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A história de Pandora mitologia grega

Posted by Profº Monteiro on abril 10, 2017


De acordo com a mitologia grega, Pandora, criada pelos deuses para castigar o desafio de Prometeu, foi responsável pela vinda do mal sobre a terra.
Personagem mitológica, pandora foi criada por Zeus para castigar Prometeu, deus da estirpe dos titãs, que roubaram o fogo dos céus e o entregará aos mortais. A versão mais conhecida da lenda de Pandora é a relatada no século VII a.C. pelo poeta Hesíodo, na Teologia. Zeus decidiu vingar-se e ordenou a Vulcano, Deus do fogo, que plasmasse em terra uma mulher de extrema beleza, à qual os deuses do Olimpo concederam presentes e qualidades excepcionais. Atena ensinou-lhe as artes do sexo feminino e Afrodite os encantos da beleza. Hermes concedeu-lhe o Dom da palavra insinuante e as Graças cobriram-na de jóias raras. Por isso foi chamada de Pandora, que em grego significa “portadora de todos os dons”.
Zeus encarregou-se então de entregar a Prometeu, em grego “o previdente”, uma caixa fechada, mas este resistiu aos encantos de Pandora e recusou-se a abrir o presente. Apesar das advertências de Prometeu, Epimeteu seu irmão, ficou fascinado com a beleza de Pandora e tomou-a por esposa. Depois, pediu-lhe que abrisse a caixa, da qual escaparam todos os males e desventuras que desde então afligem os humanos. Arrependido, Epimeteu, cujo nome em grego significa “o que reflete tardiamente” , tentou fechar a caixa, mas conseguiu apenas nela encerrar a esperança, que seria o consolo da humanidade. Zeus não perdoou Prometeu por Ter escapado à armadilha e o acorrentou ao Cáucaso, para que um abutre eternamente lhe devorasse o fígado. A expressão “caixa de Pandora” passou a ser empregada como sinônimo de tudo que, sob aparência de encanto, é fonte de males e desgraças.
As pragas da caixa de Pandora espalham a miséria. A terra povoa-se de homens frágeis, cansados, medrosos, doentes.
A inveja tumultua o trabalho das criaturas. Há guerras intermináveis. Fome e peste abatem-se sobre o mundo.
Os astros brilham sem alegria, sobre a humanidade imersa em perdição.
Já não existe mais inocência. O amor é corrupção, agonia, brutalidade. No entanto, os homens festejam. Com banquetes intermináveis, comemoram a grande derrota de seus espíritos. A raça que Prometeu criara, entre lágrimas emocionadas e a água viva que brotava do seio da terra, não tem mais a face erguida em atitude de orgulho. O que existe é um festim inútil.
Outras mulheres povoaram o mundo, com sua graças e desgraças.
Os deuses estão contentes agora. Os homens não tentam mais subrepujá-los: estão fracos, e aceitam a escravidão.

TUDO SOBRE : Mitologia e Mitos

Posted by Profº Monteiro on março 12, 2017



Pode-se definir Mitologia como o estudo e a interpretação do mito e do conjunto dos mitos de uma determinada cultura.

O mito é um fenômeno cultural complexo que pode ser encarado de vários pontos de vista. Em geral é uma narração que descreve e retrata em linguagem simbólica a origem dos elementos e postulados básicos de uma cultura.

A narração mítica conta, por exemplo, como começou o mundo, como foram criados os seres humanos e os animais e a origem de certos costumes e formas das atividades humanas.

Quase todas as culturas possuem ou possuíram mitos algum dia e viveram de acordo com eles.

Os mitos diferenciam-se dos contos de fadas por referirem-se a um tempo diferente do tempo comum (contos tradicionais). A seqüência do mito é extraordinária, desenvolvida num tempo anterior ao nascimento do mundo convencional.

Como os mitos se referem a um tempo e um lugar extraordinário, bem como a deuses e processos sobrenaturais, têm sido considerados aspectos da religião.

Porém, como sua natureza é integradora, o mito pode iluminar muitos aspectos da vida individual e cultural.

Desde os primórdios da cultura ocidental, o mito apresenta um problema de significado e interpretação que tem gerado discussões sobre o valor e a importância da mitologia.

O que é Mito?


Mitos são histórias tradicionais, quase sempre sobre deuses, heróis ou criaturas do mundo animal, que explicam por que o mundo é do jeito que é.

Pessoas de todos os tempos e de todos os tipos de cultura constataram que a vida está repleta de mistérios. Por exemplo: qual é a origem do mundo, por que o sol se movimenta atravessando o firmamento, o que faz as coisas crescerem, por que as plantas morrem no inverno e renascem na primavera, de que modo ocorrem as marés, por que há terremotos, para onde vão as pessoas quando morrem, se é que vão para algum lugar?

Na tentativa de responder a perguntas como essas, o homem criou narrativas que transcendem a existência comum e cotidiana e que se enraizaram em diferentes culturas.

Dessa maneira, as respostas para as mais complicadas indagações da vida foram transmitidas de geração para geração, na forma de mitos. Em geral havia semelhanças entres as histórias contadas em sociedade marcadamente distintas, como nas Mitologias da Grécia Antiga e dos Nórdicos, nas quais aparecem temas universais como a vida após a morte e a origem do mundo.

Os mitos eram bem mais do que o simples contar história. Cada cultura possuía cerimônias e rituais próprios associados aos mitos. Essa associação implicava representar histórias exemplares ou oferecer sacrifícios aos deuses, na esperança de receber alguma benção em troca, como uma boa safra ou a vitória em uma batalha.

Explicações mitológicas do mundo diferem das explicações apresentadas pela filosofia, que se baseiam na experiência e na razão. Os filósofos gregos buscavam explicações naturais, não explicações sobrenaturais.

Esses filósofos diziam que os mitos não combinavam com um entendimento adequado da realidade. Criticavam as histórias de Homero porque nelas os deuses tem exatamente as mesmas imperfeições dos seres humanos.

O pensamento mítico teve início na Grécia, do séc. XXI ao VI a.C. e nasceu do desejo de dominação do mundo, para afugentar o medo e a insegurança. A verdade do Mito não obedece à lógica nem da verdade baseada na experiência, nem da verdade científica.

É verdade compreendida, que não necessita de provas para ser aceita. É portanto uma percepção compreensiva da realidade, é uma forma espontânea do homem situar-se no mundo. Normalmente, associa-se, erroneamente, o conceito de mito à mentira, ilusão,ídolo, lenda ou ficção.

O mito não é uma mentira, pois é verdadeiro para quem o vive. A narração de determinada história mítica é uma primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre o qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel.

Não podemos afirmar também que o mito é uma ilusão, pois sua história tem uma racionalidade, mesmo que não tenha uma lógica, por trabalhar com a fantasia.

Devemos diferenciar mito e ídolo, pois mesmo existindo uma relação entre eles, o mito é muito "maior" que o ídolo (objeto de paixão, veneração).

O mito é muito confundido com o conceito de lenda, porém esta não tem compromisso nenhum com a realidade, são meras histórias sobrenaturais.

