Humanismo e Renascimento

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 10, 2017
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1418-1527
O Humanismo caracteriza-se por uma nova visão do homem em relação a Deus e, em relação a si mesmo. Essa nova visão decorre diante da nova realidade social e econômica vivida na época.
A pirâmide social da era Medieval, já não existe mais ( essa pirâmide era formada pelos Nobres / Clero / e Povo ), graças ao surgimento de uma nova classe social: a Burguesia, cujo nome se origina da palavra burgos que quer dizer cidade.
O surgimento das cidades deve-se ao incremento do comércio que era a base de sustentação dessa nova classe social. As cidades por sua vez, oferecem uma nova opção de vida para os camponeses que abandonam o campo. Esse fato iniciou o afrouxamento do regime feudal de servidão.
Nessa época também tem início as grandes navegações, que levam as pessoas a valorizar crescentemente as conquista humanas. Esses fatores combinados levam a um processo que atinge seu ponto máximo no Renascimento.Como conseqüência dessa nova realidade social, o Teocentrismo pregado e defendido durante tantos anos pelas classes anteriores, passa a dar lugar para o Antropocentrismo, nova visão onde o homem se coloca como sendo o centro do Universo.
Na cultura, esse processo de mudanças também tem efeitos culturais pois, o homem passa a se encarar como ser humano, e não mais como a imagem de Deus.
Todas as Artes passam a expressar novas partículas que apareceram com essa nova visão, as pinturas os poemas e as músicas da época por exemplo, tornam-se mais humanas, passam a retratar mais o ser humano em sua formação.
Essa nova concepção, não significa que a religião estava acabando mas, apenas que agora os artistas passavam a embutir em suas obras também o lado humano derivado desse novo regime social.
As obras dessa época, vão refletir em sua formação esse momento de transição de uma mentalidade para outra, ou seja, a passagem de uma visão Teocêntrica para a visão antropocêntrica do mundo.
Portanto o Humanismo é considerado como um período de transição.
A prosa, a poesia e principalmente o teatro produzidos nesse período refletem essa transição.
Texto: Reinaldo Dias, Adaptado do livro Língua e Literatura
Autores: Carlos Faraco e Francisco MouraEditora Ática Vol.1 6. Ed., 1983
À poesia do período humanista compreende a chamada poesia palaciana, documentada através de uma coletânea feita por Garcia de Resende e publicada em 1516 com o nome Cancioneiro Geral. A leitura dessa coletânea mergulha-nos em plena vida palaciana. A corte ainda concentrada em torno do rei buscava novas formas de diversão e passatempos. A maioria das composições do Cancioneiro Geral destinava-se aos serões do paço, onde se recitava, disputavam concursos poéticos, ouviam música, galanteavam, jogavam, realizavam pequenos espetáculos de alegorias ou paródias. Tudo isso feito pelos nobres, tendia a apurar-se, os vestuários, os gestos, os penteados e a linguagem mantendo forte influência da corte.
Nessa época a poesia, enfim, pode ter sua autonomia e separar-se da música, ou seja, até então todas as poesias eram feitas para serem musicadas, e a partir desse momento, as poesias puderam ser apenas declamadas, sem acompanhamento usando apenas a voz do poeta.
Texto: Reinaldo Dias, Adaptado do livro Língua e Literatura
Autores: Carlos Faraco e Francisco Moura
Editora Ática Vol.1 6. Ed., 1983

Humanismo e Renascimento

Capítulo 1 - O Renascimento
Para a mentalidade medieval, a desigualdade proporcional era um bem e não uma injustiça, pois era baseada não no amor próprio, mas na humildade de reconhecer as carências individuais de cada um e a superioridade de outros. De maneira que a regra é a admiração às superioridades de cada um (pois cada pessoa representa em si algo da perfeição de Deus, e representa esta perfeição melhor do que qualquer outra). Em se admirando, algo daquilo a que se admira passa para quem admira, e assim sucessivamente, existe uma constante progressão social para o mais alto, para o mais belo, para o mais perfeito. A função da elite é, pois, a de elevar constantemente a sociedade e não, como querem os socialistas, oprimir e destruir.

Com o advento do Renascimento, esta "atitude de alma" admirativa, gradativamente, vai se transformando em inveja; e do ideal de desigualdades harmônicas, passa-se a uma busca constante de igualdade e liberdade. Igualdade fruto do orgulho que não aceita superioridade. Liberdade que não aceita a imposição de regras sociais e morais, que, segundo os revolucionários, aprisionariam o homem . Da união destes dois princípios revolucionários, somos todos iguais e livres, surge a fraternidade ecumênica e niveladora, onde a verdade é subjetiva e a moral apenas social (pelo menos até o advento das chamadas sociedades alternativas, que praticamente preceituam a inexistência da moral).

"A partir do século XIV, começam a surgir fissuras no grandioso edifício da Idade Média: uma gradual e profunda mudança de mentalidade começa a se operar na Cristandade."

Essa mudança não ocorreu - principalmente, pelo menos - de forma explícita ainda no Renascimento, a transformação foi muito mais tendencial do que ideológica.

Capítulo 2 - A Revolução Tendencial
Segundo o já citado pensador católico brasileiro, Plinio Corrêa de Oliveira, em seu livro, Revolução e Contra-Revolução:
"No século XIV começa a observar-se na Europa cristã, uma transformação de mentalidade que ao longo do século XV cresce cada vez mais em nitidez. (...) Este novo estado de alma continha um desejo possante, se bem que mais ou menos inconfessado, de uma ordem de coisas fundamentalmente diversa da que chegara a seu apogeu nos séculos XII e XIII".

"Subrepticiamente, Nosso Senhor foi sendo afastado como guia e inspirador da vida social. Embora ainda não negado frontalmente, Seu papel na vida cotidianaa foi-se desvanecendo. Tendo decaído o amor à Cruz, foi arrefecendo na alma do homem do fim da Idade Média a aspiração ao heroísmo, ao sacrifício e ao desprendimento. Os espíritos foram-se deixando levar pelo desejo dos prazeres terrenos, pela fantasia e pelos sofistas".

Paul Faure, historiador e escritor francês, aponta sinais da modificação progressiva do espírito medieval:

"Cada vez mais se descobrem no século XIV sinais do espírito novo. É-se sensível aos contrastes de uma vasta cultura sem ordem nem regras, muito diferente neste ponto da unidade cristã, tal como a tinha sonhado a Idade Média. (...)

