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Grandes Livros - Os Lusíadas - Luiz Vaz de Camões - Documentário

Posted by Profº Monteiro on abril 23, 2017


“Grandes Livros” é um projeto multi-plataforma de divulgação da literatura portuguesa que envolve uma série de 12 documentários, com 50 minutos cada, narrados por Diogo Infante, ator e diretor do Teatro Nacional D. Mª II.

Visa contribuir para a promoção da leitura das grandes obras da literatura portuguesa junto de todas as faixas etárias de falantes de português. Cada episódio contará com a participação dos principais especialistas na obra e/ou no autor em análise.


Publicado em 1572, este livro é constituído por dez cantos, dez partes que narram os feitos históricos dos portugueses. Através da viagem marítima de Vasco da Gama para a Índia e das aventuras dos marinheiros nas Descobertas são entrelaçados os mitos, as figuras e os momentos que definem a História de Portugal.


Inês de Castro, D. Afonso Henriques, Nuno Álvares Pereira e tantos outros passeiam pelas estrofes e compõem um quadro grandioso de exaltação dos descendentes de Luso, os portugueses.

Na linha das epopeias clássicas, tais como a Odisseia ou a Eneida, a obra está dividida em quatro partes: Proposição, Invocação, Dedicatória e Narração. As três primeiras condensam-se no Canto I, com o maior excerto a mencionar D. Sebastião, o jovem rei a quem a obra foi dedicada.




Polémicas à parte, e se contarmos que o livro foi aprovado pelos censores do Santo Ofício, braço-direito da Inquisição, mesmo com as lascivas descrições do episódio da “Ilha dos Amores”, este continua a ser um dos textos mais importantes da literatura portuguesa




O Velho do Restelo ou o gigante Adamastor, mais que figuras míticas de um poema, já se tornaram referências desta cultura que é a nossa… e que Camões cantou.




Os Lusíadas – Luiz Vaz de Camões

“Grandes Livros” é um projeto multi-plataforma de divulgação da literatura portuguesa que envolve uma série de 12 documentários, com 50 minutos cada, narrados por Diogo Infante, ator e diretor do Teatro Nacional D. Mª II.

Os Lusíadas – Luiz Vaz de Camões

Publicado em 1572, este livro é constituído por dez cantos, dez partes que narram os feitos históricos dos portugueses. Através da viagem marítima de Vasco da Gama para a Índia e das aventuras dos marinheiros nas Descobertas são entrelaçados os mitos, as figuras e os momentos que definem a História de Portugal.


Onde encontrar o documentário: - -

Para assistir: YouTube

Trabalhos relacionados:
Lingua Portuguesa Partilhada - Análise de "Os Lusíadas"

-Portal São Francisco - Luis de Camões.php

-Educação Uol - Luís Vaz de Camões

-Portal São Francisco - Os Lusiadas

Livro:


-Dominio Público - Os Lusíadas – Luiz Vaz de Camões.
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Tenho dó das estrelas - Fernando Pessoa

Posted by Profº Monteiro on março 10, 2017

Tenho dó das estrelas



Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo…
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir…
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão –
Qualquer coisa assim
Como um perdão?

O amor é difícil por André Abujamra

Posted by Profº Monteiro on março 05, 2017

O amor é difícil 
por André Abujamra


Eu aqui do alto desse edifício penso no fim desde o início
Eu aqui na beira do precipício constato, de fato
Que o amor, esse é difícil
Cai em pingos de piano na minha sopa
Cai em pingos de piano na minha roupa
Pancadas no andar de cima do meu coração
Caldos de piscina são como beijos de paixão
A hipnose da flauta e que é serpente
A última dose afogou o amor da gente
E você é culpada até os dentes
O amor, esse é difícil
O amor, esse é difícil
É mais fácil achar um diamante do tamanho de um ovo de ema
É mais fácil levantar uma montanha com as próprias mãos
É mais fácil tocar tabla indiana de ponta-cabeça
É mais fácil agarrar com a unha vinte touros, dois leões e um tubarão
O amor, esse é difícil
O amor, esse é difícil
É mais fácil limpar o Cristo Redentor com cotonete
É mais fácil dar a volta ao mundo de mobilete
É mais fácil assobiar chupando cana de pijama
É mais fácil ser mais calmo que o Dalai Lama
Sem você eu não sei aonde ir
Je t'aime mois non plus
E sempre bom ver você sorrir
Je vous salue Marie
Onde andarás?

Aula O Modernismo de Guimarães Rosa

Posted by Profº Monteiro on março 01, 2017
Resultado de imagem para Modernismo de Guimarães Rosa

retirado Equipe Passeiweb



Guimarães Rosa (imagem ao centro), no dia da posse na ABL, em 16 de novembro
de 1967. Cortesia IEB-USP Fundo Guimarães Rosa


Rosa e o Modernismo

O início da carreira literária de Guimarães Rosa aconteceu oficialmente em 1946, com a publicação do livro de contos Sagarana, ao qual se sucederam a reportagem "Com o vaqueiro Mariano", em 1952, (incluída depois em Estas Estórias), o volume de novelas Corpo de Baile e o romance Grande Sertão: Veredas, em 1956; Primeiras Estórias, em 1962, Tutaméia(Terceiras Estórias), em 1967. Em 1969, após a morte do escritor, foram publicados os contos de Estas Estórias, que ele vinha preparando antes de morrer. Em 1970, foram reunidos emAve, Palavra, textos de diversas naturezas (crônicas, discursos etc) escritos durante toda a sua vida.

O livro Corpo de Baile é publicado atualmente em três volumes independentes: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites do Sertão.

Como já visto, a obra de Guimarães Rosa tem início na terceira fase do Modernismo e se impõe como um marco na evolução da literatura brasileira. Os textos regionalistas até então costumavam abordar os problemas brasileiros de uma maneira superficial, transportando para a literatura diversos preconceitos. Nesse aspecto, além de Guimarães Rosa, são também exceções Graciliano Ramos e José Lins do Rego.

O regionalismo de Guimarães Rosa deixa de dar ênfase à paisagem para focalizar o ser humano em conflito com o ambiente e consigo próprio. Dessa maneira, as personagens revelam tanto suas particularidades regionais como sua dimensão universal, ou seja, o que elas têm em comum com o restante da humanidade.
A valorização da cultura sertaneja num momento histórico em que predominava um discurso desenvolvimentista coloca o escritor na contramão da literatura brasileira que, praticamente desde seu início, defendeu a modernização do país. Por trás da atitude de Guimarães Rosa está a percepção de que o progresso condenaria ao silêncio o mundo dos contadores de histórias.

"Está no nosso sangue narrar estórias; já no berço recebemos esse dom para toda a vida. Desde pequenos, estamos constantemente escutando as narrativas multicoloridas dos velhos, os contos e lendas, e também nos criamos em um mundo que às vezes pode se assemelhar a uma lenda cruel. Deste modo a gente se habitua, e narrar estórias corre por nossas veias e penetra em nosso corpo, em nossa alma, porque o sertão é a alma de seus homens."
É possível comparar as diferentes relações que Guimarães Rosa e Graciliano Ramos têm com suas personagens e com o ambiente que elas habitam. Graciliano Ramos aparece como uma consciência crítica, ajudando as personagens a enxergar a miséria de sua condição material e a exploração a que estão sujeitas. Guimarães Rosa tem uma relação de simpatia e identificação com as personagens e a paisagem.

Na obra de Guimarães Rosa, as dualidades e antíteses são comuns para que o conflito do sentimento seja enfatizado. Desse modo, homem e mundo, realidade e devaneio, mundano e divino aparecem sempre em contraste e nos colocam diante de muita angústia, aridez e ceticismo; mas a poesia que perpassa tal obra nos remete a momentos do próprio mundo interior daquelas personagens que, por vezes, retratam nosso desejo de lutas, perdas e glórias.

O sertão e o mundo

Os contos e romances escritos por João Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. A sua obra destaca-se sobretudo pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais. Tudo isso, unindo à sua erudição, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas.

Em Guimarães Rosa transparece todo o misticismo do sertão, uma religiosidade quase medieval, baseada apenas nos dois extremos e marcada pelo medo, pelo pavor, em que há até mesmo a preocupação de não invocar o demo, para que ele não "forme forma"; daí o diabo ser tratado por "o que não existe" ou "o que não é mas finge ser" e expressões semelhantes.

Assim é o sertão de Rosa: ora particular, pequeno e próximo; ora universal e infinito, pois "o sertão é o mundo" ou, melhor ainda, "o sertão é dentro da gente". Por isso, logo na abertura deGrande sertão: veredas, o autor nos situa diante do problema:

"O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucúia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo Jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucúia vem dos montões oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá - fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniões... O sertão está em toda a parte."
O sertão aparece como um lugar político e econômico, mas também como um lugar metafórico e metafísico, refletindo as perturbações interiores das personagens e seus grandes questionamentos. Mais do que um lugar no espaço, entretanto, o sertão rosiano é uma região criada na linguagem, como observou o crítico Antonio Candido.

"Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos [...] O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães... O sertão está em toda parte."
Em Guimarães Rosa, os elementos próprios do sertão são apenas condutores para uma abordagem dos grandes problemas do homem. Suas estórias extraem do regional a elaboração de temas universais, revelando uma visão global da existência: indagações sobre o destino, o significado da vida e da morte, a existência ou não de Deus etc.

As disputas de terra, a utilização de mão-de-obra escrava ou semi-escrava, as gritantes diferenças sócio-econômicas e culturais permeiam toda a obra de Rosa, contemporânea a questões sobretudo relativas a meio-ambiente e sustentabilidade. Em Grande sertão: veredas, Riobaldo, narrador do romance, explica a seu entrevistador que, se ele foi conhecer as potencialidades ambientais e culturais do sertão, havia chegado tarde, pois, naquele momento, tudo já se achava em estado de degradação, em vias de desaparecimento.

Revolução na linguagem

"A música da linguagem deve expressar o que a lógica da linguagem obriga a crer [...]. O melhor dos conteúdos de nada vale, se a linguagem não lhe faz justiça."

A maior inovação nos livros de Guimarães Rosa é a linguagem: criativa, que explora a sonoridade das palavras, incorpora a fala regional, cria termos adaptando expressões de outras línguas. Essa novidade obriga o leitor a refletir sobre o significado das palavras para compreender a nova dimensão dada a conteúdos já conhecidos.

Sobre esse aspecto da obra de Rosa, o professor Eduardo Coutinho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, esclarece: "Como tudo na vida, as formas da linguagem também envelhecem e se tornam completamente inexpressivas após uso prolongado: palavras perdem o seu significado originário, expressões se tornam obsoletas, construções sintáticas inteiras caem em desuso e são substituídas por outras. Cabe, então, ao escritor, consciente de sua missão, refletir sobre cada palavra ou construção que utiliza e fazê-la recobrar sua energia primitiva, desgastada pelo uso. Em outras palavras, ele tem que revitalizar a linguagem".

A fala do povo é utilizada na obra de Guimarães Rosa como linguagem literária, aparecendo não só na fala do sertanejo, mas na própria voz do narrador. Assim, o autor rompe com a tradição em que o narrador escreve "certo" e as personagens falam "errado".

"Escrevo, e creio que este é o meu aparelho de controle: o idioma português, tal como o usamos no Brasil; entretanto, no fundo, enquanto vou escrevendo, eu traduzo, extraio de muitos outros idiomas. Disso resultam meus livros, escritos em um estilo próprio, meu, e pode-se deduzir daí que não me submeto à tirania da gramática e dos dicionários dos outros."
A princípio, percebe-se uma revalorização da linguagem; a seguir, a universalização do regional. O valor da linguagem particular de Guimarães Rosa não está no rebuscamento das palavras no uso de arcaísmos, mas sim nos neologismos, na recriação, na invenção das palavras, sempre tendo como ponto de partida a fala dos sertanejos, suas expressões, suas particularidades. Com isso, as palavras recriadas ganham força e significado novos, como afirma o crítico português Oscar Lopes:

"As metáforas de Guimarães Rosa são tantas e tão originais que produzem um efeito poético radical: o efeito de ressaca do significado novo sobre o significado corrente. A gente lê, por exemplo, que `o sabiá veio molhar o pio no poço, que é bom ressoador', e não fica apenas com uma admirável vocação acústica; as palavras `molhar' e `poço' descongelam-se, libertam-se da sua hibernação dicionarística ou corrente, e perturbam como um reachado todavia surpreendente."
O mesmo estranhamento que a linguagem de Guimarães Rosa provocou no crítico lusitano, podemos perceber em passagens como:

"Joãozinho Bem-Bem se sentia preso a Nhô Augusto por uma simpatia poderosa, e ele nesse ponto era bem-assistido, sabendo prever a viragem dos climas e conhecendo por instinto as grandes coisas. Mas Teófilo Sussuarana era bronco excessivamente bronco, e caminhou para cima de Nhô Augusto. Na sua voz:

- Êpa! Nomopadrofilhospritossantamêin! Avança, cambada de filhos-da-mãe, que chegou minha vez! ...

E a casa matraqueou que nem panela de assar pipocas, escurecida à fumaça dos tiros, com os cabras saltando e miando de maracajás, e Nhô Augusto gritando qual um demônio preso e pulando como dez demônios soltos.

- O gostosura de fim-de-mundo!..."
Trânsito livre da prosa à poesia

Guimarães Rosa aboliu as fronteiras entre prosa e poesia: seus textos são sempre em prosa, mas apresentam inúmeras características que se costumam considerar próprias da poesia, como as rimas, aliterações, onomatopéias etc. É certamente reflexo disso o fato de que as duas narrativas que constituem o livro Manuelzão e Miguilim (Campo geral e Uma estória de amor) são anunciadas no índice como poemas, porque para Guimarães Rosa importa tanto o que é dito (conteúdo) quanto como é dito (forma).

Mesmo a pontuação em seus textos não desempenha uma função ortográfica, mas estética, procurando fazer a escrita se aproximar do ritmo da fala, com travessões, reticências, exclamações, interrogações e, muitas vezes, vírgulas que separam sujeito e predicado, o que evidencia o rompimento do autor com os padrões gramaticais tradicionais, para aderir a uma estética da liberdade.

É importante ressaltar, no entanto, ainda com Eduardo Coutinho, que criando novas formas para a língua portuguesa, Guimarães Rosa "não ultrapassa, em momento algum, as barreiras impostas pela sua estrutura".

Trabalhador detalhista, Rosa estava atento a cada palavra que compunha suas criações e um testemunho de seu processo criativo são os inúmeros cadernos, cadernetas e diários em que anotava fragmentos de realidade que depois usaria na ficção: nomes de animais e plantas, expressões, nomes de lugares e pessoas, tudo.

"Você conhece os meus cadernos, não conhece? Quando eu saio montado num cavalo, por Minas Gerais, vou tomando nota de coisas. O caderno fica impregnado de sangue de boi, suor de cavalo, folha machucada. Cada pássaro que voa, cada espécie, tem vôo diferente. Quero descobrir o que caracteriza o vôo de cada pássaro, em cada momento."
Todo esse trabalho com a linguagem confere mais força ao imaginário mágico criado em suas "estórias". Aproximando-se do que está além da realidade, o contista explora os mistérios do pré-consciente e dos mitos inseridos no ser humano. A linguagem – recriada – do sertão ajuda a revelar esse espaço como um espelho do mundo. Partindo da fala peculiar do sertanejo, o autor a submete a um processo de reelaboração e invenção que a leva a atingir significados absolutamente inesperados. Sem dúvida, identifica-se como matéria-prima o sertão brasileiro com sua fauna, flora, o sertanejo e sua cultura. Mas a magia que desabrocha desse espaço é o que garante a universalidade. O espaço torna-se uma extensão das personagens, que estão sob minuciosa investigação psicológica do autor.

Vale lembrar que João Guimarães Rosa juntamente com Clarice Lispector foram dois grandes destaques da prosa na terceira fase do Modernismo. Extremamente preocupados com a elaboração da linguagem em seu grau máximo de expressão, são chamados pela crítica de romancistas instrumentalistas. Une-os ainda o caráter de sondagem psicológica que insere suas obras entre outras grandes de cunho universalista – isto é, de abordagem de temas atemporais, que refletem a alma humana. Mas as aproximações param por aí: enquanto Clarice Lispector intensificava a abordagem psicológica, afastando seus personagens de um enredo tradicional, Guimarães Rosa preocupou-se em trabalhar enredo e suspense, descobrindo o místico em acontecimentos do cotidiano.

A musicalidade na obra de Guimarães Rosa


Guimarães Rosa com seus gatos, uma
de suas paixões (1944)
“Sou precisamente um escritor que cultiva a idéia antiga, porém sempre moderna, de que o som e o sentido de uma palavra pertencem um ao outro. Vão juntos. A música da língua deve expressar o que a lógica da língua obriga a crer”, afirmou João Guimarães Rosa, dialogando com o crítico alemão Günter Lorenz. As confissões de Rosa a Lorenz evidenciam como o escritor pensava (e sentia) a tensão dinâmica que rege a musicalidade das palavras. O que quer dizer essa musicalidade? Todos os seus significados apresentados pelo Dicionário Houaiss – “caráter, qualidade ou estado do que é musical”; “talento ou sensibilidade para criar ou executar música”; “sensibilidade para apreciar música; conhecimento musical”; “expressão do talento musical de alguém”; e “cadência harmoniosa; ritmo” (Houaiss, 2001) – se mostram oportunos para motivar uma leitura original da obra de Guimarães Rosa.

A prosa do Corpo de Baile, ao encontrar-se tão próxima da poesia em sua essência e origem, contém uma disposição musical que transparece e faz soar sentidos inauditos. Quase desnecessário afirmar que é preciso gostar para dar um acolhimento amoroso. Gostar, verbo que vem da mesma raiz do grego geúo, quer dizer provar ou experimentar. Ler em voz alta ou silenciosamente. Circular na tríade que envolve o leitor, a leitura e o ato de ler. Musicar a obra literária na medida em que o ritmo da leitura venha trazer inevitáveis sugestões melódicas e harmônicas. Aproximar-se da sonoridade de cada palavra.