O mito não é exclusividade de povos primitivos, nem de civilizações nascentes, mas existe em todos os tempos e culturas como componente inseparável da maneira humana de compreender a realidade. O mito é, na realidade, uma maneira de entender o passado.

Um historiador de religiões, certa vez afirmou: "Os mitos contam apenas aquilo que realmente aconteceu". Isto não quer dizer que os mitos explicam os fatos corretamente. Eles sugerem, entretanto, que por trás da explicação existe uma realidade que não pode ser conhecida e/ou examinada.

Tipos de mitos

Mitos cosmogônicos

Dentre as grandes interrogações que o homem permanece incapaz de responder, apesar de todo o conhecimento experimental e analítico está à origem da humanidade e do mundo que habita.

É como resposta a essa interrogação que surgem os mitos cosmogônicos. As explicações oferecidas por esses mitos podem ser reduzidas a alguns poucos modelos, elaborados por diferentes povos.

É comum encontrar nas várias mitologias a figura de um criador que, por ato próprio e autônomo, estabeleceu ou fundou o mundo em sua forma atual.

Os mitos desse tipo costumam mencionar uma matéria já existente a toda a criação: o oceano, o caos ou a terra.

A criação a partir do nada, unicamente pela palavra de Deus, aparece claramente no livro bíblico do Gênesis.

Mitos escatológicos

Ao lado da preocupação com o enigma da origem, figura para o homem, como grande mistério, a morte individual, associada ao temor da extinção de todo o povo e mesmo do desaparecimento do universo inteiro.

Para a mitologia, a morte não aparece como fato natural, mas como elemento estranho à criação original, algo que necessita de uma justificativa, de uma solução em outro plano de realidade.

Algumas explicações predominam nas diversas mitologias. Há mitos que falam de um primeiro período em que a morte não existia e contam como ela sobreveio por efeito de um erro, de um castigo ou para evitar a superpopulação.

Outros mitos, geralmente presentes em tradições culturais mais elaboradas, fazem referência à condição original do homem como ser imortal e habitante de um paraíso terreno, e apresentam a perda dessa condição e a expulsão do paraíso como tragédia especificamente humana.

Natureza do mito

Um dos livros mitológicos mais conhecidos é a "Ilíada", de Homero, que conta sobre a Guerra de Tróia. Nenhum leitor, hoje em dia, aceita a obra de Homero como um relato histórico. Porém, não existe quase nenhuma dúvida de que, em algum tempo, muitos séculos antes de Homero, realmente houve uma guerra entre cidades-estado gregas e habitantes do noroeste da Ásia Menor.

Outro dos grandes mitos dos povos antigos é o Dilúvio. A versão mais conhecida é o relato, encontrado no Gênesis o primeiro livro da Bíblia, de Noé e sua arca.

Nenhum cientista hoje admitiria que uma enchente pudesse ter coberto toda Terra, com a água atingindo as mais altas montanhas, mas a antiga Mesopotâmia sofreu muitas inundações.

É provável que uma excepcional enchente tenha se tornado um tema para a futura criação de um mito. Talvez, as ocorrências de muitas inundações foram agrupadas para, juntas, tornar-se uma única estória.

A função dos Mitos


Os mitos tentam responder muitas questões.

Como o mundo surgiu? Como são os deuses, e de onde vieram? Como surgiu a humanidade? Por quê existe o mal no mundo? O que acontece após a morte? Os mitos também tentam explicar costumes e rituais de uma determinada sociedade. Eles explicam as origens da agricultura e a fundação de várias cidades.

Além de fornecer tais explicações, os mitos são usados para justificar o modo de vida de uma sociedade. Várias famílias em muitas civilizações antigas, justificavam os seus poderes através de lendas que descreviam suas origens como sendo divinas.

A narração mitológica envolve basicamente acontecimentos supostos, relativos a épocas primordiais, ocorridos antes do surgimento dos homens (história dos deuses) ou com os "primeiros" homens (história ancestral).

O verdadeiro objeto do mito, contudo, não são os deuses nem os ancestrais, mas a apresentação de um conjunto de ocorrências fabulosas com que se procura dar sentido ao mundo.

O mito aparece e funciona como intervenção simbólica entre o sagrado e o seu oposto (o profano), condição necessária à ordem do mundo e às relações entre os seres.

As semelhanças com a religião mostram que o mito se refere - ao menos em seus níveis mais profundos - a temas e interesses que ultrapassam a experiência imediata, o senso comum e a razão: Deus, a origem, o bem e o mal, o comportamento ético e a escatologia (destino último do mundo e da humanidade).

Mito e religião

Alguns especialistas, atribuem importância especial ao argumento religioso do mito. Com efeito, são muito freqüentes os mitos que tratam sobre a origem dos deuses e do mundo, dos homens, de determinados ritos religiosos, de preceitos morais, tabus, pecados e redenção.

Em certas religiões, os mitos formam um corpo doutrinal e estão estreitamente relacionados com os rituais religiosos, o que levou alguns autores a considerar que a origem e a função dos mitos é explicar os rituais religiosos.

Mas tal hipótese não foi universalmente aceita, por não esclarecer a formação dos rituais e porque existem mitos que não correspondem a um ritual.

O mito, portanto, é uma linguagem apropriada para a religião. Isso não significa que a religião, tampouco o mito, conte uma história falsa, mas que ambos traduzem numa linguagem de descrições e narrações uma realidade que ultrapassa o senso comum e a racionalidade humana e que, portanto, não cabe em meros conceitos analíticos.

Religião e mito discordam, não quanto à verdade ou falsidade daquilo que narram, mas quanto ao tipo de mensagem que transmitem.

Mito e sociedade

Como forma de comunicação humana, o mito está obviamente relacionado com questões de linguagem e também da vida social do homem, uma vez que a narração dos mitos é própria de uma comunidade e de uma tradição comum.

Não se conseguiu definir, no entanto, a natureza precisa dessas relações. O estudo da sociedade e da linguagem pode começar apenas com os elementos fornecidos pela fala e pelas relações sociais humanas, mas em cada caso esse estudo se confronta com uma coerência de tradições que não está diretamente aberta à pesquisa. Essa é a área em que atua a mitologia.

Algumas concepções mitológicas podem exemplificar a complexidade e a variedade das relações entre mito e sociedade.

Mito e psicologia

Freud deu nova orientação à interpretação dos mitos e às explicações sobre sua origem e função. Mais que uma recordação antiga de situações históricas e culturais, ou uma elaboração fantasiosa sobre fatos reais, os mitos seriam, segundo a nova perspectiva proposta, uma expressão simbólica dos sentimentos e atitudes inconscientes de um povo, de forma perfeitamente comparável ao que são os sonhos na vida do indivíduo.

Não foi por outra razão que Freud recorreu ao mito grego para dar nome ao complexo de Édipo.

Para ele, o mito do rei que mata o pai e casa com a própria mãe simboliza e manifesta a atração de caráter sexual que o filho, na primeira infância, sente pela mãe e o desejo de superar o pai.

Mito e arte


Pelo caráter simbólico que reveste, o mito pode ser considerado como uma forte manifestação artística e geradora de arte.

