HISTÓRIA DA LÍNGUA INGLESA

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 22, 2014

INTRODUÇÃO

A língua inglesa é fruto de uma história complexa e enraizada num
passado muito distante.
Há indícios de presença humana nas ilhas britânicas já antes da última
era do gelo, quando as mesmas ainda não haviam se separado do
continente europeu e antes dos oceanos formarem o Canal da
Mancha. Este recente fenômeno geológico que separou as ilhas
britânicas do continente, ocorrido há cerca de 7.000 anos, também
isolou os povos que lá viviam dos conturbados movimentos e do obscurantismo que
caracterizaram os primórdios da Idade Média na Europa.
Sítios arqueológicos evidenciam que as terras úmidas que os romanos vieram a denominar de
Britannia já abrigavam uma próspera cultura há 8.000 anos, embora pouco se saiba a respeito.
OS CELTAS

A história da Inglaterra inicia com os celtas.
Por volta de 1000 a.C., depois de muitas migrações,
vários dialetos das línguas indo-européias tornam-se
grupos de línguas distintos, sendo um desses grupos o
celta. Os celtas se originaram presumivelmente de
populações que já habitavam a Europa na Idade do
Bronze. Durante cerca de 8 séculos, de 700 a.C. a 100
A.D., o povo celta habitou as regiões hoje conhecidas
como Espanha, França, Alemanha e Inglaterra. O celta
chegou a ser o principal grupo de línguas na Europa,
antes de acabarem os povos celtas quase que
totalmente assimilados pelo Império Romano.

A PRESENÇA ROMANA

Em 55 e 54 a.C. ocorrem as primeiras invasões romanas de reconhecimento, sob o
comando pessoal de Júlio César. Em 44 A.D., à época do Imperador Claudius,
ocorre a terceira invasão, quando então a principal ilha britânica é anexada ao
Império Romano até os limites com a Caledônia (atual Escócia) e o latim começa a
exercer influência na cultura celta-bretã. Três séculos e meio de presença das
legiões romanas e seus mercadores, trouxeram profunda influência na estrutura
econômica, política e social das tribos celtas que habitavam a Grã Bretanha.
Palavras latinas naturalmente passaram a ser usadas para muitos dos novos
conceitos.

OS ANGLO-SAXÕES

Devido às dificuldades em Roma
enfrentadas pelo Império, as legiões
romanas, em 410 A.D., se retiram da
Britannia, deixando seus habitantes celtas
à mercê de inimigos (Scots e Picts). Uma
vez que Roma já não dispunha de forças
militares para defendê-los, os celtas, em
449 A.D., recorrem às tribos germânicas
(Jutes, Angles, Saxons e Frisians) para
obter ajuda. Estes, entretanto, de forma
oportunista, acabam tornando-se invasores,
estabelecendo-se nas áreas mais férteis do
sudeste da Grã-Bretanha, destruindo vilas
e massacrando a população local. Os
celtas-bretões sobreviventes refugiam-se no oeste. Prova da violência e do descaso dos invasores
pela cultura local é o fato de que quase não ficaram traços da língua celta no inglês.
São os dialetos germânicos falados pelos anglos e pelos saxões que vão
dar origem ao inglês. A palavra England, por exemplo, originou-se de
Angle-land (terra dos anglos). A partir daí, a história da língua inglesa é
dividida em três períodos: Old English, Middle English e Modern English. A
primeira metade do século I, quando ocorreram as invasões germânicas,
marca o início do período denominado Old English.

INTRODUÇÃO DO CRISTIANISMO

Em 432 A.D. St. Patrick inicia sua missão de levar o cristianismo à
população celta da Irlanda. Em 597 A.D. a Igreja manda missionários liderados por Santo
Agostinho para converter os anglo-saxões ao cristianismo. O processo de cristianização ocorre
gradual e pacificamente, marcando o início da influência do latim sobre a língua germânica dos
anglos-saxões, origem do inglês moderno. Esta influência ocorre de duas formas: introdução de
vocabulário novo referente a religião e adaptação do vocabulário anglo-saxão para cobrir novas
áreas de significado. A necessidade de reprodução de textos bíblicos representa também o início
da literatura inglesa.

A introdução do cristianismo representou também a rejeição de elementos da cultura celta e
associação dos mesmos a bruxaria. A observação ainda hoje de Halloween na noite de 31 de
outubro é exemplo remanescente de cultura celta na visão do cristianismo.
Àquele período, a Inglaterra encontra-se dividida em sete reinos anglo-saxões e o Old English,
então falado, na verdade não era uma única língua, mas sim uma variedade de diferentes
dialetos.

Os dialetos do inglês antigo de antes do cristianismo eram línguas funcionais para descrever fatos
concretos e atender necessidades de comunicação diária. O vocabulário de origem greco-latina
introduzido pela cristianização expandiu a linguagem anglo-saxônica na direção de conceitos
abstratos.

Ao final do século 8, iniciam os ataques dos Vikings
contra a Inglaterra. Originários da Escandinávia,
estes povos usavam de violência e seus ataques
causaram destruição em muitas regiões da Europa.
Os vikings que se estabeleceram na Inglaterra eram
predominantemente provenientes da Dinamarca e
falavam dinamarquês. Estes mais de 200 anos de
presença de dinamarqueses na Inglaterra
naturalmente exerceu influência sobre o Old English. Entretanto, devido à semelhança entre as
duas línguas, torna-se difícil determinar esta influência com precisão.

OLD ENGLISH (500 - 1100 A.D.)

Old English, às vezes também também denominado Anglo-Saxon, comparado ao inglês
moderno, é uma língua quase irreconhecível, tanto na pronúncia, quanto no vocabulário e na
gramática. Para um falante nativo de inglês hoje, das 54 palavras do Pai Nosso em Old English,
menos de 15% são reconhecíveis na escrita, e provavelmente nada seria reconhecido ao ser
pronunciado. A correlação entre pronúncia e ortografia, entretanto, era muito mais próxima do que
no inglês moderno. No plano gramatical, as diferenças também são substanciais. Em Old English,
os substantivos declinam e têm gênero (masculino, feminino e neutro), e os verbos são
conjugados.

