LINGUAGEM, LÍNGUA, FALA: um estudo sobre a linguística

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 20, 2017
UMA BREVE HISTÓRIA DO ESTUDO DA LINGUAGEM


Remotam ao século IV a.C. os primeiros estudos. Inicialmente, foram razões religiosa que levaram os hindus a estudar sua língua, para que os textos sagrados reunidos no Veda não sofressem modificações no momento de ser proferidos. Mais tarde os gramáticos hindus, entre os quais Panini (século IV a.C.), dedicaram-se a descrever minuciosamente sua língua, produzindo modelos de análise que foram descobertos pelo Ocidente no final do século XVIII.

Os gregos preocuparam-se, principalmente, em definir as relações entre o conceito e a palavra que o designa, Platão discute muito bem essa questão no Crátilo. Aristóteles desenvolveu estudos noutra direção, chegou a elaborar uma teoria da frase, a distinguir as partes do discurso e a enumerar as categorias gramaticais.

Dentre os latinos, destaca-se Varrão, dedicou-se à gramática, esforçando-se por defini-la como ciência e como arte.

Na Idade Média, os modistas consideraram que a estrutura gramatical das línguas é única e universal, e que, em conseqüência, as regras da gramática são independentes das línguas em que se realizam.

No século XVI, a religiosidade ativa pela reforma provoca tradução dos livros sagrados em numerosas línguas. Viajantes, comerciantes e diplomatas trazem de suas experiências no estrangeiro o conhecimento de línguas até então desconhecidas.

Os séculos XVII e XVIII, a gramática de Port Royal, de Lancelot e Arnaud, demonstra que a linguagem se na razão, é a imagem do pensamento e que, portanto, os princípios de análise estabelecidos não se prendem a uma língua particular, mas servem a toda e qualquer língua.

O conhecimento de um número maior de línguas vai provocar, no século XIX, o interesse pelas línguas vivas, pelo estudo comparativo dos falares, em detrimento de um raciocínio mais abstrato sobre a linguagem. É nesse período que se desenvolve um método histórico, instrumento importante para o florescimento das gramáticas comparadas e lingüística histórica.

Franz Bopp é estudioso que se destaca nessa época. A publicação, em 1816, de sua obra sobre o sistema de conjugação do sânscrito, comparando ao grego, ao latim, ao persa e ao germânico é considerado o marco do surgimento da lingüística histórica.

É no início do século XX, com a divulgação dos trabalhos de Ferdinand de Saussure, que a investigação sobre a linguagem- a lingüística- passa a ser reconhecida como estudo científico, que estarão centrados na observação dos fatos de linguagem. O trabalho científico consiste em observar e descrever os fatos a partir de determinados pressupostos teóricos formulados pela lingüística aproxima-se dos fatos orientado por um quadro teórico específico.


LINGUAGEM

Apresentaremos aqui duas propostas, a de Saussure e a de Chomsky que pressupõem uma teoria geral da linguagem e da análise linguística.

Saussure considerou a linguagem “heteróclica e multifacetada’’, pois abrange vários domínios e separa uma parte do todo linguagem, a língua- um objeto unificado e suscetível de classificação.

A língua é para Saussure “um sistema de signos” - um conjunto de unidades que se relacionam organizadamente dentro de um todo. É “a parte social da linguagem”, exterior ao indivíduo; não pode ser modificada pelo falante e obedece às leis do contrato social estabelecido pelos membros da comunidade.

 O conjunto linguagem-língua. Já a fala é um ato individual. A distinção linguagem/língua/fala situa objeto da linguística para Saussure. Dela decorre a divisão do estudo da linguagem em duas partes: uma que investiga a língua e outra que analisa a fala. As duas partes são inseparáveis, visto que são interdependentes: a língua é condição para se produzir à fala, mas não há língua sem o exercício da fala. Há necessidade, portanto, de duas linguísticas; a linguística da língua e a linguística da fala. Saussure focalizou em seu trabalho a linguística da língua, “produto social depositado no cérebro de cada um”, sistema supra-individual que a sociedade impõe ao falante.
Para o mestre genebrino, “a linguística tem por único e verdadeiro objeto a língua considerada em si mesma, e por si mesma”. A língua é considerada uma estrutura constituída por uma rede de elementos, em que cada elemento tem um valor funcional determinado. A teoria de análise linguística que desenvolveram, herdeiras das ideias de Saussure, foi denominada estruturalismo. Já Chomsky acredita que tais propriedades são tão abstratas, complexas e específicas que não poderiam ser aprendidas a partir do nada por uma criança em fase de aquisição da linguagem. Portanto, a linguagem é uma capacidade inata e específica da espécie, isto é, transmitida geneticamente e própria da espécie humana. Segundo Chomsky e os que compartilham de suas ideias. Esses pesquisadores dedicam-se à busca de tais propriedades, na tentativa de construir uma teoria geral da linguagem fundamentada nesses princípios. Essa teoria é conhecida como gerativismo. Chomsky distingue competência de desempenho. A competência linguística é a porção do conhecimento do sistema linguístico do falante que lhe permite produzir o conjunto de sentenças de sua língua: é um conjunto de regras que o falante construiu em sua mente pela aplicação de sua capacidade inata para a aquisição da linguagem nos dados linguísticos que ouviu durante a infância. O desempenho corresponde ao comportamento linguístico, que resulta não somente da competência linguística do falante, mas também de fatores não linguísticos de ordem variada, como: convenções sociais, crenças, atitudes emocionais do falante em relação ao que diz, pressuposto sobre as atitudes do interlocutor etc.. O desempenho pressupõe a competência, ao passo que a competência não pressupõe desempenho.

A língua – sistema linguístico socializado – de Saussure aproxima a Linguística da Sociologia ou da Psicologia Social; a competência –conhecimento linguístico internacionalizado – aproxima a Linguística da Psicologia Cognitiva ou da Biologia.

EXISTE LINGUAGEM ANIMAL?

Um estudo clássico sobre o sistema de comunicação usado pelas abelhas, publicado em 1959 por Karl Von Frisch, revela que a abelha-obreira, ao encontrar uma fonte de alimento, regressa à colméia e transmite a informação às companheiras por meio de dois tipos de dança. Se o alimento está próximo, amenos de cem metros, a abelha executa uma dança circular, se está distante, realiza uma dança em forma de oito.

Os dois tipos de dança apresentam-se como verdadeiras mensagens que anunciam a descoberta para a colméia: ao perceber o odor da obreira ou absorvendo o néctar que ela deglute, as abelhas se dão conta da natureza do alimento: ao observar a dança, as abelhas descobrem o local onde se encontra a fonte do alimento.

Os estudos do zoólogo alemão fazem uma importante revelação sobre o funcionamento de uma “linguagem” animal, Benveniste (1976). Embora, seja bem preciso o sistema de comunicação das abelhas – ou de qualquer outro animal cuja forma de comunicação já tenha sido analisada – ele não constitui uma linguagem, no sentido em que o termo é empregado quando se trata de linguagem humana. Há simbolismo, ou seja, capacidade de formular e interpretar um “signo”. Há memória da experiência e aptidão para analisá-la.

No entanto, as diferenças entre o sistema de comunicação das abelhas e a linguagem humana são consideráveis: sem intervenção de um aparelho vocal, fruto da experiência, a mensagem das abelhas não se deixa analisar, decompor em elementos menores.

Em síntese, a comunicação das abelhas não é uma linguagem, é um código de sinais.

LINGUÍSTICA

Convém enfatizar que a Lingüística detém-se somente na investigação científica da linguagem verbal humana. Linguagens (verbais ou não verbais) signos usados para a comunicação. Saussure a denominou Semiologia; Peire a chamou de Semiótica. A Linguística é, portanto, uma parte dessa ciência geral; estuda a principal modalidade dos sistemas sígnicos, as línguas naturais, que são a forma de comunicação mais altamente desenvolvida e de maior uso. As línguas naturais situam-se numa posição de destaque entre os sistemas sígnicos porque possuem, entre outras, as propriedades de flexibilidade e adaptabilidade, que permitem expressar conteúdos bastante diversificados: emoções, sentimentos, ordens, perguntas, afirmações, como também possibilitam falar do presente, passado ou futuro. A Linguística não se compara ao estudo tradicional da gramática: ao observar a língua em uso o lingüista procura descrever e explicar os fatos: os padrões sonoros, gramáticas e lexicais que estão sendo usados, sem avaliar aquele uso em termos de outro padrão: Moral, estético ou crítico.

