O português do Brasil

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 22, 2014

A língua portuguesa, não conseguiu pronta vantagem sobre a língua geral dos índios – o tupi.
Os cruzamentos eram quase todos de mulheres índias com homens do reino, ocupados com a agricultura e comércio, deixando as mulheres ou companheiras iniciar seus filhos no manejo da língua nativa.
Época houve em que se observou até uma certa predileção para com o tupi principalmente nas famílias paulistas, ”A língua que se fala nessas famílias é a dos índios e a língua portuguesa aprende-se na escola”.
Esse estado de coisas é agravado pelos missionários jesuítas que na catequese dos selvagens eram forçados a estudarem a língua, e chegaram a compor-lhe a gramática e dicionário.
Na escola mantinham sempre o tupi ministrado aos filhos de colonos de par com o português, os bandeirantes entre os quais havia ordinariamente condutores índios, e fazia do abanheém o instrumento das suas comunicações diárias.
Assim se justifica a existência de tantos topônimos em regiões situadas fora da área ocupada pelos tupis.
Até o século XVII, era falada a língua geral, nos campos de são Paulo, rio grande do sul e Pará ainda no século XVIII, de cada quatro pessoas três se expressavam em tupi.
Várias ordens régias foram expedidas pelo governo da metrópole, para que se ensinasse a língua portuguesa.Depois da expulsão dos jesuítas, o uso do vernáculo se tornou obrigatório, nesta porção do território americano.
Repelido afinal, o aborígine brasileiro concentrou-se nas florestas remotas de mato grosso, amazonas e Goiás, onde vive até os dias atuais.
Os termos de procedência tupi, incorporados no léxico português do Brasil, são nomes próprios e apelidos de pessoas, nomes próprios geográficos, nome de seres do reino animal, vegetal, e de objetos, fenômenos naturais, doenças alimentos e crendices; um bom numero de verbos são formados de nomes indígenas.
A necessidade trouxe aos nossos pais os negros da áfrica, da língua por elas faladas destaca-se o nagô, e o quibundo.
Os vocábulos de procedência africana são: nomes geográficos, danças, instrumentos musicais, alimentos, iguarias, bebidas, animais, aves, insetos, arvores, plantas, legumes, frutas, doenças e estados d’alma.
Também contam em nosso vocabulário com alguns adjetivos e verbos formados de nomes já integrados no nosso idioma.
O negro contribuiu grandemente para modificar a América, onde parece ter sido decisiva a sua influencia foi na formação da linguagem caipira que tem procedência africana, indiana ou afro-indiana ex: amo (amor), jorná (jornal), fio (filho).
“Época vira em que este dialeto há de desaparecer em face dos recursos de que se dispõe o homem civilizado no combate a ignorância”.
Influencia das línguas americanas no Brasil:
Caribe, Taino,Nauatle,Mapuche,Quíchua.
Diferenciação dialetal: as alterações existem, é preciso que se diga, mas só na linguagem falada essas modificações serão mais profundas à proporção que o tempo vai passando ,dado o enfraquecimento de nossas relações com Portugal e isso já é o suficiente para caracterizar um dialeto contra isso alguns lingüistas consideram essa idéia como incultura,corrupção ou dependência mas examinando o assunto fora dos preconceitos veremos que não há razão para tal,Leite de Vasconcelos classifica entre os dialetos do português o nosso falar .
Em nosso Pais hoje se notam grandes diferenças da língua dos nortistas e dos sulistas, no léxico são grandes as diferenças entre os estados do Brasil.
Antenor nascentes admite a existência de quatro dialetos no Brasil: o sulista, nortista, fluminense e sertanejo posteriormente fez uma nova divisão que compreende Seis falares que divide em dois grupos o do norte e o do sul, entre esses dois grupos diz haver uma zona que ocupa uma posição eqüidistante dos extremos setentrional e meridional do pais que se estende do rio mucuri ,entre o estado do espírito santo e Bahia através da parte central de minas ,até a cidade do mato grosso ,no estado do mesmo nome .
O grupo do norte compreende dois sub falares: o amazônico e o nordestino, o grupo do sul abrange quatro sub falares: o Baiano, fluminense, mineiro e o sulista.
A língua do Brasil apresenta notas distintas do português de ultramar no vocabulário, fonética, morfologia, sintaxe e semântica.
Nós nem sempre empregamos as mesmas palavras que os portugueses.
Na fonética: observam-se diferenças mais profundas entre o português da Europa e o da América a fonética do português do Brasil é mais frouxo arrastado, as silabas são proferidas a ponto de destacar todos os elementos que a compõem, o Tonico se distingue por uma inflexão mais demorada na voz, na prosódia portuguesa as silabas tônicas absorvem quase inteiramente a átonas.
Acentuemos agora as divergências de alguns fonemas, sem desconhecermos que a nossa encontra às vezes perfeita equivalência na de certos pontos do território luso.
A
É fechado
Na pronuncia brasileira:
Na terminação –amos do pretérito perfeito;
Quando resultante de crase;
É aberto em cada, para, mas, e não câda,pâra,mâs;
Não existe diferença entre a preposição e a contração da preposição com o artigo;
Deixa de formar ditongo por metáfase;
E
Na pronuncia brasileira
É fechado;
Na preposição –emos do pretérito perfeito;
Quando seguido originariamente de duas consoantes;
No Sufixo –vel;
Em palavras derivadas, embora as primitivas tenham Tonico aberto;
Não se modifica;
Quando Tonico esta antes dos sons palatais nh e lh;
No mesmo caso antes de j, Ch e x;
Transforma-se em i;
As vezes quando pretonico ;
Nas variações prenominais ;
Quando átono final;
Alonga-se no ditongo ei;
I
Conserva se inalterável na pronuncia brasileira, em Portugal cai quando pretonico;
O