A CONQUISTA DA INGLATERRA PELOS NORMANDOS NA BATALHA DE HASTINGS

A Batalha de Hastings em 1066, foi um evento histórico de grande
importância na história da Inglaterra. Representou não só uma
drástica reorganização política, mas também alterou os rumos da
língua inglesa, marcando o início de uma nova era.
A batalha foi travada entre o exército normando, comandado por
William, Duque da Normandia (norte da França), e o exército
anglo-saxão liderado por King Harold, em 14 de outubro de 1066.
O predecessor de Harold havia tido fortes vínculos com a corte da
Normandia e supostamente prometido o trono da Inglaterra para o
Duque da Normandia. Após sua morte, entretanto, o conselho do
reino apontou Harold como sucessor, levando William a apelar para a guerra como forma de
impor seus pretensos direitos.
Veja como um artista do século 11 representou, em tapeçaria, a travessia do Canal da Mancha
pelas tropas de William:

A sangrenta batalha só terminou ao fim do
dia, com o Rei Harold e seus irmãos
mortos e um saldo de 1500 a 2000
guerreiros mortos do lado normando e
outros tantos ou mais, do lado inglês.
William havia conquistado em poucos dias
uma vitória que romanos, saxões e
dinamarqueses haviam lutado longa e
duramente para alcançar. Ele havia
conquistado um país de um milhão e meio de habitantes e provavelmente o mais rico da Europa,
na época. Por esse feito ficou conhecido na história como William the Conqueror.
O regime que se instaurou a partir da conquista foi caracterizado pela centralização, pela força e,
naturalmente, pela língua dos conquistadores: o dialeto francês denominado Norman French. O
próprio William l não falava inglês e, por ocasião de sua morte em 1087, não havia uma única
região da Inglaterra que não fosse controlada por um normando. Seus sucessores, William II
(1087-1100) e Henry I (1100-1135), passaram cerca de metade de seus reinados na França e
provavelmente possuíam pouco conhecimento de inglês.
Durante os 300 anos que se seguiram, principalmente nos 150 anos iniciais, a língua usada pela
aristocracia na Inglaterra foi o francês. Falar francês tornou-se então condição para aqueles de
origem anglo-saxônica em busca de ascensão social através da simpatia e dos favores da classe
dominante.

MIDDLE ENGLISH (1100 - 1500)

O elemento mais importante do período que corresponde ao Middle English foi, sem dúvida, a
forte presença e influência da língua francesa no inglês. Essa verdadeira transfusão de cultura
franco-normanda na nação anglo-saxônica, que durou três séculos, resultou principalmente num
aporte considerável de vocabulário. Isto demonstra que, por mais forte que possa ser a influência
de uma língua sobre outra, esta influência normalmente não vai além de um enriquecimento de
vocabulário, dificilmente afetando a pronúncia ou a estrutura gramatical.
O passar dos séculos e as disputas que acabaram ocorrendo entre os normandos das ilhas
britânicas e os do continente, provocam o surgimento de um sentimento nacionalista e, pelo final
do século 15, já se torna evidente que o inglês havia prevalecido. Até mesmo como linguagem
escrita, o inglês já havia substituído o francês e o latim como língua oficial para documentos.
Também começava a surgir uma literatura nacional.
Muito vocabulário novo foi incorporado com a introdução de novos conceitos administrativos,
políticos e sociais, para os quais não havia equivalentes em inglês. Em alguns casos, entretanto,
já existiam palavras de origem germânica, as quais, ou acabaram desaparecendo, ou passaram a
coexistir com os equivalentes de origem francesa, em princípio como sinônimos, mas, com o
tempo, adquirindo conotações diferentes. Exemplos:

Anglo-Saxã
o
Francês

answer

begin

bill

chicken

clothe

come

end

fair

feed

respond

commenc

e

beak

poultry

dress

arrive

finish

beautiful

nourish

Anglo-Saxã

o

Francês

folk

freedom

ghost

happiness

help

hide

house

hunt

kin

people

liberty

phanto

m

felicity

aid

conceal

mansion

chase

relations

Anglo-Saxã

o

Francês

kingly

look

pig

sheep

shut

sight

wish

work

yearly

royal

search

pork

mutton

close

vision

desire

labor

annual

Pequenas diferenças dialetais resultantes desta simbiose entre diferentes grupos sociais e suas
respectivas línguas podem ser observadas ainda atualmente. Nos meios intelectuais das classes
mais privilegiadas dos países de língua inglesa existe até hoje uma tendência a um uso maior de
palavras de origem latina. De acordo com o norte-americano Pat Brown, freqüentador do fórum de
discussões deste site,

The split between the French-speaking Normans and peasant English-speaking Saxons still exists
today in a curious fashion. The Normans, as the conquerors and rulers, became the upper-class of
England and their speech metamorphosed into today's well-educated English - composed primarily
of Latin-based vocabulary. The common everyday speech of most modern English speakers
however is still directly based on the Anglo-Saxon.
Além da influência do francês sobre seu vocabulário, o Middle English se caracterizou também
pela gradual perda de declinações, pela neutralização e perda de vogais atônicas em final de
palavra e pelo início do Great Vowel Shift.

THE GREAT VOWEL SHIFT

Uma acentuada mudança na pronúncia das vogais do inglês ocorreu principalmente durante os
séculos 15 e 16. Praticamente todos os sons vogais, inclusive ditongos, sofreram alterações e
algumas consoantes deixaram de ser pronunciadas. De uma forma geral, as mudanças das vogais
corresponderam a um movimento na direção dos extremos do espectro de vogais, como
representado no gráfico abaixo.

PRONÚNCIA

ANTES DO SÉCULO 15

PRONÚNCIA

MODERNA

fine /fi:ne/
hus /hu:s/
ded /de:d/, semelhante a dedo em português
fame /fa:me/, semelhante à atual pronúncia de father
so /só:/, semelhante à atual pronúncia de saw
to /to:/, semelhante à atual pronúncia de toe
/fayn/
house /haws/
deed /diyd/
/feym/
/sow/
/tuw/

O sistema de sons vogais da língua inglesa antes do século 15 era bastante semelhante ao das
demais línguas da Europa ocidental, inclusive do português de hoje. Portanto, a atual falta de
correlação entre ortografia e pronúncia do inglês moderno, que se observa principalmente nas
vogais, é, em grande parte, conseqüência desta mudança ocorrida no século 15.
MODERN ENGLISH (a apartir de 1500)

Enquanto que o Middle English se caracterizou por uma acentuada diversidade de dialetos, o
Modern English representou um período de padronização e unificação da língua. O advento da
imprensa em 1475 e a criação de um sistema postal em 1516 possibilitaram a disseminação do
dialeto de Londres - já então o centro político, social e econômico da Inglaterra. A disponibilidade
de materiais impressos também deu impulso à educação, trazendo o alfabetismo ao alcance da
classe média.

