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Anchieta - Auto de São Lourenço.pdf

Posted by Profº Monteiro on junho 26, 2017
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Biografia de José de Anchieta 

José de Anchieta nasceu em 1534, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, território espanhol. Em 1551 ingressou na Companhia de Jesus e, dois anos depois, chegou ao Brasil. em1554 participou da fundação de São Paulo.

Desenvolveu atividades pedagógicas e catequéticas. Faleceu em 09 de junho de 1957 em Reitiba (hoje Anchieta), no Espírito Santo.

Biografia de São Lourenço

A data de 10 de agosto, no calendário cristão celebra-se a santidade de São Lourenço, morto na fogueira e objeto do nosso estudo. (diácono e mártir [festa])

Nas Atas do martírio de são Lourenço lê-se que o mártir, antes de ser posto sobre a grelha aquecida por carvões ardentes, quis rezar por Roma. A cidade foi-lhe grata por este ato de amor dedicando-lhe nada menos e trinta e quatro igrejas, a primeira delas, segundo o costume no lugar do martírio. Até mesmo os padroeiros da cidade, São Pedro e São Paulo não tiveram tanta honra.

Como explicar, portanto, a incontestável popularidade deste mártir (em Roma até o século passado sua festa era de preceito) sem dar crédito às notícias fornecidas pela Paixão e pelos escritores do século IV?

A sua imagem, aureolada de lenda já nos escritores bem próximos deles (como Prudêncio), nos é familiar no gesto, fixados pelos afrescos do B. Angélico na capela vaticana do papa Nicolau V, de distribuir aos pobres aos pobres as coletas dos cristãos de Roma. Esta era de fato uma das funções de diácono, e Lourenço, feito diácono pelo papa Sisto II, era o arcediago da comunidade dos diáconos romanos. É compreensível por isso que no auge da perseguição de Valeriano, o próprio pontífice, preso e conduzido ao martírio, deu ao díacono o encargo de distribuir tudo o que tinha aos pobres.

Quando o imperador - se lê na Paixão - impôs a Lourenço de entregar-lhes os tesouros dos quais tinha ouvido falar, ele reuniu diante de Valeriano um grupo de indigentes exclamando: "Eis aqui os nossos tesouros, que nunca diminuem e podem ser encontrados em toda parte."

A esta aguda e sábia resposta fazem eco as últimas palavras do mártir, que colocado sobre um braseiro ardente e já vermelho como um tição de fogo, teria encontrado coragem de fazer uma piada: "Vira-me, dizia ao carrasco, que já estou bem assado deste lado." O heróico testemunho de fé prestado pelo mártir foi eficazmente relembrado pelo papa Dâmaso: "chicotes, algozes, as chamas, os tormentos, as correntes, nada puderam contra a fé de Lourenço."

O papa, que admirava as virtudes do mártir glorioso, edificou-lhe a segunda igreja, sob as ruínas do teatro de Pompeu, fazendo para ele a primeira exceção: nenhum mártir antes dele tinha tido igreja fora do lugar do martírio. O diácono Lourenço sofreu o martírio a 10 de agosto de 258 DC.


RESUMO

O auto (espécie de teatro medieval) de Anchieta está dividido em 05 partes a verificar:

a) 1° ATO: a peça inicia-se com o martírio de São Lourenço ( você já conhece a biografia)

b) 2° ATO: os demônios enfrentam os santos ( luta entre o bem e o mal)

c) 3° ATO: Os imperadores romanos que assassinaram São Lourenço são mortos por Aimbirê e Saravaia, que foram subjugados pelo Anjo

d) 4° ATO: o corpo de São Lourenço é levado à tumba

e) 5° ATO: a dança dos meninos-índios (doze), dotados de um discurso ameaçador e religioso que imita uma procissão.


Você observará que um auto medieval é, em verdade, uma peça teatral, a sua diferença verifica-se na temática maniqueísta (o bem e o mal); e a obra em análise tem como figurantes santos e demônios, tanto já fundamenta o anterior dito.

Este auto foi apresentado à um público eclético (índios, padres, espanhóis, e portugueses)_ isto explica a sua estrutura linguística, observe quantos são os idiomas utilizados em seus 1493 versos que perfazem o todo da obra;


_ 867 versos em tupi;

_595 versos em espanhol;

_01 verso em guarani;

_40 versos em português.

Observe a tabela abaixo e veja a simbologia dos personagens:


GUAIXARÁ
é a encarnação indígena do diabo

AIMBIRÊ E SARAVAIA
são os criados do diabo Guaixará

TATAURANA, URUBUE JAGUARUÇU
a própria natureza a serviço do mal

VALERIANO E DÉCIO
são os imperadores romanos responsáveis pelo flagelo de São Lourenço

SÃO SEBASTIÃO E SÃO LOURENÇO
os santos

VELHA, ANJO, TEMOR DE DEUS, AMOR DE DEUS, CATIVOS E ACOMPANHANTES
personagens alegóricos 


Análise do texto - A Santa Inês (José de Anchieta)

Posted by Profº Monteiro on dezembro 16, 2013


A Santa Inês


Cordeirinha linda,(a)
como folga o povo(b)
porque vossa vinda(a)
lhe dá lume novo!(b)
Cordeirinha santa,(c)
de Iesu querida,(a)
vossa santa vinda(a)
o diabo espanta.(c)
Por isso vos canta(c)
com prazer o povo,(b)
porque vossa vinda(a)
lhe dá lume novo.(b)
Nossa culpa escura(d)
fugirá depressa,(e)
pois vossa cabeça(e)
vem com luz tão pura.(d)
Vossa formosura(d)
honra é do povo,(b)
porque vossa vinda(a)
lhe dá lume novo.(b)


.....................................................................
(José de Anchieta)
Vocabulário:
Iesu – versão arcaica, medieval de Jesus.
Folga – se alegra.
Lume – luz ( orientação, guia)

****************
José de Anchieta exalta a figura de Santa Inês(considerada um modelo exemplar, porque se submeteu ao sacrifício em nome da sua crença) e incentiva o povo a praticar a fé religiosa cristã. Trata-se de uma literatura jesuítica, preocupada com a conversão dos índios e a manutenção do catolicismo entre os colonos.
Poema em quadras(quatro versos em cada estrofe), com versos curtos (cinco sílabas- redondilha menor), de cunho bem popular, dão ritmo ligeiro ao texto poético, retomando a métrica das poesias medievais( reminiscências da técnica trovadoresca: repetição de assunto e verso), comprovando a total indiferença do religioso ao Renascimento que naquele momento ocorria na Europa.
Não há um esquema rígido em relação à rima: ela é irregular e muitas vezes apenas toante( repetição de vogais a partir da sílaba tônica), conforme indicação no texto. A linguagem é clara(essencialmente ingênua de conteúdo simples, direto, sem complexidade) favorecendo o envolvimento do ouvinte, com a finalidade de sensibilizá-lo para a mensagem religiosa.. O uso do refrão, grifado no texto, favorece a aproximação com o canto e a dança, permitindo assim uma musicalidade, de fácil execução e memória.
O poema fala do confronto entre o bem e o mal de forma bem convincente: a chegada de Santa Inês espanta o Diabo e, graças a ela, o povo revigora a sua fé. A quarta estrofe está centrada em uma oposição, a partir da antítese ( exposição de ideias opostas) apresentada: culpa escura/ luz tão pura. A luz que ilumina o espírito espantará a culpa escura(o pecado).Essa preferência por enfatizar os extremos pode ser considerada, implicitamente, uma característica pré-barroca.