Ler e contar: a formação do leitor como um triângulo amoroso

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 20, 2017

Ler e contar: a formação do leitor como um triângulo amoroso


Resultado de imagem para Ler e contar

“As histórias são bálsamos medicinais. Achei as histórias interessantes desde que ouvi minha primeira. Elas têm uma força! Não exigem que se faça nada, que se seja nada, que se aja de nenhum modo – basta que prestemos atenção”.

Esta afirmação da psicanalista norte-americana Clarissa Pinkola Estés, claro, não é nenhuma novidade. Mas vale pela precisão e beleza com que nos recorda de uma atitude que a humanidade reconhece pelo menos desde que nos humanizamos. Se, como diz o filósofo espanhol Fernando Saváter, não nascemos humanos, “nos tornamos humanos por convívio e por contato”, essa sofisticada metamorfose jamais se manteria em pé, não fosse nossa capacidade de ouvir e de narrar histórias. Na mínima melodia articulada pela voz humana se identifica o DNA dos homens e mulheres que somos ou que haveremos de ser. É por isso que a imagem de nossos ancestrais em volta do fogo contando “causos” de terror ou de glória será sempre atual – ainda que a atualizemos munidos de livros, celulares e tablets.

Mas desde esse feito extraordinário e decisivo que foi a invenção da linguagem, muitas tecnologias foram desenvolvidas em favor da nossa necessidade ancestral de narrar. De todas elas, nenhuma foi tão decisiva, irreversível e transformadora da nossa relação com a palavra como a invenção da escrita. Não cabe desenvolver aqui a reviravolta que isso ocasionou na mentalidade humana, e sobre isso são escritas até hoje milhares de teses em todo o mundo. Para a nossa abordagem, entretanto, basta destacar que uma técnica (a leitura) não veio substituir a outra (contar histórias) – mas atentar para as diferenças entre uma outra é fundamental, quando queremos promover de fato a formação de leitores.



De ler e de contar

Contar história é uma maneira antiquíssima e eficaz de fortificar e perpetuar a cultura, através da transmissão de valores éticos ou morais, de técnicas essenciais à manutenção da comunidade, de ritos de passagem inerentes aos ciclos da vida, etc. Passadas de geração para geração, de boca em boca, se ajustam e se transformam conforme as necessidades. Como a palavra também cura, é “bálsamo medicinal” – pode alegrar, comover, acalentar, entreter, fazer rir, consolar –, contar histórias tem muito de improviso e adaptação ao contexto e à função a que se destina, dependendo muito da impressão que se quer imprimir na alma daquele que ouve. “Quem conta um conto aumenta um ponto”, já dizia um antigo antepassado nosso cujo nome se perdeu na história, mas que com certeza foi um grande narrador. E isso vale mesmo para histórias que foram escritas. No ato de contar, o material escrito não precisa estar presente, pois o que interessa é o enredo, a narrativa. Sendo assim, além da própria voz, podemos usar recursos diversos, como fantoches, técnicas teatrais, caracterizações de personagens, objetos, música, etc.

Agora, ler é outra história. Na leitura de um conto, mesmo o ponto permanece onde está. Até porque a função da escrita é preservar tanto a história quanto a forma como ela está registrada. Portanto, se é para acrescentar alguma coisa, isso corre por conta de quem ouve: vai depender de como a história se acomoda no espírito de quem a recebe, que é livre para interpretar. Mas àquele que se comprometeu a ler para os outros cabe respeitar cado ponto, cada vírgula e a inteireza da frase.



Ler em voz alta: um triângulo amoroso entre você, o livro e o pequeno leitor

Vale enfatizar: não se trata de substituir uma prática pela outra, nem de estabelecer que esta seja melhor do que aquela – enfim, não se trata de hierarquizar. Ambas as práticas são importantes para a aquisição da linguagem e o desenvolvimento da escrita. Mas, em se tratando de promoção de leitura e formação efetiva de leitores, a presença do livro e o respeito às particularidades da leitura são indispensáveis, e aí precisamos ficar atentos entre as diferenças entre ler e contar. Comparada à narrativa oral, a leitura é algo muito recente e ainda estamos aprendendo como é que se faz. Grandes leitores e autores, como Goethe, advertem que aprender a ler é algo que não paramos de aprender durante uma vida inteira!

Em abril de 2010, veiculamos em nosso antigo blog uma excelente entrevista com a fonoaudióloga e assessora em leitura pública Lucila Pastorello. Vale a pena reproduzir abaixo alguns trechos preciosos que nos ajudam a pensar e aperfeiçoar nossas práticas de mediadores de leitura. Vejamos.