O encadeamento, a abertura das vogais e a alternância consonantal, por si sós, são elementos que têm como propriedade dar ao leitor a musicalidade do texto. No entanto, a obra de Rosa oferece mais. Faz vibrar a celebração poética dos sons constituídos nas palavras. Sons que prescindem da apreensão representacional do mundo. Palavras que confluem “na alegria de tudo, como quando tudo era falante, no inteiro dos campos-gerais...” (Rosa, 1965, p. 67). Poética no transe de sua sagração sonora, onde o nome e a coisa nomeada se fundem. Unificam-se concomitantemente no mesmo destino cósmico a presença e o som. Consagram-se.

O papel de Guimarães Rosa na Literatura Brasileira

Críticos como Antônio Cândido, Cavalcanti Proença e Benedito Nunes perceberam, desde as primeiras publicações de Rosa, a exuberante e inovadadora riqueza temática, lingüística e estrutural das obras do escritor. Em Grande sertão: veredas, a narrativa radicalmente inovadora se estrutura como um grande diálogo resultante da entrevista concedida pelo ex-jagunço Riobaldo a um homem culto que vem de fora para saber notícias do sertão no tempo da jagunçagem, de suas guerras geradas pelas truculentas disputas de poder e terras. Trata-se de diálogo, ou monodiálogo, em que se houve apenas a voz do entrevistado, como se essa fosse a hora e a vez de um sujeito subalterno pronunciar sua versão da história.

Do ponto de vista lingüístico, Guimarães Rosa operou grandes transformações na sintaxe, na morfologia, nos usos literários em geral, tendo em vista a forma como tais padrões eram empregados até então na literatura brasileira. Além de fragmentar a linearidade das frases para, por exemplo, sugerir a descontinuidade do tempo ou da linguagem oral, ele cria neologismos ou recupera arcaísmos já esquecidos da língua portuguesa. Vale-se, ainda, de construções de palavras que implicam a aglutinação de dois ou mais idiomas no sentido de obrigar sua língua literária a dizer e significar mais do que o habitual, de criar situações inusitadas, de instituir uma espécie de princípio, de inteligibilidade universal, não apenas para sua língua, mas também para os espaços e contextos em que personagens estrangeiros conseguem interagir.

Fonte: José Vinícius Pessoa, Mestre e doutorando em Letras pela UFRJ
retirado passei web

A Origem Da Língua Portuguesa

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 17, 2017
A Origem Da Língua Portuguesa




No texto “A história da língua portuguesa”, o autor trata da evolução do nosso idioma pelo

Ponto de vista histórico e gramatical, pois a língua portuguesa nada mais é que o latim falado no ocidente da península ibérica, porém modificado, transformado nas línguas românicas e novilatinas.

Segundo o autor dois povos viviam na península, e deram origem ao Basco e Ibero.

A partir desse ponto o autor faz uma apresentação cronológica onde narra o desenvolvimento lingüístico do latim até o português.

Seguindo as idéias do autor, devido as grandes riquezas da região outros povos cobiçavam-na, entre eles os fenícios e gregos, após disputas os gregos são derrotados e com isso inicia-se a decadência dos tartéssios.

Os fenícios fixaram-se na costa da península meridional em 1100 a.c e fundaram gadir hoje càdiz, Málaga, e Abdra.

O povo fenício não era colonizador por isso não penetrava no interior das terras.

Após seu enfraquecimento os fenícios foram absorvidos pelo povo indígena.

Já os gregos não desistiram mesmo batidos no sul fundaram prosperas feitorias, que são hoje remanescentes alicante (lucentum) , (Denia hemeroscopion), (rosas Rhodes) e (ampurias emporium).

O contato dos dois povos foi útil para o desenvolvimento da arte na península, no norte e oeste da Ibéria os povos europeus se sobrepuseram sobre o povo nativo; no século V e III a.c houve a invasão dos celtas que se estabeleceram na região da galécia e nas regiões altas de Portugal,o domínio celta não foi pacifico porém a convivência dos celtas e iberos resultou no povo celtibero.

Se não fosse o cartaginês que falava um dialeto fenício (o púnico) a presença dos fenícios teria se apagado por completo, mas Roma não via com bons olhos o progresso de Cartago pois temia perder o controle da península, após uma guerra de 118 anos Roma sai vitoriosa e torna a híspania sua vassala.

Em 197 a.c Roma foi anexada como província da península.

A romanização da Ibéria se deu em 2 períodos o primeiro foi desde as guerras punicas até o estabelecer do império, a segunda veio com o advento de augusto e passa durante todo o período imperial uma época tranqüila e de assimilação nessa época a península foi dividida em três: terraconense, bética e Lusitânia.Essa assimilação foi tranqüila devido à proximidade do latim e do celta e deu-se das cidades até os campos.

Essa romanização ocorreu devido a vários fatores sendo eles:

O fato de após o recrutamento militar os jovens voltarem para seu lar levando consigo seu aprendizado o fácil intercambio com a metrópole o direito de cidadania dada aos urbes hispânicos e o cristianismo pregado por um latim acessível que reduz a distancia entre as classes sociais.

O autor relata varias citações em textos da época que comprovam esses fatos.

O latim que se vulgarizou foi o latim sermo vulgaris que nos da noticia os gramáticos latinos, a outra modalidade era o sermus urbanus conhecido sim, mas nas escolas.

O latim falado pelo povo fora levado para a hispania e sofreu modificações inevitáveis e automáticas porem algo perturbou esse processo, pois no século V a península foi invadida pelos vândalos que se fixaram na galécia e bética e firmaram uma dinastia na áfrica que durou por um século, em seguida os suevos ocuparam a galécia e a Lusitânia depois de um tempo foi a vez dos Godos que absorveram os suevos no século (VI).Apesar de vencedoras as tribos germanas acolhem os costumes e a língua da região (latim) já modificado com isso ocorre à queda da nobreza e das escolas onde se cultivavam as línguas cultas.

Como herança germânica ficaram vocábulos de seu uso e costumes armas, vestes, insígnias.

No século VIII foi a vez da invasão mulçumana que após vencer os godos tornou-se soberana no território visigótico.Com isso ocorre mais uma fusão, pois muitos godos adotam a cultura dos conquistadores e surge assim os moçarabes .

Os árabes defendiam as letras e as ciências durante seu domínio progridem a agricultura, comércio e a industria.Foi adotada oficialmente a língua árabe, mas muitos dos conquistados falavam o latim (modificado).

Muitos não aceitam essa dominação árabe e se isolam nas montanhas, seus sucessores foram aos poucos retomando o seu território e por fim acabando de vez com o domínio mouro.A herança do vocabulário árabe foi voltada a nomes de plantas, instrumentos e ofícios entre outros. Os cristãos organizaram cruzadas e devido a essas cruzadas formaram-se os reinos de leão, Castela e Aragão D. Henrique conde de Borgonha se destaca nas cruzadas e casa-se com a filha de D.Afonso VI rei de leão e Castela.

A nacionalidade portuguesa começa com Afonso Henrique filho em 1139 que se tornou rei em 1143.

Nessa região o latim se desenvolve de uma forma diferente pelo fato de ter sido ocupado pelos celtiberos e se torna um feudo independente, Surge então o galego-português,

Que após se espalhar e se fundir com o idioma da região meridional se separa em galego e português.No século IX aparecem textos redigidos nesse idioma.

Surge aproximadamente em 1300 à poesia, o século XVI aparece como o século de ouro da literatura e surge também a gramática disciplinando a língua.

Na renascença o pequeno Portugal se torna grande com os descobrimentos marítimos e o idioma alcança as ilhas do atlântico, as costas da Ásia, e áfrica chegando também na terra de Vera cruz.



No texto o autor nos da uma visão bem ampla e objetiva sobre o nosso idioma, abordando os fatos históricos que influenciaram nas alterações lingüísticas que regem a língua nos tempos contemporâneos.

Sem deixar de exemplificar com citações textuais e históricas dando assim maior credibilidade ao texto abordado, e nos leva para uma viagem através dos tempos, nos dando prazer em saber que o ato da comunicação é bem mais complexo do que se imagina e alem de aprender mais sobre a nossa língua teremos boas horas de entretenimento.

Modernismo - A obra de Clarice Lispector

Posted by Profº Monteiro on outubro 11, 2016

retirado de PASSEIWEB


Em 1942, Clarice Lispector começou a escrever seu primeiro romance,
 Perto do coração selvagem e o publicou em 1943. 
A carreira de Clarice Lispector
iniciou com o romance Perto do
Coração Selvagem

O romance introspectivo




Esse primeiro romance fez certo alarde entre os críticos brasileiros. Alguns acharam a obra intolerável e estranha; diziam que "essa escritora de nome esquisito" queria se exibir. Outros, como Antonio Cândido, apesar de não verem na obra a perfeição, reconheceram a coragem dessa escritora desconhecida em usar nossa língua para criar frases introspectivas originais, metáforas extravagantes e enredos muito diferentes dos que os romancistas regionalistas (Jorge Amado, Érico Veríssimo, Graciliano Ramo, José Lins do Rego) criavam na época, cujas obras engajadas politicamente todos gostavam.

