DIDÁTICA - JOSÉ CARLOS LIBÂNEO

Posted by Profº Monteiro on março 04, 2014
APRESENTAÇÃO

Na abertura, o autor determina os princípios que norteiam a narrativa durante a obra, da importância da didática e seu caráter aglutinador dos conteúdos e procedimentos, da sua característica de englobar conhecimentos da área da psicologia da educação, sociologia da educação, filosofia da educação, entre outras áreas a fim para explicar o ato e a forma do aprender. Logo no início, o autor mostra o que irá falar: Percepção e compressão reflexiva e crítica das situações didáticas; compreensão crítica do processo de ensino; a unidade objetivos-conteúdos-métodos como a espinha dorsal das tarefas docentes e o domínio de métodos e procedimentos para usar em situações de didáticas concretas.


Verifica-se a intenção do autor de construir um conteúdo e organizar uma discussão que tenha um caráter prático no processo educativo. Isto também se demonstra da divisão dos capítulos que contemplam as diversas áreas de abrangência da didática.

CAPÍTULO 01 - Prática educativa, Pedagogia e Didática

O autor começa o tema situando a didática no conjunto dos conhecimentos pedagógicos, demonstrando a fundamental importância do ato de ensinar na formação humana para vivermos em sociedade. Neste capítulo, o autor aborda a prática educativa em sociedade, a diferença entre a educação, instrução e ensino; a educação, o escolar, pedagogia e didática, e a didática e sua importância na formação dos professores.

Prática educativa e sociedade

Os professores são parte integrante do processo educativo, sendo importantes para a formação das gerações e para os padrões de sociedade que buscamos. Neste subtítulo, o autor situa a educação como fenômeno social universal determinando o caráter existencial e essencial da mesma. Estuda também os tipos de educação, a não intencional, refere-se a influências do contexto social e do meio ambiente sobre os indivíduos. Já a intencional refere-se àquelas que têm objetivos e intenções definidos. A educação pode ser também, formal ou não-formal, dependendo sempre dos objetivos. A educação não-formal é aquela realizada fora dos sistemas educacionais convencionais, e a educação formal é a que acontece nas escolas, agências de instrução e educação ou outras.


Libâneo também relata o papel social da educação e como seus conteúdos objetivos são determinados pelas sociedades, política e ideologia predominantes. Fala desta relação importante da educação com os processos formadores da sociedade "desde o início da historia da humanidade, os indivíduos e grupos travavam relações recíprocas diante da necessidade de trabalharem conjuntamente para garantir sua sobrevivência" (Libâneo, 1994, p.19).O autor considera estas influencias como fatores fundamentais das desigualdades entre os homens, sendo um traço fundamental desta sociedade. Coloca as ideologias como valores apresentados pela minoria dominante, politizando a prática educativa e demonstrando o seu envolvimento com o social.
Ele afirma que escola é o campo específico de atuação política do professor, politizando ainda mais o ambiente escolar.

Educação, instrução e ensino

Neste subtítulo, o autor define as três palavras chaves, suas diferenças e sentidos diversos. A educação que é apresentada com um conceito amplo, que podemos sintetizar como uma modalidade de influências e inter-relações que convergem para a formação da personalidade social e o caráter, sendo assim uma instituição social.
Já a instrução está relacionada à formação e ao desenvolvimento das capacidades cognoscitivas, mediante o domínio de certos conhecimentos. O ensino por sua vez é conceituado aqui como as ações, meios, condições para que aconteça a instrução.
Observa-se que a instrução esta subordinada à educação. Estas relações criam uma relação intrincada destes três conceitos que são responsáveis pelo educar. Destaca que podemos instruir sem educar ou vice-versa, pois a real educação depende de transformarmos estas informações em conhecimento, tendo nos objetivos educativos uma forma de alcançarmos esta educação. Coloca que a educação escolar pode ser chamada também de ensino.

Educação escolar, Pedagogia e Didática

A educação escolar é um sistema de instrução e ensino de objetivos intencionais, sistematizados e com alto grau de organização, dando a importância da mesma para uma democratização maior dos conhecimentos. O autor coloca que as práticas educativas é que verdadeiramente podem determinar as ações da escola e seu comprometimento social com a transformação. Afirma que a pedagogia investiga estas finalidades da educação na sociedade e a sua inserção na mesma, diz que a Didática é o principal ramo de estudo da pedagogia para poder estudar melhor os modos e condições de realizarmos o ensino e instrução. Ainda coloca a importância da sociologia da educação, psicologia da educação nestes processos de relação aluno-professor.

A Didática e a formação profissional do professor

Determina, o autor, que as duas dimensões da formação profissional do professor para o trabalho didático em sala de aula. A primeira destas dimensões é a teórico-científica formada de conhecimentos de filosofia, sociologia, história da educação e pedagogia. A segunda é a técnico-prática, que representa o trabalho docente incluindo a didática, metodologias, pesquisa e outras facetas práticas do trabalho do professor. Neste subtítulo, Libâneo define a didática como a mediação entre as dimensões teórico-científica e a prática docente.

CAPÍTULO 02 - Didática e Democratização do Ensino

Neste capítulo, continua a discussão colocada no capítulo anterior, sobre a democratização do ensino e a importância de oferecer este de qualidade e a toda sociedade. Inicia com a colocação que a participação ativa na vida social é o objetivo da escola pública, o ensino é colocado como ações indispensáveis para ocorrer à instrução. Levanta e responde algumas perguntas envolvendo a escolarização, qualidade do ensino do povo e o fracasso escolar, fala também da Ética como compromisso profissional e social.

A Escolarização e as lutas democráticas

Realmente a escolarização é o processo principal para oferecer a um povo sua real possibilidade de ser livre e buscar nesta mesma medida participar das lutas democráticas, o autor endente democracia como um conjunto de conquistas de condições sociais, políticas e culturais, pela maioria da população para participar da condução de decisões políticas e sociais. Libâneo, (1994, 35) cita Guiomar Namo de Mello: "A escolarização básica constitui instrumento indispensável à construção da sociedade democrática", fala também dos índices de escolarização no Brasil, mostrando a evasão escolar e a repetência como graves problemas advindos da falta de uma política pública, de igualdade nas oportunidades em educação, deixando como resultado um enorme número de analfabetos na faixa de 5 a 14 anos. A transformação da escola depende da transformação da sociedade, afirma Libâneo, e continua dizendo que a escola é o meio insubstituível de contribuição para as lutas democráticas.

O Fracasso escolar precisa ser derrotado

Nessa parte, o autor fala mais detalhadamente deste grave problema do nosso sistema escolar, detalha gráficos que apontam para um quadro onde a escola não consegue reter o aluno no sistema escolar. Aponta muitos motivos para isto, mas considera, como principal, a falta de preparo da organização escolar, metodológica e didática de procedimentos adequados ao trabalho com as crianças pobres. Isto acontece devido aos planejamentos serem feitos prevendo uma criança imaginada e não a criança concreta, aquela que esta inserida em um contexto único. Somente o ingresso na escola pode oferecer um ponto de partida no processo de ensino aprendizagem.
Levanta, também, neste capítulo, outros fatores como dificuldades emocionais, falta de acompanhamento dos pais, imaturidade, entre outros. Cita aqui David Ausubel que afirma que o fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aluno já conhece, complementa dizendo que o professor deve descobri-lo e basear-se nisto em seus ensinamentos.

As tarefas da escola pública democrática

Todos sabemos da importância do ensino de primeiro grau para formação do indivíduo, da formação de suas capacidades, habilidades e atitudes, além do seu preparo para as exigências sociais que este indivíduo necessita, dando a ele esta capacidade de poder estudar e aprender o resto da vida. O autor lista as tarefas principais das escolas públicas, entre elas, destacam-se:

- Proporciono escola gratuita pelos primeiros oito anos de escolarização;
- Assegurar a transmissão e assimilação dos conhecimentos e habilidades;
- As segurar o desenvolvimento do pensamento crítico e independente;


Oferecer um processo democrático de gestão escolar com a participação de todos os elementos envolvidos com a vida escolar.

O compromisso social e ético dos professores

O primeiro compromisso da atividade profissional de ser professor (o trabalho docente) é certamente de preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família, no trabalho e na vida cultural e política. O trabalho docente visa também a mediação entre a sociedade e os alunos. Libâneo afirma que, como toda a profissão, o magistério é um ato político porque se realiza no contexto das relações sociais.
CAPÍTULO 03 - Didática: Teoria da Instrução e do Ensino

Neste capítulo, o autor aborda, em especial, os vínculos da didática com os fundamentos educacionais, explicita seu objetivo de estudar e relacionar os principais temas da didática indispensáveis para o exercício profissional.

A didática como atividade pedagógica escolar

Sabedores que a pedagogia investiga a natureza das finalidades da educação como processo social, a didática coloca-se para assegurar o fazer pedagógico na escola, na sua dimensão político, social e técnica, afirmando daí o caráter essencialmente pedagógico desta disciplina. Define assim a didática como mediação escolar entre objetivos e conteúdos do ensino. Define, o autor, mais alguns termos fundamentais nesta estruturação escolar, a instrução como processo e o resultado da assimilação sólida de conhecimentos; o currículo como expressão dos conteúdos de instrução; e a metodologia como conjunto dos procedimentos de investigação quanto a fundamentos e validade das diferentes ciências, sendo as técnicas recursos ou meios de ensino seus complementos.

Sintetizando, os temas fundamentais da didática são:

1. Os objetivos sócio-pedagógicos;
2. Os conteúdos escolares;
3. Os princípios didáticos;
4. Os métodos de ensino aprendizagem;
5. As formas organizadas do ensino;
6. Aplicação de técnicas e recursos;

Controle e avaliação da aprendizagem.

Objetivo de estudo: o processo de ensino

Sem dúvida, o objetivo do estudo da didática é o processo de ensino. Podemos definir, conforme o autor, o processo de ensino como uma seqüência de atividades do professor e dos alunos tendo em vista a assimilação de conhecimentos e habilidades. Destaca a importância da natureza do trabalho docente como a mediação da relação cognoscitiva entre o aluno e as matérias de ensino. Libâneo ainda coloca que ensinar e aprender são duas facetas do mesmo processo, que se realiza em torno das matérias de ensino sob a direção do professor.

Os componentes do processo didático

O ensino, por mais simples que pareça, envolve uma atividade complexa, sendo influenciado por condições internas e externas. Conhecer estas condições é fator fundamental para o trabalho docente. A situação didática em sala de aula esta sujeita também a determinantes econômico-sociais e sócio-culturais, afetando assim a ação didática diretamente.

Assim sendo, o processo didático está centrado na relação entre ensino e aprendizagem.

Podemos daí determinar os elementos constitutivos da Didática:

1. Conteúdos da matérias;
2. Ação de ensinar;
<!--[if !supportLineBreakNewLine]-->
<!--[endif]-->
Ação de aprender.

Desenvolvimento histórico da Didática e tendências pedagógicas

O autor afirma que a didática e sua história estão ligadas ao aparecimento do ensino.

Desde a Antigüidade clássica ou no período medieval já temos registro de formas de ação pedagógicas em escolas e mosteiros. Entretanto, a didática aparece em obra em meados do século XVII, com João Amos Comênio, ao escrever a primeira obra sobre a didática "A didática Magna", estabelecendo na obra alguns princípios com:

A finalidade da educação é conduzir a felicidade eterna com Deus.

O homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural, isto é de acordo com suas características de idade e capacidade.

A assimilação dos conhecimentos não se da de forma imediata.

O ensino deve seguir o curso da natureza infantil; por isto as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez.

Já mais adiante, Jean Jacques Rousseau (1712-1778) propôs uma nova concepção de ensino, baseado nas necessidades e interesses imediatos da criança. Porém, este autor não colocou suas idéias em prática, cabendo mais adiante a outro pesquisador faze-lo, Henrique Pestalozzi (1746-1827), que trabalhava com a educação de crianças pobres. Estes três teóricos influenciaram muito Johann Friedrich Herbart (1776-1841), que tornou a verdadeira inspiração para pedagogia conservadora, determinando que o fim da educação é a moralidade atingida através da instrução de ensino. Estes autores e outros tantos formam as bases para o que chamamos modernamente de Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada.