Com a leitura a coisa é um pouco diferente. Um professor e pesquisador da USP, o Claudemir Belintane, que orientou meus estudos de doutorado, costuma dizer que na leitura há uma lei-dura. Não dá para adaptar, inventar; o leitor deve ler aquilo que está escrito, já que uma das funções da escrita é registrar um texto, em seu conteúdo e sua forma.

Se a ideia é promoção de leitura, é claro que ler em voz alta é a prática mais indicada, pois a presença do escrito (do livro, por exemplo) na atividade faz com que aqueles que ouvem e veem (crianças, normalmente, mas funciona com adultos também) fiquem interessados em saber de onde vêm as palavras, a história que envolvem a todos na voz do leitor. A criança vê o leitor vendo o escrito. O leitor, por sua vez, tem um compromisso com o texto escrito e com os ouvintes: ele testemunha a língua, está sujeito às leis da escrita, mas ao mesmo tempo pode deixar sua marca interpretativa com sua voz, fazendo o texto passar por seu corpo e atingir o corpo dos outros.

Ao lermos em voz alta, o texto escrito está presente, o que cria uma triangulação na situação: a escrita, o leitor e aquele que escuta e observa a leitura. Esta triangulação é essencial para trabalharmos o desejo pela leitura e pela escrita. A transição, falando especificamente em pessoas em processo de alfabetização, se dá naturalmente quando há desejo pelo escrito, quando o não-leitor inveja o leitor e se lança no árduo caminho de ser letrado. Está aí um bom sentido para o termo "mediador de leitura". A leitura em voz alta é uma oferta, um presente para o futuro. Ler para o outro é sempre importante, ainda mais tratando-se de um leitor em formação. Devemos lembrar que a alfabetização é o domínio de uma técnica, mas a formação de um leitor leva anos. Quantos anos? Provavelmente a vida!

Feitos esses esclarecimentos preciosos, uma pergunta não quer calar: por que ainda somos resistentes em admitir essas diferenças e por que, sempre que podemos, colocamos a contação de histórias no lugar da leitura em voz alta? Lucila esclarece.

Contar histórias tem sido uma prática mais intensa justamente por conta de suas características: liberdade para criar, resgate de elementos da cultura popular e arrebatamento do espectador através de uma cena dramática, muito próxima do teatro. Além disso, no Brasil, quando falamos aos professores sobre leitura em voz alta, é comum percebermos a associação ao controle, com a avaliação e não com a fruição do texto e a criação de sentidos interpretativos. Esta associação pode ser motivada pelo uso autoritário e normativo da leitura. Se pensarmos que ler é transformar o material gráfico em material sonoro, aí pensamos que existe uma “leitura certa” e uma “errada”. Mas, se considerarmos que ler é produzir sentidos, a leitura em voz alta passa também a ser uma forma de singularizar o discurso, de oferecer aos outros a sua leitura particular.

Se ler é algo que se exercita e se aprende pela vida toda, podemos e devemos oferecer leitura sempre e em todos os lugares, inclusive para pessoas plenamente alfabetizadas. Segundo Lucila:

Podemos ler com as crianças desde muito cedo; antes de serem alfabetizadas, elas podem “ler as imagens” enquanto você lê o escrito (a leitura imagética é uma forma interessante e importante de acesso ao sentido de um texto). Aos poucos, à medida que a criança caminha em seu processo de alfabetização, podemos variar os papéis, inventar outros. Ler para o outro é uma expressão de afeto e cuidado. E para pensar: até que idade queremos ser cuidados? Alberto Manguel, um importante escritor e pesquisador argentino, descobriu a potência da leitura em voz alta lendo para um grande escritor argentino, Jorge Luis Borges, que estava perdendo a visão. A partir daí Manguel passou a incorporar a leitura em voz alta como uma prática interativa: passou a ler em voz alta em casa, com sua companheira. Em alguns países como França e Portugal, atualmente existem sessões de leitura em voz alta abertas ao público: a leitura em voz alta é uma oferta e não necessariamente uma alternativa a cegos e analfabetos. Não se trata de suprir, mas de ofertar.



Um presente pra você, leitor

Dissemos parágrafos acima que, na contação de histórias, o que importa é a narrativa, o conteúdo que é contado – o enredo da história. Mas, quando se trata de leitura de literatura, interessa não só o que se conta, mas também a forma como o autor narra. Por exemplo, qualquer um de nós pode dizer que, do alto de um voo de avião, as coisas aqui embaixo parecem tão minúsculas que um homem, um cavalo e um boi se tornam verdadeiras formiguinhas. Mas existe um jeito de dizer isso que só pode ser dito por Guimarães Rosa. Do conto “As margens da alegria”, extraímos a seguinte pérola: “Se homens, meninos, cavalos e bois – assim insetos?”.

