me faz guerra,
É a mesma, que em seu semblante encerra
A causa de um martírio tão cansado.

Se a quereis conhecer, vinde comigo,
Vereis a formosura, que eu adoro;
Mas não; tanto não sou vosso inimigo:

Deixai, não a vejais; eu vo-lo imploro;
Que se seguir quiserdes, o que eu sigo,
Chorareis, ó pastores, o que eu choro.


Todas as alternativas contêm afirmações corretas sobre esse soneto, EXCETO


a) O poema opõe um estilo de vida simples a um estilo de vida dissimulado.

b) A palavra "guerra" enfatiza a recusa da pastora a corresponder aos afetos do poeta.

c) O sentido da visão é o predominante em todas as estrofes do poema.

d) A expressão "para dar contágio a toda a terra" revela a intensidade do sofrimento do pastor.










Questão 8 (PUC-MG) A QUESTÃO APRESENTA TRECHOS DE TEXTOS QUE PERTENCEM A DETERMINADO ESTILO DE ÉPOCA. RELACIONE CADA TRECHO AO SEU RESPECTIVO ESTILO, DE ACORDO COM AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NAS ALTERNATIVAS A SEGUIR.

"Sou pastor, não te nego; os meus montados

São esses, que aí vês; vivo contente

Ao trazer entre a relva florescente

A doce companhia dos meus gados."

a) Barroco:
homem barroco é angustiado, vive entre religiosidade e paganismo, espírito e matéria, perdão e pecado. As obras refletem tal dualismo, permeado pela instabilidade das coisas.

b) Arcadismo:
Em oposição ao Barroco, esse estilo procura atingir o ideal de simplicidade. Os árcades buscam na natureza o ideal de uma vida simples, bucólica, pastoril.

c) Romantismo:
A arte romântica valoriza o folclórico, o nacional, que se manifesta pela exaltação da natureza pátria, pelo retorno ao passado histórico e pela criação do herói nacional.

d) Parnasianismo:
A poesia é descritiva, com exatidão e economia de imagens e metáforas.

e) Modernismo:
Original e polêmico, o nacionalismo nele se manifesta pela busca de uma língua brasileira e informal, pelas paródias e pela valorização do índio verdadeiramente brasileiro.









Questão 9 (UFRRJ) TEXTO
Lira XXX
Junto a uma clara fonte

a mãe do Amor se sentou;

encostou na mão o rosto,

no leve sono pegou.


Cupido, que a viu de longe,

contente ao lugar correu;

cuidando que era Marília,

na face um beijo lhe deu.


Acorda Vênus irada:

Amor a conhece; e então,

da ousadia que teve

assim lhe pede perdão:


- Foi fácil, ó mãe formosa,

foi fácil o engano meu;

que o semblante de Marília

é todo o semblante teu.

(In: GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. Rio de Janeiro, Edições de Ouro, [s/d].p.86-87.)

A reação de Vênus, descrita no poema, se deve ao fato de ter sido

a) confundida por Cupido.

b) acordada por Amor.

c) reconhecida por Amor.

d) identificada por Cupido.

e) comparada com Marília.









Questão 10 (UFRRJ) TEXTO
Lira XXX
Junto a uma clara fonte

a mãe do Amor se sentou;

encostou na mão o rosto,

no leve sono pegou.


Cupido, que a viu de longe,

contente ao lugar correu;

cuidando que era Marília,

na face um beijo lhe deu.


Acorda Vênus irada:

Amor a conhece; e então,

da ousadia que teve

assim lhe pede perdão:


- Foi fácil, ó mãe formosa,

foi fácil o engano meu;

que o semblante de Marília

é todo o semblante teu.

(In: GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. Rio de Janeiro, Edições de Ouro, [s/d].p.86-87.)

