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Auto da Barca do Inferno Gil Vicente

Posted by Profº Monteiro on maio 25, 2023


O Auto da Barca do Inferno (ou Auto da Moralidade) é uma complexa alegoria dramática de Gil Vicente, representada pela primeira vez em 1531. É a primeira parte da chamada trilogia das Barcas (sendo que a segunda e a terceira são respetivamente o Auto da Barca do Purgatório e o Auto da Barca da Glória).

Os especialistas classificam-na como moralidade, mesmo que muitas vezes se aproxime da farsa. Ela proporciona uma amostra do que era a sociedade lisboeta das décadas iniciais do século XVI, embora alguns dos assuntos que cobre sejam pertinentes na atualidade.

Diz-se "Barca do Inferno", porque quase todos os candidatos às duas barcas em cena – a do Inferno, com o seu Diabo, e a da Glória, com o Anjo – seguem na primeira. De facto, contudo, ela é muito mais o auto do julgamento das almas.
Barca gvicente

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Ideias para trabalhar com textos 10 Sugestões para trabalhar com textos

Posted by Profº Monteiro on abril 09, 2017


1. Texto em tiras
a) Selecione um texto curto e escreva-o em tiras de papel pardo. Cada frase ou parte do texto deverá estar escrito em uma tira.
b) Divida a turma em grupos.
c) Distribua uma ou mais tiras para cada elemento do grupo (de forma desordenada) e peça para que o grupo o reconstrua no chão, de preferência no corredor ou pátio da escola. Essa atividade é sócio-interativa e promove a participação de todos na reorganização do texto. Também é uma forma de tirá-los das cadeiras e mudar o ambiente de aprendizagem.
- Uma outra forma que fiz também, foi assim: Ao invés de ser um texto pronto, cada grupo escreveu seu próprio texto e o recortou em tiras. Foi muito divertido, mas muito mais demorado. Então reserve um tempo maior para a realização dessa atividade.



2. Horóscopo
a) Selecione do jornal os horóscopos de todos os signos. Pode ser um da semana passada, ninguém vai perceber.
b) Pegue o corretivo e, aleatoriamente, dê umas pinceladas nele. Cuide para que haja um apagamento em cada signo.
c) Tire o xerox e dê para cada dupla recompor os textos que foram apagados. Poderá, antes, fazer um aquecimento, perguntando quem acredita em horóscopo, quando costuma lê-lo, se alguma vez já deu certa a previsão feita pelo horoscopista (?? é isso mesmo??).



3. Anedotas
Selecione algumas piadas de salão e, em duas colunas, divida as piadas ao meio: o início da piada na primeira coluna e na outra (de forma desencontrada) o final das piadas. Os alunos deverão ler e combinar os textos humorísticos.
Sugestão: Convide os alunos a formarem duplas e encenarem as piadas para a turma.



4. Tiras em Quadrinhos
a) Recorte algumas tiras de histórias em quadrinhos.
b) Cole-as em uma folha com as partes desencontradas.
c) Os alunos deverão lê-las e reorganizá-las de forma apropriada.



5. Outra com tiras
a) Recorte novas tiras de histórias em quadrinhos e cole em uma folha, porém na ordem certa.
b) Com o corretivo, apague as falas.
c) Peça que os alunos completem da melhor maneira possível de forma que a história tenha coerência. Esse trabalho poderá ser feito em duplas.



6. Ache a foto da notícia
a) Recorte várias notícias com fotos do jornal. Elimine as legendas.
b) Separe as fotos das notícias.
c) Desafie o grupo a encontrar o par (notícia + foto).



7. A Notícia Completa
a) Recorte várias notícias de jornal que tenham as quatro partes fundamentais: título/manchete, lead, corpo, e foto com legenda.
b) Desmembre as notícias, recortando as partes de cada uma.
c) Embaralhe tudinho e peça ao grupo para reorganizá-las novamente.



8. Texto Quebra-cabeças
a) Recorte alguns textos (tantos quantos forem os grupos com os quais você irá trabalhar). Os textos poderão ser coloridos para motivá-los.
b) Faça marcações de forma desorganizada nos textos (tal qual nos quebra-cabeças) e recorte-os.
c) Ofereça-os aos grupos para que os montem novamente. Você poderá ter em mãos algumas perguntas de interpretação para que o grupo responda, dando conta do entendimento da leitura que fizeram. Também poderá ser feita em forma de gincana: o grupo que primeiro responder corretamente a todas as perguntas será o vencedor.



9. Charges
Ler charges de jornal é uma forma divertida de se manter atualizado.
a) Recorte as charges que encontrar pelos jornais.
b) Distribua-as para os grupos e peça para fazerem a leitura do momento, discutindo o acontecimento que está sendo abordado, além de tentar identificar as pessoas que estão sendo focalizadas.
c) Troque com os outros grupos de forma que todos possam fazer as várias leituras.
d) Compare as diferenças que forem surgindo.



10. Lendo figuras
a) Selecione figuras (pode ser de jornal também) que apresentem uma situação passível de se criar um enredo. Explique que uma boa história deve, necessariamente, ter um conflito, senão não é uma história.
b) Peça para que cada um faça a sua leitura do texto extra-verbal silenciosamente.
c) Solicite que, nesse segundo momento, contem para o colega do lado que leitura fizeram e como resolveram o conflito que imaginaram para aquela figura. É importante que cada um fale; não ligue se gerar tumulto na aula, já que isso "faz parte".



Este texto retirei do blog: Educação em foco - Muito bom, mesmo!!
Com certeza irá contribuir em nossa prática em sala de aula, por esse motivo quero compartilhar com os amigos que visitam este blog.

Estudo sobre Canudos ( TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS NO BRASIL)

Posted by Profº Monteiro on março 11, 2017
Canudos não se rendeu. Resistiu até o esgotamento completo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados. Os Sertões

RESUMO

Este estudo tem por objetivo explicar alguns conceitos em relação à guerra de Canudos, acontecida em 1897, com o intuito de acabar com o arraial do Belo Monte, no sertão da Bahia, onde inexistiam diferenças sociais. Canudos foi o maior movimento nordestino de resistência à opressão dos latifundiários, movimento este que refletia a extrema miséria em que viviam as populações marginalizadas do sertão nordestino, que não sabiam a diferença entre monarquia e república. Essas pessoas iam para essa região em busca de uma vida melhor, com menos desigualdade entre as pessoas, entretanto, pagaram com a vida por um sonho de pazPalavras chave: 1- Os Sertões, 2- Guerra de Canudos, 3- Região de Canudos.


INTRODUÇÃO


Este estudo abordará alguns pontos da obra Os Sertões, de Euclides da Cunha. Os Sertões
foi publicado em 1902, é dividido em três partes: A Terra, O Homem e A Luta. Com uma linguagem de difícil entendimento, uma vez que possui muitos termos científicos. Tem por tema os personagens e cenários da insurreição de Canudos, em 1897, no norte da Bahia.


É considerado por muitos como a maior obra da literatura brasileira. Esse livro foi quase todo escrito, em São José do Rio Pardo, foi, no dizer de Euclides da Cunha, “escrito nos raros intervalos de folga de uma carreira fatigante”, quando foi enviado para região de Canudos, cuja função era observar e cobrir as operações militares nessa região.


O livro é resultado dessa viagem e observação, daquela inexplicável e sanguinolenta guerra civil, no fundo dos sertões ignotos da Bahia. O subtítulo já o denunciava: Campanha de Canudos (entre parênteses). Campanha militar narrada com tamanha exaltação na defesa dos diretos das vítimas e na condenação dos responsáveis por aquela tragédia nacional.


TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS NO BRASIL


O Brasil do final do século XIX foi marcado por inúmeras agitações sociais, desde movimentos separatistas como a Confederação do Equador, agitações abolicionistas, a própria abolição e até a República. O maior centro populacional do país, o Rio de Janeiro, também era considerado um grande centro comercial por intermediar os recursos da economia cafeeira, a capital inicia o século XX em uma situação realmente excepcional. A cidade era um espaço de confluência cultural e econômica que se comunicava com todo o país e acumulava recursos no comércio, nas finanças e já também nas aplicações industriais.


Ao mesmo tempo, com o processo de abolição e com a vinda de imigrantes, a cidade passava por uma superlotação, que demandava capital móvel para fazer o pagamento dos trabalhadores, agora livres. O então ministro da Fazenda, Rui Barbosa, dá início a um processo de incentivo às atividades na bolsa de valores, foi o chamado Encilhamento. Este processo causou uma confusão maior ainda na cidade, pois fortunas mudavam de mãos, dizia-se que “o rico de hoje era o tintureiro de ontem”, não se sabia mais quem possuía poder político ou econômico. Adiciona-se a essa confusão, a enorme e sempre crescente população da cidade que passou a se instalar em casarões formando cortiços e verdadeiros “antros de promiscuidade”.