Na pronuncia brasileira é fechado
Quando inicial ou pretonico
Quando resultante de crase
Quando Tonico for seguido de consoante nasal
Alonga-se em ditongo quando em monossílabo Tonico ou em silaba final em vocábulo oxítono for seguido de –s ou z
U
Não apresenta particularidades em nossa pronuncia
B
Em alguns pontos de Portugal é freqüente a troca do b pelo v e vice e versa, no Brasil não se verifica este fato.
L/R
O l e r finais recebem, na pronuncia dialetal de alem mar, um –e paragógico ,o que é estranho ao nosso falar.
Há ainda outras discordâncias como:
Entre nós não existe o horror ao hiato que se nota na língua portuguesa;
Não há alongamento da vogal interior em ditongo antes de r;
São menos freqüentes os casos de sinalefa;
Na morfologia
As diferenças no Brasil consistem:
Em conservar fechado o no plural, em alguns casos;
Em não se dar a metatese do per em pré na composição
Na existência dos tupis-açu e mirim;
Em não se usar os sufixos Ito/ita que são substituídos por inho/inha;
Em não se empregarem formas imperativas e indicativas como faze, dize;
Em usar você ao invés de tu e vós
Na sintaxe
Enquanto no domínio do vocabulário, da fonética e da morfologia, achamos nossas discordâncias da linguagem portuguesa são legitimas a ponto de não recearmos criticas.
Na semântica
Nem todas as palavras portuguesas conservam entre nos o mesmo significado:
Casos de variação semântica:
Azular no Brasil= fugir em Portugal = tingir de azul
Babado no Brasil = folho do vestido em Portugal molhado de baba
Borrachudo no Brasil = mosquito em Portugal rotundo como uma borracha
Brasileirismos
Brasileirismos só devem caber aos modismos exclusivamente nossos ou aos fatos que resultam da adaptação e uso cotidiano do idioma no meio brasileiro em discordância com os que existiram ou existem atualmente em Portugal.
Já se tem arrolado como brasileirismos só porque não são hoje usadas em Portugal, devemos proceder com a maior cautela, para que senão tome como nosso o que é patrimônio comum dos dois povos.
Onde o brasileirismo existe com maior numero, é no domínio da pronuncia e no léxico, na sintaxe não será exagero afirmar que poucos são os casos verdadeiros, pois nessa área há uma maior resistência e a ausência disso indica enfraquecimento e ruína na língua.

Gostaria de ressaltar, que a língua falada do Brasil hoje é independente de restrições sociais influenciadas por Portugal, pois uma língua só é influenciada quando há contato com um falante de outra língua, caso esse que não ocorre com grande freqüência entre Portugal e Brasil.

