Sugestões de Aulas Interventivas para Alunos Pré-Silábicos em Turmas de 3º Ano

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 14, 2017

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fonte:http://soatividadesparasaladeaula.blogspot.com.br/search/label/lingua%20portuguesa

Intervenção pedagógica para alunos pré-silábicos e silábicos em turmas de 3º Ano  - para esta intervenção é importante a presença de alunos nos três níveis da psicogênese: pré-silábicos 1 e 2 e alfabéticos em transição.

Plano de Aula
Nível de ensino: 3º Ano – Séries Iniciais - Ensino Fundamental
Componente curricular: Linguagem oral e escrita – Construção da Escrita/Leitura – Avanço na hipótese da psicogênese: pré-silábico 2 para silábico e silábico para alfabético .
Dados da aula  - Objetivos:
- A função da escrita e da leitura: uma forma de relatar tudo que acontece, desde o nome das pessoas, coisas, objetos, acontecimentos do dia a dia...
- Reconhecer ou pelo menos familiarizar-se com a escrita do próprio nome;
- Reconhecer sensações que auxiliem na linguagem escrita;
- Identificar letras do próprio nome, de outras pessoas ou personagens de história, telenovelas, desenhos animados;
-Aproximar-se da linguagem escrita por meio da palavra: letras e seus sons (fonemas e grafemas).
- Desenvolvimento do pensamento silábico na verbalização e escrita.
Duração das atividades
4 aulas
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno:
DSC06904O tema para estas aulas interventivas: a telenovela infantil “Carrossel” (pode ser adaptado à preferência de toda a turma)
DSC06734· Cantar com os alunos através de áudio a música preferida da trilha sonora da novela infantil: Carrossel.
DSC06756· Estimulação do tema através de imagens relacionadas ao mesmo.
· Provocar a manifestação de pensamentos, sentimentos e preferências que a telenovela desperta na turma, registrando na lousa, palavras-chave.
DSC06898· Construção de um texto coletivo com as narrações e impressões provocadas sobre o tema: Carrossel. Leitura coletiva do texto.
DSC06915· Construir um banco de palavras mais importantes retiradas do texto.
Estratégias e recursos da aula
Atividade número 1:
*- Enredo da Novela Carrossel:
Helena Fernandes é uma professora jovem e bonita e afetuosa de uma turma de 3º ano da Escola Mundial, e logo conquista todos os alunos com seu carinho. Os alunos são bem diferentes: têm diferentes personalidades.
Fora da escola, as crianças formam um clube liderado por Daniel chamado"Patrulha Salvadora" onde se reúnem numa casa abandonada, neste grupo, eles ajudam outras crianças que não estudam na Escola Mundial.
A trama se passa na Escola Mundial
Atividade número 2:
Levar para os alunos em grupos (agrupamento com alunos no nível pré-silábicos 2 e silábicos) – imagens sobre a novela (escola, a turma, o personagem preferido, o cachorro.).
DSC06891Cada grupo vai falar sobre a imagem que recebeu e organizar com os alunos as ideias e estruturar um texto coletivo. Leitura/pseudoleitura. Solicitar que os alunos marquem as palavras mais importantes do texto.
Atividade número 3:
Após a leitura do texto solicitar aos alunos quais palavrinhas contidas no texto eles gostariam que fossem separadas para aprenderem á fazer o “jogo das boquinhas” que é uma brincadeira que a professora Helena faz com seus alunos quando não estão gravando a novela.
DSC06910Estas quatro atividades fazem parte da primeira aula (se a participação dos alunos se prolongar, deixar a atividade 3 para a próxima aula).
2ª Aula
Atividade 1
DSC06943Cantar novamente com os alunos a música escolhida por eles. Levar uma atividade escrita para trabalhar o “Jogo das boquinhas”, os alunos vão ser estimulados a construir o pensamentosilábico, nesta atividadeCom as palavras retiradas no texto coletivo que já foram trabalhadas na “preguicinha”: as letras, sons e quantidades de letra de cada palavra que formam as sílabas (quantas vezes abro e fecho a boquinha) . Após a exploração de cada palavra os grupos vão colorir uma estrelinha para cada vez que abrimos a boca para pronunciar a palavra, sem dizer a palavra sílaba, mas contar quantas letrinhas que há em cada pedacinho. No final da folha há um espaço em branco, em que será solicitado aos alunos que escrevem o pré-nome e contem quantas vezes vão abrir e fechar a boca para falar o nome e pintar as estrelinhas correspondentes. A professora acompanha a atividade fazendo na lousa.DSC06855
Atividade 2
Escolher uma quadrinha da música escolhida e cantada. Com o texto em fonte maior exposto na lousa, distribuir uma folha para cada aluno com o texto impresso. Propor um desafio aos grupos: os grupos que acertarem todas as atividades que vai solicitar ganharão um prêmio no final.
Trabalhando com a quadrinha da música:
Cada grupo deverá responder as solicitações, todos devem participar (o grupo cujos componentes participarem menos perderão pontos).
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Caça-palavras (usando uma quadrinha da música)
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Trabalhar as palavras encontradas: com o pensamento silábico – quantidades de letras – formar as silabas com o alfabeto móvel e registrar numa folha impressa.
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O grupo ou grupos que ganharem o desafio recebem o prêmio.
Atividade número 5:
Construir com as crianças o registro do pré-nome: “É importante escrever o próprio nome, pois ele identifica sua tarefa, diferencia você das demais crianças, torna você único e especial”.
Na atividade da construção do pensamento silábico fica um espaço para construção do pré-nome:DSC06933


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Avaliação
Para avaliar é importante levantar alguns questionamentos e utilizar as possíveis respostas para a construção de um relatório sobre esse trabalho. A criança familiarizou-se com a escrita do próprio nome? Houve compreensão e participação da criança com necessidades educacionais especiais? Tentaram realizar a escrita das palavras ou pré-nomes com ou sem ajuda? As demais crianças avançaram em sua interação com a linguagem escrita?
Realizar novamente o teste da psicogênese e verificar as mudanças nas hipóteses que vai demonstrar quais alunos avançaram e quais os alunos que necessitam mais atividades relacionadas com a construção da escrita.
Resultado da Psicogênese:
Dos doze alunos que participaram desta intervenção com 4 aulas interventivas:
-  houve  2  alunos estiveram infrequentes;
- 1 aluno demonstrou dificuldades de aprendizagem e não avançou nas hipótese psicogenética.
- 2 alunos pré-silábicos   avançaram para a  construção  do pensamento silábico;
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-2 alunos pré-silábicos 2  com a construção do pensamento  silábico  avançaram para silábicos.
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-3 alunos silábicos avançaram para silábicos/alfabéticos
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- 2 alunos da hipótese alfabética avançaram para  alfabetizados (ortográfico).
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A continuidade deste trabalho fará com estes alunos continuem avançando na construção da escrita. Podem não conseguir vencer os conteúdos do 3º Ano mas os avanços demonstram a aprendizagem. Essas intervenções foram feitas no processo de investigação de alunos com dificuldades de aprendizagem, quando apenas 1 (um) aluno demonstrou dificuldades acentuadas de aprendizagem.
Por: Júlia Virginia de Moura – Pedagoga
SEAA – Serviço Especializado de Apoio à Aprendizagem

ATIVIDADES COM O FILME BEE MOVIE

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 14, 2017

Resultado de imagem para BEE MOVIE Ficha técnica do filme

Título no Brasil:  Bee movie – a história de uma abelha
Título original:  Bee movie
País de origem:  EUA
Gênero:  Animação
Classificação etária: Livre
Tempo de Duração: 91 minutos
Ano de lançamento:  2007
Site oficial:  http://www.beemovie.com
Estúdio/Distrib.:  Paramount Pictures Brasil
Direção:  Steve Hickner/Simon J. Smith

Sinopse

O filme mostra o mundo das abelhas sob a ótica das abelhas, ou seja, diferente do olhar
humano.
Assim, Barry Benson, uma abelha recém-formada, decide processar os humanos pela
apropriação indevida do mel.
O filme mostra, de modo claro, a necessidade do equilíbrio nos ecossistemas e da
codependência entre todas as espécies vivas para a sustentabilidade da vida na Terra.