Clarice estava introduzindo na literatura brasileira um novo modo de narrar, semelhante ao das escritoras de língua inglesa Katherine Mansfield e Virginia Woolf: o romance introspectivo, cujo enredo (a história) importa bem menos que o "mergulho" do narrador no fluxo de pensamento do personagem.
Esse mergulho é tão abrupto que o leitor depara-se com ele sem aviso do narrador. Joana, sua primeira protagonista, aparece no romance já capturada em meio a seus pensamentos. Veja os dois parágrafos iniciais de Perto do coração selvagem:

A máquina do papai batia tac-tac... tac-tac-tac... O relógio acordou em tin-dlen sem poeira. O silêncio arrastou-se zzzzzz. O guarda-roupa dizia o quê? roupa-roupa-roupa. Não, não. Entre o relógio, a máquina e o silêncio havia uma orelha à escuta, grande, cor-de-rosa e morta. Os três sons estavam ligados pela luz do dia e pelo ranger das folhinhas da árvore que se esfregavam umas nas outras radiantes.

Encostando a testa na vidraça brilhante e fria olhava para o quintal do vizinho, para o grande mundo das galinhas-que-não-sabiam-que-iam-morrer. E podia sentir como se estivesse bem próxima de seu nariz a terra quente, socada, tão cheirosa e seca, onde bem sabia, bem sabia uma ou outra minhoca se espreguiçava antes de ser comida pela galinha que as pessoas iam comer.
Um modo diferente de narrar

Percebe-se que o narrador captura o pensamento da personagem (que não se sabe ainda chamar-se Joana) e mostra isso através do discurso indireto livre. Tal estratégia de criar não foi inventada por Clarice Lispector, mas ela a usou como aspecto central de seu estilo em todas as suas obras.

Nota-se também que a máquina de escrever é "do papai", portanto, logo de início, é a filha que tem seus pensamentos revelados - em total intimidade, pois ela está pensando apenas. Essa menina vai olhar com piedade para as galinhas "que não sabiam que iam morrer" e pensa nas minhocas que essas galinhas iam comer. Ou seja, nada é dito por Joana, para ninguém. É o narrador que a captura, e por isso cria um monólogo interior.

E nota-se as onomatopéias usadas (tac-tac... tac-tac-tac... O relógio acordou em tin-dlen sem poeira. O silêncio arrastou-se zzzzzz). Não era habitual na literatura vigente usar esses recursos.

Além disso a escritora cria suas metáforas: "uma orelha grande, cor-de-rosa e morta". O que será isso? O que ela quer dizer? Não se sabe ao certo, mas a essas construções esquisitas Antonio Candido deu o nome de "metáforas insólitas", ou seja, metáforas muito inesperadas e bastante originais.

Toda a obra posterior de Clarice (contos e romances) "persegue" esse modo de narrar. A partir de 1960, depois de escrever mais alguns romances, Clarice volta ao Rio de Janeiro e consolida sua grande carreira de contista.

Quando mudou-se para Nápoles, começou a escrever outro romance, O Lustre, publicado em 1946.

Em 1949, foi publicado outro romance, A Cidade Sitiada, cujos personagens são mais corpos que consciência, mais objetos que suspeitos, o mal aparece e se faz presente. Depois, foi publicado, um livro de contos chamado Alguns Contos, no ano de 1952.

No ano de 1960, foi publicado Laços de Família, livro de literatura brasileira absolutamente renovado, que também atingiu o mais alto patamar da arte da escrita ficcional.

Em 1961, foi publicado A maçã no escuro, um romance.

Em 1964 foi publicado o livro de contos A Legião estrangeira e o romance A paixão segundo G. H..

No ano de 1967 recebeu o prêmio Calunga, da Campanha Nacional de Criança, pela publicação de O Mistério do Coelho Pensante, publicado no mesmo ano.

Em 1969, foi publicado Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, um romance, e A mulher que matou os peixes, um livro infantil.

Foram publicados também Água Viva, em 1973, onde Lispector leva a extremos a insurreição formal e a desestruturação da forma romancesca, criando um gênero híbrico, marcado pela fluidez, pela aparência inacabada e inconclusa, produto da liberdade. Ainda em 73, teve publicação A vida íntima da Laura, um livro infantil.

Entre 1974 e 1977, foram publicados A via-crucis do corpo, Onde estiveste de noite, De corpo inteiro, um livro de entrevistas, Visão do Esplendor e o seu último livro publicado no ano de sua morte A hora da estrela, uma novela.

Clarice Lispector tem um estilo literário inconfundível, presente em toda sua obra. A renovação da linguagem se encontra constante num grau que aproxima a prosa da poesia. Seus textos, apenas narram histórias, mas também apresentam a síntese e a força expressiva típicas da poesia. Além da linguagem, outro aspecto inovador na obra de Clarice é a visão do mundo que surge de suas histórias.

Mesmo tendo se iniciado como escritura numa época em que os romancistas brasileiros estavam voltados para a literatura regionalista ou de denúncia social, Clarice enfocou em seus textos o ser humano em suas angústias e questionamentos existenciais. Em suas narrativas, o enredo, bem como as personagens, as referências de tempo e espaço ganham novos significados: o enredo é quase sempre psicológico. O tempo e o espaço, por sua vez tem pouca influência sobre o comportamento das personagens; o tempo é psicológico e espaço é quase acidental.

A indiscutível originalidade e a perturbadora percepção da validade presentes na obra de Lispector a tornam única dentro da literatura brasileira. É impossível ficar-se indiferente diante do texto de Clarice, pois a força da sua linguagem, a intensidade das emoções das suas personagens atingem em cheio o leitor, provocando no mínimo um incômodo estranhamento. É como se o texto convidasse o leitor à desvendá-lo e, desvendando-o, descobrisse um pouco mais do ser humano.

Barroco - A poesia lírica de Gregório de Matos

Posted by Profº Monteiro on outubro 11, 2016

autoria de Odete Antunes (Profª Odete)



1. Poesia lírica sacra - A culpa e o arrependimento

A poesia lírica de Gregório de Matos pode ser dividida em lírica sacra, lírica amorosa (espiritual e carnal), lírica encomiástica (poemas de circunstância, oemas laudatórios) e lírica filosófica. Analisemos, uma a uma, a poesia lírica desse autor barroco:


Expressa a cosmovisão barroca: a insignificância do homem perante Deus, a consciência nítida do pecado e a busca do perdão. Ao lado de momentos de verdadeiro arrependimento, muitas vezes o tema religioso é utilizado como simples pretexto para o exercício poético, desenvolvendo engenhosos jogos de imagens e conceitos.

As idéias de Deus e do pecado, ao mesmo tempo que se opõem, são complementares. Embora Deus detenha o poder da condenação da alma, está sempre disposto ao perdão, por sua misericórdia e bondade; daí deriva Sua maior glória.

A CRISTO N. S. CRUCIFICADO, estando o poeta na última hora de sua vida

1 Meu Deus, que estais pendente de um madeiro,
2 Em cuja lei protesto de viver,
3 Em cuja santa lei hei de morrer,
4 Animoso, constante, firme e inteiro:

5 Neste lance, por ser o derradeiro,
6 Pois vejo a minha vida anoitecer;
7 É, meu Jesus, a hora de se ver
8 A brandura de um Pai, manso Cordeiro.

9 Mui grande é o vosso amor e o meu delito;

10 Porém pode ter fim todo o pecar,
11 E não o vosso amor que é infinito.

12 Esta razão me obriga a confiar,
13 Que, por mais que pequei, neste conflito
14 Espero em vosso amor de me salvar.Nas duas primeiras estrofes, o poeta expressa a contrição religiosa e a crença no amor infinito de Cristo, para manifestar, no final, a certeza do perdão. O soneto encobre uma formulação silogística, que se pode expressar dessa maneira: o amor de Cristo é infinito (verso 11); o meu pecado, por maior que seja, é finito, e menor que o amor de Jesus (versos 9 e 10). Logo, por maior que seja o meu pecado, eu espero salvar-me (versos 13 e 14).

BUSCANDO A CRISTO

1 A vós correndo vou, braços sagrados,
2 Nessa cruz sacrossanta descobertos,
3 Que, para receber-me, estais abertos,
4 E, por não castigar-me, estais cravados.
5 A vós, divinos olhos, eclipsados
6 De tanto sangue e lágrimas abertos,
7 Pois, para perdoar-me, estais despertos,
8 E, por não condenar-me, estais fechados.

9 A vós, pregados pés, por não deixar-me,
10 A vós, sangue vertido, para ungir-me,
11 A vós, cabeça baixa p ‘ra chamar-me.

12 A vós, lado patente, quero unir-me,
13 A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
14 Para ficar unido, atado e firme.

O soneto é construído a partir de um sistema de metonímias que vão relacionando as partes de Cristo ("braços", "olhos", "pés", "sangue", "cabeça", "cravos"), substituindo todo o Cristo crucificado.

Os versos 5, 9, 10, 11, 12 e 13 constroem-se com a omissão do verbo, que aparecera no 1º verso - "correndo vou”. Em todos eles ocorre o procedimento estilístico denominado zeugma (= elipse de uma palavra ou expressão próxima no contexto). Assim, nos versos -mencionados, deve-se ler:

"A vós (correndo vou), divinos olhos (...)"

