Ainda que eu falasse a língua dos homens. E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.
A citação em epígrafe é a primeira estrofe da canção Monte Castelo, de Renato Russo, que compreende uma feliz adaptação da Carta aos Coríntios do maior anunciador do cristianismo, São Paulo, o “Apóstolo”, e do Soneto 11 de Luís de Camões, maior poeta da língua portuguesa, e fala da importância do amor, do amor entre os homens.
Monte Castello é o nome de uma pequena elevação de terra situada a 61,3 km a sudoeste de Bolonha, Itália, palco de uma das batalhas da Segunda Guerra Mundial.
Como conta a história, a Batalha de Monte Castello, travada durante três meses ao final da guerra, objetivava possibilitar o avanço dos aliados no Norte da Itália e marcou a presença da Força Expedicionária Brasileira (FEB) no conflito, e onde, como em todas as guerras, seres humanos morreram.
Monte Castelo também é o nome de um município brasileiro do Estado de São Paulo, com população, em 2009, de aproximadamente 4.000 habitantes. Conforme dados da Fundação Seade , Monte Castelo tem 259 crianças com até 5 anos de idade. Essa pequena cidade tornou-se notícia, pois seu prefeito foi flagrado pelas câmaras do Jornal Nacional, da Rede Globo, cobrando “propina” de uma empreiteira contratada para construir uma creche orçada em R$1 milhão, com financiamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Governo Federal.
Segundo a matéria veiculada, o valor previsto para ser investido na creche corresponde a um terço do que o município recebe do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que é de R$3,472 milhões.
Indignada, uma moradora da cidade, Ana Maria Polidoro, resumiu: “Ele queria ser santo, vivia na igreja, mas de santo ele não tem nada”.
Outra moradora, Poliana Freitas Almeida da Silva, também revoltada, frisou: “Nem eu nem nenhum morador aqui de Monte Castelo vai aceitar ele lá dentro, porque corrupção é a pior coisa que tem no mundo.”
Para aludir, de forma antagônica, a um ato de desamor da humanidade, que é a guerra, Renato Russo denominou seu poema que fala do amor, de Monte Castelo.
Sem dúvida foi uma grande sacada do compositor, pois a guerra, que corrompe povos e nações, mesmo quando necessária é inútil e sempre foi uma tola ação da fragilidade humana. Na sua ocorrência, não há vencidos, nem vencedores. Todos perdem e sua primeira vítima, como o bem disse Boake Caster, é a verdade.
O poeta, considerado o maior compositor do rock brasileiro, também de forma inteligente, criticou duramente a corrupção no Brasil, quando na sua composição “Que País é Este?” nos lembra que “Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado, ninguém respeita a constituição ...”
O que leva um servidor público a tirar leite e merenda escolar de crianças, pagar por serviços não realizados, permitir que aposentados morram nas filas, que doentes não sejam atendidos, superfaturar a compra de ambulâncias e a realização de obras, entre outros inúmeros exemplos de corrupção nas cidades, é a falta de “verdade, vergonha e honra”, somente para utilizar trechos do poema Epílogos, do poeta baiano Gregório de Matos e Guerra.
Mas, de igual modo, porém sem a mesma verve poética, posso afirmar que o que faz imperar a corrupção é a falta de ética, de moral, de controle e, por que não dizer, de amor. De amor pelos homens e pela coisa pública.
Não é objeto deste artigo adentrar nas questões filosóficas que envolvem a ética, a moral. Entretanto, todo ser racional, independentemente da norma positivada, sabe o que é pecado, sabe que matar é errado, roubar é errado. Sabe o que é praticar o bem, ser justo, agir corretamente, observar princípios, agir honestamente, dar a cada um o que é seu, ter moral, ser ético.
Todavia, como os homens são frágeis e pecam, necessário se faz que, cada vez mais, a administração pública possua melhores instrumentos de controle (externo, interno e social), além de punições mais severas e tempestivas.
Por tudo isso, precisamos lutar – todos – para o aprimoramento da gestão pública. Precisamos cobrar ações mais concretas que assegurem a transparência das contas públicas, a melhoria de controles, com instituições fiscalizadoras internas e externas que desempenhem suas tarefas objetiva e eficazmente de forma “independente e protegidas contra influências de qualquer natureza” e que garantam a racionalização dos gastos públicos.
