A língua portuguesa, não conseguiu pronta vantagem sobre a língua geral dos índios – o tupi.
Os cruzamentos eram quase todos de mulheres índias com homens do reino, ocupados com a agricultura e comércio, deixando as mulheres ou companheiras iniciar seus filhos no manejo da língua nativa.
Época houve em que se observou até uma certa predileção para com o tupi principalmente nas famílias paulistas, ”A língua que se fala nessas famílias é a dos índios e a língua portuguesa aprende-se na escola”.
Esse estado de coisas é agravado pelos missionários jesuítas que na catequese dos selvagens eram forçados a estudarem a língua, e chegaram a compor-lhe a gramática e dicionário.
Na escola mantinham sempre o tupi ministrado aos filhos de colonos de par com o português, os bandeirantes entre os quais havia ordinariamente condutores índios, e fazia do abanheém o instrumento das suas comunicações diárias.
Assim se justifica a existência de tantos topônimos em regiões situadas fora da área ocupada pelos tupis.
Até o século XVII, era falada a língua geral, nos campos de são Paulo, rio grande do sul e Pará ainda no século XVIII, de cada quatro pessoas três se expressavam em tupi.
Várias ordens régias foram expedidas pelo governo da metrópole, para que se ensinasse a língua portuguesa.Depois da expulsão dos jesuítas, o uso do vernáculo se tornou obrigatório, nesta porção do território americano.
Repelido afinal, o aborígine brasileiro concentrou-se nas florestas remotas de mato grosso, amazonas e Goiás, onde vive até os dias atuais.
Os termos de procedência tupi, incorporados no léxico português do Brasil, são nomes próprios e apelidos de pessoas, nomes próprios geográficos, nome de seres do reino animal, vegetal, e de objetos, fenômenos naturais, doenças alimentos e crendices; um bom numero de verbos são formados de nomes indígenas.
A necessidade trouxe aos nossos pais os negros da áfrica, da língua por elas faladas destaca-se o nagô, e o quibundo.
Os vocábulos de procedência africana são: nomes geográficos, danças, instrumentos musicais, alimentos, iguarias, bebidas, animais, aves, insetos, arvores, plantas, legumes, frutas, doenças e estados d’alma.
Também contam em nosso vocabulário com alguns adjetivos e verbos formados de nomes já integrados no nosso idioma.
O negro contribuiu grandemente para modificar a América, onde parece ter sido decisiva a sua influencia foi na formação da linguagem caipira que tem procedência africana, indiana ou afro-indiana ex: amo (amor), jorná (jornal), fio (filho).
“Época vira em que este dialeto há de desaparecer em face dos recursos de que se dispõe o homem civilizado no combate a ignorância”.
Influencia das línguas americanas no Brasil:
Caribe, Taino,Nauatle,Mapuche,Quíchua.
Diferenciação dialetal: as alterações existem, é preciso que se diga, mas só na linguagem falada essas modificações serão mais profundas à proporção que o tempo vai passando ,dado o enfraquecimento de nossas relações com Portugal e isso já é o suficiente para caracterizar um dialeto contra isso alguns lingüistas consideram essa idéia como incultura,corrupção ou dependência mas examinando o assunto fora dos preconceitos veremos que não há razão para tal,Leite de Vasconcelos classifica entre os dialetos do português o nosso falar .
Em nosso Pais hoje se notam grandes diferenças da língua dos nortistas e dos sulistas, no léxico são grandes as diferenças entre os estados do Brasil.
Antenor nascentes admite a existência de quatro dialetos no Brasil: o sulista, nortista, fluminense e sertanejo posteriormente fez uma nova divisão que compreende Seis falares que divide em dois grupos o do norte e o do sul, entre esses dois grupos diz haver uma zona que ocupa uma posição eqüidistante dos extremos setentrional e meridional do pais que se estende do rio mucuri ,entre o estado do espírito santo e Bahia através da parte central de minas ,até a cidade do mato grosso ,no estado do mesmo nome .
O grupo do norte compreende dois sub falares: o amazônico e o nordestino, o grupo do sul abrange quatro sub falares: o Baiano, fluminense, mineiro e o sulista.
A língua do Brasil apresenta notas distintas do português de ultramar no vocabulário, fonética, morfologia, sintaxe e semântica.
Nós nem sempre empregamos as mesmas palavras que os portugueses.