Fichamento

Tema: O português do Brasil

Titulo: O português do Brasil

1- A língua portuguesa
2- Dialetos
3- Diferenças da língua
4- A língua do Brasil apresenta notas distintas do português de ultramar
5- Conclusão




Nome: Vinicius osnir da silva monteiro
Curso letras 1º semestre

Pinóquio As Avessas RESUMO

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 22, 2014

Pinóquio As Avessas

Uma estória sobre crianças e escolas, para pais e professores


No inicio do texto o autor faz uma citação de Fernando Pessoa: “Sou o intervalo entre meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim” o que denuncia suas intenções ao escrever o livro.
Em seguida disserta sobre o porque escreveu o livro dando exemplos de seu passado, e escolhe “pinóquio” como base para seus questionamentos.
Através da fala do pai de Felipe o autor destaca um pensamento, um tanto equivocado, que se espalha, há anos, pela sociedade. De acordo com ele, muitas pessoas, ainda acreditam que somente por meio da escola a criança pode se tornar "uma pessoa de verdade".Pois, se não passar pela escola, corre o risco de se tornar jumentinho, com rabo e orelhas de burro, além de zurrar, ou seja, rotula a criança como um ser inferior que não é gente.
E assim começa a estória, o pai conversa com a criança a respeito do colégio, pois, geralmente, antes de freqüentar esta instituição, elas perguntam para a mãe, ou para o pai, a finalidade de ir até lá.
Muitos pais dizem aos filhos, que na escola eles aprenderão tudo sobre a vida e sobre o que mais desejarem saber. Dizendo isso, a ilusão de que as professoras responderão todas as perguntas, permanece, durante muito tempo na cabeça das crianças transformando a escola em algo maravilhoso e gerando muitas expectativas em suas mentes.
É muito comum, os adultos perguntarem o que a criança quer ser quando crescer e, (isso é pergunta que se faça?) logo em seguida, limitarem o futuro dela a um “adulto que trabalha”, como a única e última opção na vida, além de associarem essa condição ao papel e à responsabilidade da escola.
O autor, agora por meio da fala de Felipe, critica o sistema de avaliação e desperta para a discussão da prática da / do escola / professor, que propõe uma educação para a vida e, ao mesmo tempo, desenvolve processos de avaliação que restringem o aprendizado a um número (nota) e o seu desenvolvimento a decisões quantificadas e padronizadas.
Nas suas reflexões e sonhos, o personagem compara a estrutura das escolas com gaiolas e as crianças-aluno, com pássaros, pondo em discussão a organização disciplinar rígida, começando pelo formato da “casa”, que é o ambiente escolar, seguido dos procedimentos das atividades disciplinares sinalizadas e terminando pela exigência do cumprimento dessas normas e regras pertinentes às escolas para a formação do adulto.
Como demonstra Rubem, no decorrer do livro, a escola ensina somente os conteúdos pré-estabelecidos pelo ministério da educação. Dessa maneira, muitos alunos, que vivem em uma realidade social diversa ficam prejudicados.
Além disso, muitos conceitos e dúvidas, que não se referem diretamente aos conteúdos abordados, não são trabalhados ou aproveitados pelos educadores.
E isso fica claro nesse trecho "Por que temos que estudar dígrafos?". E a professora, sabiamente, responde: “Isso vai cair no vestibular”. O menino, então, interpreta que todo conhecimento adquirido na escola serve, apenas, para passar no vestibular.
Atualmente, existem diversas corrente pedagógicas que combatem essa linha de pensamento. A corrente construtivista, por exemplo, fundamentada nas pesquisas de Piaget e Vygotsky, parte da idéia de que todos os seres humanos precisam agir aos estímulos do ambiente para, então, serem capazes de desenvolver as próprias habilidades. Ou seja, essa teoria defende a constante interação do aluno em meio ao processo educativo para que ele mesmo possa construir e organizar o próprio conhecimento.
Dessa maneira, as dúvidas e questionamentos da criança não podem ser reduzidos às “necessidades do vestibular". Uma criança estuda para crescer e se fortalecer como cidadão, não como um "robô repetitivo".
Nessa perspectiva, o autor convida-nos para um aprofundamento da reflexão sobre a discussão dos programas curriculares, o não-respeito à individualidade das crianças no processo de aprendizagem e a padronização de metas de ensino.