Crítica do filme

“ A animação Bee movie é uma forma encantadora de analisarmos a nossa sociedade,
o mundo das abelhas e as relações de interdependência entre os sistemas e
ecossistemas. Além disso, o jogo de palavras envolvendo a temática do mel é muito
bacana! Mel-ravilhoso mesmo!”                                       Danielle Lourenço – Pedagoga

Sugestões pedagógicas

1) A Vida das Abelhas.

Para perfeita compreensão do filme, seria interessante que os alunos tenham
orientações iniciais sobre a vida das abelhas.
Alguns sites interessantes:

2) Sociedade.

Depois disso, proponha uma análise. O filme retrata situações que refletem a
sociedade das abelhas e outras que refletem a sociedade humana. Quais são elas?

3) Conceito de equipe.

Bee movie deixa muito claro o conceito de equipe, mencionando a importância das
pequenas tarefas para a realização do todo.
Solicite aos alunos que identifiquem no filme em que momentos este conceito aparece.
Em seguida, peça que transponham estas situações para o cotidiano escolar e familiar.
Onde estou? Qual minha função e importância neste grupo?.

4) Exploração da natureza.

O personagem principal, Berry Benson, questiona a exploração ao mel das abelhas.
Argumente com seus alunos:
a) Realmente os humanos exploravam as abelhas?
b) Que outros reinos da natureza são explorados na natureza?
c) Até que ponto o homem pode usufruir da natureza?

5) Ecossistemas.

Trabalhe o conceito de interdependência entre os ecossistemas, questionando os
alunos sobre o que acontece quando as abelhas vencem a batalha judicial e param
de trabalhar.

6) Polinização.

Peça aos alunos que expliquem por que o processo de polinização é fundamental para
os humanos.

7) Equilíbrio ambiental.

Ao final do filme, Barry torna-se um advogado “animal” e recebe em seu consultório uma
vaca reclamando da usurpação do seu leite.
Como podemos viver em harmonia com os demais seres vivos? Como conseguir este
equilíbrio ambiental?

8) Palavras.

O filme brinca muito com as palavras de modo a relacioná-las ao tema abelhas.
Mel-ravilhoso! Favo-loso! Mel-lênio! Abelhar! Proponha uma brincadeira. E se o filme
fosse sobre cães? Que palavras poderíamos criar?

9) Atividade com os Pais.

O filme pode ser muito interessante para trabalharmos com os pais! Alguns aspectos que
podem ser abordados: a escolha precoce das profissões na transição do Ensino Médio
para a faculdade; pais que não escutam seus filhos; sucessão familiar; a descoberta da
vida fora da colmeia – descoberta do mundo exterior e rompimento do cordão umbilical
familiar; como acontece o despertar da verdadeira vocação; a escolha das namoradas,
que não podem ser vespas nem aranhas.

10) Jogos em Inglês.

O site oficial do filme está em inglês, mas há jogos bem interessantes. Que tal uma parceria
com a “teacher” da sua escola?

11) O mundo das abelhas - Extras.

Nos extras do DVD é possível fazer perguntas pré-formuladas ao Barry Benson. Algumas
são apenas reprises de momentos vistos no filme, mas outras são favo-losas para aprender
mais sobre o mundo mel-ravilhoso das abelhas!

Links complementares

Site oficial do filme: http://www.beemovie.com

FONTE:

O FUNCIONALISMO E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DA LÍNGUA

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 13, 2017

O funcionalismo é uma corrente lingüística que concebe a linguagem como recurso de interação social. Por esse motivo, tal corrente tem como objeto de estudo a relação entre a estrutura do sistema da língua e seus fins comunicativos. Dentro dessa perspectiva, a língua está intimamente associada à atividade social em constante uso comunicativo. Essa corrente se opõe ao estruturalismo, pelo fato de considerar aspectos que vão além imanência do sistema lingüístico. Contudo, os pressupostos de Saussure foram a base de fundamentação teórica para os estudos funcionalistas.
O Circuito Lingüístico de Praga, fundado em 1926, contribuiu de forma relevante para o desenvolvimento dos estudos funcionalistas. Tal escola elaborou as primeiras analises de base funcionalista. Diversos autores contribuíram para o desenvolvimento dos postulados funcionalistas, tais como: Trubetskoï, Jakobson, Charles Bally, Albert Sechehaye, Henri Frei, Michael K. Halliday, Edward Sapir, Benjamin Lee Whorf e Louis Hjelmslev. Na Escola de Praga, se destacaram Trubetskoï e Jakobson. Já na Escola de Copenhague, Hjelmslev. Esse é o contexto socióhistórico, no qual os estudos funcionalistas tiveram início.
Trubetskoï deu ênfase na questão da fonologia e, sobretudo, em sua distinção em relação à fonética. Na visão desse teórico, os sistemas fonológicos apresentam algumas funções, tais como: funções distintivas, demarcadoras e expressivas. Enquanto isso, Jakobson formulou um esquema de elementos da comunicação e, por conseguinte, funções da linguagem atreladas a finalidades comunicativas.
O primeiro teórico a formular uma teoria acerca das funções da linguagem foi o psicólogo alemão Karl Bühler. Na visão de tal autor, havia três funções no ato da comunicação, são elas: a expressiva, a informativa e a estética. Após isso, Jakobson acrescentou alguns conceitos e elementos no processo comunicativo. Primeiramente, ele inseriu o referente, o emissor e o receptor no ato comunicativo. Em seguida, ele incluiu mais três elementos ao ato comunicativo, são eles: o canal, o código e a mensagem. Ele manteve as três funções estudadas por Bühler. Contudo, atribuiu novos nomes: referencial, emotiva e conativa. Além disso, inseriu mais três funções no ato comunicativo: fática, metalingüística e poética, o que totalizou seis funções no processo comunicativo.
Tal teoria é de suma importância para os estudos da linguagem, uma vez que ela provocou diversas alterações na metodologia de ensino da língua. Em outras palavras, deve – se à Lingüística, a concepção da linguagem enquanto instrumento de comunicação e interação social. A Lingüística por meio de suas inúmeras teorias, dentre as quais, gostaríamos de destacar, a Enunciativa, a Pragmática, a Análise do Discurso e, especialmente, a Funcionalista, contribuiu substancialmente para novas abordagens didáticas.



A visão funcionalista da língua concebe a gramática como adaptativa, maleável e, sobretudo, motivada. "A gramática deve ser vista como uma estrutura flexível, adaptativa e suas regras entendidas como não – arbitrária, motivadas ou icônicas" (CHRISTIANO & HORA, 2004, p. 184). Nessa perspectiva, a gramática se adéqua à necessidade do falante. Por razões cognitivas, o falante se utiliza estratégias ou escolhas, que ocasionam modificações na estrutura do sistema lingüístico. Assim, percebemos como situações reais de comunicação, influem na estrutura da língua. Esses aspectos constituem a base das analises funcionalistas.
Dentro desse contexto, tal corrente ao analisar a língua, considera os aspectos extralingüísticos. Em contraposição ao estruturalismo, que estuda a língua a partir de seus aspectos internos, o que se conceitua como estudo imanente da língua. Porém, o estruturalismo não é a única corrente a que o funcionalismo se opõe. Ele também se opõe ao gerativismo. Ou seja, ele se opõe às abordagens formalistas.
Para o funcionalismo, a linguagem consiste num recurso de interação social, que transcende da estrutura gramatical da língua. Diante dessa acepção, ela passa a ser concebida como ação e, acima de tudo, atrelada a funções comunicativas. Em contraposição à concepção estrutural. Assim, ela seria considerada como um recurso de interação social, que se adéqua às necessidades do falante no processo comunicativo. Ao estudar a língua, o funcionalismo se utiliza do contexto comunicativo de uso em que ela é usada, uma vez que é nesse contexto em que ela é constituída. Dito de outra forma, tal análise é baseada na relação entre linguagem e contexto social.
Diante desse cenário, surge uma proposta de estudo da gramática tendo como base o texto e o discurso. Assim, estrutura gramatical passa a ser estudada atrelada à semântica e à pragmática. Diante desse contexto, a estrutura gramatical passa a ser concebida como adaptativa e maleável, uma vez que esta diretamente ligada à situação comunicativa. Outro aspecto bastante relevante acerca do estudo da estrutura gramatical na proposta funcionalista é que há uma junção entre morfologia e sintaxe. O que ocasiona o surgimento da morfossintaxe. Diante desse quadro, a morfologia e a sintaxe passam a trabalhar numa perspectiva de junção de fatores, ou seja, de forma conjunta. Tais estudos ocasionaram implicações teóricas para o ensino de língua portuguesa. Nos últimos anos, percebemos uma mudança significativa nos paradigmas norteadores das práticas pedagógicas do ensino de língua portuguesa e, por conseguinte, uma mudança no enfoque dado aos mais diversos conteúdos.