Discernem-se aí, na literatura, na filosofia, nas artes, etc., uma corrente racionalista e crítica e uma corrente metafísica e mística; uma corrente de ascese e de austeridade e uma corrente de indulgência e de leviandade; muita fé e muito ceticismo. (...)

Entretanto, a Renascença tem esta unidade: a que é assegurada por um amor extremo da independência em todas as sua formas. A procura e o culto da riqueza; o individualismo artístico ou religioso, o nacionalismo; a curiosidade erudita; o recurso aos textos que se libertam da glosa, do rito ou da rotina; o amor ao luxo e à carne; em suma, à vida, são manifestações diversas deste único espírito de liberdade. (...)

Os costumes mudam, isto é, a maneira de viver, mas também as de pensar e de crer. Em princípio, na Idade Média, a autoridade da Igreja se exerce em todos os domínios. Ela é a primeira classe da sociedade, ou melhor, é a própria sociedade, representada e conduzida por seus sacerdotes. (...) Ela ignora as fronteiras. Utiliza uma língua internacional, o latim evoluído da Idade Média".

Essas tendências se acentuaram no século XV e produziram profunda metamorfose nos espíritos, conforme assinala o renomado historiador dos Papas, Ludwig Von Pastor:

"O século XV, principalmente em sua segunda metade, e o começo do XVI, foram para a Europa em geral, e particularmente para a Itália, uma época de transição dos antigos modos de ser para outra disposição de coisas totalmente diversa.

Em todos os campos da vida operou-se uma profunda transformação, na qual se manifestaram os mais rudes contrastes, de modo que o político e o social, a literatura e a arte, e os próprios assuntos eclesiásticos, achavam-se em estado de fermentação que pressagiava a aurora de um novo período".
Na História da Humanidade, continua Pastor, depois da época em que se realizou a transformação do antigo mundo pagão numa sociedade cristã, não existe outro período mais digno de consideração do que aquele em que se verifica a passagem da Idade Média para a Moderna.

Um dos mais poderosos fatores desse período, repleto dos mais acentuados contrastes, foi o profundo e amplo estudo das coisas antigas, que se costuma designar com o nome de Renascimento da Antigüidade clássica."

Essa transformação foi realizada paulatinamente e de um modo quase imperceptível, como ressalta o historiador alemão Wilhelm Oncken (1838-1905):
"A passagem da Idade Média para a Moderna se realiza de modo tão paulatino e imperceptível, que não se pode fixar exatamente este período da história, menos ainda assinalar um fato determinado como ponto divisório entre as duas idades.(...)

A fase final da Idade Média] deverá ser dividida em períodos de caráter diferente e de tendências inteiramente opostas.

As mais importantes destas tendências são aquelas que se propunham despojar-se do espírito e das idéias da Idade Média, e colocar-se, em troca, em contato com as manifestações intelectuais e artísticas da Antigüidade".

Com o Renascimento começa um lento abandono da austeridade medieval e uma alucinada procura dos prazeres, como no caso da corte dos Valois. Bruxarias, cabalas, cortesãs que aparecem com um obscuro mundo de feitiçarias e bruxedos, a arte começa a se paganizar e a buscar cada vez mais o culto do corpo humano, etc.

Vários tipos humanos podem ser colocados como símbolos da Renascença, entre eles citamos, por exemplo, Francisco I , o Papa Júlio II, Cosme de Médicis, etc.

A isso se soma a decadência do clero e o aparecimento de uma série de movimentos paralelos, como os legistas no campo político e jurídico, os trovadores nas artes, a literatura sentimental e amorosa...

No nível filosófico, diversas foram as doutrinas que eclodiram. A principal foi o Nominalismo, que tentava quebrar certos pressupostos da escolástica, como a "união objetiva" entre o sujeito e o objeto.

Desta forma, a Renascença foi quebrando a base de sustentação da Idade Média, que era, sobretudo, hierárquica, austera e sacral.

Capítulo 3 - Petrarca, Mestre dos Humanistas, Arauto da "Consciência Moderna"
Francisco Petrarca, poeta e escritor, nasceu em Arezzo em 20 de julho de 1304 de Petracco e Eletta Canigiani; morreu em Acqua sui Colli Euganci em 19 de julho de 1374.

Petrarca pode ser considerado o mestre do Humanismo, enquanto soube traduzir em forma clara certas intuições presentes no pré-Humanismo de Albertino Mussato, Ferreto de Ferreti e outros, aprofundando-as notavelmente no seu conteúdo ideal.

Ele, com efeito, viu nos Studia humanitatis ["Estudos de humanidades"] não uma orientação cultural e filológica, um fim em si mesmo ou um retorno ideal ao passado, mas um instrumento eficacíssimo e uma nova força espiritual para criar uma nova cultura e uma nova concepção de vida.

O culto da antigüidade clássica não é mais unicamente amor e interesse vivíssimo por uma poesia e por um mundo historicamente circunscrito, nem só ânsia de ampliar e de aprofundar o patrimônio cultural; é sobretudo a crítica e o julgamento da Idade Média, e a descoberta, numa formulação inicial, das linhas ideológicas e programáticas da consciência moderna.
Capítulo 4 - A Cavalaria Medieval, Um Estudo de Caso
"A Cavalaria, outrora uma das mais altas expressões da austeridade cristã, se torna amorosa e sentimental, a literatura de amor invade todos os países, os excessos de luxo e a conseqüente avidez de lucros se estendem por todas as classes sociais".

O ideal religioso e temporal do homem medieval estava em larga medida consubstanciado na Cavalaria. As noções de piedade, sacralidade, honra, combatividade a serviço do Bem, encontravam no Cavaleiro sua personificação. Ele era antes de tudo o defensor da Fé, o gládio a serviço da Igreja contra hereges e infiéis.

O cavaleiro medieval era, sobretudo, o leal vassalo que prestava submissão ao seu senhor e por ele combatia. O lema do brasão de um nobre espanhol, o Duque de Tebas, bem exprime esse ideal: "Meu Rei, mais do que meu sangue".

O historiador flamengo Johan Huizinga apresenta alguns traços da concepção que o homem medieval fazia da Cavalaria:

"O pensamento medieval estava na generalidade saturado das concepções da fé cristã. De igual modo, e numa esfera mais limitada, o pensamento de todos aqueles que viviam nos círculos da corte ou dos castelos estava impregnado do ideal da cavalaria. (...)