Ao escrever este artigo, mesmo de forma modesta, tento “combater o bom combate” e fazer a minha parte como servidor público e cidadão.
Às vezes, confesso, sinto-me cansado da luta, mas quando reflito sobre os dizeres das mulheres de Monte Castelo, vejo que há esperanças, pois não perdemos, ainda, a capacidade de nos indignarmos.
Ainda não perdemos, portanto, a capacidade de amar. Se houve guerra em Monte Castello e se há corrupção em Monte Castelo, o principal motivo é justamente a falta de senso de justiça e de amor, pois “se eu falasse a língua dos homens, e falasse a língua dos anjos”, sem ele – o amor – eu nada seria, eu nada diria, eu nada teria ... eu nada valeria.
A música Monte Castelo, de Renato Russo, uma colagem da carta de São Paulo aos Coríntios e de um soneto camoniano, pode constituir-se em convite ao professor para trabalhar, ludicamente, além da capacidade de relacionar informações via procedimentos intertextuais, a reflexão sobre cidadania, amor universal e amor individual, importantes na faixa etária em que se encontram os alunos do ensino fundamental. Facilita também a introdução de noções de textos poéticos, figuras de linguagem e, especialmente, descomplica o entendimento da obra do poeta Luís de Camões
Nesse sentido, a proposta desta aula do JT, em parceria com o Núcleo e Educação (NCE/USP), coordenado por Ismar de Oliveira Soares, é apresentar figuras de linguagem a partir do poeta Luís de Camões, trabalhando, por meio da interpretação de procedimentos intertextuais, conceitos de cidadania e relacionamento social.
Essa aula foi elaborada por Virgínia Maria Antunes de Jesus, doutoranda em Literatura Portuguesa pela USP, professora nas Faculdades Rio Branco e Anhangüera Educacional (Unibero) e diretora da DSignos - Soluções e Desenvolvimento em Linguagens, com a colaboração da educomunicadora Salete Soares.
OBJETIVOS
Levar os alunos a perceber que a atividade com textos literários aumenta seu repertório lingüístico-cultural, facilita e desenvolve sua capacidade de interpretação, permitindo que construa camadas de significação mais profundas do estudo da linguagem.
MATERIAL
Música e texto de Monte Castelo - Legião Urbana - recortes de Renato Russo; Texto da Carta de Paulo “I Coríntios 13” e 3)Soneto Amor é fogo que arde sem se ver.
DESENVOLVIMENTO
Proponha a realização de uma mesa-redonda ou colóquio sobre a banda Legião Urbana e o poeta Luís Vaz de Camões, de modo a envolver a classe na pesquisa e no auto-aprendizado, estabelecendo, para tanto, normas pré-determinadas de participação adequadas: saber ouvir, falar e respeitar a opinião dos colegas.
A primeira tarefa: corresponde à realização de uma pesquisa preliminar sobre a banda e o poeta, sem que o professor ofereça qualquer pista. Vale a criatividade do grupo! Recomenda-se que o professor deixe que os alunos tragam e apresentem um grande volume de informações. Quanto mais, melhor! Depois de ouvir, de um lado, a respeito do polêmico líder da banda, Renato Russo, bem como sobre a preocupação social de suas canções, e, de outro, saber informações básicas sobre Camões, considerado o maior poeta da Língua Portuguesa, autor de Os Lusíadas, poema épico, que narra o percurso da raça portuguesa, no período das descobertas pelos oceanos Atlântico e Índico.
A segunda tarefa : volta-se para o estudo da mensagem de São Paulo. Convide a classe para iniciar a tarefa propondo-lhe a pergunta: - Todos conhecem o apóstolo Paulo? Inicialmente, explique quem foi Saulo, um inimigo dos cristãos e se transforma num ativo propagador dos ensinamentos de Jesus. Para tanto, pode fazer uso de informações obtidas em enciclopédias ou mesmo na introdução de seus escritos na Bíblia (Novo Testamento). É importante salientar o papel deste apóstolo no diálogo com a cultura helenística e sua chegada ao coração do Império Romano. Apresente, então, o texto em que Paulo se dirige a um grupo de cristãos na cidade de Corinto, no Peloponeso, Grécia (Carta aos Coríntos).