A reprodução e disseminação de uma ortografia finalmente padronizada, entretanto, coincidiu com
o período em que ocorria ainda a Great Vowel Shift. As mudanças ocorridas na pronúncia a partir
de então, não foram acompanhadas de reformas ortográficas, o que revela um caráter
conservador da cultura inglesa. Temos aí a origem da atual falta de correlação entre pronúncia e
ortografia (leia texto neste CD) no inglês moderno. D’Eugenio assim explica o que ocorreu:
O processo de padronização da língua inglesa iniciou em princípios do século 16
com o advento da litografia, e acabou fixando-se nas presentes formas ao longo
do século 18, com a publicação dos dicionários de Samuel Johnson (figura ao
lado) em 1755, Thomas Sheridan em 1780 e John Walker em 1791. Desde
então, a ortografia do inglês mudou em apenas pequenos detalhes, enquanto
que a sua pronúncia sofreu grandes transformações. O resultado disto é que
hoje em dia temos um sistema ortográfico baseado na língua como ela era
falada no século 18, sendo usado para representar a pronúncia da língua no
século 20. (319, minha tradução)

Da mesma forma que os primeiros dicionários serviram para padronizar a ortografia, os primeiros
trabalhos descrevendo a estrutura gramatical do inglês influenciaram o uso da língua,
incorporando conceitos gramaticais das línguas latinas e trazendo uma uniformidade gramatical.
Durante os séculos 16 e 17 ocorreu o surgimento e a incorporação definitiva do verbo auxiliar do
para frases interrogativas e negativas. A partir do século 18 passou a ser considerado incorreto o
uso de dupla negação numa mesma frase como, por exemplo: She didn't go neither.