Tendências pedagógicas no Brasil e a Didática

Nos últimos anos, no Brasil, vêm sendo realizados muitos estudos sobre a história da didática no nosso país e suas lutas, classificando as tendências pedagógicas em duas grandes correntes: as de cunho liberal e as de cunho progressivista. Estas duas correntes têm grandes diferenças entre si. A tradicional vê a didática como uma disciplina normativa, com regras e procedimentos padrões, centrando a atividade de ensinar no professor e usando a palavra (transmissão oral) como principal recurso pedagógico. Já a didática de cunho progressivista é entendida como direção da aprendizagem, o aluno é o sujeito deste processo e o professor deve oferecer condições propícias para estimular o interesse dos alunos por esta razão os adeptos desta tendência dizem que o professor não ensina; antes, ajuda o aluno a prender.

Também temos aqui colocado pelo autor as tendências principais desta evolução e suas principais publicações na época. Vimos também que as tendências progressivas só tomaram força nos anos 80, com as denominadas "teorias críticas da educação". O autor lista também as várias divisões destas duas tendências e explica suas diferenças vitais.

A Didática e as tarefas do professor

O modo de fazer docente determina a linha e a qualidade do ensino, traça-se aqui, pelo autor, os principais objetivos da atuação docente:


Assegurar ao aluno domínio duradouro e seguro dos conhecimentos.


Criar condições para o desenvolvimento de capacidades e habilidades visando a autonomia na aprendizagem e independência de pensamento dos alunos.


Orientar as tarefas do ensino para a formação da personalidade.

Estes três itens se integram entre si, pois a aprendizagem é um processo. Depois, o autor levanta os principais pontos do planejamento escolar:

Compressão da relação entre educação escolar e objetivo sócio-políticos.

Domínio do conteúdo e sua relação com a vida prática.

Capacidade de dividir a matéria em módulos ou unidades.

Conhecer as características sócio-culturais e individuais dos alunos.

Domínio de métodos de ensino.

Conhecimento dos programas oficias.

Manter-se bem informado sobre livros e artigos ligados a sua disciplina e fatos relevantes.
Já a direção do ensino e aprendizagem requer outros procedimentos do professor:


Conhecimento das funções didáticas
Compatibilizar princípios gerais com conteúdos e métodos da disciplina
Domínio dos métodos e de recursos tauxiares
Habilidade de expressar idéias com clareza
Tornar os conteúdos reais
Saber formular perguntas e problemas
Conhecimento das habilidades reais dos alunos
Oferecer métodos que valorizem o trabalho intelectual independente
Ter uma linha de conduta de relacionamento com os alunos
Estimular o interesse pelo estudo
Para a avaliação os procedimentos são outros por parte do professor:
Verificação continua dos objetivos alcançados e do rendimento nas atividades
Dominar os meios de avaliação diagnóstica
Conhecer os tipos de provas e de avaliação qualitativa
<!--[if !supportLineBreakNewLine]-->
<!--[endif]-->
Estes requisitos são necessários para o professor poder exercer sua função docente frente aos alunos e institutos em que trabalha. Por isto, o professor, no ato profissional, deve exercitar o pensamento para descobrir constantemente as relações sociais reais que envolvem sua disciplina e a sua inserção nesta sociedade globalizada, desconfiando do normal e olhando sempre por traz das aparências, seja do livro didático ou mesmo de ações pré-estabelecidas.

CAPÍTULO 04 -O Processo de Ensino na Escola


O magistério se caracteriza nas atividades de ensino das matérias escolares criando uma relação recíproca entre a atividade do professor (ensino) e a atividade de estudo dos alunos (aprendizagem). Criar esta unidade entre o ensino-aprendizagem é o papel fundamental dos processos de ensino na escola, pois as relações entre alunos, professores e matérias são dinâmicas.

As características do processo de ensino

Inicia-se analisando as características do ensino tradicional e suas principais limitações pedagógicas: o professor só passa a matéria e o aluno recebe e reproduz mecanicamente o que absorve; é dada uma excessiva importância a matéria do livro sem dar a ele um caráter vivo; o ensino é somente transmitido com dificuldades para detectar o ritmo de cada aluno no aprender; o trabalho docente está restrito às paredes da sala de aula. O autor propõe que entendamos o processo de ensino como visando alcançar resultados tendo com ponto de partida o nível de conhecimentos dos alunos e determinando algumas características como: o ensino é um processo, por isto obedece a uma direção, este processo visa alcançar determinados resultados como domínio de conhecimentos, hábitos, habilidades, atitudes, convicções e desenvolvimento das capacidades cognoscitivas, dando ao ensino este caráter bilateral, combinando as atividades do professor com as do aluno.

Processos didáticos básicos: ensino e aprendizagem

O livro mostra novamente a importância de garantir a unidade didática entre ensino e aprendizagem e propõe que analisemos cada parte deste processo separadamente.

A aprendizagem esta presente em qualquer atividade humana em que possamos aprender algo. A aprendizagem pode ocorrer de duas formas: casual, quando for espontânea ou organizada quando for aprender um conhecimento específico.

Com isto defini-se a aprendizagem escolar como um processo de assimilação de determinados conhecimentos e modos de ação física e mental. Isto significa que podemos aprender conhecimentos sistematizados, hábitos, atitudes e valores. Neste sentido, temos o processo de assimilação ativa que oferece uma percepção, compreensão, reflexão e aplicação que se desenvolve com os meios intelectuais, motivacionais e atitudes do próprio aluno, sob a direção e orientação do professor. Podemos ainda dizer que existem dois níveis de aprendizagem humana: o reflexo e o cognitivo. Isto determina uma interligação nos momentos da assimilação ativa, implicando nas atividades mental e práticas.
O livro coloca a aprendizagem escolar como uma atividade planejada, intencional e dirigida, não sendo em hipótese alguma casual ou espontânea. Com isto, pode pensar que o conhecimento se baseia em dados da realidade.

De início, é importante definir o ensino e o autor coloca-o como o meio fundamental do processo intelectual dos alunos, ou seja, o ensino é a combinação entre a condução do processo de ensino pelo professor e a assimilação ativa do aluno. O ensino tem três funções inseparáveis:
Organizar os conteúdos para transmissão, oferecendo ao aluno relação subjetiva com os mesmos.

Ajuda os alunos nas suas possibilidade de aprender.

Dirigir e controlar atividade do professor para os objetivos da aprendizagem.

Mostra-se também a unidade necessária entre ensino e a aprendizagem, afinal o processo de ensino deve estabelecer apenas exigências e expectativas que os alunos possam cumprir para poder realmente envolvê-los neste processo e mobilizar as suas energias.

Estrutura, componentes e dinâmica do processo de ensino

A estrutura e componentes explica o processo didático como a ação recíproca entre três componentes; os conteúdos, o ensino e a aprendizagem. Já o processo de ensino realizado no trabalho docente é um sistema articulado, formado pelos objetivos, conteúdos, métodos e condições, sendo, como sempre, o professor o responsável por esta condução. Neste quadro, o autor diz que o processo de ensino consiste ao mesmo tempo na condução do estudo e na auto-atividade do aluno, e levanta a contradição deste fato. Deixa clara a dificuldade de execução da tarefa docente e afirma que a Didática contribui justamente para tentar resolver esta contradição entre ensino e aprendizagem, em outras palavras, esta contradição acontece entre o saber sistematizado e o nível de conhecimento esperado. Existem algumas condições para que a contradição se transforme em forca motriz:

1. Dar ao aluno consciência das dificuldades que aparecem no confronto com um conhecimento novo que não conhecem.

2. O volume de atividades, conhecimento e exercícios devem considerar o preparo prévio do aluno.

3. Estas condições devem constar do planejamento.

A estruturação do trabalho docente

O autor reflete sobre este entendimento errôneo de que o trabalho docente na escola é o de "passar" a matéria de acordo, geralmente, com o livro didático. E mostra que a estrutura da aula deve ter um trabalho ativo e conjunto entre professor e aluno, ligado estreitamente com a metodologia específica das matérias, porém, não se identifica com leia. A cinco momentos da metodologia de ensino na sala de aula:


- Orientação inicial dos objetivos de ensino aprendizagem;
- Transmissão /assimilação da matéria nova;
- Consolidação e aprimoramento dos conhecimentos, habilidades e hábitos;
- Aplicação de conhecimentos, habilidades e hábitos;
- Verificação e avaliação dos conhecimentos e habilidades.
<!--[if !supportLineBreakNewLine]-->
<!--[endif]-->
O caráter educativo do processo de ensino e o ensino crítico

Este caráter educativo do processo de ensino está intimamente ligado com o ensino crítico, dando a ele uma característica mais ampla, determinada social e pedagogicamente. Este ensino é critico por estar engajamento social, político e pedagogicamente, determinando uma postura frente às relações sociais vigentes e à prática social real.
CAPÍTULO 05 - O Processo de Ensino e o Estudo Ativo


Neste capítulo, entende-se melhor a relação entre o processo de ensino (falado no capítulo anterior) e o estudo ativo, este definido aqui como uma atividade cujo fim direto e específico é favorecer a aprendizagem ativa. Nesta medida, o capítulo discutirá também como o professor pode dirigir, estimular e orientar as condições internas e externas do ensino.

O estudo ativo e o ensino

É necessário ter presente que os conteúdos representam o elemento em torno do qual se realiza a atividade de estudo. O estudo ativo é por conseqüência uma postura do aluno e do professor frente ao conteúdo, pois as atividades deste estudo ativo se baseiam nas atividades do aluno de observação e compreensão de fatos ligados a matéria, da atenção na explicação do professor, favorecendo o desenvolvimento das capacidades cogniscitivas do aluno. Não existe ensino ativo sem o trabalho docente.

A atividade de estudo e o desenvolvimento intelectual

Neste subtítulo, o autor declara algo muito importante e já dito em outros momentos humanos "O objetivo da escola e do professor é formar pessoas inteligentes..."

Neste aspecto, o professor deve se satisfazer se o aluno compreende a matéria e tem possibilidade de pensar de forma independente e criativa sobre ela. Levanta dificuldades do trabalho docente para estimular aos alunos, principalmente porque o professor usa um estilo convencional de aula, igual para todas as matérias, com falta de entusiasmo e sem adequação com o mundo prático e real do aluno.

Porém, estas dificuldades podem ser superadas com um domínio maior do conteúdo por parte do professor, eleger mais do que um livro de referência, estar atualizado com as notícias, conhecer melhor as características dos seus alunos, dominar técnicas, didáticas e metodologias. Com isto, cada tarefa didática será uma tarefa de pensamento para o aluno.

Algumas formas de estudo ativo

O estudo ativo envolve inúmeros procedimentos para despertar no aluno hábitos, habilidades de caráter permanente. Para isto temos várias tarefas e exercícios específicos para este fim, listados aqui como pelo autor:

Exercícios de reprodução - testes rápidos para verificar assimilação e domínio de habilidades.

Tarefa de preparação para o estudo - Diálogo estabelecido entre o professor/aluno, aluno/aluno e observa e revisão de matérias anteriores.

Tarefas de fases de assimilação de matérias - Atividades que favoreçam o confronto entre os conhecimentos sistematizados e a realidade dos alunos.

Tarefas na fase de consolidação e aplicação - compõem-se de exercícios e revisão de fixação.

Fatores que influenciam no estudo ativo

Há vários fatores que influenciam no ato de estudar e aprender, entre estes fatores destacam-se alguns que influenciam de sobremaneira no estudo ativo.

1. O incentivo ao estudo - conjunto de estímulos que estimulam no aluno sua motivação para aprender.

2. As condições de aprendizagem - para oferecermos condições mínimas de aprendizagem, temos que conhecer muito bem as condições sócio-culturais dos alunos.

3. A influência do professor e do ambiente escolar - certamente o professor e o meio exercem uma influencia muito forte no aluno.