A terceira tarefa: é dedicada expressamente ao soneto camoniano, fornecendo a letra da música Monte Castelo e ouvindo-a com os alunos, algumas vezes. Após as audições, o professor é convidado a chamar a atenção dos alunos para o fato de que se, de acordo com a estrutura bíblica, Paulo escreve em versículos, Camões escreve em versos. Coloque, então, a diferença estrutural entre prosa (com frases contínuas) e poesia (com versos). Neste momento, deve-se começar a condução da “análise” dos conceitos objetivados: Os alunos devem observar a pontuação das 3 primeiras estrofes em contraposição à última. - Qual o tipo de frase utilizado nos 11 primeiros versos? - E nos 3 últimos? O professor deixa os alunos darem suas interpretações livremente, e os conduz à observação de que, nas 3 primeiras estrofes, Camões faz afirmações absolutas, para, no fecho de ouro, com a interrogação, ele demonstra toda a sua incerteza: por que queremos todos “sentir um sentimento” tão contraditório e indefinível? Portanto, ele “pensa” o que outros devem sentir... Fica a critério do professor apontar ou aprofundar noções sobre antítese, paradoxo e oximoro.
Pode também aproveitar a expressão “sentir um sentimento”, que deve ser propositalmente dita, para explicar pleonasmo. Termina a tarefa, apresentando o desafio: qual a mensagem dos versos de Camões? Após ouvir os alunos, direcione a discussão/interpretação destinada a relevar as formas como o poeta trabalha o sentimento amoroso, presente tanto em sua poesia lírica (de caráter pessoal, subjetivo) quanto em sua obra épica onde trabalha com o conceito de Amor Maior (com mais lógica do que sentimento - atitude própria dos artistas renascentistas).
A quarta tarefa : destina-se a iniciar a síntese das informações trazidas pelo diálogo intertextual: - Vocês ouviram e leram atentamente os textos? - São Paulo e Camões estão tratando do mesmo tema? - Por que e como Renato Russo entremeou os 2 textos? Os 2 textos colados passam a ter uma outra mensagem? De que tipo de amor fala Renato Russo? - Finalmente, que elementos, dos 2 textos colados, estariam gerando um terceiro?. Deixe os alunos se expressarem livremente. O mais importante é que eles percebam que o texto poético vai além de si mesmo, devendo gerar em cada leitor um outro texto.
A quinta tarefa : volta-se para a sistematização dos conceitos de intertextualidade, amizade, solidariedade, caridade, amor ao próximo e ao ser amado. Os alunos são convidados a reler os textos, retomando a discussão sobre os 'tipos de amor' sugeridos e as relações comunitárias e pessoais que revelam, tema comum desde o início da era cristã aos dias de hoje. Nesta fase, pode-se pedir aos grupos que façam uma resenha oral das conclusões a que chegaram a partir do colóquio. É importante deixar os alunos fazerem crônicas orais do desempenho das equipes na semana, para que retomem o conceito de amor universal que inclui solidariedade, fraternidade, caridade, sem os quais não existe sociedade justa, a verdadeira comunicação, o bom e o bem.
A sexta tarefa: Finalmente, uma última fase pode ser dedicada a reunir novamente os grupos e pedir para que pensem juntos sobre tudo o que os poetas falaram e escolham como tarefa final entre: a) selecionar e colar pedaços de textos que gerem um novo texto; b) selecionar, parodiar ou musicar poemas (apontar que a poesia tem sua origem ligada à música); c) fazer raps sobre textos dos próprios alunos ou de outros autores. Todas as produções devem traduzir a experiência da aula sobre cidadania, amor ao próximo e responsabilidade social.
As produções podem ser dramatizadas ou apresentadas formalmente em evento da escola.
BIBLIOGRAFIA
SILVEIRA, Francisco Maciel. Palimpsestos - Uma história intertextual da Literatura Portuguesa. Santiago de Compostela, Edicións Laiovento, 1997.
Equipe educomunicativa: Izabel Leão, Salete Soares, Carmen Gattás e Luci Ferraz.
1 Coríntios 13
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.
É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.
O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem.
Todos dormem. Todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.