Para finalizar o autor mostra que muitas pessoas podem estudar em boas escolas, tirar excelentes notas, se tornar profissionais bem conceituados, porém, não atingir a tão sonhada satisfação ou realização pessoal. Ou seja, somente o fato de freqüentar a escola não é o suficiente para garantir um futuro feliz às crianças.

(só não entendo o porque o autor cita o inicia de vida escolar do Felipe como fundamental I, e ao mesmo tempo usa um perfil de ensino de fundamental II tendo vários professores).

Senta que lá vem historia...Rubem Alves

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 22, 2014


O Barbazul

Vivia num país, não me recordo se próximo ou distante, um homem que todos conheciam pelo apelido Barbazul. Era um homem de rara beleza. Do seu rosto o que mais impressionava eram os olhos, de um azul profundo, dos quais saía uma luz azul que envolvia sua barba numa aura azulada, razão do seu apelido.
Barbazul era um homem rico. Vivia num castelo. Numa das extremidades do seu castelo havia uma torre de sete patamares, trancados a sete chaves. Era uma torre misteriosa, interditada ao público, e sobre o que havia nela circulavam as estórias mais escabrosas.Barbazul era um homem solitário. Nunca se casara. Tão bonito, tão rico: por que nunca se casara? – era a pergunta que todos faziam.
Muitas eram as mulheres, lindas mulheres, que por ele se apaixonavam. E Barbazul não se esquivava. Aceitava as sugestões contidas nos sorrisos... A princípio era um simples namorico, os dois passeando pelos bosques... Mas sempre chegava o momento quando a jovem lhe dizia:
“Gostaria de me casar com você...“
“Casamento é coisa muito séria“, dizia Barbazul. “Só devem se casar pessoas que se conhecem profundamente. E só existe uma forma de as pessoas se conhecerem: é preciso que vivam juntas. Você viveria comigo, no meu castelo, mesmo sem nos casarmos? Eu no meu quarto, você no seu... Até nos conhecermos?”
E assim acontecia. A jovem ia viver com Barbazul no seu castelo, cada um no seu quarto. Comiam juntos, passeavam, conversavam... Barbazul era um homem extremamente fino e delicado. Mas sempre acontecia a mesma coisa: depois de um mês assim vivendo Barbazul se dirigia à jovem e lhe dizia: “Vou fazer uma viagem de sete dias. Nesses dias você tem permissão para visitar a ‘Torre dos Sete Patamares‘. Aqui estão as sete chaves... Durante a sua visita você deverá segurar a chave do patamar que você estará visitando na sua mão esquerda, fechada com bastante força. Isso é muito importante. Porque as chaves têm propriedades mágicas...“
Com essas palavras ele partia e a jovem ficava só, com as sete chaves na mão, e a Torre dos Sete Patamares a ser visitada...
Transcorridos sete dias Barbazul regressava e após o abraço do reencontro perguntava:
“Visitou a Torre dos Sete Patamares?“
“Sim. Visitei todos os patamares...“, a jovem respondia alegremente.
“Você gostou?“
“Eu os achei maravilhosos!“
Barbazul insistia:
“Todos eles?“
“Sim, todos eles...“
“Então“, concluía com um sorriso, “é hora de você me devolver as sete chaves,
aquelas que você apertou na mão esquerda, o lado do coração. Como eu lhe disse, elas são mágicas... Elas vão me contar o que você sentiu...“

