RESENHA DO LIVRO A REVOLUÇÃO DOS BICHOS DE GEORGE ORWELL

Posted by Profº Monteiro on agosto 14, 2011





                  
  A estória se passa numa granja, onde os animais, oprimidos e mal-tratados por seu dono, passam a fomentar idéias de revolução, liderados pelos porcos. O autor passa uma visão clara a respeito de como se inicia uma revolução.Major, um porco já idoso, conta a todos os animais da granja o sonho que teve, onde todos os bichos viveriam sem sofrer e serem oprimidos pelos humanos, todos trabalhariam juntos e todos teriam direitos e deveres iguais, tendo que, para isso, tirar de cena o homem,legando todo o comando da granja aos animais.Após a morte do Major,outros dois porcos passam a liderar e começam a alimentar sonhos e desejos de revolução em todos os animais da granja. Eles se organizam e conseguem afugentar o proprietário que, após algumas tentativas de retomar o comando do lugar, todas fracassadas, finalmente desiste.É com assombro que os animais vislumbram o luxo e o conforto em que viviam os humanos da granja, e passam a rejeitar e até proibir todo tipo de facilidade e acúmulo de riquezas.Os porcos assumem a liderança, alegando serem os mais inteligentes e passam a dividir as tarefas, delegar os deveres e formular leis e até um hino, com o tema da revolução: Bichos ingleses e irlandeses, bichos de todas as partes! Eis a mensagem de esperança no futuro que virá!Logo os papéis ficam claramente definidos entre eles, uns são subservientes e nem ao menos pensam por si mesmos, outros tendem mais para o trabalho pesado, outros ainda são donos de uma lealdade genuína à causa da revolução.No início, os animais sentiram dificuldade em se adaptar aos afazeres humanos, mas em pouco tempo, já conseguiam realizar a maioria das tarefas.Logo a vida corria,e os porcos administravam e mantinham todos no prumo,formulando até os sete mandamentos dos bichos.Com o passar dos dias, porém, começaram a existir divergências entre as idéias dos dois porcos líderes, Bola-de-Neve e Napoleão. Não demorou muito até que Napoleão conseguisse um jeito de se livrar do outro, e justificar seu sumiço alegando ter ele traído a causa dos bichos, e estar servindo ao inimigo (o homem).A partir daí, tudo muda na granja dos bichos, ainda que lentamente e sem que a maioria conseguisse notar quase nada. Os antigos preceitos e a filosofia igualitária são substituídos por outras leis, que pelos animais não saberem ler, não conseguiam identificar como novas. Os que sabiam ler eram enganados com desculpas fáceis, e sua lealdade e credulidade os impediam de enxergar o que estava claro: que pouco a pouco todas as idéias revolucionárias foram substituídas por leis de favorecimento aos porcos, leis estas que faziam com que os outros trabalhassem mais e ganhassem menos comida a cada dia, sendo punidos rigorosamente todos aqueles que ousavam levantar a voz em oposição à ordem de coisas  que se seguia, até mesmo com a morte. Aqui o autor faz uma alusão a que é de interesse total das classes dominantes opressoras que o povo permaneça em ignorância, analfabeto, incapacitado para tomar suas próprias decisões e seguir seus próprios rumos. Portanto, quanto mais educada é uma pessoa, mais capacidade de julgar ela tem e isso, decididamente não é interessante para uma minoria que governa e monopoliza as riquezas. A idéia é, de fato, manter a grande maioria em completo desconhecimento , para que possa ser manipulada.Todo o luxo antes desprezado agora fazia parte do dia-a-dia dos porcos, não se via mais nenhum resquício do modelo ideológico que antes lhes fizera sonhar com uma vida melhor. Eles estavam sim,em pior situação do que quando eram subjugados pelos humanos, mas só que desta vez, o sofrimento era mascarado pelo véu da revolução, e muitos dos bichos,de memória comprometida,ainda teimavam em pensar que estavam melhor do que antes,j á que agora,eram os companheiros que lideravam,e ser liderado por um igual é sempre melhor, seja de que jeito for...No final do livro, os porcos já estão em franca associação com os humanos,visando sempre mais e mais lucro,coisa que era proibida de início.Da janela,os bichos observavam lá dentro da casa grande os porcos e os humanos bebendo juntos,e as feições deles se misturando.Já não se podia saber quem era homem,quem era porco...George Orwell é na verdade o pseudônimo de Eric Arthur Blair, indiano de família inglesa nascido em 25 de junho de 1903. Educado em escolas inglesas, foi policial, livreiro, professor e jornalista. Crítico ferrenho do regime stalinista, escreveu, em 1945, A Revolução dos Bichos onde denuncia a hipocrisia e ineficácia dos regimes chamados igualitaristas. Sua obra não pôde ser publicada por um longo período, pois Stalin era aliado da Inglaterra e dos Estados Unidos, e somente após a guerra pode sair da gaveta.O livro é uma analogia, e demonstra o processo pelo qual a maioria das revoluções que carregam preceitos de igualitarismo terminam. Na verdade, apesar de ser um ataque claro à Stalin, pode facilmente ser aplicado a outras inúmeras ocasiões da História onde o interesse pessoal suplantou o idealismo. Podemos identificar sem muito esforço os personagens que se desenham no decorrer desta estória, como uma regra (guardadas as exceções à mesma).Assim como em cada sala de aula sempre existem essencialmente os mesmos tipos de alunos, fato esse facilmente identificável para quem é familiarizado com ela, também em toda revolução aparecem sempre os mesmos tipos, os alienados,os leais até à morte,os trabalhadores braçais que engordam quem está no comando, e também os poucos que se arvoram a combater as incoerências,as injustiças,quase sempre mártires.Assim vemos que A Revolução dos Bichos é ainda uma obra atual em nossos dias, onde idéias revolucionárias de libertação surgem a todo instante. Tais idéias não são fundamentalmente más ou vazias, mas não são um fim em si mesmas. Devem, porém, ser acompanhadas de abnegação genuína, porque do contrário, torna-se um perigoso instrumento de manipulação das massas."Aprendemos por dolorosas experiências históricas, que é da natureza e disposição de quase todos os seres humanos que,tão logo consigam adquirir um pouco de autoridade,começam imediatamente a exercer injusto domínio." ( doutrina e convênios 121 ). E não precisamos falar de acontecimentos grandiosos como revoluções de uma nação inteira,mas esta tendência se observa em todas as relações onde a autoridade e o poder estão presentes,sim,até mesmo em nossas simples relações do dia-a-dia.Podemos traçar paralelos entre nossa realidade política e A Revolução dos Bichos?Certamente. E não seria difícil identificar cada um dos personagens. Mas o verdadeiro desafio é procurar o Napoleão em nós mesmos. Quando conseguirmos enxergar os déspotas que muitas vezes nós mesmos nos tornamos em nossas relações de poder, é que a obra de George Orwell atingirá seu pleno significado. Mudanças bruscas de fora para dentro nunca foram duradouras, é o que mostra a História. Se o homem não mudar sua tendência natural de subjugar seu semelhante em proveito próprio, mais cedo ou mais tarde ele será corrompido, e não há ideologia que o pare.Este é, enfim, o verdadeiro desafio e por isso, A Revolução dos Bichos seguirá sempre atual, denunciando a realidade, pois os humanos serão sempre os mesmos- às vezes homens, às vezes porcos.
                        A REVOLUÇÃO DOS BICHOS - GEORGE ORWEL
                               Lembro-vos também de que na luta contra o Homem não devemos ser como ele. Mesmo quando o tenhais derrotado, evitai-lhe os vícios. Animal nenhum deve morar em casas, nem dormir em camas, nem usar roupas, nem beber álcool, nem fumar, nem tocar em dinheiro, nem comerciar. Todos os hábitos do Homem são maus. E, principalmente, jamais um animal deverá tiranizar outros animais. Fortes ou fracos, espertos ou simplórios, somos todos irmãos. Todos os animais são iguais.George Orwell O início de uma fábula contemporânea. O dono da Granja do Solar, Sr. Jones, embriagado com o poder, tranca o galinheiro e vai para a cama cambaleando. Major, porco ancião e premiado, reúne todos os animais e conta seu sonho visionário de como será o mundo depois que o homem desaparecer. Declara em tom profético a necessidade dos bichos assumirem suas vidas, acabando com a tirania dos homens.                Os animais são contagiados pelos versos revolucionários e entoam apaixonadamente a canção "Bichos da Inglaterra". Sr. Jones acorda alarmado com a possível presença de uma raposa e, com uma carga de chumbo disparada na escuridão, encerra a cantoria.Major falece três noites após. A morte emoldura o mito e suas palavras ganham destaque nas falas dos animais mais inteligentes da granja. Os bichos mais conservadores insistem no dever de lealdade ou no medo do incerto: Seu Jones nos alimenta. Se ele for embora, morreríamos de fome.Os perfis dos animais são traçados: os porcos, as ovelhas, os cavalos, as vacas, as galinhas, o burro... Todos com traços marcantes de manipulação, alienação, rigidez, ignorância, dispersão, teimosia...A rebelião ocorre mais cedo do que esperavam. Com a expulsão do Sr. Jones da granja, surge o momento de reorganizar o funcionamento da propriedade. Os porcos assumem a liderança, dirigem e supervisionam o trabalho dos outros. Os demais dão continuidade à colheita. Alguns bichos se destacam pela obstinação, como o cavalo Sansão, cujo lema é Trabalharei mais ainda.Os sete mandamentos declarados por Major são escritos na parede:          Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.O que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.Nenhum animal usará roupa.Nenhum animal dormirá em cama.Nenhum animal beberá álcool.Nenhum animal matará outro animal.Todos os animais são iguais.Bola-de-neve e Napoleão se destacam na elaboração das resoluções. Sempre com posições contrárias. Os demais animais aprenderam a votar, mas não conseguem formular propostas. A pluralidade de pensamentos dá margem aos debates e às escolhas.     Os sete mandamentos elaborados na revolução são condensados no lema Quatro pernas bom, duas pernas ruim. A síntese do animalismo é repetida pelas ovelhas no pasto por horas a fio.Sr. Jones tenta recuperar a propriedade, mas é vencido pelos bichos na Batalha do Estábulo. O porco Bola-de-neve e o cavalo Sansão são condecorados pela bravura demonstrada no conflito. Mimosa foge para uma propriedade vizinha seduzida pelos mimos oferecidos por um humano. Surge a idéia de construção de um moinho de vento... Os animais ficam divididos com a perspectiva do novo.Bola-de-neve e Napoleão sobem ao palanque e montam suas campanhas políticas. A eloqüência de Bola-de-neve conquista os animais, mas a força dos cães de Napoleão expulsa Bola-de-neve da granja e legitima Napoleão no cargo de líder diante dos atemorizados bichos.Os bichos trabalham como escravos na construção do moinho de vento e gradativamente vão perdendo a memória de como era a vida na época do Sr. Jones. Animais trabalhadores, como Sansão, acordam mais cedo, trabalham nas horas de folga e assumem as máximas elaboradas pelos donos do poder: trabalharei mais ainda e Napoleão tem sempre razão.Como a maioria dos animais não aprendeu a ler, os mandamentos vão sendo alterados na medida em que Napoleão e seus assessores vãos assumindo posições contrárias aos princípios que nortearam a revolução: os porcos começam a comerciar a produção da granja, passam a residir na casa do Sr. Jones, dormem em camas, usam roupas, bebem uísque, relacionam-se com homens... A maioria dos animais é facilmente convencida dos seus equívocos de interpretação. Os poucos que conseguem ler e interpretar as adulterações do poder se omitem...Alguns animais são executados sob a alegação de alta traição. Tudo o que ocorre de errado na granja é de responsabilidade de Bola-de-neve. Sua história é enterrada na lama de mentiras e manipulação imposta pelo novo regime. As reuniões de domingo são proibidas e a canção Bichos da Inglaterra é censurada. Os bichos trabalham mais e não são reconhecidos por seus esforços. Todas as condecorações são dadas ao líder.Os animais passam privações. Suas rações são diminuídas em prol do bem comum. Os porcos são agraciados com os privilégios do poder. Uma segunda batalha com os humanos surpreende os animais enfraquecidos, mas, apesar das muitas perdas, eles vencem e permanecem sob a ditadura imposta por Napoleão. Infelizmente perderam os parâmetros para avaliação, perderam a memória da história antes do governo de Napoleão.Os homens destroem o moinho de vento e os animais trabalham mais para reconstruí-lo. A dedicação do cavalo Sansão é assustadora, abdica da própria saúde em prol do ideal. Depois de alguns dias é vencido pela fragilidade da avançada idade e do pulmão debilitado... Os porcos simulam uma internação num grande hospital, mas entregam o velho cavalo ao matadouro. Os direitos do trabalhador e do aposentado se encerram na indiferença dos poderosos.O burro Benjamim que aprendeu a ler, apesar de ter preferido o silêncio durante todo o período, tenta alertar os demais animais, mas é tarde... O porco Garganta convence os bichos de que a carroça que levou o cavalo foi comprada pelo grande veterinário, mas continuou com os letreiros do velho dono... Poucos dias depois, o anúncio da morte de Sansão chega à granja e os porcos recebem uma caixa de uísque...Os animais escravizados ganham alento nas palavras do corvo Moisés que garante que, finda esta vida de sofrimentos, haverá a Montanha de Açúcar  Candeo lugar feliz onde nós, pobres animais, descansaremos para sempre desta nossa vida de trabalho. As atitudes dos porcos com Moisés são ambíguas: afirmam, aos bichos, que a história de Moisés é uma grande mentira, porém ele permanece na granja sem trabalhar e ainda com direito a um copo de cerveja por dia. A religião arrebanha algumas ovelhas.Passaram-se anos. As estações vinham, passavam, e a curta vida dos bichos se consumia. A nova geração só conhecia esta realidade, exceto Quitéria, Benjamim, o corvo Moisés e alguns porcos... A vida era muito difícil, mas existia a certeza de que todos os animais eram iguais... Não tardou para os bichos espantados presenciarem os porcos andando sobre duas patas com chicotes nas mãos.Só restava um único mandamento e mesmo assim adulterado: Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros. Depois disto nada mais se estranhava. Os porcos fumavam, bebiam e andavam vestidos  haviam se assenhorado dos hábitos do Sr. Jones. Uma noite, os porcos receberam os vizinhos humanos para uma reunião na casa. Os demais animais ficaram à espreita na janela da sala de estar.Seguiram-se pronunciamentos, declarações de mútuo afeto e admiração por parte dos porcos e dos homens. Os vizinhos humanos parabenizaram os porcos pelos métodos modernos de ordem e disciplina impostos: "... os animais inferiores da Granja dos Bichos trabalhavam mais e recebiam menos comida do que quaisquer outros animais do condado."Todos os alicerces da revolução estavam corrompidos nas palavras de Napoleão. Até mesmo a granja voltaria a ter o mesmo nome da época do Sr. Jones: Granja do Solar.Os animais estupefatos se afastaram, mas não alcançaram vinte metros quando iniciou uma violenta discussão entre Napoleão e o vizinho humano motivada por uma jogada no carteado...As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.A metáfora da janela é fundamental para a abertura da percepção da realidade. Os ditadores podem estar revestidos em qualquer corpo se conservarem as máscaras capazes de adulterar a memória histórica dos governantes, tornando-os marionetes manipuladas com o medo e a omissão.O que fazer com a última mensagem do livro, qual seja, a impossibilidade de distinguir quem era porco e quem era homem? Pensar que qualquer bicho fará o mesmo quando investido de poder ou refletir sobre as atitudes e omissões de quem legitima o poder com o trabalho diário e a aceitação do crescente empobrecimento?A revolução dos bichos é um texto que, a princípio, parece visionário, mas, em poucos capítulos, identificamos os acontecimentos históricos na sátira elaborada pelo grande escritor. George Orwell conseguiu interpretar a realidade com lucidez e quis alardear suas percepções sobre os movimentos sociais, o poder e os indivíduos.A revolução russa. Major (Lenin); Napoleão (Stalin); Bola-de-neve (Trotsky); as ovelhas, que repetem sem consciência os lemas; os cavalos com seus tapa-olhos que só conseguem olhar para o trabalho; as galinhas que se perdem na dispersão; o burro empacado em suas verdades; os cães fiéis à guarda de seus donos... Todos personagens históricos, escravos da própria revolução, prisioneiros dos sonhos depauperados...Como alterar a história? Tornar-se sujeito ativo de transformação? Reescrever os velhos mandamentos e ensaiar uma precipitada revolução ou elaborar uma nova análise das conjunturas a fim de reavaliar nossos princípios?A revolução dos bichos se repete na história. Novos personagens assumem os papéis dos protagonistas e o enredo continua... Alguns preferem a silenciosa leitura dos fatos, outros desejam escrever novos capítulos...É, caro leitor, precisamos de engajamento, de comprometimento com os mandamentos que norteiam nossas ações e de coragem para espreitar a realidade com olhos de transformação sem apagar a memória de nossas conquistas históricas.George Orwell, escritor, jornalista e militante político, participou da Guerra Civil Espanhola na milícia marxista/trotskista e foi perseguido junto aos anarquistas e outros comunistas pelos stalinistas. Desencantado com o governo de Stalin, escreveu A Revolução dos Bichos em 1944. Nenhum editor aceitou publicar a sátira política, pois, na época, Stalin era aliado da Inglaterra e dos Estados Unidos. Só após o término da guerra, em 1945, é que o livro foi publicado e se tornou um sucesso editorial.
                              

