Exercícios – “Livros do Vestibular” Memórias de um sargento de milícias – Manuel Antônio de Almeida

Posted by Profº Monteiro on maio 28, 2016

1) (Fuvest-2010)
Considere a seguinte relação de obras: Auto da barca do inferno, Memórias de um sargento de milícias, Dom Casmurro e Capitães da areia. Entre elas, indique as duas que, de modo mais visível, apresentam intenção de doutrinar, ou seja, o propósito de transmitir princípios e diretivas que integram doutrinas determinadas.
Divida sua resposta em duas partes: a) para a primeira obra escolhida e b) para a segunda obra escolhida, conforme já vem indicado na respectiva página de respostas.
Justifique sucintamente cada uma de suas escolhas.

Texto para as questões de 2 a 6
Todo o barbeiro é tagarela, e principalmente quando tem pouco que fazer; começou portanto a puxar conversa com o freguês. Foi a sua salvação e fortuna. O navio a que o marujo pertencia viajava para a Costa e ocupava-se no comércio de negros; era um dos combóis que traziam fornecimento para o Valongo, e estava pronto a largar.
— Ó mestre! disse o marujo no meio da conversa, você também não é sangrador?
— Sim, eu também sangro...
— Pois olhe, você estava bem bom, se quisesse ir conosco... para curar a gente a bordo; morre-se ali que é uma praga.
— Homem, eu da cirurgia não entendo muito...
— Pois já não disse que sabe também sangrar?
— Sim...
— Então já sabe até demais.
No dia seguinte saiu o nosso homem pela barra fora: a fortuna tinha-lhe dado o meio, cumpria sabê-lo aproveitar; de oficial de barbeiro dava um salto mortal a médico de navio negreiro; restava unicamente saber fazer render a nova posição. Isso ficou por sua conta. Por um feliz acaso logo nos primeiros dias de viagem adoeceram dois marinheiros; chamou-se o médico; ele fez tudo o que sabia... sangrou os doentes, e em pouco tempo estavam bons, perfeitos. Com isto ganhou imensa reputação, e começou a ser estimado.
Chegaram com feliz viagem ao seu destino; tomaram o seu carregamento de gente, e voltaram para o Rio. Graças à lanceta do nosso homem, nem um só negro morreu, o que muito contribuiu para aumentar-lhe a sólida reputação de entendedor do riscado.
(Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias)
2) (Fuvest-2011) Das seguintes afirmações acerca de diferentes elementos linguísticos do texto, a única correta é:
a) A expressão sublinhada em “para curar a gente a bordo” deve ser entendida como pronome de tratamento de uso informal.
b) A fórmula de tratamento com que o barbeiro se dirige ao marujo mantém o tom cerimonioso do início do diálogo.
c) O destaque gráfico da palavra “muito” produz um efeito de sentido que é reforçado pelas reticências.
d) O pronome possessivo usado nos trechos “saiu o nosso homem” e “lanceta do nosso homem” configura o chamado plural de modéstia.
e) A palavra “fortuna”, tal como foi empregada, pode ser substituída por “bens”, sem prejuízo para o sentido.

3) (Fuvest-2011) Para expressar um fato que seria consequência certa de outro, pode-se usar o pretérito imperfeito do indicativo em lugar do futuro do pretérito, como ocorre na seguinte frase:
a) “era um dos combóis que traziam fornecimento para o Valongo”.
b) “você estava bem bom, se quisesse ir conosco”.
c) “Pois já não disse que sabe também sangrar?”.
d) “de oficial de barbeiro dava um salto mortal a médico de navio negreiro”.
e) “logo nos primeiros dias de viagem adoeceram dois marinheiros”.

4) (Fuvest-2011) Neste trecho, em que narra uma cena relacionada ao tráfico de escravos, o narrador não emite julgamento direto sobre essa prática. Ao adotar tal procedimento, o narrador:
a) revela-se cúmplice do mercado negreiro, pois fica subentendido que o considera justo e irrepreensível.
b) antecipa os métodos do Realismo Naturalismo, o qual, em nome da objetividade, também abolirá os julgamentos de ordem social, política e moral.
c) prefigura a poesia abolicionista de Castro Alves, que irá empregá-lo para melhor expor à execração pública o horror da escravidão.
d) contribui para que se constitua a atmosfera de ausência de culpa que caracteriza a obra.
e) mostra-se consciente de que a responsabilidade pelo comércio de escravos cabia, principalmente, aos próprios africanos, e não ao tráfico negreiro.

