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"A Essência do Gênero Lírico: Expressões do Eu e a Busca Interior na Poesia"

Posted by Profº Monteiro on maio 26, 2023





O gênero lírico é caracterizado como uma expressão do "eu" (primeira pessoa: sujeito lírico; função emotiva da linguagem). Ele representa a verdadeira essência do coração, a voz que se manifesta no poema, nem sempre correspondendo à do autor. É principalmente a valorização de um sentimento pessoal, revelando assim o chamado "eu-lírico", cujo propósito é expressar toda a subjetividade como emoções, pensamentos, estados da alma e, enfim, o mundo interior do poeta. A musicalidade desempenha um papel importante no texto lírico, sendo o aspecto que mais explora a sonoridade. Embora o lirismo também possa ocorrer na prosa, representando uma percepção poética da realidade, a expressão mais direta e natural do gênero lírico é encontrada na poesia.

A palavra lírico, assim como o termo relacionado lirismo, tem origem na lira (instrumento musical de cordas utilizado desde a Antiguidade clássica para acompanhar composições poéticas que eram cantadas em voz alta). No final da Idade Média, quando o texto se separou da música, a poesia passou a ter uma estrutura mais elaborada, incluindo métrica (medida de um verso, definida pelo número de sílabas poéticas), ritmo das palavras, divisão em estrofes, rima e combinação de palavras. A composição lírica geralmente é curta e utiliza versos, recorrendo quase sempre à melodia e aos recursos da linguagem poética.

Para compreender a poesia lírica, é importante esclarecer que seu conteúdo não é o mundo objetivo, real e tangível, mas sim os sentimentos que ele desperta no leitor. A linguagem poética é muito particular e requer certo envolvimento e familiaridade para ser compreendida, o que só é possível por meio de uma leitura atenta e frequente de poemas. Ao mergulhar em si mesmo e expressar seus sentimentos, o poeta adota uma postura múltipla, falando por aqueles que se sentem da mesma forma, mas muitas vezes não conseguem expressar seus próprios sentimentos. Não é nessa necessidade e encanto da poesia que reside sua importância?

A busca insensata


Saindo a minha procura

Fui por caminhos travessios

E vales e rios.

Pisei areias inumeráveis,

Bebi em muitos mananciais

E em sonhos escalei

Penedos que eram ninhos de relâmpagos.

Mas a minha sede — a de ser eu mesmo —

Não se saciou jamais.


(Ledo Ivo)


É evidente que o poeta cria um eu lírico que fala de seu mundo interior, ansioso por se conhecer e compreender a si mesmo. Ele se manifesta em versos livres (aqueles que não se preocupam com métrica, rima ou estrofes) e brancos (sem rima), fazendo uso e abuso da polissemia (uma mesma palavra com vários significados) e da conotação.

Atividade de Português (Linguagem verbal e não verbal) 5° ao 7° ano

Posted by Profº Monteiro on maio 02, 2017

Leia e depois responda:

1-  O que o Snoopy queria no primeiro quadrinho?
______________________________________________________________________________

2-  O que ele fez para conseguir o que queria?
______________________________________________________________________________

3-  Ele alcançou seu objetivo? Explique:
______________________________________________________________________________

4-  Que tipo de linguagem é empregado na tirinha?
(   )Verbal
(   )Não verbal
(   )Mista

Leia e depois responda:

5-  Qual o tipo de linguagem de cada imagem? Justifique:
____________________________________________________________________________

6-  Traduza em linguagem verbal a mensagem que cada imagem transmite.

____________________________________________________________________________

7ª) Marque com o (x) o nível de linguagem que se utiliza nas determinadas situações:

a.Durante uma entrevista de emprego
(   )Formal                   (   )Informal

b.Durante uma conversa com os amigos
(   )Formal                   (   )Informal

c.Numa conversa com seus familiares
(   )Formal                   (   )Informal

d.Na sala de aula com a professora
(   )Formal                   (   )Informal

Os Olhos nos sonetos de Camões

Posted by Profº Monteiro on abril 12, 2017


A comunicação entre os homens tem grande importância pelo poder de aproximação que exerce entre as pessoas e comumente se faz uso da palavra, do diálogo, para a transmissão de idéias e expressão de sentimentos.
Entendemos que no processo amoroso a comunicação assume um valor especial e, como recurso aproximativo, o olhar favorece a comunicação de pensamentos e emoções e também motiva prazer ou, noutro extremo, causa tormento e angústia. A linguagem do olhar como meio de comunicação, substitui as palavras ou as supera, quando expressa o que não é possível se colocar verbalmente.Em determinadas situações o olhar adquire um papel de destaque devido a sua extraordinária expressividade. Em outros tempos, a obediência às convenções era uma norma a qual não se podia escapar e conseqüentemente as diferenças entre amante frustrado e Amada inacessível tornava o amor, por princípio, irrealizável. Julga-se então, que esta seja a explicação para a origem da tônica dos olhos, do ver, do olhar e contemplar na poesia lírica de Camões. Entende-se perfeitamente esta explicação, considerando que o "amador" é ciente de que não poderá desejar do amor mais do que a linguagem do olhar permitir.
A análise do papel e do sentido do elemento "olhos" nos Sonetos de Camões será o objeto deste estudo.
Na lírica camoniana é constante e evidente o desencadeamento do amor, a sua continuidade, os conflitos resultantes dele ou o fenecimento deste sentimento serem decorrentes de processos relacionados ao fenômeno da visão, portanto, analisar este elemento é de grande importância para a caracterização do processo amoroso em si ou para o desvendar do estado de espírito e dos sentimentos do amante diante de sua Amada.
I – Os olhos como elemento ornamental da beleza da Mulher
Observamos, logo de início, que na poesia camoniana o Poeta se refere insistentemente aos olhos da Amada, falando de sua beleza, inspirando-se e atribuindo-lhes um valor ornamental, conseqüentemente, estético:
"Fermosos olhos (...)" p. 30, v.1.
"Olhos fermosos (...)" p. 31, v.1.
"O lindo ser de vossos olhos" p. 21, v.2.
Há uma freqüência no que se refere à utilização do termo "claros olhos":
"Aqueles claros olhos (...)".p. 144, v.1 e p. 146, v. 4.
Segundo os cânones tradicionais, os olhos verdes eram os mais belos, assim pode-se achar que a designação "claros olhos" supõe também a beleza dos olhos, resultando a referência num elogio. Há também nos Sonetos, uma exceção a essa norma quando o Poeta faz um elogio aos olhos negros, menosprezando os verdes que, segundo ele, se turvam por inveja da beleza superior daqueles:
"Olhos onde tem feito tal mistura
Em cristal branco e preto marchetado
Que vemos já no verde delicado
Não esperança, mas inveja escura" p. 61, vv. 5-8.
Justifica-se isto pelo fato de que a Musa Inspiradora deste Soneto parecer ter sido uma escrava de olhos escuros. Esta variação acidental do conceito de beleza ocorreu por ser uma característica própria da Dama que foi objeto dos amores do Poeta.
Na Renascença era comum valorizar os olhos de acordo com seu brilho: Petrarca faz referência aos "begli occhi lucenti" de sua Musa, e Camões não fugiu a regra quando, expressivamente, evidenciou os olhos da Amada através de metáforas, imagens e comparações:
"Quem pode livre ser, gentil senhora,
Se por entre esta luz a vista passa
Raios de ouro verá, que as duvidosas
Almas estão no peito traspassado
Assi(m) como um cristal o Sol traspassa." p. 29, vv. 1, 11-14
"Dos vosso olhos essa luz febéia" p.78, v. 5.
O brilho dos olhos da Amada assume proporções que podem ser comparados ao sol ou até mesmo superá-lo:
"Mas nos olhos mostrou quanto podia,
E fez deles um sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia" p. 79, vv. 9-11
E noutro Soneto vai além do estético e passa a ser uma qualidade moral, um indício de inocência e candura:
"Movei dos lindos rostos a luz pura
De vossos olhos belos (...)" p. 72, vv. 9 e 10.
É interessante notar que estas figuras têm a característica de hipérbole por enfatizarem o brilho dos olhos relacionando-os com outros brilhos mais intensos, dando-lhes, portanto, um alto valor.
II – A função de revelar as características da Dama.
O poeta se impressiona ainda mais pelo fato dos olhos possuírem não só um valor estético, mas por deixarem transparecer características espirituais das suas musas inspiradoras. Assim, os olhos nos são apresentados revelando diferentes aspectos da dama, como uma criatura meiga e afável que se compadece do amante sofredor:
"Um mover dos olhos brando e piedoso" p. 77, v. 1.
Ou outra que, ciente de sua condição superior, mesmo expressando rigor não esconde sua meiguice:
"De vossa vista branda e rigorosa" p. 15, v. 10.
Encontramos também, verso que revela nobreza:
"Aqueles reais olhos(...)" p. 241, v. 4.
E outro que transmite superioridade social:
"(...)uns olhos de que eu não era digno" p. 50, v. 7.
E ainda temos aquela dama que cativa e destrói corações:
"(...) olhos(...) que triunfando
Derrubam corações (...)" p. 71, vv. 7 e 8.
Nessa poesia o elemento "olhos" freqüentemente revela-nos Damas de grande perfeição e quase sempre idealizadas.
III – O efeito dos olhos da Dama sobre o Poeta.
Analisando agora a atuação do elemento em estudo, temos a influência dos olhos da mulher sobre quem a ama.
Olhos que expressam ora meiguice, ora altivez, desencadeiam no "Amador" sentimentos contraditórios:
"Os olhos(...) (que o conquistaram)
(...) foram causa do mal que vou passando." p. 32, vv 9 e 10:
Ele procura fuga, mas não encontra firmeza e acaba vencido:
"Vossos olhos, Senhora(...)
Meus sentidos vencidos se so(b)metem
Assi(m) cegos a tanta divindade" p.28, vv. 1, 5, 6.
Rendendo todo seu ser:
"Os olhos com que todo nos roubaste" p. 32, v. 9.
Chegando a torna-se uma obra resultante do poder desses olhos.
"Olhos fermosos (...)
Se quiserdes saber quanto possais
vede-me a mi(m) que sou vossa feitura" p. 31, vv. 1, 3, 4.
Apesar de todo sofrimento pelo qual o Amador passa, ele demonstra uma atitude pacífica, não se revoltando contra a Dama , atribuindo a culpa não a ela, mas a beleza de seus olhos:
"Ditoso seja o dia e hora, quando
Tão delicados olhos me feriam" (p.186, vv. 5 e 6)
Ou ao Amor que causa desventuras:
"(...) quando o Amor virou
a roda à esperança que corria
tão ligeira que quase era invisível
converteu-se-me em noite o claro dia" (p. vv. 9 a 12)
E noutras vezes o destino é o grande culpado de tudo:
"Fortuna (...)
Em verde derrubou minha alegria" (p. 198, vv. 1 e 2)
Em dois Sonetos encontramos uma rebelação a atitude da Amada. No primeiro ele reage, armando-se de força:
e, no segundo, diante da não correspondência amorosa o Poeta faz-lhe um ultimato para que ela permita-o desfrutar do seu amor.
IV – Os olhos do Amador
Passando ao estudo do valor dos olhos do amante, notamos que esse elemento aparece como veículo revelador do que vai na alma do Poeta no processo amoroso, expressando ora alegria, ora revelando sentimentos de amor, manifestações essas sempre de cunho positivo. Contudo, freqüentemente há também passagens nas quais os olhos do amante nos comunicam, em oposição, sentimentos de tristeza, mágoa, tormento e cansaço, e há momentos até que os seus olhos exprimem sentimentos paradoxais como, por exemplo, alegria pela dor que experimentam.