Assentava-se então numa poltrona, fechava os olhos, e segurava as chaves na sua mão esquerda, uma de cada vez. A magia das chaves estava nisso: elas o faziam sentir, ao segurá-las, o mesmo que a jovem havia sentido, na sua visita aos sete patamares da torre.
Só de olhar para o seu rosto era possível perceber os sentimentos guardados na chave que segurava. Eram sentimentos os mais variados, todos os que existem no leque que vai da alegria até a tristeza. As jovens sempre se emocionavam ao visitar os patamares da torre... Com uma exceção. Ao segurar a sétima chave o sorriso de Barbazul desaparecia e, no seu lugar, aparecia enfado e tédio. Era isso que a jovem havia sentido no sétimo patamar: enfado e tédio.
“Não“, dizia ele à jovem. “Não poderemos nos casar. Comigo você será para sempre infeliz. O que há de mais fundo em mim, para você é tédio e enfado.“
E sem outras explicações levava a jovem à casa de seus pais, não sem antes enchê-la com os presentes que trouxera da viagem.
E era sempre assim.
Foi então que aconteceu...
Era o entardecer, o sol se pondo no horizonte. O mar estava maravilhosamente azul. Barbazul caminhava na praia, como sempre fazia, pés descalços... Viu, ao longe, uma jovem que caminhava sozinha, molhando os seus pés na espuma do mar. Era uma cena linda, digna de uma tela de Monet: uma jovem sozinha, vestes brancas na areia branca, contra o azul do céu e o azul do mar... Ela caminhava na sua direção, distraída. Mas parecia não vê-lo, tão absorta se encontrava. Ela se assustou quando o viu...
“Eu a assustei?“, ele perguntou.
“Eu estava distraída“, ela disse, se desculpando.
“Qual é o seu nome?“
“O meu nome? Stella Maris...“
“Chamam-me de Barbazul, por causa da cor da minha barba...“
Eles riram.
Ela não era bonita. Mas a cena era bonita, bonitos eram seus olhos, bonita era a sua voz...
Barbazul ouviu músicas no seu coração. E foi assim que caminharam juntos de pés descalços ao sol poente, caminhadas que vieram a se repetir a cada novo dia.
Até que, numa dessas caminhadas, Barbazul falou o que nunca falara.
“Você não quer morar comigo no meu castelo?“
“Você está pedindo que eu me case com você?“, ela perguntou.
“Não. Estou pedindo que você venha morar comigo. Depois de morar comigo, quem sabe, descobriremos que as nossas solidões poderão caminhar juntas pela vida...“
E assim, ela foi morar no castelo do Barbazul. E aconteceu exatamente como acontecia com todas as outras: passado um tempo Barbazul anunciou uma viagem de sete dias e lhe deu as sete chaves com a mesma recomendação. E partiu...
No primeiro dia Stella Maris tomou a primeira chave, abriu a porta do primeiro patamar e segurou firmemente a chave na sua mão. Era um enorme salão de festas cheio de gente. A orquestra tocava valsas alegres e as pessoas dançavam e riam. Parecia que todos estavam leves e felizes. Stella Maris dançou também e se sentiu leve e feliz.
No segundo dia Stella Maris tomou a segunda chave, abriu a porta do segundo patamar e segurou firmemente a chave na sua mão. Era um salão de banquetes onde se serviam as mais deliciosas comidas e se bebiam os vinhos mais caros. Muitos eram os comensais, mas não tantos quantos havia no salão de festas. Stella Maris juntou-se a eles, assentou-se, comeu, bebeu e se alegrou.
No terceiro dia Stella Maris tomou a terceira chave, abriu a porta do terceiro patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era um parque cheio de crianças que brincavam dos mais variados brinquedos: balanços, gangorras, pipas, piões, cabo-de-guerra, pau de sebo, perna de pau, pula-corda, amarelinha, bolinhas de gude, bonecas, casinha, cabra-cega, escorregador, sela... Todas riam. Todas estavam felizes. Stella Maris se sentiu como criança e se juntou com elas, a brincar.
No quarto dia Stella Maris tomou a quarta chave, abriu a porta do quarto patamar e segurou a chave firmemente em sua mão. Era uma biblioteca com prateleiras cheias de livros. Havia livros de todos os tipos: livros de ciência, de história, de literatura, de poesia, de filosofia, de humor, de mistério, de crime, de ficção científica, de arte, de culinária, de sexo, de religião... Os rostos daqueles que, assentados às mesas, liam livros em silêncio, revelavam emoções que os livros continham: concentração, excitação, curiosidade, alegria, tristeza, riso... Stella Maris escolheu um livro de arte, pinturas de Monet. Vendo as ninféias de Monet ela se sentiu leve e diáfana e desejou ver uma ninféia num lago...
No quinto dia Stella Maris tomou a quinta chave, abriu a porta do quinto patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era uma catedral gótica. A luz do sol se filtrava através dos vitrais coloridos e no silêncio do espaço vazio se ouvia o Requiem, de Fauré. E não eram muitas as pessoas que lá estavam. Havia rostos de súplica, rostos de sofrimento, rostos de paz. Stella Maris foi envolvida pelo silêncio, pelas cores dos vitrais, pela música... E a sua alma orou, chorou, agradeceu e sentiu paz.
No sexto dia Stella Maris tomou a sexta chave, abriu a porta do sexto patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era um jardim japonês. Ouvia-se o barulho da água que caía na fonte onde nadavam carpas coloridas em meio às ninféias. As cerejeiras estavam floridas. Um velho hai-kai repentinamente floresceu: “Cerejeiras ao anoitecer – Hoje também já é outrora...“ (Issa). Poucas, muito poucas eram as pessoas que andavam pelo jardim. Stella Maris se assentou sob uma cerejeira florida e o seu pensamento parou. Não era necessário pensar. A beleza era tanta que ocupava todo o lugar onde moram os pensamentos. Experimentou o paraíso...
No sétimo dia Stella Maris tomou a sétima chave, abriu a porta do sétimo patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era uma ampla sala vazia, na penumbra. Ninguém, somente ela. O silêncio era absoluto. A solidão era absoluta. Dois móveis apenas, duas cadeiras. A que se encontrava no centro da sala era iluminada pela luz das velas de um candelabro que pendia do teto. Stella Maris assentou-se na cadeira que estava num canto, nas sombras.