O autor reitera aqui também a necessidade de uma sólida assimilação de conhecimentos para ocorrer uma verdadeira aprendizagem.
CAPÍTULO 06 - Os Objetivos e Conteúdos de Ensino

Neste capítulo, o autor aborda a relação entre s componentes do processo de ensino, determina a unidade entre objetivos-conteúdos e destes com os métodos.

Os objetivos determinam de antemão os resultados esperados do processo entre o professor e aluno, determinam também a gama de habilidades e hábitos a serem adquiridos. Já os conteúdos formam a base da instrução. O método por sua vez é a forma com que estes objetivos e conteúdos serão ministrados na prática ao aluno.

A importância dos objetivos educacionais


A prática educacional baseia-se nos objetivos por meio de uma ação intencional e sistemática para oferecer aprendizagem. Desta forma os objetivos são fundamentais para determinação de propósitos definidos e explícitos quanto às qualidades humanas que precisam ser adquiridas. Os objetivos têm pelo menos três referências fundamentais para a sua formulação.

Os valores e idéias ditos na legislação educacional.

Os conteúdos básicos das ciências, produzidos na história da humanidade.

As necessidades e expectativas da maioria da sociedade.

Ë importante destacar que estas três referências não devem ser tomadas separadamente, pois devem se apresentar juntos no ambiente escolar. Devemos ter claro que o trabalho docente é uma atividade que envolve opções sobre nosso conceito de sociedade, pois isto vai determinar a relação com os alunos. Isto prova que sempre conscientemente ou não, temos ou traçamos objetivos.

Objetivos gerais e objetivos específicos

Os objetivos são o marco inicial do processo pedagógico e social, segundo Libâneo. Os objetivos gerais explicam-se a partir de três níveis de abrangência. O primeiro nível é o sistema escolar que determina as finalidades educativas de acordo com a sociedade em que está inserido; o segundo é determinado pela escola que estabelece as diretrizes e princípios do trabalho escolar; o terceiro nível é o professor que concretiza tudo isto em ações práticas na sala de aula.

Alguns objetivos educacionais podem auxiliar os professores a determinar seus objetivos específicos e conteúdos de ensino. Entre estes objetivos educacionais destacam-se: a) colocar a educação no conjunto de lutas pela democratização da sociedade; b) oferecer a todos as crianças, sem nenhum tipo de discriminação cultural, racial ou política, uma preparação cultural e científica a partir do ensino das materiais; c) assegurar a estas crianças o desenvolvimento máximo de suas potencialidades; d) formar nos alunos a capacidade crítica e criativa em relação a matérias e sua aplicação; e) formar convicções para a vida futura; f) institucionalizar os processos de participação envolvendo todas as partes formadoras da realidade escolar.

Os conteúdos de Ensino

Desde o início do livro, o autor vem reiterando a idéia que as escolas têm, como tarefa fundamental, a democratização dos conhecimentos, garantindo uma base cultural para jovens e crianças. Sob este aspecto, muitos professores fazem a idéia que os conteúdos são o conhecimento corresponde a cada matéria, ou mesmo, que são a matéria do livro didático. O autor fala que esta visão não é complemente errada, pois há sempre três elementos no ensino: matéria, professor e o aluno. Neste aspecto, devemos estudar o ensino dos conteúdos como uma ação recíproca entre a matéria, o ensino e o estudo dos alunos. Por isto é muito importante que os conteúdos tenham em si momentos de vivências práticas para dar significado aos mesmos.

Definindo os conteúdos, eles são o conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, modos valorativos e atitudes, organizados pedagógica e didaticamente, buscando a assimilação ativa e aplicação prática na vida dos alunos.

Agora uma questão importante, apresentada no livro, é a de quem deve escolher os conteúdos de ensino? Certamente, deve-se considerar que cabe ao professor, em última instancia, esta tarefa. Nesta tarefa o professor enfrenta pelo menos dois questionamentos fundamentais: Que conteúdos e que métodos?

Para responder a primeira pergunta, o autor diz que há três fontes para o professor selecionar os seus conteúdos do plano de ensino, a primeira é a programação oficial para cada disciplina; a segunda, conteúdos básicos das ciências transformados em matérias de estudo; a terceira, exigências teóricas práticas colocadas na vida dos alunos e sua inserção social. Porém, a escolha do conteúdo vai além destas três exigências, para entendermos, tem-se que observá-las em outros sentidos. Um destes sentidos é a participação na prática social; outro sentido fundamental é a prática da vida cotidiano dos alunos, da família, do trabalho, do meio cultural, fornecendo fatos a serem conectados ao estudo das matérias. O terceiro destes sentidos refere-se à própria condição de rendimento escolar dos alunos.

Nesta visão, há uma dimensão crítico-social dos conteúdos, e esta se manifesta no tratamento científico dado ao conteúdo, no seu caráter histórico, na intenção de vínculo dos conteúdos com a realidade da vida dos alunos. Em síntese, esta dimensão crítica-social dos conteúdos nada mais é do que uma metodologia de estudo e interpretação dos objetivos do ensino.
Na atual sociedade, apesar do que foi visto anteriormente, tem-se conteúdos diferentes para diversas esferas e classes sociais, estas diferenças ratificam os privilégios existentes na divisão de classes já estabelecida pelo sistema capitalista. Neste sentido, os livros didáticos oferecidos no ensino das disciplinas, além de sistematizar e difundir conhecimentos, servem também para encobrir estas diferenças, ou mesmo, escamotear fatos da realidade para evitar contradições com sua orientação sócio-cultural-política. Com isto, o professor deve sempre analisar os textos e livros que vai usar com os alunos, no sentido de oferecer um ensino igualitário que possa olhar criticamente estas máscaras da sociedade.

Conhecer o conteúdo da matéria e ter uma sensibilidade crítica pode facilitar esta tarefa por parte do professor.

Critérios de seleção

Aqui, o autor propõe uma forma mais didática de resolver esta difícil tarefa de selecionar os conteúdos a serem ministrados em sala de aula. Abaixo, coloca-se esta forma ordenada de elaborar os conteúdos de ensino:

Correspondência entre os objetivos gerais e os conteúdos.

Caráter científico.
Caráter sistemático.
Relevância social.
Acessibilidade e solidez.

CAPÍTULO 07 - Os Métodos de Ensino

Como já se viu anteriormente, os métodos são determinados pela relação objetivo-conteúdo, sendo os meios para alcançar objetivos gerais e específicos de ensino. Tem-se, assim, que as características dos métodos de ensino: estão orientados para os objetivos, implicam numa sucessão planejada de ações, requerem a utilização de meios.


Conceito de métodos de ensino

Um conceito simples de método é ser o caminho para atingir um objetivo. São métodos adequados para realizar os objetivos. É importante entender que cada ramo do conhecimento desenvolve seus próprios métodos, observa-se então métodos matemáticos, sociológicos, pedagógicos, entre outros. Já ao professor em sala de aula cabe estimular e dirigir o processo de ensino utilizando um conjunto de ações, passos e procedimentos que chamamos também de método. Agora não se pode pensar em método como apenas um conjunto de procedimentos, este é apenas um detalhe do método. Portanto, o método corresponde à seqüência de atividades do professor e do aluno.

A relação objetivo-conteúdo-método

Um entendimento global sobre esta relação é que os métodos não têm vida sem os objetivos e conteúdos, dessa forma a assimilação dos conteúdos depende dos métodos de ensino e aprendizagem. Com isto, a maior característica deste processo é a interdependência, onde o conteúdo determina o método por ser a base informativa dos objetivos, porém, o método também pode ser conteúdo quando for objeto da assimilação.

O que realmente importa é que esta relação de unidade entre objetivo-conteúdo-método constitua a base do processo didático.

Os princípios básicos do ensino

Estes princípios são os aspectos gerais do processo de ensino que fundamentam teoricamente a orientação do trabalho docente. Estes princípios também e fundamentalmente indicam e orientam a atividade do professor rumo aos objetivos gerais e específicos. Estes princípios básicos de ensino são:

Ter caráter científico e sistemático - O professor deve buscar a explicação científica do conteúdo; orientar o estudo independente, utilizando métodos científicos; certificar-se da consolidação da matéria anterior antes de introduzir as matérias novas; organizar a seqüência entre conceitos e habilidades; ter unidade entre objetivos-conteúdos-métodos; organizar a aula integrando seu conteúdo com as demais matérias; favorecer a formação, atitudes e convicções.


Ser compreensível e possível de ser assimilado - Na prática, para se entender estes conceitos, deve-se: dosar o grau de dificuldade no processo de ensino; fazer um diagnóstico periódico; analisar a correspondência entre o nível de conhecimento e a capacidade dos alunos; proporcionar o aprimoramento e a atualização constante do professor.

Assegurar a relação conhecimento-prática - Para oferecermos isto aos alunos deve-se: estabelecer vínculos entre os conteúdos e experiências e problemas da vida prática; pedir para os alunos sempre fundamentarem aquilo que realizam na prática; mostrar a relação dos conhecimentos com o de outras gerações.

Assentar-se na unidade ensino-aprendizagem - ou seja, na prática: esclarecer os alunos sobre os objetivos das aulas, a importância dos conhecimentos para a seqüência do estudo; provocar a explicitação da contradição entre idéias e experiências; oferecer condições didáticas para o aluno aprender independentemente; estimular o aluno a defender seus pontos de vista e conviver com o diferente; propor tarefas que exercitem o pensamento e soluções criativas; criar situações didáticas que ofereçam aplicar conteúdos em situações novas; aplicar os métodos de soluções de problemas.


Garantir a solidez dos conhecimentos

Levantar vínculos para o trabalho coletivo-particularidades individuais, deve-se adotar as seguintes medidas para isto acontecer: explicar com clareza os objetivos; desenvolver um ritmo de trabalho que seja possível da turma acompanhar; prevenir a influência de particularidades desfavoráveis ao trabalho do professor; respeitar e saber diferenciar cada aluno e seus ritmos específicos.

Classificação dos métodos de ensino

Sabe-se que existem vários tipos de classificação de métodos, seguindo determinados autores, no nosso estudo, o autor define os métodos de ensino como estando intimamente ligados com os métodos de aprendizagem, sob este ponto de vista o eixo do processo é a relação cognoscitiva entre o aluno e professor. Pode-se diferenciar estes métodos segundo suas direções, podendo ser externo e interno. A partir disto, o autor lista todos os métodos mais conhecidos de atividade em sala de aula por parte do professor.

Método de exposição pelo professor - Este método é o mais usado na escola, onde o aluno assume uma posição passiva perante a matéria explanada. Ele pode ser de vários tipos de exposição: verbal, demonstração, ilustração, exemplificação.

Método de trabalho independente - consiste em tarefas dirigidas e orientadas pelo professor para os alunos resolverem de maneira independente e criativa. Este método tem, na atitude mental do aluno, seu ponto forte.Tem também a possibilidade de apresentar fases com a tarefa preparatória, tarefa de assimilação de conteúdos, tarefa de elaborarão pessoal. Uma das formas mais conhecidas de trabalho independente é o estudo dirigido individual ou em duplas.

Método de elaboração conjunta - é um método de interação entre o professor e o aluno visando obter novos conhecimentos.

Método de trabalho de grupo - consiste em distribuir tarefas iguais ou não a grupos de estudantes, o autor cita de três a cinco pessoas. Têm-se também formas específicas de trabalhos de grupos comuns: debate, Philips 66, tempestade mental, grupo de verbalização, grupo de observação (GV-GO), seminário.

Atividades especiais - são aquelas que complementam os métodos de ensino.

Meios de ensino

São todos os meios e recursos materiais utilizados pelo professor ou alunos para organizar e conduzir o ensino e a aprendizagem. Os equipamentos usados em sala de aula (do quadro-negro até o computador) são meios de ensino gerais possíveis de serem usados em todas as matérias. É importante que os professores saibam e dominem estes equipamentos para poderem usá-los em sala de aula com eficácia.


CAPÍTULO 08 - A Aula como Forma de Organização do Ensino

A aula é a forma predominante de organização do processo de ensino. Neste capítulo, o professor Libâneo explica o conjunto de meios e condições necessárias para realizarmos um conjunto de aulas, estruturando sua relação entre tipos de aulas e métodos de ensino.