5) (Fuvest-2011) Assim como faz o barbeiro, nesse trecho de Memórias de um sargento de milícias, também a personagem José Dias, de Dom Casmurro, irá se passar por médico (homeopata), para obter meios de subsistência. Essa correlação indica que
I. estamos diante de uma linha de continuidade temática entre o romance de Manuel Antônio de Almeida e o romance machadiano da maturidade.
II. agregados transgrediam com bastante desenvoltura princípios morais básicos, razão pela qual eram proibidos de conviver com a rígida família patriarcal do Império.
III. os protagonistas desses romances decalcam um mesmo modelo literário: o do pícaro, herói do romance picaresco espanhol.
Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.

6) (Fuvest-2011) A linguagem de cunho popular que está presente tanto na fala das personagens quanto no discurso do narrador do romance de Manuel Antônio de Almeida, está mais bem exemplificada em:
a) “quando tem pouco que fazer”; “cumpria sabê-lo aproveitar”.
b) “Foi a sua salvação”; “a que o marujo pertencia”.
c) “saber fazer render a nova posição”; “Chegaram com feliz viagem ao seu destino”.
d) “puxar conversa”; “entendedor do riscado”.
e) “adoeceram dois marinheiros”; “sólida reputação”.

7) (Fuvest-2012) Leia o excerto de Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, para responder ao que se pede.

Caldo Entornado
A comadre, tendo deixado o major entregue à sua vergonha, dirigira-se imediatamente para a casa onde se achava Leonardo para felicitá-lo e contar-lhe o desespero em que a sua fuga tinha posto o Vidigal. (...) A comadre, segundo seu costume, aproveitou o ensejo, e depois que se aborreceu de falar no major desenrolou um sermão ao Leonardo, (...). O tema do sermão foi a necessidade de buscar o Leonardo uma ocupação, de abandonar a vida que levava, gostosa sim, porém sujeita a emergências tais como a que acabava de dar-se. A sanção de todas as leis que a pregadora impunha ao seu ouvinte eram as garras do Vidigal.

Você concorda com as afirmações que seguem? Justifique suas respostas.
a) Vê-se, no excerto, que a comadre procura incutir em Leonardo princípios morais destinados a corrigir o comportamento do afilhado.
b) No sermão que prega a Leonardo, a comadre manifesta a convicção de que o trabalho é fator decisivo na formação da personalidade de um jovem.

8) (Unicamp-2011) Leia os seguintes trechos de Memórias de um sargento de milícias e Vidas secas, que descrevem o estado de ânimo das personagens ao final de uma festa:
Acabado o fogo, tudo se pôs em andamento, levantaram-se as esteiras, espalhou-se o povo. D. Maria e sua gente puseram-se também em marcha para casa, guardando a mesma disposição com que tinham vindo. Desta vez porém Luisinha e Leonardo, não é dizer que vieram de braço, como este último tinha querido quando foram para o Campo, foram mais adiante do que isso, vieram de mãos dadas muito familiar e ingenuamente. Este ingenuamente não sabemos se se poderá com razão aplicar ao Leonardo. Conversaram por todo o caminho como se fossem dois conhecidos muito antigos, dois irmãos de infância, e tão distraídos iam que passaram à porta da casa sem parar, e já estavam muito adiante quando os sios de D. Maria os fizeram voltar. A despedida foi alegre para todos e tristíssima para os dois.
(Manuel Antonio de Almeida, Memória de um sargento de milícias. São Paulo: Ática, 2004, Capítulo XX - “O fogo no Campo”, p. 71.)

Baleia cochilava, de quando em quando balançava a cabeça e franzia o focinho. A cidade se enchera de suores que a desconcertavam.
Sinha Vitória enxergava, através das barracas, a cama de seu Tomás da bolandeira, uma cama de verdade.
Fabiano roncava de papo para cima, as abas do chapéu cobrindo-lhe os olhos, o quengo sobre as botinas de vaqueta. Sonhava, agoniado, e Baleia percebia nele um cheiro que o tornava irreconhecível. Fabiano se agitava, soprando. Muitos soldados amarelos tinham aparecido, pisavam-lhe os pés com enormes reiúnas e ameaçavam-no com facões terríveis.
(Graciliano Ramos, Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 82-83.)

a) Explique as diferenças do estado de ânimo das personagens ao final dos dois episódios.
b) A partir dessa diferença, explique o significado que as duas festas têm em cada um dos romances.