Sob a influência das ideologias européias, o Estado brasileiro inicia o processo de Regeneração do Rio de Janeiro, que tem como objetivo “higienizar” a cidade, mandando a população pobre para a periferia (dando origem às favelas), e procurando construir uma imagem moderna para a capital do país. A Regeneração foi financiada por investidores estrangeiros que se aproveitavam da indirec rule, característica dominante no país. Além disso, a modernização da cidade facilitaria o espaço de fluxo de matéria-prima aos portos brasileiros, e assim, facilitaria a ação do imperialismo.


Na República, “confrontavam-se” Liberais, que se representavam basicamente pela elite paulista influenciada pelo cosmopolitismo progressista internacional e os Conservadores representados pela vanguarda republicana, positivista e militar, influenciada por estigmas de intolerância e isolamento. Na prática, os ideais destes dois grupos são indiferenciáveis: “nada mais conservador do que um liberal no poder”, a República dos Conselheiros se dava então, com o revezamento da gestão das duas classes.


Fortalecendo o movimento republicano, mesmo porque D. Pedro II havia boa parte de seu apoio político; somando-se a isso, a questão militar e a questão religiosa, foram fatos determinantes para a proclamada a República, assim em 15 de novembro de 1889 é proclamada a República, ou melhor, dizendo termina o regime monárquico.


A República não alterou a vida brasileira, pois, mais uma vez, caracterizou-se como um movimento das elites sem qualquer tipo de participação popular. Nas altas esferas políticas, o comando, contrariamente ao que ocorreu nas camadas populares, sofreu consideráveis alterações, pois o poder a partir de então ficaria distante das vestantes moderadoras de 1824.


Apartir de 1891 é proclamada uma nova constituição as notícias da nova República causou muitas revoltas entre os portugueses do Brasil que não queriam cortar os laços entre os dois países.


O primeiro presidente da República foi Marechal Deodoro da Fonseca. Esse período em que o poder foi assumido por militares, ficou conhecido como República da Espada.


Posteriormente aos militares os cíveis teriam total hegemonia sobre o poder (a exceção de Hermerda Fonseca em 1910 estabeleceu uma República baseada no poder das oligarquias). Governo de peneios que desviou até 1930, esse período ficou conhecido como República Velha.


Como a República era mais um sistema para as elites, a camada pobre estava vivendo em completa miséria. Então, as pessoas começaram a fugir para uma região chamada Canudos em busca de apoio, comida, enfim, procuram um modo para viver.


EUCLIDES DA CUNHA


Ensaísta e narrador extraordinário de Os Sertões, Euclides da Cunha é o primeiro escritor a encarar o gigantismo da terra brasileira, fazendo de sua obra um dos principais alicerces da consciência nacional.


Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha nasceu em Cantagalo, Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1866. Viveu a infância e a adolescência em fazendas e cidades fluminenses, junto aos tios que o criaram a partir dos três anos, quando perdeu a mãe. Em 1885 entrou para a Escola Militar. Por atos de indisciplina, entre os quais ante a revista do ministro da Guerra atirar ao chão o sobre que deveria apresentar-lhe, em 1888 foi desligado do Exército. Passou a assinar colaboração para A Província de São Paulo, combatendo o governo e pregando a República. Reingressou na Escola Politécnica e, proclamada a República, foi readmitido no Exército e promovido.


Na Escola superior de guerra, fez os cursos de artilharia, engenharia militar, estado-maior e bacharelou-se em matemática, ciências físicas e naturais. Designado professor coadjuvante da Escola Militar, passou a escrever artigos sobre problemas políticos e sociais.


Em 1895 deixou o Exército e dedicou-se à engenharia civil. Em 1897, depois de publicar em O Estado de S. Paulo dois textos sobre a campanha de Canudos, foi convidado pelo jornal a ir à Bahia, onde presenciou os últimos momentos do conflito, matéria-prima de Os Sertões (1902).


Eleito em 1903 para a Academia Brasileira de Letras e para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no ano seguinte partiu para a Amazônia como chefe da comissão de reconhecimento do Alto Purus: a experiência durou até 1905, inspirando-lhe o projeto de nova obra: Um paraíso perdido, que jamais escreveria.


Apreciação. Síntese de temperamento romântico e informação científica. Euclides da Cunha, principalmente em sua obra principal, Os Sertões, é um ensaísta e narrador de impetuosa originalidade. Encerra, em seu talento, a primeira transposição autêntica de um Brasil maior ainda não descoberto, geográfica e socialmente marginalizado pela civilização litorânea. Embora sua obra seja das mais elogiadas da literatura brasileira, continua, sob muitos aspectos, um desafio. Se de um lado se comunica pela paixão desabrigada, que tem raízes cravadas no fundo do romantismo, de outro, na consciência e nos meios, se orienta por um realismo didático e de caráter cientificista.


O resultado de uma linguagem singular, de vigorosa força dramática e ritmo febril, em que se confundem a fúria primitiva e o apuro civilizado. O leitor é arrebatado por uma irresistível vocação para o épico e depara com um heroísmo telúrico em que desponta pela primeira vez, sem concessão ao exótico ou ao pitoresco, e na própria substância da linguagem, a verdadeira paisagem e o verdadeiro homem brasileiro.


Com a formação marcada pelo positivismo, pela transição do Império para a República, pelos valores da classe média emergente e de olhos postos na Europa culta, Euclides da Cunha frequentemente assimilou como científico o que era ideológico. Mas nem o determinismo geográfico, nem o etnocentrismo de base colonialista o impediram de uma idealização em sentido contrário, que faz do sertanejo um herói “homérico”, um “titã”, um forte.


Torturado, filtrando em retórica explosiva a imagem crua da terra tropical, triunfa por sua energia criadora e apesar dos instrumentos conceituais ou metodológicos de seu tempo. De tal modo que, em determinada cenas e comparações, no que projeta de seu temperamento sobre o texto, como deformação expressiva, tem algo de expressionista avant la lettre.


Desbravador, consciência rebelde em conflito e busca de exatidão, entre ciência e arte, entre pesquisa e denúncia, Euclides da Cunha trouxe para o primeiro plano, para o centro de sua obra, o homem do interior do Brasil, “ensinando-nos – na expressão de Guimarães Rosa – o vaqueiro, sua estampa intensa, sua humanidade, sua história rude”. Por isso, se consagra como alicerce da consciência nacional, porta-voz de um otimismo crítico e sem veleidades ufanistas.


OBRAS


Os Sertões tem por tema os personagens e cenários da insurreição de Canudos em 1897, no nordeste da Bahia. Divide-se em três partes – A Terra, O Homem, A Luta –, ao longo das quais o autor analisa as características geológicas e hidrográficas da região, sua flora, sua fauna e a gente sofrida que faz a história daqueles dias: gente convulsionada pela esperança messiânica e pelo desespero social, capaz de resistir até os últimos frangalhos humanos.


Entre outras obras, Contrastes e Confrontos (1907), foi publicada em Portugal, abordando problemas político-sociais de âmbito nacional e internacional. A capacidade de síntese, a sinceridade e o vigor do estilo garantem-lhe a permanência, como a de Peru Versus Bolívia, do mesmo ano, em torno de um litígio entre os dois países. À margem da história (1909) tem um interesse adicional; os primeiros capítulos, quase metade do livro, constituiriam matéria esparsa da obra sobre a Amazônia. O ideário estético de Euclides aparece com clareza na conferência Castro Alves e seu tempo (1907), em seus prefácios (para Inferno Verde de Alberto Rangel e Poemas e canções de Vicente de Carvalho) e relatórios.


Ao voltar para o Rio de Janeiro, Euclides da Cunha trabalhou no Itamarati ao lado do barão do Rio Branco e em 1909 prestou concurso para a cadeira de lógica do Colégio Pedro II. Menos de um mês depois da nomeação, foi vítima de uma competição funesta e para qual nada lhe adiantava o gênio criador: surpreendido pelo adultério da mulher, procurou o amante (que era oficial do Exército, e atirador) e tentou sem êxito alveja-lo, sendo morto com um tiro que lhe foi disparado pelas costas, atravessando-lhe um pulmão, no Rio de Janeiro, em 15 de agosto de 1909 (seu filho, anos mais tarde, ao tentar a vingança, teve a mesma sorte).