A Linguística, cuja função é estudar toda e qualquer expressão linguística como um fato merecedor de descrição e explicação dentro de um quadro científico adequado.
O linguista considerando a língua um objeto de estudo que deve ser examinado empiricamente, dentro de seus próprios termos. A metodologia de análise linguística focaliza, principalmente, a fala das comunidades e em segunda instância a escrita.

A propriedade atribuída pelo linguista ao estudo da língua falada explica-se pela necessidade de corrigir os procedimentos de análise da gramática tradicional, que se preocupava quase exclusivamente com a língua literária, como modelo único para qualquer forma de expressão escrita ou falada. Os resultados obtidos são correlacionados às informações disponíveis sobre outras línguas com o objetivo de elaborar uma teoria geral da linguagem. Distinguem-se, aqui, dois campos de estudos: a linguística geral e a descritiva. A Linguística descritiva fornece os dados que confirmam ou refutvam as teorias formuladas pela linguística geral. São duas tarefas interdependentes: não pode haver Linguística geral ou teórica sem a base empírica da Linguística descritiva. Além de oferecer elementos para a análise da Linguística geral; produzir uma gramática ou um dicionário, com o objetivo de dotá-la de instrumentos para a sua difusão na forma escrita.

No século XIX os linguístas preocuparam-se com o estudo das transformações por que passavam as línguas, na tentativa de explicar as mudanças linguísticas. A Linguística era histórica ou diacrônica. Saussure, no início do século XX, introduziu um novo ponto de vista no estudo das línguas, o ponto de vista sincrônico, segundo o qual as línguas eram analisadas sob a forma que se encontravam num determinado momento histórico, num ponto do tempo. Saussure reconhecia a importância e a complementaridade das duas abordagens: a sincrônica e a diacrônica. Em sincronia, os fatos linguísticos são observados quanto ao seu funcionamento, num determinado momento. Em diacronia, os fatos são analisados quanto às suas transformações, pelas relações que estabelecem com os fatos que o precederam ou sucederam. O sincrônico sempre precede o diacrônico.
Muitos linguístas tornam a separação sincronia/diacronia como um rigoroso princípio metodológico: ou se investiga um estado de língua ou se investiga a história da língua. Temos, então, dois ramos da linguística: a sincrônica e a história. A linguística sincrônica vem sendo denominada Linguística teórica.

GRAMÁTICA: O PONTO DE VISTA NORMATIVO/DESCRITIVO

A gramática tradicional, ao fundamentar sua análise na língua escrita, difundiu falsos conceitos sobre a natureza da linguagem. Ao não reconhecer a diferença entre língua escrita e língua falada passou a considerar a expressão escrita como modelo de correção para toda e qualquer forma de expressão lingüística. A gramática tradicional assumiu desde sua origem um ponto de vista prescritivo, normativo em relação á língua.

Outras gramáticas antigas, como as do árabe, grego e latim, também eram prescritivas e pedagógicas: almejavam descrever a língua cuidadosamente, mas também prescreviam o uso correto, principalmente, nos países onde há preocupação em desenvolver e fortalecer uma língua padrão. Visto que, a norma da correção é prescrita por uma fonte de autoridade, as demais variedades são consideradas inferiores e incorretas. Por outro lado, na sociedade contemporânea expressar-se segundo a norma, falar certo continua sendo valorizado, porque à correção da linguagem está associada às classes altas e instruída, é uma das marcas distintivas das classes sociais dominantes.

NORMATIVO; FALSAS NOÇÕES

Abordar a língua exclusivamente sobre uma perspectiva normativa contribui para gerar uma série de falsos conceitos e até preconceitos, que vem sendo desmistificados pela linguística. Em primeiro lugar, suficientemente demonstrado que a língua escrita não pode ser modelo para a língua falada. Além do fato histórico da fala ter precedido e continuar precedendo a escrita em qualquer sociedade, a diferença dessas duas formas de expressão verifica desde a sua organização até o seu uso social. Todas as línguas sociais possuem os recursos necessários para a comunidade entre seus falantes.


LINGUÍSTICA: O PONTO DE VISTA DESCRITIVO/EXPLICATIVO

A linguística, portanto, como qualquer ciência, descreve seu objeto como ele é, não especula nem faz afirmações sobre como a língua deveria ser.
Como o objetivo de descrever a língua, a lingüística desenvolveu uma metodologia que visa analisar as frases efetivamente realizadas reunidas num corpus representativo. O corpus não é constituído apenas pelas frases “corretas”, também inclui as expressões “erradas”, desde que apareçam na fala dos locutores nativos da língua sob análise.
Dessa postura teórica metodológica diante da língua decorre o caráter científico da Linguística, que se fundamenta em dois princípios: o empirismo e a objetividade. A linguística é empírica porque trabalha com dados verificáveis por meio de observação, é objetiva porque examina a língua de forma independente, livre de preconceitos sociais ou culturais associadas uma visão leiga da linguagem.

Para Chomsky, não basta apenas observar e classificar os dados, é necessária uma teoria explicativa que preceda os dados e que possa explicar não só as frases realizadas, mas também as que potencialmente seriam produzidas pelo falante. A teoria da gramática, como é conhecida, trata de todas as frases gramaticais, isto é, todas as frases que pertencem à língua; não se confunde com uma gramática normativa porque não dita regras, apenas explicas as frases realizadas e potencialmente realizáveis na língua. Proposta. A intuição do falante é único critério da gramaticalidade ou agramaticalidade da frase – conceitos que não se confundem com a gramática normativa. É a competência do falante que vai organizar os elementos linguísticos.
A gramática é gerativa, porque de um número limitado de regras permite gerar um número infinito de sentenças. Reflete o comportamento do locutor que, a partir de uma experiência finita e acidental da língua, pode produzir e compreender um número infinito de frases novas.

As propriedades formais das línguas e a natureza das regras exigidas para descrevê-las são consideradas mais importantes do que investigação das relações entre a linguagem e o mundo.

A gramática funcional, fundamentada nos princípios do funcionalismo, que não separa o sistema linguístico das funções que seus elementos preenchem. Da perspectiva funcional da sentença considera-se que a estrutura dos enunciados é determinada pelo uso e pelo comunicativo em que ocorrem, pois a língua é, antes de tudo, instrumento de interação social.


TEORIA DOS SIGNOS

 A realidade só tem existência para os homens quando é nomeada. Os signos são, assim, uma forma de apreender a realidade. Só percebemos no mundo o que nossa língua nomeia.

Os sábios da Balbinarbi propõem substituir as palavras, que segundo eles, as palavras têm o inconveniente de variar de língua para língua, por objetos que se serviriam para comunicar-se. Porém, é impossível utilizar este método devido à quantidade, porque é preciso carregar uma quantidade enorme de objetos.

O modo como uma determinada sociedade enxerga uma realidade não é a mesma de outra, ou seja, nenhum ser do mundo pertence a uma determinada categoria, os homens é que criam as categorias e põem nelas os seres. Isso não acontece só com os seres. Isso não acontece só com os seres concretos.

 COMPOSIÇÃO E VALOR DOS SIGNOS

O signo é a união de um conceito a uma imagem acústica, ao conceito Saussure chama significado e à imagem acústica, significante. Não existe significante sem significado.

Segundo Hjelmslev, signo é a união de um plano de conteúdo a um plano de expressão no qual cada plano compreende dois níveis: a forma e a substância. Aquela corresponde ao que Saussure chama de valor, ou seja, um conjunto de diferenças, esta a substância da expressão são os sons e a substância do conteúdo, os conceitos.

CARACTERÍSTICAS DO SIGNO LINGUÍSTICO

Para Saussure, o signo linguístico tem duas características principais: a arbitrariedade do signo e a linearidade do significante, o signo linguístico é arbitrário e, portanto, cultural, com isso ele está querendo dizer que não é motivado, ou seja, que não há nenhuma relação bitrário, esta querendo dizer que ele não é motivado, ou seja, que não há nenhuma relação necessária entre o som e o sentido, que não há nada no significante que lembre o significado, que não há nada no significante que lembre o significado, que não há qualquer necessidade natural que determine a união de um significante e de um significado.