SHAKESPEARE

William Shakespeare (1564-1616), representou uma forte influência no
desenvolvimento de uma linguagem literária. Sua imensa obra é
caracterizada pelo uso criativo do vocabulário então existente, bem como
pela criação de palavras novas. Substantivos transformados em verbos e
verbos em adjetivos, bem como a livre adição de prefixos e sufixos e o uso
de linguagem figurada são freqüentes nos trabalhos de Shakespeare.
Ao mesmo tempo em que a literatura se desenvolvia, o colonialismo
britânico do século 19, levava a língua inglesa a áreas remotas do mundo,
proporcionando contato com culturas diferentes e trazendo novo
enriquecimento ao vocabulário do inglês.
Desde o início da era cristã até o século 19, seis idiomas chegaram a ser falados na Inglaterra:
Celta, Latim, Old English, Norman French, Middle English e Modern English. Essa diversidade de
influências explica o fato de ser o inglês uma língua menos sistemática e menos regular, quando
comparado às línguas latinas e mesmo ao alemão. Poderia nos levar a concluir também que o
inglês de hoje pode ser comparado a uma colcha feita de retalhos de tecidos de origem das mais
diversas.
AMERICAN ENGLISH
A esperança de alcançar prosperidade e os
anseios por liberdade de religião foram os
fatores que determinaram a colonização da
América do Norte. A chegada dos primeiros
imigrantes ingleses em 1620, marca o início
da presença da língua inglesa no Novo
Mundo.
À época da independência dos Estados
Unidos, em 1776, quando a população do
país chegava perto de 4 milhões, o dialeto
norte-americano já mostrava características distintas em relação aos dialetos das ilhas britânicas.
O contato com a realidade de um novo ambiente, com as culturas indígenas nativas e com o
espanhol das regiões adjacentes ao sul, colonizadas pela Espanha, provocou um desenvolvimento
de vocabulário diverso do inglês britânico.
Hoje, entretanto, as diferenças entre os dialetos britânicos e norte-americanos estão basicamente
na pronúncia, além de pequenas diferenças no vocabulário. Ao contrário do que aconteceu entre
Brasil e Portugal, Estados Unidos da América e Inglaterra mantiveram fortes laços culturais,
comerciais e políticos. Enquanto que o português ao longo de 4 séculos se desenvolveu em dois
dialetos substancialmente diferentes em Portugal e no Brasil, as diferenças entre os dialetos
britânico e norte-americano são menos significativas.
O INGLÊS COMO LÍNGUA DO MUNDO
Fatos históricos recentes explicam o atual papel do inglês como língua do mundo.
Em primeiro lugar, temos o grande poderio econômico da Inglaterra nos séculos 18, 19 e 20,
alavancado pela Revolução Industrial, e a conseqüente expansão do colonialismo britânico. Este
verdadeiro império de influência política e econômica, que atingiu seu ápice na primeira metade
do século 20, quando chegou a ficar conhecido como "the empire where the sun never sets"
devido à sua vasta abrangência geográfica, provocou uma igualmente vasta disseminação da
língua inglesa.
Em segundo lugar, o poderio político-militar do EUA a partir da segunda guerra mundial e a
marcante influência econômica e cultural resultante, acabaram por deslocar o francês como língua
predominante nos meios diplomáticos e solidificar o inglês na posição de padrão das
comunicacões internacionais. Simultaneamente, ocorre um rápido desenvolvimento do transporte
aéreo e das tecnologias de telecomunicação. Surgem os conceitos de information superhighway eglobal village para caracterizar um mundo no qual uma linguagem comum de comunicação é
imprescindível.
RESUMO CRONOLÓGICO
10.000 - 6.000 a.C. - Sítios arqueológicos evidenciam a presença do homem nas terras que
encontravam-se ainda unidas ao continente europeu e que os romanos posteriormente viriam a
denominar de Britannia.
1.200 - 600 a.C. - Celtas se estabelecem na Europa e ilhas britânicas, marcando a partir daí sua
presença na Europa por cerca de 8 séculos, antes de sua quase completa assimilação pelo
Império Romano.
55 e 54 a.C. - Primeiras incursões romanas de reconhecimento, sob o comando de Júlio César.
44 A.D. - Legiões romanas, à época do Imperador Claudius, invadem e anexam a principal ilha
britânica.
50 A.D. - Os romanos fundam Londinium às margens do Tâmisa.
410 A.D. - Legiões romanas se retiram das ilhas britânicas para defender Roma de ataques dos
bárbaros.
432 A.D. - St. Patrick inicia sua missão de cristianizar a Irlanda.
450 - 550 A.D. - Tribos germânicas (anglos e saxões) se estabelecem na Britannia após a saída
das legiões romanas. Início do período Old English.
500 - 1100 - Período que corresponde ao Old English.
465 A.D. - Suposta data de nascimento do lendário Rei Artur.
597 A.D. - Chegada de Santo Agostinho e seus missionários para converter os anglo-saxões ao
cristianismo. Inicia o primeiro período de influência do latim na língua anglo-saxônica.
600 A.D. - A Inglaterra encontra-se dividida em 7 reinos anglo-saxões.
787 - 1000 A.D. - Ataques escandinavos (Vikings).
871 A.D. - Coroação do King Alfred, rei dos saxões do oeste, reconhecido como rei da Inglaterra
após ter expulsado os Vikings.
1066 - Batalha de Hastings, em que os franceses normandos, liderados por William, derrotam
Harold, conquistando a Inglaterra e dando início a um período de 350 anos de forte influência do
francês sobre o inglês.
1066-1087 - Reinado de William I (William the Conqueror), primeiro rei normando.
1087-1100 - Reinado de William II, filho de William I e segundo rei normando.
1100-1135 - Reinado de Henry I, também filho de William I, o terceiro rei normando e o primeiro ater uma esposa britânica (Mathilda of Scotland). É provável que Henry I tivesse algum domínio
sobre o inglês, e foi em seu reinado que as diferenças entre as sociedades anglo-saxônica e
normanda começaram a lentamente diminuir.
1100 - 1500 - Período que corresponde ao Middle English.
1204 - King John, Rei da Inglaterra, entra em conflito com o Rei Philip da França, marcando oinício de um novo período de valorização do sentimento nacionalista inglês.
1300 - Robert of Gloucester faz referência à língua inglesa como sendo ainda uma língua falada
na Inglaterra apenas por "low people".
1362 - Inglês é usado, pela primeira vez, na abertura do Parlamento Inglês.
1400 - 1600 - Período em que ocorrem com mais intensidade as mudança de vogais (Great Vowel
Shift).
1475 - Advento da imprensa, dando início a uma padronização da ortografia e levando à
disseminação da forma ortográfica do dialeto de Londres.
1500 até hoje - Período correspondente ao Modern English.
1516 - Henrique VIII cria o primeiro sistema postal da Inglaterra.
1558 - Início do reinado de Elizabeth I (filha de Henrique VIII) e da era elisabetana, período
caracterizado por um substancial aumento do vocabulário do inglês e pelas monumentais obras
literárias de Spenser, Shakespeare e Jonson.
1564 - Nascimento de William Shakespeare.
1603 - Morte de Elizabeth I e fim do período elisabetano.
1611 - A Igreja da Inglaterra publica a King James Bible, que exerceu grande influência na
linguagem de então.
1620 - Os Pilgrims chegam à America do Norte e estabelecem a Colônia de Plymouth.
1755 - Samuel Johnson publica A Dictionary of the English Language, trazendo estabilidade à
língua inglesa.
1762 - Bishop Robert Lowth publica Short Introduction to English Grammar, a primeira gramática
influente da língua inglesa.
1776 - Declaração da independência dos Estados Unidos.
1700 - 1900 - Revolução Industrial, a qual alavancou o poderio econômico da Inglaterra, permitindo a expansão do colonialismo britânico e conseqüentemente da língua inglesa no século
19.
1806 - Ano de publicação do primeiro dicionário de Noah Webster: A Compendious Dictionary of
the English Language.
1945 - Fim da segunda guerra mundial, marca o início de um período de influência político-militar
dos EUA e uma conseqüente influência econômica e cultural decisiva nos dias de hoje.
1980 - 1990 - Surgimento da Internet.
BIBLIOGRAFIA
Cambridge, Corpus Christi College 140 [WSCp], Lord's Prayer - a translation of the Gospels
written in Bath in the first half of the 11th century; edited by Liuzza (1994). Read by Cathy Ball
(Department of Linguistics, Georgetown University) for Edward Vanetten's Sunday School class.
. Online Oct 21, 2003.
Crack, Glen Ray. Battle of Hastings 1066 . Online. June 27, 2001.
Crane, L. Ben, Edward Yeager and Randal L. Whitman. An Introduction to Linguistics. Boston:
Little, Brown & Co., 1981.
Crystal, David. The Cambridge Encyclopedia of the English Language. Cambridge University
Press, 1999.
D'Eugenio, Antonio. Major Problems of English Phonology. Foggia, Italy: Atlantica, 1982.
Encarta 97 Encyclopedia. Microsoft, 1997.
McArthur, Tom. The Oxford Companion to the English Language. Oxford, 1992.
Norton-Taylor, Duncan. The Celts. Time Inc, 1974.
Wallbank, T. Walter, Alastair M. Taylor and Nels M. Bailkey. Civilization Past and Present. Scott,
Foresman & Co., 1962. Schütz, Ricardo. "História da Língua Inglesa." English Made in Brazil . Online. 4 de agosto
de 2006.