E não para por aí o deslumbramento desse conto. Ele inteiro é construído com pérolas, para o nosso “milmaravilhamento”. Um menino vê pela primeira vez um peru no quintal e de repente não é mais um peru, é a coisa mais deslumbrante do mundo, é uma experiência arrebatadora, é a iluminação de uma vida inteira:
“O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o rapar das asas no chão – brusco, rijo, – se proclamara. Grugulejou, sacudindo o abotoado grosso de bagas rubras; e a cabeça possuía laivos de azul-claro, raro, de céu de sanhaços; e ele, completo, torneado, redondoso, todo em esferas e planos, com reflexos de verdes metais em azul-e-preto – o peru para sempre. Belo, belo! Tinha qualquer de calor, poder e flor, um transbordamento. Sua ríspida grandeza tonitruante. Sua colorida empáfia. Satisfazia os olhos, era de se tanger trombeta. Colérico, encachiado, andando, gruziou outro gluglo. O menino riu, com todo o coração. Mas só bis-viu. Já o chamavam, para passeio”.

Não é maravilhoso?! É aquele tipo de leitura para ser relida. Relida, não: translida. Não, ainda não é isso, é aquele tipo de coisa que exige ser: pro-cla-ma-da! É daqueles trechos pelos quais passamos e imediatamente queremos chamar todo o mundo para ver-ouvir-ler-se-maravilhar. Exige ser compartilhado!
Tudo bem, vocês já perceberam com toda razão que Guimarães Rosa é no mínimo o escritor de cabeceira de certas pessoas aqui no Ecofuturo... Mas, experimente ler o trecho acima em voz alta. Leu? Então, tem mais: experimente a sensação de movimentar bem os lábios, sentindo cada movimento, abrindo bem a boca, articulando cada palavra vagarosamente, sentindo o movimento da língua, conforme a exigência de cada sílaba, atento à delícia da pronúncia e à sonoridade – especialmente em: “empáfia”, “torneado”, “redondoso”, “entufou”, “ríspida grandeza tonitruante” e “abotoado grosso de bagas rubras”... Aposto que você sentiu um negócio estranho e maravilhoso no próprio corpo.
Sentiu? Então, corre e anuncie aos outros a boa nova!



FONTE : http://tudosobreleitura.blogspot.com.br

12 passos para que seus filhos se tornem bons leitores

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 19, 2017

12 passos para que seus filhos se tornem bons leitores


Leia em voz alta com eles. Explore com eles os livros e outros materiais de leitura – revistas, jornais, folhetos, almanaques, manuais de instruções, cartazes, placas… Todo material impresso pode ser útil e ocasionar um momento de troca centrado na leitura.
Ofereça a eles um ambiente rico em termos de letramento: faça atividades com leitura mesmo com os bebês e crianças bem pequenas, e continue fazendo com as crianças e jovens que já estão na escola.
Converse com eles e escute-os quando falam. Isso ajuda muito no desenvolvimento da linguagem oral.
Peça para recontarem histórias ou informações que você leu em voz alta para eles. (Cuidado para que isso não acabe virando aula! Não é esse o espírito da proposta. Precisa ser algo agradável e descontraído).
Incentive-os a desenhar e fazer de conta que escrevem histórias que ouviram, e peça, depois, que “leiam” em voz alta. Parece absurdo? Pois não é! Afinal, eles passam o tempo fazendo de conta que cozinham, que dirigem carros, que lutam com inimigos perigosos, que são médicos e professores… Não esqueça: a ideia é brincar de ler.
Dê o exemplo: faça com que eles vejam você lendo e escrevendo. E, por favor, não faça a bobagem de dizer que eles devem aprender a ser diferentes de você, que não gosta de ler! O que conta não é o que você discursa sobre leitura, escrita, estudo: é o que você oferece como exemplo.
Vá à biblioteca regularmente com seus filhos. Se for uma biblioteca de empréstimo, é bom cada um ter sua própria ficha de inscrição.
Crie uma biblioteca em casa, e uma biblioteca pessoal para a criança, onde ela se acostume a guardar os livros e a buscá-los. Na hora de comprar presentes para seu filho, lembre-se dos livros! De quebra, ele ganha competência para lidar com o mundo e abertura da imaginação.
Não deixe de fazer um pouco de mistério, para aguçar a curiosidade. Por exemplo: você tem três livros na mão e diz à criança que ela pode escolher entre dois livros. Ela certamente vai dizer que são três, e não dois. Você faz de conta que se enganou, e põe um deles de lado. Adivinha qual deles ela vai querer… Use sua imaginação. Tudo isso é jogo, mas o resultado é que seu filho ganha sempre, e para toda a vida.
10 Leve seus filhos sempre que houver hora do conto, teatro infantil e atividades similares na comunidade.
11 Se tiver varanda em casa, você já tem um dos melhores recursos que existem para instalar um lugarzinho para ler. Tem coisa mais gostosa que sentar para ler vendo o mundo passar? Às vezes, até dá para deixar um estoque de leitura permanente na varanda, que se renova volta e meia.
12 Crianças ou adolescentes juntos fazem uma ocasião das melhores para ler (em acampamento, em viagem de férias, recebendo amigo pra passar a noite ou o fim de semana…). Deixe materiais variados à disposição, para escolha livre.
FonteEcofuturo