É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.
mpedir que o inimigo tenha vistas sobre a rota 64’’, tal foi o objeto deste ataque, realizada sobre o comando General Zenóbio da Costa. A realização sobre o dispositivo foi penosa. Feito na noite de 28 para 29, deslocaram-se as unidades por terreno íngreme e escorregadio de lama e das chuvas anteriores. Certas delas tiveram de percorrer 17 kms, em 7 horas, ocupando a base de partida às quatro da manhã para atacar as seis; é que a surpresa ordenada, exigia movimentação noturna. Foi ela feita com lentidão devido o péssimo caminho de terreno, às escuridão, ao silêncio às bases, encosta acima, à entrada em posição nos sítios exatos e, frente aos objetos a atacar, ao clarear o dia.
À hora prefixada partiu o ataque, seguido de forte proteção de nossa artilharia, as primeiras reação do inimigo, até o fim da primeira parte da jornada, tudo prenunciava o êxito: progredia satisfatoriamente o Batalhão Uzeda, sobre Castelo e o Batalhão Cândido, o Regimento Tiradentes, no flanco direito, avançava sobre Abetaia. Reagindo violentamente, o inimigo provocava fluxos e refluxos no batalhão Uzeda, que esgota seus recursos, manobrando a Cia. Reserva, afinal detida. No flanco, a direita, o Batalhão Cândido apenas consegue lançar alguns elementos sobre Abetaia. Por ultimo, não se podendo sustentar as posições já atingidas, o Batalhão Uzeda cedendo a crescente e mortífera reação do inimigo, recuando por fim. Recua também o Batalhão Cândido. O adiantado da hora, já escuro, não aconselhava o emprego do Batalhão Silvio, de reserva, é o retraimento geral é determinado pelo General Zenôbio, feito por ordem e sob a proteção de nossa artilharia, para as posições de partida.
Falhara, mais uma vez, a tentativa de Monte Castelo, apesar dos batalhões estreiantes se terem portado com o valor de eficiência combativa. (O Batalhão de Uzeda teve 150 baixas o Batalhão Cândido, cerca de 30 ).
Na noite seguinte, o inimigo tentou três contra-ataques ás posições inicias de nossos ataque, sendo sempre rechassado. E, na noite de1 a 2 de dezembro, o Batalhão Uzeda foi substituido, passando a reserva de divisão, depois de estreia viril, em que o cansaço e o inimigo foram superiores ás possibilidades.
EM RESERVA DA DIVISÃO
Com a ordem de passagem á reseva de divisão, o REGIMENTO SAMPAIO, a 8 de dezembro, terminou a sua saída de linha ( substituido pelo 6O- regimento ).da frente de marano, que assim mantivera intada por 16 dias, provando sobejatamente o valor de seus homens, estreiantes contra um inimigo veterano de muitas batalhas, embora já agarrando à de defensiva, alias sempre agressiva. De qualquer modo, fora auspiciosa a estréia do regimento Sampaio, quer pela tenacidade com que parou a repetidas ações conta Marane, quer pela virilidade com que atacou castelo. Em reserva, acantonou em Sila a La Porreta, instalando o P.C. em Corvela. Nova missão o guardava, porém; o segundo ataque brasileiro a Monte Castelo, de 12 de dezembro, para o qual entrou ativamente em preparação, em todos os setores o regimentais, dos recompletamentos de toda a espécie aos reconhecimentos táticos e planejamento da operação, para os quais disporia apenas, de três dias.
SEGUNDO ATAQUE A MONTE CASTELO
Foi ainda do comando general Zenóbio, o grupamento designado para o ataque de 12 de dezembro, nele compreendido o REGIMENTO SAMPAIO, a dois batalhões, a CIA. Obuzes a disposição da artilharia.
A entrada em linha para o ataque foi feita em véspera, a noite, nas mesma penosas condições de tentativa de 29 de novembro, sob condições atmosférica ainda mais favoráveis. Por surpresa e sem preparação de artilharia, o ataque de veria irromper as 6:30 da manhã, com os batalhões Franklin e Syzeno a frente e nessa ordem.