"Na década de 1980, alguns trabalhos das áreas da Lingüística e da Psicolingüística passaram a questionar a noção de ensino-aprendizagem de língua escrita que concebia a língua apenas como código e, dessa forma, entendia a leitura apenas como decodificação e a escrita somente como produção grafomotriz. A linguagem deixava de ser encarada, pelo menos teoricamente, como mero conteúdo escolar e passa a ser entendida como processo de interlocução (SANTOS, 2002, p. 30)" .

Dentro desse contexto, o uso da linguagem passa a ser estudado tendo como base textos e discursos, que ocorrem em situações comunicativas do dia – a – dia, por meio dos mais diversos gêneros. Dito de outra forma, o funcionamento da linguagem ocorre dentro dos mais variados gêneros textuais produzidos nos atos sociais. Tal mudança foi de fundamental importância para a metodologia de ensino de língua portuguesa. Durante vários anos, ela esteve restrita à classificação de nomenclaturas e termos gramaticais. Por conta dos estudos lingüísticos, a gramática passa a ser trabalhada de forma contextualizada, por intermédio do texto e do discurso.

"Nesta perspectiva, a língua é entendida enquanto produto da atividade constitutiva da linguagem, ou seja, ela se constitui na própria interação entre os indivíduos. Passou-se, assim, a prescrever que a aprendizagem da leitura e da escrita deveria ocorrer em condições concretas de produção textual. Desloca - se o eixo do ensino voltado para a memorização de regras da gramática de prestígio e nomenclaturas (SANTOS, 2002, p. 30)".

Diante desses aspectos, percebemos como os estudos lingüísticos contribuíram para a inserção da produção textual nos currículos escolares. A partir desse cenário, a gramática passa a ser abordada por meio do sentido do texto, da semântica e do discurso. Esses estudos realizados nas últimas três décadas ocasionaram mudanças na concepção de língua. Fator este que provocou inúmeras alterações na metodologia de ensino de língua portuguesa. Assim, esses estudos rompem com os paradigmas postos anteriormente. A partir de tais estudos, a língua passa a ser concebida como fator social. Ou seja, ela passa a ser concebida numa perspectiva cognitiva e social.
Nesse sentido, esses aspectos estão diretamente relacionados ao Funcionalismo, na medida em que tal corrente coloca em xeque a concepção de língua vigente até então. Dito de outra forma, a língua passa a ser concebida numa perspectiva de multiplicidade, deixando de lado o caráter imutável e imanentista das abordagens formalistas.
REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, Eliana Borges Correia de. Mudanças didáticas e pedagógicas no ensino da língua portuguesa: apropriações de professores. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
CRHISTIANO, Maria Elizabeth A.; SILVA, Camilo R.; HORA, Dermeval da. Funcionalismo e Gramaticalização: teoria, análise, ensino. João Pessoa: Idéia, 2004.
CUNHA, Angélica Furtado da. Funcionalismo. In: MARTELOTTA, Mário Eduardo (org.). Manual de Lingüística. São Paulo: Contexto, 2008.
LEAL,Virginia. Conteúdos da Disciplina de Introdução à Lingüística. Disponível em: http://www.ufpe.br/cead/moodle/mod/resource/view.php?inpopup=true&id=5785. Acesso em: 10/04/2010.
LUNA, MARIA José de M. Conteúdos da Disciplina de Lingüística: Funcionalismo. Disponível em: http://www.ufpe.br/cead/moodle/mod/resource/view.php?inpopup=true&id=5792. Acesso em: 10/04/2010.
MUSSALIN, Fernanda e BENTES, Anna Christina. Introdução à lingüística. São Paulo: Pragmática. Martins Fontes, 2007.
NEVES, Maria Helena de M. Texto e gramática. São Paulo: Contexto, 2006.
SANTOS, Carmi F. A formação em serviço do professor e as mudanças no ensino de língua portuguesa. ETD – Educação Temática Digital, Campinas, v.3, n.2, p.27-37, jun. 2002. Disponível em: www.fae.unicamp.br. Acesso em: 10/01/2010.

ILUMINISMO

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 12, 2017

Conceito Iluminismo: Trata-se do efeito que uma representação causa no expectador de estar se deparando com o objeto real, ou com o espaço representado, tamanha a sua verossimilhança, o observador pode mesmo compreender, através da razão, que o percebe não passa de um efeito forjado, entretanto, dificilmente consegue enxergar de uma maneira diferente. O ilusionismo na pintura é firmemente baseado no completo domínio da perspectiva para que a pessoa tome aquilo que foi retratado pelo objeto real. Além disso, divide-se em dois tipos distintos: a quadratura, em que a pintura é utilizada para produzir a sensação de alargamento de um espaço arquitetônico e a tromp l’oeil. Nesse caso, o observador fatalmente é enganado, mesmo que se trate de um efeito passageiro.
Ele efetivamente crê que está diante de um objeto real enquanto o que vê não passa de uma pintura. Também é bastante usado na arquitetura e principalmente nos cenários teatrais, em que o público deve ter a impressão de estar observando um espaço maior do que aquele que se encontra sobre o palco. O ilusionismo, de uma forma geral, está extremamente ligado aos próprios princípios do naturalismo, quando esta escola prega suas máximas de representação mais fiel possível de um objeto. Também foi um termo empregado para as pinturas seiscentistas que faziam uso de determinada metodologia.
As caixas de show “por olhadela“, freqüentes na Holanda nessa época, podem ser boas amostras disso. Tratavam-se de espécies de cabines que continham cenas em seu interior, na parede de fundo. Através de um orifício, poderiam ser observadas, passando o efeito de tridimensionalidade. Exigiam muito domínio das técnicas da perspectiva. Tanto é verdade que o holandês Samuel van Hoogstrateno (1627 - 1678) , um dos artistas mais famosos por utilizar-se dessas artimanhas, é conhecido como “o virtuoso na perspectiva “. Suas caixas de peep show podem ser encontradas na National Gallery, em Londres. Hoje em dia, os cartões postais, pôsteres e livrinhos em “3 D“, que abusam dos efeitos da tridimensionalidade, podem ser bons exemplos de ilusionismo.
Introdução
Nesse trabalho nos apresentaremos um pouco sobre as mudanças culturais que ocorreram ao longo do séc XVIII com o surgimento de vários pensamentos racionais que juntos formaram um movimento chamado Iluminismo. Citaremos o que foi, seu apogeu, suas idéias, suas crenças e seus filósofos.
Surgiu na Inglaterra em 1680, foi uma “evolução” dos pensamentos. Desenvolvido entre a burguesia destacava suas ideologias. Procurava a resposta através da razão rompendo os pensamentos tradicionais.
Colocando em destaque os valores da burguesia, o Iluminismo favoreceu ao aumento dessa camada social. Procurava uma explicação através da razão (ciência) para todas as coisas, rompendo com todas as formas de pensar até então uma tradição. Para os iluministas só através da razão (ciência) o homem poderia alcançar o conhecimento, a convivência harmoniosa em sociedade, a liberdade individual e a felicidade. A razão (ciência) era, portanto, o único guia de sabedoria capaz de resolver qualquer problema, dando ao homem a compreensão e o domínio da natureza.
Os filósofos que divulgaram essas idéias foram chamados iluministas; sua maneira de pensar, Iluminismo; e o movimento, Ilustração. Os conceitos de política variavam de filosofo para filosofo.
As tendências que marcaram o Iluminismo foram: a valorização da razão e predominância da ciência; no aperfeiçoamento do homem e a liberdade política, econômica e religiosa.Destacou-se na Franca, pois defendia a liberdade e teve seu apogeu na Revolução Francesa.
Iluminismo
Século das Luzes ou Iluminismo, termo usado para descrever as tendências do pensamento e da literatura na Europa e em toda a América durante o século XVIII, antecedendo a Revolução Francesa. Foi empregado pelos próprios escritores do período, convencidos de que emergiam de séculos de obscurantismo e ignorância para uma nova era, iluminada pela razão, a ciência e o respeito à humanidade. As novas descobertas da ciência, a teoria da gravitação universal de Isaac Newton e o espírito de relativismo cultural fomentado pela exploração do mundo ainda não conhecido foram também uma base importante.