Foi então que um homem entrou por uma porta nos fundos. Vinha abraçado com um violoncelo. Sem dizer uma única palavra ele se assentou, arrumou o violoncelo entre as pernas, tomou o arco, concentrou-se e pôs-se a tocar. A melodia, em meio ao silêncio absoluto, sem nenhum ruído ou fala que a profanasse, era de tal pureza e pungência que lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Stella Maris.
Sentiu que o seu corpo estava possuído pela beleza. Era como se ele, o seu corpo, fosse o instrumento de onde saía a música. Sim, ela já a ouvira: a Suíte n. 1, em sol maior para violoncelo, de Bach. Terminada a execução, o artista se levantou e se retirou sem nada dizer. Stella Maris permaneceu assentada, em silêncio; não queria que aquele momento terminasse. Queria que ele se prolongasse, para sempre...

* * *

“Então“, disse Barbazul sorridente, “visitou a Torre dos Sete Patamares?“
“Visitei“, respondeu Stella Maris, entregando-lhe as chaves. Barbazul pediu para ficar sozinho e reclinando com os olhos fechados foi apertando as chaves, sucessivamente, com a mão esquerda, a mão do coração. No seu rosto se estampavam as emoções que Stella Maris havia tido em cada um dos patamares: leveza, alegria, riso, beleza, tristeza – até chegar ao último patamar, aquele que, ao segurar a sua chave, sentira o tédio e o enfado que as outras mulheres haviam sentido. O que é que Stella Maris teria sentido?
E, de repente, sentiu lágrimas rolando pelo seu rosto, as mesmas lágrimas que haviam rolado pelo rosto de Stella Maris. Era como se o seu corpo estivesse possuído pela beleza e fosse o instrumento do qual a música saía...
Barbazul sorriu. Permaneceu assentado, em silêncio; não queria que aquele momento terminasse. Queria que ele se prolongasse, para sempre...

* * *

“Stella Maris, você quer se casar comigo“, ele perguntou.
“Casar? Mas eu pensei que...“
“Sim, casar. Você compreendeu o que é a Torre dos Sete Patamares? É a minha alma. Cada patamar é um pedaço de mim. Lá se encontram os prazeres e alegrias humanos. Homens, mulheres e crianças se reúnem para compartilhar esses prazeres e alegrias. Mas, ao final da torre, há um lugar de solidão absoluta onde só entra uma pessoa de cada vez, eu permitindo. Aquele lugar é o fundo do meu coração. Quem não amar aquele lugar jamais me amará. Poderá até ser um companheiro de danças, de jantares, de discussões literárias, de brinquedos... Muitos podem ser bons companheiros. Mas, para me amar, é preciso amar a minha solidão. E aquela música é a forma sonora da minha solidão. Você a achou bela. Você permitiu que ela possuísse o seu corpo. E, por isso, eu a amo... Nossas solidões são amigas... Você quer se casar comigo?“

Envolver os alunos em atividades de pesquisa em projetos de conhecimento

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 21, 2014


Antes de ser uma competência didática precisa ligada a conteúdos específicos envolver os alunos em atividades de pesquisa e em projetos de conhecimento passa de uma capacidade fundamental do professor.