A LINEARIDADE DO SIGNIFICANTE

A linearidade é uma característica das línguas naturais, segundo a qual os signos, uma vez produzidos, dispõem-se uns depois dos outros numa sucessão temporal ou espacial.

Assim, não se pode produzir mais de um elemento lingüístico de cada vez: um som tem de vir depois do outro, uma palavra depois da outra, e não se podem produzir dois sons ao mesmo tempo.


DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO

Para criar um signo conotativo, é preciso que haja uma relação entre o significante que se acrescenta e o significado já presente no signo denotado.

 Os dois mecanismo principais de conotação são: a metáfora e a metonímia.
 Cada língua conota diferentemente e, por isso, a maneira de ver o mundo varia de língua para língua.

Por outro lado, temos a denotação, ou seja, traz o real sentido da palavra, como está no dicionário.

CLASSIFICAÇÃO DOS SIGNOS

Diferentes autores já buscaram classificar os signos das diferentes linguagens. Adam schaff (1968:158- 193). Essa classificação abrange todo signo, ou seja, unidade em que há uma relação entre uma expressão e um conteúdo, e ao mesmo tempo procura respeitar as noções correntes dos termos utilizados para dar nomes aos tipos de signos, como símbolo, sinal, etc.

Eles podem classificar-se em signos naturais e signos artificiais (ou signos propriamente ditos). Os primeiros são os fenômenos da natureza que servem de veículo para nos fazer perceber um outro fenômeno natural. São Expressões de um dado conteúdo. São denominados também índices ou sintomas. Assim, a fumaça (expressão) indica a existência de fogo (conteúdo), nuvens negras mostram que vai chover. Os signos artificiais ou propriamente ditos são os produzidos para fins de comunicação. As palavras, os sinais de trânsito, enfim, os signos presentes em todas as linguagens, como o cinema, a pintura, a escultura. Esse acordo deliberado, como no caso dos sinais de trânsito, em que uma convenção estabeleceu os signos que orientariam a circulação de veículos e pedestres, ou da prática histórica, como no caso das palavras, em que a experiência dos homens as cria e as põe em circulação.

Considerando que os signos artificiais têm na interpretação das diferentes linguagens, eles podem ser divididos em signos verbais e signos com expressão derivada. Os signos verbais são interpretantes de todas as linguagens. Enquanto os signos das outras linguagens nem sempre podem interpretar os signos linguísticos. O que é expresso visualmente, um filme, por exemplo, pode ser contato por meio de signos verbais, no entanto, nem tudo o que exprime verbalmente por ser dito visualmente. Os signos com expressão derivativa distinguem-se, pela sua função na comunicação, em sinais e signos substitutivos. Aqueles são “causados ou utilizados especialmente para suscitar pré-combinada e acordada, quer em grupo, quer em individualmente, sobre a força de manifestações definidas da atividade humana”. O apito do Juiz num jogo de futebol paralisa o jogo; o vermelho do semáforo faz parar; o verde leva a por o carro em movimento; O sinal é resultado de acordo explícito, válido para o certo grupo de pessoas; se o propósito é o de modificar, iniciar ou sustar uma ação; Só é usada quando se pretende provocar o comportamento humano que ele deve suscitar.

A LÍNGUA COMO OBJETO DA LINGUÍSTICA

No início do séc. XX, novo objeto de estudo para linguística. O curso de linguística geral teve sua edição em 1916, três anos depois da morte de Saussure, em 1913. Ao contrário de que poderia se imaginar, tratando-se de uma das obras mais importantes da linguística, o volume não foi escrito por Saussure. Trata-se de uma edição elaborada a partir de anotações de aula de seus alunos. Embora não haja menção ao termo dicotomias no texto do curso, é assim que se costuma chamar os quatros pares de conceitos, que fazem uma síntese das propostas de Saussure para criação de um novo objeto teórico para a lingüística. Uma dicotomia em Saussure diz respeito a um par de conceitos que devem ser definidos um em relação ao outro, de modo que um só faz sentido em relação ao outro.

Há quatro dicotomias em Saussure:

Sincronia versus diacronia;

Língua versus fala;

Significante versus significado e

Paradigma versus sintagma.

SINCRONIA VERSUS DIACRONIA

Saussure definiu um objeto de estudos para a linguística. Portanto, responder como era feita a linguística na época de Saussure é investigar o que ele estudou em sua formação e o que fez com essa formação linguística.

 Durante o século XIX, a linguística estudou, basicamente, a mudança linguística, a linguística estudava e classificava as línguas em grupos de famílias tratando-as em termos de graus de parentesco.

LÍNGUA VERSUS FALA

Se na dicotomia sincronia versus diacronia se estabelecem duas maneiras de estudar a língua, na dicotomia língua versus fala há a definição do conceito de língua. Para Saussure, língua opõe-se a fala, porque a língua é coletiva e a fala é particular, portanto, a língua é um dado social e a fala é um dado individual. Além disso, a língua é sistemática e a fala é assistemática. Pessoas que falam a mesma língua conseguem comunicar-se porque, apesar das diferentes falas, há o uso da mesma língua.

Para Saussure, o objeto de estudos da Linguística é a língua (Saussure, 1696:28), e não a fala, de modo que uma língua é definida como um sistema e o que são os elementos que formam um sistema lingüístico. Portanto, uma língua deve ser definida como um conjunto organizado em que um elemento se define em relação aos demais elementos.

Não se deve confundir signo com palavra. A palavra “comer”, por exemplo, é um signo, já que é formada pela imagem acústica /komer/relacionada com o conceito de “ingerir alimentos sólidos”. No entanto, essa palavra é formada por signos menores, ou seja, os morfemas. A língua, para Saussure (1969: 23-24), é um sistema de signos, em que um signo se define pelos demais signos do conjunto.

Saussure disse que na língua só há diferença. Portanto, não só os signos se definem uns em relação aos outros, mas também os elementos que compõem os significantes, isto é, os sons, bem como os significados.

 Na dicotomia língua versus fala, Saussure separa os fatos de língua dos fatos da fala: os fatos de língua dizem respeito à estrutura do sistema linguístico e os fatos de fala dizem respeito ao uso desse sistema.

De acordo com Saussure (1969:27), a dicotomia língua versus fala é pertinente à medida que os fatos de língua podem ser estudados separadamente dos fatos de fala. Contudo, se nessa oposição entre língua e fala aponta-se para a diferença entre um fato de língua e um fato de fala, Saussure não deixa de considerar, também as interferências entre os dois tipos de fatos.

SIGNIFICANTE VERSUS SIGNIFICADO

Saussure define signo como a relação entre uma imagem acústica, que ele chamou significante, e um conceito, que denominou significado. Com essa definição de signo, ele estabelece os elementos que formam o sistema da língua, de modo que, a definição de língua passa a ser a de um sistema de signos.

Com a definição de signo, Saussure demonstra que a relação não é esta, entre palavras e coisas, mas sim, entre uma imagem acústica e um conceito, ou seja, entre um significante e um significado. Isso implica que a língua não é uma nomenclatura, mas um princípio de classificação. Um significado, é uma ideia que modela um determinado modo de compreender as coisas. Esse conceito deve, necessariamente, estar relacionado a um meio de expressá-lo. É preciso, então, relacionar o conceito a uma imagem acústica, ou seja, a um significante. Essa maneira de ver o mundo varia de língua para língua, já que cada uma delas é determinada por um sistema próprio de signos.

PARADIGMA VERSUS SINTAGMA

Saussure, a partir do signo ensinamento, exemplifica cada um desses três modos de associação. Por meio do significado, associa-se ensinamento a aprendizagem, educação, etc. Por meio de seu significante, associa-se ensinamento a elemento, lento, etc. E, por meio de outros signos, em processos morfológicos comuns, ensinamento associa-se a ensinar, ensinemos etc., por ter o mesmo radical, e associa-se a desfiguramento, armamento, etc., por ter o mesmo sufixo.


Assim, estabelece-se a dicotomia paradigma versus sintagma, na qual definem, respectivamente, as relações de seleção e as relações de combinação entre os elementos linguísticos.