O português do Brasil

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 22, 2014

A língua portuguesa, não conseguiu pronta vantagem sobre a língua geral dos índios – o tupi.
Os cruzamentos eram quase todos de mulheres índias com homens do reino, ocupados com a agricultura e comércio, deixando as mulheres ou companheiras iniciar seus filhos no manejo da língua nativa.
Época houve em que se observou até uma certa predileção para com o tupi principalmente nas famílias paulistas, ”A língua que se fala nessas famílias é a dos índios e a língua portuguesa aprende-se na escola”.
Esse estado de coisas é agravado pelos missionários jesuítas que na catequese dos selvagens eram forçados a estudarem a língua, e chegaram a compor-lhe a gramática e dicionário.
Na escola mantinham sempre o tupi ministrado aos filhos de colonos de par com o português, os bandeirantes entre os quais havia ordinariamente condutores índios, e fazia do abanheém o instrumento das suas comunicações diárias.
Assim se justifica a existência de tantos topônimos em regiões situadas fora da área ocupada pelos tupis.
Até o século XVII, era falada a língua geral, nos campos de são Paulo, rio grande do sul e Pará ainda no século XVIII, de cada quatro pessoas três se expressavam em tupi.
Várias ordens régias foram expedidas pelo governo da metrópole, para que se ensinasse a língua portuguesa.Depois da expulsão dos jesuítas, o uso do vernáculo se tornou obrigatório, nesta porção do território americano.
Repelido afinal, o aborígine brasileiro concentrou-se nas florestas remotas de mato grosso, amazonas e Goiás, onde vive até os dias atuais.
Os termos de procedência tupi, incorporados no léxico português do Brasil, são nomes próprios e apelidos de pessoas, nomes próprios geográficos, nome de seres do reino animal, vegetal, e de objetos, fenômenos naturais, doenças alimentos e crendices; um bom numero de verbos são formados de nomes indígenas.
A necessidade trouxe aos nossos pais os negros da áfrica, da língua por elas faladas destaca-se o nagô, e o quibundo.
Os vocábulos de procedência africana são: nomes geográficos, danças, instrumentos musicais, alimentos, iguarias, bebidas, animais, aves, insetos, arvores, plantas, legumes, frutas, doenças e estados d’alma.
Também contam em nosso vocabulário com alguns adjetivos e verbos formados de nomes já integrados no nosso idioma.
O negro contribuiu grandemente para modificar a América, onde parece ter sido decisiva a sua influencia foi na formação da linguagem caipira que tem procedência africana, indiana ou afro-indiana ex: amo (amor), jorná (jornal), fio (filho).
“Época vira em que este dialeto há de desaparecer em face dos recursos de que se dispõe o homem civilizado no combate a ignorância”.
Influencia das línguas americanas no Brasil:
Caribe, Taino,Nauatle,Mapuche,Quíchua.
Diferenciação dialetal: as alterações existem, é preciso que se diga, mas só na linguagem falada essas modificações serão mais profundas à proporção que o tempo vai passando ,dado o enfraquecimento de nossas relações com Portugal e isso já é o suficiente para caracterizar um dialeto contra isso alguns lingüistas consideram essa idéia como incultura,corrupção ou dependência mas examinando o assunto fora dos preconceitos veremos que não há razão para tal,Leite de Vasconcelos classifica entre os dialetos do português o nosso falar .
Em nosso Pais hoje se notam grandes diferenças da língua dos nortistas e dos sulistas, no léxico são grandes as diferenças entre os estados do Brasil.
Antenor nascentes admite a existência de quatro dialetos no Brasil: o sulista, nortista, fluminense e sertanejo posteriormente fez uma nova divisão que compreende Seis falares que divide em dois grupos o do norte e o do sul, entre esses dois grupos diz haver uma zona que ocupa uma posição eqüidistante dos extremos setentrional e meridional do pais que se estende do rio mucuri ,entre o estado do espírito santo e Bahia através da parte central de minas ,até a cidade do mato grosso ,no estado do mesmo nome .
O grupo do norte compreende dois sub falares: o amazônico e o nordestino, o grupo do sul abrange quatro sub falares: o Baiano, fluminense, mineiro e o sulista.
A língua do Brasil apresenta notas distintas do português de ultramar no vocabulário, fonética, morfologia, sintaxe e semântica.
Nós nem sempre empregamos as mesmas palavras que os portugueses.
Na fonética: observam-se diferenças mais profundas entre o português da Europa e o da América a fonética do português do Brasil é mais frouxo arrastado, as silabas são proferidas a ponto de destacar todos os elementos que a compõem, o Tonico se distingue por uma inflexão mais demorada na voz, na prosódia portuguesa as silabas tônicas absorvem quase inteiramente a átonas.
Acentuemos agora as divergências de alguns fonemas, sem desconhecermos que a nossa encontra às vezes perfeita equivalência na de certos pontos do território luso.
A
É fechado
Na pronuncia brasileira:
Na terminação –amos do pretérito perfeito;
Quando resultante de crase;
É aberto em cada, para, mas, e não câda,pâra,mâs;
Não existe diferença entre a preposição e a contração da preposição com o artigo;
Deixa de formar ditongo por metáfase;
E
Na pronuncia brasileira
É fechado;
Na preposição –emos do pretérito perfeito;
Quando seguido originariamente de duas consoantes;
No Sufixo –vel;
Em palavras derivadas, embora as primitivas tenham Tonico aberto;
Não se modifica;
Quando Tonico esta antes dos sons palatais nh e lh;
No mesmo caso antes de j, Ch e x;
Transforma-se em i;
As vezes quando pretonico ;
Nas variações prenominais ;
Quando átono final;
Alonga-se no ditongo ei;
I
Conserva se inalterável na pronuncia brasileira, em Portugal cai quando pretonico;
O

Na pronuncia brasileira é fechado
Quando inicial ou pretonico
Quando resultante de crase
Quando Tonico for seguido de consoante nasal
Alonga-se em ditongo quando em monossílabo Tonico ou em silaba final em vocábulo oxítono for seguido de –s ou z
U
Não apresenta particularidades em nossa pronuncia
B
Em alguns pontos de Portugal é freqüente a troca do b pelo v e vice e versa, no Brasil não se verifica este fato.
L/R
O l e r finais recebem, na pronuncia dialetal de alem mar, um –e paragógico ,o que é estranho ao nosso falar.
Há ainda outras discordâncias como:
Entre nós não existe o horror ao hiato que se nota na língua portuguesa;
Não há alongamento da vogal interior em ditongo antes de r;
São menos freqüentes os casos de sinalefa;
Na morfologia
As diferenças no Brasil consistem:
Em conservar fechado o no plural, em alguns casos;
Em não se dar a metatese do per em pré na composição
Na existência dos tupis-açu e mirim;
Em não se usar os sufixos Ito/ita que são substituídos por inho/inha;
Em não se empregarem formas imperativas e indicativas como faze, dize;
Em usar você ao invés de tu e vós
Na sintaxe
Enquanto no domínio do vocabulário, da fonética e da morfologia, achamos nossas discordâncias da linguagem portuguesa são legitimas a ponto de não recearmos criticas.
Na semântica
Nem todas as palavras portuguesas conservam entre nos o mesmo significado:
Casos de variação semântica:
Azular no Brasil= fugir em Portugal = tingir de azul
Babado no Brasil = folho do vestido em Portugal molhado de baba
Borrachudo no Brasil = mosquito em Portugal rotundo como uma borracha
Brasileirismos
Brasileirismos só devem caber aos modismos exclusivamente nossos ou aos fatos que resultam da adaptação e uso cotidiano do idioma no meio brasileiro em discordância com os que existiram ou existem atualmente em Portugal.
Já se tem arrolado como brasileirismos só porque não são hoje usadas em Portugal, devemos proceder com a maior cautela, para que senão tome como nosso o que é patrimônio comum dos dois povos.
Onde o brasileirismo existe com maior numero, é no domínio da pronuncia e no léxico, na sintaxe não será exagero afirmar que poucos são os casos verdadeiros, pois nessa área há uma maior resistência e a ausência disso indica enfraquecimento e ruína na língua.