A Revolução dos Bichos

Autor: George Orwell
SINOPSE: O sonho de um velho porco de criar uma granja governada por animais, sem a exploração dos homens, concretiza-se com uma revolução. Como acontecem com as revoluções, a dos bichos também está fadada à tirania, com a ascensão de uma nova casta ao poder. Nesta fábula feita sob medida para a Revolução Russa, “todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que os outros”.
ANÁLISE: A obra de George Orwell é um romance, mas podemos afirmar que é uma fábula sobre o comportamento humano. Destacaremos dois pontos que nos comprovam isso. Primeiro: consideramos uma fábula porque os personagens são animais e agem como homens “ (…) os primeiros foram os três cachorros (…) depois os porcos (…) As galinhas empoleiravam-se nas janelas, e as pombas voaram (…) as ovelhas e as vacas deitaram-se atrás dos porcos.”. Segundo: os fins das fábulas vêm sempre acompanhados por uma lição de moral, e isso também acontece na obra. “ Todos são iguais mas alguns são mais iguais que outros”. A lição que nos é transmitida é que não existe igualdade social devido às relações de concentração de poder nas mãos de uma minoria.
O autor fala diretamente dos humanos ao atribuir a cada animal uma característica na personalidade deles pertencentes aos homens, como: autoritarismo, ingenuidade, crueldade, bondade, egoísmo, indignação, dentre outros. “ (…) Bola-de-Neve era mais ativo que Napoleão, de palavra mais fácil, mais imaginoso, porém não gozava da mesma reputação quanto à solidez do caráter.” Ele também revela traços do comportamento humano quando mostra a busca dos animais por uma vida melhor, a procura da liberdade e de seus direitos.
(…) qual é a natureza desta nossa vida? (…) Nascemos, recebemos o mínimo de alimento necessário (…) e os que podem trabalhar são exigidos até a última parcela de suas forças, (…) trucidam-nos com hedionda crueldade. (…) Nenhum anila é livre.”
A Revolução dos Bichos nos faz entender o funcionamento das sociedades comandadas por diferentes tipos de governo, além de mostrar de forma genial a ambição do ser humano – o sonho pelo poder.
Quando o senhor Jones era o dono da granja explorava o trabalho animal em benefício próprio – acumular mais capital. Em troca de serviços prestados ele pagava com alimentação que nem sempre era boa e suficiente. Temos aí o retrato de uma sociedade CAPITALISTAquem mais trabalha é quem menos ganha.
A Revolução, que se deu por idéia do Major, tinha por princípio básico a igualdade, sendo assim o Animalismo corresponderia ao SOCIALISMO: regime que não existe propriedade privada - em que todos são iguais e trabalham para o bem comum. No princípio até houve um socialismo democrático, juntos participavam de assembléias, contribuíam com idéias e sugestões, todos liderados por Bola-de-Neve, que foi bem aceito pelos animais em geral. “(…) uma sociedade de animais livres da fome e do chicote, todos iguais, cada qual trabalhando de acordo com a sua capacidade, os mais fortes protegendo os mais fracos.”
Os animais, com pretensão de expandir suas idéias sobre o Animalismo, elaboraram sete mandamentos explicitando os direitos e deveres de cada bicho, que de comum acordo deveria ser seguido à risca em suas vidas, igualmente para todos. Porém, o Estado democrático não passou de um sonho, com o decorrer do tempo, de acordo com as atitudes e intenções dos animais que lideravam a fazenda e que se consideravam superiores aos outros, foram modificando totalmente as regras. Os porcos que chegaram ao poder iniciaram um governo incoerente, jogando o ideal de igualdade na lama, uma vez que jamais trabalharam após a Revolução, somente davam ordens aos outros animais.
SETE MANDAMENTOS DO ANIMALISMO
X
1. QUALQUER COISA QUE ANDA SOBRE DUAS PERNAS É INIMIGO.
Esse mandamento muda quando os porcos começam a estabelecer vínculos comerciais com os humanos. “ (…) Napoleão assinara, por intermédio de Whymper, um contrato de fornecimento de quatrocentos ovos por semana.”
2. O QUE ANDA SOBRE QUATRO PERNAS, OU TENHA ASAS, É AMIGO.
Na verdade modifica completamente quando algum animal desobedece ao que eles impõem. “(…) verificaremos que o papel de Bola-de-Neve foi muito exagerado (…), pronuncio a sentença de morte para Bola-de-Neve”.
3. NENHUM ANIMAL USARÁ ROUPA.
Logo depois que passaram a morar na casa grande os porcos começam a usar roupas. “(…) Napoleão apresentando-se com um casaco negro, calções de caça e perneiras de couro.”
4. NENHUM ANIMAL DORMIRÁ NA CAMA.
Os porcos, posteriormente, acrescentaram o termo “com lençóis”, alegando que esses eram invenções humanas. “ (…) Nós retiramos os lençóis das camas da casa e dormimos entre cobertores.”
5. NENHUM ANIMAL BEBERÁ ÁLCOOL.
Quando outros animais encontram garrafas de bebidas alcoólicas na Casa Grande e questionam a respeito eles completam o mandamento com: “EM EXCESSO”. “ (…) os porcos haviam conseguido, não se sabia de que maneira, dinheiro para adquirir outra caixa de uísque”.
6. NENHUM ANIMAL MATARÁ OUTRO ANIMAL.
Os porcos, ao perceberem que alguns animais não estavam de acordo com suas atitudes, resolvem matar a tais para não disseminar a oposição. “(…) E assim prosseguiu a sessão de confissões e execuções, até haver um montão de cadáveres aos pés de Napoleão.”
7. TODOS OS ANIMAIS SÃO IGUAIS.
Os porcos líderes, por se considerarem superiores aos outros animais, acrescentam no mandamento “ MAS UNS MAIS IGUAIS QUE OUTROS”. Eles são quem governariam a granja pela sua diferenciação. “ (…) Napoleão habitava um apartamento separado dos demais.”
Napoleão representa o desejo da onipotência, do poder absoluto e para conseguir seus objetivos tudo passa a ser válido: mentiras, traições, mudanças de regras. Tempos depois se instaurava na Granja uma verdadeira DITADURAos poderes se concentravam apenas nas mãos dele, não havendo liberdade de expressão nem direito de opiniões dos outros animais.
Os donos do poder subvertem os mandamentos iniciais em seu próprio benefício, alteram hinos de louvor patriótico em louvor próprio, passam a negociar com humanos e a trazê-los para dentro da fazenda. E a maioria dos animais nem se lembra mais o que pregava a revolução original, pois a história é recontada sempre de acordo com os interesses do Porco do Poder, até que a situação torna-se pior do que era antes e o lema passa a ser: “TODOS IGUAIS, MAS UNS MAIS QUE OUTROS”. Essa expressão define toda a obra, porque nunca existiu e nunca vai existir igualdade entre os homens e nem entre os animais. “(…) Se Vossas Senhorias tem problemas com vossos animais inferiores, nós os temos lá com as nossas classes inferiores.”
Os animais, ao passo que foram conquistando seus objetivos, tornaram-se completamente iguais ao homem, tanto psicologicamente como fisicamente (chegando ao absurdo de andar sobre as duas patas traseiras), não dava mais para se distinguir os animais dos homens, no que se referia ao comportamento. A humanização dos porcos alcança seu ápice quando Napoleão convida proprietários vizinhos para uma festa. Os demais animais, praticamente escravizados, chegam perto da Casa Grande e não conseguem enxergam os porcos.
“(…) Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todos iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir, quem era homem, quem era porco.”
INTERTEXTUALIDADES
REVOLUÇÃO RUSSA
Pode-se perceber claramente que esta incrível obra, lançada durante a ditadura stalinista, é uma alegoria a Revolução Russa e ao seu desdobramento. Vários personagens da trama remetem àquela época.
1. SENHOR JONES, explorador e alcoólatra: poderia se identificar com o czar Nicolau II, que ao que dizem as más línguas – tinha aversão ao povo e era um beberrão;
2. MAJOR, o porco velho: sábio e idealista, morre sem ver a Revolução vingar, podendo ser comparado a Lênin e Marx, que faleceram ser ver os frutos da Revolução;
3. BOLA-DE-NEVE, o expansionista, e NAPOLEÃO, o ditador: suas intrigas fazem-nos lembrar da rixa entre Trotski e Stálin, em que o primeiro acabou sendo perseguido e morto a mando da sanguinária ditadura stalinista;
4. CORJA DE CÃES que fazia a segurança de Napoleão: poderia perfeitamente ser vista como uma espécie de KGB, que fora a perseguição de Bola-de-Neve ainda fez vários animais ficarem contrários ao governo como aconteceu com Stalin.
5. PORCO GARGANTA, o porta-voz de Napoleão: transmitia a propaganda do governo sempre por meio da retórica e da eloqüência, sustentáculo da manutenção de qualquer ditadura;
OUTROS ANIMAIS: os únicos que de fato trabalhavam e que fizeram a Granja crescer podem ser classificados como proletariado russo.
Analisando mais a fundo algumas passagens do livro, ainda é possível dizer que a obsessão pelo trabalho disciplinado e dirigido pelos porcos, que controlam o Estado, na expansão da Granja e na construção do moinho relaciona-se com os onipresentes Planos Qüinqüenais de Stálin.
GOVERNO LULA
Algumas promessas de Lula:
LULA: “Estarei satisfeito se ao final do meu mandato, os brasileiros puderem fazer três refeições diárias.”
REVOLUÇÃO DOS BICHOS: Vote em Napoleão e na manjedoura cheia (comida abundante).
LULA: Deus pôs os pés aqui (no Brasil) e falou: “Olha aqui vai ter tudo. Agora é só homens e mulheres terem juízo que as coisas vão dar certo.”
REVOLUÇÃO DOS BICHOS: O solo da Inglaterra é fértil, o clima é bom, ela pode oferecer alimentos em abundância, a um número de animais muitíssimo maior do que o existente.. Por que então permanecemos nesta miséria? Porque quase todo o produto do nosso esforço nos é roubado pelos seres humanos.
Marli Savelli de Campos