Como os pais podem ensinar leitura para seus filhos

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 19, 2017
Resultado de imagem para leitura

Como os pais podem ensinar leitura para seus filhos

Matéria publicada em 16/09/2012

*Autora: Cristiane Ferreira é Pedagoga e Coach Educacional

A escola é o ambiente formal escolhido pela sociedade para o ensino da leitura e escrita e suas regras cultas. Dispõe de profissionais qualificados e os recursos necessários para o ensino. Porém, mesmo antes de ter a instrução formal na escola, a criança começa a aprender a ler na família, adquirindo os hábitos de leitura dos adultos que a cercam na primeira infância e construindo suas hipóteses iniciais sobre funcionamento da escrita ainda em casa.

            Quando a criança tem oportunidade de entrar em contato com diversos materiais escritos, como livros e revistas, por exemplo, vai compreendendo que os textos são combinações de palavras, que por sua vez são formadas por sílabas e letras e que são a representação de objetos e da língua falada.
A descoberta de que é possível representar os sons por meio de grafismos é um passo muito importante para o aprendizado da leitura e uma conclusão nem sempre tão simples de se alcançar, mas que pode ser facilitada por meio da convivência com leitores ativos.
Ao ter contato constante com a leitura feita pelos adultos, as crianças aprendem também que os textos trazem uma mensagem e servem para comunicar, divertir, ensinar. Dessa forma, desde pequena, a criança começa a compreender a importância da leitura e escrita e sua função social na vida das pessoas.
O aluno que chega à idade escolar com uma base sólida sobre o funcionamento do sistema da escrita terá o aprendizado sistemático da leitura mais dinâmico e será alfabetizado mais rapidamente.
Por esse motivo, os pais devem ler para os seus filhos, indicando com os dedos as palavras que estão sendo lidas; o livro deve ser posicionado de forma que a criança possa acompanhar a leitura, ao lado do adulto, observando o texto e as imagens continuamente, ao invés de ficar no lado oposto, tendo apenas a visão da capa.
Assim a criança já vai aprendendo que as palavras escritas podem ser faladas, que para ler é preciso seguir da esquerda para a direita, que existe um sentido em tudo o que está escrito e que, ao contrário dos desenhos, as palavras não tem semelhança com os objetos que representam.
Ao ver o desenho de um carro, a criança já consegue identificar qual objeto está representado, diferentemente de ver a palavra carro. Para saber o que a palavre representa, será preciso ler, ou seja, aprender a decodificar o sistema de escrita. Saber a diferença entre as formas de representar objetos (por meio de textos ou imagens) é uma habilidade sutil e implícita, mas muito importante para a compreensão da língua e uma das bases iniciais do processo de alfabetização.
Para auxiliar os filhos nesse processo, os pais devem deixar livros à disposição das crianças, junto com seus brinquedos. É aconselhável adquirir livros infantis que contenham imagens e textos, para que a crianças façam comparações e possam ler livremente.
Como ainda não dominam a língua e nem o código escrito, provavelmente os pequenos inventarão suas histórias e indicarão as frases lidas com dedo, “fingindo ler”. Os adultos devem evitar corrigir e deixar a criança inventar suas histórias, pois isso favorece a imaginação e a relação positiva com a língua escrita. Com o tempo, a própria criança começará a fazer perguntas do tipo “o que está escrito aqui?”. Nesse momento o adulto pode fazer a leitura solicitada.
Os pais também podem despertar o interesse dos filhos fazendo suas leituras diárias na frente das crianças. Ler jornal, livro e até um manual de instrução na frente dos pequenos fará com que as crianças percebam que ler é algo tão saudável, rotineiro quanto escovar os dentes. Como a leitura, diferente do ato de escovar os dentes, é algo que só os adultos fazem, logo a criança terá curiosidade e irá pedir ou pegar o livro ou jornal da casa.
Além dos pais, outros membros da família como irmãos mais velhos, avós, primos e até vizinhos e amigos, podem e devem participar de momentos de leitura junto com os pequenos.
Dessa forma a leitura passará a fazer parte da rotina da criança. E isso é o grande passo para a alfabetização, uma vez que boa parte das dificuldades de aprendizagem em leitura consiste na desmotivação do aluno que não consegue entender o que é leitura, para que serve e sua importância na vida das pessoas.