Gostaria de ressaltar, que a língua falada do Brasil hoje é independente de restrições sociais influenciadas por Portugal, pois uma língua só é influenciada quando há contato com um falante de outra língua, caso esse que não ocorre com grande freqüência entre Portugal e Brasil.

Fichamento

Tema: O português do Brasil

Titulo: O português do Brasil

1- A língua portuguesa
2- Dialetos
3- Diferenças da língua
4- A língua do Brasil apresenta notas distintas do português de ultramar
5- Conclusão




Nome: Vinicius osnir da silva monteiro
Curso letras 1º semestre

Pinóquio As Avessas RESUMO

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 22, 2014

Pinóquio As Avessas

Uma estória sobre crianças e escolas, para pais e professores


No inicio do texto o autor faz uma citação de Fernando Pessoa: “Sou o intervalo entre meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim” o que denuncia suas intenções ao escrever o livro.
Em seguida disserta sobre o porque escreveu o livro dando exemplos de seu passado, e escolhe “pinóquio” como base para seus questionamentos.
Através da fala do pai de Felipe o autor destaca um pensamento, um tanto equivocado, que se espalha, há anos, pela sociedade. De acordo com ele, muitas pessoas, ainda acreditam que somente por meio da escola a criança pode se tornar "uma pessoa de verdade".Pois, se não passar pela escola, corre o risco de se tornar jumentinho, com rabo e orelhas de burro, além de zurrar, ou seja, rotula a criança como um ser inferior que não é gente.
E assim começa a estória, o pai conversa com a criança a respeito do colégio, pois, geralmente, antes de freqüentar esta instituição, elas perguntam para a mãe, ou para o pai, a finalidade de ir até lá.
Muitos pais dizem aos filhos, que na escola eles aprenderão tudo sobre a vida e sobre o que mais desejarem saber. Dizendo isso, a ilusão de que as professoras responderão todas as perguntas, permanece, durante muito tempo na cabeça das crianças transformando a escola em algo maravilhoso e gerando muitas expectativas em suas mentes.
É muito comum, os adultos perguntarem o que a criança quer ser quando crescer e, (isso é pergunta que se faça?) logo em seguida, limitarem o futuro dela a um “adulto que trabalha”, como a única e última opção na vida, além de associarem essa condição ao papel e à responsabilidade da escola.
O autor, agora por meio da fala de Felipe, critica o sistema de avaliação e desperta para a discussão da prática da / do escola / professor, que propõe uma educação para a vida e, ao mesmo tempo, desenvolve processos de avaliação que restringem o aprendizado a um número (nota) e o seu desenvolvimento a decisões quantificadas e padronizadas.
Nas suas reflexões e sonhos, o personagem compara a estrutura das escolas com gaiolas e as crianças-aluno, com pássaros, pondo em discussão a organização disciplinar rígida, começando pelo formato da “casa”, que é o ambiente escolar, seguido dos procedimentos das atividades disciplinares sinalizadas e terminando pela exigência do cumprimento dessas normas e regras pertinentes às escolas para a formação do adulto.
Como demonstra Rubem, no decorrer do livro, a escola ensina somente os conteúdos pré-estabelecidos pelo ministério da educação. Dessa maneira, muitos alunos, que vivem em uma realidade social diversa ficam prejudicados.
Além disso, muitos conceitos e dúvidas, que não se referem diretamente aos conteúdos abordados, não são trabalhados ou aproveitados pelos educadores.
E isso fica claro nesse trecho "Por que temos que estudar dígrafos?". E a professora, sabiamente, responde: “Isso vai cair no vestibular”. O menino, então, interpreta que todo conhecimento adquirido na escola serve, apenas, para passar no vestibular.
Atualmente, existem diversas corrente pedagógicas que combatem essa linha de pensamento. A corrente construtivista, por exemplo, fundamentada nas pesquisas de Piaget e Vygotsky, parte da idéia de que todos os seres humanos precisam agir aos estímulos do ambiente para, então, serem capazes de desenvolver as próprias habilidades. Ou seja, essa teoria defende a constante interação do aluno em meio ao processo educativo para que ele mesmo possa construir e organizar o próprio conhecimento.
Dessa maneira, as dúvidas e questionamentos da criança não podem ser reduzidos às “necessidades do vestibular". Uma criança estuda para crescer e se fortalecer como cidadão, não como um "robô repetitivo".
Nessa perspectiva, o autor convida-nos para um aprofundamento da reflexão sobre a discussão dos programas curriculares, o não-respeito à individualidade das crianças no processo de aprendizagem e a padronização de metas de ensino.

Para finalizar o autor mostra que muitas pessoas podem estudar em boas escolas, tirar excelentes notas, se tornar profissionais bem conceituados, porém, não atingir a tão sonhada satisfação ou realização pessoal. Ou seja, somente o fato de freqüentar a escola não é o suficiente para garantir um futuro feliz às crianças.

(só não entendo o porque o autor cita o inicia de vida escolar do Felipe como fundamental I, e ao mesmo tempo usa um perfil de ensino de fundamental II tendo vários professores).