Características gerais da aula

Abaixo, o autor determina algumas exigências a serem seguidas nas aulas:

Ampliação do nível cultural e científico dos alunos.
Seleção e organização das atividades para prover um ensino criativo e independente.
Empenho na formação dos métodos e hábitos de estudo.
Formação de hábitos, atitudes e convicções ligadas à vida prática dos alunos.
Valorização da sala de aula como meio educativo.
Formação do espírito de coletividade, solidariedade e ajuda mútua sem esquecer o individual.

Estruturação didática da aula

A estruturação da aula deve ser indicada por etapas, planejadas e organizadas para favorecer o ensino e aprendizagem. Portanto, é importante no planejamento da aula que este processo seja criativo e flexível por parte do professor. Estes passos ou etapas didáticas da aula são os seguintes:

Preparação e introdução da matéria - visa criar as condições de estudo, motivacionais e de atenção.

Tratamento didático da matéria nova - se os passos do ensino não são mais que funções didáticas, este tratamento já esta sendo feito. Tem-se que entender que a assimilação da matéria nova é um processo de interligação entre percepção ativa, compreensão e reflexão, sendo o processo de transmissão-assimilação a base metodológica para o tratamento didático da matéria nova.

Consolidação e aprimoramento dos conhecimentos e habilidades - este é um importante momento de ensino e muitas vezes menosprezado ou diminuído na escola. A consolidação pode acontecer em qualquer etapa do processo didático, podendo ser reprodutiva, de generalização e criativa.

A aplicação - esta fase é a culminância do processo de ensino. Seu objetivo é estabelecer vínculos entre os conhecimentos e a vida.

Controle e avaliação dos resultados escolares - esta função percorre todas as etapas de ensino, cumprindo três funções: a pedagógica, diagnóstica e de controle. A integração destas funções dá à avaliação um caráter mais geral e não isolado.

Tipos de aulas e métodos de ensino

Neste estudo, o autor coloca que, na concepção de ensino, as tarefas docentes visam a organização e assimilação ativa. Isto significa que as aulas podem ser preparadas em correspondência com os passos do processo de ensino. Neste sentido, pode-se ter aulas de preparação e introdução, início de uma unidade, aula de tratamento sistematizado da matéria nova, consolidação, verificação da aprendizagem. Conforme o tipo de aula escolhe-se o método de ensino.

A tarefa de casa

Esta tarefa é um importante complemento das atividades didáticas de sala de aula. O autor considera que esta tarefa cumpre também uma função social integrando a família às atividades escolares, integrando os pais aos professores. Estas tarefas não devem ser apenas exercícios, devem ser também preparatórias ou de aprofundamento da matéria.

CAPÍTULO 09 - A Avaliação Escolar

A avaliação escolar é abordada em minúcias neste capitulo pelo autor. A avaliação é em última análise uma reflexão do nível qualitativo do trabalho escolar do professor e do aluno. Sabe-se também que ela é complexa e não envolve apenas testes e provas para determinar uma nota.

Uma definição de avaliação escolar

Segundo o professor Cipriano C. Luckesi, a avaliação é uma análise quantitativa dos dados relevantes do processo de ensino aprendizagem que auxilia o professor na tomada de decisões. Os dados relevantes aqui se referem às ações didáticas. Com isto, nos diversos momentos de ensino a avaliação tem como tarefa: a verificação, a qualificação e a apreciação qualitativa. Ela também cumpre pelo menos três funções no processo de ensino: a função pedagógica didática, a função de diagnóstico e a função de controle.

Avaliação na prática escolar

Lamentavelmente a avaliação na escola vem sido resumida a dar e tirar ponto, sendo apenas uma função de controle, dando a ela um caráter quantitativo. Certamente, com isto, os professores não conseguem efetivamente usar os procedimentos de avaliar. Com estas ações, quando a avaliação se resume a provas, professores com critérios onde décimos às vezes reprovam alunos, há a exclusão do professor do seu papel docente, que é de fornecer os meios pedagógico-didáticos para os alunos aprenderem sem intimidação.

Características da avaliação escolar

Agora, o autor sintetiza as principais características da avaliação escolar.
Reflete a unidade objetivos-conteúdos-métodos.
Possibilita a revisão do plano de ensino.
Ajuda a desenvolver capacidades e habilidades.
Volta-se para a atividade dos alunos.
Ser objetiva.
Ajuda na auto-percepção do professor.
Reflete valores e expectativas do professor em relação aos alunos.

Esta frase marca este subtítulo "A avaliação é um ato pedagógico". (Libâneo, 1994, p.203).

Instrumentos de verificação do rendimento escolar

Uma das funções da avaliação é com certeza a de determinar em que nível de qualidade está sendo atendido os objetivos; para este fim, são necessários instrumentos e procedimentos. Alguns destes procedimentos ou instrumentos já são conhecidos, mas, neste subtítulo, o autor revisa e cita muitos deles ou os mais usados para verificar o rendimento escolar:

Prova escrita dissertativa.
Prova escrita de questões objetivas.
Questões certo-errado (C ou E).
Questões de lacunas (para completar).
Questões de correspondência.
Questões de múltipla escolha.
Questões do tipo "teste de respostas curtas" ou de evocação simples.
Questões de interpretação de texto.
Questões de ordenação.
Questões de identificação.

Procedimentos auxiliares de avaliação


11.1 A Observação;

A Entrevista;

Ficha sintética de dados dos alunos.

Atribuição de notas ou conceitos

As notas demonstram de forma abreviada os resultados do processo de avaliação. Esta avaliação tem também uma função de controle, expressando o resultado em notas e conceitos. O autor fala também da importância de se valorizar todas as formas de avaliação, ou instrumentos, e não apenas a prova no fim do bimestre como grande nota absoluta, que não valoriza o processo. Propõe uma escala de pontos ensinando como utilizar médias aritméticas para pesos diferentes, por fim, mostra como se deve aproximar notas decimais.

CAPÍTULO 10 - O Planejamento Escolar

O autor começa este capítulo dizendo que o planejamento, ensino e a avaliação são atividades que devem supor conhecimento do processo de ensino e aprendizagem.
O planejamento escolar propõe uma tarefa ao professor de previsão e revisão do processo de ensino completamente. Há três modalidades de planejamento:

o plano da escola, o plano de ensino e o plano de aulas.

Importância do planejamento escolar

O planejamento do trabalho docente é um processo de racionalização, organização e coordenação da ação do professor, tendo as seguintes funções: explicar princípios, diretrizes e procedimentos do trabalho; expressar os vínculos entre o posicionamento filosófico, político, pedagógico e profissional das ações do professor; assegurar a racionalização, organização e coordenação do trabalho; prever objetivos, conteúdos e métodos; assegurar a unidade e a coerência do trabalho docente; atualizar constantemente o conteúdo do plano; facilitar a preparação das aulas.

Tem-se que entender o plano como um guia de orientação devendo este possuir uma ordem seqüencial, objetividade e coerência entre os objetivos gerais e específicos, sendo também flexível.

Requisitos para o planejamento

Os principais requisitos para o planejamento são os objetivos e tarefas da escola democrática; as exigências dos planos e programas oficiais; as condições prévias dos alunos para a aprendizagem; e as condições do processo de transmissão e assimilação ativa dos conteúdos.

O plano da escola

O plano de escola é um plano pedagógico e administrativo que serve como guia de orientação para o planejamento e trabalho docente. O autor descreve os passos para a realização de um plano da escola, as principais premissas e perguntas que devemos formular para sua elaboração são: posicionamento da educação escolar na sociedade; bases teórico-metodológicas da organização didática e administrativa; características econômicas, social, política e cultural do contexto em que a escola está inserida; características sócio-culturais dos alunos; diretrizes gerais sobre sistema de matérias, critério de seleção de objetivos e conteúdos; diretrizes metodológicas, sistemáticas de avaliação; diretrizes de organização e administração.

O plano de ensino


O autor afirma o plano de ensino como o roteiro detalhado das unidades didáticas. Podemos chamar também de plano de curso ou plano e unidades didáticas.
<!--[if !supportLineBreakNewLine]-->
<!--[endif]-->
Este plano de ensino é formado das seguintes componentes:

Justificativa das disciplinas;
Delimitação dos conteúdos;
Os objetivos gerais;
Os objetivos específicos;
Desenvolvimento metodológico;
Conteúdos;
Tempo provável;

Desenvolvimento metodológico.

O plano de aula

O plano de aula é certamente um detalhamento do plano de ensino, é uma especificação do mesmo. O detalhamento da aula é fundamental para obtermos uma qualidade no ensino, sendo assim o plano de aula torna-se indispensável. Em primeiro lugar, deve-se considerar que a aula é um período de tempo variável, sendo assim, as unidades devem ser distribuídas sabendo-se que às vezes é preciso bem mais do que uma aula para finalizar uma unidade ou fase de ensino. Nesta preparação, o professor deve reler os objetivos gerais das matérias e a seqüência dos conteúdos; desdobrar as unidades a serem desenvolvidas; redigir objetivos específicos por cada tópico; desenvolver a metodologia por assunto; avaliar sempre a própria aula.
CAPÍTULO 11 - Relações Professor-Aluno na Sala de Aula

Um fator fundamental do trabalho docente trata da relação entre o aluno e o professor, da forma de se comunicar, se relacionar afetivamente, as dinâmicas e observações são fundamentais para a organização e motivação do trabalho docente. O autor chama isto de "situação didática" para alcançarmos com sucesso os objetivos do processo de ensino.

Aspectos cognoscitivos da interação

O autor define como cognoscitivo o processo ou movimentos que transcorre no ato de ensinar e no ato de aprender. Sob este ponto de vista, o trabalho do professor é um constante vai e vem entre as tarefas cognoscitivas e o nível dos alunos. Para se ter um bom resultado de interação nos aspectos cognoscitivo deve-se: manejar os recursos de linguagem; conhecer o nível dos alunos; ter um bom plano de aula; objetivos claros; e claro, é indispensável o uso correto da língua Portuguesa.

Aspectos sócio-emocionais

Estes aspectos são os vínculos afetivos entre o professor e os alunos. É preciso aprender a combinar a severidade e o respeito. Deve-se entender que neste processo pedagógico a autoridade e a autonomia devem conviver juntas, a autoridade do professor e a autonomia do aluno, não de forma contraditória comum pode parecer mais de forma complementar.

A disciplina na classe

Uma das grandes dificuldades em sala de aula é a chamado "controle da disciplina".

Não existe uma fórmula mágica para esta tarefa, mas o autor coloca que a disciplina na classe está tão diretamente ligada à prática docente, quanto à autoridade profissional, moral e técnica do professor. Este conjunto de características é que vai determinar a disciplina na classe.

Modernismo - A obra de Carlos Drummond de Andrade

Posted by Profº Monteiro on março 04, 2014

Folha de S. Paulo | Antonieta Cunha, Mestre em Educação e doutora em Letras



Carlos Drummond de Andrade é considerado um dos maiores representantes da literatura brasileira do século XX.
 

A estréia de Carlos Drummond de

Andrade foi em 1930 com a obra

Alguma Poesia



Sua estréia oficial deu-se em 1930, com Quando Drummond começou a publicar poemas, na década de 20, o Brasil estava passando ainda pela fase inicial do abalo modernista, apesar de datarem dos anos de 1890 as tentativas dos simbolistas de atualizar a sensibilidade nacional. Gestos de renovação artística e literária já eram perceptíveis no fim dos anos 10 (despontavam Anita Malfatti, Villa-Lobos, Manuel Bandeira, Mário de Andrade), mas eram gestos isolados, que só ganhariam momentum na Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, em 1922. A partir daí, o movimento se alastrou por grande parte do país, como testemunham as revistas que se publicaram e os grupos que se formaram um pouco por toda a parte. A esses "anos heróicos", de implantação polêmica de novas atitudes culturais, sucedeu um período de consolidação e diversificação, em meio a agitado contexto social.
Alguma poesia. Com esta obra, Drummond inaugura a segunda fase do Modernismo. Escreveu também prosa que se caracteriza pela riqueza e expressividade da linguagem e do tema, impregnados de senso de humor. Atribuem-se essas qualidades, igualmente, à sua obra poética. Segundo Bosi, Drummond possui uma percepção precisa do hiato entre as convenções e a realidade, entre o parecer e o ser das coisas e dos indivíduos, o que se transforma em objeto privilegiado do humor, seu traço principal. O conjunto de sua obra poética é complexo e vasto, do qual, pela freqüência, é possível destacar certas características e tendências

Sua carreira poética pode ser dividida em quatro fases. Cada uma delas é composta por obras que nos permitem acompanhar a evolução de seus temas e sua visão de mundo.