O gênero lírico e suas formas poéticas fixas

Posted by Profº Monteiro on abril 10, 2017



No gênero lírico podem ser encontradas muitas formas poéticas, algumas muito antigas, outras mais modernas, que se caracterizam por apresentar determinado número de versos ou determinado ritmo. Geralmente são chamadas formas poéticas fixas. As mais comuns são:
Ode – Palavra de origem grega, significa ´´canto``. Denomina composições líricas de tom normalmente solene e entusiasta, que podem falar de temas extremamente variados, desde os prazeres da mesa até a exaltação de valores nobres como : a qualidade dos grandes gênios, a pátria, as celebrações de vitórias em jogos ou batalhas, o amor, e outros sentimentos elevados.
Elegia – Surgida na Grécia antiga, é uma composição poética triste e pessoal, cheia de sentimentalismo, normalmente causado por determinado acontecimento como, por exemplo, a morte, a prisão, o exílio ou a guerra. O Cântico do Calvário, de Fagundes Varela, é, sem dúvida, a mais famosa elegia da literatura brasileira, inspirada na morte prematura de seu filho.
Écloga – palavra de origem grega, significa seleção. Poesia de tema pastoril, que retrata a vida no campo, a vida bucólica, tendo como cenário uma natureza idealizada. O emissor expressa uma homenagem à natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao homem.
Canção – A palavra evoca as relações entre a poesia e a música e é designada para vários tipos de composições líricas. De acordo com o assunto, ela pode ser chamada de: canção amorosa (ou cantiga de amigo e cantiga de amor), canção satírica (ou cantiga de escárnio e mal-dizer), cantata (quando a canção se debruça em um assunto elevado), madrigal (quando a canção exprime o galanteio dos namorados) etc.
Soneto – Significa ´´pequeno som``.A mais bela de todas as formas poéticas e a mais apreciada pelos nossos poetas. Surgido na Itália, no século XIII, e difundido por Petrarca, no século XIV, é uma composição poética de catorze versos distribuídos em dois quartetos (estrofes de quatro versos) e dois tercetos( estrofes de três versos), É praticamente a única forma fixa que chegou intacta até nossos dias.

O que é Literatura

Posted by Profº Monteiro on abril 09, 2017
Resultado de imagem para O que é Literatura

A Literatura tem grande importância em nossa vida, principalmente nas escolas onde ela é bastante estudada. E por ela ser importante é necessário que se tenha um conceito sobre ela. Com o intuito de defini-la analisaremos a obra "O que é Literatura" de Marisa Lajolo, que como o próprio nome sugere poderemos senão defini-la ao menos obter maior esclarecimentos sobre a mesma.
Resenha
LAJOLO, Marisa. O Que é Literatura São Paulo, Ed. Brasiliense, 17ª ed. 1995.
As perguntas sobre literatura ultrapassaram séculos, porém as respostas são sempre provisórias, pois, a cada tempo surgem novos conceitos. Há quem diga que literatura é tudo aquilo que se escreve. Existem em nossa volta bibliotecas lotadas de livros, revistas, mas será tudo literatura?
Segundo a autora, existem escritores, poetas, que deram soberania a outros escritores e até leitores para chamar ou não suas obras de literatura. De acordo com ela, tanto pode ser, como não ser literatura, os poemas que guardamos com carinho, os romances que sequer foram publicados, peças de teatro esquecidas pelo tempo, ou mesmo aqueles livros que nenhum professor indica, mas que gostamos de ler, tudo depende do sentido que temos ao interpretá-los. Algumas pessoas definem literatura como sendo algo que a gente escreve, mas precisa que outros a leiam, precisa de um envolvimento social pelo qual a obra deve passar antes de chegar a ser vendida.
A autora cita na pág. 17 que "a literatura iguala-se a qualquer produto produzido e consumido em moldes capitalistas". Ela pretende com isso fazer que entendamos que uma obra para ser considerada literatura é preciso que tenha certa tradição cultural, precisa de um aval de setores especializados. A escola é um setor importante, pois a séculos vem sendo avalista dos livros que circulam por aí, isso porque analisam e indicam a leitura dos mesmos aos alunos.
Marisa Lajolo aponta na pág. 22que, o questionamento sobre literatura é sério, pois a séculos existem pessoas empenhadas em defini-la para poder ter maior domínio sobre textos lidos, mas nos faz entender que para entrar nesta discussão é preciso ter ingresso, e, para ter esse ingresso, precisa que se tenha poder aquisitivo compatível com o mesmo. Estes ingressos são livros que precisam ser adquiridos, estudados e avaliados para se chegar a alguma decisão.
Segundo a autora, já foram analisados vários critérios para identificar literatura, como: o tipo de linguagem, os textos, e até mesmo a identificação do autor sobre a obra, mas uma completa a outra e dificilmente se chegará a um consenso. Há inclusive polêmica sobre o assunto, pois quando se acredita estar definida eis que surgem novas obras, novos perfis, que vão se inovando, e o conceito quase definido volta a estaca zero.
"As definições propostas para literatura importam menos do que os caminhos percorridos para chegar a elas" (pág.27). Com isso podemos entender que os caminhos não são fáceis de serem percorridos, pois são uns tanto ambíguos.
A autora faz citação do dicionário Aurélio, (pág.28) onde diz que nele há dez conceitos sobre literatura. Talvez por isso pensamos ser literatura tudo o que se escreve, pois segundo Aurélio, ela deriva do latim: littera, que significa letra. Aos olhos de nossa cultura ter-se domínio sobre a escrita já é meio caminho andado, visto que, no vestibular a parte que vale mais pontos é a escrita (redação).Na Era Medieval as poesias tinham caráter oral, e só se torna literatura a partir do momento que foram registradas.
Nos dias atuais podemos ver as poesias da Época Medieval sendo transformadas em músicas na MPB. Existe, portanto um intercâmbio social na literatura, pois ela se manifesta a partir da linguagem, levando ao máximo sua ambigüidade.
A autora nos faz entender que a literatura não é apenas transmissora de informações, ela cria em cada ser aquilo que os sentidos o levam a interpretar. Através da leitura podemos vivenciar aquilo que lemos e criar dentro de nós a imagem proposta pelo texto. Tanto pode ser verídica como pode ser ficção. Os personagens tanto podem ter existido como podem ser criados pelo autor, na literatura tudo é possível, porém, mesmo na ficção existe um fundamento real, onde o autor se apoiou para criar a ficção.
Roberto Acízelo de Souza, em seu livro Teoria da Literatura, (cap.1 pág.6), diz que "a literatura é objeto de uma problematização, de um questionamento,apto a revelar a superficialidade da atitude para a qual ela corresponde apenas a uma noção difusa e culturalizada". Nota-se, com isso, que a literatura traz discussões ao tentar defini-la, ela é difusa porque não corresponde a um conceito definido.
As páginas 48 a 51 nos fazem compreender que se estudarmos a literatura desde que foi concebida veremos que mesmo com certos conflitos há um comum acordo sobre sua origem letrada. Acredita-se que o conceito sobre literatura tenha surgido antes de Cristo, na Grécia Antiga. Herdamos a cultura grega que permanece até hoje nas telenovelas, como, a história de Hércules ou Édipo, porém, foi depois de Cristo que a literatura passou a ter conceitos diferentes. A Sociedade Medieval criou padrões rígidos que chegam até nós através de textos literários que ainda hoje sobrevivem.
"Os textos que a tradição reserva o nome de literatura, embora nascendo de uma elite e a ela dirigidos, não costumam confinar-se às rodas que detém o poder" (pág.64). A autora quis dizer com isso que mesmo os que têm condições de adquirir livros não o fazem, não valorizam a leitura.
"Pulando muitos séculos que sucederam a Idade Média, chegamos ao mundo moderno da Renascença..." a partir daí a vida se modernizou, a literatura clássica dá lugar ao Romantismo. O Romantismo emocionou muitos leitores, mexendo com seus sentimentos, coisa que acontece até hoje para muitos. Outro fator romântico muito importante foi a valorização do romance que até então não tinha o devido valor. Apesar da literatura romântica provocar suspiros, saudades, com a modernização e a tecnologia, a obra literária romântica perdeu seu poder, "murchou". É a realidade que ganha forma, é o real que aparece nos livros, os realistas não aceitam o passado, passa a ser ao invés de sentimentos, instintos, é como se a ciência recusasse os sentimentos. A literatura realista aposta na reprodução do real, e nos leva a crer que o objetivo da literatura é encenar a linguagem, e seu poder de criação e imaginação que se queria, fosse o real.
Marisa Lajolo conclui sua obra fazendo uma crítica aos brasileiros dizendo "somos um povo telespectador; não somos nem nunca fomos um país de leitores". Com isso ela mostra o quanto o brasileiro se deixa levar pela televisão, deixando de lado a leitura que como sabemos, é indispensável na vida de uma pessoa culta.
Conclusão
Depois de estudar, pesquisar, analisar o tema proposto, chego a conclusão de que são inúmeros os conceitos sobre literatura, mas é praticamente impossível defini-la, mesmo porque como já foi dito ao longo deste texto, para cada tempo existe um conceito.
A autora cria um certo suspense em cada capítulo do livro, pois quando se pensa estar definida a literatura surge novo conceito, cria-se nova expectativa de resposta. E, ao finalizar a leitura fica bem claro que não existe uma palavra única que possa definir Literatura.
Indicação da Obra:  
Este livro é essencial para quem deseja adquirir mais conhecimentos sobre a literatura, especialmente para professores, e para quem está cursando ou pensa fazer o curso de Letras, como também para todos que atuam nesta área.