No texto, o engano de Cupido pode ser antevisto em


a) "Cupido, que a viu de longe,"

b) "cuidando que era Marília,"

c) "Junto a uma clara fonte"

d) "e então, da ousadia que teve"

e) "Amor a conhece"








Gabarito:
1-d 2-vvfff 3-fvvff 4-vvfvf 5-c 6-c 7-a 8-b 9-a 10-b

O português arcaico

Posted by Profº Monteiro on abril 07, 2014
O português arcaico
Picture




Não é sem razão, que se toma o século XVI por marco divisório das duas mais importantes fases do idioma: a arcaica e a moderna. É que, a partir dele, a língua portuguesa começa a apresentar traços, que a distinguem da que se usou em Portugal nos séculos anteriores.
Para isso grandemente concorreu o aparecimento da disciplina gramatical, que pôs fim às incertezas e indecisões do período precedente.
Os mais antigos documentos de nossa língua datam do século XII. São, em prosa, um Auto de Partilha (1192), um testamento (1193) e uma Notícia de torto (1206?).Em verso, uma cantiga de Pai Soares de Taveirós (1189) e outra Del-rei D.Sancho (1194-1199). Principais obras do período arcaico.
SECULO XII a XIV: Cancioneiros Trovadorescos, Nobiliários, Orto do Esposo, Vergéu de Prazer e Consolação, Túngalo, Barlaam.
SECULO XIV a XV: Estória Geral, Côrte Imperial, Estória de vesperiano, Vita Christi, Crônica da Fundaçam do Mesteiro de Sam Vicente.
SECULO XV a XVI: Ho Flos Sanctorum, Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, Livro da montaria de D. João I, Leal Conselheiro de D. Duarte. Obras de Fernão Lopes, Gomes Eanes de Azurara e Rui de Pina, Crônica do Condestabre, Sacramental, - obras de Gil Vicente, Sá de Miranda e Jorge Ferreira.
Farta é a messe de textos tais como nas Dissertações Cronológicas e Críticas de João P. Ribeiro; nos Documentos Inéditos de Oliveira Guimarães, na Revista Lusitana e no Arqueólogo Português.
As diferenças entre o português arcaico e o moderno podem ser assinaladas no vocabulário, na fonética, na morfologia e na sintaxe.
No VOCABULÁRIO, - algumas palavras não guardaram posteriormente à mesma forma, outras se empregam hoje em acepção diferente da que tinham, muitas desapareceram sem deixar vestígio.
Na FONÉTICA, - No português arcaico, fazia-se distinção perfeita entre o valor do s e ç, do s intervocálico e z, do ch e x; mantinha-se a nasalidade, resultante da influência do m ou n originário.
Na MORFOLOGIA, - Na língua arcaica, os nomes terminados em –nte, -or e –ês eram uniformes, alguns que atualmente não se modificam no plural flexionavam-se antigamente: ourívezes, alférezes, arráezes; muitos tinham gênero diferente: fim, mar, planeta, cometa etc., eram outrora femininos, ao passo que tribo, coragem, linguagem, eram masculinos; a segunda pessoa do plural dos verbos terminava em –des, ainda hoje conservado nos monossilábicos, havia particípios presentes em –nte, os quais depois se tornaram adjetivos, substantivos ou preposições: a terminação da terceira pessoa do pretérito era –om, como já vimos.
Na SINTAXE, - Na língua arcaica, variava o particípio passado junto ao verbo ter e haver: a preposição (sem) podia reger o gerúndio: usava-se o (caso) complemento do pronome pessoal pelo (caso)-sujeito, e vice-versa: o artigo precedia a expressão um e outro: os verbos de movimento podiam ser seguidos da preposição em: empregava-se home como sujeito indefinido, com valor do on francês; com o sujeito coletivo do plural, o verbo poderia conservar-se no singular; fazia-se uso do partitivo; usava-se de cujo como interrogativo; certos verbos como pedir, perguntar; tinham dois acusativos conforme se verifica em latim.
Os cinco mais antigos documentos escritos em língua portuguesa.
Auto de partilha (1192, apud João Pedro ribeiro, dissertações cronológicas e criticas)
Testamento (1193 apud Leite de Vasconcelos, textos arcaicos)
Noticia de torto (1206 apud Leite de Vasconcelos, textos arcaicos)
Cantiga (1189 Carolina Michaelis, cancioneiro da ajuda)
Cantiga d’amigo (1194-1199 Leite de Vasconcelos, textos arcaicos).