Saussure definiu, em sentido amplo, as relações paradigmáticas e sintagmáticas. Para tornar operacionais os conceitos de sintagma e de paradigma, a Linguística posterior a Saussure vai precisá-los. O paradigma não é qualquer associação de signos pelo som e pelos sentidos, mas uma série de elementos linguísticos suscetíveis de figurar no mesmo ponto do enunciado, se o sentido for outro. Assim, no enunciado foi teu avô, no lugar de teu, poderiam figurar, se o sentido do enunciado fosse outro, os termos seu, meu, nosso, o, um, etc. Esses elementos constituem um paradigma, do qual o falante seleciona um termo para figurar no enunciado. Por outro lado, no sintagma não se combinam quaisquer elementos aleatoriamente. A combinação no sintagma obedece a um padrão definido pelo sistema. Assim, por exemplo, podem-se combinar um artigo e um nome e, nesse caso, o artigo deve sempre preceder o nome.

A diferença entre as relações sintagmáticas e as paradigmáticas não é a mesma que existe entre línguas e fala. Aquelas, por relacionar no mínimo dois elementos linguísticos, são um tipo de relação em que os elementos relacionados se encontram em presença um do outro, já as relações paradigmáticas, porque dizem respeito à seleção entre elementos, são os tipo de relação em que o elemento selecionado exclui os demais elementos da relação.

MARTINET E A DUPLA ARTICULAÇÃO DA LINGUAGEM

Martinet afirma que a linguagem é duplamente articulada. Portanto, quando se diz que a língua é articulada o que quer dizer é que as unidades lingüísticas são suscetíveis de ser divididas, segmentadas, recortadas em unidades menores. Para Martinet, todo enunciado da língua articula-se em dois planos. No primeiro, articulam-se as unidades dotadas de sentido. A menor dessas unidades é o morfema.

 A dupla articulação da linguagem é um fator de economia linguística. Com poucas dezenas de fonemas, cujas possibilidades de combinação estão longe de ser todas exploradas em cada língua, formam-se milhares de unidades de primeira articulação. Se os homens produzissem um som diferente para expressar cada uma de suas experiências ou para designar cada elemento da realidade teriam uma sobrecarga na memória e, além disso, o aparelho fonador não seria capaz de emitir a quantidade de sons diferentes necessários para isso nem o ouvido seria capaz de apreender todas essas produções fônicas.

COSERIU E A NOÇÃO DE NORMA

Coseriu reformulou a dicotomia Saussureana língua versus fala. De acordo com Saussure, a língua é um sistema de signos e a fala é a realização desse sistema, de modo que a língua tem uma natureza social e a fala, uma natureza individual. No entanto, quando se presta atenção na fala, é possível determinar as formas de realização que não são de natureza individual, mas também não são realizadas por todos os falantes de uma mesma língua. Os diferentes sotaques, o uso de vocabulários próprios de alguns grupos sociais, a presença ou não de concordância verbais e nominais, etc.
 Para descrever essas variantes, Coseriu propõe que a dicotomia língua versus fala seja redefinida para sistema versus fala, de modo que as variantes linguísticas sejam descritas nos domínios da norma. Na tríade proposta por Coseriu, a fala continua da ordem do individual, mas o conceito de língua é modificado. Ele afirma que “a língua, no sentido amplo do termo, não é apenas sistema funcional, mas também realização normal”. O sistema funcional coincide com o conceito de língua de Saussure, no entanto, o que Coseriu chama de língua é o sistema articulado com suas normas, ou seja, com suas variantes lingüísticas. Assim, o conceito de língua, para Coseriu, abrange o sistema, que é do domínio de todos os falantes de uma mesma língua, e as normas, que, como variantes desse sistema, são do domínio de grupos sociais, regionais, etc.

ESTUDOS LINGUÍSTICOS: FUNDAMENTOS

Para bem compreendermos as questões linguísticas com que nos depararemos no presente estudo, vamos reconstituir imaginariamente uma cena típica da família brasileira nessas últimas décadas: “a novela das oito”, instante em que todos se preparam para o grande momento da dramaturgia nacional. Algumas de modo mais explícito, como as de correção e “funções da linguagem”; outras, mais sutis, como os casos de forma e substância, diacronia e sincronia ou até mesmo problemas de natureza psíquica ou social.

 EXPLICAÇÃO DIACRÔNICA

Pelo aspecto histórico, em que os fatos linguísticos são analisados do ponto de vista da sucessividade, a fala da personagem reproduz uma das fases da evolução da palavra. O termo “óculos”, aparelho de correção visual, vem do latim clássico oculus que, por sua vez, reduz a “oclos” e dos “olhos” no português moderno.

DESCRIÇÃO SINCRÔNICA

 O ponto de vista estático, atemporal, em que a unidade é descrita em relação de oposição a outros segmentos coexistentes no sistema, num espaço de tempo relativamente curto, corresponde à descrição sincrônica. O que interessa ao linguista e ao falante é a diferença de essência, a diferença funcional, e não a material, que é a aparência exterior da forma.

VISÃO FUNCIONAL

Até certo ponto, a visão funcional é a posição comum de quem usa a língua com a finalidade prática de comunicação. Por esse prisma, o importante na língua é aquilo que altera o valor da mensagem. Se, por exemplo, “oclos” transmite o mesmo que “óculos”, sem prejuízo do resultado final, então a realização é válida, porque o termo cumpriu as suas funções básicas, que é a de estabelecer a comunicação entre as pessoas. Nesse caso, a questão é mais social do que propriamente linguística. Conforme se pode observar, essa questão nada mais é que um desdobramento da anterior quanto aos dois tipos de diferenças linguísticas, a de forma e a de substância. Essa é a posição de um dos segmentos mais modernos do Estruturalismo Linguístico.

 PRINCÍPIO ESTRUTURAL

SINTAGMA E PARADIGMA

Quando se estabelece que uma das características da língua é a segmentação, e que esta se dá por substituição de uma unidade por outra, as noções de sintagma e paradigma já estão aí presentes, mesmo que de forma indireta. Essas operações levam a elas: ao se afirmar que existe uma “unidade” possível de ser “cortada”, afirmar-se, ao mesmo tempo, que existe uma sequência de segmentos estruturados num segmento maior. Isso, em essência, é o sintagma. O paradigma ocorre na relação das unidades que são apresentadas como passíveis de substituição da unidade presente na cadeia da fala.Toda relação de elementos, em todos os níveis, que podem ocupar mesma posição no sintagma, forma um paradigma. São inseparáveis as duas noções. Uma decorre da outra. Paradigma é possibilidade, sintagma é resultado.

ECONOMIA LINGUÍSTICA

Uma das características especiais do sistema verbal de comunicação é a possibilidade de geração infinita de novas unidades a partir de um número finito de componentes internos. Graças a isso, é impossível prever quantos vocábulos e quantas frases diferentes poderão ser criadas na língua, porque sempre haverá mais alguma que não foi arrolada.

Outras formas de linguagem, por sua vez, não se apresentam com essas mesmas características. As placas de trânsito, por exemplo, um sistema de comunicação visual pode ser contado; os símbolos que são utilizados nessas formas de linguagem são sempre reduzidos. Só a linguagem humana natural não se delimita.

RELAÇÕES DISTRIBUCIONAIS E INTEGRATIVAS; FORMA E SENTIDO

Além das marcas especiais do código de linguística analisada nos itens anteriores, algumas outras, que advêm delas, devem ser consideradas por se tratarem de aspectos importantes a serem observados em estudos criteriosos da língua. As mais relevantes são as relacionadas à distribuição e integração das unidades linguísticas; bem como os conceitos de forma e sentido no processo de análise.

FORMA E SENTIDO

Forma e sentido são resultados da análise. O sentido como sinônimo de significado de dicionário – gordo, equivalente a obeso, por exemplo – não revela o caráter estrutural da língua. A forma, conseqüência da segmentação. A divisão leva à forma; a integração, ao sentido.

NÍVEIS DE ANÁLISE

A língua, por ser de natureza articulada, cria diversos estratos de análise que, na estruturação da mensagem, do maior para o menor, se apresenta na seguinte ordem hierárquica: texto, frase, sintagma, vocábulo, morfema, fonema e traços distintivos.