Chovera sem parar e uma neblina irritante restringia a dezenas de metros a difícil visibilidade tornando impossível a regulação dos tiros de artilharia e tampouco se poderia contar com a cooperação prevista de aviação, com sacrifício das informações que dela se esperavam. E para agravar mais ainda tantos contratempos, a artilharia que agia para o setor vizinho, quebra o sigilo, desencadeando seus fogos com trinta minutos de antecedência, isto é, as 6:00 horas. Em consequência, o Batalhão Franklin desemboca quase sem tempo de parada, e em trinta minutos ganha a linha de Le Roncole-C. Guanela, (CIA, AMIZAUT E FARAH) enquanto o batalhão Syzeno, dava a impressão de ter partido com atrazo, (CIA. José Raul) sendo colhido, desde a base de partida (que apenas vinha de atingir, em fim de marcha) por violentas barragem de artilharia e morteiros do inimigo, já alertado e a postos. Todavia o pelotão Galloti (4ª- CIA), consegue ultrapassar a barragem e ás 8:00 horas estava diante de C. Viteline, onde o seu tenente foi então ferido gravemente. O Coronel Caiado pede insistentemente para os ataques Americanos, cujo o comandante responde não poder agir, pois suas máquinas estavam atoladas na lama. Nada mais podia fazer aquele chefe, forçado assim a assistir o combate de seu regimento, sem recursos para nele intervir.
Todavia , no batalhão Franklim, impulsionado vigorosamente pelo seu chefe, ás 9:00 horas a Cia. Farah ( 9a)
se encontrava audaciosamente diante de C. Zolfo, ( pelotões Bordeaux e Dijiacómo ) já bloqueada pelos fogos de Fornace , e batido de revez, por Mazzancana, enquanto a Cia. Arnizaut ( 7a- ), também adentrada ( pelotões Ataída ( Sgt ) e Genito ) se via hostilizada pela retaguarda, pelos fogos C. Viteline.
No batalhão Syzero, entretanto , a Cia. Kluge ( 4ª ) tinha, atravessada decisivamente a barragem, mas detidos já, o pelotão Urias e o pelotão Galloti passado de C. Viteline, ( deixadas para traz ) e mais adentrado, o pelotão Apollo da Cia. Waldir (5a- ) em reserva para reforçar ou ultrapassar a Cia. Kluge, ( 4a-), que á direita, conseguira progredir até La Cá.
Em curso esta decisão, chega uma informação de que C. Viteline estava abandonada e que já havia tropa amiga em Abetaia e Vale ( batalhão Jacy, do regimento Tiradentes ). Era a garantia do flanco direito do batalhão Syzeno. Sem embarco, quanto, ás 10:00 horas , a Cia. Waldir vai ultrapassando a Cia. Kluge, com ela se confunde, batidas ambas violentamente não só por C. Viteline como pelos fogos flanqueantes de Abataia e Vale, dadas por desocupadas, provocando confusão e incerteza.
Uma lástima este contratempo, por que o Batalhão Franklim já tinha suas avançadas no sopé do Castelo.
A situação se fazia critica para o batalhão Syzeno. Uma Cia. ( cap. Bueno, então gravimente ferido ) o batalhão Jacy, se esfacela diante das casamatas de Abetaia, que o inimigo mantia tenazmente. Por outro lado, no batalhão Franklin, uma informação do escalão superior fazia suspender os potentes fogos de .50 ( pelotão Silva Reis ) com que ele se protegia das resistências de Fornace e Mazzancana, á sua esquerda. É que uma informação chegada dera aqueles pontos como ocupados por tropas amigas, que assim estaria perdendo gente por tropas amigos. O batalhão Franklin foi, desse modo, forçado a se aferrar ao terreno, para melhor se proteger daqueles pontos, donde o inimigo lhe alvejava de flanco e de revez , reudemente...
As reações imediatas de Fornace e Mazzancaa , de Abetaia e Vale, de flanco e de revez e mesmo de C. Viteline; a indecisão que tais informações causaram, tornaram insustentáveis a situação, diante de um inimigo que resistia obstinadamente. E embora fosse acionada a reserva ( batalhão Cândido ), a pedido do comandante do Sampaio, esta chega fora de qualquer possibilidade eficaz de intervenção. Chovera e a visibilidade era restrita.