A língua se modificou tanto no Brasil que é notório a diferença em vários segmentos da língua entre Portugal e Brasil, pode-se dizer que em pouco tempo não conseguiremos mais entender os falantes de nossa pátria mãe, mas isso é o natural da língua, pois ela evolui de acordo com seus falantes regionais e isso de acordo com as necessidades do povo falante.









Fichamento




Tema: O português arcaico

Titulo: O português arcaico

1- Arcaico e a moderno
2- Principais obras do período arcaico.
3-Na sintaxe
4-Fonética
5-Morfologia
6-Vocabulário
7- Os cinco mais antigos documentos escritos em língua portuguesa.


Nome: Vinicius osnir da silva monteiro
Curso letras 1º semestre

O Arcadismo em Portugal - Bocage

Posted by Profº Monteiro on dezembro 16, 2013






O século XVIII, em Portugal, é marcado pela crescente divulgação das ideias iluministas, principalmente a partir do apoio que elas tiveram dos governantes D. João V e de seu sucessor D. José I. O objetivo desses governantes era modernizar a nação, promovendo um conjunto de reformas políticas, econômicas e culturais capazes de satisfazer os anseios da burguesia mercantil e colonialista e, ao mesmo tempo, equiparar Portugal novamente às grandes nações europeias.
O executor desse projeto de restauração da vida e da cultura portuguesa foi o ministro Marquês de Pombal, também adepto das ideias iluministas. Para cumprir sua missão de ´´iluminar`` a nação, Pombal contou com o apoio de diversos intelectuais e cientistas portugueses, em grande parte com formação estrangeira. Deste grupo destacava-se o Pe. Luís Antônio Verney, cujo projeto de reforma pedagógica, em parte aproveitada por Pombal, mudou significativamente o cenário científico e artístico português.As ideias de Verney foram expostas na obra Verdadeiro método de estudar (1746), em que o escritor, dentre outras coisas, atacava a orientação que os jesuítas davam à educação no país e fazia críticas à arte barroca. Essas críticas ao barroco originaram um debate sobre a necessidade de renovação da cultura portuguesa, que resultaria na fundação da Arcádia Lusitana ou Ulissiponense (ulissiponense é um adjetivo que se refere a Lisboa), em 1756, considerada o marco introdutório do Arcadismo em Portugal. Fundamentalmente antigongórica, tinha por emblema um meio braço segurando um podrão e o lema Inutilia truncat (´´Cortar as inutilidades``), numa clara alusão aos exageros do Barroco.
O nome Arcádia remete ao semideus Arcas, filho de Zeus e da ninfa Calisto. Na Mitologia Grega, Arcádia era a morada do deus Pã, deus da natureza e padroeiro dos
pastores, considerada com ideal de inspiração poética.
O Cultismo se banalizara com sua preocupação excessiva da forma – acúmulo de ornamentos de estilo, futilidades de assuntos, obscuridade. A reação é providenciada pelo Arcadismo, que preconizava:
a) livrar as letras do seu aspecto formal: que o conteúdo se equilibrasse com a técnica da apresentação;
b) dar mais simplicidade e naturalidade à composição;
c) voltar à antiguidade clássica.
Para tanto, organizaram-se as Academias literárias e os sócios se comprometiam a adotar nomes de pastores celebrados pelos vates gregos e latinos. Eram agremiações que tinham por objetivo promover o debate permanente sobre a criação artística, avaliar criticamente a produção de seus filiados e facilitar-lhes a publicação de obras. Segundo Correia Garção, orientador e crítico da Arcádia Lusitana,
´´ o poeta que não seguir aos Antigos perderá de todo o norte, e não poderá jamais alcançar aquela força, energia e majestade que nos retratam o famoso e angélico semblante da Natureza. Devemos imitar e seguir os Antigos: assim no-lo ensina Horácio, no-lo dita a razão, e o confessa todo o mundo literário. Mas esta doutrina, este bom conselho, devemos abraçá-lo e segui-lo de modo que mais pareça que o rejeitamos, isto é, imitando e não traduzindo (...) quem imita deve fazer seu o que imita (...) Feliz aquele que não só imita, mas excede o seu original.``
Em 1790, foi fundada a Academia de belas Artes, logo após denominada Nova Arcádia. Esta, três anos mais tarde, publicava algumas obras poéticas de seus sócios sob o título Almanaque das Musas. Os membros mais importantes dessa associação foram o brasileiro Domingos Caldas Barbosa, famoso nos ambientes aristocráticos por sua obra lírica, o poeta satírico padre Agostinho de Macedo e o poeta lírico e satírico Manuel Maria Barbosa Du Bocage.
Bocage é a maior figura do Arcadismo português. Descendente de família francesa, nasceu em Setúbal (1765). Sua vida é um não acabar de aventuras. Assentou praça na Marinha, com quatorze anos. Fez viagem para o Oriente, levou vida licenciosa na Índia. Em 1789 desertou e passou a vida errante. Viajou para Macau e, na China, reabilitou-se, conseguindo voltar a Portugal no ano de 1790. Lá chegando, sofreu uma grande desilusão ao encontrar sua ´´Gertrúria``(pseudônimo de Gertrudes da Cunha de Eça) casada com seu irmão mais velho, Gil Francisco. Infeliz no amor, sem carreira e com dificuldades financeiras, dedicou-se à vida boêmia e à poesia, tendo publicado, em 1791, o primeiro volume de Rimas.