Senta que lá vem historia...Rubem Alves

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 22, 2014


O Barbazul

Vivia num país, não me recordo se próximo ou distante, um homem que todos conheciam pelo apelido Barbazul. Era um homem de rara beleza. Do seu rosto o que mais impressionava eram os olhos, de um azul profundo, dos quais saía uma luz azul que envolvia sua barba numa aura azulada, razão do seu apelido.
Barbazul era um homem rico. Vivia num castelo. Numa das extremidades do seu castelo havia uma torre de sete patamares, trancados a sete chaves. Era uma torre misteriosa, interditada ao público, e sobre o que havia nela circulavam as estórias mais escabrosas.Barbazul era um homem solitário. Nunca se casara. Tão bonito, tão rico: por que nunca se casara? – era a pergunta que todos faziam.
Muitas eram as mulheres, lindas mulheres, que por ele se apaixonavam. E Barbazul não se esquivava. Aceitava as sugestões contidas nos sorrisos... A princípio era um simples namorico, os dois passeando pelos bosques... Mas sempre chegava o momento quando a jovem lhe dizia:
“Gostaria de me casar com você...“
“Casamento é coisa muito séria“, dizia Barbazul. “Só devem se casar pessoas que se conhecem profundamente. E só existe uma forma de as pessoas se conhecerem: é preciso que vivam juntas. Você viveria comigo, no meu castelo, mesmo sem nos casarmos? Eu no meu quarto, você no seu... Até nos conhecermos?”
E assim acontecia. A jovem ia viver com Barbazul no seu castelo, cada um no seu quarto. Comiam juntos, passeavam, conversavam... Barbazul era um homem extremamente fino e delicado. Mas sempre acontecia a mesma coisa: depois de um mês assim vivendo Barbazul se dirigia à jovem e lhe dizia: “Vou fazer uma viagem de sete dias. Nesses dias você tem permissão para visitar a ‘Torre dos Sete Patamares‘. Aqui estão as sete chaves... Durante a sua visita você deverá segurar a chave do patamar que você estará visitando na sua mão esquerda, fechada com bastante força. Isso é muito importante. Porque as chaves têm propriedades mágicas...“
Com essas palavras ele partia e a jovem ficava só, com as sete chaves na mão, e a Torre dos Sete Patamares a ser visitada...
Transcorridos sete dias Barbazul regressava e após o abraço do reencontro perguntava:
“Visitou a Torre dos Sete Patamares?“
“Sim. Visitei todos os patamares...“, a jovem respondia alegremente.
“Você gostou?“
“Eu os achei maravilhosos!“
Barbazul insistia:
“Todos eles?“
“Sim, todos eles...“
“Então“, concluía com um sorriso, “é hora de você me devolver as sete chaves,
aquelas que você apertou na mão esquerda, o lado do coração. Como eu lhe disse, elas são mágicas... Elas vão me contar o que você sentiu...“

Assentava-se então numa poltrona, fechava os olhos, e segurava as chaves na sua mão esquerda, uma de cada vez. A magia das chaves estava nisso: elas o faziam sentir, ao segurá-las, o mesmo que a jovem havia sentido, na sua visita aos sete patamares da torre.
Só de olhar para o seu rosto era possível perceber os sentimentos guardados na chave que segurava. Eram sentimentos os mais variados, todos os que existem no leque que vai da alegria até a tristeza. As jovens sempre se emocionavam ao visitar os patamares da torre... Com uma exceção. Ao segurar a sétima chave o sorriso de Barbazul desaparecia e, no seu lugar, aparecia enfado e tédio. Era isso que a jovem havia sentido no sétimo patamar: enfado e tédio.
“Não“, dizia ele à jovem. “Não poderemos nos casar. Comigo você será para sempre infeliz. O que há de mais fundo em mim, para você é tédio e enfado.“
E sem outras explicações levava a jovem à casa de seus pais, não sem antes enchê-la com os presentes que trouxera da viagem.
E era sempre assim.
Foi então que aconteceu...
Era o entardecer, o sol se pondo no horizonte. O mar estava maravilhosamente azul. Barbazul caminhava na praia, como sempre fazia, pés descalços... Viu, ao longe, uma jovem que caminhava sozinha, molhando os seus pés na espuma do mar. Era uma cena linda, digna de uma tela de Monet: uma jovem sozinha, vestes brancas na areia branca, contra o azul do céu e o azul do mar... Ela caminhava na sua direção, distraída. Mas parecia não vê-lo, tão absorta se encontrava. Ela se assustou quando o viu...
“Eu a assustei?“, ele perguntou.
“Eu estava distraída“, ela disse, se desculpando.
“Qual é o seu nome?“
“O meu nome? Stella Maris...“
“Chamam-me de Barbazul, por causa da cor da minha barba...“
Eles riram.
Ela não era bonita. Mas a cena era bonita, bonitos eram seus olhos, bonita era a sua voz...
Barbazul ouviu músicas no seu coração. E foi assim que caminharam juntos de pés descalços ao sol poente, caminhadas que vieram a se repetir a cada novo dia.
Até que, numa dessas caminhadas, Barbazul falou o que nunca falara.
“Você não quer morar comigo no meu castelo?“
“Você está pedindo que eu me case com você?“, ela perguntou.
“Não. Estou pedindo que você venha morar comigo. Depois de morar comigo, quem sabe, descobriremos que as nossas solidões poderão caminhar juntas pela vida...“
E assim, ela foi morar no castelo do Barbazul. E aconteceu exatamente como acontecia com todas as outras: passado um tempo Barbazul anunciou uma viagem de sete dias e lhe deu as sete chaves com a mesma recomendação. E partiu...
No primeiro dia Stella Maris tomou a primeira chave, abriu a porta do primeiro patamar e segurou firmemente a chave na sua mão. Era um enorme salão de festas cheio de gente. A orquestra tocava valsas alegres e as pessoas dançavam e riam. Parecia que todos estavam leves e felizes. Stella Maris dançou também e se sentiu leve e feliz.
No segundo dia Stella Maris tomou a segunda chave, abriu a porta do segundo patamar e segurou firmemente a chave na sua mão. Era um salão de banquetes onde se serviam as mais deliciosas comidas e se bebiam os vinhos mais caros. Muitos eram os comensais, mas não tantos quantos havia no salão de festas. Stella Maris juntou-se a eles, assentou-se, comeu, bebeu e se alegrou.
No terceiro dia Stella Maris tomou a terceira chave, abriu a porta do terceiro patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era um parque cheio de crianças que brincavam dos mais variados brinquedos: balanços, gangorras, pipas, piões, cabo-de-guerra, pau de sebo, perna de pau, pula-corda, amarelinha, bolinhas de gude, bonecas, casinha, cabra-cega, escorregador, sela... Todas riam. Todas estavam felizes. Stella Maris se sentiu como criança e se juntou com elas, a brincar.
No quarto dia Stella Maris tomou a quarta chave, abriu a porta do quarto patamar e segurou a chave firmemente em sua mão. Era uma biblioteca com prateleiras cheias de livros. Havia livros de todos os tipos: livros de ciência, de história, de literatura, de poesia, de filosofia, de humor, de mistério, de crime, de ficção científica, de arte, de culinária, de sexo, de religião... Os rostos daqueles que, assentados às mesas, liam livros em silêncio, revelavam emoções que os livros continham: concentração, excitação, curiosidade, alegria, tristeza, riso... Stella Maris escolheu um livro de arte, pinturas de Monet. Vendo as ninféias de Monet ela se sentiu leve e diáfana e desejou ver uma ninféia num lago...
No quinto dia Stella Maris tomou a quinta chave, abriu a porta do quinto patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era uma catedral gótica. A luz do sol se filtrava através dos vitrais coloridos e no silêncio do espaço vazio se ouvia o Requiem, de Fauré. E não eram muitas as pessoas que lá estavam. Havia rostos de súplica, rostos de sofrimento, rostos de paz. Stella Maris foi envolvida pelo silêncio, pelas cores dos vitrais, pela música... E a sua alma orou, chorou, agradeceu e sentiu paz.
No sexto dia Stella Maris tomou a sexta chave, abriu a porta do sexto patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era um jardim japonês. Ouvia-se o barulho da água que caía na fonte onde nadavam carpas coloridas em meio às ninféias. As cerejeiras estavam floridas. Um velho hai-kai repentinamente floresceu: “Cerejeiras ao anoitecer – Hoje também já é outrora...“ (Issa). Poucas, muito poucas eram as pessoas que andavam pelo jardim. Stella Maris se assentou sob uma cerejeira florida e o seu pensamento parou. Não era necessário pensar. A beleza era tanta que ocupava todo o lugar onde moram os pensamentos. Experimentou o paraíso...
No sétimo dia Stella Maris tomou a sétima chave, abriu a porta do sétimo patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era uma ampla sala vazia, na penumbra. Ninguém, somente ela. O silêncio era absoluto. A solidão era absoluta. Dois móveis apenas, duas cadeiras. A que se encontrava no centro da sala era iluminada pela luz das velas de um candelabro que pendia do teto. Stella Maris assentou-se na cadeira que estava num canto, nas sombras.