9) (Unicamp-2012) Os trechos a seguir foram extraídos de Memórias de um sargento de milícias e Vidas secas, respectivamente.
O som daquela voz que dissera “abra a porta” lançara entre eles, como dissemos, o espanto e o medo. E não foi sem razão; era ela o anúncio de um grande aperto, de que por certo não poderiam escapar. Nesse tempo ainda não estava organizada a polícia da cidade, ou antes estava-o de um modo em harmonia com as tendências e ideias da época. O major Vidigal era o rei absoluto, o árbitro supremo de tudo o que dizia respeito a esse ramo de administração; era o juiz que julgava e distribuía a pena, e ao mesmo tempo o guarda que dava caça aos criminosos; nas causas da sua imensa alçada não haviam testemunhas, nem provas, nem razões, nem processo; ele resumia tudo em si; a sua justiça era infalível; não havia apelação das sentenças que dava, fazia o que queria, ninguém lhe tomava contas. Exercia enfim uma espécie de inquirição policial. Entretanto, façamos-lhe justiça, dados os descontos necessários às ideias do tempo, em verdade não abusava ele muito de seu poder, e o empregava em certos casos muito bem empregado.
(Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1978, p. 21.)

Nesse ponto um soldado amarelo aproximou-se e bateu familiarmente no ombro de Fabiano:
– Como é, camarada? Vamos jogar um trinta-e-um lá dentro?
Fabiano atentou na farda com respeito e gaguejou, procurando as palavras de seu Tomás da bolandeira:
– Isto é. Vamos e não vamos. Quer dizer. Enfim, contanto, etc. É conforme.
Levantou-se e caminhou atrás do amarelo, que era autoridade e mandava. Fabiano sempre havia obedecido. Tinha muque e substância, mas pensava pouco, desejava pouco e obedecia.
(Graciliano Ramos, Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 28.)

a) Que semelhanças e diferenças podem ser apontadas entre o Major Vidigal, de Memórias de um sargento de milícias, e o soldado amarelo, de Vidas secas?
b) Como essas semelhanças e diferenças se relacionam com as características de cada uma das obras?

Respostas:
1) a) O Auto da Barca do Inferno é informado por princípios da moral cristã, pelos quais são julgados os comportamentos dos mortos prestes a embarcar, no “cais das almas”, para o mundo post-mortem, em que serão punidos ou recompensados.
b) Capitães da Areia é um romance em que se faz a apologia da revolução socialista como panaceia para as injustiças sociais decorrentes do regime capitalista. É uma obra que busca o “engajamento” na luta social, tendo sido por isso proibida durante o Estado Novo. A intenção de doutrinar politicamente o leitor é recorrente, como exemplifica o final: “E, apesar de que lá fora era o terror, qualquer daqueles lares era um lar que se abriria para Pedro Bala, fugitivo da polícia. Porque a revolução é uma pátria e uma família”.
Cabe observar que Memórias de um sargento de milícias não apresenta nenhuma intenção de doutrinar.
2) c
3) b
4) d
5) a
6) d
7) a) Não. Ela não quer corrigir as ações de Leonardo, mas temerosa das “garras do Vidigal”, procura incutir no afilhado a necessidade de encontrar meios para escapar delas, no caso, pelo trabalho.
b) Não. O sermão da comadre prega a necessidade de Leonardo buscar uma ocupação para escapar às garras do Vidigal, revelando-se assim a ausência de preocupação com a formação do caráter do jovem.
8) a) No romance de Manuel Antonio de Almeida, o momento alegre que vivem as personagens está em consonância com a alegria geral que representava o reencontro amoroso dos protagonistas. Na festa descrita em Vidas secas, as personagens não estão em consonância, pois em nenhum momento se afastam dos problemas que as ocupam obsessivamente durante todo o romance. Há uma dissociação total entre o evento social e o estado de ânimo das personagens.
b) Nas Memórias, a descrição de uma festa popular do século XIX está de acordo com o caráter de romance romântico de costumes da obra. Em Vidas secas, a ênfase não é no caráter tradicional dessa festa, e sim no deslocamento das personagens, que continuam à margem, de acordo com o caráter de crítica social do romance.
9) a) Ambos se assemelham por exercerem a autoridade com arbitrariedade.  Porém, enquanto o Major Vidigal é o representante supremo da lei, o soldado amarelo é apenas um subalterno.  Este, no entanto, exerce a autoridade com brutalidade, ao passo que o Major, com uma bonomia paternalista.
b) Memórias é um romance de costumes do romantismo, que se valendo do humor e da caricatura conduz a um desfecho conciliador.  Já Vidas Secas, é um romance social da década de 30, que contém uma denúncia da opressão.  Por isso, a bonomia que caracteriza o representante da autoridade na primeira obra não está presente no livro de Graciliano Ramos.