NÍVEL TEXTUAL

 Este plano, o do discurso, que corresponde à porção mais abrangente da mensagem, não constitui objeto de estudo da linguística frasal. Pela complexidade, o nível textual fica provisoriamente excluído dos estudos lingüísticos propriamente ditos. Tais pesquisas ficam a cargo da literatura, que se preocupa basicamente com a função poética do texto; ou da semiótica, que é ciência mais abrangente da comunicação.

NÍVEL FRASEOLÓGICO

A proposição constitui o maior segmento de análise da linguística frasal. Unidade de comunicação por excelência, a frase representa o ponto de convergência de todas as unidades de nível inferior, pois é nela que quaisquer de seus constituintes se definem plenamente.

 Sob esse ponto de vista, cada frase é única, e sempre nova; pois jamais se repete numa mesma situação de tempo e espaço no processo de comunicação.

NÍVEL SINTAGMÁTICO

A parte da gramática que cuida da construção do sintagma é a sintaxe.

NÍVEL VOCABULAR

O vocábulo divide-se em morfema e é também constituinte do sintagma locucional. A palavra, em si, é um sintagma; nela, a liberdade combinatória dos morfemas é praticamente nula ao falante. A unidade vocabular já se apresenta “construída” ou quase “pronta” para uso do indivíduo no processo de comunicação. Quando modificada, a palavra sofre alteração apenas de adaptação de concordância ou de flexão, a partir da unidade apresentada em dicionário.

A forma da “palavra”, nessa concepção, corresponde ao “morfema”; e sem “sentido” está no “sintagma”. A parte da gramática que estuda a estrutura, formação e classificação da palavra é denominada morfologia.

NÍVEL MORFOLÓGICO

O nível morfológico é constituído de unidades mínimas significativas da língua. O segmento básico dessa camada, o morfema, divide-se em lexema e gramema. O primeiro refere-se a um significado externo à língua, ao mundo antropocultural, são os conhecidos radicais, da terminologia da gramática normativa; o segundo, de significação interna no sistema, pode ser representado por marcadores (formas presas) ou palavras com função e sentido puramente gramaticais (formas livres).

NÍVEL FONOLÓGICO

Corresponde a este plano, o fonológico, ao da camada sonora do sistema. É nessa categoria de entidades acústicas psicofísicas que a língua, entidade abstrata, se manifesta. Sem o som, se restringiria unicamente ao plano psíquico, sem possibilidades efetivas de exteriorizar-se. Na divisão do signo, em significado e significante, o nível fonológico equivale ao significante. Por ele o significado se evoca, e a ele o sentido se associa na mente.

NÍVEL MERISMÁTICO

A camada dos merismas não corresponde propriamente a um estrato padrão – tal como ocorre nos demais planos da hierarquia de análise linguística. Por constituir-se de unidades fonéticas não-segmentáveis na realização do fonema, o nível merismático representa um infranível, uma vez que é simplesmente parte do nível fonológico.
Por essa razão, o nível merismático se reveste de características específicas que, evidentemente, não se aplicam às demais porções dos outros planos da análise. Uma das mais importantes é a não-distribuição em unidade superior.

PRINCÍPIOS ESTRUTURAIS
Ou seja, a frase, unidade de comunicação por excelência, não pode fugir á organização interna de um sistema de ordem e subordinação dos segmentos que a compõem. Segundo Benveniste fraseológico, morfológico e o sintagmática.

Pelo que se pode notar, todos os elementos da frase interligam, de tal maneira que se uma das unidades for alterada, todos os níveis são sucessivamente atingidos como numa cadeia de dominó.
 “A língua é uma forma e não uma substância”. Essa visão estruturalista é fundamental para que o estudo estabeleça um método condizente com a natureza do objeto estudado- a língua- e possa compreendê-la na essência, e não na aparência como tem ocorrido na maioria das vezes. A complexidade dessa área de estudo nasce daí; na língua, por ser ela uma estrutura formal e servir de meio de comunicação entre as pessoas.

 Também o confirma Napoleão Mendes de Almeida quando opina em várias ocasiões que a língua não pode ser mais ou menos estudada.

MÉTODO DE ANÁLISE DA LÍNGUA

 Nos estudos linguísticos muitos equívocos também ocorrem, pois nem sempre a língua é estudada com métodos que levam em conta sua natureza interna. O prejuízo nesse campo é visível. Assim como as coisas e os objetos devem ser medidos conforme o padrão de cada um, também o fato linguístico deve ser analisado por um processo que considere suas características mais evidentes, como estrutura, oralidade, segmentação e produtividade.


FATO LINGUÍSTICO

O fato linguístico é apenas aquele em que o ato de comunicação se processa com significantes produzidos pela voz humana. A oralidade é a marca registrada do fato lingüístico.

 LINGUAGEM ESCRITA

Todavia, por inconsciência dos falantes, a mensagem gráfica é mais valorizada. Há várias razões, culturais ou ideológicas, para que assim seja considerada. Uma delas se refere ao status social de quem, num país de analfabetos, sabe ler e escrever. O letrado goza de muito prestígio perante aqueles que só se comunicam pela fala.
Também foi assim na história da humanidade. Há um período pré e outro pós-escrita. Antes, enquanto só se comunicava pela fala, o progresso era lento; depois, quando se conquistou o código gráfico, o progresso se expandiu. Daí o porquê da maior valorização da escrita em relação à fala. Mas é ela que, apesar de se perder no ar logo após a sua realização, constitui o verdadeiro objeto de estudo da lingüística e é exemplo vivo de comunicação.

LINGUAGEM ORAL

Bons argumentos podem ser apontados para que a fala seja considerada uma forma de comunicação mais autêntica do que a escrita. O mais importante é a originalidade, a precedência. Pela ordem de surgimento, a comunicação oral vem primeiro; só depois é que o homem escreve.

Uma outra razão diz respeito à frequência de utilização da fala em comparação com a escrita. As pessoas falam mais do que escrevem. A forma mais rápida e prática de comunicação no quotidiano das pessoas é pela fala.
 O mesmo não se dá com a escrita, que é mais complexa. O homem pode passar a vida inteira em escrever; sem falar, é praticamente impossível devido às exigências normais da vida. Como ciência, o objeto de análise da linguística não pode ser o fato derivado, deve-se partir do original. A escrita é reprodução, surgiu como representação da fala para auxiliar a memória na recapitulação da mensagem. Adquiriu prestígio social, mas a base é sempre a fala.
 

LINGUAGEM HUMANA

A comunicação entre os seres de modo geral pode ocorrer de diversas formas. O telegrafista utiliza sons longos e breves, traduzidos em letras correspondentes do alfabeto, como ponto e traço. O guarda de trânsito lança mão de sons de apito e gestos; o surdo emprega principalmente a linguagem de sinais; Tudo isso é linguagem. Mas diferente da linguagem verbal humana, porque não se segmenta.

Essa possibilidade de divisão diferencia as línguas naturais dos outros processos de comunicação. Um termo como “burrinho”, vocábulo empregado no texto com o sentido de incompetência intelectual, pode ser segmentado em partes menores até se chegar aos merisma que, por sua vez, num processo inverso, compõem unidades cada vez maiores até se chegar ao vocábulo que, originalmente, foi segmentado. Por isso o processo agora se inverte; em vez de segmentação, passa-se à combinação. Unidades menores compõem gradativamente outras maiores, até se chegar-se à frase, que é o nível máximo de análise da hierarquia gramatical.

Essas possibilidades – segmentação e combinação – tornando o sistema mais econômico e altamente produtivo, diferenciam a língua das outras formas de linguagem. As outras formas de linguagem não alcançam essa dimensão. Por isso são sempre mais pobres e limitadas em relação às línguas naturais.

PROCESSO DE SEGMENTAÇÃO


A língua por ser de natureza articulada, diferencia-se dos demais sistemas de comunicação. Consequentemente por se revestir de características especiais, exige-se também do pesquisador um método próprio de análise, de tal forma que atenda às suas peculiaridades. Esse método é o da segmentação. Por ele a estrutura, de qualquer extensão, deve ser dividida em unidades menores, como as peças de um motor que podem ser desmontadas e montadas novamente pelo mecânico.

Outros recursos para a segmentação são a mobilidade e a coordenação. A primeira refere-se ao deslocamento da unidade para outra posição da cadeia da fala ou para um novo ambiente; a segunda diz respeito à “soma” do segmento a outro de mesma natureza na língua. As duas operações, tanto a mobilidade quanto à coordenação, ajudam a identificar a posição do corte na cadeia que se pretende segmentar.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PETER, Margarida. Linguagem, língua, linguística.