Foi então que um homem entrou por uma porta nos fundos. Vinha abraçado com um violoncelo. Sem dizer uma única palavra ele se assentou, arrumou o violoncelo entre as pernas, tomou o arco, concentrou-se e pôs-se a tocar. A melodia, em meio ao silêncio absoluto, sem nenhum ruído ou fala que a profanasse, era de tal pureza e pungência que lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Stella Maris.
Sentiu que o seu corpo estava possuído pela beleza. Era como se ele, o seu corpo, fosse o instrumento de onde saía a música. Sim, ela já a ouvira: a Suíte n. 1, em sol maior para violoncelo, de Bach. Terminada a execução, o artista se levantou e se retirou sem nada dizer. Stella Maris permaneceu assentada, em silêncio; não queria que aquele momento terminasse. Queria que ele se prolongasse, para sempre...

* * *

“Então“, disse Barbazul sorridente, “visitou a Torre dos Sete Patamares?“
“Visitei“, respondeu Stella Maris, entregando-lhe as chaves. Barbazul pediu para ficar sozinho e reclinando com os olhos fechados foi apertando as chaves, sucessivamente, com a mão esquerda, a mão do coração. No seu rosto se estampavam as emoções que Stella Maris havia tido em cada um dos patamares: leveza, alegria, riso, beleza, tristeza – até chegar ao último patamar, aquele que, ao segurar a sua chave, sentira o tédio e o enfado que as outras mulheres haviam sentido. O que é que Stella Maris teria sentido?
E, de repente, sentiu lágrimas rolando pelo seu rosto, as mesmas lágrimas que haviam rolado pelo rosto de Stella Maris. Era como se o seu corpo estivesse possuído pela beleza e fosse o instrumento do qual a música saía...
Barbazul sorriu. Permaneceu assentado, em silêncio; não queria que aquele momento terminasse. Queria que ele se prolongasse, para sempre...

* * *

“Stella Maris, você quer se casar comigo“, ele perguntou.
“Casar? Mas eu pensei que...“
“Sim, casar. Você compreendeu o que é a Torre dos Sete Patamares? É a minha alma. Cada patamar é um pedaço de mim. Lá se encontram os prazeres e alegrias humanos. Homens, mulheres e crianças se reúnem para compartilhar esses prazeres e alegrias. Mas, ao final da torre, há um lugar de solidão absoluta onde só entra uma pessoa de cada vez, eu permitindo. Aquele lugar é o fundo do meu coração. Quem não amar aquele lugar jamais me amará. Poderá até ser um companheiro de danças, de jantares, de discussões literárias, de brinquedos... Muitos podem ser bons companheiros. Mas, para me amar, é preciso amar a minha solidão. E aquela música é a forma sonora da minha solidão. Você a achou bela. Você permitiu que ela possuísse o seu corpo. E, por isso, eu a amo... Nossas solidões são amigas... Você quer se casar comigo?“

Envolver os alunos em atividades de pesquisa em projetos de conhecimento

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 21, 2014


Antes de ser uma competência didática precisa ligada a conteúdos específicos envolver os alunos em atividades de pesquisa e em projetos de conhecimento passa de uma capacidade fundamental do professor.


Quando se lê: “Da utilidade das experiências de pensamento para fazer os barcos flutuarem”. Retêm-se apenas os aspectos epistemológicos e didáticos da seqüência descrita, o mais importante permanece implícito uma seqüência didática só se desenvolve se os alunos aceitarem a parada e tiverem realmente a vontade de saber se o concreto é mais pesado que o ferro ou por que um iceberg flutua enquanto uma minúscula bolinha de aço afunda.

Não se trata mais em relação a alunos de 13 anos aquela curiosidade insaciável e daquela vontade espontânea de compreender das crianças de 03 anos. De 08 a 10 anos as mazelas do oficio do aluno não são mais atraídas por um enigma qualquer, as mazelas do oficio do professor reconhecem ao primeiro olhar o tédio do trabalho repetitivo sob a aparência lúdica de uma nova tarefa.

Como tornar o conhecimento apaixonante por si mesmo? Essa não é somente uma questão de competência, mas de identidade e de projeto pessoal do professor, infelizmente, nem todos os professores apaixonados dão se o direito de partilhar sua paixão.

Todas as competências aqui evocadas têm um forte componente didático.

Acredita-se que a capacidade de organizar e de animar situações problemas e outras situações problemas e outras situações fecundas de aprendizagem suponha competência bastante semelhante aquelas exigidas por um procedimento de pesquisa de maior fôlego. Todavia enquanto uma situação problema se organiza em torno de um obstáculo e desaparece quando ele é ultrapassado um procedimento de pesquisa parece ambicioso.

O procedimento em torno do peso e do volume e do principio de Arquimedes pode ser interpretado como uma seqüência de situações problemas.