Cristiane Ferreira é Pedagoga pela PUC SP.  Possui ainda formação em psicopedagogia e coaching.
Atua como professora de ensino fundamental na rede municipal de ensino de São Paulo, coach educacional, life coach e realiza suporte pedagógico a crianças e adultos com dificuldades de aprendizagem no Instituto de Psicologia IPSI Brasil.
Foi diretora da Meta Escolas Integradas, arte educadora e professora de educação infantil no Colégio Marajoara.
É membro da International Association of Coaching (USA), Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional e presidente da Seção São Paulo do International Dance Council (CID UNESCO).

Serviço
Cristiane Ferreira
Pedagogia Clínica e Coaching
(11) 5641-2586
contato@cristianeferreira.com

Fontes: Segs , http://tudosobreleitura.blogspot.com.br

Orações Subordinadas Substantivas

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 18, 2017

Orações Subordinadas Substantivas

São orações que exercem a mesma função que um substantivo, na estrutura sintática da frase.

Exemplo 1:

- A menina quis um sorvete. (período simples)
A menina = sujeito;
Quis = verbo transitivo direto;
Um sorvete = objeto direto;

Temos duas posições na frase anterior em que podemos usar um substantivo: o sujeito (menina) e o objeto direto (sorvete). Nessas mesmas posições podem aparecer, em um período composto, orações subordinadas substantivas.

Dependendo de onde elas apareçam e da função que elas exerçam, poderemos classificar como Subjetiva (função de sujeito) ou como Objetiva direta (função de objeto direto).

Sendo assim, notamos que:

- A menina quis que eu comprasse sorvete. (período composto)
A menina = sujeito;
Quis = verbo transitivo direto;
Que eu comprasse sorvete = Oração subordinada substantiva Objetiva direta

E ainda em:

- Quem me acompanhava quis um sorvete. (período composto)
Quem me acompanhava = oração subordinada subjetiva;
Quis = verbo transitivo direto;
Um sorvete = Objeto direto;

Além das posições de sujeito e objeto direto, as orações subordinadas substantivas podem exercer a função de um predicativo, de um objeto indireto, de um aposto e de um complemento nominal.

Portanto podemos ter oração subordinada substantiva de 6 tipos:

1. Subjetiva: ocupa a função de sujeito.

Exemplos:

- É preciso que o grupo melhore.
Verbo de Ligação + predicat. + O. S. S. Subjetiva

- É necessário que você compareça à reunião.
VL + predicat. O. S. S. Subjetiva

- Consta que esses homens foram presos anteriormente.
VI + O. S. S. Subjetiva

- Foi confirmado que o exame deu positivo.
Voz passiva O. S. S. Subjetiva

2. Predicativa: ocupa a função do predicativo do sujeito.

Exemplos:

- A dúvida é se você virá.
Suj. + VL + O. S. S. Predicativa

- A verdade é que você não virá.
Suj. + VL + O. S. S. Predicativa

3. Objetiva Direta: ocupa a função do objeto direto. Completa o sentido de um Verbo Transitivo Direto.

Exemplos:

- Nós queremos que você fique.
Suj. + VTD + O. S. S. Obj. Direta

- Os alunos pediram que a prova fosse adiada.
Sujeito + VTD + O. S. S. Objetiva Direta

4. Objetiva Indireta: ocupa a função do objeto indireto.

Exemplos:

- As crianças gostam (de) que esteja tudo tranqüilo.
Sujeito + VTI + O. S. S. Objetiva Indireta

- A mulher precisa de que alguém a ajude.
Sujeito + VTI + O. S. S. Obj. Indireta

5. Completiva Nominal: ocupa a função de um complemento nominal.

Exemplos:

- Tenho vontade de que aconteça algo inesperado.
Suj. + VTD + Obj. Dir. + O. S. S. Completiva Nominal

- Toda criança tem necessidade de que alguém a ame.
Sujeito + VTD + Obj. Dir. + O. S. S. Comp. Nom.