Fahrenheit 451 Os Paradoxos da Combustão

Posted by Profº Monteiro on agosto 14, 2011
          Os Paradoxos da Combustão


Introdução
Esta analise foi feita , baseada no filme assistido no anfiteatro da F.I.P ,e tem como objetivo enfatizar a importância da comunicação , leitura de símbolos e signos, leitura e escrita como alicerces de uma sociedade utópica.
Resumo do filme
O filme tem como título, Fahrenheit 451 do  Diretor François Truffaut e foi filmado em 1966, tendo como elenco Oskar Werner, Julie Christie, Cyril Cusack, Anton Driffing, Alex Scott, Bee Duffell, Noel Davis,Mark Lester  , sua duração é de 111 Min.  E passa-se em uma época onde tudo parece esta em ordem , mas esta falsa ordem esconde uma perversa dominação a base de alienação da social.

     Relação do trabalho com o curso de licenciatura em letras
     A relação de Fahrenheit 451 esta ligada diretamente com o curso de letras ,desde a psicologia comportamental dos personagens, até a utilização da semiótica e semiologia explorada no enredo do filme .
podemos destacar também o uso da oralidade , pois não há escrita e nem leitura que seja permitida , então temos o retorno aos tempos primórdios da civilização onde não havia o registro escrito dos fatos.
O filme desperta em nós o instinto da leitura dos símbolos e nos da a oportunidade de avaliarmos o percurso da humanidade , e planta uma semente em nossa consciência para que ao nos formarmos tenhamos como objetivos educacionais , dar asas a liberdade e criatividade de nossos alunos que serão futuros cidadãos livres e de pensamento próprio , e principalmente fora do domínio totalitarista televisivo.
Analise / Debate
Logo no inicio do filme percebe-se a ausência da leitura, pois os créditos do filme são passados oralmente, ao mesmo tempo nos expõe a varias antenas de TV multicoloridas.

O pano de fundo do filme é uma sociedade totalitária no qual a TV interativa é chamada de “a família” (como no romance político 1984 a teletela está sempre presente, e com ela o     PARTIDO controla o povo).

Transportando isso aos dias atuais temos exemplos de TV interativa como os realities show, big brothers e big fones.

Temos como personagem principal o fogo que é utilizado pelos bombeiros para atear fogo em todo e qualquer livro que seja encontrado, pois são considerados propagadores da infelicidade.
Percebe-se uma inversão de valores muito intensa, afinal desde os primórdios dos tempos o objetivo da humanidade foi de registrar os fatos, já nesta Distopia acontece o contrario e a cada tomada é feita a desconstrução dos valores humanos.

Nessa sociedade há um grande interesse de destruir o conteúdo e manter a forma, temos como exemplo disso o fato de todas as casas serem a prova de fogo, assim dessa forma pode-se queimar os livros e tudo o que houver dentro dela sem abalar suas estruturas, e podendo assim ser reabitada por novos moradores (da mesma forma que os nazistas fizeram com os Judeus, suas casas e pertences), temos também a exemplo disso a esposa de Montag que ao tomar uma overdose, tem seu sangue drenado e substituído por outro, com isso suas memórias ruins também são apagadas para que não se lembre de coisas desagradáveis e não questione o estado, afinal pessoas felizes não questionam e se deixam levar pelo sistema (hoje em dia é comum utilizar-se de meios de entretenimento em massa para desviar a atenção do povo das coisas erradas que acontecem em nosso Pais, por exemplo, carnaval,copa,futebol,referendos inúteis ,entre outros).


Os uniformes dos bombeiros e a censura dos livros, nos remete  a outros regimes totalitários como o fascismo e o nazismo.
chama-nos a atenção o fato de apesar de tudo ser moderno para a época os telefones são antigos (pré anos 60).

 E é nesse cenário bucólico e ficcionaria que esta Montag , um (Fireman) que aos poucos vai percebendo que o motivo real da família não querer livros é que eles fazem o individuo agir como individuo , pensar ,questionar, (livre arbítrio,Vontade própria? ) isso não pode existir em uma sociedade totalitária ou fascista .

O numero 451 que é a temperatura em que o livro entra em combustão (aprox. 233 graus Celsius) e o símbolo da fênix estão presentes  no prédio dos bombeiros , já a salamandra esta afixada nos carros dos queimadores de livro , se fizermos uma relação entre a salamandra e a fênix podemos dizer que Montag sempre viveu entre as salamandras que vivem no fogo e não se queimam , pois mitologicamente devido ao seu corpo frio, são imunes a ele, porem num determinado momento Montag se transforma na fênix e se deixa consumir pelas chamas e renasce das cinzas , renovado e cheio de fogo interior ,um fogo benigno e com fome de conhecimento .

Na mitologia grega o fogo era algo apenas para os deuses, mas foi roubado por Prometeu e entregue aos homens, e por isso foi condenado a passar a eternidade sendo devorado por abutres, porem foi salvo por Hercules durante seus doze trabalhos, para mim Clarice foi o prometeu de Montag, pois passou seu fogo para ele.

 Falando agora sobre o capitão de Montag , o Cap. Betty afirma que todos os livros devem ser queimados e diz isso com aparente pesar ao levantar o livro “Mein kampf “ ( minha luta ) de Adolf Hitler , demonstra também ser grande conhecedor das obras literárias que queima , fato que indica que em algum momento de sua vida ele foi um ávido leitor , mas algo aconteceu e ele se revoltou contra os livros.

No decorrer do filme após Montag ter queimado sua casa e seu capitão ele foge para se juntar aos homens livro.
Apesar de conseguir fugir da família a TV divulga que ele foi morto e isso se apresenta de forma sensacionalista e repleta de suspense ( como ocorre hoje nos telejornais e tablóides sensacionalistas ).





Para a família era primordial manter o poder sobre a sociedade e por isso Montag não podia continuar vivo e se não podiam matar o individuo era preciso matar o signo que o representava e assim foi feito.
Em seu final poético Montag se junta aos homens livro e a Clarice e percebe que o mesmo fogo que destrói também reconstrói, pois ali também se queima livros, mas somente depois De guardados na mente onde ninguém poderá destroçá-los, pois suas mentes jamais serão incineradas e se o forem! O conhecimento já terá passado para outro dos homens livro ( pois diferente de 1984 neste cenário Distópico não existe a crimidéia e nem o duplipensar ) .


Ensaio Acerca do Entendimento Humano (Os Pensadores)-John Locke

Posted by Profº Monteiro on julho 01, 2011


 





Sinopse






Ensaio acerca do Entendimento Humano (em inglês, An Essay Concerning Human Understanding) é um dos principais trabalhos deJohn Locke, junto com o segundo tratato de Dois Tratados sobre o Governo. Foi publicado originalmente em 1690 e tem como tema o pensamento e conhecimento humano.
No livro, Locke afirma que todas as pessoas nascem sem saber absolutamente nada, como se fosse uma "folha em branco" (tabula rasa, embora o autor não tenha usado exatamente essas palavras) preenchida a posteriori através de experiências. Esse ensaio foi uma das principais fontes do empirismo britânico, influenciando muitos filósofos do iluminismo, como David Hume.

A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA", DE GUIMARÃES ROSA

Posted by Profº Monteiro on maio 25, 2011
João Guimarães Rosa (1908-1967)



O senhor... Mire veja : o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - ma que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior: É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão.

João Guimarães Rosa é natural de Condisburgo, Minas Gerais. Estudou as primeiras letras com o mestre Candinho, e francês, com o religioso Frei Esteves. Era um aluno tão brilhante que aos seis anos já lera seu primeiro livro nessa língua. Mudou-se para Belo Horizonte, passando a estudar no colégio Arnaldo. Lá, era frequentemente assíduo da biblioteca , colecionava insetos e borboletas, e estudava por conta própria línguas e História Natural.

Formou-se em Medicina em 1930, clinicando durante dois anos e Itaguara, Minas Gerais, onde logo ganhou fama de médico excelente e consciencioso. De volta a Belo Horizonte trabalha como médico voluntário da Força Pública durante a Revolução de 32, sendo efetivado por concurso dois anos depois.

Como era poliglota foi incentivado por um amigo a prestar concurso no Itamaraty para seguir carreira diplomática. Passou em segundo lugar e, em 1938, foi nomeado cônsul em Hamburgo, na Alemanha. Quatro anos depois, o Brasil rompeu relações diplomáticas com esse país, e Guimarães Rosa e outros funcionários do corpo diplomático ficaram reféns em Baden-Baden, tendo sido libertados em troca de diplomatas alemães detidos em solo brasileiro. Como diplomata exerceu atividades ainda na Colômbia, França e no Rio de Janeiro. Em 1952, fez uma viagem de nove dias a cavalo pelo sertão de Minas Gerais, participando de um grupo que conduzia uma boiada. Essa experiência marcaria demais sua obra. A partir do ano seguinte fixou-se definitivamente no Brasil.

