1. (Ita) As personagens desta obra, que anunciam um movimento literário posterior, são quase caricaturas de tipos do estrato socioeconômico médio da sociedade da época – o mestre de rezas, a cigana, o barbeiro, dentre outras. Elas agem conforme as necessidades de sobrevivência, sem moralismos ou escrúpulos. As personagens, de certa forma, representam aspectos da cultura brasileira, entre os quais se destaca o “jeitinho brasileiro”. Trata-se de:
a) O cortiço, de Aluísio Azevedo.
b) O Ateneu, de Raul Pompéia.
c) Macunaíma, de Mário de Andrade.
d) Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.
e) Memórias sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade.
Resposta:
[D]
De acordo com alguns críticos literários, Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, por algumas de suas características e pelo fato de apresentar pouquíssimos traços da escola literária de seu tempo, o Romantismo, anuncia aspectos do Realismo. Seus personagens não são idealizados e chegam a representar caricaturas ou tipos sociais e agem mais pela necessidade de sobrevivência do que por valores morais.
2. (Fuvest) Leia o seguinte texto.
O autor pensava estar romanceando o processo brasileiro de guerra e acomodação entre as raças, em conformidade com as teorias racistas da época, mas, na verdade, conduzido pela lógica da ficção, mostrava um processo primitivo de exploração econômica e formação de classes, que se encaminhava de um modo passavelmente bárbaro e desmentia as ilusões do romancista.
Roberto Schwarz. Adaptado.
Esse texto crítico refere-se ao livro
a) Memórias de um sargento de milícias.
b) Til.
c) O cortiço.
d) Vidas secas.
e) Capitães da areia.
Resposta:
[C]
Roberto Schwartz refere-se ao romance “O cortiço” de Aluísio de Azevedo o qual, segundo ele, é mais representativo de práticas recorrentes no Brasil do século XIX do que demonstrativo dos preceitos deterministas da escola naturalista que justificava a decadência social pela mistura de raças.
3. (Fuvest) Os momentos históricos em que se desenvolvem os enredos de Viagens na minha terra, Memórias de um sargento de milícias e Memórias póstumas de Brás Cubas(quanto a este último, em particular no que se refere à primeira juventude do narrador) são, todos, determinados de modo decisivo por um antecedente histórico comum – menos ou mais imediato, conforme o caso. Trata-se da
a) invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas.
b) turbulência social causada pelas revoltas regenciais.
c) volta de D. Pedro I a Portugal.
d) proclamação da independência do Brasil.
e) antecipação da maioridade de D. Pedro II.
Resposta:
[A]
Os momentos históricos em que se desenvolvem os enredos de “Viagens na minha terra”, “Memórias de um sargento de milícias” e “Memórias póstumas de Brás Cubas” estão relacionados com a invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas. No primeiro, exibem-se os conflitos de uma sociedade em crise que se dividia entre o absolutismo de teor nacionalista e o liberalismo, associado por muitos ao país invasor e por isso considerado antinacionalista. Em “Memórias de um sargento de milícias”, relatam-se os costumes do Rio Colonial na época de D. João VI, momento em que a corte real portuguesa se refugiou no Brasil para evitar a rendição às tropas francesas. Em “Memórias póstumas de Brás Cubas”, o narrador relata que, durante a sua infância, eram frequentes debates familiares sobre o referido tema. Assim, é correta a opção [A].
4. (Fuvest) Em Viagens na minha terra, assim como em
a) Memórias de um sargento de milícias, embora se situem ambas as obras no Romantismo, criticam-se os exageros de idealização e de expressão que ocorrem nessa escola literária.
b) A cidade e as serras, a preferência pelo mundo rural português tem como contraponto a ojeriza às cidades estrangeiras – Paris, em particular.
c) Vidas secas, os discursos dos intelectuais são vistos como “a prosa vil da nação”, ao passo que a sabedoria popular “procede da síntese transcendente, superior e inspirada pelas grandes e eternas verdades”.
d) Memórias póstumas de Brás Cubas, a prática da divagação e da digressão exerce sobre todos os valores uma ação dissolvente, que culmina, em ambos os casos, em puro niilismo.
e) O cortiço, manifestam-se, respectivamente, tanto o antibrasileirismo do escritor português quanto o antilusitanismo do seu par brasileiro, assim como o absolutismo do primeiro e o liberalismo do segundo.