20 questões de Inglês com gabarito

Posted by Profº Monteiro on maio 28, 2016

Nas questões de 1 a 18 escolha a resposta que mais apropriadamente completa a oração dada.
1.       I took my husband to the airport.................
a)       himself
b)       herself
c)       yourself
d)       myself
e)       oneself

2.       Isn't this book the ................ you were looking for?
a)       which
b)       one
c)       such
d)       that
e)       same

3.       ............. of what you said is not important.
a)       Many
b)       Much
c)       Neither
d)       Either
e)       Both

4.       He asked ............... his colleagues to help him.
a)       every
b)       each
c)       all
d)       the
e)       many

5. My brother had too much to drink last night, but he .......... not have because he often suffers from liver
trouble.
a)    could
b)       should
c)       must
d)       can
e)       would

6.       Mary ............... an accident in the car and then ........... to keep quiet about it.
a)       had - decides
b)       has - has decided
c)       will have - decides
d)       had - decided
e)       is having - deciding

7.       I agree that American food is bad, but English food is ......... worse.
a)       very
b)       more
c)       much
d)       such
e)       most

8.       There is nobody .................. in the room, Mary is sitting there by herself.
a)       more
b)       also
c)       besides
d)       other
e)       else

9.       Liz used to swim a lot, but she plays tennis instead now. She does not swim ................
a)       yet
b)       any more
c)       still
d)       more
e)       already

10.    We got .................... the bus at our destination.
A)      off
B)      of
C)      out
D)      from
E)      away

11.    ................. you do not go to shops, we shall not have anything to eat.
a)       Whether
b)       Or else
c)       If
d)       When
e)       Otherwise

12.    I went to France ............ to learn French.
a)       so that
b)       in order that
c)       for
d)       in order
e)       for that

13.    She has a lovely house in Rome, ..................
a)       isn't it?
b)       Has not?
c)       No?
d)       Doesn't it?
e)       Doesn't she?

14.    Tom should work tomorrow, but he doesn't want to, ............
a)       does he?
b)       Shouldn't he?
c)       Should he?
d)       Doesn't he?
e)       Want he?


15.    Mary would rather .......... at home.
a)       stayed
b)       staying
c)       to stay
d)       stay
e)       stays

16.    Television programmes were once worth ..............
a)       watch
b)       to watch
c)       watching
d)       watches
e)       watched

17.    Diamonds are ...............................
a)       a best speculator's friend.
b)       a speculator's best friend.
c)       a best friend's speculator.
d)       a friend's best speculator.
e)       a speculator best friend's.

18.    That's a nice poem; the poet is .................. Leopold Senghor.
a)       Senegal's longtime President's
b)       the longtime President's Senegal
c)       Senegal longtime President
d)       Senegal longtime President's
e)       Senegal's longtime President

Nas questões 19 a 20, escolha a oração correta.
19.    A) The book is one rare with the torn pages.
b) A rare one is the book torn with the pages.
c) The book with the torn pages is a rare one.
d) The book with the pages is torn a rare one.
e) A book with the pages torn is the one rare.

20.    a) Students can to enjoy all the facilities available them.
b) Students can enjoy the available facilities to all them.
c) students can enjoy all the facilities available to them.
d) all students cam them enjoy the facilities available to.

e) All the available facilities to students cam them enjoy.