CANUDOS : SOLO, FLORA, FAUNA E CLIMA


Todas traçam, afinal, elítica curva fechada ao sul por um morro, o da Favela, em torno de larga planura ondeante onde erigia o arraial de Canudos.


Galgava o topo da Favela. Ali estavam os mesmos acidentes e o mesmo chão, embaixo, fundamentalmente revolto, sob o indumento áspero dos pedregais e caatingas estonadas... Mas a reunião de tantos traços incorretos e duros – arregoados divagantes de algares, sulcos de despenhadeiros, socovas de bocainas, criava-lhe perspectiva inteiramente nova. E quase compreendia que os matutos crendeiros, de imaginativa ingênua, acreditassem que “ali era o céu...”


O arraial, adiante e embaixo, erigia-se no mesmo solo pertubado. Mas vistos daquele ponto, de perneio a distância suavizando-lhes as encostas e aplainando-os todos os serrotes breves e inúmeros, projetando-se em plano inferior e estendendo-se, uniformes, pelos quadrantes-, davam-lhe a ilusão de uma planície ondulante e grande.


Em roda uma elipse majestosa de montanhas...


Presa em uma dessas voltas via-se uma depressão maior, circundada de colinas... E atulhando-a, enchendo-a toda de confusos tetos incontáveis, um acervo enorme de casebres...


Os climas que divergem segundo as menores disposições topográficas, criando aspectos díspares entre lugares limítrofes.


Vai-se para o norte, salteiam-no transições fortíssimas: a temperatura; carrega o azul dos céus; embaciam-se os ares; e as ventanias rolam desorientadamente de todos os quadrantes.


Ao mesmo tempo espalha-se o regime excessivo: o termômetro oscila em graus disparatados passando, já em outubro, dos dias com 35 graus à sombra para as madrugadas.


Fere-a o sol e ela absorve os raios, e multiplica-os e reflete-os, e refrata-os, num reverberar ofuscante.


O dia, incomparável no fulgor, fulmina a natureza silenciosa em cujo seio se abate, imóvel, na quietude de um longo espasmo, a galhada sem folhas da flora sucumbida.


Desce a noite, e todo este calor se perde no espaço numa irradiação intensíssima, caindo à temperatura de súbito, numa queda única, assombrosa...


São dias esbraseados e noites frigidíssimas.


Copiando o mesmo singular desequilíbrio das forças que trabalham a terra, os ventos ali chegam, em geral, turbilhonando revoltos, em rebojos lagos. E, nos meses em que acentua, o nordeste grava em tudo sinais que lhe recordam o rumo.


Estas agitações dos ares desaparecem, entretanto, por longos meses, reinando calmarias pesadas – ares imóveis sob a placidez luminosa dos dias causticante. Imperceptíveis exercem-se, então, as correntes ascensionais dos vapores aquecidos sugando à terra a umidade exígua; e quando se prolongam, esboçando o prelúdio entristecedor da seca, a secura da atmosfera atinge a graus anormalíssimos.


Se ao assalto subtâneo se sucedem as chuvas regulares, transmudam-se os sertões revivescendo. Passam, porém, não raro, num giro célere, de ciclone. A drenagem rápida do terreno e a evaporação, que se estabelece logo mais viva, tornam-nos, outra vez, desolados e áridos. E penetrando-lhe a atmosfera ardente, os ventos duplicam a capacidade higrométrica e vão, dia a dia, absorvendo a umidade exígua da terra – reabrindo o ciclo inflexível das secas...


Então, a travessia das veredas sertanejas é mais exaustiva que a de um estepe nua.


Ao passo que a caatinga o afoga, repulsa-o com as folhas urticantes, com o espinho, com os gravetos estalados em lanças; árvores sem folhas, de galhos estorcidos e secos revoltos, entrecruzados, apontando rijamente no espaço ou estirando-se flexuosos pelo solo, lembrando um bocejar imenso, de torturas, da flora agonizante...


As suas árvores, vistas em conjunto, semelham uma só família de poucos gêneros, quase reduzida a uma espécie invariável, divergindo apenas no tamanho.


As leguminosas, altaneiras noutros lugares, ali se tornam anãs. Atrofiam as raízes mestras batendo contra o subsolo. São os cajueiros anões, macambira, os caroás, os gravatás.


As nopaleas e cactos, nativas em toda a parte, entram na categoria das fontes vegetativas. Tipos clássicos da flora desértica.


As favelas têm nas folhas de célula alongadas em vilosidades, notáveis aprestos de condensação e defesa.


São deste número todas as plantas leguminosas e as catingueiras.


Os juazeiros, que raro perdem as folhas de um verde intenso.


Caracterizam a flora caprichosa na plenitude do estio.


Os mandacarus atingindo notável altura, raro aparecendo em grupos, assomando isolados acima da vegetação caótica, os xiquexiques, fracionam-se em ramos fervilhantes de espinhos, recursos e rasteiros, recamados de flores alvíssimas, os cabeças-de-frade, deselegantes e monstruosos melocactos de forma elipsoidal, e os quipás que se arrastam pelo solo, a Catanduva, mato doente, da etimologia indígena, dolorosamente caída sobre o seu terrível leito de espinhos.


Mas, em março reboam ruidosamente as trovoadas fortes, e sobre o solo, ressurge triunfalmente a flora tropical: os mulungus, as caraíbas e baraúnas, os marezeiros, os icozeiros, as moitas floridas do alecrim – dos tabuleiros, de caules finos e flexíveis.


O umbuzeiro é a árvore sagrada do sertão. Representa o mais frizante exemplo de adaptação da flora sertaneja.


Essa planta alimenta, mitiga a sede. E ao chegarem os tempos felizes dá-lhe os frutos de sabor esquisito para o preparo da umbuzada tradicional, seu fruto é o juá.


E o sertão é um paraíso...


Ressurge ao mesmo tempo a fauna resistente das caatingas: disparam pelas baixadas úmidas os caititus esquivos; passam em varas, pelas tigueiras, queixadas, sericóias o tapir.


As pombas bravas que remigram, e rolam as turbas turbulentas das maritacas estridentes... Segue o sertanejo tangendo a boiada farta e entoando a caatinga predileta.


Passam-se um, dois, seis meses venturoso, derivados da exuberância da terra, até que surdamente, pouco e pouco, caiam, as folha e as flores, e a seca se desenha outra vez nas ramagens mortas das árvores decíduas... e assim volta a seca novamente.


SERTANEJO


O sertanejo é, antes de tudo, um forte.


A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.


É desgracioso, desengonçado, torto, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos.


O gaúcho filho dos plainos sem fins, afeito às correrias fáceis nos pampas e adaptado a uma natureza carinhosa que o encanta tem certa feição mais cavalheirosa e atraente. A luta pela vida não lhe assume o caráter selvagem da dos sertões do norte. Não conhece os horrores da seca e os combates cruentos com a terra árida. Não tem, no meio das horas de felicidade, a preocupação do futuro, que é sempre um ameaça, tomando aquela instável e fugitiva.


As suas vestes são um traje de festa ante a vestimenta rústica do vaqueiro. As amplas bombachas, adrede talhadas para a movimentação fácil sobre os baguais. O poncho vistoso jamais fica perdido, embaraçado nos esgalhos das arvores garranchentas. E, rompendo pelas coxilhas, arrebatadamente na marcha do redomão desensofrido, calçando as largas botas russilhonas, em que retinem as rosetas das esporas de prata; lenço de seda, encarnado, ao pescoço; coberto pelo sombreiro de enormes abas flexíveis, e tendo à cinta, rebrilhando, presas pela guaiaca, a pistola e a faca é um vitorioso jovial e forte. O cavalo, sócio inseparável desta existência algo romanesca, é quase objeto de luxo. O gaúcho andrajoso sobre um pingo bem aparado está decente, está corretíssimo. Pode atravessar sem vexames os vilarejos em festa.
 Já o vaqueiro, porém, criou-se em condições opostas - tendo sobre a cabeça, como ameaça o sol.
 Atravessou a mocidade numa intercadência de catástrofes. Fez-se homem, quase sem ter sido criança.
 O seu aspecto recorda, vagamente, à primeira vista, o de guerreiros antigo exausto da refrega. As vestes são uma armadura. Envolto no gibão de couro curtido, de bode ou de vaqueta; apertado no colete também de couro; calçando as perneiras, de couro curtido ainda, muitas justas, cosidas às pernas e subindo até as virilhas, articuladas em joeiras de sola; e resguarda os pés de pele de veado - é como forma grosseira de um campeador medieval desgarrado em nosso tempo.