LINGUAGEM, LÍNGUA, FALA: um estudo sobre a linguística

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 20, 2017
UMA BREVE HISTÓRIA DO ESTUDO DA LINGUAGEM


Remotam ao século IV a.C. os primeiros estudos. Inicialmente, foram razões religiosa que levaram os hindus a estudar sua língua, para que os textos sagrados reunidos no Veda não sofressem modificações no momento de ser proferidos. Mais tarde os gramáticos hindus, entre os quais Panini (século IV a.C.), dedicaram-se a descrever minuciosamente sua língua, produzindo modelos de análise que foram descobertos pelo Ocidente no final do século XVIII.

Os gregos preocuparam-se, principalmente, em definir as relações entre o conceito e a palavra que o designa, Platão discute muito bem essa questão no Crátilo. Aristóteles desenvolveu estudos noutra direção, chegou a elaborar uma teoria da frase, a distinguir as partes do discurso e a enumerar as categorias gramaticais.

Dentre os latinos, destaca-se Varrão, dedicou-se à gramática, esforçando-se por defini-la como ciência e como arte.

Na Idade Média, os modistas consideraram que a estrutura gramatical das línguas é única e universal, e que, em conseqüência, as regras da gramática são independentes das línguas em que se realizam.

No século XVI, a religiosidade ativa pela reforma provoca tradução dos livros sagrados em numerosas línguas. Viajantes, comerciantes e diplomatas trazem de suas experiências no estrangeiro o conhecimento de línguas até então desconhecidas.

Os séculos XVII e XVIII, a gramática de Port Royal, de Lancelot e Arnaud, demonstra que a linguagem se na razão, é a imagem do pensamento e que, portanto, os princípios de análise estabelecidos não se prendem a uma língua particular, mas servem a toda e qualquer língua.

O conhecimento de um número maior de línguas vai provocar, no século XIX, o interesse pelas línguas vivas, pelo estudo comparativo dos falares, em detrimento de um raciocínio mais abstrato sobre a linguagem. É nesse período que se desenvolve um método histórico, instrumento importante para o florescimento das gramáticas comparadas e lingüística histórica.

Franz Bopp é estudioso que se destaca nessa época. A publicação, em 1816, de sua obra sobre o sistema de conjugação do sânscrito, comparando ao grego, ao latim, ao persa e ao germânico é considerado o marco do surgimento da lingüística histórica.

É no início do século XX, com a divulgação dos trabalhos de Ferdinand de Saussure, que a investigação sobre a linguagem- a lingüística- passa a ser reconhecida como estudo científico, que estarão centrados na observação dos fatos de linguagem. O trabalho científico consiste em observar e descrever os fatos a partir de determinados pressupostos teóricos formulados pela lingüística aproxima-se dos fatos orientado por um quadro teórico específico.


LINGUAGEM

Apresentaremos aqui duas propostas, a de Saussure e a de Chomsky que pressupõem uma teoria geral da linguagem e da análise linguística.

Saussure considerou a linguagem “heteróclica e multifacetada’’, pois abrange vários domínios e separa uma parte do todo linguagem, a língua- um objeto unificado e suscetível de classificação.

A língua é para Saussure “um sistema de signos” - um conjunto de unidades que se relacionam organizadamente dentro de um todo. É “a parte social da linguagem”, exterior ao indivíduo; não pode ser modificada pelo falante e obedece às leis do contrato social estabelecido pelos membros da comunidade.

 O conjunto linguagem-língua. Já a fala é um ato individual. A distinção linguagem/língua/fala situa objeto da linguística para Saussure. Dela decorre a divisão do estudo da linguagem em duas partes: uma que investiga a língua e outra que analisa a fala. As duas partes são inseparáveis, visto que são interdependentes: a língua é condição para se produzir à fala, mas não há língua sem o exercício da fala. Há necessidade, portanto, de duas linguísticas; a linguística da língua e a linguística da fala. Saussure focalizou em seu trabalho a linguística da língua, “produto social depositado no cérebro de cada um”, sistema supra-individual que a sociedade impõe ao falante.
Para o mestre genebrino, “a linguística tem por único e verdadeiro objeto a língua considerada em si mesma, e por si mesma”. A língua é considerada uma estrutura constituída por uma rede de elementos, em que cada elemento tem um valor funcional determinado. A teoria de análise linguística que desenvolveram, herdeiras das ideias de Saussure, foi denominada estruturalismo. Já Chomsky acredita que tais propriedades são tão abstratas, complexas e específicas que não poderiam ser aprendidas a partir do nada por uma criança em fase de aquisição da linguagem. Portanto, a linguagem é uma capacidade inata e específica da espécie, isto é, transmitida geneticamente e própria da espécie humana. Segundo Chomsky e os que compartilham de suas ideias. Esses pesquisadores dedicam-se à busca de tais propriedades, na tentativa de construir uma teoria geral da linguagem fundamentada nesses princípios. Essa teoria é conhecida como gerativismo. Chomsky distingue competência de desempenho. A competência linguística é a porção do conhecimento do sistema linguístico do falante que lhe permite produzir o conjunto de sentenças de sua língua: é um conjunto de regras que o falante construiu em sua mente pela aplicação de sua capacidade inata para a aquisição da linguagem nos dados linguísticos que ouviu durante a infância. O desempenho corresponde ao comportamento linguístico, que resulta não somente da competência linguística do falante, mas também de fatores não linguísticos de ordem variada, como: convenções sociais, crenças, atitudes emocionais do falante em relação ao que diz, pressuposto sobre as atitudes do interlocutor etc.. O desempenho pressupõe a competência, ao passo que a competência não pressupõe desempenho.

A língua – sistema linguístico socializado – de Saussure aproxima a Linguística da Sociologia ou da Psicologia Social; a competência –conhecimento linguístico internacionalizado – aproxima a Linguística da Psicologia Cognitiva ou da Biologia.

EXISTE LINGUAGEM ANIMAL?

Um estudo clássico sobre o sistema de comunicação usado pelas abelhas, publicado em 1959 por Karl Von Frisch, revela que a abelha-obreira, ao encontrar uma fonte de alimento, regressa à colméia e transmite a informação às companheiras por meio de dois tipos de dança. Se o alimento está próximo, amenos de cem metros, a abelha executa uma dança circular, se está distante, realiza uma dança em forma de oito.

Os dois tipos de dança apresentam-se como verdadeiras mensagens que anunciam a descoberta para a colméia: ao perceber o odor da obreira ou absorvendo o néctar que ela deglute, as abelhas se dão conta da natureza do alimento: ao observar a dança, as abelhas descobrem o local onde se encontra a fonte do alimento.

Os estudos do zoólogo alemão fazem uma importante revelação sobre o funcionamento de uma “linguagem” animal, Benveniste (1976). Embora, seja bem preciso o sistema de comunicação das abelhas – ou de qualquer outro animal cuja forma de comunicação já tenha sido analisada – ele não constitui uma linguagem, no sentido em que o termo é empregado quando se trata de linguagem humana. Há simbolismo, ou seja, capacidade de formular e interpretar um “signo”. Há memória da experiência e aptidão para analisá-la.

