Dias e noites, meses e meses, uma única procura. De porta em porta: dos palácios às cabanas, dos templos aos covis, Latona andou buscando abrigo para pôr no mundo os filhos que levava dentro de si. Filhos de Júpiter. Mas a própria paternidade de suas crianças barrava-lhe as entradas. Pois Júpiter, senhor supremo do Olimpo, era o marido de Juno, a mais ciumenta das deusas, que costumava perseguir as rivais até os confins da terra, e punir duramente quem ousasse recolhê-las. Apenas um imortal de iguais poderes seria capaz de enfrentar sua cólera. Netuno, deus dos mares, decidiu ajudar a nobre Latona. Para refugiá-la, escolheu Delos, a ilha flutuante, arisco rochedo sem raízes, áspera paisagem desprovida de plantas e de fontes. Ninguém a habitava: nem deuses, nem homens, nem animais. Talvez por isso a ira de Juno não chegasse até lá. Assim, Netuno fixou Delos ao fundo do mar, e confiou-lhe a missão de hospedar os frutos de Júpiter. A ilha teve medo. Ouvira dizer que um dos filhos ...