A sela da montaria é feita por ele mesmo. São acessórios: uma manta de pele de bode, um couro resistente, cobrindo as ancas do animal, peitorais que lhe resguardam o peito, e as joelheiras apresilhadas às juntas. Um colete vistoso de pele de gato do mato ou sucurana, com pêlo mosqueado virado para fora, ou uma bromília rubra e álacre fincada no chapéu de couro. – e cai na postura habitual, tosco, deselegante e anguloso, em um estranho manifestar de desnervamento e cansaço extraordinários.
 Quanto à religião está na fase religiosa de um monoteísmo incompreendido, repleto de misticismo extravagante, em que se rebate o fetichismo do índio e do africano.
É o homem primitivo, audacioso e forte, mas ao mesmo tempo crédulo, deixando-se facilmente arrebatar pelas supertições mais absurdas.
A sua religião é como ele – mestiça.

É um índice da vida de três povos. E as suas crenças singulares traduzem essa aproximação violenta de tendências distintas.

Muitas coisas são absurdas na devoção desse povo, mas há um que chamou atenção, quando fala das mães erguendo os filhos pequeninos e lutavam, procurando – lhes a primazia no sacrifício... O sangue espaçava sobre a rocha jorrando, acumulando-se em torno; afirmavam os jornais do tempo, isso era o fanatismo. Já para com a fé os sertanejos fizeram um templo prodigioso, monumento erguido pela natureza e pela fé, mais alto que as catedrais da terra.

Enfim, todas as profecias esdrúxulas de messias insanos; e as romarias piedosas; e as missões; e as penitências... Todas as manifestações complexas de religiosidades indefinidas são explicáveis.


DUAS SOCIEDADES DISTINTAS NORTE – SUL


Os sertões do norte refletem novos regimes, novas exigências biológicas. A raça inferior, o selvagem bronco, dominava-o; aliado ao meio vence-o, esmaga-o, anula-o na concorrência formidável.
Isto não aconteceu em grande parte do Brasil central e em todos os lugares do sul. E volvendo ao sul, no território que do norte de Minas Gerais para o sudeste progride até o Rio Grande, deparam0-se condições incomparavelmente superiores:

Uma temperatura anual média de 17 a 20 graus, num jogo mais harmonioso de estações; um regime mais fixa das chuvas que, preponderantes no verão, se distribuem no outono e na primavera de modo favorável às culturas. Atingindo o inverno, a impressão de um clima europeu é precisa.


São duas histórias distintas, em que se haveriam movimentos e tendências opostas. Duas sociedades em formação, alheadas por destinos rivais.


Ao passo que no sul se debuxavam novas tendências, uma subdivisão, maior na atividade, maior vigor no povo, mais heterogênio, vivaz, prático, aventureiro, largo movimento progressista; tudo isto contrastava com as agitações, às vezes mais brilhantes, mas menos fecunda, do norte.


Assim é fácil mostrar como esta distinção de ordem física esclarece as anomalias e contrastes entre os sucessos nos dois pontos do país; sobretudo no período agudo da crise colonial, no século XIII.


Enquanto o domínio holandês, centralizando-se em Pernambuco, na plenitude do século XVII o contraste se acentua.


Os homens do sul irradiam pelo país inteiro. Até aos últimos quartéis do século XVIII, o povoamento segue as trilhas embaralhadas das Bandeiras.


A formação brasileira do norte é muito diversa da do sul. As circunstâncias históricas, em grande parte oriunda das circunstâncias físicas, originaram diferenças inicias no elance das raças, prolongando-as até nosso tempo.


Quando as correrias do bárbaro à Bahia , Pernambuco, ou Paraíba, e os quilombos se escalavam pelas matas, nos últimos refúgios do africano revolto – o sulista, dê-lo a grosseria odisséia de Palmares, surgia como debelador clássico desses perigos, o empreiteiro predileto das grandes hecatombes.


O sul foi povoado pelos Bandeirantes; a região média, pelos vaqueiros, e no norte seco, pelas missões jesuíticas.


A MESTIÇAGEM NO BRASIL


“NÃO TEMOS UNIDADE DE RAÇA”


O Brasil era a terra do exílio; vasto presídio que se amedrontavam os heréticos e os relapsos da sombria justiça daqueles tempos. Deste modo nos primeiros tempos o número reduzido de povoadores contrasta com a vastidão da terra e a grandeza da população indígena.


Historicamente, os cruzamentos entre portugueses e negros se realizavam no litoral, porque o negro vinha para o trabalho escravo nos canaviais da costa brasileira. Entre portugueses e índios, realizaram - se no sertão, pois os gentios se refugiavam no agreste do interior, avessos ao trabalho por razões culturais.


O homem do sertão parece feito por um molde único, revelando quase os mesmos caracteres físicos, a mesma tez, variando brevemente do mameluco bronzeado ao cafuz trigueiro; cabelo corredio e duro ou levemente ondeado; a mesma envergadura atlética, os mesmos vícios, e as mesmas virtudes.


A uniformidade do norte é, inegavelmente, o tipo de uma subcategoria étnica já constituída.


A mistura de raças muito diversas é, na maioria dos casos, prejudicial. Ante as conclusões do evolucionismo, ainda quando reaja sobre o produto o influxo de uma raça superior. De sorte que o mestiço – traço de união entre as raças – é, quase sempre, um desequilibrado. Não há terapêutica para este embater de tendências antagônicas, de raças repentinamente aproximadas, fundidas num organismo isolado.


Para Euclides da Cunha, a mistura de raças diferentes é prejudicial, pois os sertanejos formavam uma raça forte.


O isolamento do povo fortalece a espécie, mas é fator determinante da estagnação, provocando o atraso, o conservadorismo, a igualdade de pensar... O isolamento torna-se retrógrado, mas não degenerado.


Euclides da cunha se baseava na teoria racial do final do século XIX, que afirmava ser a raça branca sinônimo de progresso, condenando a miscigenação.






ANTÔNIO CONSELHEIRO


Antônio Vicente Mendes Maciel, o conselheiro, nasceu em Quixeramobim, no Ceará. Trabalhou com o pai comerciante, que morreu ao se desentender com os Araújos, seus inimigos. Depois dos casamentos das irmãs, ele se casou logo, e desiludiu com a traição da companheira. Envergonhado, mudou-se, sem fixar; Sobral, Campo Grande, trabalhando como caixeiro e escrivão de juiz. Em Ipu , fugiu-lhe a mulher, acompanhando um soldado. Em Paus Brancos, alucinado, feriu um seu parente que o hospedara...


Reapareceu dez anos depois, nos sertões de Pernambuco e em Itabaiana, em 1874, impressionando os sertanejos: alto e magro, barba e cabelos desgrenhados e longos, túnica de brim americano azul, com uma corda na cintura, sandálias, alforje e chapéu de couro, ele pregava nos povoados uma doutrina confusa, que se misturava às rezas de dois catecismos que carregava “Missão Abreviada” e Horas Marianas”. Pregava o fim do mundo, a preparação para a morte, a penitência... A multidão o seguia, sem que ele a convocasse. Fazia prédicas e profecias, casamentos e batizados, reconstruía igrejas, muros de cemitérios... O clero o tolerava e procurava, deixando-o pregar, até mesmo contra a República, que interveio em ares regidas pela tradição e reservados à religião. Como aumentasse seu ataque, a igreja tentou interrompe-lo.


Em Bom Conselho, reuniu o povo num dia de feira e queimou as tábuas dos impostos, discordando das leis republicanas do governo de Satanás. O acontecimento repercutiu e a polícia reagiu. Perseguido, o conselheiro tomou a estrada de Monte Santo, defrontando-se com a tropa em Macete. Os 30 praças armados atacaram. Os jagunços os desbarataram.


O conselheiro – conhecedor do sertão – e seus seguidores tomaram o rumo do norte. Chegaram a Canudos, em 1893, uma fazenda abandonada às margens do rio Vaza-Barris. “Era o lugar sagrado, cingido de montanhas, onde não penetraria a ação do governo maldito”.


Antônio Conselheiro pregava contra a República, contra o governo do Anti-cristo e da lei do cão. “Mas não traduzia o mais pálido intento político”. Os jagunços, “rudes patrícios mais estrangeiros nesta terra do que os imigrantes da Europa”, não conseguiram diferenciar a República da Monarquia.


A GUERRA DE CANUDOS


Canudos era uma região no sertão baiano, que era uma área fustigada pelas secas e dominada pelo latifúndio, o que gerava em grau de miséria.