1ª fase: Eu maior que o mundo — marcada pela poesia irônica. Esta fase (a fase gauche) tem como características o pessimismo, o isolamento, o individualismo e a reflexão existencial. Nota-se nesta fase um desencanto em relação ao mundo. Nesta fase, sem se deixar envolver, o poeta mantém um certo distanciamento do mundo à sua volta, o que lhe possibilita brincar e soltar a razão, deixando-a entregue a si mesma, maquinando incertezas e certezas, mais afeitas a negar e anular que a construir. Daí os temas do cotidiano, da família, do isolamento, da monotonia entendiante das coisas e do viver, expressos numa linguagem coloquial plena de ironia seca, sarcasmo e humor desencantado, onde sentimento e emoção são refreados.

Obras características dessa fase: Alguma poesia, Brejo das almas e Sentimento do mundo, obra já considerada de transição para a fase social.

2ª fase: Eu menor que o mundo — marcada pela poesia social. Esta fase, chamada fase social, é marcada pela vontade do poeta de participar e tentar transformar o mundo, o pessimismo e o isolamento da 1ª fase é posto de lado. O poeta se solidariza com os problemas do mundo. Nesta fase, sem se distanciar, deixa-se envolver pela realidade à sua volta e canta a impotência e a solidão em um mundo mecânico, frio e político; a decepção e a falta de perspectiva diante da fragmentação causada pela guerra; o sofrimento e a solidariedade do ser humano brasileiro e universal. Temas estes abordados em tons ora esperançosos, ora desesperançosos, com a mesma ironia, humor e sobriedade.

Obras características dessa fase: José (1942) e Rosa do Povo (1945).

3ª fase: Eu igual ao mundo — abrange a poesia metafísica e a objectual.

Poesia metafísica. Afastando-se da ótica sociológico-realista e da representação social-concreta, o poeta volta-se para um simbolismo abstrato. Seu lirismo filosófico reveste-se de um “classicismo moderno”, em que o poeta concentra-se na escavação do real, mediante um processo de interrogações e negações que acabam revelando o vazio existencial. O mundo apresenta-se como “um vácuo atormentado”, abolindo toda a crença e negando toda a esperança possível.

Obras características dessa fase: Novos poemas, Claro enigma, Fazendeiro do ar e A vida passada a limpo.

Poesia objetual. Representando uma ruptura em relação à fase anterior, o poeta abandona a forma fixa, utilizando o verso que tem apenas a medida e o impulso determinados pela coisa poética a exprimir. Essa atitude lúdica, a opção concreto-formalista que o poeta agora realiza é uma radicalização de processos estruturais que sempre marcaram seu modo de escrever: a preferência pelo prosaico, pelo irônico, pelo anti-retórico, pelo antilirismo intencional, acrescido agora de uma exploração dos elementos materiais da palavra (a letra impressa, o som, a disposição espacial).

Obra característica dessa fase: Lição de coisas.

A fase final. Em suas últimas produções, o lirismo de Drummond não assume uma tendência definida ou unidirecional. O poeta reelabora alguns temas e formas dos primeiros livros, mas também acrescenta algumas vertentes novas: a poesia de circunstância e o erotismo. Como o próprio nome já diz, as obras desta fase (década de 70 e 80), são cheias de recordações do poeta. Os temas infância e família são retomados e aprofundados além dos temas universais já discutidos anteriormente.

Obras características dessa fase: Boitempo, A falta que ama, Menino antigo, Esquecer para lembrar, A paixão medida, Corpo, Amar se aprende amando, Amor natural.

Sua obra, elaborada ao longo de mais de seis décadas, compreende, como já visto, poesia e prosa. Apesar das qualidades e da quantidade da prosa (17 livros de crônicas e contos, fora o que ficou nos jornais), o núcleo de sua produção é a poesia. Drummond também escreveu contos e crônicas: Contos de Aprendiz, Passeios na Ilha, Cadeira de balanço, Os dias lindos.

Temas típicos da poesia de Drummond

- O Indivíduo: "um eu todo retorcido". O eu lírico na poesia de Drummond é complicado, torturado, estilhaçado. Vale ressaltar que o próprio autor já se definia no primeiro poema de seu primeiro livro (Alguma Poesia) como um gauche, ou seja, alguém desajeitado, deslocado, tímido, posição que marca presença em toda sua obra.
- A Terra Natal: a relação com o lugar de origem, que o indivíduo deixa para se formar.
- A Família: o indivíduo interroga, sem alegria e sem sentimentalismo, a estranha realidade familiar, a família que existe nele próprio.
- Os Amigos: "cantar de amigos" (título que parafraseia com as Cantigas de Amigo). Homenagens a figuras que o poeta admira, próximas ou distantes, de Mário de Andrade a Manuel Bandeira, de Machado de Assis a Charles Chaplin.
- O Choque Social: o espaço social onde se expressa o indivíduo e as suas limitações face aos outros.
- O Amor: nada romântico ou sentimental, o amor em Drummond é uma amarga forma de conhecimento dos outros e de si próprio
- A Poesia: o fazer poético aparece como reflexão ao longo da sua poesia.
- Exercícios lúdicos, ou poemas-piada: jogos com palavras, por vezes de aparente inocência naïf.
- A Existência: a questão de estar-no-mundo.

Pré-Modernismo - A obra de Lima barreto

Posted by Profº Monteiro on março 04, 2014

retirado Equipe Passeiweb


Lima Barreto foi incansável crítico no que diz respeito ao processo de modernização do Brasil, ocorrido na virada do século XIX. Foi um inovador da literatura brasileira, com sua forma de escrever, e mesmo com os temas que aborda, uma vez que toda sua obra volta-se para uma crítica feroz à sociedade em geral, trazendo à tona o quotidiano do preconceito e marginalização social e racial. Lima Barreto pertence a uma geração de escritores preocupados com as questões sociais, que via na literatura uma forma de denunciar toda a hipocrisia reinante. Acreditava, pois, na literatura militante, uma vez que dava a ela o poder de “comunicar umas almas com as outras”, não podendo ainda esquecer que sua produção literária se encontrava no contexto das relações sociais vivas.
Nas primeiras décadas de 1900, as tendências críticas eram um reflexo das idéias positivistas/deterministas e cientificistas que dominaram o século anterior. A literatura não era vista somente como manifestação estética. Críticos e parnasianos incomodavam-se pois que Lima Barreto não usava um português casto, empregava a linguagem coloquial, tinha um estilo despojado. Seus personagens não seguiam o modelo vigente que impunha limites à criação e exaltava certas características psicológicas.

Opondo-se à linguagem acadêmica, ao retoricismo, ao beletrismo, à "arte pela arte", à "arte-evasão", Lima Barreto colocou-se contra a "moda" da "belle époque": o verbo encatatório e rebuscado de Coelho Neto, a solenidade de Rui Barbosa, o esteticismo estéril dos parnasianos e o purismo e elegância "britânica" de Machado de Assis.

Usou uma linguagem jornalística e até panfletária, mais interessado na enunciação e no conteúdo. Foi acusado de incorreção e mau-gosto; apontaram em seus livros freqüentes vícios de linguagem (solecismos, cacófatos, repetições). Contudo, essa língua gramaticalmente irregular reflete a própria dissonância espiritual de Lima Barreto com o estilo corrente da época. São "eroos" propositais, que não impedem o uso abrangente da linguagem para a comunicação militante de sua arte e nem elidem a habilidade de manipulação das palavras para a obtenção dos efeitos estéticos ou funcionais que a natureza dos textos exigisse.

Embora conhecesse os autores europeus da moda, Lima Barreto fugiu da influência francesa, preferindo aproximar-se dos autores russos como Tolstói, Turqueniev, e especialmente Dostoiévsky, cujo realismo tenso seguiu algumas vezes de perto e a quem alude ferqüentemente em Cemitério dos Vivos, livro que pretendia, como Recordações da Casa dos Mortos, do autor russo, caracterizar o ambiente nos hospícios, que conheceu nas duas vezes em que foi internado, em 1914 e 1919.

A obra de Lima Barreto, de temática social, beneficiou os pobres, os boêmios e os arruinados. Os problemas pessoais e as injustiças foram transportados para os seus livros. Ele sim, foi um crítico, o mais agudo da Velha República que, a seu ver, mantinha certos privilégios; e tentou também romper com o nacionalismo ufanista que imperava no Brasil.

A literatura produzida por Lima Barreto é fruto das condições sociais vigentes, dos conflitos; origina-se em meio às tensões sociais, nas quais estão impressas muitas realidades vividas, os sofrimentos, as alegrias. Lima Barreto, talvez por se sentir tão oprimido no seu quotidiano, via na literatura o espaço no qual podia se colocar por inteiro, não se preocupando com os padrões estéticos até então consagrados. Ele atribuía à literatura um poder muito especial, o poder de “comunicar umas almas com as outras”, ou seja, na literatura não havia espaço para meias verdades, para a hipocrisia; queria sim, desmascarar todas as contradições sociais, procurando traçar um perfil crítico do seu tempo.

Lima Barreto não queria destruir a sociedade a que ele pertencia, tão mesquinha e sofredora, mas ao contrário, queria transformá-la, mudá-la para uma
sociedade mais justa e humanitária. Acreditava que a literatura tinha o poder de transformação e sempre produziu um literatura social, o que ele dizia ser uma “literatura militante”.

A obra de Lima Barreto contribuiu para registrar a experiência de vários sujeitos sociais, com um passado impregnado de signos singulares, sendo
testemunho do modo de vida de pessoas comuns, trabalhadores com funções marginais, homens e mulheres portadores de experiências realizadas em tempos e
espaços diferenciados. Os anseios e as transformações sociais vividas contribuíram para o surgimento de um novo modo de viver, segundo o qual ninguém deveria estar totalmente excluído e submisso ao outro, em que, apesar da opressão vivida quotidianamente, ainda existia a possibilidade – ou talvez – de que dias melhores estavam por chegar.


A casa onde Lima Barreto morou dos 9 aos 21 anos
É freqüente a comparação entre Lima Barreto e Machado de Assis: ambos eram mulatos, nenhum dos dois completou sua educação escolar, tiveram trajetória pessoal semelhante, foram dontes (Machado, epilético; Lima Barreto, alcoólatra); tiveram ambos predileção ao problema da hipocrisia e das falsas apar~encias e escolheram o romance, a prosa de ficção para exprimir a si mesmos. Mas, na vida, estiveram situados em extremos opostos: Machado foi respeitado e aplaudido pelo "stablishment", conheceu a estabilidade econômica e a "imortalidade" ainda em vida; Lima Barreto jamais se libertou da discriminação e da penúria, visto por muitos como um "neurótico alcoólatra" que investia contra o burguês, porque "havia lido muito com os russos"; como um idealista sincero de segunda classe, que sabia produzir apenas "livros militantes e compreensíveis".

A imagem que se faz hoje de lima Barreto é a segunite, segundo Antônio Arnoni Prado:

(...) escritor claro e objetico que começava a pôr a literatura nas praças e nos botequins, nas ruas e nas fábricas, nos trens de subúrbio e nos morros do rio de Janeiro, inaugurando uma mobilidade em que o espaço e o tempo como que se desmistificavam, para se transformar em circunstância integrada à experiência do leitor. Viu-se, com ele, que o fluxo narrativo cedia lugar ao tom improvisado que misturava reportagem e testemunho, aproximando-se da reprodução quase instantânea que se multiplicava ao ritomo das coisas em movimento. Uma criação aleatória que surpreendia a quem estava acostumado a ver a matéria narrativa depender da observação que precedia a montagem. A surpresa aumentou quando se percebeu que, nos seus escritos, os assuntos não eram propriamente "narrados", mas apenas organizados, distanciando-se da pelnitude do "acontecer" ficcional que se instaura incontroverso e acabado. (...)