Resposta:
[A]
As opções [B], [C], [D] e [E] são incorretas, pois em “Viagens na minha terra”, de Almeida Garrett, não se manifesta
[B] aversão às cidades estrangeiras;
[C] oposição de discurso de intelectuais à estratégia de sobrevivência dos retirantes de “Vidas Secas”, cuja “sabedoria” não é fundada em análises filosóficas nem existenciais, mas sim primária e instintiva;
[D] postura niilista semelhante à de alguns capítulos de “Memórias póstumas de Brás Cubas”;
[E] não existe antibrasileirismo e seu autor reflete através do personagem Carlos os conceitos do liberalismo.
Assim, é correta apenas [A].
5. (Unicamp) Os trechos a seguir foram extraídos de Memórias de um sargento de milíciase Vidas secas, respectivamente.
O som daquela voz que dissera “abra a porta” lançara entre eles, como dissemos, o espanto e o medo. E não foi sem razão; era ela o anúncio de um grande aperto, de que por certo não poderiam escapar. Nesse tempo ainda não estava organizada a polícia da cidade, ou antes estava-o de um modo em harmonia com as tendências e ideias da época. O major Vidigal era o rei absoluto, o árbitro supremo de tudo o que dizia respeito a esse ramo de administração; era o juiz que julgava e distribuía a pena, e ao mesmo tempo o guarda que dava caça aos criminosos; nas causas da sua imensa alçada não haviam testemunhas, nem provas, nem razões, nem processo; ele resumia tudo em si; a sua justiça era infalível; não havia apelação das sentenças que dava, fazia o que queria, ninguém lhe tomava contas. Exercia enfim uma espécie de inquirição policial. Entretanto, façamos-lhe justiça, dados os descontos necessários às ideias do tempo, em verdade não abusava ele muito de seu poder, e o empregava em certos casos muito bem empregado.
(Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1978, p. 21.)
Nesse ponto um soldado amarelo aproximou-se e bateu familiarmente no ombro de Fabiano:
– Como é, camarada? Vamos jogar um trinta-e-um lá dentro?
Fabiano atentou na farda com respeito e gaguejou, procurando as palavras de seu Tomás da bolandeira:
– Isto é. Vamos e não vamos. Quer dizer. Enfim, contanto, etc. É conforme.
Levantou-se e caminhou atrás do amarelo, que era autoridade e mandava. Fabiano sempre havia obedecido. Tinha muque e substância, mas pensava pouco, desejava pouco e obedecia.
(Graciliano Ramos, Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 28.)
a) Que semelhanças e diferenças podem ser apontadas entre o Major Vidigal, de Memórias de um sargento de milícias, e o soldado amarelo, de Vidas secas?
b) Como essas semelhanças e diferenças se relacionam com as características de cada uma das obras?
Resposta:
a) Tanto o Major Vidigal quanto o soldado amarelo representavam a autoridade num círculo social carente de recursos jurídicos que limitassem o seu poder, por isso impunham a ordem de forma arbitrária, segundo os seus próprios juízes de valor. No entanto, o Major Vidigal fazia-o de forma mais moderada e, algumas vezes, justa, enquanto o soldado amarelo infringia o código de boa conduta e abusava do poder para humilhar as pessoas.
