Os Paradoxos da Combustão
Introdução
Esta analise foi feita , baseada no filme assistido no anfiteatro da F.I.P ,e tem como objetivo enfatizar a importância da comunicação , leitura de símbolos e signos, leitura e escrita como alicerces de uma sociedade utópica.
Resumo do filme
O filme tem como título, Fahrenheit 451 do Diretor François Truffaut e foi filmado em 1966, tendo como elenco Oskar Werner, Julie Christie, Cyril Cusack, Anton Driffing, Alex Scott, Bee Duffell, Noel Davis,Mark Lester , sua duração é de 111 Min. E passa-se em uma época onde tudo parece esta em ordem , mas esta falsa ordem esconde uma perversa dominação a base de alienação da social.
Relação do trabalho com o curso de licenciatura em letras
A relação de Fahrenheit 451 esta ligada diretamente com o curso de letras ,desde a psicologia comportamental dos personagens, até a utilização da semiótica e semiologia explorada no enredo do filme .
podemos destacar também o uso da oralidade , pois não há escrita e nem leitura que seja permitida , então temos o retorno aos tempos primórdios da civilização onde não havia o registro escrito dos fatos.
O filme desperta em nós o instinto da leitura dos símbolos e nos da a oportunidade de avaliarmos o percurso da humanidade , e planta uma semente em nossa consciência para que ao nos formarmos tenhamos como objetivos educacionais , dar asas a liberdade e criatividade de nossos alunos que serão futuros cidadãos livres e de pensamento próprio , e principalmente fora do domínio totalitarista televisivo.
Analise / Debate
Logo no inicio do filme percebe-se a ausência da leitura, pois os créditos do filme são passados oralmente, ao mesmo tempo nos expõe a varias antenas de TV multicoloridas.
O pano de fundo do filme é uma sociedade totalitária no qual a TV interativa é chamada de “a família” (como no romance político 1984 a teletela está sempre presente, e com ela o PARTIDO controla o povo).
Transportando isso aos dias atuais temos exemplos de TV interativa como os realities show, big brothers e big fones.
Temos como personagem principal o fogo que é utilizado pelos bombeiros para atear fogo em todo e qualquer livro que seja encontrado, pois são considerados propagadores da infelicidade.
Percebe-se uma inversão de valores muito intensa, afinal desde os primórdios dos tempos o objetivo da humanidade foi de registrar os fatos, já nesta Distopia acontece o contrario e a cada tomada é feita a desconstrução dos valores humanos.
Nessa sociedade há um grande interesse de destruir o conteúdo e manter a forma, temos como exemplo disso o fato de todas as casas serem a prova de fogo, assim dessa forma pode-se queimar os livros e tudo o que houver dentro dela sem abalar suas estruturas, e podendo assim ser reabitada por novos moradores (da mesma forma que os nazistas fizeram com os Judeus, suas casas e pertences), temos também a exemplo disso a esposa de Montag que ao tomar uma overdose, tem seu sangue drenado e substituído por outro, com isso suas memórias ruins também são apagadas para que não se lembre de coisas desagradáveis e não questione o estado, afinal pessoas felizes não questionam e se deixam levar pelo sistema (hoje em dia é comum utilizar-se de meios de entretenimento em massa para desviar a atenção do povo das coisas erradas que acontecem em nosso Pais , por exemplo, carnaval,copa,futebol,referendos inúteis ,entre outros).
Os uniformes dos bombeiros e a censura dos livros, nos remete a outros regimes totalitários como o fascismo e o nazismo.
chama-nos a atenção o fato de apesar de tudo ser moderno para a época os telefones são antigos (pré anos 60).
E é nesse cenário bucólico e ficcionaria que esta Montag , um (Fireman) que aos poucos vai percebendo que o motivo real da família não querer livros é que eles fazem o individuo agir como individuo , pensar ,questionar, (livre arbítrio,Vontade própria? ) isso não pode existir em uma sociedade totalitária ou fascista .
O numero 451 que é a temperatura em que o livro entra em combustão (aprox. 233 graus Celsius) e o símbolo da fênix estão presentes no prédio dos bombeiros , já a salamandra esta afixada nos carros dos queimadores de livro , se fizermos uma relação entre a salamandra e a fênix podemos dizer que Montag sempre viveu entre as salamandras que vivem no fogo e não se queimam , pois mitologicamente devido ao seu corpo frio, são imunes a ele, porem num determinado momento Montag se transforma na fênix e se deixa consumir pelas chamas e renasce das cinzas , renovado e cheio de fogo interior ,um fogo benigno e com fome de conhecimento .
Na mitologia grega o fogo era algo apenas para os deuses, mas foi roubado por Prometeu e entregue aos homens, e por isso foi condenado a passar a eternidade sendo devorado por abutres, porem foi salvo por Hercules durante seus doze trabalhos, para mim Clarice foi o prometeu de Montag, pois passou seu fogo para ele.
Falando agora sobre o capitão de Montag , o Cap. Betty afirma que todos os livros devem ser queimados e diz isso com aparente pesar ao levantar o livro “Mein kampf “ ( minha luta ) de Adolf Hitler , demonstra também ser grande conhecedor das obras literárias que queima , fato que indica que em algum momento de sua vida ele foi um ávido leitor , mas algo aconteceu e ele se revoltou contra os livros.
No decorrer do filme após Montag ter queimado sua casa e seu capitão ele foge para se juntar aos homens livro.
Apesar de conseguir fugir da família a TV divulga que ele foi morto e isso se apresenta de forma sensacionalista e repleta de suspense ( como ocorre hoje nos telejornais e tablóides sensacionalistas ).
Para a família era primordial manter o poder sobre a sociedade e por isso Montag não podia continuar vivo e se não podiam matar o individuo era preciso matar o signo que o representava e assim foi feito.
Em seu final poético Montag se junta aos homens livro e a Clarice e percebe que o mesmo fogo que destrói também reconstrói, pois ali também se queima livros, mas somente depois De guardados na mente onde ninguém poderá destroçá-los, pois suas mentes jamais serão incineradas e se o forem! O conhecimento já terá passado para outro dos homens livro ( pois diferente de 1984 neste cenário Distópico não existe a crimidéia e nem o duplipensar ) .