No entanto, as diferenças entre o sistema de comunicação das abelhas e a linguagem humana são consideráveis: sem intervenção de um aparelho vocal, fruto da experiência, a mensagem das abelhas não se deixa analisar, decompor em elementos menores.

Em síntese, a comunicação das abelhas não é uma linguagem, é um código de sinais.

LINGUÍSTICA

Convém enfatizar que a Lingüística detém-se somente na investigação científica da linguagem verbal humana. Linguagens (verbais ou não verbais) signos usados para a comunicação. Saussure a denominou Semiologia; Peire a chamou de Semiótica. A Linguística é, portanto, uma parte dessa ciência geral; estuda a principal modalidade dos sistemas sígnicos, as línguas naturais, que são a forma de comunicação mais altamente desenvolvida e de maior uso. As línguas naturais situam-se numa posição de destaque entre os sistemas sígnicos porque possuem, entre outras, as propriedades de flexibilidade e adaptabilidade, que permitem expressar conteúdos bastante diversificados: emoções, sentimentos, ordens, perguntas, afirmações, como também possibilitam falar do presente, passado ou futuro. A Linguística não se compara ao estudo tradicional da gramática: ao observar a língua em uso o lingüista procura descrever e explicar os fatos: os padrões sonoros, gramáticas e lexicais que estão sendo usados, sem avaliar aquele uso em termos de outro padrão: Moral, estético ou crítico.

A Linguística, cuja função é estudar toda e qualquer expressão linguística como um fato merecedor de descrição e explicação dentro de um quadro científico adequado.
O linguista considerando a língua um objeto de estudo que deve ser examinado empiricamente, dentro de seus próprios termos. A metodologia de análise linguística focaliza, principalmente, a fala das comunidades e em segunda instância a escrita.

A propriedade atribuída pelo linguista ao estudo da língua falada explica-se pela necessidade de corrigir os procedimentos de análise da gramática tradicional, que se preocupava quase exclusivamente com a língua literária, como modelo único para qualquer forma de expressão escrita ou falada. Os resultados obtidos são correlacionados às informações disponíveis sobre outras línguas com o objetivo de elaborar uma teoria geral da linguagem. Distinguem-se, aqui, dois campos de estudos: a linguística geral e a descritiva. A Linguística descritiva fornece os dados que confirmam ou refutvam as teorias formuladas pela linguística geral. São duas tarefas interdependentes: não pode haver Linguística geral ou teórica sem a base empírica da Linguística descritiva. Além de oferecer elementos para a análise da Linguística geral; produzir uma gramática ou um dicionário, com o objetivo de dotá-la de instrumentos para a sua difusão na forma escrita.

No século XIX os linguístas preocuparam-se com o estudo das transformações por que passavam as línguas, na tentativa de explicar as mudanças linguísticas. A Linguística era histórica ou diacrônica. Saussure, no início do século XX, introduziu um novo ponto de vista no estudo das línguas, o ponto de vista sincrônico, segundo o qual as línguas eram analisadas sob a forma que se encontravam num determinado momento histórico, num ponto do tempo. Saussure reconhecia a importância e a complementaridade das duas abordagens: a sincrônica e a diacrônica. Em sincronia, os fatos linguísticos são observados quanto ao seu funcionamento, num determinado momento. Em diacronia, os fatos são analisados quanto às suas transformações, pelas relações que estabelecem com os fatos que o precederam ou sucederam. O sincrônico sempre precede o diacrônico.
Muitos linguístas tornam a separação sincronia/diacronia como um rigoroso princípio metodológico: ou se investiga um estado de língua ou se investiga a história da língua. Temos, então, dois ramos da linguística: a sincrônica e a história. A linguística sincrônica vem sendo denominada Linguística teórica.

GRAMÁTICA: O PONTO DE VISTA NORMATIVO/DESCRITIVO

A gramática tradicional, ao fundamentar sua análise na língua escrita, difundiu falsos conceitos sobre a natureza da linguagem. Ao não reconhecer a diferença entre língua escrita e língua falada passou a considerar a expressão escrita como modelo de correção para toda e qualquer forma de expressão lingüística. A gramática tradicional assumiu desde sua origem um ponto de vista prescritivo, normativo em relação á língua.

Outras gramáticas antigas, como as do árabe, grego e latim, também eram prescritivas e pedagógicas: almejavam descrever a língua cuidadosamente, mas também prescreviam o uso correto, principalmente, nos países onde há preocupação em desenvolver e fortalecer uma língua padrão. Visto que, a norma da correção é prescrita por uma fonte de autoridade, as demais variedades são consideradas inferiores e incorretas. Por outro lado, na sociedade contemporânea expressar-se segundo a norma, falar certo continua sendo valorizado, porque à correção da linguagem está associada às classes altas e instruída, é uma das marcas distintivas das classes sociais dominantes.

NORMATIVO; FALSAS NOÇÕES

Abordar a língua exclusivamente sobre uma perspectiva normativa contribui para gerar uma série de falsos conceitos e até preconceitos, que vem sendo desmistificados pela linguística. Em primeiro lugar, suficientemente demonstrado que a língua escrita não pode ser modelo para a língua falada. Além do fato histórico da fala ter precedido e continuar precedendo a escrita em qualquer sociedade, a diferença dessas duas formas de expressão verifica desde a sua organização até o seu uso social. Todas as línguas sociais possuem os recursos necessários para a comunidade entre seus falantes.


LINGUÍSTICA: O PONTO DE VISTA DESCRITIVO/EXPLICATIVO

A linguística, portanto, como qualquer ciência, descreve seu objeto como ele é, não especula nem faz afirmações sobre como a língua deveria ser.
Como o objetivo de descrever a língua, a lingüística desenvolveu uma metodologia que visa analisar as frases efetivamente realizadas reunidas num corpus representativo. O corpus não é constituído apenas pelas frases “corretas”, também inclui as expressões “erradas”, desde que apareçam na fala dos locutores nativos da língua sob análise.
Dessa postura teórica metodológica diante da língua decorre o caráter científico da Linguística, que se fundamenta em dois princípios: o empirismo e a objetividade. A linguística é empírica porque trabalha com dados verificáveis por meio de observação, é objetiva porque examina a língua de forma independente, livre de preconceitos sociais ou culturais associadas uma visão leiga da linguagem.

Para Chomsky, não basta apenas observar e classificar os dados, é necessária uma teoria explicativa que preceda os dados e que possa explicar não só as frases realizadas, mas também as que potencialmente seriam produzidas pelo falante. A teoria da gramática, como é conhecida, trata de todas as frases gramaticais, isto é, todas as frases que pertencem à língua; não se confunde com uma gramática normativa porque não dita regras, apenas explicas as frases realizadas e potencialmente realizáveis na língua. Proposta. A intuição do falante é único critério da gramaticalidade ou agramaticalidade da frase – conceitos que não se confundem com a gramática normativa. É a competência do falante que vai organizar os elementos linguísticos.
A gramática é gerativa, porque de um número limitado de regras permite gerar um número infinito de sentenças. Reflete o comportamento do locutor que, a partir de uma experiência finita e acidental da língua, pode produzir e compreender um número infinito de frases novas.

As propriedades formais das línguas e a natureza das regras exigidas para descrevê-las são consideradas mais importantes do que investigação das relações entre a linguagem e o mundo.

A gramática funcional, fundamentada nos princípios do funcionalismo, que não separa o sistema linguístico das funções que seus elementos preenchem. Da perspectiva funcional da sentença considera-se que a estrutura dos enunciados é determinada pelo uso e pelo comunicativo em que ocorrem, pois a língua é, antes de tudo, instrumento de interação social.


TEORIA DOS SIGNOS

 A realidade só tem existência para os homens quando é nomeada. Os signos são, assim, uma forma de apreender a realidade. Só percebemos no mundo o que nossa língua nomeia.

Os sábios da Balbinarbi propõem substituir as palavras, que segundo eles, as palavras têm o inconveniente de variar de língua para língua, por objetos que se serviriam para comunicar-se. Porém, é impossível utilizar este método devido à quantidade, porque é preciso carregar uma quantidade enorme de objetos.

O modo como uma determinada sociedade enxerga uma realidade não é a mesma de outra, ou seja, nenhum ser do mundo pertence a uma determinada categoria, os homens é que criam as categorias e põem nelas os seres. Isso não acontece só com os seres. Isso não acontece só com os seres concretos.

 COMPOSIÇÃO E VALOR DOS SIGNOS

O signo é a união de um conceito a uma imagem acústica, ao conceito Saussure chama significado e à imagem acústica, significante. Não existe significante sem significado.

Segundo Hjelmslev, signo é a união de um plano de conteúdo a um plano de expressão no qual cada plano compreende dois níveis: a forma e a substância. Aquela corresponde ao que Saussure chama de valor, ou seja, um conjunto de diferenças, esta a substância da expressão são os sons e a substância do conteúdo, os conceitos.

CARACTERÍSTICAS DO SIGNO LINGUÍSTICO

Para Saussure, o signo linguístico tem duas características principais: a arbitrariedade do signo e a linearidade do significante, o signo linguístico é arbitrário e, portanto, cultural, com isso ele está querendo dizer que não é motivado, ou seja, que não há nenhuma relação bitrário, esta querendo dizer que ele não é motivado, ou seja, que não há nenhuma relação necessária entre o som e o sentido, que não há nada no significante que lembre o significado, que não há nada no significante que lembre o significado, que não há qualquer necessidade natural que determine a união de um significante e de um significado.