Na fonética: observam-se diferenças mais profundas entre o português da Europa e o da América a fonética do português do Brasil é mais frouxo arrastado, as silabas são proferidas a ponto de destacar todos os elementos que a compõem, o Tonico se distingue por uma inflexão mais demorada na voz, na prosódia portuguesa as silabas tônicas absorvem quase inteiramente a átonas.
Acentuemos agora as divergências de alguns fonemas, sem desconhecermos que a nossa encontra às vezes perfeita equivalência na de certos pontos do território luso.
A
É fechado
Na pronuncia brasileira:
Na terminação –amos do pretérito perfeito;
Quando resultante de crase;
É aberto em cada, para, mas, e não câda,pâra,mâs;
Não existe diferença entre a preposição e a contração da preposição com o artigo;
Deixa de formar ditongo por metáfase;
E
Na pronuncia brasileira
É fechado;
Na preposição –emos do pretérito perfeito;
Quando seguido originariamente de duas consoantes;
No Sufixo –vel;
Em palavras derivadas, embora as primitivas tenham Tonico aberto;
Não se modifica;
Quando Tonico esta antes dos sons palatais nh e lh;
No mesmo caso antes de j, Ch e x;
Transforma-se em i;
As vezes quando pretonico ;
Nas variações prenominais ;
Quando átono final;
Alonga-se no ditongo ei;
I
Conserva se inalterável na pronuncia brasileira, em Portugal cai quando pretonico;
O
Na pronuncia brasileira é fechado
Quando inicial ou pretonico
Quando resultante de crase
Quando Tonico for seguido de consoante nasal
Alonga-se em ditongo quando em monossílabo Tonico ou em silaba final em vocábulo oxítono for seguido de –s ou z
U
Não apresenta particularidades em nossa pronuncia
B
Em alguns pontos de Portugal é freqüente a troca do b pelo v e vice e versa, no Brasil não se verifica este fato.
L/R
O l e r finais recebem, na pronuncia dialetal de alem mar, um –e paragógico ,o que é estranho ao nosso falar.
Há ainda outras discordâncias como:
Entre nós não existe o horror ao hiato que se nota na língua portuguesa;
Não há alongamento da vogal interior em ditongo antes de r;
São menos freqüentes os casos de sinalefa;
Na morfologia
As diferenças no Brasil consistem:
Em conservar fechado o no plural, em alguns casos;
Em não se dar a metatese do per em pré na composição
Na existência dos tupis-açu e mirim;
Em não se usar os sufixos Ito/ita que são substituídos por inho/inha;
Em não se empregarem formas imperativas e indicativas como faze, dize;
Em usar você ao invés de tu e vós
Na sintaxe
Enquanto no domínio do vocabulário, da fonética e da morfologia, achamos nossas discordâncias da linguagem portuguesa são legitimas a ponto de não recearmos criticas.
Na semântica
Nem todas as palavras portuguesas conservam entre nos o mesmo significado:
Casos de variação semântica:
Azular no Brasil= fugir em Portugal = tingir de azul
Babado no Brasil = folho do vestido em Portugal molhado de baba
Borrachudo no Brasil = mosquito em Portugal rotundo como uma borracha
Brasileirismos
Brasileirismos só devem caber aos modismos exclusivamente nossos ou aos fatos que resultam da adaptação e uso cotidiano do idioma no meio brasileiro em discordância com os que existiram ou existem atualmente em Portugal.
Já se tem arrolado como brasileirismos só porque não são hoje usadas em Portugal, devemos proceder com a maior cautela, para que senão tome como nosso o que é patrimônio comum dos dois povos.
Onde o brasileirismo existe com maior numero, é no domínio da pronuncia e no léxico, na sintaxe não será exagero afirmar que poucos são os casos verdadeiros, pois nessa área há uma maior resistência e a ausência disso indica enfraquecimento e ruína na língua.
Gostaria de ressaltar, que a língua falada do Brasil hoje é independente de restrições sociais influenciadas por Portugal, pois uma língua só é influenciada quando há contato com um falante de outra língua, caso esse que não ocorre com grande freqüência entre Portugal e Brasil.
Fichamento
Tema: O português do Brasil
Titulo: O português do Brasil
1- A língua portuguesa
2- Dialetos
3- Diferenças da língua
4- A língua do Brasil apresenta notas distintas do português de ultramar
5- Conclusão
Nome: Vinicius osnir da silva monteiro
Curso letras 1º semestre