"A vós (correndo vou), pregados pés (... )" etc.

Outro recurso empregado são as anáforas (repetição de palavra(s) no início de dois ou mais versos). Observe a repetição de “a vós” (v. 5, 9, 10, 11, 12, 13), e de "e por não" (v. 4 e 8).

Enquanto no texto anterior o jogo de idéias é predominante (aspecto conceptista), neste, o mais evidente é o trabalho com as palavras, por meio das figuras de linguagem (aspecto cultista).

Observe que o mesmo poeta contrito dos textos sacros é autor de sátiras violentas ao clero:

A nossa Sé da Bahia,
com ser um mapa de festas,
é um presepe de bestas,
se não for estrebaria:
Várias bestas cada dia.

Ou:

E nos frades há manqueiras ?...Freiras.
Em que ocupam os serões?... Sermões.
Não se ocupam em disputas?... Putas.

Com palavras dissolutas
Me concluís, na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões e putas.

2. Poesia lírica amorosa - O espírito e a carne

Apresenta-se sob o signo da dualidade barroca, oscilando entre a atitude contemplativa, o amor elevado, à maneira dos sonetos de Camões, e a obscenidade, o carnalismo. É curioso que a postura platônica é dominante, quando o poeta se refere a mulheres brancas, de condição social superior, e a libido agressiva, o erotismo e o desbocamento são as tônicas, quando o poeta se inspira nas mulheres de condição social inferior, especialmente as mulatas. Neste sentido, destaca-se já certa “tropicalidade”, a antecipação de certo “sentimento brasileiro”.

Minha rica mulatinha,
desvelo e cuidado meu,
eu já fora todo teu,
e tu foras toda minha;

Juro-te, minha vidinha,
se acaso minha qués ser,
que todo me hei de acender
em ser teu amante fino pois
por ti já perco o tino,
e ando para morrer.

Observe os versos curtos e a aproximação com uma linguagem mais espontânea e popular. A mulher é vista tanto de modo espiritualizado, quanto como objeto de desejo carnal. Ambas as visões podem aparecer no mesmo texto, estabelecendo um conflito, conforma ocorre no soneto transcrito a seguir, Anjo no nome, Angélica na cara, onde também encontra-se a atitude idealizante e a linguagem mais erudita:

A D. ÂNGELA

Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara?
Quem vira uma tal flor que a não cortara
De verde pé, da rama florescente;
E quem um Anjo vira tão luzente
Que por seu Deus o não idolatrara?

Se pois como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu Custódio e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que por bela, e por galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo que me tenta, e não me guarda.

O soneto marca-se pelo aspecto cultista, desenvolvendo-se por meio do jogo de palavras e imagens: “Ângela” = “Angélica” = “Anjo”, “flor” = “florente”.

O tema central é o caráter contraditório dos sentimentos do poeta pela mulher, que é simultaneamente flor (metáfora da beleza) e objeto do desejo, e anjo (metáfora da pureza) e símbolo da elevação espiritual.

A contradição entre o amar e o querer desemboca no paradoxo dos versos finais: “Sois Anjo que me tenta e não me guarda.”

O tema clássico do carpe diem (= aproveita o dia) é freqüente. A consciência da fugacidade do tempo e das incertezas da vida leva à necessidade de fruição imediata dos prazeres.

É o que se nota em:
Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca, o Sol e o dia:

Enquanto com gentil descortesia,
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança brilhadora,
Quando vem passear-te pela fria...

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata a toda a ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.
Oh não aguardes que a madura idade
Te converta essa flor, essa beleza,
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

Os textos que iremos transcrever demonstram cabalmente o conflito carne x espírito, mediante duas definições do amor.

O Amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias.

Uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um rebuliço de ancas;
quem diz outra coisa, é besta.
Ardor em firme coração nascido;
Pranto por belos olhos derramado;
Incêndio em mares de água disfarçado;
Rio de neve em fogo convertido:

Tu, que em um peito abrasas escondido;
Tu, que em um rosto corres desatado;
Quando fogo, em cristais aprisionado;
Quando cristal, em chamas derretido.

3. Poesia lírica encomiástica

Gregório de Matos escreveu também poemas laudatórios (de elogio), de circunstância (festas, homenagens, fatos corriqueiros). Um exemplo curioso é o poema cujo inicio transcrevemos, uma homenagem ao desembargador Belchior da Cunha Brochado:

O elemento lúdico (= de jogo) do Barroco é a marca predominante do texto. Cada par de versos tem em comum as terminações das palavras (ex.: 1ª palavra do 1º verso: douTO; 1ª palavra do 2ª verso: reTO), o que explica o estranho arranjo espacial do texto. A leitura deve ser feita como se se tratasse de versos comuns; assim sendo, os dois primeiros versos lêem-se:

Douto, prudente, nobre, humano, afável,

Reto, ciente, benigno e aprazível

retirado do site passeiweb

Literatura Brasileira - Barroco

Posted by Profº Monteiro on julho 08, 2016

Questões



01. (SANTA CASA) A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que:
a)desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza
b)quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura
c)descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião
d)se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos céticos
e)se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus


02. A respeito de Gregório de Matos, assinale a alternativa, incorreta:
a)Na poesia sacra, o homem não busca o perdão de Deus; não existe o sentimento de culpa, ignorando-se a busca do perdão divino
b)Alguns de seus sonetos sacros e líricos transpõem, com brilho, esquemas de Gôngora e de Quevedo
c)As suas farpas dirigiam-se de preferência contra os fidalgos caramurus
d)A melhor produção literária do autor é constituída de poesias líricas, em que desenvolve temas constantes da estática barroca, como a transitoriedade da vida e das coisas
e)Alma maligna, caráter rancoroso,relaxado por temperamento e costumes, verte fel em todas as suas sátiras


03. (UEL) Identifique a afirmação que se refere a Gregório de Matos:
a)Dos poetas arcádicos eminentes, foi sem dúvida o mais liberal, o que mais claramente manifestou as idéias da ilustração francesa
b) No seu esforço da criação a comédia brasileira, realiza um trabalho de crítica que encontra seguidores no Romantismo e mesmo no restante do século XIX
c)Sua obra é uma síntese singular entre o passado e o presente: ainda tem os torneios verbais do Quinhentismo português, mas combina-os com a paixão das imagens pré-românticas
d)Teve grande capacidade em fixar num lampejo os vícios, os ridículos, os desmandos do poder local, valendo-se para isso do engenho artificioso que caracteriza o estilo da época
e)Sua famosa sátira à autoridade portuguesa na Minas do chamado ciclo do ouro é prova de que seus talento não se restringia ao lirismo amoroso

Texto para as questões 04 a 06
À INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em continuas tristezas a alegrias,

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto, da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria, sinta-se triste.
Começa o Mundo enfim pela ignorância
A firmeza somente na inconstância.

04. A idéia central do texto é:
a)a duração efêmera de todas as realidades do mundo
b)a falsidade das aparências
c)a grandeza de Deus e a pequenez humana
d)a duração prolongada do sofrimento
e)os contrastes da vida


05. Qual é o elemento barroco mais característico da 1ª estrofe?
a)estrutura bimembre
b)estrutura correlativa, disseminativa e recoletiva
c)disposição antitética da frase
d)concepção teocênctrica
e)cultismo


06. No texto predominaram as imagens:
a)táteis
b)olfativas
c)auditivas
d)visuais
e)gustativas


07. (UNIV. CAXIAS DO SUL) Escolha a alternativa que completa de forma correta a frase abaixo:
A linguagem ______, o paradoxo, ________ e o registro das impressões sensoriais são recursos lingüísticos presentes na poesia ________.
a)subjetiva o verso livre romântica
b)rebuscada a antítese barroca
c)detalhada o subjetivismo simbolista
d)simples a antítese parnasiana


08. (VUNESP)
Ardor em firme coração nascido;
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:

tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando crista, em chamas derretido.