Em cada povo e civilização, os mitos são fonte de inspiração para as mais diversas obras de arte como esculturas, pinturas, inscrições, monumentos, construções de templos e até mesmo a disposição dos túmulos em cemitérios.

Hoje em vários museus do mundo existem quadros e esculturas representando os antigos personagens que fizeram parte da mitologia.

Mito e razão


Alguns autores reduzem os mitos a narrativas referentes há tempos antiquados e elaborados em épocas pré-críticas, isto é, antes do uso de métodos racionais de estudo e análise.

Entendem que o mito tornou-se, com o tempo, mera literatura, embora encontrem dificuldades para estabelecer com precisão quando teria cessado a criatividade mítica.

Outros estudiosos, ao contrário, consideram o pensamento mítico um constante estudo sobre o estudo e a classificação dos caracteres físicos dos grupos humanos, complementares ao pensamento racional e não um estágio "menos evoluído" deste.

Apontam, para demonstrá-lo, sinais de que o pensamento mítico está em operação em muitas das manifestações culturais contemporâneas como a arte.

O pensamento racional e científico não seria, portanto, um decifrador de mitos e substituto do pensamento mítico, mas pode ser capaz de reconhecer sua atualidade.

Enquanto a astronomia, com suas descobertas, esvaziou os céus, antes povoados de deuses, a sociologia e a psicologia descobriram forças que se impõem ao pensamento e à vontade humana, e portanto, atuam e se manifestam de modo independente.

Mitos sobre o tempo e a eternidade


Os corpos celestes sempre atraíram a curiosidade e o interesse humano, em todas as culturas.

A regularidade e precisão inalteráveis do movimento dos astros foram com certeza uma imagem poderosa na formação de uma idéia de "tempo transcendente", concebido como eternidade, em contraste com o mundo de incessantes alterações e os acontecimentos inesperados vividos no tempo terreno.

O retorno periódico dos fenômenos siderais e de processos naturais terrestres projetou-se, em algumas culturas, na concepção repetitiva do tempo.

Mitos de transformação e de transição


Numerosos mitos narram mudanças cósmicas, produzida ao término de um tempo primordial anterior à existência humana e graças às quais teriam surgido condições favoráveis à formação de um mundo habitável.

Outras grandes transformações e inovações, como a descoberta do fogo e da agricultura, estão associadas aos mitos dos grandes fundadores culturais.

Nos mitos, são freqüentes as transformações temporárias ou definitivas dos personagens, seja em outras figuras humanas ou em animais, plantas, astros, rochas e outros elementos da natureza.

As mudanças e transformações que se dão nos momentos críticos da vida individual e social são objetos de particular interesse mitológicos e rituais: nascimento, ingresso na vida adulta, casamento, morte - acontecimentos marcantes para a pessoa e sua comunidade - são interpretados como atualizações de processos cósmicos ou de realidades míticas.

Deuses e heróis

Em muitas mitologias, descrevem-se hierarquias de deuses, cada uma com um ou mais deuses supremos. A supremacia pode ser partilhada pelos membros de um casal, ou ser atribuída simultaneamente a dois ou três deuses distintos.

Pode também variar com o tempo, segundo circunstâncias históricas, como por exemplo o domínio de um povo sobre outro ou o predomínio de determinados interesses e atividades (de tipo agrícola, guerreiro etc.).

São freqüentes os relatos de deuses supremos, por vezes identificados como criadores originais do mundo, que a seguir ficam inativos e deixam o governo a cargo de outro deus ou deuses.

O Mito hoje

Mas, e quanto aos nossos dias, os mitos são diferentes?

Tradicionalmente, a criação de mitos e lendas, olha para o passado para tentar fazer com que o presente tenha sentido. Ao invés disso, alguns mitos modernos olham para o futuro. Os contadores de estórias fazem uso de muitas invenções dos últimos séculos para tentar dar pistas de como a Terra será daqui há centenas de anos, ou para imaginar a vida daqui há bilhões de anos-luz no espaço ou no futuro distante.

A criação de mitos, assim como a superstição, não é apenas propriedade de pessoas que viveram há milhares de anos atrás. Isto persiste através da história.

O Oeste Americano do século 19 foi o assunto favorito para a criação de muitos mitos. O Oeste era uma realidade. Havia cowboys, índios, foras-da-lei e xerifes. Já as estórias de "Faroeste", apresentadas no cinema e na televisão, são versões bastante românticas de uma realidade nada feliz e de riquezas.

O homem moderno, tanto quanto o antigo, não é só razão, mas também afetividade e emoção. Hoje em dia, os meios de comunicação de massa trabalham em cima dos desejos e anseios que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva.

O mito recuperado do cotidiano do homem contemporâneo, não se apresenta com o alcance que se fazia sentir no homem primitivo. Os mitos modernos não envolvem mais a totalidade do real como ocorria nos mitos gregos, romanos ou indígenas. Podemos escolher um mito da sensualidade, outro da maternidade,sem que tenham de ser coerentes entre si.

Os super-heróis dos desenhos animados e dos quadrinhos, bem como os personagens de filmes, passam a encarnar o Bem e a Justiça, assumindo a nossa proteção imaginária.

Por que mitos? Por que nos importarmos com eles? O que eles têm a ver com nossas vidas?

Um de nossos problemas, hoje em dia, é que não estamos familiarizados com a literatura do espírito. Estamos interessados nas notícias do dia e nos problemas práticos do momento.

As literaturas grega e latina e a Bíblia costumavam fazer parte da educação de toda gente. Tendo sido suprimidas, em prol de uma educação concorde com uma sociedade industrial, onde toda uma tradição de informação mitológica do ocidente se perdeu.

Muitas histórias se conservavam na mente das pessoas, dando uma certa perspectiva naquilo que aconteciam em suas vidas. Com a perda disso, por causa dos valores práticos de nossa sociedade industrial, perdemos efetivamente algo, porque não possuímos nada para por no lugar.

Essas informações, provenientes de tempos antigos, têm a ver com os temas que sempre deram sustentação à vida humana, construíram civilizações e formaram religiões através dos séculos, e têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com os profundos limites de nossa travessia pela vida, e se você não souber o que dizem os sinais deixados por outros ao longo do caminho, terá de produzi-los por conta própria.