Em 1963, foi eleito para ocupar a cadeira n° 2 da Academia Brasileira de Letras, mas, intuindo sua morte ao tomar posse, adiou-a por quatro anos. Morreu em 16 de novembro de 1967, exatamente três dias de sua posse.
Sagarana, foi publicado em 1946. A obra chamou atenção pela linguagem inovadora, pela singular estrutura narrativa e pela riqueza de simbologia dos contos, que o escritor havia começado a escrever dez anos antes. As histórias se passam em fazendas mineiras, tendo como personagens vaqueiros e criadores de gado.

EPOPÉIA EM MINAS GERAIS




O escritor fez, em maio de 1952, um percurso de 240 quilômetros no sertão mineiro, durante dez dias, conduzindo uma boiada. Na viagem, anotou expressões, casos, histórias, procurando apreender de forma mais profunda aquele universo com o qual tinha contato desde a infância. Seu intuito era recriar literariamente o sertão, dando voz a seus personagens.

Em janeiro de 1956 lançou Corpo de Baile, reunião de novelas que posteriormente passaram a ser publicadas em três volumes: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites do Sertão.

Seu único romance, Grande Sertão: Veredas, foi publicado em maio do mesmo ano. O livro é uma rica epopéia ambientada no interior de Minas Gerais, transpondo para o Brasil o mito da luta entre o homem e o diabo. Com linguagem inventiva, explora um vocabulário complexo e inusitado. Há desde a recuperação de termos arcaicos e expressões regionais até a criação de novas palavras, para o que o autor se apoiou em seus amplos conhecimentos lingüísticos (veja abaixo).

O impacto de Grande Sertão: Veredas na cena literária foi muito grande. Desde o início, percebeu-se que se tratava de um dos mais importantes textos da literatura brasileira, o que garantiu ao autor enorme reconhecimento em todo o país. Apesar da complexidade, o livro viria a ser traduzido para diversas línguas.

Em 1961, Guimarães Rosa recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. No ano seguinte, lançou Primeiras Estórias, com 21 contos pequenos.

Candidatou-se à Academia Brasileira de Letras, pela segunda vez, em 1963 e foi eleito por unanimidade. Mas não foi empossado imediatamente, porque adiou a cerimônia enquanto pôde. Dizia ter medo de morrer no dia do evento. Só tomou posse em 16 de novembro de 1967. Três dias depois, em 19 de novembro, morreu subitamente em seu apartamento no Rio de Janeiro, de infarto.

Na língua do povo
Os sentidos de algumas expressões do escritor mineiro:
Balalhar – explodir ou partir-se pela ação de balas.
Carregume – peso, dificuldade, gravidade.
Descriado – criado ao desamparo, desnutrido.
Fraternura – ternura de irmãos.
Grãoir – formar grãos.
Nonada – nada, coisa sem importância.
Trestriste – infeliz, forma enfática de triste


OBRAS DE GUIMARÃES ROSA

ROMANCE

Grande Sertão: Veredas (1956).

CONTOS
Sagarana (1946); Primeiras Histórias (1962); Tutaméia (Terceiras Estórias) (1967); Estas Estórias (póstuma, 1969).

NOVELAS

Corpo de Baile (dois volumes) (1956); a partir da terceira edição (1964), essa obra foi desdobrada em três volumes: Manuelzão e Miguilim; Campo Geral; No Urubuquaquá, no Pinhém; Noites no Ser tão.

DIVERSOS

Ave, Palavra (póstuma, 1970).

A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA




A hora e a vez Augusto Matraga é o nono e último conto de Sagarana, publicado em 1946, marcou a estréia de Guimarães Rosa em nossa literatura e expressa a força e o espírito do sertão de Minas Gerais. Ao contar a história da queda de um homem poderoso em busca de sua redenção: “P’ra o céu, eu vou, nem que seja a porrete!...”.

Esse conto é considerado por muitos críticos, a mais importante produção do escritor em Sagarana, tanto por sua estrutura narrativa, quanto pelo tratamento da luta maniqueísta, e todo o questionamento decorrente de uma tomada de consciência do homem optando por uma dessa forças. É uma mistura de redenção e espiritualidade.

O conto tem início em uma festa de leilão no arraial da virgem Nossa Senhora das Dores do córrego do Murici. É final de festa, e as pessoas de bem que se encontravam nesse leilão foram todos embora, ficando somente os farreadores, e Nhô Augusto estava entre eles.

Ficara apenas duas mulheres, as prostitutas Angélica (negra) e Siriena (branca), os homens aproveitaram a presença do leiloeiro para começarem a algarrazarra leiloando-as.

Nhô Augusto ofereceu por Siriema cinqüenta mil-réis, consegue a prostituta, leva-a para casa, porém no meio do caminho, em um lugar bem iluminado enxerga melhor a mulher, achou-a muito magra “[...] Você tem perna de Manuel – Fonseca, uma fina e outra seca!” ,e manda a mulher embora.

Agora, segue seu caminho e encontra com Quim que trazia um recado de Dona Dionorá, sua esposa, pedindo que ele voltasse para casa. Mas Nhô Augusto ignora o pedido da esposa. Ela fica muito magoada com a falta de consideração, ausência, desprezo, falta de atenção do esposo e resolve partir com a filha, Minita, de 10 anos, em companhia de seu Ovídio Moura.

Nhô Augusto era um homem duro, doido, sem detença, como um bicho grande do mato. E, em casa, sempre fechado em si. Nem com a filha se importava. Da esposa gostava, às vezes: da sua boca, das suas carnes. Adorava farras, mulheres, bebidas, enfim, com os prazeres do mundo.

Quando nosso personagem ficou sabendo da notícia (sua esposa partiu) resolve partir atrás da esposa, entretanto, não obteve apoio de seus capangas, pois ele devia di8nheiro para todos, mesmo assim ele decidiu matar Ovídio, mas antes iria vingar-se de seus capangas e do major Consilva. Então foi à chácara do major e foi recebido à pancada, depois da surra o arrastaram até o rancho do Barranco. Antes de matá-lo, esquentaram o ferro do gado e marcaram sua pele com as iniciais do major Consilva, com a dor, Nhô Augusto levanta gritando e se joga do barranco. Diante disso, os capangas pensaram que ele havia morrido, coloca uma cruz no lugar e vão embora.

Um homem negro (Serapião) que por ali passava, encontra-o e leva-o para seu casebre. A tristeza tomou conta de nosso herói nesse período de recuperação. Certo dia, então disse: “Se eu pudesse ao menos ter absolvição dos meus pecados!...”.

Os negros trouxeram um padre para que ele pedisse perdão por seus pecados e após ouvir do padre que sua hora e sua vez iam chegar, considerou sua vida já acabada e esperava apenas a salvação da sua alma.

A partir desse dia ele começou a trabalhar muito e ajudar ao próximo, pois esperava a salvação da sua alma e a misericórdia divina. Dessa forma, fazia o bem sem escolher a quem, para ganhar o reino do céu.

Nessa vida de abstinência, passaram-se quase seis anos, que não fumava, bebia, não olhava para mulheres, nem discutia.

Nhô Augusto mudou totalmente seu comportamento após a surra que quase o levou à morte , a partir daí resolveu ser uma pessoa do bem. Aqui, nesse momento da narrativa, a personagem passou por uma transformação, obteve uma revelação, é a epifania.

Um dia, passou pela região Tião de Thereza, um velho conhecido de Nhô Augusto, dando notícia de sua família: Dona Dionóra continuava amigada com seu Ovídio e sua filha caíra na vida com um homem desconhecido. O Quim Recadeiro havia morrido de morte – matada, com mais de vinte balas no corpo, por causa dele, Nhô Augusto, quanto tentou vingar-se dos capangas que pensava terem o matado.

Diante desse fato, sentiu-se culpado e fez muitas orações, caridades, para não perder seu lugar no céu.

O tempo foi passando, e Nhô Augusto começou a sentir fome, sono, vontade de fumar e falta de mulher. Na verdade, ele pensou que Deus o havia perdoado e com todas essas vontades não se sentiu pecando por isso.

E, é justo nesse momento, que Nhô Augusto considera-se perdoado por Deus, que certo dia aconteceu um fato até hoje lembrado pelo povinho do Tombador, pois chegou ao lugarejo um bando de homens valentões. Nosso personagem foi até o chefe, Joãozinho Bem-Bem, e ofereceu sua casa para que ele ficasse bem hospedado.

Todos conversaram muito bem, durante à noite, e o líder do bando, na hora de ir embora, convidou nosso herói para ir com eles, mas o convite foi recusado. Apesar disso, os invejou “[...] Aqueles, sim, que estavam no bom, porque não tinham de pensar em coisa nenhuma de salvação de alma.” Pensou bem e considerou que essa história de andar pra trás e, por isso, decidiu retornar aos seus antigos caminhos.

Voltou a beber e a sentir saudades das mulheres. Alguns dias depois, despediu-se e foi embora em um jumento emprestado, animal sagrado, misturado às passagens da vida de Jesus.

Então, ele foi ao encontro do bando de Joãozinho Bem-Bem, mas sem a menor idéia de onde encontrá-lo, diante disso, deixou que o jegue o levasse, e entraram em um arraial, denominado Rala – coco, por coincidência, estava a jagunçada de Joãozinho Bem-Bem. Nhô Augusto foi recebido pelo grupo com muita satisfação.

Mas, infelizmente, quando nosso protagonista chega ao arraial está acontecendo uma confusão, na qual Joãozinho Bem-Bem ia matar um homem para vingar a morte do Juruminho, seu colega de bando. Porém, como o culpado havia fugido, “A família vai pagar, direito!”.

Diante disso, chegou o velhote, pai do traidor, ou melhor, pai do matador de Juruminho, este chegou implorando por misericórdia, entretanto, Joãozinho Bem-Bem não queria desculpas “[...] Um dos dois rapazinhos seu filhos têm de morrer, de tiro ou à faca, e o senhor pode é escolher qual deles é que deve de pagar pelo crime do irmão. E as moças... Para mim não quero nenhuma, que mulher não me enfraquece: as mocinhas são para os meus homens...”.

Dessa forma, nosso personagem principal interveio, alegando um pedido em nome de Nosso Senhor e da Virgem, esse pedido tinha que ser respeitado. Então, Joãozinho sentiu-se preso a Nhô Augusto por respeito e não soube o que fazer. Seu bando, no entanto, liderado por Teófilo Sussuara, que era um homem bronco, excessivamente bronco, caminhou para cima de Nhô Augusto, e Joãozinho Bem-Bem também entrou na briga.

O povo encheu a rua, a distância, para ver a briga de Joãozinho Bem-Bem mais o homem do jumento. Por fim, nosso herói cortou a barriga do chefe do bando, condenando-o à morte. Preocupado com a salvação de Joãozinho Bem-Bem, Nhô Augusto pediu que ele se arrependesse de seus pecados, entretanto, não ouviu resposta, pois este morreu e4m seguida.

Nhô Augusto estava muito machucado e pediu para chamar um padre “[...] Pede para ele vir me abençoando pelo caminho, que senão é capaz de não me achar mais ...”.

O povo de Rala-coco dizia: “Foi Deus quem mandou esse home no jumento, por mor de saber as famílias da gente...” E o velho dizia: “Não deixem este santo morrer assim...”.

No final, Nhô Augusto pergunta se no meio daquela multidão alguém ouviu falar de Nhô Augusto Estêves, das Pindaíbas!

Neste momento, apareceu João Lomba, conhecido velho e meio parente, o qual obteve um pedido de Augussto Matraga, que colocasse a bênção em sua filha e que dissesse a Diónora que está tudo em ordem. Depois disso, morreu.