Poucos como ele souberam, na época, reconehecr a importância política da Revolução Russa de 1917 e sua visão acerca dos problemas sociais do pós-guerra era das mais lúcidas e penetrantes. Não chegou a ser marxista, deixando-se influenciar tanto pelo liberalismo spenceriano como pelo anarquismo de Kropotkine. Seus escritos, porém, manifestavam sempre a intenção sincera de libertar as massas, razão pela qual acabou sendo um dos partidários do maximalismo.
Há, contudo, contradições surpreendentes na "ideologia" de Lima Barreto: o iconoclasta de tabus, o demolidor da hipocrisia e o crítico mordaz da burguesia reacionária, detestava algumas formas típicas de modernizaçõa que o Rio de Janeiro conheceu nos primeiros decênios do século: o cinema, o futebol, o arranha-céu e, o que é mais grave, a própria ascensão profissional da mulher. O professor Alfredo Bosi anota que Lima Barreto chegava a preferir o regime monárquico ao republicano.

Vê-se nessas contradições uma reação natural do homem que, advindo da pequena classe média suburbana, reagia como suburbano, em termos de conservadorismo sentimental; a sua xenofobia filiava-se a um natural instinto étnico-social. A aversão aos homens e processos da República Velha explica-se pela ojeriza às oligarquias que tomaram o poder em 1889.

ANÍSIO TEIXEIRA ,VIDA E OBRA

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 24, 2014

Em 12 de julho de 1900, na cidade de Caetité (BA), nascia Anísio Spínola Teixeira. Os habitantes dessa cidade orgulhavam-se da cultura e das escolas da "Corte do Sertão", como era conhecida. Na época em que Anísio nasceu, a escola normal e a escola complementar de Caetité, fundadas por seu pai, Deocleciano Pires Teixeira, ainda funcionavam.
No amplo sobrado da Praça da Catedral, Anísio passou os primeiros anos de vida, sob os cuidados de sua mãe, D. Anna Spínola Teixeira. Cedo, contudo, segundo palavras suas, "foi atirado para a atmosfera dos colégios jesuítas": o Instituto São Luiz Gonzaga, em Caetité, e o Colégio Antônio Vieira, em Salvador, onde concluiu o secundário.
Em 1914, o jovem Anísio partiria de Caetité para Salvador, em companhia dos irmãos Jaime e Nelson, para ingressar no Colégio Antônio Vieira. Após uma longa viagem a cavalo, os três alcançaram a estrada de ferro. Segundo o depoimento de um de seus irmãos, a locomotiva impressionou-lhe vivamente: era a revelação do poder da tecnologia!

No Antônio Vieira, conviveu Anísio com o padre Luiz Gonzaga Cabral e, sob sua influência, cogitou entrar na Companhia de Jesus. Em carta aos pais, manifesta essa sua intenção não logrando, porém, obter deles o almejado consentimento. Seu pai queria vê-lo político e mandou-o estudar no Rio de Janeiro, onde Anísio ingressaria na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Diplomou-se em 1922. Contudo, sua dúvida quanto a que vocação seguir ainda permanecia.

De volta a Salvador, em 1924, já bacharel em Direito, Anísio pleiteou uma vaga de promotor público junto ao governador Francisco Marques de Góes Calmon. Este fez-lhe a surpreendente proposta para ocupar o cargo de Inspetor Geral do Ensino da Bahia. O convite, inicialmente recusado, porque Anísio se considerava despreparado para a função, foi reiterado e finalmente aceito.
Datam dessa época as primeiras leituras mais aprofundadas de Anísio na área de educação. Muito lhe impressionou o livro de Omer Buyse, Méthodes américaines d’ éducation (1908). Pela primeira vez, também, travaria contato com a situação do ensino na Bahia. No mesmo ano de sua entrada na Inspetoria de Ensino, publicou o artigo: "A propósito da Escola Única".
A primeira visita de Anísio aos Estados Unidos foi em 1927. Suas impressões da cultura norte-americana foram anotadas no seu diário de viagem. Em 1928, de volta ao Brasil, publica Aspectos americanos de educação, que contém, além das observações de viagem, o primeiro estudo brasileiro sistematizado das idéias de John Dewey.
Em meados do ano de 1928, volta aos Estados Unidos para um curso de pós-graduação no Teachers College da Columbia University, que lhe confere o título de "Master of Arts". Em meados de 1929, retorna ao Brasil e redige um balanço da Reforma de Instrução na Bahia (1924-1929).
Após a sua volta à Bahia, em 1929, Anísio não consegue sensibilizar o novo governador Vital Henrique Batista Soares, empossado em 1928, a realizar suas propostas. Demite-se da Inspetoria de Ensino (BA) e passa a se dedicar ao magistério. É nomeado para a cadeira de Filosofia e História da Educação da Escola Normal de Salvador.
Em 1930, Anísio publica Vida e Educação, que reúne dois ensaios de John Dewey que traduzira. É a primeira tradução para o português da obra desse filósofo. Ainda de 1930 é o artigo "Por que Escola Nova ?". Nele, Anísio condensa o significado de suas duas viagens à América.
Após a morte de seu pai e de uma tentativa logo abandonada de tornar-se deputado federal pela Bahia, Anísio parte em 1931 para o Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, assumiu a Diretoria da Instrução Pública do Distrito Federal, a convite do prefeito Pedro Ernesto Batista. Ainda em 1931, ficou noivo de Emília Telles Ferreira, com quem se casaria no ano seguinte, na cidade de São Paulo.
Em 1932, Anísio tornou-se signatário do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova que divulgava, ao povo e ao governo, as principais diretrizes de um programa de reconstrução educacional de um grupo de educadores, alguns dos quais já haviam comandado reformas no ensino público do País, como, por exemplo, Lourenço Filho (Ceará/1922-23) e Fernando de Azevedo (DF/1927-30).
De 1931 a 1935, no governo do prefeito Pedro Ernesto no antigo DF, Anísio criou uma rede municipal de ensino da escola primária à Universidade. Introduziu a moderna arquitetura escolar, ampliou as matrículas, criou os serviços de extensão e aperfeiçoamento, as Escolas Técnicas Secundárias e transformou a antiga Escola Normal, criada na gestão Fernando de Azevedo, em Instituto de Educação.
O canto-coral, a educação física e a rádio-escola também foram aspectos importantes da reforma. A iniciativa mais polêmica, porém, foi a criação da Universidade do Distrito Federal, em abril de 1935. Seu primeiro reitor foi Afrânio Peixoto. Sobre a UDF diria mais tarde Darcy Ribeiro: "filha querida de Anísio, foi fechada e banidos seus professores, os mais brilhantes que o Brasil já teve."
Durante o período de sua gestão na Diretoria da Instrução Pública do Distrito Federal, Anísio escreve os seguintes livros: Educação Progressiva - uma introdução à filosofia da educação (1932) e Em marcha para a Democracia (1934). Pelo que escreveu e por suas realizações no antigo DF, Anísio projetou-se nacionalmente.
Em dezembro de 1935, motivos políticos levariam Anísio a pedir sua demissão junto ao prefeito Pedro Ernesto. Em abaixo-assinado, seus colaboradores lhe prestam solidariedade. Muitos, como ele, são perseguidos e alguns acabam sendo presos. Anísio refugia-se no sertão da Bahia, região de Caetité, fazenda Gurutuba.
Já está afastado da vida pública quando edita Educação para a democracia: introdução à administração escolar (1936).
Entre 1937 e 1945, Anísio permanece na Bahia e se dedica à exploração e exportação de manganês, calcário e cimento; à comercialização de automóveis; à tradução de livros para a Companhia Editora Nacional e à correspondência com amigos, entre os quais Monteiro Lobato.
Em 1946, Anísio aceita o convite que recebe de Julien Huxley, Primeiro-Secretário Executivo da UNESCO (United Nations Educational & Cultural Organization), para ser Conselheiro de Ensino Superior neste órgão. Receoso de um passo definitivo, Anísio comprometeu-se a apenas um período de experiência. Convidado a integrar definitivamente o staff da UNESCO, recusou o convite.
Em 1947, retornava de Londres ao Brasil, dirigindo-se ao Amapá. Voltava disposto a criar sua "pequena tribo de quatro Teixeirinhas" com os lucros do comércio de manganês, cuja concessão para a exploração das jazidas na Serra do Navio - que mais tarde se revelariam as maiores do mundo! - tinha já assegurada. Esses planos se desfariam ante a perspectiva, criada a partir de convite do recém-eleito governador da Bahia, de retornar à vida pública e dar continuidade à sua luta pela educação popular.
Eleito governador da Bahia, Otávio Mangabeira convida Anísio para Secretário de Educação e Saúde do Estado. Anísio não hesita em trocar a possibilidade de enriquecer como comerciante pela retomada da causa da educação pública em sua terra natal.
Já como Secretário de Estado, luta para aprovar na Assembléia Legislativa seu plano de organização do sistema escolar. É dele o discurso que abre os debates sobre educação na Constituinte Baiana em 1947. Ainda nessa administração, Anísio criou e foi secretário-geral da Fundação para o Desenvolvimento da Ciência na Bahia. Seu objetivo com este órgão era fixar no seu estado natal, mediante longos contratos, cientistas promissores que realizassem pesquisas sociais. Chegou inclusive a estabelecer convênios com a UNESCO e a Columbia University nesse sentido, mas logo seria convidado a atuar na capital do País.
Uma das mais importantes iniciativas de Anísio como Secretário de Educação e Saúde, no governo Otávio Mangabeira, foi a construção do Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro, popularmente conhecido como Escola-Parque, no bairro da Liberdade. Esta criação ampliou seu reconhecimento em âmbito internacional.
A Escola-Parque, inaugurada em 1950, procurava oferecer à criança uma educação integral, cuidando de sua alimentação, higiene, socialização, preparação para o trabalho e para a cidadania. Nesta Escola, também as artes plásticas estavam incluídas, muitas vezes sob a orientação de artistas de renome, como, por exemplo, Caribé e Mário Cravo.

A luta de Anísio pela educação popular continuou intensa em toda a década de cinqüenta através de conferências, de livros, de manifestos e de sua gestão na administração pública. A polêmica em torno da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ganhava, graças à sua atuação e a de outros educadores, maior espaço nos jornais, nas revistas e nos debates da Assembléia Legislativa e das associações de classe, como a Associação Brasileira de Educação(ABE).
Na gestão pública, Anísio assumiu em 1951, no Rio de Janeiro, a convite do ministro Simões Filho, a Secretaria Geral da Campanha de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, que seria por ele transformada num órgão: a Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). No ano seguinte, sucedendo Murilo Braga, acumularia também o cargo de diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), no qual permaneceu até 1964.
Como diretor do INEP, Anísio criou no Rio de Janeiro o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE), com o objetivo de coordenar estudos sociológicos, antropológicos, estatísticos e históricos sobre a realidade brasileira. Além deste, foram criados os Centros Regionais de Pesquisas Educacionais em Belo Horizonte, Recife, Salvador, São Paulo e Porto Alegre. Os Centros de São Paulo e Porto Alegre se articularam com as Universidades dessas cidades e o de Salvador com a Secretaria de Educação do Estado.
Esses Centros reuniram intelectuais nacionais e internacionais de renome que fizeram pesquisas sobre os temas mais variados como, por exemplo, a reconstituição histórica de aspectos da realidade brasileira, a urbanização, a industrialização e seus efeitos sobre a escolarização do país, a formação de docentes para o primeiro e segundo graus. O CBPE chegou a ter uma biblioteca de educação com 120.000 volumes e a editar uma publicação da maior importância para a área, a revista Educação e Ciências Sociais.