Mitologia , O nascimento do deus solar

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 28, 2017



Dias e noites, meses e meses, uma única procura. De porta em porta: dos palácios às cabanas, dos templos aos covis, Latona andou buscando abrigo para pôr no mundo os filhos que levava dentro de si. Filhos de Júpiter.
Mas a própria paternidade de suas crianças barrava-lhe as entradas. Pois Júpiter, senhor supremo do Olimpo, era o marido de Juno, a mais ciumenta das deusas, que costumava perseguir as rivais até os confins da terra, e punir duramente quem ousasse recolhê-las. Apenas um imortal de iguais poderes seria capaz de enfrentar sua cólera.
Netuno, deus dos mares, decidiu ajudar a nobre Latona. Para refugiá-la, escolheu Delos, a ilha flutuante, arisco rochedo sem raízes, áspera paisagem desprovida de plantas e de fontes. Ninguém a habitava: nem deuses, nem homens, nem animais. Talvez por isso a ira de Juno não chegasse até lá. Assim, Netuno fixou Delos ao fundo do mar, e confiou-lhe a missão de hospedar os frutos de Júpiter.
A ilha teve medo. Ouvira dizer que um dos filhos de deus seria excessivamente orgulhoso, e tremeria de raiva quando soubesse, que lugar tão miserável lhe servira de pátria. Talvez jogasse Delos no mar, para sempre.
Latona tranqüilizou-a nada temesse: o novo deus não lhe traria desgraça, e sim prosperidade e alegria. Multidões viriam de longe para adorar seu berço sagrado, e o pequeno torrão sem vida se tornaria rico e respeitado.
Então a ilha consentiu. E Latona deu à luz Diana e Apolo. Nesse instante, o solo estéril de Delos floresceu. Porque Apolo trazia consigo o sol, a vida e a beleza.

Múltiplas eram as faces de Apolo, porque muitas eram suas altas funções

Sem luz nada é possível, acreditavam os antigos gregos. As duas bases essenciais do progresso – o campo e as viagens – adormeceriam para sempre na escuridão, e a Grécia estaria morta.
Para garantirem a própria sobrevivência, os gregos cultuavam Apolo, deus da luz por excelência. A ele reservavam gloriosas cerimônias, soberbos sacrifícios e um lugar de honra entre os seus divinos pares do Olimpo. Pois atribuíam-lhe a múltiplas funções de conduzir os pastores, multiplicar as colheitas, encaminhar os navegantes, iluminar os artistas, protege os médicos, zelar pela saúde, desvendar o futuro. Mágicas atividades para o progresso de um país especialmente agrícola e voltado para o mar como único caminho possível para a expansão da cultura e do poder.
Sem sua proteção os marinheiros ousavam abandonar os portos para aventurar-se em águas desconhecidas e, por isso, repletas de perigos, dos quais só Apolo podia salvá-los. Nesta atribuição o deus era especialmente cultuado nas numerosas ilhas gregas, cuja força econômica, mais do que nas terras continentais, situavam-se essencialmente nas riquezas do mar, tanto como fonte de alimento quanto como caminho de conquista e de troca de mercadorias.
Com o deus da luz que fertiliza a terra, Apolo recebia anualmente o sacrifício dos camponeses, que lhe ofereciam a primeira colheita da primavera, em meio a grandes festas. Pretendiam, assim, assegurar-se da proteção do deus e agradecer-lhe o término do inverno. Pois, estando ele intimamente identificado com o Sol, julgavam-no também responsável pela mudança das estações: o inverno era o tempo sombrio em que o deus viajava para o mítico país dos hiperbóreos; e a primavera começava no seu retorno.
Os guardadores de rebanhos também rendiam-lhe culto, após seu lendário retorno no começo da primavera. Pois era então que mais precisavam de seu apoio , quando levavam os animais a pasto distantes, muitas vezes ameaçados pelas feras ou acessíveis somente através de difíceis caminhos.
O núcleo primitivo e fundamental do mito de Apolo visa, portanto, a explicar a vida em suas necessidades primárias e em seus fenômenos mais diretamente ligados à existência de uma sociedade que tirava os meios de sustentamento de três fontes principais: o campo, a pecuária e o mar.
Com o desenvolvimento da civilização helênica e a concentração da população nas cidades, por volta do século IX a.C., aos atributos de Apolo como protetor dos navegantes e dos camponeses os gregos juntaram também outras funções, como a de inspirar os artistas e as artes. Função que se ajusta perfeitamente às anteriores, de tempos mais rudes e primitivos. Pois a mesma luz que tem força para encaminhar os navios e fecundar os campos e os rebanhos, pode igualmente iluminar a mente dos homens e levá-los a criar belas obras.
A antiga lenda da competição entre Apolo e Mársias (ou Pã, segundo outras fontes) justificava a nova atribuição. O mito simbolizava a superioridade da arte grega sobre a asiática. A lira, usada pelo vencedor Apolo, era instrumento básico da música grega; seu som era considerado o mais puro e harmonioso que jamais se poderia produzir. Enquanto a flauta, de Mársias, era tida como instrumento rude, incapaz de acompanhar as belas canções poetas que se esmeravam em cantar os feitos dos heróis.
Representação da superioridade do belo sobre o feio, do sublime sobre o vulgar, do grego sobre o asiático, da harmonia sobre a desordem, o mito da disputa entre Apolo e Mársias evidencia a grande preocupação do artista – protegido e inspirado por Apolo – em obedecer estritamente os ditames da lei, da harmonia, da medida, para, mediante essa obediência e essa disciplina, conseguir fixar um tipo ideal de beleza absoluta. Ideal nem sempre alcançado, pois muitas vezes se esboroava de encontro à rude opacidade do mundo real, como sucedeu ao próprio Apolo, segundo a lenda de sua perseguição à ninfa Dafne.