GABARITO

1D
2D
3B
4C
5B
6D
7C
8E
9B
10A
11C
12D
13E
14A
15D
16C
17B
18E
19C
20C

Questões sobre Memórias de um sargento de milícias

Posted by Profº Monteiro on maio 28, 2016

Lápis de cores sobre a América do Norte

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:


Todo o barbeiro é tagarela, e principalmente quando tem pouco que fazer; começou portanto a puxar conversa com o freguês. Foi a sua salvação e fortuna.
O navio a que o marujo pertencia viajava para a Costa e ocupava-se no comércio de negros; era um dos combóis que traziam fornecimento para o Valongo, e estava pronto a largar.
— Ó mestre! disse o marujo no meio da conversa, você também não é sangrador?
— Sim, eu também sangro...
— Pois olhe, você estava bem bom, se quisesse ir conosco... para curar 1a gente a bordo; morre-se ali que é uma praga.
— 2Homem, eu da cirurgia não entendo 3muito...
— Pois já não disse que sabe também sangrar?
— Sim...
— Então já sabe até demais.
No dia seguinte 4saiu o nosso homem pela barra fora: a 6fortuna tinha-lhe dado o meio, cumpria sabê-lo aproveitar; de oficial de barbeiro dava um salto mortal a médico de navio negreiro; restava unicamente saber fazer render a nova posição. Isso ficou por sua conta.
Por um feliz acaso logo nos primeiros dias de viagem adoeceram dois marinheiros; chamou-se o médico; ele fez tudo o que sabia... sangrou os doentes, e em pouco tempo estavam bons, perfeitos. Com isto ganhou imensa reputação, e começou a ser estimado.
Chegaram com feliz viagem ao seu destino; tomaram o seu carregamento de gente, e voltaram para o Rio. Graças à 5lanceta do nosso homem, nem um só negro morreu, o que muito contribuiu para aumentar-lhe a sólida reputação de entendedor do riscado.
Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias.

1(Fuvest 2011) Neste trecho, em que narra uma cena relacionada ao tráfico de escravos, o narrador não emite julgamento direto sobre essa prática. Ao adotar tal procedimento, o narrador
a) revela-se cúmplice do mercado negreiro, pois fica subentendido que o considera justo e
irrepreensível.
b) antecipa os métodos do Realismo-Naturalismo, o qual, em nome da objetividade, também abolirá
os julgamentos de ordem social, política e moral.
c) prefigura a poesia abolicionista de Castro Alves, que irá empregá-lo para melhor expor à
execração pública o horror da escravidão.
d) contribui para que se constitua a atmosfera de ausência de culpa que caracteriza a obra.
e) mostra-se consciente de que a responsabilidade pelo comércio de escravos cabia, principalmente,
aos próprios africanos, e não ao tráfico negreiro.

2(Fuvest 2011) A linguagem de cunho popular que está presente tanto na fala das personagens quanto no discurso do narrador do romance de Manuel Antônio de Almeida, está mais bem exemplificada em:
a) “quando tem pouco que fazer”; “cumpria sabê-lo aproveitar”.
b) “Foi a sua salvação”; “a que o marujo pertencia”.
c) “saber fazer render a nova posição”; “Chegaram com feliz viagem ao seu destino”.
d) “puxar conversa”; “entendedor do riscado”.
e) “adoeceram dois marinheiros”; “sólida reputação”.

3(Fuvest 2011) Assim como faz o barbeiro, nesse trecho de Memórias de um sargento de milícias, também a personagem José Dias, de Dom Casmurro, irá se passar por médico (homeopata), para obter meios de subsistência.
Essa correlação indica que
I. estamos diante de uma linha de continuidade temática entre o romance de Manuel Antônio de Almeida e o romance machadiano da maturidade.
II. agregados transgrediam com bastante desenvoltura princípios morais básicos, razão pela qual eram proibidos de conviver com a rígida família patriarcal do Império.
III. os protagonistas desses romances decalcam um mesmo modelo literário: o do pícaro, herói do romance picaresco espanhol.
Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.


4(Pucsp 2009) Quando saltaram em terra começou a Maria a sentir certos enojos; foram os dous morar juntos; e daí a um mês manifestaram-se claramente os efeitos da pisadela e do beliscão; sete meses depois teve a Maria um filho, formidável menino de quase três palmos de comprido, gordo e vermelho, cabeludo, esperneador e chorão; o qual, logo depois que nasceu, mamou duas horas seguidas sem largar o peito. E este nascimento é certamente de tudo o que temos dito o que mais nos interessa, porque o menino de quem falamos é o herói desta história.
O trecho anterior integra o romance Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Considerando o romance como um todo, indique a alternativa que contém informações que NÃO são pertinentes a essa obra.

a) É classificado como romance folhetinesco, e foi publicado em capítulos no jornal carioca Correio Mercantil entre 1852 e 1853.
b) Segundo alguns críticos, pode ser considerado precursor do movimento realista, por causa da forma como caracteriza o cotidiano dos personagens, moradores dos bairros populares do Rio de Janeiro.
c) É considerado como o romance da malandragem, narrado em terceira pessoa e inteiramente aclimatado no tempo em que D. João VI governou o Brasil.
d) É considerado um romance picaresco, por causa das ações de seu herói principal, e plenamente identificado com o ideário romântico vigente na literatura da época.
e) Prende-se ao Romantismo brasileiro, ainda que apresente certo descompasso com os padrões e o tom da estética romântica.