A LINEARIDADE DO SIGNIFICANTE

A linearidade é uma característica das línguas naturais, segundo a qual os signos, uma vez produzidos, dispõem-se uns depois dos outros numa sucessão temporal ou espacial.

Assim, não se pode produzir mais de um elemento lingüístico de cada vez: um som tem de vir depois do outro, uma palavra depois da outra, e não se podem produzir dois sons ao mesmo tempo.


DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO

Para criar um signo conotativo, é preciso que haja uma relação entre o significante que se acrescenta e o significado já presente no signo denotado.

 Os dois mecanismo principais de conotação são: a metáfora e a metonímia.
 Cada língua conota diferentemente e, por isso, a maneira de ver o mundo varia de língua para língua.

Por outro lado, temos a denotação, ou seja, traz o real sentido da palavra, como está no dicionário.

CLASSIFICAÇÃO DOS SIGNOS

Diferentes autores já buscaram classificar os signos das diferentes linguagens. Adam schaff (1968:158- 193). Essa classificação abrange todo signo, ou seja, unidade em que há uma relação entre uma expressão e um conteúdo, e ao mesmo tempo procura respeitar as noções correntes dos termos utilizados para dar nomes aos tipos de signos, como símbolo, sinal, etc.

Eles podem classificar-se em signos naturais e signos artificiais (ou signos propriamente ditos). Os primeiros são os fenômenos da natureza que servem de veículo para nos fazer perceber um outro fenômeno natural. São Expressões de um dado conteúdo. São denominados também índices ou sintomas. Assim, a fumaça (expressão) indica a existência de fogo (conteúdo), nuvens negras mostram que vai chover. Os signos artificiais ou propriamente ditos são os produzidos para fins de comunicação. As palavras, os sinais de trânsito, enfim, os signos presentes em todas as linguagens, como o cinema, a pintura, a escultura. Esse acordo deliberado, como no caso dos sinais de trânsito, em que uma convenção estabeleceu os signos que orientariam a circulação de veículos e pedestres, ou da prática histórica, como no caso das palavras, em que a experiência dos homens as cria e as põe em circulação.

Considerando que os signos artificiais têm na interpretação das diferentes linguagens, eles podem ser divididos em signos verbais e signos com expressão derivada. Os signos verbais são interpretantes de todas as linguagens. Enquanto os signos das outras linguagens nem sempre podem interpretar os signos linguísticos. O que é expresso visualmente, um filme, por exemplo, pode ser contato por meio de signos verbais, no entanto, nem tudo o que exprime verbalmente por ser dito visualmente. Os signos com expressão derivativa distinguem-se, pela sua função na comunicação, em sinais e signos substitutivos. Aqueles são “causados ou utilizados especialmente para suscitar pré-combinada e acordada, quer em grupo, quer em individualmente, sobre a força de manifestações definidas da atividade humana”. O apito do Juiz num jogo de futebol paralisa o jogo; o vermelho do semáforo faz parar; o verde leva a por o carro em movimento; O sinal é resultado de acordo explícito, válido para o certo grupo de pessoas; se o propósito é o de modificar, iniciar ou sustar uma ação; Só é usada quando se pretende provocar o comportamento humano que ele deve suscitar.

A LÍNGUA COMO OBJETO DA LINGUÍSTICA

No início do séc. XX, novo objeto de estudo para linguística. O curso de linguística geral teve sua edição em 1916, três anos depois da morte de Saussure, em 1913. Ao contrário de que poderia se imaginar, tratando-se de uma das obras mais importantes da linguística, o volume não foi escrito por Saussure. Trata-se de uma edição elaborada a partir de anotações de aula de seus alunos. Embora não haja menção ao termo dicotomias no texto do curso, é assim que se costuma chamar os quatros pares de conceitos, que fazem uma síntese das propostas de Saussure para criação de um novo objeto teórico para a lingüística. Uma dicotomia em Saussure diz respeito a um par de conceitos que devem ser definidos um em relação ao outro, de modo que um só faz sentido em relação ao outro.

Há quatro dicotomias em Saussure:

Sincronia versus diacronia;

Língua versus fala;

Significante versus significado e

Paradigma versus sintagma.

SINCRONIA VERSUS DIACRONIA

Saussure definiu um objeto de estudos para a linguística. Portanto, responder como era feita a linguística na época de Saussure é investigar o que ele estudou em sua formação e o que fez com essa formação linguística.

 Durante o século XIX, a linguística estudou, basicamente, a mudança linguística, a linguística estudava e classificava as línguas em grupos de famílias tratando-as em termos de graus de parentesco.

LÍNGUA VERSUS FALA

Se na dicotomia sincronia versus diacronia se estabelecem duas maneiras de estudar a língua, na dicotomia língua versus fala há a definição do conceito de língua. Para Saussure, língua opõe-se a fala, porque a língua é coletiva e a fala é particular, portanto, a língua é um dado social e a fala é um dado individual. Além disso, a língua é sistemática e a fala é assistemática. Pessoas que falam a mesma língua conseguem comunicar-se porque, apesar das diferentes falas, há o uso da mesma língua.

Para Saussure, o objeto de estudos da Linguística é a língua (Saussure, 1696:28), e não a fala, de modo que uma língua é definida como um sistema e o que são os elementos que formam um sistema lingüístico. Portanto, uma língua deve ser definida como um conjunto organizado em que um elemento se define em relação aos demais elementos.

Não se deve confundir signo com palavra. A palavra “comer”, por exemplo, é um signo, já que é formada pela imagem acústica /komer/relacionada com o conceito de “ingerir alimentos sólidos”. No entanto, essa palavra é formada por signos menores, ou seja, os morfemas. A língua, para Saussure (1969: 23-24), é um sistema de signos, em que um signo se define pelos demais signos do conjunto.

Saussure disse que na língua só há diferença. Portanto, não só os signos se definem uns em relação aos outros, mas também os elementos que compõem os significantes, isto é, os sons, bem como os significados.

 Na dicotomia língua versus fala, Saussure separa os fatos de língua dos fatos da fala: os fatos de língua dizem respeito à estrutura do sistema linguístico e os fatos de fala dizem respeito ao uso desse sistema.

De acordo com Saussure (1969:27), a dicotomia língua versus fala é pertinente à medida que os fatos de língua podem ser estudados separadamente dos fatos de fala. Contudo, se nessa oposição entre língua e fala aponta-se para a diferença entre um fato de língua e um fato de fala, Saussure não deixa de considerar, também as interferências entre os dois tipos de fatos.

SIGNIFICANTE VERSUS SIGNIFICADO

Saussure define signo como a relação entre uma imagem acústica, que ele chamou significante, e um conceito, que denominou significado. Com essa definição de signo, ele estabelece os elementos que formam o sistema da língua, de modo que, a definição de língua passa a ser a de um sistema de signos.

Com a definição de signo, Saussure demonstra que a relação não é esta, entre palavras e coisas, mas sim, entre uma imagem acústica e um conceito, ou seja, entre um significante e um significado. Isso implica que a língua não é uma nomenclatura, mas um princípio de classificação. Um significado, é uma ideia que modela um determinado modo de compreender as coisas. Esse conceito deve, necessariamente, estar relacionado a um meio de expressá-lo. É preciso, então, relacionar o conceito a uma imagem acústica, ou seja, a um significante. Essa maneira de ver o mundo varia de língua para língua, já que cada uma delas é determinada por um sistema próprio de signos.

PARADIGMA VERSUS SINTAGMA

Saussure, a partir do signo ensinamento, exemplifica cada um desses três modos de associação. Por meio do significado, associa-se ensinamento a aprendizagem, educação, etc. Por meio de seu significante, associa-se ensinamento a elemento, lento, etc. E, por meio de outros signos, em processos morfológicos comuns, ensinamento associa-se a ensinar, ensinemos etc., por ter o mesmo radical, e associa-se a desfiguramento, armamento, etc., por ter o mesmo sufixo.


Assim, estabelece-se a dicotomia paradigma versus sintagma, na qual definem, respectivamente, as relações de seleção e as relações de combinação entre os elementos linguísticos.

Saussure definiu, em sentido amplo, as relações paradigmáticas e sintagmáticas. Para tornar operacionais os conceitos de sintagma e de paradigma, a Linguística posterior a Saussure vai precisá-los. O paradigma não é qualquer associação de signos pelo som e pelos sentidos, mas uma série de elementos linguísticos suscetíveis de figurar no mesmo ponto do enunciado, se o sentido for outro. Assim, no enunciado foi teu avô, no lugar de teu, poderiam figurar, se o sentido do enunciado fosse outro, os termos seu, meu, nosso, o, um, etc. Esses elementos constituem um paradigma, do qual o falante seleciona um termo para figurar no enunciado. Por outro lado, no sintagma não se combinam quaisquer elementos aleatoriamente. A combinação no sintagma obedece a um padrão definido pelo sistema. Assim, por exemplo, podem-se combinar um artigo e um nome e, nesse caso, o artigo deve sempre preceder o nome.

A diferença entre as relações sintagmáticas e as paradigmáticas não é a mesma que existe entre línguas e fala. Aquelas, por relacionar no mínimo dois elementos linguísticos, são um tipo de relação em que os elementos relacionados se encontram em presença um do outro, já as relações paradigmáticas, porque dizem respeito à seleção entre elementos, são os tipo de relação em que o elemento selecionado exclui os demais elementos da relação.