Nota-se que nesse final, o personagem é chamado de Augusto Matraga, e, assim, faz uma relação com o início do conto: “Matraga não é Matraga, não é nada. Matraga é Esteves. Augusto Esteves”, pois no início do conto a personagem principal é designada como Augusto Esteves, que mora em Murici, onde é um espaço físico e, também, existencial da personagem, aqui, ele é um homem mandão, autoritário, que vive uma vida de farras, mulheres, capangas, bebidas, não se importa nem com a família. Esse nome possui uma relação social, impõe respeito, poder, e, além disso, ele é filho do coronel Afonsão Esteves, o qual possui dinheiro, porém com a morte deste, Augusto Esteve começa a esbanjar o dinheiro do pai e acaba perdendo tudo, até seus capangas por falta de pagamento.

Após alguns conflitos com seus capangas, Major Consilva, abandono da esposa, surra que levou é nomeado por Nhô Augusto, um período de penitência, sacrifícios, tudo que faz é trabalhar, trabalhar o tempo todo e ajudar o próximo, assim, conseguiria o perdão divino referente aos pecados do passado. Fazia o bem sem escolher a quem, porque seu objetivo era ir ao céu.

Nesse período que a personagem renasceu para uma nova vida, fazer o bem, ele faz reflexões de sua vida, uma busca existencial, é uma travessia existencial, isto é, era um homem mal e, agora, é do bem, e a todo o momento do enredo há esse questionamento maniqueísta.

Nesse tempo de sacrifícios dos prazeres do mundo, aparece um bando de jagunços e traz o encontro de Nhô Augusto com Joãozinho Bem-Bem, os quais são responsáveis pelo final do conto, pois no final da história acontece uma discussão, briga, isso é motivo da morte gloriosa e salvadora do protagonista Augusto Matraga.

Voltando ao momento em que os Jagunços de Bem-Bem chegaram em Tombador, aqui a personagem sente vontade de mudar de vida, ir para o caminho do mundo, achava que Deus já o havia perdoado, portanto, não precisava continuar com todos aqueles sacrifícios.

O espaço Tombador não é apenas um espaço físico, mas também, está relacionado com a existência da personagem, seu momento de travessia existencial. No final do conto “Augusto Matraga, Matraga não é Matraga, não é nada”, logo ,volta ao início da narrativa. Nesse instante, a personagem é nomeada como Augusto Matraga e encontra-se no arraial de Rala-coco.

Quando ele está nos últimos momentos de sua vida, revela-se como Augusto Esteves, da Pindaíba, e preocupa-se com a família, dando a bênção para sua filha e perdoa Diónora, ambas com moradia desconhecida para Augusto Matraga, e após esse pedido morre.

Vale mencionar que existe uma relação entre essa história e a bíblia. Augusto Matraga morreu para ajudar uma pessoa, ou melhor, salvar uma vida, assim como Jesus, que morreu para nos dar a vida eterna.

O intuito da personagem era alcançar o reino do céu, mesmo utilizando da violência. A sua história é uma travessia em busca da absolvição de seus pecados do passado, ou seja, gira em torno desse conflito entre o bem e o mal.

"OS SERTÕES", DE EUCLIDES DA CUNHA

Posted by Profº Monteiro on maio 23, 2011
Canudos não se rendeu. Resistiu até o esgotamento completo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados. Os Sertões

RESUMO



Este estudo tem por objetivo explicar alguns conceitos em relação à guerra de Canudos, acontecida em 1897, com o intuito de acabar com o arraial do Belo Monte, no sertão da Bahia, onde inexistiam diferenças sociais. Canudos foi o maior movimento nordestino de resistência à opressão dos latifundiários, movimento este que refletia a extrema miséria em que viviam as populações marginalizadas do sertão nordestino, que não sabiam a diferença entre monarquia e república. Essas pessoas iam para essa região em busca de uma vida melhor, com menos desigualdade entre as pessoas, entretanto, pagaram com a vida por um sonho de paz.


Palavras chave: 1- Os Sertões, 2- Guerra de Canudos, 3- Região de Canudos.


INTRODUÇÃO


Este estudo abordará alguns pontos da obra Os Sertões, de Euclides da Cunha. Os Sertõesfoi publicado em 1902, é dividido em três partes: A Terra, O Homem e A Luta. Com uma linguagem de difícil entendimento, uma vez que possui muitos termos científicos. Tem por tema os personagens e cenários da insurreição de Canudos, em 1897, no norte da Bahia.


É considerado por muitos como a maior obra da literatura brasileira. Esse livro foi quase todo escrito, em São José do Rio Pardo, foi, no dizer de Euclides da Cunha, “escrito nos raros intervalos de folga de uma carreira fatigante”, quando foi enviado para região de Canudos, cuja função era observar e cobrir as operações militares nessa região.


O livro é resultado dessa viagem e observação, daquela inexplicável e sanguinolenta guerra civil, no fundo dos sertões ignotos da Bahia. O subtítulo já o denunciava: Campanha de Canudos (entre parênteses). Campanha militar narrada com tamanha exaltação na defesa dos diretos das vítimas e na condenação dos responsáveis por aquela tragédia nacional.


TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS NO BRASIL


O Brasil do final do século XIX foi marcado por inúmeras agitações sociais, desde movimentos separatistas como a Confederação do Equador, agitações abolicionistas, a própria abolição e até a República. O maior centro populacional do país, o Rio de Janeiro, também era considerado um grande centro comercial por intermediar os recursos da economia cafeeira, a capital inicia o século XX em uma situação realmente excepcional. A cidade era um espaço de confluência cultural e econômica que se comunicava com todo o país e acumulava recursos no comércio, nas finanças e já também nas aplicações industriais.


Ao mesmo tempo, com o processo de abolição e com a vinda de imigrantes, a cidade passava por uma superlotação, que demandava capital móvel para fazer o pagamento dos trabalhadores, agora livres. O então ministro da Fazenda, Rui Barbosa, dá início a um processo de incentivo às atividades na bolsa de valores, foi o chamado Encilhamento. Este processo causou uma confusão maior ainda na cidade, pois fortunas mudavam de mãos, dizia-se que “o rico de hoje era o tintureiro de ontem”, não se sabia mais quem possuía poder político ou econômico. Adiciona-se a essa confusão, a enorme e sempre crescente população da cidade que passou a se instalar em casarões formando cortiços e verdadeiros “antros de promiscuidade”.


Sob a influência das ideologias européias, o Estado brasileiro inicia o processo de Regeneração do Rio de Janeiro, que tem como objetivo “higienizar” a cidade, mandando a população pobre para a periferia (dando origem às favelas), e procurando construir uma imagem moderna para a capital do país. A Regeneração foi financiada por investidores estrangeiros que se aproveitavam da indirec rule, característica dominante no país. Além disso, a modernização da cidade facilitaria o espaço de fluxo de matéria-prima aos portos brasileiros, e assim, facilitaria a ação do imperialismo.


Na República, “confrontavam-se” Liberais, que se representavam basicamente pela elite paulista influenciada pelo cosmopolitismo progressista internacional e os Conservadores representados pela vanguarda republicana, positivista e militar, influenciada por estigmas de intolerância e isolamento. Na prática, os ideais destes dois grupos são indiferenciáveis: “nada mais conservador do que um liberal no poder”, a República dos Conselheiros se dava então, com o revezamento da gestão das duas classes.


Fortalecendo o movimento republicano, mesmo porque D. Pedro II havia boa parte de seu apoio político; somando-se a isso, a questão militar e a questão religiosa, foram fatos determinantes para a proclamada a República, assim em 15 de novembro de 1889 é proclamada a República, ou melhor, dizendo termina o regime monárquico.


A República não alterou a vida brasileira, pois, mais uma vez, caracterizou-se como um movimento das elites sem qualquer tipo de participação popular. Nas altas esferas políticas, o comando, contrariamente ao que ocorreu nas camadas populares, sofreu consideráveis alterações, pois o poder a partir de então ficaria distante das vestantes moderadoras de 1824.


Apartir de 1891 é proclamada uma nova constituição as notícias da nova República causou muitas revoltas entre os portugueses do Brasil que não queriam cortar os laços entre os dois países.


O primeiro presidente da República foi Marechal Deodoro da Fonseca. Esse período em que o poder foi assumido por militares, ficou conhecido como República da Espada.


Posteriormente aos militares os cíveis teriam total hegemonia sobre o poder (a exceção de Hermerda Fonseca em 1910 estabeleceu uma República baseada no poder das oligarquias). Governo de peneios que desviou até 1930, esse período ficou conhecido como República Velha.


Como a República era mais um sistema para as elites, a camada pobre estava vivendo em completa miséria. Então, as pessoas começaram a fugir para uma região chamada Canudos em busca de apoio, comida, enfim, procuram um modo para viver.


EUCLIDES DA CUNHA


Ensaísta e narrador extraordinário de Os Sertões, Euclides da Cunha é o primeiro escritor a encarar o gigantismo da terra brasileira, fazendo de sua obra um dos principais alicerces da consciência nacional.


Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha nasceu em Cantagalo, Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1866. Viveu a infância e a adolescência em fazendas e cidades fluminenses, junto aos tios que o criaram a partir dos três anos, quando perdeu a mãe. Em 1885 entrou para a Escola Militar. Por atos de indisciplina, entre os quais ante a revista do ministro da Guerra atirar ao chão o sobre que deveria apresentar-lhe, em 1888 foi desligado do Exército. Passou a assinar colaboração para A Província de São Paulo, combatendo o governo e pregando a República. Reingressou na Escola Politécnica e, proclamada a República, foi readmitido no Exército e promovido.


Na Escola superior de guerra, fez os cursos de artilharia, engenharia militar, estado-maior e bacharelou-se em matemática, ciências físicas e naturais. Designado professor coadjuvante da Escola Militar, passou a escrever artigos sobre problemas políticos e sociais.


Em 1895 deixou o Exército e dedicou-se à engenharia civil. Em 1897, depois de publicar em O Estado de S. Paulo dois textos sobre a campanha de Canudos, foi convidado pelo jornal a ir à Bahia, onde presenciou os últimos momentos do conflito, matéria-prima de Os Sertões (1902).


Eleito em 1903 para a Academia Brasileira de Letras e para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no ano seguinte partiu para a Amazônia como chefe da comissão de reconhecimento do Alto Purus: a experiência durou até 1905, inspirando-lhe o projeto de nova obra: Um paraíso perdido, que jamais escreveria.


Apreciação. Síntese de temperamento romântico e informação científica. Euclides da Cunha, principalmente em sua obra principal, Os Sertões, é um ensaísta e narrador de impetuosa originalidade. Encerra, em seu talento, a primeira transposição autêntica de um Brasil maior ainda não descoberto, geográfica e socialmente marginalizado pela civilização litorânea. Embora sua obra seja das mais elogiadas da literatura brasileira, continua, sob muitos aspectos, um desafio. Se de um lado se comunica pela paixão desabrigada, que tem raízes cravadas no fundo do romantismo, de outro, na consciência e nos meios, se orienta por um realismo didático e de caráter cientificista.


O resultado de uma linguagem singular, de vigorosa força dramática e ritmo febril, em que se confundem a fúria primitiva e o apuro civilizado. O leitor é arrebatado por uma irresistível vocação para o épico e depara com um heroísmo telúrico em que desponta pela primeira vez, sem concessão ao exótico ou ao pitoresco, e na própria substância da linguagem, a verdadeira paisagem e o verdadeiro homem brasileiro.


Com a formação marcada pelo positivismo, pela transição do Império para a República, pelos valores da classe média emergente e de olhos postos na Europa culta, Euclides da Cunha frequentemente assimilou como científico o que era ideológico. Mas nem o determinismo geográfico, nem o etnocentrismo de base colonialista o impediram de uma idealização em sentido contrário, que faz do sertanejo um herói “homérico”, um “titã”, um forte.


Torturado, filtrando em retórica explosiva a imagem crua da terra tropical, triunfa por sua energia criadora e apesar dos instrumentos conceituais ou metodológicos de seu tempo. De tal modo que, em determinada cenas e comparações, no que projeta de seu temperamento sobre o texto, como deformação expressiva, tem algo de expressionista avant la lettre.


Desbravador, consciência rebelde em conflito e busca de exatidão, entre ciência e arte, entre pesquisa e denúncia, Euclides da Cunha trouxe para o primeiro plano, para o centro de sua obra, o homem do interior do Brasil, “ensinando-nos – na expressão de Guimarães Rosa – o vaqueiro, sua estampa intensa, sua humanidade, sua história rude”. Por isso, se consagra como alicerce da consciência nacional, porta-voz de um otimismo crítico e sem veleidades ufanistas.