Apolo e a Arte


O artista apolíneo, diria o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), não ignorava os riscos de fracasso. Sonhava com a beleza perfeita, centralizada na imagem plástica de Apolo, mas sabia que estava sonhando. Nem por isso desistia de persegui-la, num contínuo, pacienta e solitário exercício, realizado sobretudo a partir da pedra. Pois era um individualista, e sua arte por excelência, embora Apolo fosse indicado principalmente como músico, era a escultura. Dominando a dura pedra, procurava sublimar seus próprios tormentos de sonhar com o intangível e disciplinava as paixões.
Conquanto o cultuassem como protetor das artes, raramente os poetas invocavam diretamente Apolo nessa função, mas recorriam de preferência às Musas, que atuavam como intermediárias do deus. Por meio delas também os médicos – artistas cujo talentos se exercia sobre vidas humanas – tentavam obter a valiosa proteção de Apolo. O médico Erixímacos, personagem da obra O Banquete de Platão (427? – 347? a.C.), explica por que a medicina é uma arte, estabelecendo paralelo entre sua atividade e a de um músico. A saúde, diz ele, nada mais é senão o resultado do perfeito equilíbrio entre as diversas partes do corpo e da mente. Ambos formam um todo indiviso, uniforme, e o bem-estar de um depende estreitamente da ordem do outro. Cabe ao médico – assim como ao músico em sua composição - cuidar para que nesse todo haja dissonância que comprometam a harmonia.
Ao nascer seu filho Asclépio, que os romanos chamavam de Esculápio, Apolo passou-lhe a atribuição de protetor da medicina. Deve Ter havido uma personagem com esse nome, que certamente passava por filho do deus, pois existe ainda hoje na Grécia, na cidade de Epidauro, além de uma templo, um museu em sua homenagem, onde estão conservados instrumentos cirúrgicos e tabuinhas gravadas com fórmulas e receitas. Posteriormente, quando Esculápio, segundo uma lenda, foi fulminado por ordem de Júpiter, Apolo voltou a assumir a função que transmitira ao filho, não apenas curado, mas também algumas vezes enviado pestes e epidemias como, segundo a lenda, a que provocou em Tróia.
Mas de todos os atributos de Apolo como deus da luz o mais importante para a antiga Grécia era, sem dúvida, o de profeta – diante da luz não podiam existir mistérios, em tempo algum. Nessa condição, Apolo mobilizava para seus templos, notadamente para o célebre santuário situado em Delfos, todas as camadas sociais da velha Grécia. Por intermédio do seus sacerdotes, ele respondia às perguntas de chefes militares, navegantes, soberanos, pessoas do povo que ansiosamente procuravam desvendar o futuro e conhecer as probabilidades de êxito nos negócios, nas guerras, nas viagens, nos amores.
Em Delfos, a cada nove anos, os gregos comemoravam a mítica vitória de Apolo sobre a legendária serpente Pitão, revivendo, com pomposa cerimônia, essa vitória da luz e do bem sobre as trevas e o mal.
É fácil ver como os gregos resumiram na figura de Apolo uma multiplicidade de atribuições, algumas das quais até contrastantes entre si. Deve-se isso, possivelmente, ao fato de o culto do deus, em sua origem, não ser grego, mas indo-eu-ropeu, e Ter conservado, portanto, muitas de suas facetas primitivas. Fundamentalmente, contudo, Apolo representa a luz e o triunfo da inteligência sobre as trevas da barbárie: é pois, a figuração das conquistas da civilização na existência prática e nas artes.
Para esculpirem sua imagem, os artistas muitas vezes reuniam os mais belos mancebos e selecionavam , de cada um deles, sua parte mais perfeita. Assim conseguiram os traços para representar o deus: soma do que havia de mais belo na pessoa humana. Estudavam cuidadosamente as proporções dos lineamentos do rosto com os membros. Tudo medido, calculado e disposto de maneira a obter o que mais se aproximava daquilo que consideravam perfeição: a disposição harmônica e proporcional das partes em relação ao todo.
Essa representação do divino segundo modelos humanos constituía uma novidade no mundo antigo. Os deuses de civilizações anteriores à grega não tinham aparência humana porque, em seu conjunto não sintetizavam problemas práticos da vida; procuravam fixar mais a superioridade esmagadora do divino do que solucionar a fragilidade do homem. Assim, no Egito e na Mesopotâmia, por exemplo, muitas divindades eram imaginadas sob uma forma híbrida, em parte humana, em parte animal.
Os gregos só podiam entender o invisível pelo visível e pelo humano. Só podiam sentir e criar a beleza a partir daquela que viam ao redor de si e que abstraíam mediante a luz da mente. Observando os formosos atletas nos estádios, nos jogos esportivos, o escultor grego entendeu que sua fantasia não poderia inventar nada mais belo. Por isso, tirava deles os traços que compunham a perfeição de uma estátua de deus.
Desde as esculturas mais primitivas, em madeira, bronze ou mármore, até as obras mais refinadas dos últimos séculos da antigüidade grega, Apolo é geralmente representado nu; quando alguma roupa o encobre, é apenas um leve manto. Como músico, porém, aparece sempre vestido com uma túnica e levando a lira na mão, personificando assim a severidade e a elegância que se atribuíam a essa arte.
Dos séculos V e IV a.C. datam as mais belas estátuas do deus da luz. Célebre entre todas é a obra de Praxiteles (370?-330? a.C.), cujas feições o artista modelou nos traços selecionados de sete belos atenienses. Famosa tornou-se a estátua do Apolo do Belvedere, de autor desconhecido, conservada no Museu do Vaticano, em Roma. São desta época também dezenas de baixos-relevos, vasos, taças e ânforas decoradas com sua figura.
Mesmo na era cristã, Apolo voltou a inspirar os artistas plásticos e figurativos, sobretudo nas épocas renascentista, barroca, maneirista e arcádia, que acolheram de bom grado as sugestões da mitologia grega. Cellini (1500-1570), Sansovino (1486-1570), Bernini (1598-1680), Ribera (1588-1655), Claude Lorrain (1600-1682) e muitos outros escultores e pintores usaram-no como tema.

O sábio julgamento das nove Musas

Uma lira: primeiro pedido de Apolo, mal abrira os olhos para sua própria luz, na flutuante ilha de Delos.
Uma lira: para acompanhar os cânticos dos homens a cada surgir do sol. Dissipar a melancolia. Marcar o ritmo dos poemas. Engalanar os festins dos justos.
Uma lira: compromisso do deus que decide para sempre iluminar os espíritos dos artistas, enriquecer a inspiração de um povo e conduzi-lo à descoberta da beleza absoluta.
Mas nem mesmo um deus podia arrogar-se uma função sem o consentimento das divindades que até então a presidissem. Assim como fora Hélios, o deus do Sol, quem confiara a Apolo o carro solar, também para assumir a condição de protetor das artes ele precisava ser sagrado pelas Musas, incumbidas de tal missão.
Compareceu, portanto, a uma assembléia no monte Parnaso, onde moravam as nove Musas, para competir com um certo Mársias, afanado flautista que chegara da Frígida e também habitava aquelas cercanias.
Da flauta saíram sons extremamente vulgares, grosseiros, evocativos de vícios, perversidade e luxúria. Da lira fluíram acordes harmoniosos, serenamente belos e elevados. Encantadas com sua esplêndida atuação, as Musas declararam Apolo vencedor – e sagraram-no para sempre deus protetor das artes.
Mas da assembléia participava Midas, o rei dos frígios, que discordou da sábio julgamento. Por Ter escolhido uma arte depravada, o deus puniu-o, fazendo-lhe nascer orelhas de burro. Envergonhando, o rei tratou de esconder a anomalia sob um gorro, mas seu barbeiro descobriu-lhe o segredo e saiu a apregoá-lo aos quatro cantos, atraindo para o infeliz a zombarias de todos. Quanto a Mársias, Apolo esfolou-o vivo e depois suspendeu-lhe o corpo na entrada de uma caverna, para que todos pudessem ver o castigo reservado à perversão.

A ira de Apolo recai sobre Tróia


O governo de Júpiter andava aborrecendo os divinos súditos. Já os ouvidos olímpicos não suportavam seus brados de ira. Já o néctar perdia o doce gosto ante suas terríveis expressões. Era preciso fazer alguma coisa.
Apolo e Netuno, Minerva e Juno decidiram fazê-la, e tramaram uma conspiração para punir o furor de Júpiter.
Mas o rei do Olimpo descobriu a tempo a intriga. Como gentil cavalheiro, poupou às deusas qualquer humilhação, porém submeteu os outros dois conspiradores a duro castigo. Como simples mortais, mandou-os trabalhar para Laomedonte, rei de Tróia. A Netuno incumbiu de erguer as muralhas da cidade. E a Apolo encarregou de apascentar os rebanhos reais. Para o deus da luz tal encargo em si não constituía uma pena, pois amava com carinho os animais, e gostava de apascentá-los ao som de sua lira. O castigo estava na obrigação de submeter-se às ordens de um mortal.
Por longo tempo os dois deuses trabalharam para Laomedonte.
Ao fim da tarefa, prepararam-se para receber o salário combinado, humana recompensa de um trabalho humano. Laomedonte, porém, negou que tivesse combinado um preço, e expulsou-os de seu reino a ameaça de arrancar-lhes as orelhas e vendê-los como escravos.
Nada lhes restava senão se afastarem. Mas não deixaram a ofensa sem vingança. Tão logo recobraram a condição divina, ao tocarem de novo o Olimpo, investiram contra Tróia. Netuno fez surgir do mar um horrendo monstro, que ele conduzia à sua vontade. E mandou-o disseminar o pavor e a morte na cidade. Não o deixou exterminar a população inteira, pois privaria a Apolo o gosto da vingança. Saciado por sua parte, recolheu o animal, e deixou os sobreviventes entregues à fúria de seu companheiro. Então Apolo enviou uma peste que acabou de eliminar a população troiana.

