
Pinóquio As Avessas
Uma estória sobre crianças e escolas, para pais e professores
No inicio do texto o autor faz uma citação de Fernando Pessoa: “Sou o intervalo entre meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim” o que denuncia suas intenções ao escrever o livro.
Em seguida disserta sobre o porque escreveu o livro dando exemplos de seu passado, e escolhe “pinóquio” como base para seus questionamentos.
Através da fala do pai de Felipe o autor destaca um pensamento, um tanto equivocado, que se espalha, há anos, pela sociedade. De acordo com ele, muitas pessoas, ainda acreditam que somente por meio da escola a criança pode se tornar "uma pessoa de verdade".Pois, se não passar pela escola, corre o risco de se tornar jumentinho, com rabo e orelhas de burro, além de zurrar, ou seja, rotula a criança como um ser inferior que não é gente.
E assim começa a estória, o pai conversa com a criança a respeito do colégio, pois, geralmente, antes de freqüentar esta instituição, elas perguntam para a mãe, ou para o pai, a finalidade de ir até lá.
Muitos pais dizem aos filhos, que na escola eles aprenderão tudo sobre a vida e sobre o que mais desejarem saber. Dizendo isso, a ilusão de que as professoras responderão todas as perguntas, permanece, durante muito tempo na cabeça das crianças transformando a escola em algo maravilhoso e gerando muitas expectativas em suas mentes.
É muito comum, os adultos perguntarem o que a criança quer ser quando crescer e, (isso é pergunta que se faça?) logo em seguida, limitarem o futuro dela a um “adulto que trabalha”, como a única e última opção na vida, além de associarem essa condição ao papel e à responsabilidade da escola.
O autor, agora por meio da fala de Felipe, critica o sistema de avaliação e desperta para a discussão da prática da / do escola / professor, que propõe uma educação para a vida e, ao mesmo tempo, desenvolve processos de avaliação que restringem o aprendizado a um número (nota) e o seu desenvolvimento a decisões quantificadas e padronizadas.
Nas suas reflexões e sonhos, o personagem compara a estrutura das escolas com gaiolas e as crianças-aluno, com pássaros, pondo em discussão a organização disciplinar rígida, começando pelo formato da “casa”, que é o ambiente escolar, seguido dos procedimentos das atividades disciplinares sinalizadas e terminando pela exigência do cumprimento dessas normas e regras pertinentes às escolas para a formação do adulto.
Como demonstra Rubem, no decorrer do livro, a escola ensina somente os conteúdos pré-estabelecidos pelo ministério da educação. Dessa maneira, muitos alunos, que vivem em uma realidade social diversa ficam prejudicados.
Além disso, muitos conceitos e dúvidas, que não se referem diretamente aos conteúdos abordados, não são trabalhados ou aproveitados pelos educadores.
E isso fica claro nesse trecho "Por que temos que estudar dígrafos?". E a professora, sabiamente, responde: “Isso vai cair no vestibular”. O menino, então, interpreta que todo conhecimento adquirido na escola serve, apenas, para passar no vestibular.
Atualmente, existem diversas corrente pedagógicas que combatem essa linha de pensamento. A corrente construtivista, por exemplo, fundamentada nas pesquisas de Piaget e Vygotsky, parte da idéia de que todos os seres humanos precisam agir aos estímulos do ambiente para, então, serem capazes de desenvolver as próprias habilidades. Ou seja, essa teoria defende a constante interação do aluno em meio ao processo educativo para que ele mesmo possa construir e organizar o próprio conhecimento.
Dessa maneira, as dúvidas e questionamentos da criança não podem ser reduzidos às “necessidades do vestibular". Uma criança estuda para crescer e se fortalecer como cidadão, não como um "robô repetitivo".
Nessa perspectiva, o autor convida-nos para um aprofundamento da reflexão sobre a discussão dos programas curriculares, o não-respeito à individualidade das crianças no processo de aprendizagem e a padronização de metas de ensino.
Para finalizar o autor mostra que muitas pessoas podem estudar em boas escolas, tirar excelentes notas, se tornar profissionais bem conceituados, porém, não atingir a tão sonhada satisfação ou realização pessoal. Ou seja, somente o fato de freqüentar a escola não é o suficiente para garantir um futuro feliz às crianças.
(só não entendo o porque o autor cita o inicia de vida escolar do Felipe como fundamental I, e ao mesmo tempo usa um perfil de ensino de fundamental II tendo vários professores).