OBRAS


Os Sertões tem por tema os personagens e cenários da insurreição de Canudos em 1897, no nordeste da Bahia. Divide-se em três partes – A Terra, O Homem, A Luta –, ao longo das quais o autor analisa as características geológicas e hidrográficas da região, sua flora, sua fauna e a gente sofrida que faz a história daqueles dias: gente convulsionada pela esperança messiânica e pelo desespero social, capaz de resistir até os últimos frangalhos humanos.


Entre outras obras, Contrastes e Confrontos (1907), foi publicada em Portugal, abordando problemas político-sociais de âmbito nacional e internacional. A capacidade de síntese, a sinceridade e o vigor do estilo garantem-lhe a permanência, como a de Peru Versus Bolívia, do mesmo ano, em torno de um litígio entre os dois países. À margem da história (1909) tem um interesse adicional; os primeiros capítulos, quase metade do livro, constituiriam matéria esparsa da obra sobre a Amazônia. O ideário estético de Euclides aparece com clareza na conferência Castro Alves e seu tempo (1907), em seus prefácios (para Inferno Verde de Alberto Rangel e Poemas e canções de Vicente de Carvalho) e relatórios.


Ao voltar para o Rio de Janeiro, Euclides da Cunha trabalhou no Itamarati ao lado do barão do Rio Branco e em 1909 prestou concurso para a cadeira de lógica do Colégio Pedro II. Menos de um mês depois da nomeação, foi vítima de uma competição funesta e para qual nada lhe adiantava o gênio criador: surpreendido pelo adultério da mulher, procurou o amante (que era oficial do Exército, e atirador) e tentou sem êxito alveja-lo, sendo morto com um tiro que lhe foi disparado pelas costas, atravessando-lhe um pulmão, no Rio de Janeiro, em 15 de agosto de 1909 (seu filho, anos mais tarde, ao tentar a vingança, teve a mesma sorte).


CANUDOS : SOLO, FLORA, FAUNA E CLIMA


Todas traçam, afinal, elítica curva fechada ao sul por um morro, o da Favela, em torno de larga planura ondeante onde erigia o arraial de Canudos.


Galgava o topo da Favela. Ali estavam os mesmos acidentes e o mesmo chão, embaixo, fundamentalmente revolto, sob o indumento áspero dos pedregais e caatingas estonadas... Mas a reunião de tantos traços incorretos e duros – arregoados divagantes de algares, sulcos de despenhadeiros, socovas de bocainas, criava-lhe perspectiva inteiramente nova. E quase compreendia que os matutos crendeiros, de imaginativa ingênua, acreditassem que “ali era o céu...”


O arraial, adiante e embaixo, erigia-se no mesmo solo pertubado. Mas vistos daquele ponto, de perneio a distância suavizando-lhes as encostas e aplainando-os todos os serrotes breves e inúmeros, projetando-se em plano inferior e estendendo-se, uniformes, pelos quadrantes-, davam-lhe a ilusão de uma planície ondulante e grande.


Em roda uma elipse majestosa de montanhas...


Presa em uma dessas voltas via-se uma depressão maior, circundada de colinas... E atulhando-a, enchendo-a toda de confusos tetos incontáveis, um acervo enorme de casebres...


Os climas que divergem segundo as menores disposições topográficas, criando aspectos díspares entre lugares limítrofes.


Vai-se para o norte, salteiam-no transições fortíssimas: a temperatura; carrega o azul dos céus; embaciam-se os ares; e as ventanias rolam desorientadamente de todos os quadrantes.


Ao mesmo tempo espalha-se o regime excessivo: o termômetro oscila em graus disparatados passando, já em outubro, dos dias com 35 graus à sombra para as madrugadas.


Fere-a o sol e ela absorve os raios, e multiplica-os e reflete-os, e refrata-os, num reverberar ofuscante.


O dia, incomparável no fulgor, fulmina a natureza silenciosa em cujo seio se abate, imóvel, na quietude de um longo espasmo, a galhada sem folhas da flora sucumbida.


Desce a noite, e todo este calor se perde no espaço numa irradiação intensíssima, caindo à temperatura de súbito, numa queda única, assombrosa...


São dias esbraseados e noites frigidíssimas.


Copiando o mesmo singular desequilíbrio das forças que trabalham a terra, os ventos ali chegam, em geral, turbilhonando revoltos, em rebojos lagos. E, nos meses em que acentua, o nordeste grava em tudo sinais que lhe recordam o rumo.


Estas agitações dos ares desaparecem, entretanto, por longos meses, reinando calmarias pesadas – ares imóveis sob a placidez luminosa dos dias causticante. Imperceptíveis exercem-se, então, as correntes ascensionais dos vapores aquecidos sugando à terra a umidade exígua; e quando se prolongam, esboçando o prelúdio entristecedor da seca, a secura da atmosfera atinge a graus anormalíssimos.


Se ao assalto subtâneo se sucedem as chuvas regulares, transmudam-se os sertões revivescendo. Passam, porém, não raro, num giro célere, de ciclone. A drenagem rápida do terreno e a evaporação, que se estabelece logo mais viva, tornam-nos, outra vez, desolados e áridos. E penetrando-lhe a atmosfera ardente, os ventos duplicam a capacidade higrométrica e vão, dia a dia, absorvendo a umidade exígua da terra – reabrindo o ciclo inflexível das secas...


Então, a travessia das veredas sertanejas é mais exaustiva que a de um estepe nua.


Ao passo que a caatinga o afoga, repulsa-o com as folhas urticantes, com o espinho, com os gravetos estalados em lanças; árvores sem folhas, de galhos estorcidos e secos revoltos, entrecruzados, apontando rijamente no espaço ou estirando-se flexuosos pelo solo, lembrando um bocejar imenso, de torturas, da flora agonizante...


As suas árvores, vistas em conjunto, semelham uma só família de poucos gêneros, quase reduzida a uma espécie invariável, divergindo apenas no tamanho.


As leguminosas, altaneiras noutros lugares, ali se tornam anãs. Atrofiam as raízes mestras batendo contra o subsolo. São os cajueiros anões, macambira, os caroás, os gravatás.


As nopaleas e cactos, nativas em toda a parte, entram na categoria das fontes vegetativas. Tipos clássicos da flora desértica.


As favelas têm nas folhas de célula alongadas em vilosidades, notáveis aprestos de condensação e defesa.


São deste número todas as plantas leguminosas e as catingueiras.


Os juazeiros, que raro perdem as folhas de um verde intenso.


Caracterizam a flora caprichosa na plenitude do estio.


Os mandacarus atingindo notável altura, raro aparecendo em grupos, assomando isolados acima da vegetação caótica, os xiquexiques, fracionam-se em ramos fervilhantes de espinhos, recursos e rasteiros, recamados de flores alvíssimas, os cabeças-de-frade, deselegantes e monstruosos melocactos de forma elipsoidal, e os quipás que se arrastam pelo solo, a Catanduva, mato doente, da etimologia indígena, dolorosamente caída sobre o seu terrível leito de espinhos.


Mas, em março reboam ruidosamente as trovoadas fortes, e sobre o solo, ressurge triunfalmente a flora tropical: os mulungus, as caraíbas e baraúnas, os marezeiros, os icozeiros, as moitas floridas do alecrim – dos tabuleiros, de caules finos e flexíveis.


O umbuzeiro é a árvore sagrada do sertão. Representa o mais frizante exemplo de adaptação da flora sertaneja.


Essa planta alimenta, mitiga a sede. E ao chegarem os tempos felizes dá-lhe os frutos de sabor esquisito para o preparo da umbuzada tradicional, seu fruto é o juá.


E o sertão é um paraíso...


Ressurge ao mesmo tempo a fauna resistente das caatingas: disparam pelas baixadas úmidas os caititus esquivos; passam em varas, pelas tigueiras, queixadas, sericóias o tapir.


As pombas bravas que remigram, e rolam as turbas turbulentas das maritacas estridentes... Segue o sertanejo tangendo a boiada farta e entoando a caatinga predileta.


Passam-se um, dois, seis meses venturoso, derivados da exuberância da terra, até que surdamente, pouco e pouco, caiam, as folha e as flores, e a seca se desenha outra vez nas ramagens mortas das árvores decíduas... e assim volta a seca novamente.


SERTANEJO


O sertanejo é, antes de tudo, um forte.


A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.


É desgracioso, desengonçado, torto, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos.


O gaúcho filho dos plainos sem fins, afeito às correrias fáceis nos pampas e adaptado a uma natureza carinhosa que o encanta tem certa feição mais cavalheirosa e atraente. A luta pela vida não lhe assume o caráter selvagem da dos sertões do norte. Não conhece os horrores da seca e os combates cruentos com a terra árida. Não tem, no meio das horas de felicidade, a preocupação do futuro, que é sempre um ameaça, tomando aquela instável e fugitiva.


As suas vestes são um traje de festa ante a vestimenta rústica do vaqueiro. As amplas bombachas, adrede talhadas para a movimentação fácil sobre os baguais. O poncho vistoso jamais fica perdido, embaraçado nos esgalhos das arvores garranchentas. E, rompendo pelas coxilhas, arrebatadamente na marcha do redomão desensofrido, calçando as largas botas russilhonas, em que retinem as rosetas das esporas de prata; lenço de seda, encarnado, ao pescoço; coberto pelo sombreiro de enormes abas flexíveis, e tendo à cinta, rebrilhando, presas pela guaiaca, a pistola e a faca é um vitorioso jovial e forte. O cavalo, sócio inseparável desta existência algo romanesca, é quase objeto de luxo. O gaúcho andrajoso sobre um pingo bem aparado está decente, está corretíssimo. Pode atravessar sem vexames os vilarejos em festa.


Já o vaqueiro, porém, criou-se em condições opostas - tendo sobre a cabeça, como ameaça o sol.


Atravessou a mocidade numa intercadência de catástrofes. Fez-se homem, quase sem ter sido criança.


O seu aspecto recorda, vagamente, à primeira vista, o de guerreiros antigo exausto da refrega. As vestes são uma armadura. Envolto no gibão de couro curtido, de bode ou de vaqueta; apertado no colete também de couro; calçando as perneiras, de couro curtido ainda, muitas justas, cosidas às pernas e subindo até as virilhas, articuladas em joeiras de sola; e resguarda os pés de pele de veado - é como forma grosseira de um campeador medieval desgarrado em nosso tempo.


A sela da montaria é feita por ele mesmo. São acessórios: uma manta de pele de bode, um couro resistente, cobrindo as ancas do animal, peitorais que lhe resguardam o peito, e as joelheiras apresilhadas às juntas. Um colete vistoso de pele de gato do mato ou sucurana, com pêlo mosqueado virado para fora, ou uma bromília rubra e álacre fincada no chapéu de couro. – e cai na postura habitual, tosco, deselegante e anguloso, em um estranho manifestar de desnervamento e cansaço extraordinários.


Quanto à religião está na fase religiosa de um monoteísmo incompreendido, repleto de misticismo extravagante, em que se rebate o fetichismo do índio e do africano.


É o homem primitivo, audacioso e forte, mas ao mesmo tempo crédulo, deixando-se facilmente arrebatar pelas supertições mais absurdas.


A sua religião é como ele – mestiça.


É um índice da vida de três povos. E as suas crenças singulares traduzem essa aproximação violenta de tendências distintas.


Muitas coisas são absurdas na devoção desse povo, mas há um que chamou atenção, quando fala das mães erguendo os filhos pequeninos e lutavam, procurando – lhes a primazia no sacrifício... O sangue espaçava sobre a rocha jorrando, acumulando-se em torno; afirmavam os jornais do tempo, isso era o fanatismo. Já para com a fé os sertanejos fizeram um templo prodigioso, monumento erguido pela natureza e pela fé, mais alto que as catedrais da terra.


Enfim, todas as profecias esdrúxulas de messias insanos; e as romarias piedosas; e as missões; e as penitências... Todas as manifestações complexas de religiosidades indefinidas são explicáveis.