5(Unifesp 2009) Quando saltaram em terra começou a Maria a sentir certos enojos: foram os dois morar juntos: e daí a um mês manifestaram-se claramente os efeitos da pisadela e do beliscão; sete meses depois teve a Maria um filho (...) E este nascimento é certamente de tudo o que temos dito o que mais nos interessa, porque o menino de quem falamos é o herói desta história. (Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um Sargento de Milícias.)

Com base nas informações verbais e visuais, é CORRETO afirmar que o beliscão de Maria representa:
a) A cumplicidade na situação de aproximação desencadeada pela pisadela.
b) O desdém da quitandeira frente à intenção de aproximação de Leonardo.
c) A condenação à atitude de Leonardo, por supor uma intimidade indesejada.
d) O repúdio da quitandeira à situação, vendo Leonardo como homem desprezível.
e) A aceitação de uma amizade, mas não de uma aproximação íntima entre ambos.

6. (Fuvest 2008) Apesar de viver "um pouco ao sabor da sorte", "sem plano nem reflexão", "movido pelas circunstâncias", como uma espécie de "títere" (expressões de Antonio Candido), o protagonista das Memórias de um sargento de milícias, Leonardo (filho), como outras personagens do romance, mostra-se bastante determinado quando se trata de
a) estabelecer estratégias para ascender na escala social.
b) assumir rixas, tirar desforras e executar vinganças.
c) demonstrar afeto e gratidão por aqueles que o amparam e defendem.
d) buscar um emprego que lhe garanta a subsistência imediata.
e) conservar-se fiel ao primeiro amor de sua vida.

7(Ufrgs 2007) Considere as seguintes afirmações a respeito de "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida.
I - O campo de abrangência social focalizado pelo romance, narrado com linguagem humorística e irônica, é a classe média urbana do Rio de Janeiro, sobretudo do centro da cidade, constituída por homens livres, com relações interpessoais marcadas pela irreverência e a desordem.
II - O romance introduz na literatura brasileira a figura do malandro, personagem que oscila entre as regras de conduta social e sua transgressão, entre o lícito e o ilícito, sem que esse dualismo receba tratamento moralizante por parte do autor.
III - É um romance narrado em primeira pessoa, que privilegia o ponto de vista do narrador protagonista, Leonardo, e a sua avaliação crítica da sociedade carioca da segunda metade do século XIX.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e II.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

8(Ufpr 2006) Considere as seguintes afirmações sobre "Memórias de um sargento de milícias", de Manuel Antônio de Almeida:
I. Publicado originalmente como folhetim, alcançou o patamar de cânone da literatura brasileira por inaugurar no Brasil a escola realista-naturalista, muito afeita a denúncias sociais.
II. A personagem principal, Leonardo Pataca, filho, embora tendo nascido em uma família desestruturada, dá mostras de superação pessoal no longo esforço que lhe custou alcançar o cargo de sargento de milícias.
III. Na passagem do jornal para o livro, foram mantidos os elementos folhetinescos do original.
IV. Como a personagem José Dias, de "Dom Casmurro", Leonardo Pataca, filho, é um exemplo de agregado, figura típica presente nas grandes famílias brasileiras, que ganham teto e comida em troca de pequenos favores.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas a afirmativa III é verdadeira.
b) Apenas as afirmativas I, II e III são verdadeiras.
c) Apenas as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
d) Apenas as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.
e) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.