Ás 12:30 o ataque é dado por fracassado (principalmente porque tivera os dois flancos expostos ) e ás 15:00 horas a situação era a que se segue: No Batalhão Franklin, ( III ) a cia. Farah ( 9a, pelotão Bordeaux, Machado, Cirne e Dijiácomo), muito desfalcada e apoiada no retraimento pelos pelotões Guinemé e Siqueira, da cia. Amadeu (8a. , mais os pelotões Wilson e Zamora) mantendo Guambaiana com dificudade; e a cia. Arnizaut ( 7a-, pelotão Rocha, Genito, Nobrega e Ataíde) em 744, fortemente batida de 799. ( pelotões Genito e Ataíde ). A Cia. Floriano ( Petrechos ), na base de fogos ( pelotões Eurípedes, Glauco Mazza e seções Lana e Travassos).Apesar do seu sensível avanço, no recuo, o Btl. Franklin recolheu quase todos os seus feridos, poucos tendo ficado na palmilhada terra de ninguém.
No batalhão Syzeno (III), a Cia. Waldir ( 5a-, pelotão Sigismundo, Gibson, Darcidio e bicudo) com o pelotão Sigismundo na região de La Cá e o pelotão Gibson em C. Guanela, detidos; a Cia. Kluge ( 4a, pelotões Urias, Achiles, Rosa e Murilo ) com o pelotão Achiles esfacelado por La Cá, o pelotão de Urias na baixada de Abetaia e um grupo de pelotão Rosas (sgt) á direita de C. Viteleni, todos igualmente detidos; a Cia. José Raul, ( 6a, pelotões Chaon a esquerda de C. Viteleni; a Cia. Celestino, ( petrechos ) em base de fogos (Pelotões Ribeiro, Dias, Hugo, Castro, Filho e Seções Nilton e Walter ).
Finalmente, ás 15:40, o general Zenóbio passa o comando da frente para o coronel Caiado de Castro, determinando o retraimento paras as linhas de partida. Estas deveriam ser guarnecidas pelo Regimento Tiradentes, reforçado, e os batalhões de Sampaio se reagrupariam à sua retaguarda.
DE NOVO EM RESERVA DA DIVISÃO
Esta infeliz jornada de 12 de dezembro, incontestavelmente o mais duro revez sofrido pela F.E.B, na Itália, e no qual tudo conspirou contra o êxito, trouxe preciosos ensinamento para as operações futuras. Em sã consciência, porém, a ninguém é licito responsabilizar pelos seus fracasso, que se deve creditar, com fato consumado, é realidade da Guerra.
Fracassado o ataque de 12 de dezembro, e esgotado REGIMENTO SAMPAIO do brutal esforço que vinha dependendo, passou ele a um repouso relativo, como reserva de divisão, reagrupando-se entre Sila e Porreta, o P. C. Novamente em Corveta.
MONTE CASTELO - 18 º ABAIXO DE ZERO
Coincidindo com o período hibernal, em que o soldado brasileiro, tropical, revelou notável capacidade de adaptação ( 18º abaixo de zero marcou tantas vezes o termômetro, ao relento das gélidas madrugadas dos alpeninos ) á F.E.B, coube manter o setor defensivo que se estendia pelas alturas e o oeste da rota 64, de Belvedere a Castelnuovo, numa frente de 18 qüilômetros.
No cumprimento desta missão, a nota agressiva do front consistiu, como vimos, em duelos diuturnos de artilharia, bombardeios da parte as parte e intensa atividades de patrulhas. Registraram-se, mais, inúmeros golpes de mão a cotra-ataques locais, tudo no panorama de densa camada de neve intenso frio. E dada a situação do inimigo, a cavaleiros de alturas dominantes (Belvedere, Castelo e Soprasasso, principalmente ) todo nosso acentuado tráfego de abastecimento e evacuações, teve que se processar sob a proteção permanente de extensa e flutuante neblina artificial, no trecho devassando.
Nas passagens da serra, um serviço diário de remoção, impedia que as camadas de gelo bloqueassem a circulação.
Sensíveis foram as baixas verificadas neste período, na frente como na retaguarda imediata. Com a atenuação do inverno, porém, o IV corpo decide e retomada das operações ofensivas no Vale do Reno.