Aconteceu durante o governo de Prudente de Moraes (1892-1898), nessa época o Brasil tornou-se cenário de manifestações coletivas de um catolicismo ristico, não somente no nordeste, mas em especial no sertão nordestino.


Começaram a surgir os Beatos, entre eles destacou-se Antônio Conselheiro (Antônio Vicente Maciel), o mais conhecido Beato começou a trazer para seu redor inúmeros sertanejos movidos por sua fé. Estabeleceram a comunidade de Belo Monte, na qual o igualitarismo vinha em primeiro plano.


Os fazendeiros locais vinham como uma ameaça aos seus interesses, pois a pregação dos Beatos tinha um forte sentimento anti-republicano, o que colocava em questão o poder governamental, além disso, Canudos causava a fuga dos trabalhadores do comércio e das fazendas para o povoado.


Cada vez mais, o conselheiro era ouvido pelos sertanejos porque consolidava seu papel de líder e formava a cada dia, um séquito de “conselheirista”, dando-lhes a esperanças e ajuda na luta contra a guerra de uma organização social profundamente injusta.


“O arraial crescia vertiginosamente, coalhando as colinas”, sem ordem, sem ruas: um verdadeiro labirinto, com casa de pau-a-pique, habitadas por uma população multiforme, de sertanejos simples, beatas, ricos proprietários que abandonavam tudo em busca de salvação e por bandidos ali protegidos, que respeitavam as regras: rezar e fazer sacrifícios para alcançar a vida eterna. A igreja, uma fortaleza, a mais importante obra do conselheiro, estava diante da praça.Canudos era um labirinto de casas, ruas, e becos, onde cada sombra escondia um inimigo.


Sucessivas expedições militares tentaram sufocar os habitantes de Canudos, porém, a resistência dos sertanejos se fez de forma brilhante, quebrando ainda mais a moral do governo, pressionado pela opinião pública, que teria eminente revolta contra o regime.


O estopim da guerra de Canudos foi um episódio sem importância que faria explodir uma verdadeira tragédia.


Com a proximidade do término da construção da nova igreja de Belo Monte, Antônio Conselheiro solicitou, como de hábito ao coronel João Evangelista Pereira e Melo, a compra de madeira em Juazeiro, para a cobertura do templo.


Era julho de 1896, a madeira não foi entregue, o conselheiro enviou um grupo dos seus seguidores para apanhar a referida madeira, com isso o juiz de direito Arlindo Leoni, antigo desafeto do peregrino, mandou telegramas ao governador da Bahia Luiz Viana, avisando de uma possível invasão dos adeptos do conselheiro, e pedindo providências. Foi assim que surgiu a primeira expedição contra Canudos.


Canudos estava com mais de cinco mil casas, nas quais moravam cerca de 30000 pessoas. Após sucessivas batalhas, os sertanejos de Canudos foram subjugados por tropas governamentais em 05 de outubro de 1897, pondo fim a um dos movimentos de massa mais marcante da historiografia brasileira.


UM OLHAR SOBRE CANUDOS


No primeiro momento, antes que um olhar pudesse acomodar-se àquele montão de casebres, presos em rede inextricável de becos estreitíssimos e dizendo em que parte a grande praça onde se fronteavam as igrejas, o observador tinha a impressão exata de topar, inesperadamente, uma cidade vasta. Feito grande fosso escavado, à esquerda, no sopé das colinas mais altas, o Vaza-Barris abarcava-a e inflectia depois, endireitando em cheio para leste, rolando lentamente as primeiras águas da enchente. A casaria compacta em roda da praça a pouco e pouco se ampliava, distendendo-se, avassalando os cerros para leste e para o norte até às últimas vivendas isoladas, distantes, como guaritas dispersas – sem que uma parede branca ou telhado encaliçado quebrasse a monotonia daquele conjunto assombroso de cinco mil casebres impactos numa ruga de terra. As duas igrejas destacavam-se, nítidas.


A nova, à esquerda do observador – ainda incompleta, tendo aprumadas as espessas e altas paredes mestras, envolta de andaimes e bailéus, mascarada ainda de madeiramento confuso de traves, vigas e baldrames, de onde se alteavam ar pernas rígidas das cábreas com os moitões oscilantes – erguida dominadoramente sobre as demais construções, assorbebando a planície extensa; e ampla, retangular , firmemente assente sobre o solo, patenteando nos largos muros grandes blocos dispostos numa amarração perfeita – tinha,com efeito, a feição completa de um baluarte formidável. Mais humilde, construída pelo molde comum das capelas sertanejas, enfrentava-a a igreja velha. E mais para a direita, dentro de uma cerca tosca, salpintado de cruzes pequenas e malfeitas – sem um canteiro, sem arbusto, sem uma flor – parecia um cemitério de sepulturas rasas, uma tibicuera triste. Defrontando-as, do outro lado do rio, breve área complanada contrastava com o ondear das colinas estéreis: algumas árvores esparsas, pequenos renques de palmatórias rutilantes e as ramagens virentes de seis pés de quixabeiras davam –lhe o aspecto de um jardim agreste. Aí caía a encosta de um esporão do morro da Favela, avantajando-se até ao rio, onde acabava em corte abrupto. Estes últimos rebentos da serrania tinham a denominação apropriada de Pelados, pelo desnudo das faldas. Acompanhando o espigão na ladeira, que para eles descamba em boléus, via-se, a meio caminho, uma casa em ruínas, a Fazenda Velha. Sobranceava-a um socalco forte, o Alto do Mário.


“CANUDOS ERA A NOSSA VENDEIA”


O significado dessa expressão, que as medidas planeadas pelo general Sólon


Denotavam, portanto, exata previsão de sucessos semelhantes, na luta excepcionalíssima para a qual nenhum autor suíço de um tratado de tática militar delineara regras, porque invertia até os preceitos vulgares da arte militar.


Malgrado os defeitos do confronto, Canudos era a nossa Vendeia (França) e os terrenos alagados emparelhavam-se bem como o jagunço e as caatingas. O mesmo misticismo, gênese da mesma aspiração política; as mesmas ousadias servidas pelas mesmas astúcias, e a mesma natureza adversa, permitiam que se lembrasse aquele lendário recanto da Bretanha, onde uma revolta, depois de fazer recuar exércitos destinados a um passeio militar por toda a Europa, só cedeu ante as divisões volantes de um general sem fama, as colunas infernais do general Turreau – pouco numerosas , mas céleres, imitando a própria fugacidade dos vendeanos, até encurralá-los num circuito de 16 campos entrincheirados.


Não se olhou, porém, para o ensinamento histórico.


É que se preestabelecera a vitória inevitável sobre a rebeldia sertaneja insignificante.


Isso quer dizer que essa luta travada em Canudos, a sua preparação por parte dos generais, era baseada em um conflito que houve na França, e por ter dado certo o general Sólon esperava aqui no Brasil resultado semelhante, ou seja, vitória semelhante.


A CAMPANHA CONTRA CANUDOS “UM CRIME”


Um crime, pois as pessoas que lá se refugiavam queriam apenas uma vida melhor, salvação, ajuda espiritual, isso eles não possuíam fora de lá.


O Brasil estava passando por um momento econômico muito difícil, como já foi salientado.


De um lado estava a camada que possuíam dinheiro, e do outro a camada marginalizada, e com isso surgiu no Brasil diversos conflitos, o qual está Canudos.


Foi uma covardia contra Canudos o que aconteceu, até o pretexto para invadir Canudos foi absurdo, porque o juiz de juazeiro armou uma situação quando recusou-se em entregar a madeira encomendada para a construção da igreja de Canudos . O conselheiro queria apenas a madeira, e o juiz aproveitou-se dessa situação e mandou uma carta para o governado, dizendo de uma invasão dos habitantes de Canudos. Esse foi o estopim da guerra de Canudos.




Fato lamentável, pessoas inocentes pagaram com a vida, pessoas que já sofriam com a fome, seca, enfim com tanta desigualdade social. Um acontecimento bárbaro, um crime contra a nacionalidade.


ASA BRANCA


Quando oiei a terra ardendo
quá fogueira de São João
eu perguntei a Deus do Céu
purquê tamanha judiação




Qui braseiro, qui fornaia
nem um pé de prantação
pru farta dágua perdi meu gado
morreu de sede meu alazão




Inté mesmo o asa branca
bateu asas do sertão
entonce eu disse, adeus Rosinha
guarda contigo meu coração




Hoje longe muitas léguas
numa triste solidão
espero a chuva cair de novo
pra mim volta pro meu sertão




Quando verde dos teus óio
se espaiá na prantação
eu te asseguro, num chore não, viu?
que eu voltarei, viu, meu coração.