b) “Memórias de um sargento de milícias” é uma obra descompromissada com crítica social ou denúncia da realidade da época. Trata-se de uma crônica de costumes em que os personagens de classe média baixa tentam driblar as dificuldades do cotidiano com atitudes nem sempre muito éticas ou regidas por princípios morais. Já “Vidas secas” pertence ao neorrealismo da literatura brasileira, uma obra que pretende denunciar a realidade miserável do nordestino brasileiro, oprimido pelo meio inóspito em que vive e pelo sistema político a que está submetido. Assim, o Major Vidigal, terror de todos os malandros e baderneiros da época, age movido pela necessidade de impor a ordem, embora nem sempre os seus atos sejam modelo de boa conduta moral. O soldado amarelo, símbolo de repressão e do autoritarismo pelo qual é comandado (ditadura Vargas), é oportunista e medroso, pois não é forte quando se sabe sozinho, em lugar que não domina ou longe da proteção da ditadura, como quando, perdido no meio da caatinga, se acovarda diante do gesto ameaçador de Fabiano.
6. (Fuvest) Como não expressa visão populista nem elitista, o livro não idealiza os pobres e rústicos, isto é, não oculta o dano causado pela privação, nem os representa como seres desprovidos de vida interior; ao contrário, o livro trata de realçar, na mente dos desvalidos, o enlace estreito e dramático de limitação intelectual e esforço reflexivo. Essas afirmações aplicam-se ao modo como, na obra
a) O Cortiço, são representados os portugueses trabalhadores e os mulatos marginalizados na sociedade brasileira em formaçãol.
b) Memórias de um sargento de milícias, são figuradas Luisinha e as crias da casa de D. Maria.
c) memórias póstumas de Brás Cubas, são figurados os escravos da casa da família de Virgília.
d) A cidade e as serras, são representados os camponeses de Tormes.
e) Vidas secas, são figurados Fabiano, sinha Vitória e os meninos.
Resposta:
[E]
Vidas Secas, de Graciliano Ramos, relata a luta pela sobrevivência do retirante nordestino através dos personagens Fabiano, sinhá Vitória e os meninos. A paisagem árida da caatinga, o isolamento social, a opressão do trabalho no latifúndio produzem o ressecamento do ser, a limitação intelectual e o entendimento de mundo que os rodeia. Com frases curtas, períodos simples e o uso do discurso indireto livre, o narrador fornece elementos que permitem ao leitor entender a visão fragmentada de Fabiano e sua família sob as condições adversas da realidade do sertão.
7. (Fuvest) Considere a seguinte afirmação: Ambas as obras criticam a sociedade, mas apenas a segunda milita pela subversão da hierarquia social nela representada.
Observada a sequência, essa afirmação aplica-se a
a) A cidade e as serras e Capitães da areia.
b) Vidas secas e Memórias de um sargento de milícias.
c) O cortiço e Iracema.
d) Auto da barca do inferno e A cidade e as serras.
e) Iracema e Memórias de um sargento de milícias.
Resposta:
[A]
Em “A cidade e as serras”, Eça de Queirós apresenta uma visão paternalista da sociedade, apontando os defeitos de uma sociedade em que a atuação de uma classe culta e aristocrática, representada por Jacinto, é essencial para se efetuar uma mudança. Trata-se de uma visão reformista em que não é posta em questão nenhuma mudança hierárquica. Ao contrário, Jorge Amado em “Capitães da areia”, apresenta uma postura radical, ao transformar o protagonista Pedro Bala num líder sindical dotado de consciência ideológica, decidido a impulsionar uma revolução social.