6. Apositiva: ocupa a função de um aposto.

Exemplos:

- Toda a família tem o mesmo objetivo: que eu passe no vestibular.
Sujeito + VTD + Objeto Direto + O. S. S. Apositiva

Atividade escrita - ortografia

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 18, 2017

1. Atividade escrita - 7ª ANO

Abaixo, damos várias palavras, todas oxítonas. Algumas tem acento, outras não. São essas particularidades que queremos mostrar para você, pois elas determinam quais dessas palavras devem ser acentuadas ou não. Observe:
Alguém – oração – caju – canal – café – amor – alcançar – avião – quintal – avô – avó – canção – conseguiu – abacaxi – lição – fubá – estudar – cajá – alteração – veloz – você – cipó – armazém – parabéns – juiz – também – sabiá – corações – cipós – marajás – Amapá – Noé – jaraqui – pacu – céu – chapéu – anzóis – véu – anéis – herói - teu – meu – dodói – viveu – lei – açaí – Itaú – buriti – Rio Maú -
Agora, separe as palavras acentuadas das que não possuem acento.
Palavras acentuadas
Palavras sem acento

A Origem Da Língua Portuguesa

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 17, 2017
A Origem Da Língua Portuguesa




No texto “A história da língua portuguesa”, o autor trata da evolução do nosso idioma pelo

Ponto de vista histórico e gramatical, pois a língua portuguesa nada mais é que o latim falado no ocidente da península ibérica, porém modificado, transformado nas línguas românicas e novilatinas.

Segundo o autor dois povos viviam na península, e deram origem ao Basco e Ibero.

A partir desse ponto o autor faz uma apresentação cronológica onde narra o desenvolvimento lingüístico do latim até o português.

Seguindo as idéias do autor, devido as grandes riquezas da região outros povos cobiçavam-na, entre eles os fenícios e gregos, após disputas os gregos são derrotados e com isso inicia-se a decadência dos tartéssios.

Os fenícios fixaram-se na costa da península meridional em 1100 a.c e fundaram gadir hoje càdiz, Málaga, e Abdra.

O povo fenício não era colonizador por isso não penetrava no interior das terras.

Após seu enfraquecimento os fenícios foram absorvidos pelo povo indígena.

Já os gregos não desistiram mesmo batidos no sul fundaram prosperas feitorias, que são hoje remanescentes alicante (lucentum) , (Denia hemeroscopion), (rosas Rhodes) e (ampurias emporium).

O contato dos dois povos foi útil para o desenvolvimento da arte na península, no norte e oeste da Ibéria os povos europeus se sobrepuseram sobre o povo nativo; no século V e III a.c houve a invasão dos celtas que se estabeleceram na região da galécia e nas regiões altas de Portugal,o domínio celta não foi pacifico porém a convivência dos celtas e iberos resultou no povo celtibero.

Se não fosse o cartaginês que falava um dialeto fenício (o púnico) a presença dos fenícios teria se apagado por completo, mas Roma não via com bons olhos o progresso de Cartago pois temia perder o controle da península, após uma guerra de 118 anos Roma sai vitoriosa e torna a híspania sua vassala.

Em 197 a.c Roma foi anexada como província da península.

A romanização da Ibéria se deu em 2 períodos o primeiro foi desde as guerras punicas até o estabelecer do império, a segunda veio com o advento de augusto e passa durante todo o período imperial uma época tranqüila e de assimilação nessa época a península foi dividida em três: terraconense, bética e Lusitânia.Essa assimilação foi tranqüila devido à proximidade do latim e do celta e deu-se das cidades até os campos.

Essa romanização ocorreu devido a vários fatores sendo eles:

O fato de após o recrutamento militar os jovens voltarem para seu lar levando consigo seu aprendizado o fácil intercambio com a metrópole o direito de cidadania dada aos urbes hispânicos e o cristianismo pregado por um latim acessível que reduz a distancia entre as classes sociais.

O autor relata varias citações em textos da época que comprovam esses fatos.

O latim que se vulgarizou foi o latim sermo vulgaris que nos da noticia os gramáticos latinos, a outra modalidade era o sermus urbanus conhecido sim, mas nas escolas.

O latim falado pelo povo fora levado para a hispania e sofreu modificações inevitáveis e automáticas porem algo perturbou esse processo, pois no século V a península foi invadida pelos vândalos que se fixaram na galécia e bética e firmaram uma dinastia na áfrica que durou por um século, em seguida os suevos ocuparam a galécia e a Lusitânia depois de um tempo foi a vez dos Godos que absorveram os suevos no século (VI).Apesar de vencedoras as tribos germanas acolhem os costumes e a língua da região (latim) já modificado com isso ocorre à queda da nobreza e das escolas onde se cultivavam as línguas cultas.

Como herança germânica ficaram vocábulos de seu uso e costumes armas, vestes, insígnias.

No século VIII foi a vez da invasão mulçumana que após vencer os godos tornou-se soberana no território visigótico.Com isso ocorre mais uma fusão, pois muitos godos adotam a cultura dos conquistadores e surge assim os moçarabes .