Se és fogo, como passas brandamente,
se és fogo, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

Pois para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria. O texto pertencente a Gregório de Matos e apresenta quais características:
a)Dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática por simétrica por simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares antitéticos que tendem para o paradoxo
b)Temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta predominando sobre a ordem inversa, imagens que prenunciam o Romantismo
c)Trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta
d)Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar, predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida


09. (MACKENZIE-SP) Assinale a alternativa incorreta:
a)A literatura seiscentista reflete um dualismo:o ser humano dividido entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão
b)O Barroco apresenta estados de alma expressos através de antíteses, paradoxos, interrogações
c)O conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, enquanto o cultismo é marcado pelo jogo de idéias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista
d)A literatura informativa do Quinhentismo brasileiro empenha-se em fazer um levantamento da terra, daí ser predominantemente descritiva
e)Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias que seguem a tradição medieval e textos para teatro com clara intenção catequista


10. Com referência ao Barroco, todas as alternativas são corretas, exceto:
a)O homem centra suas preocupações em seu próprio ser, tendo em mira seu aprimoramento, com base na cultura greco-latina
b)O Barroco apresenta, como característica marcante, o espírito de tensão, conflito entre tendências opostas: de um lado, o teocentrismo medieval e, de outro, o antropocentrismo renascentista
c)O Barroco estabelece contradições entre espírito e carne, alma e corpo, morte e vida
d)A arte barroca é vinculada à Contra-Reforma
e)O barroco caracteriza-se pela sintaxe obscura, uso de hipérbole e de metáforas



Gabarito do seu teste


01 - B 02 - C 03 - D 04 - A 05 - C


06 - D 07 - B 08 - A 09 - C 10 - A

Literatura Brasileira - Modernista

Posted by Profº Monteiro on julho 06, 2016
Questões


01. (UFC) A respeito do livro Macunaíma, é correto afirmar que:
a)A obra faz uma leitura do Brasil sob a ótica do colonizador
b)A história se passa predominantemente na capital paulista, daí porque o livro pode ser considerado uma crônica do cotidiano paulistano
c)O episódio de base da narrativa consiste na perda e reconquista da muiraquitã
d)O processo de criação do livro não mantém nenhum vinculo com qualquer obra anteriormente escrita
e)O livro é uma sátira ao Brasil através da reconstituição fiel de fatos históricos retidos na memória do autor


02. (FUVEST) Indique a alternativa em que a proximidade estabelecida está correta:
a) A terra paradisíaca, em Gonçalves Dias, é projeção nacionalista; a Pasárgada, de Manuel Bandeira, é anseio intimista
b)A figura do malandro, positiva em Manuel Antonio de Almeida, é alvo de Mário de Andrade em sua sátira Macunaíma
c)José de Alencar buscou expressar nossa diversidade cultural-projeto que só a obra de Machado de Assis viria a realizar
d)O lirismo de Gregório de Matos é conflitivo e confessional; o de Cláudio Manuel da Costa é sereno e impessoal
e)A ficção regionalista, imatura no século XIX, ganho força ao abraçar as teses do determinismo cientifico, no século XX


03. (UFSM-RS-adaptada) Assinale a alternativa incorreta a respeito da poesia de Carlos Drummond de Andrade:
a)O sujeito poético, constantemente, transmite sensações de dúvida e de negação
b)Importantes poemas publicados na década de 1940 tratam de temas de caráter social
c) O sujeito poético, várias vezes, reveste suas expressões de um fino traço de humor
d)Os versos que contêm uma ênfase mística podem ser vistos como produtos do fervor católico do poeta
e)O jogo verbal, em alguns poemas, acentua a relativização das várias faces da realidade


04. (PUCCAMP) Assinale a alternativa em que se encontram preocupações estéticas da Primeira Geração Modernista:
a)“Na exaustão causada pelo sentimentalismo, a alma ainda tremula e ressoante da febre do sangue, a alma que ama e canta porque sua vida é amor e canto, o que pode senão fazer o poema dos amores da vida real?”
b)“Vestir a Idéia de uma forma sensível que, entretanto, não terá seu fim em si mesma, mas que, servindo para exprimir a Idéia, dela se tornaria submissa.”
c)“O poeta deve ter duas qualidades: engenho e juízo; aquele, subordinado à imaginação, este, seu guia, muito mais importante, decorrente da reflexão. Daí não haver beleza sem obediência à razão, que aponta o objetivo da arte: a verdade.”
d)“Não entrem no verso culto o calão e solecismo, a sintaxe truncada, o metro cambaio, a indigência das imagens e do vocabulário do pensar e do dizer.”
e)“Minhas reivindicações? Liberdade. Uso dela; não abuso.”
“E não quero discípulos. Em arte: escola = imbecilidade de muitos para vaidade dum só.”


05. (FATEC)
E o olhar estaria ansioso esperando
e a cabeça ao sabor da mágoa balançado
e o coração fugindo e o coração voltando
e os minutos passando e os minutos passando... (Vinícius de Moraes, O olhar para trás)
A figura de linguagem que predomina nestes versos é:
a)O pleonasmo, marcado pela repetição desnecessária da conjunção coordenada sindética aditiva e
b)O paradoxo, expresso pela contradição das ações manifestadas pelos verbos no gerúndio
c)O polissíndeto, caracterizado pela repetição da conjunção coordenada aditiva e, para conotar já intensidade da crescente sensação de ansiedade contraditória do ato de esperar
d)A sinestesia, manifestada pela referência à interação dos sentidos: visão e coração no momento de espera
e)A metáfora, expressa pela analogia entre o ato de esperar e o ato de balançar


06. (FUVEST) É correto afirmar que, em Morte e Vida Severina:
a)O caráter de afirmação da vida, apesar de toda a miséria, comprova-se pela ausência da idéia de suicídio
b) A viagem do retirante, que atravessa ambientes menos e mais hostis, mostra-lhe que a miséria é a mesma, apesar dessas variações do meio físico
c)As falas finais do retirante, após o nascimento de seu filho, configuram o “momento afirmativo”, por excelência, do poema
d)A visão do mar aberto, quando Severino finalmente chega ao Recife, representa para o retirante a primeira afirmação da vida contra a morte
e)A alternância das falas de ricos e de pobres, em contraste, imprime à dinâmica geral do poema o ritmo da luta de classes


07. (PUCCAMP)
O alpinista
de alpenstock
desceu
nos Alpes
O texto acima, capítulo do romance Memória Sentimentais de João Miramar, exemplifica uma tendência do autor de:
a)Procurar as barreiras entre poesia e prosa, utilizando estilo alusivo e elíptico
b)Procurar “ser regional e puro em sua época”, negando influencias das vanguardas européias
c) Buscar uma interpretação lírica de seu país, explorando a forca sugestiva das palavras
d) Explorar o poema em forma de prosa, satirizando as manifestações literárias do Pré-modernismo


08. (MACKENZIE)
Você, que só faz usufruir
e tem mulher para usar ou para exibir,
você vai ver um dia
em que toca você foi bulir.
A mulher foi feita
pro amor e pro perdão.
Cai nessa, não.
Cai nessa, não. (Vinícius de Moraes e Toquinho)
Assinale a alternativa correta, de acordo com o trecho acima:a) Usufruir, no texto, significa esbanjar dinheiro
b) Aproxima técnicas românticas das modernas na estruturação do romance como um todo
c)O importante, na relação amorosa, são as aparências
d)Não se deve crer que a mulher sabe apenas amar e perdoar


09. (PUC-MG) Leia o texto atentamente.
Na feira-livre do arrebaldezinho
um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor:
- “O melhor divertimento para as crianças!”
Em redor dele há um ajuntamento de menininhos pobres...
Não é característica presente na estrofe acima:
a)Preocupação social
b)Valorização de fatos e elementos do cotidiano
c)Metalinguagem
d)Utilização do verso livre
e)Linguagem despreocupada, sem palavras raras


10. (MACKENZIE)
CIDADEZINHA QUALQUER
Casas entre bananeiras
Mulheres entre laranjeiras
Pomar amor cantar

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus!
Assinale a alternativa incorreta sobre o autor desse poema:a)Em A Rosa do Povo expressa a esperança num mundo mais justo
b) Antilirismo e ironia são traços estilísticos de sua poesia
c)O humor, como recurso crítico, é uma das características de sua poesia
d)É escritor reconhecido quer por sua obra poética, quer por sua prosa, da qual se destacam as crônicas
e)Destacou-se como poeta da “fase heróica” do Modernismo



Gabarito do seu teste



01 - C 02 - A 03 - D 04 - E 05 - C


06 - B 07 - A 08 - D 09 - C 10 - E

Literatura Brasileira - Pré-Modernismo

Posted by Profº Monteiro on julho 03, 2016

Questões

01. A obra de Lima Barreto:
a)Reflete a sociedade rural do século XIX, podendo ser considerada precursora do romance regionalista moderno
b)Tem cunho social, embora esteja presa aos cânones estéticos e ideológicos românticos e influenciou fortemente os romancistas da primeira geração modernista
c)É considerada pré-modernista, uma vez que reflete a vida urbana paulista antes da década de 20
d)Gira em torno da influencia do imigrante estrangeiro na formação da nacionalidade brasileira, refletindo uma grande consciência crítica dessa problemática
e)É pré-modernista, refletindo forte sentimento nacional e grande consciência critica de problemas brasileiros


02. A obra reúne uma série de artigos, iniciados com Velha Praga, publicados em O Estado de São Paulo a 14-11-1914. Nestes artigos o autor insurge-se contra o extermínio das matas da Mantiqueira pela ação nefasta das queimadas, retrógrada pratica agrícola perpetrada peã ignorância dos caboclos, analisa o primitivismo da vida dos caipiras do Vale da Paraíba e critica a literatura romântica que cantou liricamente esses marginais da civilização:
a)Urupês (Monteiro Lobato)
b)À Margem da História (Euclides da Cunha)
c)Contrastes e Confrontos (Euclides da Cunha)
d)Idéias de Jeca Tatu (Monteiro Lobato)
e)n.d.a.