Em Lisboa, Bocage conviveu com a boa sociedade, foi amigo dos bons literatos de então, e cultivou crescente número de desafetos. Entrou para a Nova Arcádia com o pseudônimo Elmano Sadino (Elmano é o anagrama de Manuel; Sadino é homenagem ao rio Sado, que passa pela terra natal do poeta). Sua permanência no grupo foi, no entanto, curta: logo passou a alimentar hostilidades com antigos confrades (Agostinho Macedo e Nicolau Tolentino), atacando-os fortemente em seus textos satíricos. Frequentou o botequim das Parras onde pontificava.
Acusado de ideias suspeitas (mação), mais a influência de inimigos, foi preso e processado pela Inquisição. Condenado, gastou o tempo na prisão, traduzindo autores franceses e latinos. Depois de algum tempo na cadeia, muda de ideia e escreve poemas de arrependimento. Teve momentos de grande ponderação, principalmente quando sua irmã, viúva, foi sustentada por ele. Para tanto, aceitou emprego de um livreiro que lhe encomendara traduções. Morreu em 1805, aos 40 anos, vítima de um aneurisma.
Como poeta satírico, Bocage ironizou contemporâneos seus, assim como o clero e a nobreza decadente. Se o poeta é criticado por muitos pelo tom abusivamente obsceno e erótico de seus sonetos satíricos, é, entretanto, elogiado por seu espírito repentista.
Levando um velho avarento
Uma pedrada num olho,
Pôs-se-lhe no mesmo instante
Tamanho como um repolho.
Certo doutor, não das dúzias,
Mas sim médico perfeito,
Dez moedas lhe pedia
Para livrar o defeito.
Dez moedas! (diz o avaro)
Meu sangue não desperdiço:
Dez moedas por um olho!
O outro dou eu por isso.
Bocage cultivou todas as formas líricas: odes, canções, elegias, idílios, cantatas, cançonetas, epigramas, endrechas, alegorias, apólogos, glosas. Foi exímio na composição de fábulas. Também tinha projetos para a épica e para dramaturgia: desejava cantar, na épica, o descobrimento do Brasil e escrever uma tragédia sobre Vasco da Gama. Mas esses projetos não se realizaram. O destaque da obra de Bocage concentra-se na poesia lírica dos sonetos. É considerado exemplar, colocando-se ao lado de Camões e de Antero de Quental, trindade superior do soneto nas letras portuguesas. Bocage foi espírito erradio, esbanjador de talento (daí a imagem falsa e injusta que a lenda popular tenta cultivar). Foi o poeta mais sentimental e vibrante do seu tempo.
´´Em Portugal, a arte de fazer versos chegou ao apogeu com Bocage e depois dele decaiu. Da sua geração, e das que precederam, foi ele o máximo cinzelador da métrica. A plástica da língua e do metro; a perícia de ensamblar das orações e no escandir dos versos; a riqueza e graça do vocabulário; o jogo sábio e ás vezes inesperado das vogais e das consoantes dentro da harmonia da frase. A variação maravilhosa da cadência; a sobriedade das figuras; a precisão e o colorido dos epíteros; todos estes difíceis e complicados segredos da arte poética, cuja beleza e raridade às vezes escapam até aos mais cultos amadores da poesia e aos mais argutos críticos literários, e que somente os iniciados podem ver, compreender e avaliar; esta consciência, este posto, e a medida, este dom de adivinhação e de tacto, de que os artistas natos têm o privilégio – tudo isso coube a Elmano, tudo isto se entreteceu no seu talento. `` (Olavo Bilac)
Em alguns momentos, o lirismo de Bocage revela a orientação do academicismo do século XVIII: a presença dos pseudônimos pastoris da mitologia; a ânsia pelo lócus amoenus, que simbolizava a fuga à vida citadina (fugere urbem); e, enfim, as regras básicas do arcadismo.
Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre flores?
Vê como ali beijando-se os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores.
Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folgas a abelhinha pára,
Ora nos ares sussurando gira:
Que alegre campo! Que amanhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira,
Mais tristeza que a morte me causara.
Dentro desta temática, outro procedimento típico da poesia árcade de Bocage é a comparação entre a mulher amada e a natureza. Evidentemente, como seria de se esperar, o resultado de tal processo é a constatação da beleza incomparável da mulher. Encontramos, ainda, textos em que a alegria dos amantes é tão grande que pode despertar a inveja dos próprios deuses.
Grato silêncio, trêmulo arvoredo,
Sombra propícia aos crimes e aos amores,
Hoje serei feliz! – Longe, temores,
Longe, fantasmas, ilusões do medo.
Sabei, amigos Zéfiros, que cedo
Entre os braços de Nize, entre estas flores,
Furtivas glórias, tácitos favores
Hei de enfim possuir: porém segredo!
Nas asas frouxos ais, brandos queixumes
Não leveis, não façais isto patente,
Que nem quero que o saiba o pai dos numes:
Cale-se o caso a Jove onipotente,
Porque se ele o souber, terá ciúmes,
Vibrará contra mim seu raio ardente.
No entanto, a solidão, a desilusão amorosa, o sentimento de desamparo e a dor de viver contagiaram de tal maneira a sua poesia que ela acabou se afastando da estética árcade para se enveredar no campo dramático e confessional, que inseriu Bocage num contexto pré-romântico. Os sonetos mais expressivos de Bocage têm uma forte atmosfera pessoal, de confissão egocêntrica, de uma dramaticidade subjetiva intensa.