Esta concepção tende mesmo a invadir o domínio do transcendente. O feito de armas primordial de São Miguel Arcanjo é glorificado por Jean Molinet como "o maior feito de cavalaria e das proezas cavalheirescas jamais realizado". Foi do arcanjo que "a cavalaria terrestre e as proezas cavalheirescas" extraíram a sua origem, e por isso imitam as hostes angélicas em volta do trono de Deus".

Um conhecido compêndio católico de História Universal apresenta outros aspectos da Cavalaria, em seu período de esplendor na Idade Média:
"Essa associação guerreira, espécie de sacerdócio militar, era assim chamada porque os nobres só combatiam a cavalo.

Já aos sete anos de idade, o futuro cavaleiro deixava o castelo paterno e entrava no serviço do senhor suserano. Estudava o manejo da lança e o da espada, tornando-se sucessivamente pequeno vassalo, pequeno senhor, pagem, escudeiro, enfim aos vinte anos era feito cavaleiro. O senhor lhe impunha o gládio e lhe dava o abraço. Depois batia-lhe três vezes no ombro dizendo: "Eu te faço cavaleiro em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo, de São Miguel e de São Jorge. Sê valente, destemido e leal".

Um torneio encerrava de ordinário a cerimônia. A Cavalaria gerou uma pléiade de heróis católicos; veio a ser um como vínculo de parentesco e de honra entre os povos do Ocidente."

Mas as novas doutrinas em voga investiram contra a Cavalaria, que não soube defender-se como nos campos de batalha. O texto seguinte é do escritor francês Puy de Clichamps:

"O cavaleiro que deseja continuar a ser campeão dos combates singulares que compunham a guerra, terá apenas o pálido derivativo numa coisa semelhante: os torneios. (...)

Mas, também aí, onde está o velho ideal cavalheiresco, que era servir a Deus, à Igreja e àqueles a quem a desgraça perseguir? E, se não estiver totalmente esquecida, já não está muito na moda a velha oração, rezada no dia da investidura de armas, sobre a espada nova:
"Que o teu servo não se sirva nunca dessa espada... para lesar impunemente alguém, mas que se sirva dela para defender a justiça e o direito".

A Cavalaria tornou-se apenas uma palavra. (...)

A lenta pacificação dos reinos tinha dado lugar, além da formação e promoção da burguesia, ao início de uma nova força: a mulher. (...)

À falta de poderem lançar-se ao assalto uns aos outros, os cavaleiros, entre dois torneios disputados, de resto, sob o olhar da castelã, tentarão tudo para obter de sua dama uma fita, uma manga ou um anel. A Cavalaria submeteu-se de tal maneira ao poder feminino que podemos ver em canções de gesta, como "Doon de Mayence" (século XIII) ou "Gaufrey" (século XIII), mulheres armarem cavaleiros aos seus pretendentes. (...) Assim pode ler-se no "Joudain de Blaivies" (século XIII):

‘E a jovem traz-lhe a espada/ Ela própria lha coloca à cinta. (...) Agora dá-lhe a "colée"/ ‘Sede cavaleiro, diz a dama de gentil figura/ Que Deus te conceda honra e coragem/ e se tiverdes vontade de um beijo/ tomai esse e outros também/ Então Jourdain diz: "Obrigado lhe digo cem vezes". / Beija-a por três vezes (...)"
A cena, que pode parecer infantil à primeira vista, é encantadora, até talvez demasiadamente encantadora e transparece dela uma ironia apenas camuflada que ridiculariza um pouco o apaixonado cavaleiro. Hércules fiando aos pés de Onfala faz pelo menos sorrir.

Mas podemos verificar que mais uma vez estamos bem longe da sólida virilidade da primeira Cavalaria. Esta intromissão da mulher na velha instituição guerreira é sinal (...) de que a instituição perdeu a força - um sinal e em parte uma das causas dessa perda de força".

Debilitado o espírito de abnegação, a Cavalaria transformou-se gradualmente numa indigna caricatura de si mesma. Os romances que escolheram a Cavalaria como tema exprimem bem essa transformação: já não é por Deus e pelos desvalidos que luta o cavaleiro, mas pelos belos olhos de uma dama... Abel Lefranc descreve o triste sucesso do protótipo desses romances, o "Amadis de Gaule":

"Dentre os romances de cavalaria o que conheceu uma mais firme e duradoura aceitação, (...) foi certamente o ‘Amadis de Gaule’.
‘Amadis’ é filho de Périon, fabuloso rei da Gália, e da bela Elisène, filha de Garinter, rei da pequena Bretanha. A dama dos seus pensamentos é Oriana, filha do rei da Dinamarca. Para obter a sua mão, trava combates sem conta, através dos quais se cobre de glória. Arrisca-se, diversas vezes, a perder para sempre aquela que ama, mas sua coragem e constância triunfam de todos os obstáculos. Vencedor de tantas provas, torna-se finalmente o esposo de Oriana.

De 1540 a 1556, aparecem doze livros de ‘Amadis’, em igual número de volumes in-fólio [formato de um livro, no qual a folha de impressão é dobrada apenas em duas e não forma por conseguinte senão quatro páginas], com numerosas e notáveis gravuras em madeira. Todos estes belos volumes cedo foram reimpressos, alguns deles mesmo várias vezes. (...)

Enfim, de 1561 a 1615 foram publicados, (...) traduções francesas de romances espanhóis ou romances compostos em francês imitando o ‘Amadis’.
Esta simples enumeração, que não abarca as numerosíssimas reimpressões das edições citadas, permite fazer uma idéia da prodigiosa difusão das diversas partes do romance e das seqüências que lhe foram dadas em italiano, alemão, inglês, holandês e até em hebraico. (...)
Desde o início, foi imenso o sucesso desta obra. A versão francesa do ‘Amadis’ penetrou em toda parte, na corte, nos meios aristocráticos e burgueses e até nos conventos. Durante um longo período, tornou-se o código da cavalaria, o "breviário" mundano, um verdadeiro livro de cabeceira para uma infinidade de leitores e leitoras, que ele seduziu e encantou. (...)

Mas não devemos esperar encontrar ali um modelo de virtudes, muito menos de austeridade, nem sequer uma disciplina moral: os costumes revelam-se bastante fáceis e as personagens não opõem grande resistência ao ímpeto das paixões amorosas. Nenhum outro romance parece ter exercido tamanha influência sobre a sensibilidade e a imaginação dos homens da época durante quase meio século. Os contemporâneos de Francisco I e de Henrique II aprenderam nestes livros a pensar e a sentir de uma outra maneira.