Fiorin, José Luiz. Teoria dos signos.

PIETROFORTE, Antônio Vicente. A língua como objeto da línguística.

VIEIRA, Lacordaire. Os níveis de análise linguística.

Ler e contar: a formação do leitor como um triângulo amoroso

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 20, 2017

Ler e contar: a formação do leitor como um triângulo amoroso


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“As histórias são bálsamos medicinais. Achei as histórias interessantes desde que ouvi minha primeira. Elas têm uma força! Não exigem que se faça nada, que se seja nada, que se aja de nenhum modo – basta que prestemos atenção”.

Esta afirmação da psicanalista norte-americana Clarissa Pinkola Estés, claro, não é nenhuma novidade. Mas vale pela precisão e beleza com que nos recorda de uma atitude que a humanidade reconhece pelo menos desde que nos humanizamos. Se, como diz o filósofo espanhol Fernando Saváter, não nascemos humanos, “nos tornamos humanos por convívio e por contato”, essa sofisticada metamorfose jamais se manteria em pé, não fosse nossa capacidade de ouvir e de narrar histórias. Na mínima melodia articulada pela voz humana se identifica o DNA dos homens e mulheres que somos ou que haveremos de ser. É por isso que a imagem de nossos ancestrais em volta do fogo contando “causos” de terror ou de glória será sempre atual – ainda que a atualizemos munidos de livros, celulares e tablets.

Mas desde esse feito extraordinário e decisivo que foi a invenção da linguagem, muitas tecnologias foram desenvolvidas em favor da nossa necessidade ancestral de narrar. De todas elas, nenhuma foi tão decisiva, irreversível e transformadora da nossa relação com a palavra como a invenção da escrita. Não cabe desenvolver aqui a reviravolta que isso ocasionou na mentalidade humana, e sobre isso são escritas até hoje milhares de teses em todo o mundo. Para a nossa abordagem, entretanto, basta destacar que uma técnica (a leitura) não veio substituir a outra (contar histórias) – mas atentar para as diferenças entre uma outra é fundamental, quando queremos promover de fato a formação de leitores.



De ler e de contar

Contar história é uma maneira antiquíssima e eficaz de fortificar e perpetuar a cultura, através da transmissão de valores éticos ou morais, de técnicas essenciais à manutenção da comunidade, de ritos de passagem inerentes aos ciclos da vida, etc. Passadas de geração para geração, de boca em boca, se ajustam e se transformam conforme as necessidades. Como a palavra também cura, é “bálsamo medicinal” – pode alegrar, comover, acalentar, entreter, fazer rir, consolar –, contar histórias tem muito de improviso e adaptação ao contexto e à função a que se destina, dependendo muito da impressão que se quer imprimir na alma daquele que ouve. “Quem conta um conto aumenta um ponto”, já dizia um antigo antepassado nosso cujo nome se perdeu na história, mas que com certeza foi um grande narrador. E isso vale mesmo para histórias que foram escritas. No ato de contar, o material escrito não precisa estar presente, pois o que interessa é o enredo, a narrativa. Sendo assim, além da própria voz, podemos usar recursos diversos, como fantoches, técnicas teatrais, caracterizações de personagens, objetos, música, etc.

Agora, ler é outra história. Na leitura de um conto, mesmo o ponto permanece onde está. Até porque a função da escrita é preservar tanto a história quanto a forma como ela está registrada. Portanto, se é para acrescentar alguma coisa, isso corre por conta de quem ouve: vai depender de como a história se acomoda no espírito de quem a recebe, que é livre para interpretar. Mas àquele que se comprometeu a ler para os outros cabe respeitar cado ponto, cada vírgula e a inteireza da frase.



Ler em voz alta: um triângulo amoroso entre você, o livro e o pequeno leitor

Vale enfatizar: não se trata de substituir uma prática pela outra, nem de estabelecer que esta seja melhor do que aquela – enfim, não se trata de hierarquizar. Ambas as práticas são importantes para a aquisição da linguagem e o desenvolvimento da escrita. Mas, em se tratando de promoção de leitura e formação efetiva de leitores, a presença do livro e o respeito às particularidades da leitura são indispensáveis, e aí precisamos ficar atentos entre as diferenças entre ler e contar. Comparada à narrativa oral, a leitura é algo muito recente e ainda estamos aprendendo como é que se faz. Grandes leitores e autores, como Goethe, advertem que aprender a ler é algo que não paramos de aprender durante uma vida inteira!

Em abril de 2010, veiculamos em nosso antigo blog uma excelente entrevista com a fonoaudióloga e assessora em leitura pública Lucila Pastorello. Vale a pena reproduzir abaixo alguns trechos preciosos que nos ajudam a pensar e aperfeiçoar nossas práticas de mediadores de leitura. Vejamos.

Com a leitura a coisa é um pouco diferente. Um professor e pesquisador da USP, o Claudemir Belintane, que orientou meus estudos de doutorado, costuma dizer que na leitura há uma lei-dura. Não dá para adaptar, inventar; o leitor deve ler aquilo que está escrito, já que uma das funções da escrita é registrar um texto, em seu conteúdo e sua forma.

Se a ideia é promoção de leitura, é claro que ler em voz alta é a prática mais indicada, pois a presença do escrito (do livro, por exemplo) na atividade faz com que aqueles que ouvem e veem (crianças, normalmente, mas funciona com adultos também) fiquem interessados em saber de onde vêm as palavras, a história que envolvem a todos na voz do leitor. A criança vê o leitor vendo o escrito. O leitor, por sua vez, tem um compromisso com o texto escrito e com os ouvintes: ele testemunha a língua, está sujeito às leis da escrita, mas ao mesmo tempo pode deixar sua marca interpretativa com sua voz, fazendo o texto passar por seu corpo e atingir o corpo dos outros.

Ao lermos em voz alta, o texto escrito está presente, o que cria uma triangulação na situação: a escrita, o leitor e aquele que escuta e observa a leitura. Esta triangulação é essencial para trabalharmos o desejo pela leitura e pela escrita. A transição, falando especificamente em pessoas em processo de alfabetização, se dá naturalmente quando há desejo pelo escrito, quando o não-leitor inveja o leitor e se lança no árduo caminho de ser letrado. Está aí um bom sentido para o termo "mediador de leitura". A leitura em voz alta é uma oferta, um presente para o futuro. Ler para o outro é sempre importante, ainda mais tratando-se de um leitor em formação. Devemos lembrar que a alfabetização é o domínio de uma técnica, mas a formação de um leitor leva anos. Quantos anos? Provavelmente a vida!

Feitos esses esclarecimentos preciosos, uma pergunta não quer calar: por que ainda somos resistentes em admitir essas diferenças e por que, sempre que podemos, colocamos a contação de histórias no lugar da leitura em voz alta? Lucila esclarece.

Contar histórias tem sido uma prática mais intensa justamente por conta de suas características: liberdade para criar, resgate de elementos da cultura popular e arrebatamento do espectador através de uma cena dramática, muito próxima do teatro. Além disso, no Brasil, quando falamos aos professores sobre leitura em voz alta, é comum percebermos a associação ao controle, com a avaliação e não com a fruição do texto e a criação de sentidos interpretativos. Esta associação pode ser motivada pelo uso autoritário e normativo da leitura. Se pensarmos que ler é transformar o material gráfico em material sonoro, aí pensamos que existe uma “leitura certa” e uma “errada”. Mas, se considerarmos que ler é produzir sentidos, a leitura em voz alta passa também a ser uma forma de singularizar o discurso, de oferecer aos outros a sua leitura particular.

Se ler é algo que se exercita e se aprende pela vida toda, podemos e devemos oferecer leitura sempre e em todos os lugares, inclusive para pessoas plenamente alfabetizadas. Segundo Lucila:

Podemos ler com as crianças desde muito cedo; antes de serem alfabetizadas, elas podem “ler as imagens” enquanto você lê o escrito (a leitura imagética é uma forma interessante e importante de acesso ao sentido de um texto). Aos poucos, à medida que a criança caminha em seu processo de alfabetização, podemos variar os papéis, inventar outros. Ler para o outro é uma expressão de afeto e cuidado. E para pensar: até que idade queremos ser cuidados? Alberto Manguel, um importante escritor e pesquisador argentino, descobriu a potência da leitura em voz alta lendo para um grande escritor argentino, Jorge Luis Borges, que estava perdendo a visão. A partir daí Manguel passou a incorporar a leitura em voz alta como uma prática interativa: passou a ler em voz alta em casa, com sua companheira. Em alguns países como França e Portugal, atualmente existem sessões de leitura em voz alta abertas ao público: a leitura em voz alta é uma oferta e não necessariamente uma alternativa a cegos e analfabetos. Não se trata de suprir, mas de ofertar.