Quando se lê: “Da utilidade das experiências de pensamento para fazer os barcos flutuarem”. Retêm-se apenas os aspectos epistemológicos e didáticos da seqüência descrita, o mais importante permanece implícito uma seqüência didática só se desenvolve se os alunos aceitarem a parada e tiverem realmente a vontade de saber se o concreto é mais pesado que o ferro ou por que um iceberg flutua enquanto uma minúscula bolinha de aço afunda.

Não se trata mais em relação a alunos de 13 anos aquela curiosidade insaciável e daquela vontade espontânea de compreender das crianças de 03 anos. De 08 a 10 anos as mazelas do oficio do aluno não são mais atraídas por um enigma qualquer, as mazelas do oficio do professor reconhecem ao primeiro olhar o tédio do trabalho repetitivo sob a aparência lúdica de uma nova tarefa.

Como tornar o conhecimento apaixonante por si mesmo? Essa não é somente uma questão de competência, mas de identidade e de projeto pessoal do professor, infelizmente, nem todos os professores apaixonados dão se o direito de partilhar sua paixão.

Todas as competências aqui evocadas têm um forte componente didático.

Acredita-se que a capacidade de organizar e de animar situações problemas e outras situações problemas e outras situações fecundas de aprendizagem suponha competência bastante semelhante aquelas exigidas por um procedimento de pesquisa de maior fôlego. Todavia enquanto uma situação problema se organiza em torno de um obstáculo e desaparece quando ele é ultrapassado um procedimento de pesquisa parece ambicioso.

O procedimento em torno do peso e do volume e do principio de Arquimedes pode ser interpretado como uma seqüência de situações problemas.

Tendências Pedagógicas , Sua utilização na prática escolar

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 21, 2014



(PROFª MS. MIRIAM FIORE)

A Prática Educativa é o objeto central do estudo da Didática e para que esta prática ocorra, são necessários alguns meios, e um deles é a aula que pode ser desenvolvida de diversas maneiras dependendo da tendência pedagógica adotada pelo professor que lecionará esta aula.




A adoção de uma determinada tendência ou de outra depende, diretamente, dos condicionantes sócio-políticos que configuram diferentes concepções de homem e de sociedade e, conseqüentemente, diferentes pressupostos sobre o papel da escola, aprendizagem, relações professor-alunos, técnicas pedagógicas etc.(LIBÂNEO, 1992:19)

Os autores, em geral, concordam e classificam as tendências pedagógicas em dois grupos: as de cunho liberal e as de cunho progressista. Como está demonstrado no Quadro 1, a seguir:

Caracterizemos cada uma destas tendências e ao final teremos um quadro elaborado, com esta caracterização: papel da escola, conteúdos de ensino, métodos de ensino, relação professor-alunos e pressupostos da aprendizagem.
1 – Pedagogia Liberal:
Primeiramente, precisamos pensar o que significa a palavra liberal neste contexto. Segundo LIBÂNEO (1992:21) O termo liberal não tem o sentido de ‘avançado’, ‘democrático’, ‘aberto’, como costuma ser usado. A doutrina liberal apareceu como justificação do sistema capitalista que, ao defender a predominância da liberdade e dos interesses individuais na sociedade, estabeleceu uma forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção, também denominada sociedade de classes.





Portanto, nos últimos 60 anos os professores têm adotado esta pedagogia, ora adotando um caráter mais conservador, ora um mais renovado, mas sempre tendo como objetivo preparar os alunos para desempenharem papéis sociais de acordo com as suas aptidões individuais. Para isso, segundo LIBÂNEO (1992) os indivíduos precisam aprender a adaptar-se aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes.
1.1 – Pedagogia Liberal Tradicional:
A Pedagogia Tradicional teve sua vigência do período que vai dos jesuítas até os anos que precedem o lançamento do Movimento dos Pioneiros da Educação Nova (LIBÂNEO, 2000:87). Mas sabemos que esta tendência continua prevalecendo na prática educativa atual. É caracterizada por ser centrada na figura do professor, que geralmente, utiliza-se da oralidade para transmitir seus conhecimentos aos alunos, que devem prestar a máxima atenção às palavras deste para aprender.