Entre os precursores do século XVII, destacam-se os grandes racionalistas, como René Descartes e Baruch Spinoza, e os filósofos políticos Thomas Hobbes e John Locke. É igualmente marcante na época a permanente fé no poder da razão humana. Chegou-se a declarar que, mediante o uso judicioso da razão, seria possível um progresso sem limites. Porém, mais que um conjunto de idéias estabelecidas, o Iluminismo representava uma atitude, uma maneira de pensar. De acordo com Immanuel Kant, o lema deveria ser "atrever-se a conhecer". Surge o desejo de reexaminar e pôr em questão as idéias e os valores recebidos, com enfoques bem diferentes, daí as incoerências e contradições entre os escritos de seus pensadores. A doutrina da Igreja foi duramente atacada, embora a maioria dos pensadores não renunciassem totalmente a ela.

A França teve destacado desenvolvimento em tais idéias e, entre seus pensadores mais importantes, figuram Voltaire, Charles de Montesquieu, Denis Diderot e Jean-Jacques Rousseau. Outros expoentes do movimento foram: Kant, na Alemanha; David Hume, na Escócia; Cesare Beccaria, na Itália; e Benjamin Franklin e Thomas Jefferson, nas colônias britânicas. A experimentação científica e os escritos filosóficos entraram em moda nos círculos aristocráticos, surgindo assim o chamado despotismo ilustrado. Entre seus representantes mais célebres, encontram-se os reis Frederico II da Prússsia, Catarina II a Grande da Rússia, José II da Áustria e Carlos III da Espanha.

O Século das Luzes terminou com a Revolução Francesa de 1789, pois, quando esta veio a incorporar inúmeras idéias dos iluministas em suas etapas mais difíceis, elas ficaram desacreditadas aos olhos de muitos europeus contemporâneos. O Iluminismo marcou um momento decisivo para o declínio da Igreja e o crescimento do secularismo atual, assim como serviu de modelo para o liberalismo político e econômico e para a reforma humanista do mundo ocidental no século XIX.

Conceitos da Burguesia
Eram “contra” os conceitos da Igreja acreditavam que Deus estava presente na natureza, portanto no homem .
Os iluministas diziam que leis naturais regulavam as relações entre os homens, tal como regulavam os fenômenos da natureza. Consideravam os homens todos bons e iguais; e que as desigualdades seriam provocadas pelos próprios homens, isto é, pela sociedade. Para corrigi-las, achavam necessário mudar a sociedade, dando a todos liberdade de expressão e culto, e proteção contra a escravidão, a injustiça, a opressão e as guerras.
Despotismo esclarecido
Foi adotado por monarcas europeus através da idéia iluminista de modernizar o Estado. Fazendo assim melhorias como construção de hospitais, asilos e escolas, incentivando o comercio e a industria.Porem em algumas monarquias seus déspotas não conseguiram se igualar `a Franca nem a Inglaterra como nações modernas
Teve como principais déspotas: FedericoII da Prússia, Catarina II da Rússia, Marques de Pombal de Portugal, Aranda da Espanha.
Principais Filósofos:
Locke: Inglês condenou o absolutismo, defendeu a liberdade do cidadão, maior obra: “Ensaio sobre o entendimento humano”.
Voltarie: Foi um filósofo Burguês defensor do despotismo esclarecido, promovia críticas dos privilégios do Clero e da Nobreza. Francês que criticava a Igreja e apoiava o pensamento livre, maior obra: “ As criticas ao clero católico”.
Montesquieu: Francês dividia o poder em: executivo, judiciário e legislativo. Sua obra foi o espírito das leis, onde propunha a divisão dos poderes em legislativo, executivo e judiciário.
Diderot: Francês fez uma enciclopédia de 33 volumes, defendia o racionalismo e progresso humano pela ciência.Obra: “A enciclopédia”
Rousseau: Foi o pensador mais radical de sua época com suas críticas a sociedade burguesa, em defesa das camadas populares e de uma sociedade baseada na justiça, na igualdade, e na soberania do povo. Defendia a pequena burguesia e comerciantes, artesões e etc. Inspirador das idéias da Revolução Francesa. Obra: “Contrato social”.
Quesnay: Não acreditava em leis fisiocratas.
Adam Smith: Defendia a liberdade do Estado, considerado líder da Burguesia.
Princípios do Iluminismo:
Crítica ao absolutismo
Acabar com a sociedade estamental
Crítica a postura da igreja católica
Defesa da não intervenção do estado na economia
Defesa de um sistema constitucional
Conclusão
Concluímos com esse trabalho, o quanto os pensadores iluministas se esforçaram em sua ideologias e publicações,para que seus ideais fossem aceitos e espalhados.
Alem dos filósofos a burguesia também atuou no iluminismo,deixando sua marca nos pensamentos.
O iluminismo deixou marcas também no contexto histórico como a revolução francesa,principal marco do iluminismo.
Bibliografia:
Sites:
www.educaterra.terra.com.br
www.conhecimentosgerais.com.br
www.geocities.gahoo.com.br
Livros:
Cotrim Gilberto
E outros