O PLANO ENCORE
Ficou assentada, em consequência, a realização do plano Encore, uma das mais belas concepções de manobra daquele corpo de exército, traduzida numa operação de vulto contra a principal posições organizada pelos inimigos nos alpeninos, colhendo-o de flanco e ao longo de toda de sua linha defensiva, montada no já famoso divisor Panaro-Reno.
E desta vez não atacariamos isoladamente. Embora Monte Castelo continuasse a ser o objeto brasileiro, atuaria á nossa esquerda a bem adextrada e impetuosa 10a- divisão de montanha, estreiante, tendo a seu cargo uma ação de flanco sobre crista Belevedere-Torraccia, de que Mte. Castelo constitui um saliente montuoso. Disporíamos, também, de mais tempo para a montagem da operação, já agora bem recebida por toda a tropa, mercê do ânimo retemperado pelas providencia de toda ordem tomada durante o inverno pelo comando da divisão.
SAMPAIO X CASTELO
E o Regimento Sampaio, agora com todos os seus recursos á inteira disposição e integral faculdade de emprego pelo seu comandante, foi distinguido com a honrosa missão de ataque propriamente dito ao renitente e sinistro reduto, que por quatro vezes resistira já, desafiador e prepotente, a todos os eforços contra ele durante tentados.
O inimigo, já sabemos como o ocupava e de que forma obstinada o defendia. Tomadas nas véspera e de surpresa , pelos americanos , as alturas de Cappel Buso, no dia seguinte, dois regimentos montanheses, de lá apoiados, sob dantesco bombardeio de artilharia , assaltam , também, o Belvedere, toma Gorgolesco e avança sempre , ao longo da crista , até Mazzanca-Cappela de Ronchidos, atingida em fim de jornada.
A partir desta situação e segundos os planos divisionários, o Regimento Sampaio desencadearia o seu ataque.
A jornada de 21 de fevereiro foi decisiva para os brasileiros, já que os êxitos americanos de Belvedere e Gorgolesco impunham, como ponto de honra para o Sampaio, a conquista, a qualquer preço, do famoso Monte castelo. E desde a entrada em linha, iniciada ás 20 horas de 20, se revelara a disposição da tropa; a base fixada ( Mazzancana-Gambaiana-Le Roncole), fora ultrapassada, na madrugada, por audases patrulhas do 1a- REGIMENTO, que assim irrompeu para o ataque, ás 5:30, por elas cobertas pelo o alinhamento general Fornace - C, Viteline, a mais de km á frente.
Todavia confusos era os informes sobre a situação exata dos americanos, contra - atacados nessa mesma madrugada, na crista onde os brasileiros e montanheses corriam o risco de se desconhecem, dadas as semelhança dos nossos uniformes com os dos alemães ( muitos haviam despido a jaqueta da campanha ). Á hora da partida, pois, a situação dos nosso flanco esquerdo era incerta e de apreensões.
Vencidas, porém, as dificuldades iniciais, progride o Batalhão Uzeda, em ação flanqueante, com segurança e decisão, enquanto o batalhão Franklim via o impeto de seu ataque frontal prejudicado por sérios pontos fortes do inimigo.
Desta feita, porém, o comandante do regimento dispõem dos recurso preciosos dos pedidos direitos de tiro a artilharia Divisionária ( general Cordeiro de farias, comandante), podendo assim ajusta seus poderosos fogos à sua Manobra. E às 7:45, a seu pedido, desencadeou a artilharia fortes barragens sobres os pontos 930 e 887, na crista do castelo, bem como sobre acima de 776, onde se revelara tenaz resistência.
Consegue o Batalhão Franklim, desde modo, progredir mais além , mas às 9 horasda manhã, seu pelotão avançado são de novo detidos (fogos ajustados de C. Zolfo , 977 e 887 ). No batalhão Uzeda, porem, aniquilada a guarnição de Cargé ( pelotão Villaboim ), a cia, Yedo ( 3a- ) avançava sobre 875, enquanto que, de Fornace a Cia . Edison, buscava neutralizar C. Zolfo em proveito do batalhão vizinho.
Recuada, em reserva, a cia. Everaldo (1ª) limpa a cota 920, um ponto renitente que ficara para traz.