Nesta tendência acredita-se que o aluno aprende por ouvir o professor, visualizar objetos, mapas, gravuras e por realizar exercícios repetitivos: lembram-se quando o professor pedia para fazermos cinco vezes cada cópia? Ou cem vezes a tabuada? Pois é, assim pensavam que aprenderíamos mais rapidamente. Com isto objetiva-se formar um aluno ideal, desvinculado de sua realidade concreta, como diz LIBÂNEO (1994:64).


O objetivo inicial desta pedagogia, que era o de formação geral do indivíduo, fica hoje descaracterizado, com um ensino meramente decorado, sem sentido, reduzido à simples memorização de conteúdos desconexos da realidade do aluno.

1.2 – Pedagogia Liberal Renovada Progressivista:
Esta pedagogia está baseada na teoria de John Dewey, autor que acreditava na idéia da relação entre a teoria e a prática, e na crença de que o conhecimento é construído quando compartilhamos experiências, num ambiente democrático.

Portanto, o objetivo desta pedagogia é formar o indivíduo para atuar no meio, por isso deve-se “adequar as necessidades individuais ao meio social” (LIBÂNEO, 1992:85), e por isso também, a escola deve fornecer ao aluno a oportunidade de experienciar, para que satisfaça os interesses deste e às exigências sociais.
1.3 – Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva:
A escola nesta tendência tem o papel de formar atitudes, para tanto o professor deve ser um facilitador como diz Carl Rogers, principal teórico que aborda esta tendência. Para este autor o professor deve aceitar a pessoa do aluno, fazendo com que este se auto-desenvolva, a partir da busca daquilo que é de seu interesse, adequando sua pessoa àquilo que o ambiente solicita. Como diz LIBÂNEO (1992:27) “O resultado de uma boa educação [na tendência não-diretiva] é muito semelhante ao de uma boa terapia”.


1.4 – Tendência Liberal Tecnicista:
Como o próprio nome sugere, esta tendência está baseada na técnica. A preocupação é com a formação de indivíduos para atuarem no mercado de trabalho, mantendo a ordem vigente, o capitalismo. Está embasada, teoricamente, pela análise comportamental, que tem como teórico principal B. F. Skinner, o que garante a objetividade da prática escolar.

O objetivo é transmitir ao aluno “eficientemente, informações precisas, objetivas e rápidas” (LIBÂNEO, 1992:29). Há alguns exemplos de escolas que utilizam-se desta tendência, escolas que oferecem cursos apostilados de digitação, programação, cursos de aprendizagem em instituições como SENAC e SENAI.
2 – Pedagogia Progressista:
“O termo ‘progressista’ (...) é usado aqui para designar as tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sóciopolíticas da educação” (LIBÂNEO, 1992:32). Por isso, estas são tendências que analisam, criticam e discutem os aspectos sóciopolíticos e econômicos da sociedade, realidade em que vivemos. Fato que leva estas tendências a serem utilizadas mais na educação informal do que na formal.
2.1 – Tendência Progressista Libertadora:
Esta tendência é mais conhecida como Pedagogia Paulo Freire e está mais presente em situações não formais de ensino, apesar de, como diz LIBÂNEO (1992:33) “professores e educadores engajados no ensino escolar vêm adotando pressupostos desta pedagogia”. É uma educação crítica porque tenta entender as relações do homem com a natureza e dos homens entre si, para que haja o entendimento e apreensão da realidade para, posteriormente, poder se interferir no processo de transformação desta mesma realidade, portanto esta pedagogia tem um caráter político intenso.
2.2 – Tendência Progressista Libertária:
Esta pedagogia tem como objetivo transformar a personalidade do aluno para atuar no sistema. Tem um caráter político também, mas voltado à autogestão. Geralmente, esta tendência está presente em associações, grupos informais e escolas autogestionárias.
2.3 – Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos:
O objetivo primordial desta tendência é a difusão de conteúdos, mas não qualquer conteúdo, e sim de um conteúdo contextualizado, um conteúdo que não pode se dissociar da realidade social, porque a escola é parte integrante da sociedade, portanto, “agir dentro dela é também agir no rumo da transformação” (LIBÂNEO, 1992:39), ou seja, esta escola irá formar adultos que se apropriarem de conteúdos contextualizados, por meio do professor e de sua própria participação, para atuarem na realidade social em que vivem.