FÁBULA A Formiga e a Cigarra

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 11, 2017

O leão e o camundongo, a lebre e a tartaruga, a raposa e a cegonha, a cigarra e a formiga são algumas das duplas que protagonizam fábulas muito conhecidas. Há também o homem que matou a galinha dos ovos de ouro, fábula de La Fontaine da qual se extrai a lição: "Quem tudo quer tudo perde."
Fábula é uma narrativa alegórica em prosa ou verso, cujos personagens são geralmente animais, que conclui com uma lição moral. Sua peculiaridade reside fundamentalmente na apresentação direta das virtudes e defeitos do caráter humano, ilustrados pelo comportamento antropomórfico dos animais. O espírito é realista e irônico e a temática é variada: a vitória da bondade sobre a astúcia e da inteligência sobre a força, a derrota dos presunçosos, sabichões e orgulhosos etc. A fábula comporta duas partes: a narrativa e a moralidade. A primeira trabalha as imagens, que constituem a forma sensível, o corpo dinâmico e figurativo da ação. A outra opera com conceitos ou noções gerais, que pretendem ser a verdade "falando" aos homens.
Cabe salientar que o elemento dominante, para o gosto moderno, costuma ser a narrativa. A moralidade ou significação alegórica, ainda que anime o todo, jaz de preferência nas entrelinhas, de maneira velada. Os antigos tinham ponto de vista diferente. Para eles, a parte filosófica era essencial. Para atingirem de modo mais direto o alvo moral, sacrificavam a ação, a vivacidade das imagens e o drama. Assim, a evolução da fábula pode ser cifrada na inversão do papel desses dois elementos: quanto mais se avança na história, mais se vê decrescer o tom sentencioso, em proveito da ação. A presença da moral, no entanto, nunca desapareceu de todo da fábula. Explicitada no começo ou no fim, ou implícita no corpo da narrativa, é a moralidade que diferencia a fábula das formas narrativas próximas, como o mito, a lenda e o canto popular. Situada por alguns entre o poema e o provérbio, a fábula estaria a meio caminho na viagem do concreto para o abstrato.
A afinidade com o provérbio encontra-se no nível mediano - lugares-comuns proverbiais - a que geralmente se reduz a lição extraída da narrativa. Sob esse aspecto, a fábula também se distingue da parábola, que procura maior elevação no plano ético, além de lidar com situações humanas mais reais.
Fábula oriental e Esopo.
Na evolução do gênero, o primeiro dos três períodos da fábula, aquele em que a moralidade constitui a parte fundamental, é o das fábulas orientais, que passaram da Índia para a China, o Tibet, a Pérsia, e terminaram na Grécia com Esopo. No Oriente, a fábula foi usada desde cedo como veículo de doutrinação budista. O Pantchatantra, escrito em sânscrito, chegou ao Ocidente por meio de uma tradução árabe do século VIII, conhecida pelo título de Fábulas de Bidpay, depois retraduzida do árabe para várias línguas.
Esopo, fabulista grego de existência duvidosa a quem se atribuem as fábulas reunidas por Demétrio de Falero no século IV a.C., teria sido uma espécie de orador popular que conta histórias para convencer os ouvintes a agir de acordo com o bom-senso e na defesa de seus próprios interesses. De acordo com Aristóteles, a fábula esópica é uma das formas da arte de persuadir e não poesia.
Fedro e a fábula medieval.
O segundo período da fábula se inicia com as inovações formais de Fedro. Ao fabulista latino é atribuído o mérito de ter fixado a forma literária do gênero, o que garante para ele um lugar na poesia. Escritas em versos, as histórias de Fedro são sátiras amargas, bem ao sabor do gosto latino, contra costumes e pessoas de seu tempo. Mas tanto Fedro quanto Bábrio (século III da era cristã) partiram dos modelos de Esopo, que reinventaram poeticamente.
A Idade Média cultivou com insistência a tradição esópica. Entre as muitas versões da época, divulgadas sob o nome de Ysopets (Esopetes), a mais famosa ficou sendo a de Marie de France, do século XII. Os fabliaux (fabuletas) medievais, embora não sejam propriamente fábulas, guardam com elas algumas analogias. Por meio dos personagens animais, os poetas fazem críticas e pretendem instruir divertindo.
La Fontaine e seus seguidores.
O terceiro período inclui todos os fabulistas modernos, dos quais Jean de La Fontaine é considerado o mestre. Suas Fables choisies (Fábulas escolhidas), em 12 volumes, apareceram entre 1668 e 1694. A grande contribuição original do fabulista francês foi ter feito da fábula um pequeno teatro: "uma comédia em cem atos" e "uma pintura em que cada um de nós pode encontrar seu retrato", segundo suas próprias palavras.
No século XVIII, La Fontaine encontrou muitos seguidores, como Jean Pierre de Florian, na França, e Tomás de Iriarte, na Espanha. Em Portugal, Bocage escreveu fábulas originais, além de traduzir La Fontaine em versos. Na Inglaterra, a fábula tomou fisionomia de sátira política. Nas Fables, de John Gay, a formiga representa o Lord do Tesouro. The Fable of the Bees (A fábula das abelhas), de Bernard Mandeville, é uma extensa alegoria política, enquanto as coleções Fables for the Female Sex (1744; Fábulas para o sexo feminino) e Fables for Youth (1777; Fábulas para os jovens) descem ao nível da sátira panfletária.
Na Alemanha, Gotthold Ephraim Lessing reagiu contra o que julgava ser uma excessiva literarização dos imitadores de La Fontaine. Em Fabeln (1759; Fábulas), apresenta importante monografia introdutória em que rejeita como perversões do gênero as elaborações literárias adotadas a partir de Fedro. No entanto, o fabulista mais popular na Alemanha foi seu contemporâneo Christian Gellert, que usou a fábula como veículo de motejo. A glória de melhor fabulista do século XIX pertence ao russo Ivan Krilov, que soube adaptar o gênero a seu gênio de poeta original. O homem rústico é seu herói favorito. Krilov usou da fábula como meio de protesto contra a rigidez das coerções do estado.
Em língua portuguesa, a prática do gênero foi esporádica e não há nomes de grandes fabulistas. Depois de Bocage, Garrett publicou um volume de Fábulas e contos (1853), e, no século XX, surgiram as Fábulas (1955) de Cabral do Nascimento. No Brasil, as melhores realizações inspiraram-se no folclore e na literatura oral. Como exemplos, há as Fábulas de Luís de Vasconcelos, as Fábulas e alegorias de Catulo da Paixão Cearense e as Fábulas brasileiras de Antônio Sales. Cabe mencionar também Monteiro Lobato, José Oiticica e o marquês de Maricá.

Humanismo e Renascimento

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 10, 2017
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1418-1527
O Humanismo caracteriza-se por uma nova visão do homem em relação a Deus e, em relação a si mesmo. Essa nova visão decorre diante da nova realidade social e econômica vivida na época.
A pirâmide social da era Medieval, já não existe mais ( essa pirâmide era formada pelos Nobres / Clero / e Povo ), graças ao surgimento de uma nova classe social: a Burguesia, cujo nome se origina da palavra burgos que quer dizer cidade.
O surgimento das cidades deve-se ao incremento do comércio que era a base de sustentação dessa nova classe social. As cidades por sua vez, oferecem uma nova opção de vida para os camponeses que abandonam o campo. Esse fato iniciou o afrouxamento do regime feudal de servidão.
Nessa época também tem início as grandes navegações, que levam as pessoas a valorizar crescentemente as conquista humanas. Esses fatores combinados levam a um processo que atinge seu ponto máximo no Renascimento.Como conseqüência dessa nova realidade social, o Teocentrismo pregado e defendido durante tantos anos pelas classes anteriores, passa a dar lugar para o Antropocentrismo, nova visão onde o homem se coloca como sendo o centro do Universo.
Na cultura, esse processo de mudanças também tem efeitos culturais pois, o homem passa a se encarar como ser humano, e não mais como a imagem de Deus.
Todas as Artes passam a expressar novas partículas que apareceram com essa nova visão, as pinturas os poemas e as músicas da época por exemplo, tornam-se mais humanas, passam a retratar mais o ser humano em sua formação.
Essa nova concepção, não significa que a religião estava acabando mas, apenas que agora os artistas passavam a embutir em suas obras também o lado humano derivado desse novo regime social.
As obras dessa época, vão refletir em sua formação esse momento de transição de uma mentalidade para outra, ou seja, a passagem de uma visão Teocêntrica para a visão antropocêntrica do mundo.
Portanto o Humanismo é considerado como um período de transição.
A prosa, a poesia e principalmente o teatro produzidos nesse período refletem essa transição.
Texto: Reinaldo Dias, Adaptado do livro Língua e Literatura
Autores: Carlos Faraco e Francisco MouraEditora Ática Vol.1 6. Ed., 1983
À poesia do período humanista compreende a chamada poesia palaciana, documentada através de uma coletânea feita por Garcia de Resende e publicada em 1516 com o nome Cancioneiro Geral. A leitura dessa coletânea mergulha-nos em plena vida palaciana. A corte ainda concentrada em torno do rei buscava novas formas de diversão e passatempos. A maioria das composições do Cancioneiro Geral destinava-se aos serões do paço, onde se recitava, disputavam concursos poéticos, ouviam música, galanteavam, jogavam, realizavam pequenos espetáculos de alegorias ou paródias. Tudo isso feito pelos nobres, tendia a apurar-se, os vestuários, os gestos, os penteados e a linguagem mantendo forte influência da corte.
Nessa época a poesia, enfim, pode ter sua autonomia e separar-se da música, ou seja, até então todas as poesias eram feitas para serem musicadas, e a partir desse momento, as poesias puderam ser apenas declamadas, sem acompanhamento usando apenas a voz do poeta.
Texto: Reinaldo Dias, Adaptado do livro Língua e Literatura
Autores: Carlos Faraco e Francisco Moura
Editora Ática Vol.1 6. Ed., 1983

Humanismo e Renascimento

Capítulo 1 - O Renascimento
Para a mentalidade medieval, a desigualdade proporcional era um bem e não uma injustiça, pois era baseada não no amor próprio, mas na humildade de reconhecer as carências individuais de cada um e a superioridade de outros. De maneira que a regra é a admiração às superioridades de cada um (pois cada pessoa representa em si algo da perfeição de Deus, e representa esta perfeição melhor do que qualquer outra). Em se admirando, algo daquilo a que se admira passa para quem admira, e assim sucessivamente, existe uma constante progressão social para o mais alto, para o mais belo, para o mais perfeito. A função da elite é, pois, a de elevar constantemente a sociedade e não, como querem os socialistas, oprimir e destruir.