Para os devotos, amor e proteção: para os ímpios, a morte


Crises, o venerável sacerdote de Apolo, tinha uma filho, Criseide, formosa e casta donzela que sonhava casar-se um dia, com jovem de sua escolha.
Mas tal não desejava para ela Agamenão, que raptou a moça e levou-a para seu navio.
O velho Crises, em vão, implorou-lhe que devolvesse Criseide. A cada súplica o guerreiro respondia com insultos e ameaças. E toda a arma da frágil sacerdote era o cajado do culto e as sagradas guirlandas.
Retirou-se, portanto, o ancião, e caminhou pelas praias desertas até chegar ao templo. Ali endereçou ardorosa prece a Apolo, rogando-lhe que vingasse o repto de Criseide.
Então, contra Homero, “Febo Apolo ouviu sua prece. Desceu do Olimpo, com ira no coração, carregando o arco e a aljava. As setas retiniam em seus ombros, enquanto o irado deus movia-se... Firmou os pés a pequena distância dos navios e disparou uma seta. Terrível foi o zunido de seu arco de prata. Primeiro, ele atacou as mulas e os velozes cães, depois disparou suas penetrantes setas contra os homens, e nenhuma errou o alvo. As piras dos mortos começaram a arder incessantemente.”
Durante nove dias as flechas semearam a morte entre os soldados gregos. Ao décimo dia, Agamenão reuniu seus homens e convocou a presença dos deuses, para decidirem a questão. Ao fim de longos discursos, resolveu purificar-se e acalmar a cólera de Apolo, sacrificando ao vingador belos animais.
No entanto, sabia o herói que só teria paz novamente quando devolvesse ao sacerdote a filha raptada. E no duodécimo dia mandou Criseide de volta para o velho pai. Então Apolo recolheu suas setas e deixou-o ir.

PROMETEU

Posted by Profº Monteiro on janeiro 16, 2014

E Prometeu criou os homens

O mundo está pronto. Entretanto, falta ainda um ser capaz de odiar e amar. Julgar e punir. Perdoar e esquecer. Lembrar e criar. Um ser que, com sua poderosa alma, seja humilde o bastante para temer e render-lhes homenagens e cultos.
Falta o homem.
Para forjá-lo, Prometeu arranca o barro do chão e mistura-o com suas próprias lágrimas. Incessantemente trabalha, com paixão’ e arte, aquela massa informe, até que ela obtém feições semelhantes às de um deus.
Embevecidos com a beleza de sua obra, Prometeu decide esculpir uma multidão de estátuas. E, por noites e dias inteiros, debruça-se sobre o barro e dá-lhe formas sob modelos divinos.
Quando termina, contempla suas criaturas. São idênticas, assim enfileiradas e mudas, e parecem-lhe vazias. Falta-lhes vidas.
Então, o grande artista insufla nas estátuas caracteres de animais: a coragem do leão, a fidelidade do cavalo, a força do touro, a esperteza da raposa, a avidez do lobo.
E as criaturas de barro começam a movimentar-se. Lenta, porém decididamente.
Mas ainda faltam-lhes a faísca do espírito divino, que as tornará capazes de ousar.
Atenas (Minerva), a filha inteligente de Zeus (Júpiter), a deusa da sabedoria, decide ajudar Prometeu. Pega uma taça cheia de néctar divino. Desce ao mundo. E entrega-a a todos aqueles seres, já dotados de vida, para que sorvam algumas gotas.
De repente, sobre a cabeça de cada um, surge uma luz nova e bela.
Agora são homens. Têm uma alma. Mas ainda não sabem o que fazer com ela. (Prometeu terá muito trabalho pela frente.)

Prometeu, símbolo da inteligência humana, desvenda os mistérios divinos

Conta a lenda grega que a primeira geração mítica (as divindades primordiais) criou a raça dos Titãs. Estes, na pessoa de Cronos (Saturno), o deus-tempo, destronaram seus antecessores, castrando Urano (Céu), princípio masculino e todas as coisas.
Depois, Zeus (Júpiter), filho de Cronos, sucede ao pai, e elimina toda a antiga estirpe, numa guerra sangrenta que coloca os olímpicos no poder.
Pela lógica de seqüência temporal de história, a raça que sucederia aos olímpicos, em termos de tempos, deveria igualmente combetê-los e destroná-los. Mas este raça são os homens. E a luta até hoje se trava, sem que, pelo menos evidentemente a humanidade vença a divindade.
É possível estabelecer-se uma simbologia nesta dualidade homem-deus: o homem seria o “provisório”; o deus, “o perene”. O homem seria o falível: aquele que erra, sofre, tenta aperfeiçoar-se, cai e levanta-se. O deus seria o modelo segundo o qual o homem se encaminha, em busca da perfeição.
O mito de Prometeu é a síntese da luta homem-divinidade. Representa uma humanidade ativa, industriosa, inteligente e ambiciosa, que deseja igualar-se às potências divinas.
Prometeu não é um deus, mas um titã (filho de Iápeto e Clímene). Seu crime consiste justamente em haver tentado criar uma raça que superasse os olímpicos; para tanto, ensinou a suas criaturas o trabalho de dominar a natureza e conhecer cada vez mais a si mesma.
No esforço de penetrar nos mistérios da natureza, o homem é obrigado a abandonar o estado de lazer. Progredir deuses, temerosos de que as civilizações mortais possam sobrepujar o reino olímpico.
A psicanálise interpreta de forma diferente o mio de Prometeu em sua guerra ininterrupta contra a divindade, entendendo a lenda como um símbolo da oposição entre intelecto (Prometeu) e espírito puro (Zeus). Criado pelo espírito, como todos os outros seres, o homem, no entanto, distingue-se das demais formas de vida porque possui um intelecto, uma consciência que o individualiza e o torna capaz de contestar a força superior que o engendrou. Segundo a concepção psicanalítica, Prometeu representa o despertar da consciência, o principio da intelectualização (idéia contida em seu próprio nome, que em grego significa “pensamento previdente”).
O mito contém três etapas. A primeira corresponde à criação do ser consciente, e inclui o roubo do fogo, como elemento básico para a elaboração das culturas e civilizações que a consciência humana agora podia empreender. A Segunda etapa refere-se à sedução do homem pela mulher: Pandora. Enviada pelos deuses para fazer os homens perderem o “paraíso terrestre”, Pandora destrói a solidariedade que havia entre eles e bloqueia o caminho vitorioso do trabalho.
A terceira fase do mito narra a punição de Prometeu. Ao ensinar o fogo aos homens, Prometeu liberta-os definitivamente da dependência divina. Sem o fogo, não seria possível transformar o mundo ambiente, nem adaptá-lo às necessidades físicas de cada povo, em cada região. Ao redor do fogo, reuniam-se os homens primitivos, fazendo desse elemento importante fator de sociabilidade. Um importante fator de sociabilidade.
O fogo não é apenas instrumentos de transformação de substâncias, de coração de alimentos, de criação artesanais. O fogo apresenta ainda a espiritualização (luz), a sublimação (calor). Mas é também agente da destruição. Maravilhados com suas próprias invenções, os homens imaginam-se iguais aos deuses e já não sacrificam aos imortais. Degradam-se. Disputam sangrentamente bens materiais. O fogo passa a atuar como fator destrutivo.
Neste momento, para punir os homens, os olímpicos enviam-lhes Pandora, a mulher, a tentação, o símbolo dos desejos terrestres. Ela seduz a criatura de Prometeu, entregando-lhe a caixa que contém os germes da miséria humana. Ao acolhê-la, o homem exerce totalmente sua liberdade de escolha, demostrando a confiança no próprio esforço que os deuses, por meio de Pandora, queriam aniquilar.
Punida a humanidade, Zeus decide castigar Prometeu, o orgulhoso intelecto criador. Manda acorrentá-lo no monte Cáucaso. Diariamente uma águia – atributo do rei do Olimpo – estraçalha o fígado do titã; à noite, o órgão recompõe-se, para ser novamente torturado na manhã seguinte. Durante trinta anos (ou trinta séculos, conforme algumas versões), Prometeu sofre seu tormento. É o preço que paga por haver tentado transformar o mundo. Seus grilhões são os entraves impostos a toda criação: mudar corresponde a sofrer.
Finalmente, vem a salvação. Hércules, também criatura de Prometeu, homem-herói, liberta-o e mata a águia que lhe corroía o fígado imortal. Prometeu reconcilia-se com Zeus e entra no Olimpo. As conseqüências da culpa inicial são esquecidas. O fogo deixa de ser um poder destrutivo, para constituir-se apenas em elemento purificador, no qual se realizam os sacrifícios aos imortais.