Um presente pra você, leitor

Dissemos parágrafos acima que, na contação de histórias, o que importa é a narrativa, o conteúdo que é contado – o enredo da história. Mas, quando se trata de leitura de literatura, interessa não só o que se conta, mas também a forma como o autor narra. Por exemplo, qualquer um de nós pode dizer que, do alto de um voo de avião, as coisas aqui embaixo parecem tão minúsculas que um homem, um cavalo e um boi se tornam verdadeiras formiguinhas. Mas existe um jeito de dizer isso que só pode ser dito por Guimarães Rosa. Do conto “As margens da alegria”, extraímos a seguinte pérola: “Se homens, meninos, cavalos e bois – assim insetos?”.

E não para por aí o deslumbramento desse conto. Ele inteiro é construído com pérolas, para o nosso “milmaravilhamento”. Um menino vê pela primeira vez um peru no quintal e de repente não é mais um peru, é a coisa mais deslumbrante do mundo, é uma experiência arrebatadora, é a iluminação de uma vida inteira:
“O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o rapar das asas no chão – brusco, rijo, – se proclamara. Grugulejou, sacudindo o abotoado grosso de bagas rubras; e a cabeça possuía laivos de azul-claro, raro, de céu de sanhaços; e ele, completo, torneado, redondoso, todo em esferas e planos, com reflexos de verdes metais em azul-e-preto – o peru para sempre. Belo, belo! Tinha qualquer de calor, poder e flor, um transbordamento. Sua ríspida grandeza tonitruante. Sua colorida empáfia. Satisfazia os olhos, era de se tanger trombeta. Colérico, encachiado, andando, gruziou outro gluglo. O menino riu, com todo o coração. Mas só bis-viu. Já o chamavam, para passeio”.

Não é maravilhoso?! É aquele tipo de leitura para ser relida. Relida, não: translida. Não, ainda não é isso, é aquele tipo de coisa que exige ser: pro-cla-ma-da! É daqueles trechos pelos quais passamos e imediatamente queremos chamar todo o mundo para ver-ouvir-ler-se-maravilhar. Exige ser compartilhado!
Tudo bem, vocês já perceberam com toda razão que Guimarães Rosa é no mínimo o escritor de cabeceira de certas pessoas aqui no Ecofuturo... Mas, experimente ler o trecho acima em voz alta. Leu? Então, tem mais: experimente a sensação de movimentar bem os lábios, sentindo cada movimento, abrindo bem a boca, articulando cada palavra vagarosamente, sentindo o movimento da língua, conforme a exigência de cada sílaba, atento à delícia da pronúncia e à sonoridade – especialmente em: “empáfia”, “torneado”, “redondoso”, “entufou”, “ríspida grandeza tonitruante” e “abotoado grosso de bagas rubras”... Aposto que você sentiu um negócio estranho e maravilhoso no próprio corpo.
Sentiu? Então, corre e anuncie aos outros a boa nova!



FONTE : http://tudosobreleitura.blogspot.com.br

12 passos para que seus filhos se tornem bons leitores

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 19, 2017

12 passos para que seus filhos se tornem bons leitores


Leia em voz alta com eles. Explore com eles os livros e outros materiais de leitura – revistas, jornais, folhetos, almanaques, manuais de instruções, cartazes, placas… Todo material impresso pode ser útil e ocasionar um momento de troca centrado na leitura.
Ofereça a eles um ambiente rico em termos de letramento: faça atividades com leitura mesmo com os bebês e crianças bem pequenas, e continue fazendo com as crianças e jovens que já estão na escola.
Converse com eles e escute-os quando falam. Isso ajuda muito no desenvolvimento da linguagem oral.
Peça para recontarem histórias ou informações que você leu em voz alta para eles. (Cuidado para que isso não acabe virando aula! Não é esse o espírito da proposta. Precisa ser algo agradável e descontraído).
Incentive-os a desenhar e fazer de conta que escrevem histórias que ouviram, e peça, depois, que “leiam” em voz alta. Parece absurdo? Pois não é! Afinal, eles passam o tempo fazendo de conta que cozinham, que dirigem carros, que lutam com inimigos perigosos, que são médicos e professores… Não esqueça: a ideia é brincar de ler.
Dê o exemplo: faça com que eles vejam você lendo e escrevendo. E, por favor, não faça a bobagem de dizer que eles devem aprender a ser diferentes de você, que não gosta de ler! O que conta não é o que você discursa sobre leitura, escrita, estudo: é o que você oferece como exemplo.
Vá à biblioteca regularmente com seus filhos. Se for uma biblioteca de empréstimo, é bom cada um ter sua própria ficha de inscrição.
Crie uma biblioteca em casa, e uma biblioteca pessoal para a criança, onde ela se acostume a guardar os livros e a buscá-los. Na hora de comprar presentes para seu filho, lembre-se dos livros! De quebra, ele ganha competência para lidar com o mundo e abertura da imaginação.
Não deixe de fazer um pouco de mistério, para aguçar a curiosidade. Por exemplo: você tem três livros na mão e diz à criança que ela pode escolher entre dois livros. Ela certamente vai dizer que são três, e não dois. Você faz de conta que se enganou, e põe um deles de lado. Adivinha qual deles ela vai querer… Use sua imaginação. Tudo isso é jogo, mas o resultado é que seu filho ganha sempre, e para toda a vida.
10 Leve seus filhos sempre que houver hora do conto, teatro infantil e atividades similares na comunidade.
11 Se tiver varanda em casa, você já tem um dos melhores recursos que existem para instalar um lugarzinho para ler. Tem coisa mais gostosa que sentar para ler vendo o mundo passar? Às vezes, até dá para deixar um estoque de leitura permanente na varanda, que se renova volta e meia.
12 Crianças ou adolescentes juntos fazem uma ocasião das melhores para ler (em acampamento, em viagem de férias, recebendo amigo pra passar a noite ou o fim de semana…). Deixe materiais variados à disposição, para escolha livre.
FonteEcofuturo

Como os pais podem ensinar leitura para seus filhos

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 19, 2017
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Como os pais podem ensinar leitura para seus filhos

Matéria publicada em 16/09/2012

*Autora: Cristiane Ferreira é Pedagoga e Coach Educacional

A escola é o ambiente formal escolhido pela sociedade para o ensino da leitura e escrita e suas regras cultas. Dispõe de profissionais qualificados e os recursos necessários para o ensino. Porém, mesmo antes de ter a instrução formal na escola, a criança começa a aprender a ler na família, adquirindo os hábitos de leitura dos adultos que a cercam na primeira infância e construindo suas hipóteses iniciais sobre funcionamento da escrita ainda em casa.