Como refere ainda Bourciez, ‘sendo embora este romance, menos o espelho em que se reflete uma geração do que o modelo por ela seguido, nem por isso deixa de existir entre ambos certa conformidade. Neste sentido, o ‘Amadis’ é, pois, um documento".

Pari passu com os romances de Cavalaria, outra influência deletéria corrompe os costumes: a poesia cortês dos trovadores provençais . Semelhante literatura, túmida de sentimentalismo, abre caminho para a literatura "erótico-espiritual". Esse processo é descrito pelo historiador flamengo Johan Huizinga:
"Quando, no século XII, o desejo insatisfeito foi colocado pelos ‘Trovadores da Provença’ no centro da concepção poética do amor, deu-se uma virada importante na história da civilização.

A Antigüidade também tinha cantado os sofrimentos do amor, mas, nunca os tinha concebido como esperanças de felicidade ou como frustrações lamentáveis dela. (...)

A poesia cortês, por outro lado, faz do próprio desejo o motivo essencial e cria assim uma concepção do amor com uma nota de fundo negativo. (...) O amor tornou-se então terreno onde todas as perfeições morais e culturais floresceram. Devido a este amor o amante cortesão é puro e virtuoso. O elemento espiritual domina cada vez mais até os fins do século XIII, o ‘dolce stil nuovo’ de Dante e dos seus amigos termina por atribuir ao amor o dom de provocar um estado de piedade e santa intuição. Atingiu-se um ponto extremo.

Não tarda que o sistema artificial do amor cortesão seja abandonado, e as suas sutis distinções não serão renovadas quando o platonismo do Renascimento, já latente na concepção cortesã, der lugar a novas formas de poesia erótica com uma tendência espiritual.

O ‘Roman de la Rose’ (...) começado antes de 1240 por Guillaume de Lourris, estava completo, antes de 1280, por Jean Chopinel. Poucos livros têm exercido uma influência mais profunda e duradoura na vida dum período do que o ‘Roman de la Rose’. A sua popularidade durou pelo menos dois séculos. Ele determinou a concepção aristocrática do amor dos fins da Idade Média. Em virtude do seu alcance enciclopédico tornou-se o manancial de onde a sociedade laica tirou a melhor parte de sua erudição. (...)

É surpreendente que a Igreja, que tão rigorosamente reprimiu os mais leves desvios do dogma em casos de caráter especulativo, permitisse que o ensino deste breviário da aristocracia fosse disseminado impunemente."

Influenciada pelo clima geral de decadência, a Cavalaria torna-se uma instituição mundana. As proezas em defesa da Fé já não são seu principal objetivo. Os torneios e as exibições vaidosas ocupam agora lugar preponderante. A libertação da Terra Santa é substituída pela conquista amorosa de uma dama...

"Que seria do jovem nobre, ao receber o cavalo e a lança, sem a Cavalaria? Um soldado mais afortunado ou menos, mais sanguinário ou menos... A Igreja soube transformar um ato puramente militar e feudal num ato religioso. Ela disse aos bárbaros do século IX: ‘Regulai vossa coragem’. Eles a regulam e sua selvajeria pouco a pouco se tornou proeza. ‘Não há cavaleiro sem proeza’, diz um velho provérbio. Todas as outras virtudes virão depois e se darão as mãos: lealdade, liberalidade, moderação, cortesia e honra, que a tudo coroa; toda a cavalaria está contida nestas seis palavras. O cavaleiro autêntico é já um eleito, mas em toda a sua vida deve merecer a felicidade futura, lutando duramente contra si mesmo e contra os outros. Tudo pode estar perdido para ele, exceto a honra e a eternidade..."
Capítulo 5 - Formação da Mentalidade Antropocêntrica
"Tal clima moral, penetrando nas esferas intelectuais, produziu claras manifestações de orgulho, como o gosto pelas disputas aparatosas e vazias, pelas argúcias inconsistentes, pelas exibições fátuas de erudição, e lisonjeou velhas tendências filosóficas, das quais triunfara a Escolástica, e que já agora, relaxado o antigo zelo pela integridade da Fé, renasciam em aspectos novos.

"O apetite dos prazeres terrenos se vai transformando em ânsia. As diversões se vão tornando mais freqüentes e mais suntuosas. Os homens se preocupam sempre mais com elas.
Nos trajes, nas maneiras, na linguagem, na literatura e na arte o anelo crescente por uma vida cheia de deleites da fantasia e dos sentidos vai produzindo progressivas manifestações de sensualidade e moleza.
Há um paulatino deperecimento da seriedade e da austeridade dos antigos tempos. Tudo tende ao risonho, ao gracioso, ao festivo."

O historiador já citado, Wilhelm Oncken - aliás protestante -, aponta as características da civilização moderna, surgida com o Renascimento:
Esta civilização, nascida na Itália, que desde o século XIII se tinha colocado à frente do progresso intelectual (cuja liderança tinha sido exercida até então pela França), recebeu o nome de Renascimento; na realidade não foi nenhum renascimento da Antigüidade clássica como o teriam desejado seus adeptos mais ardentes, mas tão-só a transição da sociedade para um estado intelectual, social e político inteiramente novo. Com a transformação da Cristandade em vários estados políticos modernos, o Cristianismo parecia transformar-se em um estado intelectual que cifrava sua religião, não tanto na fé na divindade, como na fé na humanidade. (...)

Aquela civilização moderna, no seu verdadeiro fundo, não tinha afinidade com a essência do Cristianismo, nem nada que ver com os ideais da Igreja na Idade Média."

Desta forma, a mentalidade medieval - sobretudo de austeridade, sacrifício e seriedade - começa, primeiramente no nível tendencial, a ser transformada. Da busca incessante da glória de Deus, o ser humano passa a procurar a sua glória; do sacrifício, começa-se, paulatinamente, a buscar-se o gozo; da seriedade medieval, chega-se ao riso renascentista, etc. Toda a civilização é transformada em seus costumes.

Surgem, no contexto das novas tendências, diversas teorias. Cada uma, a seu modo, começa a demolir os pressupostos transcendentes e naturais da Idade Média. A vida não mais foi feita para o heroísmo e para a santidade, mas para o prazer. A felicidade não está em servir a Deus e ao seu rei, mas no prazer e nos divertimentos da vida.