DUAS SOCIEDADES DISTINTAS NORTE – SUL


Os sertões do norte refletem novos regimes, novas exigências biológicas. A raça inferior, o selvagem bronco, dominava-o; aliado ao meio vence-o, esmaga-o, anula-o na concorrência formidável.


Isto não aconteceu em grande parte do Brasil central e em todos os lugares do sul. E volvendo ao sul, no território que do norte de Minas Gerais para o sudeste progride até o Rio Grande, deparam0-se condições incomparavelmente superiores:


Uma temperatura anual média de 17 a 20 graus, num jogo mais harmonioso de estações; um regime mais fixa das chuvas que, preponderantes no verão, se distribuem no outono e na primavera de modo favorável às culturas. Atingindo o inverno, a impressão de um clima europeu é precisa.


São duas histórias distintas, em que se haveriam movimentos e tendências opostas. Duas sociedades em formação, alheadas por destinos rivais.


Ao passo que no sul se debuxavam novas tendências, uma subdivisão, maior na atividade, maior vigor no povo, mais heterogênio, vivaz, prático, aventureiro, largo movimento progressista; tudo isto contrastava com as agitações, às vezes mais brilhantes, mas menos fecunda, do norte.


Assim é fácil mostrar como esta distinção de ordem física esclarece as anomalias e contrastes entre os sucessos nos dois pontos do país; sobretudo no período agudo da crise colonial, no século XIII.


Enquanto o domínio holandês, centralizando-se em Pernambuco, na plenitude do século XVII o contraste se acentua.


Os homens do sul irradiam pelo país inteiro. Até aos últimos quartéis do século XVIII, o povoamento segue as trilhas embaralhadas das Bandeiras.


A formação brasileira do norte é muito diversa da do sul. As circunstâncias históricas, em grande parte oriunda das circunstâncias físicas, originaram diferenças inicias no elance das raças, prolongando-as até nosso tempo.


Quando as correrias do bárbaro à Bahia , Pernambuco, ou Paraíba, e os quilombos se escalavam pelas matas, nos últimos refúgios do africano revolto – o sulista, dê-lo a grosseria odisséia de Palmares, surgia como debelador clássico desses perigos, o empreiteiro predileto das grandes hecatombes.


O sul foi povoado pelos Bandeirantes; a região média, pelos vaqueiros, e no norte seco, pelas missões jesuíticas.


A MESTIÇAGEM NO BRASIL


“NÃO TEMOS UNIDADE DE RAÇA”


O Brasil era a terra do exílio; vasto presídio que se amedrontavam os heréticos e os relapsos da sombria justiça daqueles tempos. Deste modo nos primeiros tempos o número reduzido de povoadores contrasta com a vastidão da terra e a grandeza da população indígena.


Historicamente, os cruzamentos entre portugueses e negros se realizavam no litoral, porque o negro vinha para o trabalho escravo nos canaviais da costa brasileira. Entre portugueses e índios, realizaram - se no sertão, pois os gentios se refugiavam no agreste do interior, avessos ao trabalho por razões culturais.


O homem do sertão parece feito por um molde único, revelando quase os mesmos caracteres físicos, a mesma tez, variando brevemente do mameluco bronzeado ao cafuz trigueiro; cabelo corredio e duro ou levemente ondeado; a mesma envergadura atlética, os mesmos vícios, e as mesmas virtudes.


A uniformidade do norte é, inegavelmente, o tipo de uma subcategoria étnica já constituída.


A mistura de raças muito diversas é, na maioria dos casos, prejudicial. Ante as conclusões do evolucionismo, ainda quando reaja sobre o produto o influxo de uma raça superior. De sorte que o mestiço – traço de união entre as raças – é, quase sempre, um desequilibrado. Não há terapêutica para este embater de tendências antagônicas, de raças repentinamente aproximadas, fundidas num organismo isolado.


Para Euclides da Cunha, a mistura de raças diferentes é prejudicial, pois os sertanejos formavam uma raça forte.


O isolamento do povo fortalece a espécie, mas é fator determinante da estagnação, provocando o atraso, o conservadorismo, a igualdade de pensar... O isolamento torna-se retrógrado, mas não degenerado.


Euclides da cunha se baseava na teoria racial do final do século XIX, que afirmava ser a raça branca sinônimo de progresso, condenando a miscigenação.






ANTÔNIO CONSELHEIRO


Antônio Vicente Mendes Maciel, o conselheiro, nasceu em Quixeramobim, no Ceará. Trabalhou com o pai comerciante, que morreu ao se desentender com os Araújos, seus inimigos. Depois dos casamentos das irmãs, ele se casou logo, e desiludiu com a traição da companheira. Envergonhado, mudou-se, sem fixar; Sobral, Campo Grande, trabalhando como caixeiro e escrivão de juiz. Em Ipu , fugiu-lhe a mulher, acompanhando um soldado. Em Paus Brancos, alucinado, feriu um seu parente que o hospedara...


Reapareceu dez anos depois, nos sertões de Pernambuco e em Itabaiana, em 1874, impressionando os sertanejos: alto e magro, barba e cabelos desgrenhados e longos, túnica de brim americano azul, com uma corda na cintura, sandálias, alforje e chapéu de couro, ele pregava nos povoados uma doutrina confusa, que se misturava às rezas de dois catecismos que carregava “Missão Abreviada” e Horas Marianas”. Pregava o fim do mundo, a preparação para a morte, a penitência... A multidão o seguia, sem que ele a convocasse. Fazia prédicas e profecias, casamentos e batizados, reconstruía igrejas, muros de cemitérios... O clero o tolerava e procurava, deixando-o pregar, até mesmo contra a República, que interveio em ares regidas pela tradição e reservados à religião. Como aumentasse seu ataque, a igreja tentou interrompe-lo.


Em Bom Conselho, reuniu o povo num dia de feira e queimou as tábuas dos impostos, discordando das leis republicanas do governo de Satanás. O acontecimento repercutiu e a polícia reagiu. Perseguido, o conselheiro tomou a estrada de Monte Santo, defrontando-se com a tropa em Macete. Os 30 praças armados atacaram. Os jagunços os desbarataram.


O conselheiro – conhecedor do sertão – e seus seguidores tomaram o rumo do norte. Chegaram a Canudos, em 1893, uma fazenda abandonada às margens do rio Vaza-Barris. “Era o lugar sagrado, cingido de montanhas, onde não penetraria a ação do governo maldito”.


Antônio Conselheiro pregava contra a República, contra o governo do Anti-cristo e da lei do cão. “Mas não traduzia o mais pálido intento político”. Os jagunços, “rudes patrícios mais estrangeiros nesta terra do que os imigrantes da Europa”, não conseguiram diferenciar a República da Monarquia.


A GUERRA DE CANUDOS


Canudos era uma região no sertão baiano, que era uma área fustigada pelas secas e dominada pelo latifúndio, o que gerava em grau de miséria.


Aconteceu durante o governo de Prudente de Moraes (1892-1898), nessa época o Brasil tornou-se cenário de manifestações coletivas de um catolicismo ristico, não somente no nordeste, mas em especial no sertão nordestino.


Começaram a surgir os Beatos, entre eles destacou-se Antônio Conselheiro (Antônio Vicente Maciel), o mais conhecido Beato começou a trazer para seu redor inúmeros sertanejos movidos por sua fé. Estabeleceram a comunidade de Belo Monte, na qual o igualitarismo vinha em primeiro plano.


Os fazendeiros locais vinham como uma ameaça aos seus interesses, pois a pregação dos Beatos tinha um forte sentimento anti-republicano, o que colocava em questão o poder governamental, além disso, Canudos causava a fuga dos trabalhadores do comércio e das fazendas para o povoado.


Cada vez mais, o conselheiro era ouvido pelos sertanejos porque consolidava seu papel de líder e formava a cada dia, um séquito de “conselheirista”, dando-lhes a esperanças e ajuda na luta contra a guerra de uma organização social profundamente injusta.


“O arraial crescia vertiginosamente, coalhando as colinas”, sem ordem, sem ruas: um verdadeiro labirinto, com casa de pau-a-pique, habitadas por uma população multiforme, de sertanejos simples, beatas, ricos proprietários que abandonavam tudo em busca de salvação e por bandidos ali protegidos, que respeitavam as regras: rezar e fazer sacrifícios para alcançar a vida eterna. A igreja, uma fortaleza, a mais importante obra do conselheiro, estava diante da praça.Canudos era um labirinto de casas, ruas, e becos, onde cada sombra escondia um inimigo.


Sucessivas expedições militares tentaram sufocar os habitantes de Canudos, porém, a resistência dos sertanejos se fez de forma brilhante, quebrando ainda mais a moral do governo, pressionado pela opinião pública, que teria eminente revolta contra o regime.


O estopim da guerra de Canudos foi um episódio sem importância que faria explodir uma verdadeira tragédia.


Com a proximidade do término da construção da nova igreja de Belo Monte, Antônio Conselheiro solicitou, como de hábito ao coronel João Evangelista Pereira e Melo, a compra de madeira em Juazeiro, para a cobertura do templo.


Era julho de 1896, a madeira não foi entregue, o conselheiro enviou um grupo dos seus seguidores para apanhar a referida madeira, com isso o juiz de direito Arlindo Leoni, antigo desafeto do peregrino, mandou telegramas ao governador da Bahia Luiz Viana, avisando de uma possível invasão dos adeptos do conselheiro, e pedindo providências. Foi assim que surgiu a primeira expedição contra Canudos.


Canudos estava com mais de cinco mil casas, nas quais moravam cerca de 30000 pessoas. Após sucessivas batalhas, os sertanejos de Canudos foram subjugados por tropas governamentais em 05 de outubro de 1897, pondo fim a um dos movimentos de massa mais marcante da historiografia brasileira.


UM OLHAR SOBRE CANUDOS


No primeiro momento, antes que um olhar pudesse acomodar-se àquele montão de casebres, presos em rede inextricável de becos estreitíssimos e dizendo em que parte a grande praça onde se fronteavam as igrejas, o observador tinha a impressão exata de topar, inesperadamente, uma cidade vasta. Feito grande fosso escavado, à esquerda, no sopé das colinas mais altas, o Vaza-Barris abarcava-a e inflectia depois, endireitando em cheio para leste, rolando lentamente as primeiras águas da enchente. A casaria compacta em roda da praça a pouco e pouco se ampliava, distendendo-se, avassalando os cerros para leste e para o norte até às últimas vivendas isoladas, distantes, como guaritas dispersas – sem que uma parede branca ou telhado encaliçado quebrasse a monotonia daquele conjunto assombroso de cinco mil casebres impactos numa ruga de terra. As duas igrejas destacavam-se, nítidas.


A nova, à esquerda do observador – ainda incompleta, tendo aprumadas as espessas e altas paredes mestras, envolta de andaimes e bailéus, mascarada ainda de madeiramento confuso de traves, vigas e baldrames, de onde se alteavam ar pernas rígidas das cábreas com os moitões oscilantes – erguida dominadoramente sobre as demais construções, assorbebando a planície extensa; e ampla, retangular , firmemente assente sobre o solo, patenteando nos largos muros grandes blocos dispostos numa amarração perfeita – tinha,com efeito, a feição completa de um baluarte formidável. Mais humilde, construída pelo molde comum das capelas sertanejas, enfrentava-a a igreja velha. E mais para a direita, dentro de uma cerca tosca, salpintado de cruzes pequenas e malfeitas – sem um canteiro, sem arbusto, sem uma flor – parecia um cemitério de sepulturas rasas, uma tibicuera triste. Defrontando-as, do outro lado do rio, breve área complanada contrastava com o ondear das colinas estéreis: algumas árvores esparsas, pequenos renques de palmatórias rutilantes e as ramagens virentes de seis pés de quixabeiras davam –lhe o aspecto de um jardim agreste. Aí caía a encosta de um esporão do morro da Favela, avantajando-se até ao rio, onde acabava em corte abrupto. Estes últimos rebentos da serrania tinham a denominação apropriada de Pelados, pelo desnudo das faldas. Acompanhando o espigão na ladeira, que para eles descamba em boléus, via-se, a meio caminho, uma casa em ruínas, a Fazenda Velha. Sobranceava-a um socalco forte, o Alto do Mário.


