Os Sete Saberes necessários à Educação do Futuro

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 14, 2014

Edgar Morin, Cortez Ed. Unesco, 2000

Os sete saberes indispensáveis enunciados por Morin são:
Capítulo I –
As cegueiras do conhecimento : o erro e a ilusão.
É impressionante que a educação, que visa transmitir conhecimentos, seja cega quanto ao que é o conhecimento humano nos seus dispositivos, enfermidades, dificuldades, tendências ao erro e a ilusão, e não se preocupe em fazer conhecer o que é conhecer.
De fato, o conhecimento não pode ser considerado uma ferramenta "ready made" (Leitura Feita) que pode ser utilizada sem que sua natureza seja examinada. Da mesma forma, o conhecimento do conhecimento deve aparecer como necessidade primeira, que serviria de preparação para enfrentar os riscos permanentes de erro e de ilusão, que não cessam de parasitar a mente humana. Trata-se de armar cada mente no combate vital rumo à lucidez.
É necessário introduzir e desenvolver na educação o estudo das características cerebrais, mentais, culturais dos conhecimentos humanos de seus processos e modalidades, das disposições tanto psíquicas quanto culturais que o conduzem ao erro ou a ilusão.






Capítulo II –
Os princípios do conhecimento pertinentes
Existe um problema capital, sempre ignorado, que é o da necessidade de promover o conhecimento capaz de apreender problemas globais e fundamentais para neles inserir os conhecimentos parciais e locais.
A supremacia do conhecimento fragmentado de acordo com as disciplinas impede freqüentemente de operar o vínculo entre as partes e a totalidade e deve ser substituída por um modo de conhecimento capaz de apreender os objetos em seu contexto, sua complexidade, seu conjunto.
É necessário desenvolver a aptidão natural do espírito humano para situar todas essas informações em um contexto e um conjunto. É preciso ensinar os métodos, que permitam estabelecer as relações mútuas e as influências recíprocas entre as partes e o todo em um mundo complexo.

Capítulo III –
Ensinar a condição humana
O ser humano é a um só tempo físico, biológico, psíquico, cultural, social, histórico. Esta unidade complexa da natureza humana é totalmente desintegrada na educação por meio das disciplinas tendo-se tornado impossível aprender o que significa ser humano.
Desse modo a condição humana deveria ser o objeto essencial de todo o ensino.
Esse capítulo mostra como é possível com base nas disciplinas atuais, reconhecer a unidade e a complexidade humanas, reunindo e organizando conhecimentos dispersos nas ciências da natureza, nas ciências humanas, na literatura e na filosofia e põe em evidência o elo indissolúvel entre a unidade e a diversidade de tudo que é humano.
Capítulo IV –
Ensinar a identidade terrena.
O destino planetário do gênero humano é outra realidade chave até agora ignorada pela educação.
Convém ensinar a história da era planetária, que se inicia com o estabelecimento da comunicação entre todos os continentes no século XVI, e mostrar como todas as partes do mundo se tornaram solidárias, sem, contudo, ocultar as opressões e a dominação que devastaram a humanidade e que ainda não desapareceram.
Será preciso indicar o complexo de crise planetária que marcou o séc. XX mostrando que todos os seres humanos, confrontados de agora em diante aos mesmos problemas de vida e de morte, partilham um destino comum.
Capítulo V –
Enfrentar as incertezas
As ciências permitiram que adquiríssemos muitas certezas, mas igualmente revelaram, ao longo do século XX, inúmeras zonas de incertezas. A educação deveria incluir o ensino das incertezas que surgiram nas ciências físicas (microfísicas, termodinâmica, cosmologia) nas ciências da evolução biológica e nas ciências históricas.
Seria preciso ensinar princípios de estratégia que permitiriam enfrentar os imprevistos, o inesperado e a incerteza, e modificar seu desenvolvimento, em virtude das informações adquiridas ao longo tempo. É preciso aprender a navegar em um oceano de incertezas em meio a arquipélagos de certezas.
A fórmula do poeta Grego Eurípedes, que data de 25 séculos nunca foi tão atual: "O esperado não se cumpre e ao inesperado em Deus abre o caminho". É necessário que todos os que se ocupam da educação constituam a vanguarda ante a incerteza de nossos tempos.
Capítulo VI –
Ensinar a compreensão
A compreensão é a um só tempo meio e fim da comunicação humana. Entretanto a educação para a compreensão está ausente no ensino. O planeta necessita em todos os sentidos de compreensão mútua. O desenvolvimento da compreensão pede a reforma das mentalidades. Esta deve ser a obra para a educação do futuro. Dai decorre a necessidade de estudar a incompreensão a partir de suas raízes, suas modalidades e seus efeitos. Este estudo é necessário por que enfocaria as causas do racismo, da xenofobia, do desprezo. Constituiria, ao mesmo tempo, uma das bases mais seguras da educação para a paz, à qual estamos ligados por essência e vocação.
Capítulo VII –
A ética do gênero humano
A educação deve conduzir à "antropo-ética", levando em conta o caráter ternário da condição humana, que é ser ao mesmo tempo indivíduo/ sociedade/ espécie. Nesse sentido, a ética indivíduo/ espécie necessita do controle mútuo da sociedade pelo indivíduo e do indivíduo pela sociedade, ou seja, a democracia; a ética indivíduo/ espécie convoca, ao séc XXI, a cidadania terrestre. A ética não poderia ser ensinada por meio de lições de moral. Deve formar-se nas mentes com base na consciência de que o humano é, ao mesmo tempo, indivíduo, parte da sociedade, parte da espécie. Carregamos em nos essa tripla realidade. Desse modo, todo desenvolvimento verdadeiramente humano deve compreender o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e da consciência de pertencer à espécie humana. Partindo disso, esboçam-se duas grandes finalidades ético-políticas do novo milênio: estabelecer uma relação de controle mútuo entre a sociedade e os indivíduos pela democracia e conceber a humanidade como comunidade planetária. A educação deve contribuir não somente para a tomada de consciência de nossa Terra-Pátria, mas também permitir que esta consciência se traduza em vontade de realizar a cidadania terrena.
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