8. (Unicamp) Leia os seguintes trechos de Memórias de um sargento de milícias e Vidas secas, que descrevem o estado de ânimo das personagens ao final de uma festa:
Acabado o fogo, tudo se pôs em andamento, levantaram-se as esteiras, espalhou-se o povo. D. Maria e sua gente puseram-se também em marcha para casa, guardando a mesma disposição com que tinham vindo. Desta vez porém Luisinha e Leonardo, não é dizer que vieram de braço, como este último tinha querido quando foram para o Campo, foram mais adiante do que isso, vieram de mãos dadas muito familiar e ingenuamente. Esteingenuamente não sabemos se se poderá com razão aplicar ao Leonardo. Conversaram por todo o caminho como se fossem dois conhecidos muito antigos, dois irmãos de infância, e tão distraídos iam que passaram à porta da casa sem parar, e já estavam muito adiante quando os sios de D. Maria os fizeram voltar. A despedida foi alegre para todos e tristíssima para os dois.
(Manuel Antonio de Almeida, Memória de um sargento de milícias. São Paulo: Ática, 2004, Capítulo XX - “O fogo no Campo”, p. 71.)
Baleia cochilava, de quando em quando balançava a cabeça e franzia o focinho. A cidade se enchera de suores que a desconcertavam. Sinha Vitória enxergava, através das barracas, a cama de seu Tomás da bolandeira, uma cama de verdade.
Fabiano roncava de papo para cima, as abas do chapéu cobrindo-lhe os olhos, o quengo sobre as botinas de vaqueta.
Sonhava, agoniado, e Baleia percebia nele um cheiro que o tornava irreconhecível. Fabiano se agitava, soprando. Muitos soldados amarelos tinham aparecido, pisavam-lhe os pés com enormes reiúnas e ameaçavam-no com facões terríveis.
(Graciliano Ramos, Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 82-83.)
a) Explique as diferenças do estado de ânimo das personagens ao final dos dois episódios.
b) A partir dessa diferença, explique o significado que as duas festas têm em cada um dos romances.
Respostas:
a) De uma maneira geral, as personagens de “Memórias de um Sargento de Milícias” estão alegres com o passeio e voltam a suas casas felizes e bem-dispostas, apenas Luisinha e Leonardo se mostram tristes pela breve separação. Em “Vidas Secas”, Baleia manifesta inquietação ao perceber a agitação do sono agoniado de Fabiano e o desconforto de Sinha Vitória produzido pelos sapatos apertados o que a faz lembrar de outros, como a da cama de jiraus que gostaria de ver substituída por outra mais confortável, como a que vira na fazenda de Seu Tomás da Bolandeira.
b) Os personagens de “Memórias de um Sargento de Milícias” usufruem de um momento de lazer e apreciam a festa numa situação de conforto que não encontra paralelo na família de Fabiano. Os retirantes nordestinos viviam em condições precárias, numa situação de isolamento de mundo que não lhes permitia aproveitar o convívio social de uma festa natalina: Fabiano sentia vontade de se vingar, Sinha Vitória sonhava com o conforto de uma cama de couro, Baleia estava confusa com os cheiros que desconhecia. Ao contrário, Leonardo, Luisinha, D.Maria e o barbeiro, por viverem em situação economicamente mais confortável, sentiam-se satisfeitos e alegres pelo piquenique e a festa de fogos.
9. (Fuvest) - (...) É uma bela moça, mas uma bruta... Não há ali mais poesia, nem mais sensibilidade, nem mesmo mais beleza do que numa linda vaca turina. Merece o seu nome de Ana Vaqueira. Trabalha bem, digere bem, concebe bem. Para isso a fez a Natureza, assim sã e rija; e ela cumpre. O marido todavia não parece contente, porque a desanca. Também é um belo bruto... Não, meu filho, a serra é maravilhosa e muito grato lhe estou... Mas temos aqui a fêmea em toda a sua animalidade e o macho em todo o seu egoísmo...
Eça de Queirós, A cidade e as serras.