Com o advento do Renascimento, esta "atitude de alma" admirativa, gradativamente, vai se transformando em inveja; e do ideal de desigualdades harmônicas, passa-se a uma busca constante de igualdade e liberdade. Igualdade fruto do orgulho que não aceita superioridade. Liberdade que não aceita a imposição de regras sociais e morais, que, segundo os revolucionários, aprisionariam o homem . Da união destes dois princípios revolucionários, somos todos iguais e livres, surge a fraternidade ecumênica e niveladora, onde a verdade é subjetiva e a moral apenas social (pelo menos até o advento das chamadas sociedades alternativas, que praticamente preceituam a inexistência da moral).

"A partir do século XIV, começam a surgir fissuras no grandioso edifício da Idade Média: uma gradual e profunda mudança de mentalidade começa a se operar na Cristandade."

Essa mudança não ocorreu - principalmente, pelo menos - de forma explícita ainda no Renascimento, a transformação foi muito mais tendencial do que ideológica.

Capítulo 2 - A Revolução Tendencial
Segundo o já citado pensador católico brasileiro, Plinio Corrêa de Oliveira, em seu livro, Revolução e Contra-Revolução:
"No século XIV começa a observar-se na Europa cristã, uma transformação de mentalidade que ao longo do século XV cresce cada vez mais em nitidez. (...) Este novo estado de alma continha um desejo possante, se bem que mais ou menos inconfessado, de uma ordem de coisas fundamentalmente diversa da que chegara a seu apogeu nos séculos XII e XIII".

"Subrepticiamente, Nosso Senhor foi sendo afastado como guia e inspirador da vida social. Embora ainda não negado frontalmente, Seu papel na vida cotidianaa foi-se desvanecendo. Tendo decaído o amor à Cruz, foi arrefecendo na alma do homem do fim da Idade Média a aspiração ao heroísmo, ao sacrifício e ao desprendimento. Os espíritos foram-se deixando levar pelo desejo dos prazeres terrenos, pela fantasia e pelos sofistas".

Paul Faure, historiador e escritor francês, aponta sinais da modificação progressiva do espírito medieval:

"Cada vez mais se descobrem no século XIV sinais do espírito novo. É-se sensível aos contrastes de uma vasta cultura sem ordem nem regras, muito diferente neste ponto da unidade cristã, tal como a tinha sonhado a Idade Média. (...)

Discernem-se aí, na literatura, na filosofia, nas artes, etc., uma corrente racionalista e crítica e uma corrente metafísica e mística; uma corrente de ascese e de austeridade e uma corrente de indulgência e de leviandade; muita fé e muito ceticismo. (...)

Entretanto, a Renascença tem esta unidade: a que é assegurada por um amor extremo da independência em todas as sua formas. A procura e o culto da riqueza; o individualismo artístico ou religioso, o nacionalismo; a curiosidade erudita; o recurso aos textos que se libertam da glosa, do rito ou da rotina; o amor ao luxo e à carne; em suma, à vida, são manifestações diversas deste único espírito de liberdade. (...)

Os costumes mudam, isto é, a maneira de viver, mas também as de pensar e de crer. Em princípio, na Idade Média, a autoridade da Igreja se exerce em todos os domínios. Ela é a primeira classe da sociedade, ou melhor, é a própria sociedade, representada e conduzida por seus sacerdotes. (...) Ela ignora as fronteiras. Utiliza uma língua internacional, o latim evoluído da Idade Média".

Essas tendências se acentuaram no século XV e produziram profunda metamorfose nos espíritos, conforme assinala o renomado historiador dos Papas, Ludwig Von Pastor:

"O século XV, principalmente em sua segunda metade, e o começo do XVI, foram para a Europa em geral, e particularmente para a Itália, uma época de transição dos antigos modos de ser para outra disposição de coisas totalmente diversa.

Em todos os campos da vida operou-se uma profunda transformação, na qual se manifestaram os mais rudes contrastes, de modo que o político e o social, a literatura e a arte, e os próprios assuntos eclesiásticos, achavam-se em estado de fermentação que pressagiava a aurora de um novo período".
Na História da Humanidade, continua Pastor, depois da época em que se realizou a transformação do antigo mundo pagão numa sociedade cristã, não existe outro período mais digno de consideração do que aquele em que se verifica a passagem da Idade Média para a Moderna.

Um dos mais poderosos fatores desse período, repleto dos mais acentuados contrastes, foi o profundo e amplo estudo das coisas antigas, que se costuma designar com o nome de Renascimento da Antigüidade clássica."

Essa transformação foi realizada paulatinamente e de um modo quase imperceptível, como ressalta o historiador alemão Wilhelm Oncken (1838-1905):
"A passagem da Idade Média para a Moderna se realiza de modo tão paulatino e imperceptível, que não se pode fixar exatamente este período da história, menos ainda assinalar um fato determinado como ponto divisório entre as duas idades.(...)

A fase final da Idade Média] deverá ser dividida em períodos de caráter diferente e de tendências inteiramente opostas.

As mais importantes destas tendências são aquelas que se propunham despojar-se do espírito e das idéias da Idade Média, e colocar-se, em troca, em contato com as manifestações intelectuais e artísticas da Antigüidade".

Com o Renascimento começa um lento abandono da austeridade medieval e uma alucinada procura dos prazeres, como no caso da corte dos Valois. Bruxarias, cabalas, cortesãs que aparecem com um obscuro mundo de feitiçarias e bruxedos, a arte começa a se paganizar e a buscar cada vez mais o culto do corpo humano, etc.

Vários tipos humanos podem ser colocados como símbolos da Renascença, entre eles citamos, por exemplo, Francisco I , o Papa Júlio II, Cosme de Médicis, etc.

A isso se soma a decadência do clero e o aparecimento de uma série de movimentos paralelos, como os legistas no campo político e jurídico, os trovadores nas artes, a literatura sentimental e amorosa...

No nível filosófico, diversas foram as doutrinas que eclodiram. A principal foi o Nominalismo, que tentava quebrar certos pressupostos da escolástica, como a "união objetiva" entre o sujeito e o objeto.

Desta forma, a Renascença foi quebrando a base de sustentação da Idade Média, que era, sobretudo, hierárquica, austera e sacral.

Capítulo 3 - Petrarca, Mestre dos Humanistas, Arauto da "Consciência Moderna"
Francisco Petrarca, poeta e escritor, nasceu em Arezzo em 20 de julho de 1304 de Petracco e Eletta Canigiani; morreu em Acqua sui Colli Euganci em 19 de julho de 1374.

Petrarca pode ser considerado o mestre do Humanismo, enquanto soube traduzir em forma clara certas intuições presentes no pré-Humanismo de Albertino Mussato, Ferreto de Ferreti e outros, aprofundando-as notavelmente no seu conteúdo ideal.

Ele, com efeito, viu nos Studia humanitatis ["Estudos de humanidades"] não uma orientação cultural e filológica, um fim em si mesmo ou um retorno ideal ao passado, mas um instrumento eficacíssimo e uma nova força espiritual para criar uma nova cultura e uma nova concepção de vida.

O culto da antigüidade clássica não é mais unicamente amor e interesse vivíssimo por uma poesia e por um mundo historicamente circunscrito, nem só ânsia de ampliar e de aprofundar o patrimônio cultural; é sobretudo a crítica e o julgamento da Idade Média, e a descoberta, numa formulação inicial, das linhas ideológicas e programáticas da consciência moderna.
Capítulo 4 - A Cavalaria Medieval, Um Estudo de Caso
"A Cavalaria, outrora uma das mais altas expressões da austeridade cristã, se torna amorosa e sentimental, a literatura de amor invade todos os países, os excessos de luxo e a conseqüente avidez de lucros se estendem por todas as classes sociais".

O ideal religioso e temporal do homem medieval estava em larga medida consubstanciado na Cavalaria. As noções de piedade, sacralidade, honra, combatividade a serviço do Bem, encontravam no Cavaleiro sua personificação. Ele era antes de tudo o defensor da Fé, o gládio a serviço da Igreja contra hereges e infiéis.