Durante sua gestão na CAPES e no INEP, Anísio proferiu inúmeras conferências pelo País que lhe renderam dissabores e perseguições. Seu livro Educação não é privilégio, publicado em maio de 1957, recebeu aplausos e críticas. Fora escrito a partir de um balanço de sua experiência como educador, experiência essa que também se faz presente em A Educação e a crise brasileira (1956).
A publicação de Educação não é privilégio, em meio aos debates em torno da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, se inseria no embate travado entre educadores liberais, educadores católicos e proprietários de escolas particulares em torno dos rumos da educação no País. No momento em que a polêmica se acirrou, os bispos gaúchos liderados por Dom Vicente Scherer defenderam, através de um documento, os interesses do ensino confessional católico.

Durante sua gestão na CAPES e no INEP, Anísio proferiu inúmeras conferências pelo País que lhe renderam dissabores e perseguições. Seu livro Educação não é privilégio, publicado em maio de 1957, recebeu aplausos e críticas. Fora escrito a partir de um balanço de sua experiência como educador, experiência essa que também se faz presente em A Educação e a crise brasileira (1956).
A publicação de Educação não é privilégio, em meio aos debates em torno da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, se inseria no embate travado entre educadores liberais, educadores católicos e proprietários de escolas particulares em torno dos rumos da educação no País. No momento em que a polêmica se acirrou, os bispos gaúchos liderados por Dom Vicente Scherer defenderam, através de um documento, os interesses do ensino confessional católico.
O antigo sonho de Anísio de criar uma universidade teve nova oportunidade de se concretizar com a instalação, na nova capital federal, da Universidade de Brasília, da qual foi um dos idealizadores, ao lado de Darcy Ribeiro - a quem Anísio entregou a condução do projeto - e com apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que reunia a comunidade científica do País.
A trajetória de criação desta universidade conheceu a resistência daqueles que, como Israel Pinheiro, temiam a presença de estudantes, vistos, ao lado dos operários, como elementos de agitação, ou ainda dos que, como Dom Helder Câmara, pretendiam a construção simultânea de uma universidade católica, sob a condução dos jesuítas. Resistências vencidas com a habilidade de políticos experientes, Anísio e Darcy viram o sonho se concretizar. A lei que criava a Universidade foi sancionada pelo presidente João Goulart, em 1961. Darcy foi nomeado seu reitor e Anísio vice-reitor. Quando o primeiro precisou se afastar do cargo para assumir a chefia do Gabinete Civil da Presidência da República, em 1963, Anísio assumiu a reitoria.