Prometeu rouba o fogo dos deuses

O filho de Iápeto dera aos mortais uma forma física. Incutira-lhes o conhecimento do mundo, a vontade de trabalhar e dominar a natureza.
Havia uma única coisa que eles não conheciam. Faltava-lhes um elemento fundamental para poderem construir as civilizações e alcançar o progresso: o fogo.
Sabendo disso, o grande Júpiter esconde-o. Os homens são compelidos a comer o alimento cru e frio. Não podem forjar os inúmeros metais que, conduzidos pela mão de Prometeu, haviam descoberto no seio da terra.
Também guardariam a água. Nem aquecer-se quando a neve recobrisse a face do planeta.
Mais uma vez querendo pôr em prática seu antigo plano de vingança, e temendo pela raça que criara com tanta paixão, Prometeu decide entregar o fogo aos homens.
Quebra um comprido ramo seco de uma árvore, voa rapidamente até o céu e acende o galho no calor do carro do Sol.
Com a chama acesa, alegria dos mortais e energia necessária a toda a vida terrena, Prometeu volta à terra.
Agora, os homens conhecem o segredo do precioso elemento.
Pouco os difere dos deuses.

Mitologia Grega

Posted by Profº Monteiro on janeiro 16, 2014

Antes de a primeira filosofia evoluir na Grécia antiga, o retrato predominante do mundo era mitológico. Esse retrato ganhou corpo ao longo de séculos. a mitologia grega se desenvolveu plenamente por volta de 700 a.C., quando Homero e Hesíodo registraram compilações de mitos. As mais célebres são os poemas Ilíada e Odisséia, de Homero.

Há pelo menos duas explicações possíveis para o surgimento da mitologia grega: os deuses representam fenômenos naturais, como o sol e a lua, ou eram heróis de um passado remoto, que foram glorificados ao longo do tempo.

Os Deuses gregos se assemelharam fisicamente aos humanos e revelava sentimentos humanos, com freqüência se comportando de uma maneira tão egoísta quanto qualquer mortal.

As histórias desses deuses falam de uma época heróica, de homens e mulheres com poderes extraordinários e a exemplo do que ocorreu em outras culturas, há também mitos que narram a criação do mundo e da humanidade.

Os mitos são crenças e observações dos antigos rituais gregos, o primeiro povo ocidental, surgindo por volta de 2000 a.C.. Consiste principalmente de um grupo de relatos e lendas diversos sobre uma variedade de deuses.

A mitologia grega tem várias características particulares. Os deuses gregos eram retratados como semelhantes aos humanos em forma e sentimentos. Ao contrário de antigas religiões, como o Hinduísmo ou o Judaísmo, a mitologia grega não envolvia revelações especiais ou ensinamentos espirituais.

Também variava largamente na sua prática e crença, com nenhuma estrutura formal, tal como um governo religioso, a exemplo da igreja de nossos dias, e nenhum código escrito, como um livro sagrado.

Séculos antes do nascimento de Cristo e do advento do cristianismo, os gregos adoravam um certo número de deuses e deusas que, segundo eles acreditavam, viviam no Monte Olimpo, no sul da Macedônia, na Grécia.

As antigas histórias desses deuses inspiraram poetas, pintores e escultores durante vários séculos. Algumas das pinturas e esculturas mais conhecidas e preciosas do mundo representam os deuses do Olimpo e suas aventuras.

Os gregos antigos acreditavam que a terra era de forma achatada e circular, seu ponto central o Monte Olimpo ou Delfos. A terra era dividida em duas partes iguais pelo Mar, como era chamado então o Mediterrâneo (medi = meio, terrâneo = terra). Ao redor da terra corria o Rio Oceano, cujo curso regular alimentava o Mar e os rios.

Naqueles tempos remotos, os gregos pouco sabiam sobre a existência de outros povos além deles mesmos, a não ser dos povos vizinhos as suas terras. Imaginavam que ao norte vivia uma raça de povo feliz, os Hiperbórios, que viviam numa eterna felicidade.

Seu território não podia ser alcançado nem por terra nem por mar. Eles nunca envelheciam nem adoeciam, não trabalhavam, nem guerreavam. Ao sul vivia um outro povo feliz que se chamava Aethiopios.

Eram amados pelos deuses que costumavam visitá-los e compartilhar seus banquetes. Ao oeste encontrava-se o lugar o mais feliz de todos, os Campos Elíseos, onde as pessoas que tinham o favor dos deuses eram levadas para viver para sempre sem nunca morrer.

A mitologia grega é uma das mais geniais concepções que a humanidade produziu. Os gregos, com sua fantasia, povoaram o céu e a terra, os mares e o mundo subterrâneo de Divindades Principais e Secundárias. Amantes da ordem, instauraram uma precisa categoria intermediária para os Semideuses e Heróis.