O cavaleiro medieval era, sobretudo, o leal vassalo que prestava submissão ao seu senhor e por ele combatia. O lema do brasão de um nobre espanhol, o Duque de Tebas, bem exprime esse ideal: "Meu Rei, mais do que meu sangue".

O historiador flamengo Johan Huizinga apresenta alguns traços da concepção que o homem medieval fazia da Cavalaria:

"O pensamento medieval estava na generalidade saturado das concepções da fé cristã. De igual modo, e numa esfera mais limitada, o pensamento de todos aqueles que viviam nos círculos da corte ou dos castelos estava impregnado do ideal da cavalaria. (...)

Esta concepção tende mesmo a invadir o domínio do transcendente. O feito de armas primordial de São Miguel Arcanjo é glorificado por Jean Molinet como "o maior feito de cavalaria e das proezas cavalheirescas jamais realizado". Foi do arcanjo que "a cavalaria terrestre e as proezas cavalheirescas" extraíram a sua origem, e por isso imitam as hostes angélicas em volta do trono de Deus".

Um conhecido compêndio católico de História Universal apresenta outros aspectos da Cavalaria, em seu período de esplendor na Idade Média:
"Essa associação guerreira, espécie de sacerdócio militar, era assim chamada porque os nobres só combatiam a cavalo.

Já aos sete anos de idade, o futuro cavaleiro deixava o castelo paterno e entrava no serviço do senhor suserano. Estudava o manejo da lança e o da espada, tornando-se sucessivamente pequeno vassalo, pequeno senhor, pagem, escudeiro, enfim aos vinte anos era feito cavaleiro. O senhor lhe impunha o gládio e lhe dava o abraço. Depois batia-lhe três vezes no ombro dizendo: "Eu te faço cavaleiro em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo, de São Miguel e de São Jorge. Sê valente, destemido e leal".

Um torneio encerrava de ordinário a cerimônia. A Cavalaria gerou uma pléiade de heróis católicos; veio a ser um como vínculo de parentesco e de honra entre os povos do Ocidente."

Mas as novas doutrinas em voga investiram contra a Cavalaria, que não soube defender-se como nos campos de batalha. O texto seguinte é do escritor francês Puy de Clichamps:

"O cavaleiro que deseja continuar a ser campeão dos combates singulares que compunham a guerra, terá apenas o pálido derivativo numa coisa semelhante: os torneios. (...)

Mas, também aí, onde está o velho ideal cavalheiresco, que era servir a Deus, à Igreja e àqueles a quem a desgraça perseguir? E, se não estiver totalmente esquecida, já não está muito na moda a velha oração, rezada no dia da investidura de armas, sobre a espada nova:
"Que o teu servo não se sirva nunca dessa espada... para lesar impunemente alguém, mas que se sirva dela para defender a justiça e o direito".

A Cavalaria tornou-se apenas uma palavra. (...)

A lenta pacificação dos reinos tinha dado lugar, além da formação e promoção da burguesia, ao início de uma nova força: a mulher. (...)

À falta de poderem lançar-se ao assalto uns aos outros, os cavaleiros, entre dois torneios disputados, de resto, sob o olhar da castelã, tentarão tudo para obter de sua dama uma fita, uma manga ou um anel. A Cavalaria submeteu-se de tal maneira ao poder feminino que podemos ver em canções de gesta, como "Doon de Mayence" (século XIII) ou "Gaufrey" (século XIII), mulheres armarem cavaleiros aos seus pretendentes. (...) Assim pode ler-se no "Joudain de Blaivies" (século XIII):

‘E a jovem traz-lhe a espada/ Ela própria lha coloca à cinta. (...) Agora dá-lhe a "colée"/ ‘Sede cavaleiro, diz a dama de gentil figura/ Que Deus te conceda honra e coragem/ e se tiverdes vontade de um beijo/ tomai esse e outros também/ Então Jourdain diz: "Obrigado lhe digo cem vezes". / Beija-a por três vezes (...)"
A cena, que pode parecer infantil à primeira vista, é encantadora, até talvez demasiadamente encantadora e transparece dela uma ironia apenas camuflada que ridiculariza um pouco o apaixonado cavaleiro. Hércules fiando aos pés de Onfala faz pelo menos sorrir.

Mas podemos verificar que mais uma vez estamos bem longe da sólida virilidade da primeira Cavalaria. Esta intromissão da mulher na velha instituição guerreira é sinal (...) de que a instituição perdeu a força - um sinal e em parte uma das causas dessa perda de força".

Debilitado o espírito de abnegação, a Cavalaria transformou-se gradualmente numa indigna caricatura de si mesma. Os romances que escolheram a Cavalaria como tema exprimem bem essa transformação: já não é por Deus e pelos desvalidos que luta o cavaleiro, mas pelos belos olhos de uma dama... Abel Lefranc descreve o triste sucesso do protótipo desses romances, o "Amadis de Gaule":

"Dentre os romances de cavalaria o que conheceu uma mais firme e duradoura aceitação, (...) foi certamente o ‘Amadis de Gaule’.
‘Amadis’ é filho de Périon, fabuloso rei da Gália, e da bela Elisène, filha de Garinter, rei da pequena Bretanha. A dama dos seus pensamentos é Oriana, filha do rei da Dinamarca. Para obter a sua mão, trava combates sem conta, através dos quais se cobre de glória. Arrisca-se, diversas vezes, a perder para sempre aquela que ama, mas sua coragem e constância triunfam de todos os obstáculos. Vencedor de tantas provas, torna-se finalmente o esposo de Oriana.

De 1540 a 1556, aparecem doze livros de ‘Amadis’, em igual número de volumes in-fólio [formato de um livro, no qual a folha de impressão é dobrada apenas em duas e não forma por conseguinte senão quatro páginas], com numerosas e notáveis gravuras em madeira. Todos estes belos volumes cedo foram reimpressos, alguns deles mesmo várias vezes. (...)

Enfim, de 1561 a 1615 foram publicados, (...) traduções francesas de romances espanhóis ou romances compostos em francês imitando o ‘Amadis’.
Esta simples enumeração, que não abarca as numerosíssimas reimpressões das edições citadas, permite fazer uma idéia da prodigiosa difusão das diversas partes do romance e das seqüências que lhe foram dadas em italiano, alemão, inglês, holandês e até em hebraico. (...)
Desde o início, foi imenso o sucesso desta obra. A versão francesa do ‘Amadis’ penetrou em toda parte, na corte, nos meios aristocráticos e burgueses e até nos conventos. Durante um longo período, tornou-se o código da cavalaria, o "breviário" mundano, um verdadeiro livro de cabeceira para uma infinidade de leitores e leitoras, que ele seduziu e encantou. (...)

Mas não devemos esperar encontrar ali um modelo de virtudes, muito menos de austeridade, nem sequer uma disciplina moral: os costumes revelam-se bastante fáceis e as personagens não opõem grande resistência ao ímpeto das paixões amorosas. Nenhum outro romance parece ter exercido tamanha influência sobre a sensibilidade e a imaginação dos homens da época durante quase meio século. Os contemporâneos de Francisco I e de Henrique II aprenderam nestes livros a pensar e a sentir de uma outra maneira.

Como refere ainda Bourciez, ‘sendo embora este romance, menos o espelho em que se reflete uma geração do que o modelo por ela seguido, nem por isso deixa de existir entre ambos certa conformidade. Neste sentido, o ‘Amadis’ é, pois, um documento".

Pari passu com os romances de Cavalaria, outra influência deletéria corrompe os costumes: a poesia cortês dos trovadores provençais . Semelhante literatura, túmida de sentimentalismo, abre caminho para a literatura "erótico-espiritual". Esse processo é descrito pelo historiador flamengo Johan Huizinga:
"Quando, no século XII, o desejo insatisfeito foi colocado pelos ‘Trovadores da Provença’ no centro da concepção poética do amor, deu-se uma virada importante na história da civilização.

A Antigüidade também tinha cantado os sofrimentos do amor, mas, nunca os tinha concebido como esperanças de felicidade ou como frustrações lamentáveis dela. (...)