A Universidade de Brasília foi concebida com a intenção de se tornar a melhor experiência educacional da América Latina. Pretendia-se gerar, através dela, uma comunidade de pesquisadores capazes de diagnosticar e oferecer soluções aos problemas da sociedade brasileira. Segundo depoimento de Darcy Ribeiro, a UnB nasceu como uma fundação. Era, portanto, uma universidade autônoma e se pretendia que nela ninguém fosse discriminado por convicções políticas ou religiosas.
A universidade já surgia com cursos de pós-gradução, ao lado dos cursos de graduação. Possuía oito Institutos Centrais (Matemática, Física, Química, Biologia, Geociências, Ciências Humanas, Letras e Artes), cada um deles dividido em Departamentos, para os quais se recrutaram jovens professores nas diversas regiões do País. Previa-se ainda o intercâmbio permanente entre os Institutos. Vários educadores se pronunciaram sobre o projeto: Almeida Júnior, Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso, Florestan Fernandes, Jayme Abreu, Maria Yedda Linhares, dentre outros.
Em março de 1964, Anísio ocupava o cargo de Reitor da Universidade de Brasília. O governo militar recém-instaurado o afastou, porém, deste posto. Atingido por esse ato de força, embarcou para os Estados Unidos para lecionar como "visiting scholar" na Columbia University (1964), na New York University (1965) e na University of California (1966).
Nessa fase em que se viu forçado a abandonar a UnB, apresentou uma tese ao Conselho Federal de Educação, em que tratava de um de seus temas preferidos e recorrentes: a formação docente. Ao tomar conhecimento dessa tese, Alceu Amoroso Lima, também membro do Conselho, recordou o antigo antagonismo entre eles e celebrou sua admiração pelo ex-adversário. A vida muda os homens...
Ao retornar ao Brasil, Anísio continuou a dedicar-se à educação. Permaneceu integrado ao Conselho Federal de Educação até o final de seu mandato. Organizou e reviu coletâneas e reedições de antigos trabalhos: Pequena introdução à filosofia da educação (1967), Educação é um direito (1967), Educação no Brasil (1969) e Educação e o mundo moderno (1969). Tornou-se consultor da Fundação Getúlio Vargas e voltou a trabalhar na Companhia Editora Nacional.
No início de 1971, mais uma vez pressionado por intelectuais, Anísio aceitou candidatar-se a uma vaga na Academia Brasileira de Letras.
Em março deste mesmo ano, sua morte trágica, noticiada e debatida em vários jornais, interrompeu brutalmente sua trajetória.
Na pasta que carregava consigo por ocasião de seu desaparecimento, foi encontrado um manuscrito onde, como sempre, demonstra seu compromisso com a mudança visando a transformação social:
"Com efeito, todo o presente modo de pensar do homem é modo de pensar em termos de mudança. A essência do método científico está em sua posição de juízo suspenso. Tudo que fazemos se funda em hipóteses, sujeitas obviamente a mudanças. Tais mudanças decorrem de novos conhecimentos, os novos conhecimentos decorrem de novas experiências e tais novas experiências do fluxo ininterrupto de mudanças..."
NUNES, Clarice. Anísio Teixeira: a poesia da ação. Rio de Janeiro: PUC/ Departamento de Educação, 1991. (Tese de doutorado, v.1).
______________. Prioridade número um para a Educação Popular. In: TEIXEIRA, Anísio. Educação não é privilégio. 5ªed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1994. p.197-250.
RIBEIRO, Darcy. Depoimento. In: ROCHA, João Augusto de Lima et alii. Anísio em movimento: a vida e as lutas de Anísio Teixeira pela escola pública e pela cultura no Brasil. Salvador: Fundação Anísio Teixeira, 1992. p.60-68.
_____________. Dr. Anísio. In: TEIXEIRA, Anísio. Educação não é privilégio. 5ªed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1994. p.7-14.
SCHAEFFER, Maria Lúcia Garcia Palhares. Anísio Teixeira - formação e primeiras realizações. São Paulo: USP/Faculdade de Educação, 1988. (Estudos e Documentos, v.29)
VIANA FILHO, Luís. Anísio Teixeira: a polêmica da educação. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990. 210p.
Anísio Teixeira: A História da Educação no Brasil
Autor: Rachel Moraes Castro Data: 06/04/2009
Resumo
A pesquisa realizada teve como primeira intenção, conhecer Anísio Teixeira e sua trajetória dentro da História da Educação no Brasil. A segunda intenção foi perceber se suas ideias do início do século XX continuam bem vivas e atuais. A terceira intenção foi constatar por que se deve estudar sua trajetória dentro da educação. E como quarta intenção, afirmar que seu estudo deve fazer parte da formação acadêmica dos alunos dos cursos de licenciatura. As ideias de Anísio Teixeira permanecem originais para a atualidade, podendo ser discutidas em qualquer esfera, tanto administrativas quanto educacionais. Tendo plena consciência de que ao explorar um dos principais brasileiros e conhecer sua luta pela escola primária, pela formação dos professores e pela gratuidade com qualidade, fará com que cada novo egresso da academia perceba que nela, apenas recebemos o mínimo necessário para começarmos nossa jornada na formação dos novos governantes deste imenso país. O trágico desaparecimento precoce de Anísio Teixeira, ocorrido no ano de 1971, calou uma das mentes brasileiras mais privilegiadas dos últimos séculos.
Palavras-chave: História da Educação, Anísio Teixeira, Educação, Brasil
Área do Conhecimento: Ciências Humanas
Introdução
A forma como se origina e evolui o poder político tem implicações para a evolução da educação escolar, uma vez que esta se organiza e se desenvolve para atender aos interesses das camadas representadas na estrutura do poder, ou seja, como encontramos em Romanelli (1984, p.29) "quem legisla, sempre o faz segundo uma escala de valores próprios da camada a que pertence".
Descobrir Anísio Teixeira foi muito mais do que descobrir um idealista, um educador ou um filósofo... Foi descobrir um grande brasileiro.
Com este artigo, a autora tem a pretensão de dar a conhecer a trajetória deste cidadão dentro da educação brasileira, demonstrando que suas ideias são tão atuais para o século XXI como o foram nos meados do século passado. Constatará ainda que estas continuam sendo importantes, principalmente quando governos atuais as incorporam e as colocam em prática, mudando o cenário da educação brasileira.
Anísio Teixeira e a Educação Brasileira
A escola pública, gratuita, laica e aberta a todos os brasileiros, foi a grande luta de Anísio dentro de nosso cenário educacional. Ele entendia que a democratização do país se daria mais rapidamente através da escolarização da população, principalmente a de baixa renda, uma vez que seria a oportunidade de desenvolver os talentos e habilidades desses indivíduos. Definiu que "o novo homem, independente e responsável, é o que a escola progressiva deve preparar" (MONARCHA, 2001, p.11).
Anísio enfatizou que "a escola não pode ficar no seu estagnado destino de perpetuadora da vida social presente. Precisa transformar-se no instrumento consciente, inteligente do aperfeiçoamento social" (TEIXEIRA, 2000, p.113).
Autores educacionais como Ghiraldelli (2000) concordam hoje que um povo com pouca instrução é incapaz de perceber as diferenças e as oportunidades que passam por ele, que é mais fácil manipular e governar ignorantes que não conhecem seus direitos e, portanto, não brigam por eles. Anísio (1996), afirmava que "a escola primária tem que ser a mais importante escola do Brasil, depois a escola média, depois a escola superior".
Ele teve participação pelos órgãos e pelos cargos que ocupou, mostrando o pensador, filósofo da educação, o executivo, o criador de procedimentos que aceleraram o desenvolvimento e a universalização da educação, principalmente, a educação básica. De inigualável inteligência e discernimento, Anísio conseguia pensar, ao mesmo tempo, nos fatos e problemas educacionais.
1. Universidade do Distrito Federal - UDF
Criada pelo decreto municipal n° 5.513/35, a Universidade do Distrito Federal - UDF era composta por cinco escolas: Ciências, Educação, Economia e Direito, Filosofia, e Instituto de Artes.
Seu principal objetivo era encorajar as pesquisas científicas, literárias e artísticas, além de "propagar as aquisições da ciência e das artes pelo ensino regular de suas escolas e pelos cursos de extensão popular". O que se pretendia era a produção de profissionais que formassem o quadro de intelectuais do país.
No seu primeiro ano de funcionamento, a UDF inaugurou os primeiros cursos de formação de professores e de especialização em diversas disciplinas. Para seu corpo docente foi articulada a vinda de uma missão francesa, com professores de diferentes áreas do conhecimento. Embora despontasse como um centro de ensino inovador no Brasil na década de 1930, logo enfrentou dificuldades políticas provocadas pela revolta comunista de novembro de 1935. No fim deste mesmo ano, Anísio foi demitido junto com professores, abrindo-se uma crise no interior da universidade recém-criada.
Apesar das dificuldades, em 1937 a universidade formou sua primeira turma e pareceu que o projeto de Anísio poderia se consolidar. Mas logo percebeu-se que o projeto era contrário ao Ministério da Educação. Enfim, o Estado Novo a incorporou à Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, criada em 1939, que deveria submeter-se ao estreito controle doutrinário da Igreja Católica.
2. Formação de Professores
Os Institutos de Educação foram criados, segundo Nunes (1998), para adequar as normalistas ao desenvolvimento das ciências da educação e para formar o educador profissional com competências específicas para atuar nas escolas públicas, consideradas por Anísio como o campo de atuação do professor para a aplicação das ciências.
A transformação da Escola de Formação de Professores em Instituto de Educação, onde ocupava lugar de destaque na Universidade do Distrito Federal - UDF tinha como função formar a cultura pedagógica nacional.
Foi alçada como escola modelo e contava com um jardim de infância, escola primária, escola secundária e laboratório de pesquisas educacionais. Criou-se outras escolas experimentais, onde se abriu espaço para estudos da prática escolar ali desenvolvida.
3. Centro Educacional Carneiro Ribeiro
Também chamado de Escola Parque, tinha intenção de dar à população carente uma escola primária de qualidade, que tivesse todo o seu dia letivo completo - período integral. Anísio projetou a Escola Parque, que foi fundada em 21/09/1950, no bairro da Liberdade em Salvador/BA.
Com cinco anos de curso, o programa completo apresentava: leitura, aritmética e escrita, ciências físicas e sociais, artes industriais, desenho, música, dança e educação física. Além disso, a escola tinha objetivos de educar, formar hábitos, atitudes, cultivando as aspirações e preparando a criança para a sociedade - técnica e industrial. A escola promoveria a saúde e alimentaria as crianças, prevenindo qualquer grau de desnutrição e abandono, se houvesse.
4. Campanha de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes
Criadao pelo Decreto 29.741, em 11/06/1951, com o objetivo de "assegurar a existência de pessoal especializado em quantidade e qualidade suficiente para atender às necessidades dos empreendimentos públicos e privados que visam ao desenvolvimento do país". Era subordinado diretamente à Presidência da República.
Anísio chega ao CAPES com o compromisso de autonomia, boas ideias e liderança institucional. Logo cria o Programa Universitário junto às instituições de nível superior, tendo como pressuposto a disseminação do conhecimento por meio de um grupo de professores assistentes em torno de um tutor. Contrata professores estrangeiros a fim de estimular o intercâmbio e a cooperação científica, concedendo bolsas de estudo e apoiando os eventos na área.
5. Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos - INEP
Anísio entra no INEP no ano de 1952 e permanece até o golpe militar, em 1964. Porém, sua influência nos trabalhos permaneceu até a sua morte, em 1971. Durante sua gestão, o INEP tinha a tripla função: documentação, pesquisa e divulgação; caracterizando-se por executar políticas públicas em educação.
Para Saavedra (BRASIL, 2005, p.196), o período pode ser dividido em duas etapas: a primeira, de 1952 até 1961, quando ocorreram os debates sobre as Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que culminou com a aprovação da LDBEN 4.024/61; e a segunda de 1962 até 1971, quando houve os debates sobre a Reforma Universitária e de Ensino de 1º e 2º Graus, que culminou com a LDBEN 5.692/71.
A partir de 1944, começa a circular a Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos - RBPE, servindo para a divulgação da produção intelectual a fim de formar as concepções educacionais brasileiras. Os artigos publicados pela revista, durante o período de Anísio, eram focados nas concepções humanistas modernas, segundo Saviani (BRASIL, 1984, p.284).
Com a entrada dos militares no poder, a RBEP publica artigos onde deixa claro não ir contra às decisões governamentais relativas à ordem pública; a grande reforma a ser realizada é a universitária. O Conselho Federal de Educação é o órgão indicado a fazê-lo com o apoio das pesquisas realizadas pelo INEP. Com isso, o órgão sobrevive os anos da ditadura.
6. Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais
Anísio (1994) considerava a sociedade despreparada para enfrentar novos desafios, afirmava que ela tinha uma educação "livresca e ornamental". Propôs, então, retomar o processo de reconstrução escolar iniciado nas décadas de 1920 e 1930, buscando nas ciências um itinerário para essa reconstrução. Em 28/12/1955, sob o Decreto 38.460, cria o centro de documentação, que tinha como principal função "integrar a atividade de pesquisa e de documentação, facilitando a sistematização dos trabalhos e a posterior divulgação de seus resultados" (BRASIL, 2005, p.196).
7. Centros Regionais de Pesquisas Educacionais
Anísio afirmava que o grande problema a ser enfrentado era a construção de uma escola que atendesse, por um lado, as demandas de uma sociedade em pleno avanço tecnológico e, por outro, que fosse instrumento de democracia. A sociedade estava passando por transformações em relação à industrialização e a escola oferecia educação defasada quanto às necessidades sociais, uma vez que os objetivos da educação não focavam os interesses dos cidadãos de "ascenderem socialmente". Enfatizava que a escola deveria ser autônoma e diversificada (BRASIL, 2005, p.198).
Todos os CRPE foram criados nos moldes franceses, com função de elaborar pesquisas educacionais, centralizar documentação e livros sobre educação, além de disseminar a informação na formação de professores.
Os Centros Regionais de Pesquisas Educacionais - CRPE - foram instalados nas seguintes cidades: São Paulo - vinculado à Universidade, onde ganhou impulso e prestígio; Belo Horizonte - vinculado à Secretaria de Educação, com o programa americano-brasileiro de aperfeiçoamento do magistério, sendo considerado o maior centro de estudos didáticos da escola primária; Bahia - vinculado à Secretaria de Educação, fazendo-se centro de experimentação do ensino primário com a escola experimental, onde se processou o aperfeiçoamento do magistério primário; Recife - vinculado diretamente ao INEP; Porto Alegre - vinculado à Universidade e à Escola de Filosofia; Rio de Janeiro - vinculado ao INEP, como uma expansão do mesmo, absorvendo antigos serviços de estudo, documentação, biblioteca e desenvolvendo o aperfeiçoamento do magistério, mantendo uma escola primária para demonstrações.
8. LDBEN 4.024/61
Foi enviada ao Congresso Nacional em 1948. Ficou parada até 1957, quando se iniciaram as discussões. A polêmica girou em torno da centralização contra a descentralização do ensino. A grande questão era a defesa da escola privada contra a defesa da escola pública.
Em 1959, publica-se o "Manifesto dos Educadores mais uma vez convocados" (LOURENÇO FILHO, 1959, p.144), que reúne intelectuais liberais, progressistas, socialistas, comunistas e nacionalistas. Estes focaram as questões em torno da política educacional, ficando as questões pedagógicas em segundo plano. Com isso, foi lançado o substitutivo do Deputado Carlos Lacerda, que defendia os interesses da escola particular. Desse ponto em diante, a Igreja Católica entra na disputa defendendo seus interesses, utilizando a ideologia como arma nas discussões. Seus argumentos diziam que a escola pública apenas instruiria os alunos, mas não os educaria; a escola confessional desenvolveria a inteligência e o caráter; aos pais cabia o direito de educar física, intelectual, moral e religiosamente seus filhos; os defensores das escolas públicas eram inimigos da família, da pátria e de Deus.
Os defensores da escola pública acusavam a igreja de sempre ter representado os interesses das classes privilegiadas e de continuar a fazê-lo. Argumentavam que todos os indivíduos tinham direito a frequentar a escola. O texto final publicado, segundo Saviani (2003), mostra que filosoficamente, a concepção humanística moderna defendida pelos que argumentavam em favor da escola pública prevaleceu. Mesmo assim, ainda houve resquícios da influência religiosa.
9. Universidade de Brasília - UnB
A iniciativa de criar a universidade contrariou aqueles que temiam a presença de estudantes na capital federal e os interesses da igreja, que queria a construção de uma universidade católica sob o controle dos jesuítas.
A UnB inovou a educação brasileira ao implantar um centro de florescimento cultural e artístico, em que fossem estimuladas as letras e as artes, proporcionasse aos órgãos públicos toda a assessoria necessária. Era fundamental que houvesse a mais alta qualificação científica, aliando liberdade docente à autonomia acadêmica, a fim de que a universidade se tornasse um núcleo de amadurecimento e de consciência crítica nacional.
A proposta da UnB, segundo Ribeiro (1978), era a de ser uma universidade completa, que cobrisse todos os campos do saber. Deveria ser capaz de cultivar, aplicar, ensinar, apresentar fidelidade aos padrões internacionais do saber e de buscar soluções para os problemas nacionais. A instituição era composta de pessoas ligadas à sociedade brasileira para o progresso da ciência, as quais deveriam construir uma estrutura que estimulasse a transformação do país.
A Universidade foi organizada em três componentes fundamentais: os institutos centrais de ciências, letras e artes, dedicados ao cultivo e ensino do saber fundamental; as faculdades profissionais, devotadas à pesquisa e ao ensino nas áreas das ciências aplicadas e técnicas e os órgãos complementares, que prestariam serviços à comunidade universitária e à cidade. Assim, a universidade desenvolveria suas potencialidades desde o nível básico até a pós-graduação. Anísio estava na reitoria quando os militares chegaram ao poder.
Conclusão
Anísio Teixeira tinha o cerne dos educadores centrados na formação intelectual da população, notadamente a de baixa renda, que de outra forma não poderia recuperar sua crença em alguma mudança social. Ele tinha ideias e saía à luta para que elas se fizessem práticas, unindo a administração com a inigualável capacidade de análise das ações. Sua vida foi pautada na luta pela obrigatoriedade do ensino público, gratuito, laico e aberto a todos; na formação dos professores, principalmente os da escola primária e no fortalecimento das instituições de pesquisa. Seus livros, um marco para se entender a História da Educação no Brasil, constatam o caráter excludente da educação brasileira. Ele demonstrou que o afunilamento no ingresso aos níveis seguintes da educação se davam pela situação econômica do indivíduo, ao invés da situação de competência.
Por meio do Centro Carneiro Ribeiro - Escola Parque - Anísio mostrou que a educação deveria ser efetuada em período integral, modo que contemplaria as crianças de baixa renda, dando-lhes oportunidades para descobrir talentos e habilidades, e assim desenvolvê-los. Um exemplo de que suas ideias ainda se mostram atuais pode ser observado na expansão das escolas públicas de tempo integral.
A leitura dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN - mostra ideias anisianas em seus objetivos e metas, principalmente quando dá ênfase à relação professor-aluno. Na mediação do conhecimento, entram os métodos do filósofo John Dewey, privilegiando o aprender a aprender, dando oportunidade para o aluno pensar e julgar por si, num ambiente escolar democrático. Dizia Anísio (1994) que na escola "os passivos se agrupam, os capazes são desencorajados e os outros são destruídos", dando alusão aos tipos de inteligência. Anísio carregou uma convicção, a de que as questões sociais eram manifestações da cultura e de que era preciso combater os problemas que a industrialização trazia.
A democracia fez-se uma democracia de consumo, o homem sentindo-se tanto mais importante quanto mais pudesse consumir. A aquisição de bens materiais passou a ser a maior necessidade do homem, deixando de lado o conhecimento escolar para uma real modificação de vida.
Dominando completamente as teorias pedagógicas no seu tempo, Anísio Teixeira elevou seu pensamento e suas ações na educação brasileira, como um todo.
Referências
-BRASIL. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Brasília, v.86, n.212, jan./abr. 2005.
-BRASIL. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Brasília, v.65, n.150, mai./ago. 1984.
-BRASIL. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Brasília, v.51, n.114, abr./jun. 1969.
-BRASIL. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Rio de Janeiro, v.17, n.46, abr./jun. 1952.
-GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. História da Educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000.
-LOURENÇO FILHO, M. B. et al. Manifesto de 529 educadores. Educação e Ciências Sociais. Rio de Janeiro, v.3, n.8, 1959. p.143-145.
-LUNA, Sérgio Vasconcelos de. Planejamento de pesquisa: uma introdução. São Paulo: EDUC, 2003.
-LUZURIAGA, Lorenzo. História da Educação e da Pedagogia. 15. ed. São Paulo: Ed. Nacional, 1984.
X Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VI Encontro Latino Americano de Pós-Graduação - Universidade do Vale do Paraíba 1833
-MONARCHA, Carlos (org.). Anísio Teixeira: a obra de uma vida inteira. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
-NUNES, Clarice. Historiografia comparada da escola nova: algumas questões. Revista da Faculdade de Educação. São Paulo, v.24, n.1, p.105-125, jan./jun. 1998.
-RIBEIRO, Darcy. UnB - Invenção e Descaminho. Rio de Janeiro: Avenir, 1978.
-ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil (1930/1973). 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1984.
-SAVIANI, Demerval. Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras aproximações. 7. ed. São Paulo: Autores Associados, 2003.
-TEIXEIRA, Anísio. Educação é um direito. 2. ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 1996.
-______________. Educação não é privilégio. 5. ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 1994.
-______________. Pequena Introdução à Filosofia da Educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.
X Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VI Encontro Latino Americano de Pós-Graduação - Universidade do Vale do Paraíba 1834
Rachel é professora da rede municipal de Joinville.