O entusiasmo pela religião esfria, a admiração cede lugar às questões pessoais, a Cruz perde o seu significado. Enfim, o homem Renascentista não entende mais a transcendência que a Idade Média conferia à vida.

A arte, antes tendo como objeto a sacralidade, passa a retratar o cotidiano da vida humana.

"Antes, [na Idade Média], conhecer significava apreender a essência das coisas, chegar até elas como se chega ao pensamento divino. Agora [na Idade Moderna], porém, o conhecimento liga-se intimamente à produção: a procura das leis da natureza é feita em função do seu aproveitamento para satisfazer às necessidades do homem. Procura-se conhecer a movimentação das águas e os ventos para se construir navios; investiga-se a lei do movimento dos corpos para a produção de máquinas de trabalho e de guerra.

A ciência liga-se definitivamente à técnica, passando da mera contemplação da essência das coisas para a intervenção direta na natureza.
A arte, de simbólica, passa a ser representativa, já que a presença de Deus não é mais a única imagem digna de ser figurada. (...)
O que importa, agora, é criar a ilusão de um mundo imaginário que, de repente, adquire vida própria. Em lugar de se justaporem uns aos outros, os personagens e as cenas subordinam-se ao tema central. Tudo passa a girar em torno da criação e de um universo imaginário, paralelo ao mundo cotidiano, que revela, porém, sua essência e a maneira peculiar pela qual o artista o percebe, vê e analisa. (...)

O Cristianismo sempre professara a criação do homem à imagem e semelhança de Deus; mas, a partir do Renascimento, a ênfase é dada muito mais à imagem do que ao próprio original. Esse processo foi denominado Humanismo. Nos primeiros tempos, os humanistas eram eruditos que transferiram os métodos de interpretação da Bíblia para os textos greco-latinos, mantendo a mesma posição servil diante da palavra escrita. Logo, porém, percebem a insistência com que os gregos representavam sues deuses sob formas humanas, o valor que conferiam aos acontecimentos da vida eterna e a atitude racionalista com a qual tratavam esses episódios; encontram, assim, os padrões nos quais puderam projetar seus próprios ideais de racionalidade e de solidariedade humana. É com esse espírito que o artista do Renascimento procura, na Antigüidade, os temas para a literatura e as formas para a escultura e a pintura" .

Retratando mais os valores da vida humana - naturalmente falando - do que os da sacralidade medieval - sobrenatural em sua essência, os humanistas quebraram os costumes medievais. Mas não quebraram apenas os costumes, houve uma verdadeira Revolução em todos os campos da sociedade. O homem renascentista não podia mais entender a civilização medieval, não podia mais compreender a finalidade medieval da vida.
Do Renascimento ouve-se o grito, no começo surdo, do Protestantismo: "Cristo sim, Igreja não". Na Revolução Francesa o brado que se ouve é outro: "Deus sim, Cristo não". Durante o Comunismo, alardeia-se a "nova" "moral": "Deus não existe". Chega-se à Pós-modernidade, quando em 1968, na Sorbonne, se diz: "Se Deus existir, é preciso matá-lo".