MARTINET E A DUPLA ARTICULAÇÃO DA LINGUAGEM

Martinet afirma que a linguagem é duplamente articulada. Portanto, quando se diz que a língua é articulada o que quer dizer é que as unidades lingüísticas são suscetíveis de ser divididas, segmentadas, recortadas em unidades menores. Para Martinet, todo enunciado da língua articula-se em dois planos. No primeiro, articulam-se as unidades dotadas de sentido. A menor dessas unidades é o morfema.

 A dupla articulação da linguagem é um fator de economia linguística. Com poucas dezenas de fonemas, cujas possibilidades de combinação estão longe de ser todas exploradas em cada língua, formam-se milhares de unidades de primeira articulação. Se os homens produzissem um som diferente para expressar cada uma de suas experiências ou para designar cada elemento da realidade teriam uma sobrecarga na memória e, além disso, o aparelho fonador não seria capaz de emitir a quantidade de sons diferentes necessários para isso nem o ouvido seria capaz de apreender todas essas produções fônicas.

COSERIU E A NOÇÃO DE NORMA

Coseriu reformulou a dicotomia Saussureana língua versus fala. De acordo com Saussure, a língua é um sistema de signos e a fala é a realização desse sistema, de modo que a língua tem uma natureza social e a fala, uma natureza individual. No entanto, quando se presta atenção na fala, é possível determinar as formas de realização que não são de natureza individual, mas também não são realizadas por todos os falantes de uma mesma língua. Os diferentes sotaques, o uso de vocabulários próprios de alguns grupos sociais, a presença ou não de concordância verbais e nominais, etc.
 Para descrever essas variantes, Coseriu propõe que a dicotomia língua versus fala seja redefinida para sistema versus fala, de modo que as variantes linguísticas sejam descritas nos domínios da norma. Na tríade proposta por Coseriu, a fala continua da ordem do individual, mas o conceito de língua é modificado. Ele afirma que “a língua, no sentido amplo do termo, não é apenas sistema funcional, mas também realização normal”. O sistema funcional coincide com o conceito de língua de Saussure, no entanto, o que Coseriu chama de língua é o sistema articulado com suas normas, ou seja, com suas variantes lingüísticas. Assim, o conceito de língua, para Coseriu, abrange o sistema, que é do domínio de todos os falantes de uma mesma língua, e as normas, que, como variantes desse sistema, são do domínio de grupos sociais, regionais, etc.

ESTUDOS LINGUÍSTICOS: FUNDAMENTOS

Para bem compreendermos as questões linguísticas com que nos depararemos no presente estudo, vamos reconstituir imaginariamente uma cena típica da família brasileira nessas últimas décadas: “a novela das oito”, instante em que todos se preparam para o grande momento da dramaturgia nacional. Algumas de modo mais explícito, como as de correção e “funções da linguagem”; outras, mais sutis, como os casos de forma e substância, diacronia e sincronia ou até mesmo problemas de natureza psíquica ou social.

 EXPLICAÇÃO DIACRÔNICA

Pelo aspecto histórico, em que os fatos linguísticos são analisados do ponto de vista da sucessividade, a fala da personagem reproduz uma das fases da evolução da palavra. O termo “óculos”, aparelho de correção visual, vem do latim clássico oculus que, por sua vez, reduz a “oclos” e dos “olhos” no português moderno.

DESCRIÇÃO SINCRÔNICA

 O ponto de vista estático, atemporal, em que a unidade é descrita em relação de oposição a outros segmentos coexistentes no sistema, num espaço de tempo relativamente curto, corresponde à descrição sincrônica. O que interessa ao linguista e ao falante é a diferença de essência, a diferença funcional, e não a material, que é a aparência exterior da forma.

VISÃO FUNCIONAL

Até certo ponto, a visão funcional é a posição comum de quem usa a língua com a finalidade prática de comunicação. Por esse prisma, o importante na língua é aquilo que altera o valor da mensagem. Se, por exemplo, “oclos” transmite o mesmo que “óculos”, sem prejuízo do resultado final, então a realização é válida, porque o termo cumpriu as suas funções básicas, que é a de estabelecer a comunicação entre as pessoas. Nesse caso, a questão é mais social do que propriamente linguística. Conforme se pode observar, essa questão nada mais é que um desdobramento da anterior quanto aos dois tipos de diferenças linguísticas, a de forma e a de substância. Essa é a posição de um dos segmentos mais modernos do Estruturalismo Linguístico.

 PRINCÍPIO ESTRUTURAL

SINTAGMA E PARADIGMA

Quando se estabelece que uma das características da língua é a segmentação, e que esta se dá por substituição de uma unidade por outra, as noções de sintagma e paradigma já estão aí presentes, mesmo que de forma indireta. Essas operações levam a elas: ao se afirmar que existe uma “unidade” possível de ser “cortada”, afirmar-se, ao mesmo tempo, que existe uma sequência de segmentos estruturados num segmento maior. Isso, em essência, é o sintagma. O paradigma ocorre na relação das unidades que são apresentadas como passíveis de substituição da unidade presente na cadeia da fala.Toda relação de elementos, em todos os níveis, que podem ocupar mesma posição no sintagma, forma um paradigma. São inseparáveis as duas noções. Uma decorre da outra. Paradigma é possibilidade, sintagma é resultado.

ECONOMIA LINGUÍSTICA

Uma das características especiais do sistema verbal de comunicação é a possibilidade de geração infinita de novas unidades a partir de um número finito de componentes internos. Graças a isso, é impossível prever quantos vocábulos e quantas frases diferentes poderão ser criadas na língua, porque sempre haverá mais alguma que não foi arrolada.

Outras formas de linguagem, por sua vez, não se apresentam com essas mesmas características. As placas de trânsito, por exemplo, um sistema de comunicação visual pode ser contado; os símbolos que são utilizados nessas formas de linguagem são sempre reduzidos. Só a linguagem humana natural não se delimita.

RELAÇÕES DISTRIBUCIONAIS E INTEGRATIVAS; FORMA E SENTIDO

Além das marcas especiais do código de linguística analisada nos itens anteriores, algumas outras, que advêm delas, devem ser consideradas por se tratarem de aspectos importantes a serem observados em estudos criteriosos da língua. As mais relevantes são as relacionadas à distribuição e integração das unidades linguísticas; bem como os conceitos de forma e sentido no processo de análise.

FORMA E SENTIDO

Forma e sentido são resultados da análise. O sentido como sinônimo de significado de dicionário – gordo, equivalente a obeso, por exemplo – não revela o caráter estrutural da língua. A forma, conseqüência da segmentação. A divisão leva à forma; a integração, ao sentido.

NÍVEIS DE ANÁLISE

A língua, por ser de natureza articulada, cria diversos estratos de análise que, na estruturação da mensagem, do maior para o menor, se apresenta na seguinte ordem hierárquica: texto, frase, sintagma, vocábulo, morfema, fonema e traços distintivos.

NÍVEL TEXTUAL

 Este plano, o do discurso, que corresponde à porção mais abrangente da mensagem, não constitui objeto de estudo da linguística frasal. Pela complexidade, o nível textual fica provisoriamente excluído dos estudos lingüísticos propriamente ditos. Tais pesquisas ficam a cargo da literatura, que se preocupa basicamente com a função poética do texto; ou da semiótica, que é ciência mais abrangente da comunicação.

NÍVEL FRASEOLÓGICO

A proposição constitui o maior segmento de análise da linguística frasal. Unidade de comunicação por excelência, a frase representa o ponto de convergência de todas as unidades de nível inferior, pois é nela que quaisquer de seus constituintes se definem plenamente.

 Sob esse ponto de vista, cada frase é única, e sempre nova; pois jamais se repete numa mesma situação de tempo e espaço no processo de comunicação.

NÍVEL SINTAGMÁTICO

A parte da gramática que cuida da construção do sintagma é a sintaxe.

NÍVEL VOCABULAR

O vocábulo divide-se em morfema e é também constituinte do sintagma locucional. A palavra, em si, é um sintagma; nela, a liberdade combinatória dos morfemas é praticamente nula ao falante. A unidade vocabular já se apresenta “construída” ou quase “pronta” para uso do indivíduo no processo de comunicação. Quando modificada, a palavra sofre alteração apenas de adaptação de concordância ou de flexão, a partir da unidade apresentada em dicionário.

A forma da “palavra”, nessa concepção, corresponde ao “morfema”; e sem “sentido” está no “sintagma”. A parte da gramática que estuda a estrutura, formação e classificação da palavra é denominada morfologia.

NÍVEL MORFOLÓGICO

O nível morfológico é constituído de unidades mínimas significativas da língua. O segmento básico dessa camada, o morfema, divide-se em lexema e gramema. O primeiro refere-se a um significado externo à língua, ao mundo antropocultural, são os conhecidos radicais, da terminologia da gramática normativa; o segundo, de significação interna no sistema, pode ser representado por marcadores (formas presas) ou palavras com função e sentido puramente gramaticais (formas livres).

NÍVEL FONOLÓGICO

Corresponde a este plano, o fonológico, ao da camada sonora do sistema. É nessa categoria de entidades acústicas psicofísicas que a língua, entidade abstrata, se manifesta. Sem o som, se restringiria unicamente ao plano psíquico, sem possibilidades efetivas de exteriorizar-se. Na divisão do signo, em significado e significante, o nível fonológico equivale ao significante. Por ele o significado se evoca, e a ele o sentido se associa na mente.