03. Em Os Sertões, de Euclides da Cunha, a natureza:
a)funciona como contraponto à narração, ressaltando o contaste entre o meio inerte e o homem agressivo
b)é cenário desolador, dentro do qual vivem e lutam os homens que podem transformá-la, sem que sejam por ela transformados
c)condiciona o comportamento do homem, de acordo com as concepções do determinismo cientifico de fins do século XIX
d)é objeto de uma descrição romântica impregnada dos sentimentos humanos do autor
e)é o tema da primeira parte da obra, A Terra, mas não funciona como elemento determinante da ação


04. (FUVEST) No romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, o nacionalismo exaltado e delirante da personagem principal motiva seu engajamento em três diferentes projetos, que objetivam “reformar” o país. Esses projetos visam, sucessivamente, aos seguintes setores da vida nacional:
a)cultural, agrícola e político
b)lingüístico, político e militar
c)lingüístico, industrial, e militar
d)escolar, agrícola e militar
e)cultura, industrial e político


05. Augusto dos Anjos é autor de um único livro, Eu, editado pela primeira vez em 1912. Outras Poesias acrescentaram-se às edições posteriores. Considerando a produção literária desse poeta, pode-se dizer que:
a)Foi elogiada poeticamente pela crítica de sua época, entretanto não representou um sucesso de público
b)Traduz a sua subjetividade pessimista em reação ao homem e ao cosmos, por meio de um vocabulário em reação ao homem e ao cosmos, por meio de um vocabulário técnico-científico-poético.
c)Anuncia o Parnasianismo, em virtude das suas inovações técnico-científicas e de sua temática psicanalítica
d)Revela uma militância político-ideológica que o coloca entre principais poetas brasileiros de veio socialista
e)Foi recebida sem restrições no meio literário de sua época, alcançando destaque na história das formas literárias brasileiras


06. “Sofreu influencias das idéias deterministas de Taine; nacionalista ferrenho, deu grande valor à mestiçagem; oi o primeiro intérprete da evolução cultural e espiritual brasileira; ignorando Hege, Engels e Marx faltou- lhe uma concepção totalizante e dialética da cultura.”:
a)Domingos Olímpio
b)Raul Pompéia
c)Sílvio Romero
d)Adolfo Caminha
e)Rui Barbosa


07. Assinale a associação incorreta:
a)Graça Aranha – sincretismo entre Realismo, Simbolismo e Impressionismo
b)Euclides da Cunha – “barroco cientifico”
c)Lobato – narrativa oral
d)Coelho Neto – simplicidade, apontado pelos modernistas como exemplo


08. Assinale a alternativa em que aparecem três características de Rui Barbosa:a)critica, sátira, barroquismo
b)orador exímio, justeza verba, linguagem elaborada
c)poeta parnasiano, lirismo, subjetividade
d)espírito combativo, sinonímia, historiador


09. Nas duas primeiras décadas de nosso século, as obras de Euclides da Cunha e de Lima Barreto, tão diferentes entre si, têm como elemento comum:
a)A prática de um experimentalismo lingüístico radical
b)A intenção de retratar o Brasil de modo otimista e idealizante
c)O estilo conservador do antigo regionalismo romântico
d)A adoção da linguagem coloquial das camadas populares do sertão
e)A expressão de aspectos ate então negligenciados da realidade brasileira


10. Assinale a alternativa falsa, sobre Monteiro Lobato:
a)vale-se das tradições orais do caipira, personificado pelo Jeca Tatu, valendo-se do coloquialismo do “contador de casos”
b)nos romance Urupês e Cidades Mortas aborda a decadência da agricultura no Vale do Paraíba, após o “ciclo” do café
c)traz a paisagem do Vale do Paraíba paulista, denunciando a devastação da natureza pela pratica agrícola da queimada
d)explora os aspectos visíveis do ser humano; seus contos têm quase sempre finais trágicos e deprimentes
e) n.d.a.

Gabarito do seu teste

01 - E 02 - A 03 - C 04 - A 05 - B


06 - C 07 - D 08 - B 09 - E 10 - D

Literatura Brasileira - Parnasianismo

Posted by Profº Monteiro on junho 26, 2016
Tela de Parnasianismo

Questões


01. Leia os versos:
Esta, de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhantes copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
Era o poeta de Teos que a suspendia.
Então e, ora repleta ora esvaziada,
A taça amiga aos dedos seus tinia
Todas de roxas pétalas colmada. (Alberto de Oliveira)
Assinale a alternativa que contém características parnasianas presentes no poema:
a)busca de inspiração na Grécia Clássica, com nostalgia e subjetivismo
b)revalorização das idéias iluministas e descrição do passado
c)descrição minuciosa de um objeto e busca de um tema ligado à Grécia antiga
d)versos impecáveis, misturando mitologia clássica com sentimentalismo amoroso
e)vocabulário preciosista, de forte ardor sensual


02. (CEFET-PAR)
E sobre mim, silenciosa e triste,
A Via-Láctea se desenrola
Como um jarro de lágrimas ardentes. (Olavo Bilac)
Sobre o fragmento poético não é correto afirmar:
a)A cena é descrita de modo objetivo, sem interferência da subjetividade do eu-poético
b)A opção pelos sintagmas “desenrola” e “jarro de lágrimas ardentes”visa a presentificar o movimento dos astros.
c)A visão de mundo melancólica do emissor da mensagem se projeta sobre o objeto poetizado
d)A “Via-Láctea” sofre um processo de personificação
e)Há predomínio da linguagem figurada e descritiva


Texto para as questões 03 a 05
Vila Rica
1 - O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;
2 - Sangram, em laivos de outro, as minas, que ambição
3 - Na torturada entranha abriu da terra nobre;
4 - E cada cicatriz brilha como um brasão.
5 - O ângelus plange ao longe em doloroso dobre.
6 - O último ouro do sol morre na cerração.
7 - E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,
8 - O crepúsculo cai como uma extrema-unção.
9 - Agora, para além do cerro, o céu parece
10 - Feito de um ouro ancião que o tempo enegreceu
11 - A neblina, roçando o chão, cicia, em prece.
12 - Como uma procissão espectral que se move...
13 - Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu...
14 - Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove. (Olavo Bilac)
03. Predominam no texto:
a)imagens visuais e tácteis
b)imagens acústicas e visuais
c)imagens acústicas e tácteis
d)imagens gustativas e auditivas
e)imagens acústicas e olfativas


04. Sobressai no poema:
a)um retrato valorizador da fé humana
b)O aspecto descritivo e a lembrança de um passado histórico
c)um aprofundamento do mistério humano;
d)a descrição de um ambiente fictício
e)a visão do homem infeliz


05. Assinale o par que melhor se aplica ao poema:
a)religião / ateísmo
b)mistério / solução
c)dor / felicidade
d)dor / felicidade
e)opulência / decadência


06. Assinale a alternativa que tenha apenas características do Parnasianismo:
a)teoria da arte pela arte; métrica perfeita; busca do nacionalismo
b)culto da forma; objetivismo; predomínio dos elementos da natureza
c)sexualidade; hereditariedade; meio ambiente
d)preocupação com a forma, com a técnica e com a métrica; presença de rimas ricas, raras, preciosas
e)predomínio do sentimentalismo; vocabulário precioso; descrições de objetos;


07. Enfocando os temas e as atitudes parnasianos:
a)a poesia parnasiana é alienada, no sentido de que ignora as questões que não sejam essencialmente estéticas
b)é uma poesia de elaboração, fruto do “esforço intelectual”
c)os parnasianos diferem da atitude impassível e anti-sentimental dos realistas
d)o artesanato poético é sua principal preocupação


08. (FUND. UNIV. RIOGRANDE) Marque a afirmativa correta:
a)O Parnasianismo brasileiro deu ênfase ao experimentalismo formal
b)O Parnasianismo foi o responsável pela afirmação de uma poesia de caráter sugestivo e musical
c)O Parnasianismo determinou o surgimento de obras de tom marcadamente coloquial
d)O Parnasianismo caracterizou-se, no Brasil, pela busca da perfeição formal na poesia


09. Ainda quanto os temas e as atitudes parnasianos:
a)filosoficamente, os parnasianos são pessimistas
b)a mitologia é revalorizada
c)a descrição de fenômenos naturais é freqüente em seus versos
d)existe uma preferência pelos temas universais, objetivos
e)ao fazer a fixação da cenas históricas, o poeta coloca-se ao lado dos anseios de sua época


10. (MACKENZIE) Não caracteriza a estética parnasiana:
a)A exaltação do “eu” e fuga da realidade presente
b)A objetividade, advinda do espírito cientificista, e o culto da forma
c)A perfeição formal na rima, no ritmo, no metro e volta aos motivos clássicos
d)a oposição aos românticos e distanciamento das preocupações sociais dos realistas
e)A obsessão pelo adorno e contenção lírica


Gabarito do seu teste



01 - C 02 - A 03 - B 04 - B 05 - E


06 - D 07 - C 08 - D 09 - E 10 - A

Literatura Brasileira Realismo e Naturalismo

Posted by Profº Monteiro on junho 23, 2016

Questões


01. No texto a seguir, Machado de Assis faz uma crítica ao Romantismo: Certo não lhe falta imaginação; mas esta tem suas regras, o astro, leis, e se há casos em que eles rompem as leis e as regras é porque as fazem novas, é porque se chama Shakespeare, Dante, Goethe, Camões. Com base nesse texto, notamos que o autor:
a)Entende a arte como um conjunto de princípios estéticos consagrados, que não pode ser manipulado por movimentos literários específicos
b)Entende que Naturalismo e o Parnasianismo constituem soluções ideal para pôr termo à falta de invenção dos românticos
c)Refuga o Romantismo, na medida em que os autores desse período reivindicaram uma estética oposta à clássica
d)Preocupa-se com princípios estéticos e acredita que a criação literária deve decorrer de uma elaborada produção dos autores
e)Defende a idéia de que cada movimento literário deve ter um programa estético rígido e inviolável