Professores e professoras para o próximo milênio

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 09, 2017


Meu primeiro contato com os leitores e as leitoras do Moderna OnLine ocorre quando recém recordamos o dia dedicado às professoras e aos professores e isto nos traz reflexões sobre o motivo da data. Primeiro deve-se dizer que isto não nos torna distinguidos como categoria, por nos vermos homenageados com um dia especial. Se olharmos um bom almanaque talvez seja mais difícil descobrir quem ou o que não tem dia. Poderíamos até nos perguntar porque o nosso dia não é, afortunadamente, tão explorado comercialmente como outros dias (das mães, dos pais, das crianças, dos namorados, do amigo, da sogra, ou o Natal…).
Há um tempo, quem tinha algum lucro com a data eram os jornais que publicavam, em primeira página, mensagens oficiais, usualmente assinadas pelas Secretarias de Educação com textos laudatórios, às vezes quase hagiográficos, enaltecendo nossa missão quase sacerdotal de heróis e heroínas que dão tudo de si para fazer com que as jovens gerações se transformem em cidadãos e cidadãs. Felizmente estas hipocrisias os governos não têm mais coragem de fazer.
Nossa data também já se prestou para se apresentar modelos de professoras e professores, em geral ao melhor estilo hollywoodiano, onde em geral estes e estas são personagens fora do tipo convencional, como em Ao mestre com carinho, no qual um engenheiro fracassado se transforma em bom professor; ou em Conrack, em que um professor branco faz milagres em uma escola pobre de alunos negros; ou ainda, em situações tão ridículas como Um professor aloprado, no qual o ensinar Química se confunde com fazer loucuras; ou trazendo um filme mais recente, Mr. Holland, o adorável professor, em que um músico sem sucesso é surpreendido com as possibilidades de ser um bom professor. Há nessa linha dezenas de filmes em que ser bom um professor ou uma boa professora é sempre ser quase um ser fora dos padrões, que cada uma e cada um de nós não gostaria ser, pois queremos ser distinguidos não por rompantes milagreiros mas pelo nosso fazer bem feito aquilo que é o próprio de nossa profissão, coisas estas usualmente não são salientadas nos ditos filmes modelos. Aliás, poder- se-ia também questionar por que há muito mais filmes sobre heróis professores do que sobre professoras. Aqui se pode ver uma vez mais a discriminação de gênero, em que há professoras no ensino fundamental - coisa mais fácil, logo, para mulheres - e há professores no ensino médio e superior. Não vou trazer aqui, uma vez mais, uma tese que tenho defendido em outros textos - ou mesmo quando tenho falado em diferentes universidades: É mais difícil (mais complexo) lecionar ciência no ensino fundamental, do que, por exemplo, lecionar Química no ensino superior. A leitora ou o leitor pode imaginar quanto, enunciar esta tese numa universidade é motivo de polêmica, pois é nela que usualmente os docentes se encastelam na defesa da complexidade daquilo que dizem ensinar.
O advento de um mundo cada vez mais informatizado modifica o mundo do trabalho e a ameaça do desemprego assusta profissionais de diferentes áreas. Há ainda muitos que se recordam dos tempos em que íamos a um estabelecimento bancário e levávamos a caderneta, na qual o escriturário fazia as anotações manualmente - há talvez os que se lembram de lançamentos feitos com pena doze exigindo o uso de mata-borrão.
Com toda uma fantástica evolução tecnológica, inclusive naquela disponível para a Educação, uma profissão que durante séculos não teve modificações significativas é a de professor. Se Anchieta, cujo quarto centenário de morte se evoca neste 1997 e que foi dos primeiros professores neste Brasil pós-cabrálico, entrasse hoje em nossas salas de aula muito pouco se surpreenderia, pois métodos e tecnologias são quase os mesmos. Continua-se fazendo Educação com artesania.
Há, todavia, significativos sinais de transição nessa área. Antes de parecer um profeta do apocalipse, preciso dizer que estou cada vez mais convencido de que nesse quadro da História, de tão fantásticas transformações tecnológicas, o professor informador — refiro-me àquela ou àquele que se gratifica em ser transmissor de conteúdo — está superado. Ele é um sério candidato ao desemprego ou será aproveitado pelo sistema para continuar fazendo algo (in)útil nessa tendência neoliberal de se transformar o ensino (não a Educação em uma mercadoria para fazer clientes satisfeitos como apregoam os adeptos da Qualidade Total). Mas o professor formador ou a professora formadora será cada vez mais importante nesta virada de milênio.
Olhemos um pouco a disponibilidade de informação que inexistia em nosso meio há dois ou três anos atrás.
A Internet, para dar apenas um exemplo de algo que está a determinar a suplantação do professor informador, é um recurso cada vez mais disponível, a baixos custos, para facilitar o fornecimento de informações. Hoje temos, por exemplo, acesso às edições dos últimos anos dos maiores jornais do Brasil e do exterior, ao se digitar uma palavra-chave, recebe- se uma relação de artigos e notícias onde está assunto escolhido. Hoje podemos ir também a Bibliotecas de muitos países do mundo. Por exemplo, a geração do vídeo (os screenagers) está ensinando aos adultos a conviver com novas tecnologias.
Meu exemplo é insignificante diante do mundo fantástico que recém se inicia, onde já podemos assistir, em tempo real, um vulcão em erupção na Nova Zelândia ou dizer que possuímos, agora em nossas casas, uma fabulosa biblioteca virtual que supera a maior biblioteca real do mundo.
Assim reafirmo uma vez mais, o professor informador é um sério candidato ao desemprego, porém o professor formador ou a professora formadora será cada vez mais importante nesta virada de milênio. Esta ou este tem razões para comemorar o 15 de outubro, o outro tem sérias razões de se perguntar o que estará fazendo nesse sistema capitalista autofágico, no dia das professoras e dos professores do próximo ano.
Mesmo que pertençamos a uma das categorias profissionais de menor remuneração entre as profissões egressas da Universidade, somos talvez dos assalariados contra os quais existem menos ameaças de perda das posições de emprego no próximo milênio. Mas esta profissão, para a qual vejo ainda estabilidade, exige também transformações. Não podemos aderir ao conservadorismo, pois nessa situação corre-se o risco de sermos transformados em "ligadores" de aparelhos televisão.
Quando tentamos caracterizar o nosso Planeta nesse ocaso bi-milenar, muito provavelmente a facilidade com que as informações estão disponíveis é uma das grandes referências. Hoje temos acesso ao cabedal dos conhecimentos que a humanidade produziu na sua História e também, quase que instantaneamente, àquilo que é atualmente produzido. A propósito, ouvi recentemente a afirmação de que em 1995, a cada 45 minutos, se produziu conhecimento equivalente a uma Enciclopédia Britannica.
Como não existe, e muito provavelmente não existirá nas próximas gerações, nenhum programa de computador que faça formação - lamentavelmente ainda são poucos os professores formadores - se professor informador é um sério candidato ao desemprego, o professor formador ou a professora formadora será cada vez mais importante. Assim, para esta secular profissão a informatização não é uma ameaça e sim uma fabulosa oportunidade.

INTERTEXTUALIDADE DA FÁBULA A RAPOSA E AS UVAS- ESOPO E MILLÔR FERNANDES

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 09, 2017

INTERTEXTUALIDADE DA FÁBULA "A RAPOSA E AS UVAS" - ESOPO E MILLÔR FERNANDES

Estudo dos textos

TEXTO I

A RAPOSA E AS UVAS

Uma raposa estava com muita fome. Foi quando viu uma parreira cheia de lindos cachos de uva.
Imediatamente começou a dar pulos para ver se pegava as uvas. Mas a latada era muito alta e, por mais que pulasse, a raposa não as alcançava.
— Estão verdes — disse, com ar de desprezo.
E já ia seguindo o seu caminho, quando ouviu um pequeno ruído.
Pensando que era uma uva caindo, deu um pulo para abocanhá-la. Era apenas uma folha e a raposa foi-se embora, olhando disfarçadamente para os lados. Precisava ter certeza de que ninguém percebera que queria as uvas.
Também é assim com as pessoas: quando não podem ter o que desejam, fingem que não o desejam.

(12 fábulas de Esopo. Trad. por Fernanda Lopes de Almeida. São Paulo: Ática, 1994.)


TEXTO II

A RAPOSA E AS UVAS

De repente a raposa, esfomeada e gulosa, fome de quatro dias e gula de todos os tempos, saiu do areal do deserto e caiu na sombra deliciosa do parreiral que descia por um precipício a perder de vista. Olhou e viu, além de tudo, à altura de um salto, cachos de uva maravilhosos, uvas grandes, tentadoras. Armou o salto, retesou o corpo, saltou, o focinho passou a um palmo das uvas.
Caiu, tentou de novo, não conseguiu. Descansou, encolheu mais o corpo, deu tudo o que tinha, não conseguiu nem roçar as uvas gordas e redondas. Desistiu, dizendo entre dentes, com raiva: “Ah, também não tem importância. Estão muito verdes”. E foi descendo, com cuidado, quando viu à sua frente uma pedra enorme. Com esforço empurrou a pedra até o local em que estavam os cachos de uva, trepou na pedra, perigosamente, pois o terreno era irregular, e havia o risco de despencar, esticou a pata e… conseguiu! Com avidez, colocou na boca quase o cacho inteiro. E cuspiu. Realmente as uvas estavam muito verdes!

Moral: a frustração é uma forma de julgamento como qualquer outra.

(Millôr Fernandes. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991. p. 118.)


 COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO

1. Fábula é uma pequena narrativa, muito simples, em que as personagens geralmente são animais.

a) Na fábula de Esopo, a raposa, com fome, vê “lindos cachos de uva”. Se os cachos eram lindos, por que, então, a raposa diz que as uvas estavam verdes? Porque não as alcançava.

b) A raposa, não alcançando as uvas, vai embora. Que fato posterior a esse comprova que a raposa mentia ao dizer que as uvas estavam verdes? O fato de voltar-se rapidamente para trás, pensando que uma uva tivesse caído.

2. As fábulas sempre terminam com uma moral da história, isto é, com um ensinamento.

a) Identifique no texto o parágrafo que contém a moral da fábula de Esopo. A moral está no último parágrafo do texto.

b) Qual das frases abaixo traduz a ideia principal da fábula de Esopo?

• Quem não tem, despreza o que deseja.
• A mentira tem pernas curtas.
• Quem não tem o que deseja, sente inveja dos outros.

3. Compare a versão de Millôr Fernandes à de Esopo.

a) Até certo ponto da história, as duas fábulas são praticamente iguais. A partir de que trecho a versão de Millôr fica diferente da versão de Esopo? No momento em que a raposa sobe em uma pedra para alcançar as uvas.

b) Qual é o fato da versão de Millôr que altera completamente a história?

4. A moral da história de Millôr Fernandes é claramente identificada: “a frustração é uma forma de julgamento como qualquer outra”.

a) Consulte o dicionário e veja qual sentido das palavrasfrustração julgamento corresponde ao que elas têm no contexto. Depois troque idéias com seus colegas e com seu professor e responda:
O que essa moral quer dizer?

b) Qual das frases abaixo traduz a idéia principal dessa moral?

• Uma pessoa frustrada não sabe fazer um bom julgamento.
• Às vezes, uma mentira acaba expressando uma verdade.
• Uma pessoa malsucedida acaba tirando conclusões erradas.

5.  Na fábula de Esopo, lemos: “a latada era muito alta e, por mais que pulasse, a raposa não as alcançava”. Em qual das frases abaixo a expressão destacada tem sentido mais aproximado ao da expressão por mais que?

a) Uma vez que pulava, a raposa não as alcançava.
b) A não ser que pulasse, a raposa não as alcançaria.
c) Mesmo que pulasse, a raposa não as alcançaria.
d) Quando pulava, a raposa não as alcançava.

6Em seu texto, Millôr Fernandes empregou as expressões fome de quatro dias gula de todos os tempos.

a) Qual a diferença entre fome e gula?

b) O que significa gula de todos os tempos? Uma gula enorme.

7. No texto I e no II foi utilizado o discurso direto e indireto? Justifique sua resposta com uma frase do texto.

Ensino Fundamental 1> Língua Portuguesa> Língua escrita> Leitura , Era uma vez...Dona Licinha

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 08, 2017

Ilustração: Carlo Giovani

A senhora não me conhece. Faz tanto tempo e me lembro de detalhes do seu jeito, sua voz, seu penteado e roupas... A senhora ensinava na 3ª. Série B e eu era aluna da 3ª serie C, do grupo escolar Tatuapé...Passava no corredor fazendo figa para mudar de classe, pra minha professora viajar e nunca mais voltar, pra diretora implicar e me mandar pra 3ª série.B... Nunca tive tanta inveja na minha vida como tive das crianças da série B...
Lembro que na sua sala se ouviam risadas quase o tempo todo. Maior gostosura! De vez em quando, um enorme silêncio era quebrado por sua voz suave...era  hora de contar histórias. Suspirando, eu grudava na janela e escutava o que podia...Também muitos piques e hurras, brincadeiras correndo solto. Esconde – esconde, telefone sem fio, campeonato de geografia. Tanto fazia a aprontação inventada. Importava era sentir a redonda contenteza dos alunos.
A sua sala era colorida com desenhos das crianças, um painel com recortes de revistas e jornais, figurinhas bailando em fios pendurados, mapas e fotos...Uma lindeza rodopiante mudada toda semana! Vi pela janela seus alunos fantasiados, pintados, emperucados, representando cenas da Historia do Brasil! Maior maravilhamento!
Demorei, entendi. Quem nunca entendeu foi a minha professora ... Seu segredo era ensinar brincando. Na descoberta! Na Contenteza!
Nunca ouvi berros um “cala a boca”, “aqui quem manda sou eu” e outras mansidões que minha professora dizia sem cansar. Não escutei ameaças de provas de sopetão, castigos, dobro da lição de casa, chamar a diretora, com quem a minha professora me aterrorizava o tempo todo...
Dona Licinha, eu quis tanto ser sua aluna quando fiz a 3ª série. Não fui...Hoje tanto tempo depois, sou professora. Também duma 3ª série. Agora sou sua colega...Só não esqueço que queria estar na sua classe, seguir suas aulas risonhas, sem cobranças, sem chateações, sem forçar barras, sem engolir o desinteressante. Numa sala colorida, iluminada, bailante. Também quero ser uma professora assim. Do seu jeito abraçante.
Hoje, vi uma garotinha me espiando pela janela. Arrepiei. Senti que estava chegando num jeito legal de estar numa sala de aula...Por isso resolvi escrever para a senhora.
Vontade engolida por décadas. Tinha que dizer que continuo querendo muito ser sua aluna, da Dona Licinha. Agora, aluna de como ser professora. Fazendo meus alunos viverem surpresas inventivas.
Um abraço apertado, cheinho de gostosuras, da Ciça.



                                                                                      Conto de Fanny Abramovichd

SAIBA MAIS ...

Aula Funcionalismo

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 08, 2017

O funcionalismo se preocupa em estudar a relação entre a estrutura gramatical da língua e seus vários contextos da comunicação, indo alem das propostas teóricas acerca da natureza da linguagem.

Os funcionalistas concebem a linguagem como instrumento de interação social e analisa a motivação para os fatos da língua ,ela procura explicar a regularidade no uso interativo da língua .

Por exemplo:

Nas frases

1 você é desonesto

2desonesto é você


Pela analise sintática não se poderia explicar o uso de uma frase ou outra ,porem na 1ª frase temos uma afirmação enquanto na 2ª temos uma replica ou resposta acentuada pela inversão do predicativo desonesto e sendo assim esta 2ª frase só fará sentido em uma situação em que no contexto o interlocutor tenha feito um insulto anterior.
Nesse exemplo percebemos a essência da analise funcionalista que visa trabalhar com frases dentro de um contexto de comunicação é a universalidade dos usos da linguagem na comunicação,ao contrario dos gerativistas que defendem que ops universais derivam de uma herança genética da raça humana.