Neste excerto, o julgamento expresso por Jacinto, ao falar de um casal que o serve em sua quinta de Tormes, manifesta um ponto de vista semelhante ao do
a) Major Vidigal, de Memórias de um sargento de milícias, ao se referir aos desocupados cariocas do tempo do rei.
b) narrador de Iracema, em particular quando se refere a tribos inimigas e a franceses.
c) narrador de Vidas secas, principalmente quando ele enfoca as relações sexuais de Fabiano e Sinha Vitória.
d) Anjo, do Auto da barca do inferno, ao condenar os pecados da carne cometidos pelos humanos.
e) narrador de O cortiço, especialmente quando se refere a personagens de classes sociais inferiores.
Resposta:
[E]
A comparação que é feita entre personagens humanos e bicho está presente tanto no trecho em questão quanto na obra O Cortiço, representante do Naturalismo brasileiro.
10. (Fuvest) Inimigo da riqueza e do trabalho, amigo das festas, da música, do corpo das cabrochas. Malandro. Armador de fuzuês. Jogador de capoeira navalhista, ladrão quando se fizer preciso.
Jorge Amado, Capitães de areia.
O tipo cujo perfil se traça, em linhas gerais, neste excerto, aparece em romances comoMemórias de um sargento de milícias, O cortiço, além de Capitães de areia. Essa recorrência indica que
a) certas estruturas e tipos sociais originários do período colonial foram repostos durante muito tempo, nos processos de transformação da sociedade brasileira.
b) o atraso relativo das regiões Norte e Nordeste atraiu para elas a migração de tipos sociais que o progresso expulsara do Sul/Sudeste.
c) os romancistas brasileiros, embora críticos da sociedade, militaram com patriotismo na defesa de nossas personagens mais típicas e mais queridas.
d) certas ideologias exóticas influenciaram negativamente os romancistas brasileiros, fazendo-os representar, em suas obras, tipos sociais já extintos quando elas foram escritas.
e) a criança abandonada, personagem central dos três livros, torna-se, na idade adulta, um elemento nocivo à sociedade dos homens de bem.
Resposta:
[A]
Apesar de as obras citadas terem sido escritas em épocas diferentes, a realidade mostrada em cada uma delas continua a mesma.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Morro da Babilônia
À noite, do morro
descem vozes que criam o terror
(terror urbano, cinquenta por cento de cinema,
e o resto que veio de Luanda ou se perdeu na língua geral).
Quando houve revolução, os soldados se espalharam no morro,
o quartel pegou fogo, eles não voltaram.
Alguns, chumbados, morreram.
O morro ficou mais encantado.
Mas as vozes do morro
não são propriamente lúgubres.
Há mesmo um cavaquinho bem afinado
que domina os ruídos da pedra e da folhagem
e desce até nós, modesto e recreativo,
como uma gentileza do morro.
Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo.
1. (Fuvest) Guardadas as diferenças que separam as obras a seguir comparadas, as tensões a que remete o poema de Drummond derivam de um conflito de
a) caráter racial, assim como sucede em A cidade e as serras.
b) grupos linguísticos rivais, de modo semelhante ao que ocorre em Viagens na minha terra.
c) fundo religioso e doutrinário, como o que agita o enredo de Til.
d) classes sociais, tal como ocorre em Capitães da areia.
e) interesses entre agregados e proprietários, como o que tensiona as Memórias póstumas de Brás Cubas.
Resposta:
[D]
Apenas no romance “Capitães da Areia” as tensões sociais entre ricos e pobres se aproximam das sugeridas nos versos de Drummond, como se afirma em [D].
2. (Ibmecrj) Em 2008, o Brasil celebra a memória de Joaquim Maria Machado de Assis, o "Bruxo do Cosme Velho", que morreu há cem anos, no dia 29 de setembro, já reconhecido como o maior escritor brasileiro. Revisitar a obra de Machado pensada em seu conjunto é redescobrir um dos estilos mais originais e modernos da literatura universal.
TEXTO I
Esse texto é o último capítulo de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, obra que inaugura uma segunda etapa da produção de Machado.
Capítulo CLX - DAS NEGATIVAS
[...]
1Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplastro, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, 2coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de dona Plácida, nem a semidemência de Quincas Borba. 3Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque 4ao chegar a esse outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - 9Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
("Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis)
TEXTO II
O texto a seguir foi retirado da obra de Graciliano Ramos, "Vidas Secas". Esse romance completou, em agosto de 2008, 70 anos de sua primeira publicação. É narrado em 3a pessoa (ao contrário das obras anteriores de Graciliano) e pertence a um gênero intermediário entre romance e livro de contos.
Fabiano, uma coisa da fazenda, 1um triste, seria despedido quando menos esperasse. Ao ser contratado, recebera o cavalo de fábrica, peneiras, gibão, guarda-peito e sapatões 3de couro, mas ao sair largaria tudo ao vaqueiro 7que o substituísse.
Sinhá Vitória desejava possuir uma cama igual à de seu Tomás da bolandeira. Doidice.
Não dizia nada para não contrariá-la, mas sabia que era doidice. Cambembes podiam ter luxo? E estavam ali de passagem.
Qualquer dia o patrão os botaria fora, e eles ganhariam o mundo, sem rumo, nem teria meio de conduzir os cacarecos. Viviam de trouxa amarrada, dormiriam bem debaixo de um pau.
Olhou a caatinga 4amarela, 5que o poente avermelhava. Se a seca chegasse, não ficaria planta 2verde. Arrepiou-se. Chegaria, naturalmente. Sempre tinha sido assim, desde que ele se entendera.
E antes de se entender, antes de nascer, 8sucedera o mesmo - anos bons, misturados com anos ruins. A desgraça estava em caminho, talvez andasse perto. Nem valia a pena trabalhar. Ele marchando para casa, trepando a ladeira, espalhando 6seixos 9com as alpercatas - ela se avizinhando 10a galope, com vontade de matá-lo.
("Vidas Secas" - Graciliano Ramos)
Os dois textos da narrativa brasileira lidos possuem um tema recorrente. Assinale a opção que contém esse tema.
a) O entusiasmo de Machado pelo país e pelo povo brasileiro e a falta de entusiasmo pelo país no texto de Graciliano.
b) O ácido humor do povo brasileiro apresentado pelos personagens das duas obras.
c) A morte como um instrumento de interpretação do mundo em Memórias Póstumas e, em, Vidas Secas, descrita como degradação social.
d) A falta de sintonia com a realidade presente nos personagens das duas obras.
e) Os conflitos no ambiente familiar retratados nos dois romances.
Resposta:
[C]
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
“- Assim, pois, o sacristão da Sé, um dia, ajudando a missa, viu entrar a dama, que devia ser sua colaboradora na vida de D. Plácida. Viu-a outros dias, durante semanas inteiras, gostou, disse-lhe alguma graça, pisou-lhe o pé, ao acender os altares, nos dias de festa. Ela gostou dele, acercaram-se, amaram-se. Dessa conjunção de luxúrias vadias brotou D. Plácida. É de crer que D. Plácida não falasse ainda quando nasceu, mas se falasse podia dizer aos autores de seus dias: - Aqui estou. Para que me chamastes? E o sacristão e a sacristã naturalmente lhe responderiam: - Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado para outro, na faina, adoecendo e sarando, com o fim de tornar a adoecer e sarar outra vez, triste agora, logo desesperada, amanhã resignada, mas sempre com as mãos no tacho e os olhos na costura, até acabar um dia na lama ou no hospital; foi para isso que te chamamos, num momento de simpatia".
(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
3. (Fuvest) Consideradas no contexto em que ocorrem, constituem um caso de antítese as expressões
a) "disse-lhe alguma graça" - "pisou-lhe o pé".
b) "acertaram-se" - "amaram-se".
c) "os dedos no tacho" - "os olhos na costura".
d) "logo desesperada" - "amanhã resignada".
e) "na lama" - "no hospital".
Resposta:
[D]