ANÁLISE DA LETRA DA MÚSICA ASA BRANCA


A música Asa Branca mostra categoricamente a situação do povo do sertão. Fala da falta de chuvas, consequentemente, não tem como plantar, criar gado, e até mesmo o pássaro típico do sertão foi-se embora. Mostra a situação do homem que tem que deixar a família em busca de trabalho, uma vez que não tem como plantar, criar animais no sertão, então ele parte em busca de uma situação melhor.


Além disso, a música mostra o homem bem distante do sertão, triste, com saudades de sua terra natal, da mulher que deixou para trás. Mas apesar de todo o sofrimento de estar distante, ele espera a chuva cair de novo, o sertão ficar verde para voltar. E esse homem assegura que quando isso acontecer, a mulher não necessita chorar mais, porque ele voltará com certeza.
Essa música é muito interessante, aborda bem a realidade do povo do sertão, que sofre com a seca, muitos tem que partir em busca de sobrevivência, e quando as coisas melhoram, eles voltam novamente, pois acima de tudo amam sua terra.
Uma palavra importante na música é a pergunta que se faz a Deus: o porquê de tanto sofrimento com aquele povo?
A linguagem da música é de acordo com aquela região, ou seja, é uma variante regional. Um fala caipira.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Em primeiro lugar quero dizer que esse trabalho trouxe-me muito conhecimento, é uma obra de difícil leitura, por trazer muitos termos científicos, mas é um livro escrito com muita originalidade, muito rico.
Foi muito importante fazer este trabalho, pois aprendi muito sobre a guerra de Canudos, fatos que desconhecia e é muito importante conhecer a história do nosso Brasil.
Na minha visão de leitora da obra Os Sertões, pude observar que a guerra foi um acontecimento trágico; e o estopim um acontecimento banal.
A obra Os Sertões, de Euclides da Cunha (1902), vem relatar esse fato, com o intuito de denunciar um crime contra nossa nacionalidade.
Canudos era habitado por todos os tipos de pessoas, mas a grande maioria era mulato ou caboclo, Antônio conselheiro era o chefe supremo.
Essas pessoas viviam de forma comunitária. Este modelo sócio econômico era uma atração constante para milhares de sertanejos esfomeados que viam no arraial a possibilidade de viverem livres de extrema opressão da corte e viam no líder espiritual de Antônio Conselheiro a salvação da alma.
Para os sertanejos o arraial era a “terra prometida”. Para os poderes latifundiários era um reduto de fanáticos assassinos que precisavam ser destruídos para o bem das pessoas consideradas de bem.
A igreja oficial perdia os seus adeptos e os coronéis sua mão-de-obra praticamente gratuita. Isso eles não podiam perdoar. E o governo para atender os interesses desses grupos resolveu exterminar Canudos, e esta tragédia aconteceu entre 1896 a 1897.
Euclides da Cunha vem retratar esse acontecimento, na obra Os Sertões.












O LIVRO DOS SEGUNDOS SOCORROS Autor: Doutores da Alegria

Posted by Profº Monteiro on março 09, 2017

Nome: O Livro dos Segundos Socorros


Sinopse: Completando dez anos de atividades em setembro, os Doutores da Alegria, grupo de atores profissionais pioneiros especializado em levar alegria para crianças internadas em hospitais de São Paulo e Rio de Janeiro, já visitou mais de 200 mil crianças hospitalizadas.

"Ficar doente não é nada engraçado e, mesmo nessa condição, crianças não deixam de ser crianças", explica Wellington Nogueira. "Todas elas continuam querendo brincar, levando uma vida normal. Isso é o que nós aprendemos ao longo de dez anos de trabalho junto desses professores-mirins e é o que queremos transmitir com este livro".

Com 44 páginas, o livro possui jogos, brincadeiras e dicas paras as crianças hospitalizadas. "A primeira lição que a garotada nos ensina é que não se deve perder aquilo que está bom e saudável em nós: a capacidade de se divertir", explica Wellington. Repleto de ilustrações, desenhos coloridos e personagens cativantes, a publicação oferece, entre outros atrativos:


- Espaços para as crianças escreverem e destacarem bilhetes carinhosos e engraçados para a equipe médica, pais e amigos.
- Um Pequeno Dicionário de Segundos Socorros, como por exemplo: Compressa - Médico que passa rapidinho no quarto / Cesariana - Casal formado por César e Ana.

- Calendário de Enfermérides, com o Dia da Língua (hoje todo mundo mostra a sua para todo mundo), Dia da Piada Infame, Dia Mundial da Abobrinha, Dia do Biscoito.

- Quadro ilustrado com Hospital de Heróis, como o Tocha Humana (que chegou ao pronto-socorro ardendo em febre) e Branca de Neve (que teve uma crise de anemia e veio acompanhada de Atchim, que andava muito resfriado).

- Jogo do Mico - ideal para jogar com o médico ou a enfermeira na hora de tomar o remédio. Basta recortar as cartas, embaralhar e pedir para o participante tirar uma carta e cumprir o que estiver escrito nela.
Os níveis de dificuldades são três: Fácil, Médio e Super-Hiper-Mega Difícil.- Jogo Bem Star Wars - regras, dados e pecinhas vêm junto com este jogo, no qual as crianças partem de um ponto na página e avançam várias casas até chegarem no objetivo final, que é "Parabéns, Você venceu o resfriado".

- Jogo de Adivinhação - O que é o que é uma folha toda furadinha? Uma receita de médico acupunturista.
O que é o que é um pontinho preto num microscópio? É uma black-téria.

- Brincadeira de corte e recorte "Vista seu Médico" - com o desenho de um médico e uma médica e várias peças de roupas "clownescas", para vesti-los.

- Dicas - ilustrações e texto bem humorado explicando o que são germes, quem são os defensores do corpo e como lidar com eles.

- Placas com mensagens engraçadas para recortar, montar e enfeitar o quarto do hospital.

- Receituário de Segundos Socorros - injeção de ânimo, tomar coragem duas vezes ao dia, passar pomada e toda a roupa, jogar a bula e ler a bola.

- Canto Secreto - espaço com o nome preenchido pela criança,para ela escrever algo secreto e seguir as instruções para guardar o texto no esconderijo.

- Exame Médico com testes de múltipla escolha: "O que é um médico de plantão":
a) um médico que cura samambaias
b) um médico que atende palmeiras
c) médico que sobe em coqueiros .

INTERTEXTUALIDADE DA FÁBULA A RAPOSA E AS UVAS- ESOPO E MILLÔR FERNANDES

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 09, 2017

INTERTEXTUALIDADE DA FÁBULA "A RAPOSA E AS UVAS" - ESOPO E MILLÔR FERNANDES

Estudo dos textos

TEXTO I

A RAPOSA E AS UVAS

Uma raposa estava com muita fome. Foi quando viu uma parreira cheia de lindos cachos de uva.
Imediatamente começou a dar pulos para ver se pegava as uvas. Mas a latada era muito alta e, por mais que pulasse, a raposa não as alcançava.
— Estão verdes — disse, com ar de desprezo.
E já ia seguindo o seu caminho, quando ouviu um pequeno ruído.
Pensando que era uma uva caindo, deu um pulo para abocanhá-la. Era apenas uma folha e a raposa foi-se embora, olhando disfarçadamente para os lados. Precisava ter certeza de que ninguém percebera que queria as uvas.
Também é assim com as pessoas: quando não podem ter o que desejam, fingem que não o desejam.

(12 fábulas de Esopo. Trad. por Fernanda Lopes de Almeida. São Paulo: Ática, 1994.)


TEXTO II

A RAPOSA E AS UVAS

De repente a raposa, esfomeada e gulosa, fome de quatro dias e gula de todos os tempos, saiu do areal do deserto e caiu na sombra deliciosa do parreiral que descia por um precipício a perder de vista. Olhou e viu, além de tudo, à altura de um salto, cachos de uva maravilhosos, uvas grandes, tentadoras. Armou o salto, retesou o corpo, saltou, o focinho passou a um palmo das uvas.
Caiu, tentou de novo, não conseguiu. Descansou, encolheu mais o corpo, deu tudo o que tinha, não conseguiu nem roçar as uvas gordas e redondas. Desistiu, dizendo entre dentes, com raiva: “Ah, também não tem importância. Estão muito verdes”. E foi descendo, com cuidado, quando viu à sua frente uma pedra enorme. Com esforço empurrou a pedra até o local em que estavam os cachos de uva, trepou na pedra, perigosamente, pois o terreno era irregular, e havia o risco de despencar, esticou a pata e… conseguiu! Com avidez, colocou na boca quase o cacho inteiro. E cuspiu. Realmente as uvas estavam muito verdes!