Os funcionalistas pregam que uma criança aprende a linguagem e a gramática da mesma forma que aprende outros tipos de aprendizagem de acordo com o seu meio e interlocutores ao contrario dos gerativista que defendem a aquisição da linguagem como algo especifico e único .

Com isso também pode-se dizer que a criança tendo uma capacidade cognitiva rica ela ira se adaptar as situações sociais,culturais,e ambientais de sua época e meio de convívio,

Sendo assim a língua tem funções externas ao sistema lingüístico e as funções externas influenciam na organização do sistema lingüístico.

Em uma analise mais radical funcionalista ,os propósitos comunicativos dos interlocutores definem as categorias gramaticais demodo que não existiria o modo extrutural denominado sintaxe, a língua seria descrita apenas pelos princípios comunicativos.

Nessa linha temos o trabalho de du bois (1985) sobre a estrutura dos argumentos,e de hopper e tompsompson (1980) que trata da transitividade como uma categoria que deriva do discurso.

Em uma postura mais moderada admite uma interação entre forma e funçãode modo que as funções externas atuariam juntas com a organização formal do sistema lingüístico sem fundamentalmente definir suas categorias básicas.
Segundo a fonologia desenvolvida em praga os fonemas, definidos como mínimos do sistema lingüístico, não são elementos mínimos em si, mas feixes e conjuntos de traços distintivos simultâneos.
Função distintiva
Ex o fonema p e b o 1 é oclusivo bilabial surdo o 2 é oclusivo,bilabial sonoro
E isto distingue palavras como pata e bata /pico e bico
Função demarcadora
Acento Tonico
Serve para demarcar a fronteira entre uma forma e outra
Por exemplo, nas palavras (fábrica) substantivo e (fabrica) verbo.

Função expressiva
Indica sentimento por
Ex: na palavra liiiiiiiido.

Jakobson é responsável pelo conceito de marcação na morfologia que estabelece distinção entre categorias marcadas e não marcadas .
Ex:a oposição entre p e b vista antes se da na sonoridade sendo p + sonoro é marcado e b – sonoro é não marcado , na morfologia a palavra meninos + plural é marcada e menino no singular é não marcada
Segundo mathesius na teoria da perspectiva (que é uma analise em termos da informação transmitida pela organização das palavras).
Ex:
Eu já li este livro
Esse livro eu já li

De acordo com o funcionalismo não podemos dizer que as frases têm o mesmo significado, pois, apesar de terem o mesmo conteúdo semântico, não tem o mesmo conteúdo pragmático.
Pois é importante ressaltar que o fato de “esse livro” já ter ou não, sido mencionado anteriormente é decisivo para a analise da frase, pois, na frase B da se status de informação já dada e o coloca no inicio da frase.
Jan firbas desenvolveu na década de 60 um modelo de estrutura informacional que busca analisar sentenças efetivamente enunciadas para determinar sua função comunicativa.
Ex: 1 o que Maria comprou ?
2 Maria comprou uma bolsa preta.
À parte da sentença que representa a informação dada tem menos dinamismo comunicativo, ou seja a informação dada por ela é mínima e se chama tema , a parte que tem a informação nova é a rema .

Aula de Ingles ,Horas em inglês Atividades de inglês

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 08, 2017

Horas em inglês
Para perguntar que horas são, utilize a expressão:
Please, what time is it? (Por favor, que horas são?)

Conheça algumas formas de falar as horas em inglês:
para hora inteira:
It is two o'clock. (São duas em ponto.)
It´s five o'clock. (Vejo você às cinco em ponto.)

caso seja meio-dia:
It is noon. (É meio dia.)

caso seja meia-noite:
It's midnight. (É meia noite.)

hora e meia:
It's four and a half. (São quatro e meia)
It is six and a half. (São seis e meia)


Para indicar os minutos, basta falar a hora atual seguida dos minutos:
It is three thirty five. (São três horas e trinta e cinco minutos.)
It's two fourty-two. (São duas horas e quarenta e dois minutos.)

A expressão "till" é equivalente a expressão "falta" na hora de indicar horas:
It's five till six. (Falta cinco para as seis.)
It is a quarter till five. (Falta quize para as cinco.)

A expressão "past" é usada para indicar quantos minutos passaram desde a última hora:
It is a quarter past twelve. (São doze e quinze.)

No inglês, as siglas "a.m." e "p.m." são usadas para indicar "manhã" e "tarde" respectivamente:
It is two a.m. (São duas da manhã.)
It is two p.m. (São duas da tarde.)

COMO USAR O VERBO HAVER, EXISTIR E FAZER

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 08, 2017

COMO USAR O VERBO HAVER, EXISTIR E FAZER

Três verbos que causam discórdia e são motivo de dor de cabeça para quem trabalha com produção de conteúdo para sites, estudantes que farão vestibular e ENEM e blogueiros de forma geral são os verbos HAVER, FAZER e EXISTIR. Por não seguirem, às vezes, as flexões de número como outros verbos mais comuns, merecem um estudo um pouco mais detalhado.

COMO USAR O VERBO HAVER, FAZER E EXISTIR

O verbo haver, quando tem sentido de "existir", é impessoal (não tem sujeito) e conjuga-se na 3ª pessoa do singular. Veja o exemplo:
Havia dias que ele não sentia falta de sua companhia.
Observação: O verbo haver flexiona-se regularmente quando é empregado como verbo pessoal (com sujeito). Por exemplo:
Os atletas hão de conseguir se classificar para as Olimpíadas no Rio de Janeiro.
O verbo fazer também fica na 3ª pessoa do singular quando exprime tempo ou fenômenos atmosféricos.
Veja os exemplos:
Faz quase um ano que o sol voltou a brilhar em sua vida.
Faz noites quentes em Cabo Frio.
Observação: Se esses verbos (haver com sentido de existir e fazer com sentido de tempo passado ou fenómenos atmosféricos) fizerem parte de uma locução, o verbo auxiliar ficará também na 3â pessoa do singular. Por exemplo:
Devia haver diversos motivos para acreditar que era possível.
Deve fazer dois dias que começou a pintura da fachada do meu prédio.
O verbo existir concorda sempre com o sujeito, por isso deve ser flexionado. Quando esse verbo faz parte de uma locução, o auxiliar se flexiona concordando com o sujeito. Veja o exemplo:
Existem hibiscos amarelos naquele jardim. Devem existir também flores vermelhas nas proximidades da casa.