02. Das citações apresentadas abaixo, qual não apresenta, evidentemente, um enfoque naturalista?
a)À porta dos leilões aglomeravam-se os que queriam comprar e os simples curiosos
b)Os cães, estendidos pelas calçadas, tinham uivos que pareciam gemidos humanos
c)Às esquinas, nas quitandas vazias, fermentava um cheiro acre de sabão da terra e aguardente
d)... batiam-lhe com a biqueira do chapéu nos ombros e nas coxas, experimentando-lhes o vigor da musculatura, como se estivesse a comprar cavalos
e)... as peixeiras, quase todas negras, muito gordas, o tabuleiro na cabeça, rebolando os grossos quadris trêmulos e as tetas opulentas


03. O mesmo da questão anterior:
a)O quitandeiro, assentado sobre o balcão, cochilava a sua preguiça morrinhenta, acariciando o seu imenso e espalmado pé descalço
b)... uma preta velha, vergada por imenso tabuleiro de madeira, sujo, seboso, chio de sangue e coberto por uma nuvem de moscas...
c)A Praia Grande, a Rua da Estrela contrastavam todavia com o resto da cidade, porque era aquela hora justamente a de maior movimento comercial
d)Viam-se deslizar pela praça os imponentes e monstruosos abdomes dos capitalistas
e)... viam-se cabeças escarlates e descabeladas, gotejando suor por debaixo do chapéu de pêlo


04. A respeito de Realismo, pode-se afirmar:
I Busca o perene humano no drama da existência
II Defende a documentação de fatos e a impessoalidade do autor perante a obra
III Estética literária restritamente brasileira; seu criador é Machado de Assis.
a)As três afirmações são corretas
b)São corretas apenas II e III
c)As três informações são incorretas
d)Apenas III é correta
e)São corretas I e III


05. O realismo foi um movimento de:
a)irracionalismo
b)maior preocupação com a objetividade
c)volta ao passado
d)exacerbação ultra-romântica
e)moralismo


06. Podemos verificar que o Realismo revela:
I senso do contemporâneo. Encara o presente do mesmo modo que romantismo se volta para o passado ou para o futuro.
II o retrato da vida pelo método da documentação, em que a seleção e a síntese operam buscando um sentido para o encadeamento dos fatos.
III técnica minuciosa, dando a impressão de lentidão, de marcha quieta e gradativa pelos meandros dos conflitos, dos êxitos e dos fracassos.
a)as três afirmativas forem corretas
b)apenas a afirmativa III for correta
c)três afirmativas forem incorretas
d)as afirmativas II e III forem corretas
e)as afirmativas I e II forem corretas


07. Considerando-se iniciado o movimento realista no Brasil quando:
a)José de Alencar publica Lucíola
b)Aluísio de Azevedo publica O Homem
c)Machado de Assis publica Memória Póstumas de Brás Cubas
d)As alternativas a e c são válidas


08. Assinale a única alternativa incorreta:
a)O cientificismo do século XIX forneceu a base da visão do mundo adotada, de um modo geral, pelo Naturalismo
b)O Realismo não tem nenhuma ligação com o Romantismo
c)O Realismo apresenta análise social
d)A atenção ao detalhe é característica do Realismo


09. O realismo, como escola literária, é caracterizado:
a)pelo culto da forma
b)pelo subjetivismo
c)pelo exagero da imaginação
d)pela preocupação com o fundo
e)pelo objetivismo


10. Examine as frases abaixo
I Os representantes do Naturalismo faze aparecer na sua obra dimensões metafísica do homem, passando a encará-lo como um complexo social examinando à luz da psicologia.
II No Naturalismo, as tentativas de submeter o Homem a leis determinadas são conseqüências das ciências, na segunda metade do século XIX.
III Na seleção de "casos" a serem enfocados, os naturalistas demonstram especial aversão pelo anormal e pelo patológico.
Pode-se dizer corretamente que:a)nenhuma está certa
b)existem duas certas
c)só a I está certa
d)só a II está certa
e)só a III está certa


Gabarito do seu teste


01 - D 02 - A 03 - C 04 - E 05 - B


06 - A 07 - C 08 - B 09 - E 10 - D 

Literatura Brasileira Quinhentismo Século XVI

Posted by Profº Monteiro on junho 23, 2016



Questões


01. São características da poesia do Padre José de Anchieta:
a)linguagem cômica, visando a divertir os índios; expressão em versos decassílabos, como a dos poetas clássicos do século XVI
b)a temática, visando a ensinar os jovens jesuítas chegados ao Brasil
c)função pedagógica; temática religiosa; expressão em redondilhas, o que permitia que fossem cantadas ou recitadas facilmente
d)temas vários, desenvolvidos sem qualquer preocupação pedagógica ou catequética
e)n.d.a.


02. (UFV) Leia a estrofe abaixo e faça o que se pede:
Dos vícios já desligados
nos pajés não crendo mais,
nem suas danças rituais,
nem seus mágicos cuidados.
(ANCHIETA, José de. O auto de São Lourenço [tradução e adaptação de Walmir Ayala] Rio de Janeiro: Ediouro[s.d.]p. 110)
Assinale a afirmativa verdadeira, considerando a estrofe acima, pronunciada pelos meninos índios em procissão:a)A presença dos meninos índios representa uma síntese perfeita e acabada daquilo que se convencionou chamar de literatura informativa
b)Os meninos índios representam a revolta dos nativos contra a catequese trazida pelos jesuítas, de quem querem libertar-se tão logo seja possível
c)Os meninos índios são figura alegóricas cuja construção como personagens atende a todos os requintes da dramaturgia renascentista
d)Os meninos índios estão afirmando os valores de sua própria cultura, ao mencionar as danças rituais e as magias praticadas pelos pajés
e)Os meninos índios representam o processo de aculturação em sua concretude mais visível, como produto final de todo um empreendimento do qual participaram com igual empenho a Coroa Portuguesa e a Companhia de Jesus


03. A importância das obras realizadas pelos cronistas portugueses do século XVI e XVII é:
a)caracterizar a influência dos autores renascentistas europeus
b)sobretudo documental
c)a deterem sido escritas no Brasil e para brasileiros
d)determinada exclusivamente pelo seu caráter literário
e)n.d.a.


04. As primeiras manifestações literárias que se registram na Literatura Brasileira referem-se a:
a)Literatura informativa sobre o Brasil (crônica) e literatura didática, catequética (obra dos jesuítas)
b)Poesia épica e prosa de ficção
c)Obras de estilo clássico, renascentista
d)Poemas românticos indianistas
e)Romances e contos dos primeiros colonizadores


05. Anchieta só não escreveu:
a)autos religiosos, à maneira do teatro medieval
b)um dicionário ou gramática da língua tupi
c)cartas, sermões, fragmentos históricos e informações
d)poesias em latim, portugueses, espanhol e tupi
e)sonetos clássicos, à maneira de Camões, seu contemporâneo


06. (UNIV. FED. DE SANTA MARIA) Sobre a literatura produzida no primeiro século da vida colonial brasileira, é correto afirmar que:
a)Inicia com Prosopopéia, de Bento Teixeira
b)É constituída por documentos que informam acerca da terra brasileira e pela literatura jesuítica
c)Descreve com fidelidade e sem idealizações a terra e o homem, ao relatar as condições encontradas no Novo Mundo
d)Os textos que a constituem apresentam evidente preocupação artística e pedagógica
e)É formada principalmente de poemas narrativos e textos dramáticos que visavam à catequese


07. (UNISA) A “literatura jesuíta”, nos primórdios de nossa história:
a)visa à catequese do índio, à instrução do colono e sua assistência religiosa e moral
b)tem grande valor informativo
c)está a serviço do poder real
d)tem fortes doses nacionalistas


08. A literatura de informação corresponde às obras:
a)arcádicas
b)de jesuítas, cronistas e viajantes
c)barrocas
d)do Período Colonial em geral


09. Qual das afirmações não corresponde à Carta de Caminha?
a)Composição sob forma de diário de bordo
b)Observação do índio como um ser disposto à catequização
c)Aproximações barrocas no tratamento literário e no lirismo das descrições
d)Mistura de ingenuidade e malícia na descrição dos índios e seus costumes
e)Deslumbramento diante da exuberância da natureza tropical


10. Dentre os principais autores do quinhentismo temos:
I - Ambrósio Fernandes Brandão
II - Pero Lopes e Sousa
III - Pero de Magalhães Gândavo
a)I e II estão corretas
b)I e III estão corretas
c)I e II e III estão corretas
d)II e III estão corretas
e)I e II e III estão incorretas.


Gabarito do seu teste


01 - C 02 - E 03 - B 04 - A 05 - E


06 - B 07 - A 08 - B 09 - C 10 - C