 9(Ufrgs 2005) Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas do texto a seguir, na ordem em que aparecem.
"Memórias de um Sargento de Milícias" é uma obra de tendência .............. que apresenta aspectos de transição social relacionados ..............., podendo ser lida como ..............., com traços de linguagem ................. .
a) naturalista - ao aumento da imigração no Brasil - relato documental - subjetiva
b) romântica - ao reinado de D. Pedro II - narrativa em primeira pessoa - erudita
c) realista - à vinda de D. João VI ao Brasil - crônica de costumes - coloquial
d) romântica - à abolição da escravatura - narrativa de costumes - objetiva
e) realista - ao reinado de D. Pedro II - romance histórico - satírica

10(Puccamp 2005) (...) era o Leonardo Pataca. Chamavam assim a uma rotunda e gordíssima personagem de cabelos brancos e carão avermelhado, que era o decano da corporação, o mais antigo dos meirinhos(*) que viviam nesse tempo. (...) Fora Leonardo algibebe(**) em Lisboa, sua pátria; aborreceu-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado, e que exercia, como dissemos, desde tempos remotos.

( *) meirinho = funcionário da justiça.
(**) algibebe = vendedor de roupas baratas; mascate.
(Manuel Antonio de Almeida. "Memórias de um sargento de milícias". Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1978, p. 6)
Considere as seguintes afirmações:
I. A personagem referida nesse trecho é o protagonista do romance.
II. O trecho faz referência ao sistema de favor, ao compadrismo, que integrava as relações sociais da época.
III. A caracterização física de Leonardo Pataca obedece ao modelo do herói romântico.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma SOMENTE em
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III. 

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
Chegou o dia de batizar-se o rapaz. (...) Já se sabe que houve nesse dia função: os convidados do dono da casa, que eram todos dalém-mar, cantavam ao desafio, segundo seus costumes; os convidados da comadre, que eram todos da terra, dançavam o fado. O compadre trouxe a rabeca, que é, como se sabe, o instrumento favorito da gente do ofício. A princípio o Leonardo quis que a festa tivesse ares aristocráticos, e propôs que se dançasse o minuete da corte. Foi aceita a ideia, ainda que houvesse dificuldade em encontrarem-se pares. (...) O compadre foi quem tocou o minuete na rabeca. (...) Depois do minuete foi desaparecendo a cerimônia, e a brincadeira aferventou, como se dizia naquele tempo.
Chegaram uns rapazes de viola e machete: o Leonardo, instado pelas senhoras, decidiu-se a romper a parte lírica do divertimento. Sentou-se num tamborete, em um lugar isolado da sala, e tomou uma viola. Fazia um belo efeito cômico vê-lo, em trajes de ofício, de casaca, calção e espadim, acompanhando com um monótono zunzum nas cordas do instrumento o garganteado de uma modinha pátria. (...)
Foi executada com atenção e aplaudida com entusiasmo.
O canto do Leonardo foi o derradeiro toque de rebate para esquentar-se a brincadeira, foi o adeus às cerimônias. Tudo daí em diante foi burburinho que depressa passou à gritaria, e ainda mais depressa à algazarra, e não foi ainda mais adiante porque de vez em quando viam-se passar (...).

11(Pucsp 2005) No romance "Memórias de um sargento de milícias", considerado como um todo, há uma forte caracterização dos tipos populares entre os quais destaca-se a figura de Leonardo filho. Indique a alternativa que contém dados que caracterizam essa personagem.
a) Narrador das peripécias relatadas em forma de memórias, conforme vem sugerido no título do livro, torna-se exemplo de ascensão das camadas sociais menos privilegiadas.
b) Anti-herói, malandro e oportunista, espécie de pícaro pela bastardia e ausência de uma linha ética de conduta.
c) Herói de um romance sem culpa, representa as camadas populares privilegiadas dentro do mundo da ordem.
d) Representante típico da fina flor da malandragem, ajeita-se na vida, porque protegido do Vidigal, permanece imune às sanções sociais e em momento algum é recolhido à cadeia.
e) Herói às avessas que incorpora a exclusão social, porque, não tendo recebido amparo de nenhuma espécie, não alcança a patente das milícias e se priva de qualquer tipo de herança.

 12(Pucsp 2005) No trecho apresentado, do romance "Memórias de um sargento de milícias", de Manuel Antonio de Almeida, há uma ideia de progressão que enquadra a ação das personagens entre as formas convencionais e contidas do comportamento social e a perda dos seus limites e medidas. E isso se dá de uma forma bem expressiva no uso da gradação. Indique a alternativa que contém essa gradação.
a) desafio / fado / minuete
b) burburinho / gritaria / algazarra
c) viola / rabeca / modinha
d) casaca / calção / espadim
e) português / brasileiro / corte

 Gabarito:
1 - D
2 - D
3 - A
4 - D
5- A
6- B
7- C
8-A
9-C
10-B
11-B
12-B