Moral: a frustração é uma forma de julgamento como qualquer outra.

(Millôr Fernandes. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991. p. 118.)


 COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO

1. Fábula é uma pequena narrativa, muito simples, em que as personagens geralmente são animais.

a) Na fábula de Esopo, a raposa, com fome, vê “lindos cachos de uva”. Se os cachos eram lindos, por que, então, a raposa diz que as uvas estavam verdes? Porque não as alcançava.

b) A raposa, não alcançando as uvas, vai embora. Que fato posterior a esse comprova que a raposa mentia ao dizer que as uvas estavam verdes? O fato de voltar-se rapidamente para trás, pensando que uma uva tivesse caído.

2. As fábulas sempre terminam com uma moral da história, isto é, com um ensinamento.

a) Identifique no texto o parágrafo que contém a moral da fábula de Esopo. A moral está no último parágrafo do texto.

b) Qual das frases abaixo traduz a ideia principal da fábula de Esopo?

• Quem não tem, despreza o que deseja.
• A mentira tem pernas curtas.
• Quem não tem o que deseja, sente inveja dos outros.

3. Compare a versão de Millôr Fernandes à de Esopo.

a) Até certo ponto da história, as duas fábulas são praticamente iguais. A partir de que trecho a versão de Millôr fica diferente da versão de Esopo? No momento em que a raposa sobe em uma pedra para alcançar as uvas.

b) Qual é o fato da versão de Millôr que altera completamente a história?

4. A moral da história de Millôr Fernandes é claramente identificada: “a frustração é uma forma de julgamento como qualquer outra”.

a) Consulte o dicionário e veja qual sentido das palavrasfrustração julgamento corresponde ao que elas têm no contexto. Depois troque idéias com seus colegas e com seu professor e responda:
O que essa moral quer dizer?

b) Qual das frases abaixo traduz a idéia principal dessa moral?

• Uma pessoa frustrada não sabe fazer um bom julgamento.
• Às vezes, uma mentira acaba expressando uma verdade.
• Uma pessoa malsucedida acaba tirando conclusões erradas.

5.  Na fábula de Esopo, lemos: “a latada era muito alta e, por mais que pulasse, a raposa não as alcançava”. Em qual das frases abaixo a expressão destacada tem sentido mais aproximado ao da expressão por mais que?

a) Uma vez que pulava, a raposa não as alcançava.
b) A não ser que pulasse, a raposa não as alcançaria.
c) Mesmo que pulasse, a raposa não as alcançaria.
d) Quando pulava, a raposa não as alcançava.

6Em seu texto, Millôr Fernandes empregou as expressões fome de quatro dias gula de todos os tempos.

a) Qual a diferença entre fome e gula?

b) O que significa gula de todos os tempos? Uma gula enorme.

7. No texto I e no II foi utilizado o discurso direto e indireto? Justifique sua resposta com uma frase do texto.

Semântica

Posted by Profº Monteiro on junho 13, 2016


DEFINIÇÃO
Em linguística, Semântica estuda o significado e a interpretação do significado de uma palavra, de um signo, de uma frase ou de uma expressão em um determinado contexto. Nesse campo de estudo se analisa, também, as mudanças de sentido que ocorrem nas formas linguísticas devido a alguns fatores, tais como tempo e espaço geográfico.
1- Linguagem
É a capacidade que possuímos de expressar nossos pensamentos, ideias, opiniões e sentimentos. A Linguagem está relacionada a fenômenos comunicativos; onde há comunicação, há linguagem. Podemos usar inúmeros tipos de linguagens para estabelecermos atos de comunicação, tais como: sinais, símbolos, sons, gestos e regras com sinais convencionais (linguagem escrita e linguagem mímica, por exemplo). Num sentido mais genérico, a Linguagem pode ser classificada como qualquer sistema de sinais que se valem os indivíduos para comunicar-se.
Tipos de Linguagem
A linguagem pode ser:

Verbal: a Linguagem Verbal é aquela que faz uso das palavras para comunicar algo.

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As figuras acima nos comunicam sua mensagem através da linguagem verbal (usa palavras para transmitir a informação).
Não Verbal: é aquela que utiliza outros métodos de comunicação, que não são as palavras. Dentre elas estão a linguagem de sinais, as placas e sinais de trânsito, a linguagem corporal, uma figura, a expressão facial, um gesto, etc.

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Essas figuras fazem uso apenas de imagens para comunicar o que representam.
Língua
A Língua é um instrumento de comunicação, sendo composta por regras gramaticais que possibilitam que determinado grupo de falantes consiga produzir enunciados que lhes permitam comunicar-se e compreender-se. Por exemplo:



falantes da língua portuguesa.
A língua possui um caráter social: pertence a todo um conjunto de pessoas, as quais podem agir sobre ela. Cada membro da comunidade pode optar por esta ou aquela forma de expressão. Por outro lado, não é possível criar uma língua particular e exigir que outros falantes a compreendam. Dessa forma, cada indivíduo pode usar de maneira particular a língua comunitária, originando a fala. A fala está sempre condicionada pelas regras socialmente estabelecidas da língua, mas é suficientemente ampla para permitir um exercício criativo da comunicação. Um indivíduo pode pronunciar um enunciado da seguinte maneira:



A família de Regina era paupérrima.Outro, no entanto, pode optar por:

A família de Regina era muito pobre.
As diferenças e semelhanças constatadas devem-se às diversas manifestações da fala de cada um. Note, além disso, que essas manifestações devem obedecer às regras gerais da língua portuguesa, para não correrem o risco de produzir enunciados incompreensíveis como:



Família a paupérrima de era Regina.
Língua Falada e Língua Escrita
Não devemos confundir língua com escrita, pois são dois meios de comunicação distintos. A escrita representa um estágio posterior de uma língua. A língua falada é mais espontânea, abrange a comunicação linguística em toda sua totalidade. Além disso, é acompanhada pelo tom de voz, algumas vezes por mímicas, incluindo-se fisionomias. A língua escrita não é apenas a representação da língua falada, mas sim um sistema mais disciplinado e rígido, uma vez que não conta com o jogo fisionômico, as mímicas e o tom de voz do falante.
No Brasil, por exemplo, todos falam a língua portuguesa, mas existem usos diferentes da língua devido a diversos fatores. Dentre eles, destacam-se:

Fatores regionais: é possível notar a diferença do português falado por um habitante da região nordeste e outro da região sudeste do Brasil. Dentro de uma mesma região, também há variações no uso da língua. No estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, há diferenças entre a língua utilizada por um cidadão que vive na capital e aquela utilizada por um cidadão do interior do estado.

Fatores culturais: o grau de escolarização e a formação cultural de um indivíduo também são fatores que colaboram para os diferentes usos da língua. Uma pessoa escolarizada utiliza a língua de uma maneira diferente da pessoa que não teve acesso à escola.

Fatores contextuais: nosso modo de falar varia de acordo com a situação em que nos encontramos: quando conversamos com nossos amigos, não usamos os termos que usaríamos se estivéssemos discursando em uma solenidade de formatura.
Fatores profissionais: o exercício de algumas atividades requer o domínio de certas formas de língua chamadas línguas técnicas. Abundantes em termos específicos, essas formas têm uso praticamente restrito ao intercâmbio técnico de engenheiros, químicos, profissionais da área de direito e da informática, biólogos, médicos, linguistas e outros especialistas.