Os árabes defendiam as letras e as ciências durante seu domínio progridem a agricultura, comércio e a industria.Foi adotada oficialmente a língua árabe, mas muitos dos conquistados falavam o latim (modificado).

Muitos não aceitam essa dominação árabe e se isolam nas montanhas, seus sucessores foram aos poucos retomando o seu território e por fim acabando de vez com o domínio mouro.A herança do vocabulário árabe foi voltada a nomes de plantas, instrumentos e ofícios entre outros. Os cristãos organizaram cruzadas e devido a essas cruzadas formaram-se os reinos de leão, Castela e Aragão D. Henrique conde de Borgonha se destaca nas cruzadas e casa-se com a filha de D.Afonso VI rei de leão e Castela.

A nacionalidade portuguesa começa com Afonso Henrique filho em 1139 que se tornou rei em 1143.

Nessa região o latim se desenvolve de uma forma diferente pelo fato de ter sido ocupado pelos celtiberos e se torna um feudo independente, Surge então o galego-português,

Que após se espalhar e se fundir com o idioma da região meridional se separa em galego e português.No século IX aparecem textos redigidos nesse idioma.

Surge aproximadamente em 1300 à poesia, o século XVI aparece como o século de ouro da literatura e surge também a gramática disciplinando a língua.

Na renascença o pequeno Portugal se torna grande com os descobrimentos marítimos e o idioma alcança as ilhas do atlântico, as costas da Ásia, e áfrica chegando também na terra de Vera cruz.



No texto o autor nos da uma visão bem ampla e objetiva sobre o nosso idioma, abordando os fatos históricos que influenciaram nas alterações lingüísticas que regem a língua nos tempos contemporâneos.

Sem deixar de exemplificar com citações textuais e históricas dando assim maior credibilidade ao texto abordado, e nos leva para uma viagem através dos tempos, nos dando prazer em saber que o ato da comunicação é bem mais complexo do que se imagina e alem de aprender mais sobre a nossa língua teremos boas horas de entretenimento.

Sugestões de Aulas Interventivas para Alunos Pré-Silábicos em Turmas de 3º Ano

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 14, 2017

DSC06890

fonte:http://soatividadesparasaladeaula.blogspot.com.br/search/label/lingua%20portuguesa

Intervenção pedagógica para alunos pré-silábicos e silábicos em turmas de 3º Ano  - para esta intervenção é importante a presença de alunos nos três níveis da psicogênese: pré-silábicos 1 e 2 e alfabéticos em transição.