A mitologia grega apresenta-se como uma transposição da vida em zonas ideais. Superando o tempo, ela ainda se conserva com toda a sua serenidade, equilíbrio e alegria. A religião grega teve uma influência tão duradoura, ampla e incisiva, que vigorou da pré-história ao século IV e muitos dos seus elementos sobreviveram nos Cultos Cristãos e nas tradições locais.

A civilização grega era constituída de pequenas cidades-estados. Os gregos amavam a vida e a viviam com entusiasmo. Eles tinham pouco interesse na vida após a morte, a qual, mesmo para os grandes homens daquele tempo, era acreditada como sendo incômoda.

Na Odisséia, a morte de Aquiles retrata que ele preferia ser um escravo em vida à um rei morto. O melhor que um homem podia esperar seria procurar realizar grandes façanhas que seriam relembradas depois de sua morte.

Os gregos acreditavam no individualismo e apreciavam as diferentes personalidades e caráters. Eles eram fascinados pela contradição que muitas virtudes podem levar um homem exemplar à ruína ou à felicidade. Tinham uma forma de pensamento muito sutil.

Seus mitos e religião refletiam estas características. Seus deuses eram personalizados com poder e imperfeições individuais, deuses que cometiam erros e eram flagrados enganando seus cônjuges. Mas também eram deuses heróicos, hábeis, amáveis e desenvolviam artes e habilidades essenciais de diversas maneiras, como música, tecelagem, ferragem etc.

Os heróis mortais também tinham um papel importante na mitologia. Houve tempos em que os deuses precisavam de um herói mortal para vencer batalhas por eles. Mas muito raramente faziam com que um herói viesse a se tornar um deus.

Muitos dos mais famosos contos heróicos apresentam, vez ou outra, relatos de alguém sendo trazido de volta do mundo subterrâneo. Esta característica apresenta um forte contraste às religiões que consagram que a ida ao mundo além da vida é o caminho correto para objetivo principal da existência.
Deuses
Nos primórdios da história da Grécia, houve muitos deuses locais. Cada deus matinha um vínculo com um lugar sagrado. Podia ser um recanto misterioso de uma floresta ou um lago tranqüilo. Aos poucos doze deuses tomarem os mais importantes, sobressaindo-se aos demais. No ano 750 a.C, Hesíodo escreveu a história desses doze deuses do Monte Olimpo. Cada deus tinha o seu símbolo.
Zeus - o sábio, governava os deuses no Olimpo e protegia a Grécia.
Hera - terceira mulher de Zeus. Protegia as mulheres e as mães.
Atena - era a deusa da sabedoria.
Apolo - era o deus da luz, saúde e da morte repentina.
Ártemis - irmã gêmea de Apolo, era deusa da luz.
Hermes - era o mensageiro dos deuses.
Ares - era odiado pelos deuses, era o deus da guerra.
Hefesto - era o ferreiro aleijado dos deuses
Afrodite – a mais bela das deusas, deusa do amor.
Posêidon – deus dos mares
Héstia – era a tranqüila deusa do fogo
Deméter – era a deusa da fertilidade da terra
Heróis

    * Aquiles
    * Hércules
    * Jasão
    * Perseu
    * Teseu
    * Ulisses

Animais e Monstros Mitológicos

    * Centauro
    * Ciclopes
    * Harpias
    * Medusa
    * Minotauro
    * Pégaso
    * Quimera 

Lendas Mitológicas

    * Agamenon
    * Ariadne
    * Medéia
    * Narciso
    * Sísifo 

Histórias Mitológicas


    * Hesíodo
    * Homéro
    * Ilíada
    * Odisséia
    * Tróia
Relação entre a Mitologia Grega e a Romana 















NOME GREGO NOME ROMANO PAPEL NA MITOLOGIA
Afrodite Vênus Deusa da beleza e do desejo sexual (na mitologia romana, deusa dos campos e jardins)
Apolo Febo Deus da profecia, da medicina e da arte do arco e flecha (mitologia greco romana posterior: deus do Sol)
Ares Marte Deus da guerra
Ártemis Diana Deusa da caça (mitologia greco romana posterior: deusa da Lua)
Asclépio Esculápio Deus da medicina
Atena Minerva Deusa das artes e ofícios, e da guerra; auxiliadora dos heróis (mitologia greco romana posterior: deusa da razão e da sabedoria)
Crono Saturno Deus do céu; soberano dos Titãs (mitologia romana: deus da agricultura)
Démeter Ceres Deusa dos cereais
Dionísio Baco Deus do vinho e da vegetação
Eros Cupido Deus do amor
Géia Terra Mãe Terra
Hefesto Vulcano Deus do fogo; ferreiro dos deuses
Hera Juno Deusa do matrimônio e da fertilidade; protetora das mulheres casadas; rainha dos deuses










Hermes Mercúrio Mensageiro dos deuses; protetor dos viajantes, ladrões e mercadores
Héstia Vesta Guardiã do lar
Hipnos Sonho Deus do sonho
Hades Plutão Deus dos mundos subterrâneos; senhor dos mortos
Posêidon Netuno Deus dos mares e dos terremotos
Réia Cibele Esposa de Crono/Saturno; Deusa mãe
Urano Urano Deus dos céus; pai dos Titãs
Zeus Júpiter Soberano dos deuses olímpicos

Deuses Gregos e Romanos

Posted by Profº Monteiro on janeiro 16, 2014

Deuses Gregos e Romanos








NOME GREGO NOME ROMANO PAPEL NA MITOLOGIA
Afrodite Vênus Deusa da beleza e do desejo sexual (na mitologia romana, deusa dos campos e jardins)
Apolo Febo Deus da profecia, da medicina e da arte do arco e flecha (mitologia greco romana posterior: deus do Sol)
Ares Marte Deus da guerra
Ártemis Diana Deusa da caça (mitologia greco romana posterior: deusa da Lua)
Asclépio Esculápio Deus da medicina
Atena Minerva Deusa das artes e ofícios, e da guerra; auxiliadora dos heróis (mitologia greco romana posterior: deusa da razão e da sabedoria)
Crono Saturno Deus do céu; soberano dos Titãs (mitologia romana: deus da agricultura)
Démeter Ceres Deusa dos cereais
Dionísio Baco Deus do vinho e da vegetação
Eros Cupido Deus do amor
Géia Terra Mãe Terra
Hefesto Vulcano Deus do fogo; ferreiro dos deuses
Hera Juno Deusa do matrimônio e da fertilidade; protetora das mulheres casadas; rainha dos deuses

Hermes Mercúrio Mensageiro dos deuses; protetor dos viajantes, ladrões e mercadores
Héstia Vesta Guardiã do lar
Hipnos Sonho Deus do sonho
Hades Plutão Deus dos mundos subterrâneos; senhor dos mortos
Posêidon Netuno Deus dos mares e dos terremotos
Réia Cibele Esposa de Crono/Saturno; Deusa mãe
Urano Urano Deus dos céus; pai dos Titãs
Zeus Júpiter Soberano dos deuses olímpicos