NÍVEL MERISMÁTICO

A camada dos merismas não corresponde propriamente a um estrato padrão – tal como ocorre nos demais planos da hierarquia de análise linguística. Por constituir-se de unidades fonéticas não-segmentáveis na realização do fonema, o nível merismático representa um infranível, uma vez que é simplesmente parte do nível fonológico.
Por essa razão, o nível merismático se reveste de características específicas que, evidentemente, não se aplicam às demais porções dos outros planos da análise. Uma das mais importantes é a não-distribuição em unidade superior.

PRINCÍPIOS ESTRUTURAIS
Ou seja, a frase, unidade de comunicação por excelência, não pode fugir á organização interna de um sistema de ordem e subordinação dos segmentos que a compõem. Segundo Benveniste fraseológico, morfológico e o sintagmática.

Pelo que se pode notar, todos os elementos da frase interligam, de tal maneira que se uma das unidades for alterada, todos os níveis são sucessivamente atingidos como numa cadeia de dominó.
 “A língua é uma forma e não uma substância”. Essa visão estruturalista é fundamental para que o estudo estabeleça um método condizente com a natureza do objeto estudado- a língua- e possa compreendê-la na essência, e não na aparência como tem ocorrido na maioria das vezes. A complexidade dessa área de estudo nasce daí; na língua, por ser ela uma estrutura formal e servir de meio de comunicação entre as pessoas.

 Também o confirma Napoleão Mendes de Almeida quando opina em várias ocasiões que a língua não pode ser mais ou menos estudada.

MÉTODO DE ANÁLISE DA LÍNGUA

 Nos estudos linguísticos muitos equívocos também ocorrem, pois nem sempre a língua é estudada com métodos que levam em conta sua natureza interna. O prejuízo nesse campo é visível. Assim como as coisas e os objetos devem ser medidos conforme o padrão de cada um, também o fato linguístico deve ser analisado por um processo que considere suas características mais evidentes, como estrutura, oralidade, segmentação e produtividade.


FATO LINGUÍSTICO

O fato linguístico é apenas aquele em que o ato de comunicação se processa com significantes produzidos pela voz humana. A oralidade é a marca registrada do fato lingüístico.

 LINGUAGEM ESCRITA

Todavia, por inconsciência dos falantes, a mensagem gráfica é mais valorizada. Há várias razões, culturais ou ideológicas, para que assim seja considerada. Uma delas se refere ao status social de quem, num país de analfabetos, sabe ler e escrever. O letrado goza de muito prestígio perante aqueles que só se comunicam pela fala.
Também foi assim na história da humanidade. Há um período pré e outro pós-escrita. Antes, enquanto só se comunicava pela fala, o progresso era lento; depois, quando se conquistou o código gráfico, o progresso se expandiu. Daí o porquê da maior valorização da escrita em relação à fala. Mas é ela que, apesar de se perder no ar logo após a sua realização, constitui o verdadeiro objeto de estudo da lingüística e é exemplo vivo de comunicação.

LINGUAGEM ORAL

Bons argumentos podem ser apontados para que a fala seja considerada uma forma de comunicação mais autêntica do que a escrita. O mais importante é a originalidade, a precedência. Pela ordem de surgimento, a comunicação oral vem primeiro; só depois é que o homem escreve.

Uma outra razão diz respeito à frequência de utilização da fala em comparação com a escrita. As pessoas falam mais do que escrevem. A forma mais rápida e prática de comunicação no quotidiano das pessoas é pela fala.
 O mesmo não se dá com a escrita, que é mais complexa. O homem pode passar a vida inteira em escrever; sem falar, é praticamente impossível devido às exigências normais da vida. Como ciência, o objeto de análise da linguística não pode ser o fato derivado, deve-se partir do original. A escrita é reprodução, surgiu como representação da fala para auxiliar a memória na recapitulação da mensagem. Adquiriu prestígio social, mas a base é sempre a fala.
 

LINGUAGEM HUMANA

A comunicação entre os seres de modo geral pode ocorrer de diversas formas. O telegrafista utiliza sons longos e breves, traduzidos em letras correspondentes do alfabeto, como ponto e traço. O guarda de trânsito lança mão de sons de apito e gestos; o surdo emprega principalmente a linguagem de sinais; Tudo isso é linguagem. Mas diferente da linguagem verbal humana, porque não se segmenta.

Essa possibilidade de divisão diferencia as línguas naturais dos outros processos de comunicação. Um termo como “burrinho”, vocábulo empregado no texto com o sentido de incompetência intelectual, pode ser segmentado em partes menores até se chegar aos merisma que, por sua vez, num processo inverso, compõem unidades cada vez maiores até se chegar ao vocábulo que, originalmente, foi segmentado. Por isso o processo agora se inverte; em vez de segmentação, passa-se à combinação. Unidades menores compõem gradativamente outras maiores, até se chegar-se à frase, que é o nível máximo de análise da hierarquia gramatical.

Essas possibilidades – segmentação e combinação – tornando o sistema mais econômico e altamente produtivo, diferenciam a língua das outras formas de linguagem. As outras formas de linguagem não alcançam essa dimensão. Por isso são sempre mais pobres e limitadas em relação às línguas naturais.

PROCESSO DE SEGMENTAÇÃO


A língua por ser de natureza articulada, diferencia-se dos demais sistemas de comunicação. Consequentemente por se revestir de características especiais, exige-se também do pesquisador um método próprio de análise, de tal forma que atenda às suas peculiaridades. Esse método é o da segmentação. Por ele a estrutura, de qualquer extensão, deve ser dividida em unidades menores, como as peças de um motor que podem ser desmontadas e montadas novamente pelo mecânico.

Outros recursos para a segmentação são a mobilidade e a coordenação. A primeira refere-se ao deslocamento da unidade para outra posição da cadeia da fala ou para um novo ambiente; a segunda diz respeito à “soma” do segmento a outro de mesma natureza na língua. As duas operações, tanto a mobilidade quanto à coordenação, ajudam a identificar a posição do corte na cadeia que se pretende segmentar.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PETER, Margarida. Linguagem, língua, linguística.

Fiorin, José Luiz. Teoria dos signos.

PIETROFORTE, Antônio Vicente. A língua como objeto da línguística.

VIEIRA, Lacordaire. Os níveis de análise linguística.

A Origem Da Língua Portuguesa

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 17, 2017
A Origem Da Língua Portuguesa




No texto “A história da língua portuguesa”, o autor trata da evolução do nosso idioma pelo

Ponto de vista histórico e gramatical, pois a língua portuguesa nada mais é que o latim falado no ocidente da península ibérica, porém modificado, transformado nas línguas românicas e novilatinas.

Segundo o autor dois povos viviam na península, e deram origem ao Basco e Ibero.

A partir desse ponto o autor faz uma apresentação cronológica onde narra o desenvolvimento lingüístico do latim até o português.

Seguindo as idéias do autor, devido as grandes riquezas da região outros povos cobiçavam-na, entre eles os fenícios e gregos, após disputas os gregos são derrotados e com isso inicia-se a decadência dos tartéssios.

Os fenícios fixaram-se na costa da península meridional em 1100 a.c e fundaram gadir hoje càdiz, Málaga, e Abdra.

O povo fenício não era colonizador por isso não penetrava no interior das terras.

Após seu enfraquecimento os fenícios foram absorvidos pelo povo indígena.

Já os gregos não desistiram mesmo batidos no sul fundaram prosperas feitorias, que são hoje remanescentes alicante (lucentum) , (Denia hemeroscopion), (rosas Rhodes) e (ampurias emporium).

O contato dos dois povos foi útil para o desenvolvimento da arte na península, no norte e oeste da Ibéria os povos europeus se sobrepuseram sobre o povo nativo; no século V e III a.c houve a invasão dos celtas que se estabeleceram na região da galécia e nas regiões altas de Portugal,o domínio celta não foi pacifico porém a convivência dos celtas e iberos resultou no povo celtibero.

Se não fosse o cartaginês que falava um dialeto fenício (o púnico) a presença dos fenícios teria se apagado por completo, mas Roma não via com bons olhos o progresso de Cartago pois temia perder o controle da península, após uma guerra de 118 anos Roma sai vitoriosa e torna a híspania sua vassala.

Em 197 a.c Roma foi anexada como província da península.

A romanização da Ibéria se deu em 2 períodos o primeiro foi desde as guerras punicas até o estabelecer do império, a segunda veio com o advento de augusto e passa durante todo o período imperial uma época tranqüila e de assimilação nessa época a península foi dividida em três: terraconense, bética e Lusitânia.Essa assimilação foi tranqüila devido à proximidade do latim e do celta e deu-se das cidades até os campos.

Essa romanização ocorreu devido a vários fatores sendo eles:

O fato de após o recrutamento militar os jovens voltarem para seu lar levando consigo seu aprendizado o fácil intercambio com a metrópole o direito de cidadania dada aos urbes hispânicos e o cristianismo pregado por um latim acessível que reduz a distancia entre as classes sociais.

O autor relata varias citações em textos da época que comprovam esses fatos.

O latim que se vulgarizou foi o latim sermo vulgaris que nos da noticia os gramáticos latinos, a outra modalidade era o sermus urbanus conhecido sim, mas nas escolas.