A poesia cortês, por outro lado, faz do próprio desejo o motivo essencial e cria assim uma concepção do amor com uma nota de fundo negativo. (...) O amor tornou-se então terreno onde todas as perfeições morais e culturais floresceram. Devido a este amor o amante cortesão é puro e virtuoso. O elemento espiritual domina cada vez mais até os fins do século XIII, o ‘dolce stil nuovo’ de Dante e dos seus amigos termina por atribuir ao amor o dom de provocar um estado de piedade e santa intuição. Atingiu-se um ponto extremo.

Não tarda que o sistema artificial do amor cortesão seja abandonado, e as suas sutis distinções não serão renovadas quando o platonismo do Renascimento, já latente na concepção cortesã, der lugar a novas formas de poesia erótica com uma tendência espiritual.

O ‘Roman de la Rose’ (...) começado antes de 1240 por Guillaume de Lourris, estava completo, antes de 1280, por Jean Chopinel. Poucos livros têm exercido uma influência mais profunda e duradoura na vida dum período do que o ‘Roman de la Rose’. A sua popularidade durou pelo menos dois séculos. Ele determinou a concepção aristocrática do amor dos fins da Idade Média. Em virtude do seu alcance enciclopédico tornou-se o manancial de onde a sociedade laica tirou a melhor parte de sua erudição. (...)

É surpreendente que a Igreja, que tão rigorosamente reprimiu os mais leves desvios do dogma em casos de caráter especulativo, permitisse que o ensino deste breviário da aristocracia fosse disseminado impunemente."

Influenciada pelo clima geral de decadência, a Cavalaria torna-se uma instituição mundana. As proezas em defesa da Fé já não são seu principal objetivo. Os torneios e as exibições vaidosas ocupam agora lugar preponderante. A libertação da Terra Santa é substituída pela conquista amorosa de uma dama...

"Que seria do jovem nobre, ao receber o cavalo e a lança, sem a Cavalaria? Um soldado mais afortunado ou menos, mais sanguinário ou menos... A Igreja soube transformar um ato puramente militar e feudal num ato religioso. Ela disse aos bárbaros do século IX: ‘Regulai vossa coragem’. Eles a regulam e sua selvajeria pouco a pouco se tornou proeza. ‘Não há cavaleiro sem proeza’, diz um velho provérbio. Todas as outras virtudes virão depois e se darão as mãos: lealdade, liberalidade, moderação, cortesia e honra, que a tudo coroa; toda a cavalaria está contida nestas seis palavras. O cavaleiro autêntico é já um eleito, mas em toda a sua vida deve merecer a felicidade futura, lutando duramente contra si mesmo e contra os outros. Tudo pode estar perdido para ele, exceto a honra e a eternidade..."
Capítulo 5 - Formação da Mentalidade Antropocêntrica
"Tal clima moral, penetrando nas esferas intelectuais, produziu claras manifestações de orgulho, como o gosto pelas disputas aparatosas e vazias, pelas argúcias inconsistentes, pelas exibições fátuas de erudição, e lisonjeou velhas tendências filosóficas, das quais triunfara a Escolástica, e que já agora, relaxado o antigo zelo pela integridade da Fé, renasciam em aspectos novos.

"O apetite dos prazeres terrenos se vai transformando em ânsia. As diversões se vão tornando mais freqüentes e mais suntuosas. Os homens se preocupam sempre mais com elas.
Nos trajes, nas maneiras, na linguagem, na literatura e na arte o anelo crescente por uma vida cheia de deleites da fantasia e dos sentidos vai produzindo progressivas manifestações de sensualidade e moleza.
Há um paulatino deperecimento da seriedade e da austeridade dos antigos tempos. Tudo tende ao risonho, ao gracioso, ao festivo."

O historiador já citado, Wilhelm Oncken - aliás protestante -, aponta as características da civilização moderna, surgida com o Renascimento:
Esta civilização, nascida na Itália, que desde o século XIII se tinha colocado à frente do progresso intelectual (cuja liderança tinha sido exercida até então pela França), recebeu o nome de Renascimento; na realidade não foi nenhum renascimento da Antigüidade clássica como o teriam desejado seus adeptos mais ardentes, mas tão-só a transição da sociedade para um estado intelectual, social e político inteiramente novo. Com a transformação da Cristandade em vários estados políticos modernos, o Cristianismo parecia transformar-se em um estado intelectual que cifrava sua religião, não tanto na fé na divindade, como na fé na humanidade. (...)

Aquela civilização moderna, no seu verdadeiro fundo, não tinha afinidade com a essência do Cristianismo, nem nada que ver com os ideais da Igreja na Idade Média."

Desta forma, a mentalidade medieval - sobretudo de austeridade, sacrifício e seriedade - começa, primeiramente no nível tendencial, a ser transformada. Da busca incessante da glória de Deus, o ser humano passa a procurar a sua glória; do sacrifício, começa-se, paulatinamente, a buscar-se o gozo; da seriedade medieval, chega-se ao riso renascentista, etc. Toda a civilização é transformada em seus costumes.

Surgem, no contexto das novas tendências, diversas teorias. Cada uma, a seu modo, começa a demolir os pressupostos transcendentes e naturais da Idade Média. A vida não mais foi feita para o heroísmo e para a santidade, mas para o prazer. A felicidade não está em servir a Deus e ao seu rei, mas no prazer e nos divertimentos da vida.

O entusiasmo pela religião esfria, a admiração cede lugar às questões pessoais, a Cruz perde o seu significado. Enfim, o homem Renascentista não entende mais a transcendência que a Idade Média conferia à vida.

A arte, antes tendo como objeto a sacralidade, passa a retratar o cotidiano da vida humana.

"Antes, [na Idade Média], conhecer significava apreender a essência das coisas, chegar até elas como se chega ao pensamento divino. Agora [na Idade Moderna], porém, o conhecimento liga-se intimamente à produção: a procura das leis da natureza é feita em função do seu aproveitamento para satisfazer às necessidades do homem. Procura-se conhecer a movimentação das águas e os ventos para se construir navios; investiga-se a lei do movimento dos corpos para a produção de máquinas de trabalho e de guerra.

A ciência liga-se definitivamente à técnica, passando da mera contemplação da essência das coisas para a intervenção direta na natureza.
A arte, de simbólica, passa a ser representativa, já que a presença de Deus não é mais a única imagem digna de ser figurada. (...)
O que importa, agora, é criar a ilusão de um mundo imaginário que, de repente, adquire vida própria. Em lugar de se justaporem uns aos outros, os personagens e as cenas subordinam-se ao tema central. Tudo passa a girar em torno da criação e de um universo imaginário, paralelo ao mundo cotidiano, que revela, porém, sua essência e a maneira peculiar pela qual o artista o percebe, vê e analisa. (...)

O Cristianismo sempre professara a criação do homem à imagem e semelhança de Deus; mas, a partir do Renascimento, a ênfase é dada muito mais à imagem do que ao próprio original. Esse processo foi denominado Humanismo. Nos primeiros tempos, os humanistas eram eruditos que transferiram os métodos de interpretação da Bíblia para os textos greco-latinos, mantendo a mesma posição servil diante da palavra escrita. Logo, porém, percebem a insistência com que os gregos representavam sues deuses sob formas humanas, o valor que conferiam aos acontecimentos da vida eterna e a atitude racionalista com a qual tratavam esses episódios; encontram, assim, os padrões nos quais puderam projetar seus próprios ideais de racionalidade e de solidariedade humana. É com esse espírito que o artista do Renascimento procura, na Antigüidade, os temas para a literatura e as formas para a escultura e a pintura" .

Retratando mais os valores da vida humana - naturalmente falando - do que os da sacralidade medieval - sobrenatural em sua essência, os humanistas quebraram os costumes medievais. Mas não quebraram apenas os costumes, houve uma verdadeira Revolução em todos os campos da sociedade. O homem renascentista não podia mais entender a civilização medieval, não podia mais compreender a finalidade medieval da vida.
Do Renascimento ouve-se o grito, no começo surdo, do Protestantismo: "Cristo sim, Igreja não". Na Revolução Francesa o brado que se ouve é outro: "Deus sim, Cristo não". Durante o Comunismo, alardeia-se a "nova" "moral": "Deus não existe". Chega-se à Pós-modernidade, quando em 1968, na Sorbonne, se diz: "Se Deus existir, é preciso matá-lo".