“CANUDOS ERA A NOSSA VENDEIA”


O significado dessa expressão, que as medidas planeadas pelo general Sólon


Denotavam, portanto, exata previsão de sucessos semelhantes, na luta excepcionalíssima para a qual nenhum autor suíço de um tratado de tática militar delineara regras, porque invertia até os preceitos vulgares da arte militar.


Malgrado os defeitos do confronto, Canudos era a nossa Vendeia (França) e os terrenos alagados emparelhavam-se bem como o jagunço e as caatingas. O mesmo misticismo, gênese da mesma aspiração política; as mesmas ousadias servidas pelas mesmas astúcias, e a mesma natureza adversa, permitiam que se lembrasse aquele lendário recanto da Bretanha, onde uma revolta, depois de fazer recuar exércitos destinados a um passeio militar por toda a Europa, só cedeu ante as divisões volantes de um general sem fama, as colunas infernais do general Turreau – pouco numerosas , mas céleres, imitando a própria fugacidade dos vendeanos, até encurralá-los num circuito de 16 campos entrincheirados.


Não se olhou, porém, para o ensinamento histórico.


É que se preestabelecera a vitória inevitável sobre a rebeldia sertaneja insignificante.


Isso quer dizer que essa luta travada em Canudos, a sua preparação por parte dos generais, era baseada em um conflito que houve na França, e por ter dado certo o general Sólon esperava aqui no Brasil resultado semelhante, ou seja, vitória semelhante.


A CAMPANHA CONTRA CANUDOS “UM CRIME”


Um crime, pois as pessoas que lá se refugiavam queriam apenas uma vida melhor, salvação, ajuda espiritual, isso eles não possuíam fora de lá.


O Brasil estava passando por um momento econômico muito difícil, como já foi salientado.


De um lado estava a camada que possuíam dinheiro, e do outro a camada marginalizada, e com isso surgiu no Brasil diversos conflitos, o qual está Canudos.


Foi uma covardia contra Canudos o que aconteceu, até o pretexto para invadir Canudos foi absurdo, porque o juiz de juazeiro armou uma situação quando recusou-se em entregar a madeira encomendada para a construção da igreja de Canudos . O conselheiro queria apenas a madeira, e o juiz aproveitou-se dessa situação e mandou uma carta para o governado, dizendo de uma invasão dos habitantes de Canudos. Esse foi o estopim da guerra de Canudos.




Fato lamentável, pessoas inocentes pagaram com a vida, pessoas que já sofriam com a fome, seca, enfim com tanta desigualdade social. Um acontecimento bárbaro, um crime contra a nacionalidade.


ASA BRANCA


Quando oiei a terra ardendo
quá fogueira de São João
eu perguntei a Deus do Céu
purquê tamanha judiação




Qui braseiro, qui fornaia
nem um pé de prantação
pru farta dágua perdi meu gado
morreu de sede meu alazão




Inté mesmo o asa branca
bateu asas do sertão
entonce eu disse, adeus Rosinha
guarda contigo meu coração




Hoje longe muitas léguas
numa triste solidão
espero a chuva cair de novo
pra mim volta pro meu sertão




Quando verde dos teus óio
se espaiá na prantação
eu te asseguro, num chore não, viu?
que eu voltarei, viu, meu coração.


ANÁLISE DA LETRA DA MÚSICA ASA BRANCA


A música Asa Branca mostra categoricamente a situação do povo do sertão. Fala da falta de chuvas, consequentemente, não tem como plantar, criar gado, e até mesmo o pássaro típico do sertão foi-se embora. Mostra a situação do homem que tem que deixar a família em busca de trabalho, uma vez que não tem como plantar, criar animais no sertão, então ele parte em busca de uma situação melhor.


Além disso, a música mostra o homem bem distante do sertão, triste, com saudades de sua terra natal, da mulher que deixou para trás. Mas apesar de todo o sofrimento de estar distante, ele espera a chuva cair de novo, o sertão ficar verde para voltar. E esse homem assegura que quando isso acontecer, a mulher não necessita chorar mais, porque ele voltará com certeza.
Essa música é muito interessante, aborda bem a realidade do povo do sertão, que sofre com a seca, muitos tem que partir em busca de sobrevivência, e quando as coisas melhoram, eles voltam novamente, pois acima de tudo amam sua terra.
Uma palavra importante na música é a pergunta que se faz a Deus: o porquê de tanto sofrimento com aquele povo?
A linguagem da música é de acordo com aquela região, ou seja, é uma variante regional. Um fala caipira.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Em primeiro lugar quero dizer que esse trabalho trouxe-me muito conhecimento, é uma obra de difícil leitura, por trazer muitos termos científicos, mas é um livro escrito com muita originalidade, muito rico.
Foi muito importante fazer este trabalho, pois aprendi muito sobre a guerra de Canudos, fatos que desconhecia e é muito importante conhecer a história do nosso Brasil.
Na minha visão de leitora da obra Os Sertões, pude observar que a guerra foi um acontecimento trágico; e o estopim um acontecimento banal.
A obra Os Sertões, de Euclides da Cunha (1902), vem relatar esse fato, com o intuito de denunciar um crime contra nossa nacionalidade.
Canudos era habitado por todos os tipos de pessoas, mas a grande maioria era mulato ou caboclo, Antônio conselheiro era o chefe supremo.
Essas pessoas viviam de forma comunitária. Este modelo sócio econômico era uma atração constante para milhares de sertanejos esfomeados que viam no arraial a possibilidade de viverem livres de extrema opressão da corte e viam no líder espiritual de Antônio Conselheiro a salvação da alma.
Para os sertanejos o arraial era a “terra prometida”. Para os poderes latifundiários era um reduto de fanáticos assassinos que precisavam ser destruídos para o bem das pessoas consideradas de bem.
A igreja oficial perdia os seus adeptos e os coronéis sua mão-de-obra praticamente gratuita. Isso eles não podiam perdoar. E o governo para atender os interesses desses grupos resolveu exterminar Canudos, e esta tragédia aconteceu entre 1896 a 1897.
Euclides da Cunha vem retratar esse acontecimento, na obra Os Sertões.














PROPOSTA DE TRABALHO EM GRUPO


“OS SERTÕES”, DE EUCLIDES DA CUNHA



1. Com a proclamação da República, inicia-se um novo regime político no Brasil. Pesquisar as transformações sociais, políticas e econômicas ocorridas nesse período. Organizar os alunos em grupos para elaborar o trabalho.


2. “Os sertões” (1902), um dos maiores épicos da literatura brasileira e latino-americana, consagra Euclides da Cunha como escritor e estudioso dos problemas brasileiros. Fazer coletivamente a cronologia da vida e da obra desse autor.


3. Identifique no livro “O sertões”, na seção “A terra”, 2° capítulo, a forma como Euclides da Cunha descreve a região de Canudos nos seguintes aspectos: solo, flora, fauna e clima.


4. Fazer um levantamento das características do sertanejo (vestes, tradições, religiosidade) da região de Canudos.


5. Euclides da Cunha aponta a formação de duas sociedades distintas: uma no norte, outra no sul do Brasil (“Os sertões” – seção: “O homem, 1° capítulo e 3° capítulo). Abordar os aspectos culturais e a diversidade lingüística dos povos dessas regiões.


6. A partir da frase abaixo, discutir a questão da mestiçagem no Brasil. Sistematizar as conclusões.


“Não temos unidade de raça”, Euclides da cunha


7. Resumir a biografia de Antonio Conselheiro, narrada por Euclides da Cunha (“Os sertões – seção: “O homem”, 4° capítulo). No texto, apresentar os fatos mais significativos.


8. Em 1897, a Guerra de Canudos tornou-se o acontecimento jornalístico de maior importância em todo o país. Abordar os antecedentes, formação, crescimento e término do conflito.


9. No livro “Os sertões” – seção: “A luta”, 3° capítulo – Expedição Moreira César, Euclides da Cunha descreve Canudos de forma panorâmica. Ler o texto e comentar suas impressões.


10. “Canudos era a nossa Vendeia.” (“Os sertões” – Seção: “A luta”, Preliminares, 4° capítulo). Estudar o significado dessa expressão.


11. A campanha contra Canudos teria sido “(...) na significação integral da palavra, um crime (...)”. Euclides da Cunha. Comentar essa afirmativa.


12. Ouvir a música “Asa branca”, de Luís Gonzaga e Humberto Teixeira. Analisa a letra, verificando a variação lingüística e o significado do pássaro asa branca (pomba-rolinha) no sertão nordestino

SITES PARA BAIXAR LIVROS

Posted by Profº Monteiro on maio 06, 2011
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  13. Full Books, milhares de livros completos dos mais diversos assuntos, ordenados por título.
  14. Get Free Books, milhares de livros gratuitos de quase todos os temas imagináveis. Encontram-se disponíveis para download imediato.
  15. Great Literature Online, vasta coleção de títulos ordenados por autor. Além de fornecer textos em formato HTML, proporciona uma linha de tempo biográfica e lista de links sobre o autor consultado.
  16. Hans Christian Andersen, coleção maravilhosa de histórias e contos de fadas de Hans Christian Andersen.
  17. Internet Public Library, fundada por um grupo da University of Michigan's School of Information e Michigan SI students. Contém uma antologia com mais de 20 mil títulos.
  18. Literature of the Fantastic, pequena coleção de ficção científica e livros de fantasia, com links para grupos de discussão.
  19. Literature Project, coleção gratuita de textos clássicos e poesia. Esse site tem um programa de leitura em voz que pode ser baixado.
  20. Magic Keys, contos ilustrados para pessoas de todas as idades.
  21. Many Books, mais de 20 mil ebooks gratuitos para PDAs, iPods e similares.
  22. Master Texts, base de dados gratuita que contém obras-primas da literatura, as quais podemos buscar por título, tema e autor.
  23. Open Book Project, site orientado à comunidade educativa. Proporciona livros didáticos gratuitos e outros materiais educativos on-line.
  24. Page By Page Books, centenas de livros clássicos que podem ser lidos página por página.
  25. Project Gutenberg, mais de 25 mil títulos gratuitos estão disponíveis no Projeto Gutenberg. Adicionalmente há outros 100 mil títulos através de seus afiliados.
  26. Public Literature, uma enorme coleção de literatura de grande qualidade que mostra autores clássicos e obras modernas do mundo inteiro.
  27. Read Print, biblioteca on-line com milhares de livros, poemas e peças de teatro para estudantes e professores.
  28. Ref Desk, seleta compilação de enciclopédias e outros livros de referência.
  29. The Online Books Page, lista com mais de 30 mil livros grátis da Universidade da Pensilvania.
  30. The Perseus Digital Library, projeto criado pela Biblioteca Virtual da Universidade de Tufts que possui textos clássicos e renascentistas.

Sites pra baixar audiobooks grátis

  1. Audio Literature Odyssey, versões na íntegra de novelas, poemas, contos e obras literárias lidas na voz do ator Nikolle Doolin.
  2. Audio Treasure, Audio Bíblia gratuita em formato Mp3. Inclui links para audiobooks cristiãos (aprecie com moderação, conteúdo perigoso).
  3. Classic Poetry Aloud, podcasts de poemas clássicos e literatura inglesa.
  4. Free Classic Audio Books, dúzias de clássicos para baixar e ouvir no mp3, mp4 e iPods.
  5. Learn Out Loud, diretório que contém mais de 500 títulos em áudio e vídeo. Inclui audiobooks, discursos e conferências.
  6. Librivox, um dos melhores sites com audiobooks de dominio público.
  7. Lit2Go, coleção de autores clássicos e literatura infantil digitalizados pela Florida's Educational Technology Clearinghouse.
  8. Literal Systems, lista de audiobooks para download.
  9. Spoken Alexandria Project, livraria sob licença Creative Commons com obras clássicas e atuais.
  10. Classics Podcast, contém links para podcasts de leituras em latim e textos em grego antigo.
Não deixe de visitar a seção de downloads de livros do blog .