O latim falado pelo povo fora levado para a hispania e sofreu modificações inevitáveis e automáticas porem algo perturbou esse processo, pois no século V a península foi invadida pelos vândalos que se fixaram na galécia e bética e firmaram uma dinastia na áfrica que durou por um século, em seguida os suevos ocuparam a galécia e a Lusitânia depois de um tempo foi a vez dos Godos que absorveram os suevos no século (VI).Apesar de vencedoras as tribos germanas acolhem os costumes e a língua da região (latim) já modificado com isso ocorre à queda da nobreza e das escolas onde se cultivavam as línguas cultas.

Como herança germânica ficaram vocábulos de seu uso e costumes armas, vestes, insígnias.

No século VIII foi a vez da invasão mulçumana que após vencer os godos tornou-se soberana no território visigótico.Com isso ocorre mais uma fusão, pois muitos godos adotam a cultura dos conquistadores e surge assim os moçarabes .

Os árabes defendiam as letras e as ciências durante seu domínio progridem a agricultura, comércio e a industria.Foi adotada oficialmente a língua árabe, mas muitos dos conquistados falavam o latim (modificado).

Muitos não aceitam essa dominação árabe e se isolam nas montanhas, seus sucessores foram aos poucos retomando o seu território e por fim acabando de vez com o domínio mouro.A herança do vocabulário árabe foi voltada a nomes de plantas, instrumentos e ofícios entre outros. Os cristãos organizaram cruzadas e devido a essas cruzadas formaram-se os reinos de leão, Castela e Aragão D. Henrique conde de Borgonha se destaca nas cruzadas e casa-se com a filha de D.Afonso VI rei de leão e Castela.

A nacionalidade portuguesa começa com Afonso Henrique filho em 1139 que se tornou rei em 1143.

Nessa região o latim se desenvolve de uma forma diferente pelo fato de ter sido ocupado pelos celtiberos e se torna um feudo independente, Surge então o galego-português,

Que após se espalhar e se fundir com o idioma da região meridional se separa em galego e português.No século IX aparecem textos redigidos nesse idioma.

Surge aproximadamente em 1300 à poesia, o século XVI aparece como o século de ouro da literatura e surge também a gramática disciplinando a língua.

Na renascença o pequeno Portugal se torna grande com os descobrimentos marítimos e o idioma alcança as ilhas do atlântico, as costas da Ásia, e áfrica chegando também na terra de Vera cruz.



No texto o autor nos da uma visão bem ampla e objetiva sobre o nosso idioma, abordando os fatos históricos que influenciaram nas alterações lingüísticas que regem a língua nos tempos contemporâneos.

Sem deixar de exemplificar com citações textuais e históricas dando assim maior credibilidade ao texto abordado, e nos leva para uma viagem através dos tempos, nos dando prazer em saber que o ato da comunicação é bem mais complexo do que se imagina e alem de aprender mais sobre a nossa língua teremos boas horas de entretenimento.

FÁBULA A Formiga e a Cigarra

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 11, 2017

O leão e o camundongo, a lebre e a tartaruga, a raposa e a cegonha, a cigarra e a formiga são algumas das duplas que protagonizam fábulas muito conhecidas. Há também o homem que matou a galinha dos ovos de ouro, fábula de La Fontaine da qual se extrai a lição: "Quem tudo quer tudo perde."
Fábula é uma narrativa alegórica em prosa ou verso, cujos personagens são geralmente animais, que conclui com uma lição moral. Sua peculiaridade reside fundamentalmente na apresentação direta das virtudes e defeitos do caráter humano, ilustrados pelo comportamento antropomórfico dos animais. O espírito é realista e irônico e a temática é variada: a vitória da bondade sobre a astúcia e da inteligência sobre a força, a derrota dos presunçosos, sabichões e orgulhosos etc. A fábula comporta duas partes: a narrativa e a moralidade. A primeira trabalha as imagens, que constituem a forma sensível, o corpo dinâmico e figurativo da ação. A outra opera com conceitos ou noções gerais, que pretendem ser a verdade "falando" aos homens.
Cabe salientar que o elemento dominante, para o gosto moderno, costuma ser a narrativa. A moralidade ou significação alegórica, ainda que anime o todo, jaz de preferência nas entrelinhas, de maneira velada. Os antigos tinham ponto de vista diferente. Para eles, a parte filosófica era essencial. Para atingirem de modo mais direto o alvo moral, sacrificavam a ação, a vivacidade das imagens e o drama. Assim, a evolução da fábula pode ser cifrada na inversão do papel desses dois elementos: quanto mais se avança na história, mais se vê decrescer o tom sentencioso, em proveito da ação. A presença da moral, no entanto, nunca desapareceu de todo da fábula. Explicitada no começo ou no fim, ou implícita no corpo da narrativa, é a moralidade que diferencia a fábula das formas narrativas próximas, como o mito, a lenda e o canto popular. Situada por alguns entre o poema e o provérbio, a fábula estaria a meio caminho na viagem do concreto para o abstrato.
A afinidade com o provérbio encontra-se no nível mediano - lugares-comuns proverbiais - a que geralmente se reduz a lição extraída da narrativa. Sob esse aspecto, a fábula também se distingue da parábola, que procura maior elevação no plano ético, além de lidar com situações humanas mais reais.
Fábula oriental e Esopo.
Na evolução do gênero, o primeiro dos três períodos da fábula, aquele em que a moralidade constitui a parte fundamental, é o das fábulas orientais, que passaram da Índia para a China, o Tibet, a Pérsia, e terminaram na Grécia com Esopo. No Oriente, a fábula foi usada desde cedo como veículo de doutrinação budista. O Pantchatantra, escrito em sânscrito, chegou ao Ocidente por meio de uma tradução árabe do século VIII, conhecida pelo título de Fábulas de Bidpay, depois retraduzida do árabe para várias línguas.
Esopo, fabulista grego de existência duvidosa a quem se atribuem as fábulas reunidas por Demétrio de Falero no século IV a.C., teria sido uma espécie de orador popular que conta histórias para convencer os ouvintes a agir de acordo com o bom-senso e na defesa de seus próprios interesses. De acordo com Aristóteles, a fábula esópica é uma das formas da arte de persuadir e não poesia.
Fedro e a fábula medieval.
O segundo período da fábula se inicia com as inovações formais de Fedro. Ao fabulista latino é atribuído o mérito de ter fixado a forma literária do gênero, o que garante para ele um lugar na poesia. Escritas em versos, as histórias de Fedro são sátiras amargas, bem ao sabor do gosto latino, contra costumes e pessoas de seu tempo. Mas tanto Fedro quanto Bábrio (século III da era cristã) partiram dos modelos de Esopo, que reinventaram poeticamente.
A Idade Média cultivou com insistência a tradição esópica. Entre as muitas versões da época, divulgadas sob o nome de Ysopets (Esopetes), a mais famosa ficou sendo a de Marie de France, do século XII. Os fabliaux (fabuletas) medievais, embora não sejam propriamente fábulas, guardam com elas algumas analogias. Por meio dos personagens animais, os poetas fazem críticas e pretendem instruir divertindo.
La Fontaine e seus seguidores.
O terceiro período inclui todos os fabulistas modernos, dos quais Jean de La Fontaine é considerado o mestre. Suas Fables choisies (Fábulas escolhidas), em 12 volumes, apareceram entre 1668 e 1694. A grande contribuição original do fabulista francês foi ter feito da fábula um pequeno teatro: "uma comédia em cem atos" e "uma pintura em que cada um de nós pode encontrar seu retrato", segundo suas próprias palavras.
No século XVIII, La Fontaine encontrou muitos seguidores, como Jean Pierre de Florian, na França, e Tomás de Iriarte, na Espanha. Em Portugal, Bocage escreveu fábulas originais, além de traduzir La Fontaine em versos. Na Inglaterra, a fábula tomou fisionomia de sátira política. Nas Fables, de John Gay, a formiga representa o Lord do Tesouro. The Fable of the Bees (A fábula das abelhas), de Bernard Mandeville, é uma extensa alegoria política, enquanto as coleções Fables for the Female Sex (1744; Fábulas para o sexo feminino) e Fables for Youth (1777; Fábulas para os jovens) descem ao nível da sátira panfletária.
Na Alemanha, Gotthold Ephraim Lessing reagiu contra o que julgava ser uma excessiva literarização dos imitadores de La Fontaine. Em Fabeln (1759; Fábulas), apresenta importante monografia introdutória em que rejeita como perversões do gênero as elaborações literárias adotadas a partir de Fedro. No entanto, o fabulista mais popular na Alemanha foi seu contemporâneo Christian Gellert, que usou a fábula como veículo de motejo. A glória de melhor fabulista do século XIX pertence ao russo Ivan Krilov, que soube adaptar o gênero a seu gênio de poeta original. O homem rústico é seu herói favorito. Krilov usou da fábula como meio de protesto contra a rigidez das coerções do estado.
Em língua portuguesa, a prática do gênero foi esporádica e não há nomes de grandes fabulistas. Depois de Bocage, Garrett publicou um volume de Fábulas e contos (1853), e, no século XX, surgiram as Fábulas (1955) de Cabral do Nascimento. No Brasil, as melhores realizações inspiraram-se no folclore e na literatura oral. Como exemplos, há as Fábulas de Luís de Vasconcelos, as Fábulas e alegorias de Catulo da Paixão Cearense e as Fábulas brasileiras de Antônio Sales. Cabe mencionar também Monteiro Lobato, José Oiticica e o marquês de Maricá.