Fatores naturais: o uso da língua pelos falantes sofre influência de fatores naturais, como idade e sexo. Uma criança não utiliza a língua da mesma maneira que um adulto, daí falar-se em linguagem infantil e linguagem adulta.
Fala
É a utilização oral da língua pelo indivíduo. É um ato individual, pois cada indivíduo, para a manifestação da fala, pode escolher os elementos da língua que lhe convém, conforme seu gosto e sua necessidade, de acordo com a situação, o contexto, sua personalidade, o ambiente sociocultural em que vive, etc. Desse modo, dentro da unidade da língua, há uma grande diversificação nos mais variados níveis da fala. Cada indivíduo, além de conhecer o que fala, conhece também o que os outros falam; é por isso que somos capazes de dialogar com pessoas dos mais variados graus de cultura, embora nem sempre a linguagem delas seja exatamente como a nossa.
Níveis da fala
Devido ao caráter individual da fala, é possível observar alguns níveis:
Nível coloquial-popular: é a fala que a maioria das pessoas utiliza no seu dia a dia, principalmente em situações informais. Esse nível da fala é mais espontâneo, ao utiizá-lo, não nos preocupamos em saber se falamos de acordo ou não com as regras formais estabelecidas pela língua.
Nível formal-culto: é o nível da fala normalmente utilizado pelas pessoas em situações formais. Caracteriza-se por um cuidado maior com o vocabulário e pela obediência às regras gramaticais estabelecidas pela língua.
Signo
signo linguístico é um elemento representativo que apresenta dois aspectos: o significado e o significante. Ao escutar a palavracachorro, reconhecemos a sequência de sons que formam essa palavra. Esses sons se identificam com a lembrança deles que está em nossa memória. Essa lembrança constitui uma real imagem sonora, armazenada em nosso cérebro que é o significante do signocachorro. Quando escutamos essa palavra, logo pensamos em um animal irracional de quatro patas, com pelos, olhos, orelhas, etc. Esse conceito que nos vem à mente é o significado do signo cachorro e também se encontra armazenado em nossa memória.
Ao empregar os signos que formam a nossa língua, devemos obedecer às regras gramaticais convencionadas pela própria língua. Desse modo, por exemplo, é possível colocar o artigo indefinido um diante do signo cachorro, formando a sequência um cachorro, o mesmo não seria possível se quiséssemos colocar o artigo uma diante do signo cachorro. A sequência uma cachorro contraria uma regra de concordância da língua portuguesa, o que faz com que essa sentença seja rejeitada. Os signos que constituem a língua obedecem a padrões determinados de organização. O conhecimento de uma língua engloba tanto a identificação de seus signos, como também o uso adequado de suas regras combinatórias.
signo = significado (é o conceito, a ideia transmitida pelo signo, a parte abstrata do signo) + significante (é a imagem sonora, a forma, a parte concreta do signo, suas letras e seus fonemas)

Língua: conjunto de sinais baseado em palavras que obedecem às regras gramaticais.
Signo: elemento representativo que possui duas partes indissolúveis: significado e significante.
Fala: uso individual da língua, aberto à criatividade e ao desenvolvimento da liberdade de expressão e compreensão.

2- Significação das Palavras
Quanto à significação, as palavras são divididas nas seguintes categorias:
Sinônimos
As palavras que possuem significados próximos são chamadassinônimosExemplos:



casa - lar - moradia - residência
longe - distante
delicioso - saboroso
carro - automóvel

Observe que o sentido dessas palavras são próximos, mas não são exatamente equivalentes. Dificilmente encontraremos um sinônimo perfeito, uma palavra que signifique exatamente a mesma coisa que outra.
Há uma pequena diferença de significado entre palavras sinônimas. Veja que, embora casa lar sejam sinônimos, ficaria estranho se falássemos a seguinte frase:



Comprei um novo lar.
Obs.: o uso de palavras sinônimas pode ser de grande utilidade nos processos de retomada de elementos que inter-relacionam as partes dos textos.
Antônimos
São palavras que possuem significados opostos, contrários.Exemplos:



mal / bem
ausência / presença
fraco / forte
claro / escuro
subir / descer
cheio / vazio
possível / impossível

Polissemia
Polissemia é a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar mais de um significado nos múltiplos contextos em que aparece. Veja alguns exemplos de palavras polissêmicas:



cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da vassoura, da faca)
banco (instituição comercial financeira, assento)
manga (parte da roupa, fruta)

Homônimos
São palavras que possuem a mesma pronúncia (algumas vezes, a mesma grafia), mas significados diferentes. Veja alguns exemplos no quadro abaixo:
acender (colocar fogo)
ascender (subir)
acento (sinal gráfico)
assento (local onde se senta)
acerto (ato de acertar)
asserto (afirmação)
apreçar (ajustar o preço)
apressar (tornar rápido)
bucheiro (tripeiro)buxeiro (pequeno arbusto)
bucho (estômago)buxo (arbusto)
caçar (perseguir animais)cassar (tornar sem efeito)
cegar (deixar cego)segar (cortar, ceifar)
cela (pequeno quarto)sela (forma do verbo selar; arreio)
censo (recenseamento)senso (entendimento, juízo)
céptico (descrente)séptico (que causa infecção)
cerração (nevoeiro)serração (ato de serrar)
cerrar (fechar)serrar (cortar)
cervo (veado)servo (criado)
chá (bebida)xá (antigo soberano do Irã)
cheque (ordem de pagamento)xeque (lance no jogo de xadrez)
círio (vela)sírio (natural da Síria)
cito (forma do verbo citar)sito (situado)
concertar (ajustar, combinar)consertar (reparar, corrigir)
concerto (sessão musical)conserto (reparo)
coser (costurar)cozer (cozinhar)
esotérico (secreto)exotérico (que se expõe em público)
espectador (aquele que assiste)expectador (aquele que tem esperança, que espera)
esperto (perspicaz)experto (experiente, perito)
espiar (observar)expiar (pagar pena)
espirar (soprar, exalar)expirar (terminar)
estático (imóvel)extático (admirado)
esterno (osso do peito)externo (exterior)
estrato (camada)extrato (o que se extrai de algo)
estremar (demarcar)extremar (exaltar, sublimar)
incerto (não certo, impreciso)inserto (inserido, introduzido)
incipiente (principiante)insipiente (ignorante)
laço (nó)lasso (frouxo)
ruço (pardacento, grisalho)russo (natural da Rússia)
tacha (prego pequeno)taxa (imposto, tributo)
tachar (atribuir defeito a)taxar (fixar taxa)
Homônimos Perfeitos
Possuem a mesma grafia e o mesmo som.
Por Exemplo:
Eu cedo este lugar para a professora. (cedo = verbo)
Cheguei cedo para a entrevista. (cedo = advérbio de tempo)
Atenção:
Existem algumas palavras que possuem a mesma escrita (grafia), mas a pronúncia e o significados são sempre diferentes. Essas palavras são chamadas de homógrafas e são uma subclasse dos homônimos. Observe os exemplos:



almoço (substantivo, nome da refeição)
almoço (forma do verbo almoçar na 1ª pessoa do sing. do tempo presente do modo indicativo)

gosto (substantivo)
gosto (forma do verbo gostar na 1ª pessoa do sing. do tempo presente do modo indicativo)

Parônimos
É a relação que se estabelece entre palavras que possuemsignificados diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na escrita. Veja alguns exemplos no quadro abaixo.
absolver (perdoar, inocentar)absorver (asprirar, sorver)
apóstrofe (figura de linguagem)apóstrofo (sinal gráfico)
aprender (tomar conhecimento)apreender (capturar, assimilar)
arrear (pôr arreios)arriar (descer, cair)
ascensão (subida)assunção (elevação a um cargo)
bebedor (aquele que bebe)bebedouro (local onde se bebe)
cavaleiro (que cavalga)cavalheiro (homem gentil)
comprimento (extensão)cumprimento (saudação)
deferir (atender)diferir (distinguir-se, divergir)
delatar (denunciar)dilatar (alargar)
descrição (ato de descrever)discrição (reserva, prudência)
descriminar (tirar a culpa)discriminar (distinguir)
despensa (local onde se guardam mantimentos)dispensa (ato de dispensar)
docente (relativo a professores)discente (relativo a alunos)
emigrar (deixar um país)imigrar (entrar num país)
eminência (elevado)iminência (qualidade do que está iminente)
eminente (elevado)iminente (presetes a ocorrer)
esbaforido (ofegante, apressado)espavorido (apavorado)
estada (permanência em um lugar)estadia (permanência temporária em um lugar)
flagrante (evidente)fragrante (perfumado)
fluir (transcorrer, decorrer)fruir (desfrutar)
fusível (aquilo que funde)fuzil (arma de fogo)
imergir (afundar)emergir (vir à tona)
inflação (alta dos preços)infração (violação)
infligir (aplicar pena)infringir (violar, desrespeitar)
mandado (ordem judicial)mandato (procuração)
peão (aquele que anda a pé, domador de cavalos)pião (tipo de brinquedo)
precedente (que vem antes)procedente (proveniente; que tem fundamento)
ratificar (confirmar)retificar (corrigir)
recrear (divertir)recriar (criar novamente)
soar (produzir som)suar (transpirar)
sortir (abastecer, misturar)surtir (produzir efeito)
sustar (suspender)suster (sustentar)
tráfego (trânsito)tráfico (comércio ilegal)
vadear (atravessar a vau)vadiar (andar ociosamente)