Plano de Aula
Nível de ensino: 3º Ano – Séries Iniciais - Ensino Fundamental
Componente curricular: Linguagem oral e escrita – Construção da Escrita/Leitura – Avanço na hipótese da psicogênese: pré-silábico 2 para silábico e silábico para alfabético .
Dados da aula  - Objetivos:
- A função da escrita e da leitura: uma forma de relatar tudo que acontece, desde o nome das pessoas, coisas, objetos, acontecimentos do dia a dia...
- Reconhecer ou pelo menos familiarizar-se com a escrita do próprio nome;
- Reconhecer sensações que auxiliem na linguagem escrita;
- Identificar letras do próprio nome, de outras pessoas ou personagens de história, telenovelas, desenhos animados;
-Aproximar-se da linguagem escrita por meio da palavra: letras e seus sons (fonemas e grafemas).
- Desenvolvimento do pensamento silábico na verbalização e escrita.
Duração das atividades
4 aulas
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno:
DSC06904O tema para estas aulas interventivas: a telenovela infantil “Carrossel” (pode ser adaptado à preferência de toda a turma)
DSC06734· Cantar com os alunos através de áudio a música preferida da trilha sonora da novela infantil: Carrossel.
DSC06756· Estimulação do tema através de imagens relacionadas ao mesmo.
· Provocar a manifestação de pensamentos, sentimentos e preferências que a telenovela desperta na turma, registrando na lousa, palavras-chave.
DSC06898· Construção de um texto coletivo com as narrações e impressões provocadas sobre o tema: Carrossel. Leitura coletiva do texto.
DSC06915· Construir um banco de palavras mais importantes retiradas do texto.
Estratégias e recursos da aula
Atividade número 1:
*- Enredo da Novela Carrossel:
Helena Fernandes é uma professora jovem e bonita e afetuosa de uma turma de 3º ano da Escola Mundial, e logo conquista todos os alunos com seu carinho. Os alunos são bem diferentes: têm diferentes personalidades.
Fora da escola, as crianças formam um clube liderado por Daniel chamado"Patrulha Salvadora" onde se reúnem numa casa abandonada, neste grupo, eles ajudam outras crianças que não estudam na Escola Mundial.
A trama se passa na Escola Mundial
Atividade número 2:
Levar para os alunos em grupos (agrupamento com alunos no nível pré-silábicos 2 e silábicos) – imagens sobre a novela (escola, a turma, o personagem preferido, o cachorro.).
DSC06891Cada grupo vai falar sobre a imagem que recebeu e organizar com os alunos as ideias e estruturar um texto coletivo. Leitura/pseudoleitura. Solicitar que os alunos marquem as palavras mais importantes do texto.
Atividade número 3:
Após a leitura do texto solicitar aos alunos quais palavrinhas contidas no texto eles gostariam que fossem separadas para aprenderem á fazer o “jogo das boquinhas” que é uma brincadeira que a professora Helena faz com seus alunos quando não estão gravando a novela.
DSC06910Estas quatro atividades fazem parte da primeira aula (se a participação dos alunos se prolongar, deixar a atividade 3 para a próxima aula).
2ª Aula
Atividade 1
DSC06943Cantar novamente com os alunos a música escolhida por eles. Levar uma atividade escrita para trabalhar o “Jogo das boquinhas”, os alunos vão ser estimulados a construir o pensamentosilábico, nesta atividadeCom as palavras retiradas no texto coletivo que já foram trabalhadas na “preguicinha”: as letras, sons e quantidades de letra de cada palavra que formam as sílabas (quantas vezes abro e fecho a boquinha) . Após a exploração de cada palavra os grupos vão colorir uma estrelinha para cada vez que abrimos a boca para pronunciar a palavra, sem dizer a palavra sílaba, mas contar quantas letrinhas que há em cada pedacinho. No final da folha há um espaço em branco, em que será solicitado aos alunos que escrevem o pré-nome e contem quantas vezes vão abrir e fechar a boca para falar o nome e pintar as estrelinhas correspondentes. A professora acompanha a atividade fazendo na lousa.DSC06855
Atividade 2
Escolher uma quadrinha da música escolhida e cantada. Com o texto em fonte maior exposto na lousa, distribuir uma folha para cada aluno com o texto impresso. Propor um desafio aos grupos: os grupos que acertarem todas as atividades que vai solicitar ganharão um prêmio no final.
Trabalhando com a quadrinha da música:
Cada grupo deverá responder as solicitações, todos devem participar (o grupo cujos componentes participarem menos perderão pontos).
DSC07171
Caça-palavras (usando uma quadrinha da música)
DSC06949
Trabalhar as palavras encontradas: com o pensamento silábico – quantidades de letras – formar as silabas com o alfabeto móvel e registrar numa folha impressa.
  DSC07163       DSC07161              
O grupo ou grupos que ganharem o desafio recebem o prêmio.
Atividade número 5:
Construir com as crianças o registro do pré-nome: “É importante escrever o próprio nome, pois ele identifica sua tarefa, diferencia você das demais crianças, torna você único e especial”.
Na atividade da construção do pensamento silábico fica um espaço para construção do pré-nome:DSC06933


DSC06940
Avaliação
Para avaliar é importante levantar alguns questionamentos e utilizar as possíveis respostas para a construção de um relatório sobre esse trabalho. A criança familiarizou-se com a escrita do próprio nome? Houve compreensão e participação da criança com necessidades educacionais especiais? Tentaram realizar a escrita das palavras ou pré-nomes com ou sem ajuda? As demais crianças avançaram em sua interação com a linguagem escrita?
Realizar novamente o teste da psicogênese e verificar as mudanças nas hipóteses que vai demonstrar quais alunos avançaram e quais os alunos que necessitam mais atividades relacionadas com a construção da escrita.
Resultado da Psicogênese:
Dos doze alunos que participaram desta intervenção com 4 aulas interventivas:
-  houve  2  alunos estiveram infrequentes;
- 1 aluno demonstrou dificuldades de aprendizagem e não avançou nas hipótese psicogenética.
- 2 alunos pré-silábicos   avançaram para a  construção  do pensamento silábico;
DSC07178
-2 alunos pré-silábicos 2  com a construção do pensamento  silábico  avançaram para silábicos.
DSC07175
-3 alunos silábicos avançaram para silábicos/alfabéticos
DSC07292

- 2 alunos da hipótese alfabética avançaram para  alfabetizados (ortográfico).
DSC07179
A continuidade deste trabalho fará com estes alunos continuem avançando na construção da escrita. Podem não conseguir vencer os conteúdos do 3º Ano mas os avanços demonstram a aprendizagem. Essas intervenções foram feitas no processo de investigação de alunos com dificuldades de aprendizagem, quando apenas 1 (um) aluno demonstrou dificuldades acentuadas de aprendizagem.
Por: Júlia Virginia de Moura – Pedagoga
SEAA – Serviço Especializado de Apoio à Aprendizagem