Meu ser evaporei na vida insana
Do tropel de paixões, que me arrastava.
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana.
De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua origem dana.
Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos.
Deus, ó Deus!... Quando a morte à luz me roube
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.
Poesia de ritmos cadentes e imaginação, muitas vezes com ressonâncias profundas do soneto de Camões, e muitas vezes ressoando nos dramáticos sonetos de Antero de Quental. Poesia de angústias e desesperos. O lócus amoenus árcade é substituído por um lócus horrendus, com a natureza espelhando a dor e o sofrimento expressos pelo eu lírico.
Fiei-me nos sorrisos da ventura,
Em mimos feminis, como fui louco!
Vi raiar o prazer; porém tão pouco
Momentâneo relâmpago não dura.
No meio agora desta selva escura,
Dentro deste penedo úmido e oco
Pareço, até no tom lúgubre e rouco,
Triste sombra a carpir na sepultura.
Que estância para mim tão própria é esta!
Causais-me um doce e fúnebre transporte,
Áridos matos, lôbrega floresta.
Ah! não me roubou tudo a negra sorte:
Inda tenho este abrigo, inda me resta
O pranto, a queixa, a solidão e a morte.
Poesias de confidências com a noite, poemas de amor e de medo sombriamente misturados, poemas de horror da morte e da morte como amor. O arrebatamento e o senso de autodilaceração demonstram quanto sua poesia já antecipa a atmosfera lúgubre e noturna dos ultra-românticos. Também o uso reiterado dos vocativos desvairados extrapola o equilíbrio e a contenção próprias de um texto neoclássico.
Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor que a ti somente os diga
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel que a delirar me obriga.

E vós, ó cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar o meu coração de horrores.
O subjetivismo, a valorização da vida interior, a autocomiseração, o tom confessional – são essas as novidades introduzidas por Bocage. Mas isso não significa que Bocage tivesse passado ao largo das grandes questões que agitaram o século XVIII. Em vários poemas, percebemos a defesa das liberdades e das conquistas burguesas, que caracterizaram o ideário iluminista.
Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?
Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh!, venha… Oh!, venha, e trêmulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!
Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.
Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do gênio e prazer, ó Liberdade!
Não é difícil perceber em Bocage um modelo de versatilidade poética de seu tempo. Na Academia, um público douto e esnobe a exigir requinte, frieza de composição, cultura clássica; fora da Nova Arcádia, no calor das ruas, o clima propício para a denúncia da hipocrisia social, da corrupção, da politicagem – temas que jamais apareceriam nos poemas ditados pelas normas conservadoras do Arcadismo. Com admirável precisão, o poeta punha o dedo acusador nas chagas sociais de um país de aristocracia decadente, aliada a um clero igualmente corrupto, jungidos ambos a uma política interna e externa altamente anacrônica para aquele momento.
"Pavorosa ilusão da Eternidade, Terror dos vivos, cárcere dos mortos; De almas vãs sonho vão, chamado Inferno, Sistema da política opressora Freio que a mão dos déspotas, dos bonzos, Forjou para boçal credulidade; Dogma funesto, que o remorso arreigas
O poeta revelou a sua faceta espiritual ao traduzir, em várias e expressivas composições, a sua confiança na benevolência de Deus e da Virgem Maria. A índole religiosa de Bocage vem também contrariar a imagem deturpada que as pessoas, menos atentas, têm da obra deste poeta.
Consciente do abismo em que frequentemente caía, implorava diversas vezes o auxilia da Virgem Santíssima.
Tu, por Deus entre todas escolhida,
Virgem das virgens; Tu, que do assanhado
Tartáreo monstro com Teu pé sagrado
Esmagaste a cabeça entumecida;

Doce abrigo, santíssima guarida
De quem Te busca em lágrimas banhado,
Corrente com que as nódoas do pecado
Lava uma alma que geme arrependida;

Virgem, de estrelas nítidas c’roada,
Do Espírito, do Pai, do Filho Eterno,
Mãe, Filha, Esposa e, mais que tudo, amada:

Valha-me o teu poder e amor materno;
Guia este cego, arranca-me da estrada
Que vai parar ao tenebroso inferno!
Bocage, árcade, já é romântico por temperamento. Se em sua obra encontramos deuses, Olimpo e muita retórica há, todavia, pureza de emoções, busca e libertação. Um misto de valores neoclássicos e pré-românticos, revelando com nitidez a transitoriedade da época em que viveu (1765 a 1805), período marcado por grandes transformações sociais e culturais, advindas sobretudo da Revolução Francesa e do florescimento do Romantismo.