            Quando a criança tem oportunidade de entrar em contato com diversos materiais escritos, como livros e revistas, por exemplo, vai compreendendo que os textos são combinações de palavras, que por sua vez são formadas por sílabas e letras e que são a representação de objetos e da língua falada.
A descoberta de que é possível representar os sons por meio de grafismos é um passo muito importante para o aprendizado da leitura e uma conclusão nem sempre tão simples de se alcançar, mas que pode ser facilitada por meio da convivência com leitores ativos.
Ao ter contato constante com a leitura feita pelos adultos, as crianças aprendem também que os textos trazem uma mensagem e servem para comunicar, divertir, ensinar. Dessa forma, desde pequena, a criança começa a compreender a importância da leitura e escrita e sua função social na vida das pessoas.
O aluno que chega à idade escolar com uma base sólida sobre o funcionamento do sistema da escrita terá o aprendizado sistemático da leitura mais dinâmico e será alfabetizado mais rapidamente.
Por esse motivo, os pais devem ler para os seus filhos, indicando com os dedos as palavras que estão sendo lidas; o livro deve ser posicionado de forma que a criança possa acompanhar a leitura, ao lado do adulto, observando o texto e as imagens continuamente, ao invés de ficar no lado oposto, tendo apenas a visão da capa.
Assim a criança já vai aprendendo que as palavras escritas podem ser faladas, que para ler é preciso seguir da esquerda para a direita, que existe um sentido em tudo o que está escrito e que, ao contrário dos desenhos, as palavras não tem semelhança com os objetos que representam.
Ao ver o desenho de um carro, a criança já consegue identificar qual objeto está representado, diferentemente de ver a palavra carro. Para saber o que a palavre representa, será preciso ler, ou seja, aprender a decodificar o sistema de escrita. Saber a diferença entre as formas de representar objetos (por meio de textos ou imagens) é uma habilidade sutil e implícita, mas muito importante para a compreensão da língua e uma das bases iniciais do processo de alfabetização.
Para auxiliar os filhos nesse processo, os pais devem deixar livros à disposição das crianças, junto com seus brinquedos. É aconselhável adquirir livros infantis que contenham imagens e textos, para que a crianças façam comparações e possam ler livremente.
Como ainda não dominam a língua e nem o código escrito, provavelmente os pequenos inventarão suas histórias e indicarão as frases lidas com dedo, “fingindo ler”. Os adultos devem evitar corrigir e deixar a criança inventar suas histórias, pois isso favorece a imaginação e a relação positiva com a língua escrita. Com o tempo, a própria criança começará a fazer perguntas do tipo “o que está escrito aqui?”. Nesse momento o adulto pode fazer a leitura solicitada.
Os pais também podem despertar o interesse dos filhos fazendo suas leituras diárias na frente das crianças. Ler jornal, livro e até um manual de instrução na frente dos pequenos fará com que as crianças percebam que ler é algo tão saudável, rotineiro quanto escovar os dentes. Como a leitura, diferente do ato de escovar os dentes, é algo que só os adultos fazem, logo a criança terá curiosidade e irá pedir ou pegar o livro ou jornal da casa.
Além dos pais, outros membros da família como irmãos mais velhos, avós, primos e até vizinhos e amigos, podem e devem participar de momentos de leitura junto com os pequenos.
Dessa forma a leitura passará a fazer parte da rotina da criança. E isso é o grande passo para a alfabetização, uma vez que boa parte das dificuldades de aprendizagem em leitura consiste na desmotivação do aluno que não consegue entender o que é leitura, para que serve e sua importância na vida das pessoas.

Cristiane Ferreira é Pedagoga pela PUC SP.  Possui ainda formação em psicopedagogia e coaching.
Atua como professora de ensino fundamental na rede municipal de ensino de São Paulo, coach educacional, life coach e realiza suporte pedagógico a crianças e adultos com dificuldades de aprendizagem no Instituto de Psicologia IPSI Brasil.
Foi diretora da Meta Escolas Integradas, arte educadora e professora de educação infantil no Colégio Marajoara.
É membro da International Association of Coaching (USA), Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional e presidente da Seção São Paulo do International Dance Council (CID UNESCO).

Serviço
Cristiane Ferreira
Pedagogia Clínica e Coaching
(11) 5641-2586
contato@cristianeferreira.com

Fontes: Segs , http://tudosobreleitura.blogspot.com.br

Orações Subordinadas Substantivas

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 18, 2017

Orações Subordinadas Substantivas

São orações que exercem a mesma função que um substantivo, na estrutura sintática da frase.

Exemplo 1:

- A menina quis um sorvete. (período simples)
A menina = sujeito;
Quis = verbo transitivo direto;
Um sorvete = objeto direto;

Temos duas posições na frase anterior em que podemos usar um substantivo: o sujeito (menina) e o objeto direto (sorvete). Nessas mesmas posições podem aparecer, em um período composto, orações subordinadas substantivas.

Dependendo de onde elas apareçam e da função que elas exerçam, poderemos classificar como Subjetiva (função de sujeito) ou como Objetiva direta (função de objeto direto).

Sendo assim, notamos que:

- A menina quis que eu comprasse sorvete. (período composto)
A menina = sujeito;
Quis = verbo transitivo direto;
Que eu comprasse sorvete = Oração subordinada substantiva Objetiva direta

E ainda em:

- Quem me acompanhava quis um sorvete. (período composto)
Quem me acompanhava = oração subordinada subjetiva;
Quis = verbo transitivo direto;
Um sorvete = Objeto direto;

Além das posições de sujeito e objeto direto, as orações subordinadas substantivas podem exercer a função de um predicativo, de um objeto indireto, de um aposto e de um complemento nominal.

Portanto podemos ter oração subordinada substantiva de 6 tipos:

1. Subjetiva: ocupa a função de sujeito.

Exemplos:

- É preciso que o grupo melhore.
Verbo de Ligação + predicat. + O. S. S. Subjetiva

- É necessário que você compareça à reunião.
VL + predicat. O. S. S. Subjetiva

- Consta que esses homens foram presos anteriormente.
VI + O. S. S. Subjetiva

- Foi confirmado que o exame deu positivo.
Voz passiva O. S. S. Subjetiva

2. Predicativa: ocupa a função do predicativo do sujeito.

Exemplos:

- A dúvida é se você virá.
Suj. + VL + O. S. S. Predicativa

- A verdade é que você não virá.
Suj. + VL + O. S. S. Predicativa

3. Objetiva Direta: ocupa a função do objeto direto. Completa o sentido de um Verbo Transitivo Direto.

Exemplos:

- Nós queremos que você fique.
Suj. + VTD + O. S. S. Obj. Direta

- Os alunos pediram que a prova fosse adiada.
Sujeito + VTD + O. S. S. Objetiva Direta

4. Objetiva Indireta: ocupa a função do objeto indireto.

Exemplos:

- As crianças gostam (de) que esteja tudo tranqüilo.
Sujeito + VTI + O. S. S. Objetiva Indireta

- A mulher precisa de que alguém a ajude.
Sujeito + VTI + O. S. S. Obj. Indireta

5. Completiva Nominal: ocupa a função de um complemento nominal.

Exemplos:

- Tenho vontade de que aconteça algo inesperado.
Suj. + VTD + Obj. Dir. + O. S. S. Completiva Nominal

- Toda criança tem necessidade de que alguém a ame.
Sujeito + VTD + Obj. Dir. + O. S. S. Comp. Nom.

6. Apositiva: ocupa a função de um aposto.

Exemplos:

- Toda a família tem o mesmo objetivo: que eu passe no vestibular.
Sujeito + VTD + Objeto Direto + O. S. S. Apositiva

Atividade escrita - ortografia

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 18, 2017

1. Atividade escrita - 7ª ANO

Abaixo, damos várias palavras, todas oxítonas. Algumas tem acento, outras não. São essas particularidades que queremos mostrar para você, pois elas determinam quais dessas palavras devem ser acentuadas ou não. Observe:
Alguém – oração – caju – canal – café – amor – alcançar – avião – quintal – avô – avó – canção – conseguiu – abacaxi – lição – fubá – estudar – cajá – alteração – veloz – você – cipó – armazém – parabéns – juiz – também – sabiá – corações – cipós – marajás – Amapá – Noé – jaraqui – pacu – céu – chapéu – anzóis – véu – anéis – herói - teu – meu – dodói – viveu – lei – açaí – Itaú – buriti – Rio Maú -
Agora, separe as palavras acentuadas das que não possuem acento.
Palavras acentuadas
Palavras sem acento

A Origem Da Língua Portuguesa

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 17, 2017
A Origem Da Língua Portuguesa




No texto “A história da língua portuguesa”, o autor trata da evolução do nosso idioma pelo

Ponto de vista histórico e gramatical, pois a língua portuguesa nada mais é que o latim falado no ocidente da península ibérica, porém modificado, transformado nas línguas românicas e novilatinas.

Segundo o autor dois povos viviam na península, e deram origem ao Basco e Ibero.

A partir desse ponto o autor faz uma apresentação cronológica onde narra o desenvolvimento lingüístico do latim até o português.

Seguindo as idéias do autor, devido as grandes riquezas da região outros povos cobiçavam-na, entre eles os fenícios e gregos, após disputas os gregos são derrotados e com isso inicia-se a decadência dos tartéssios.

Os fenícios fixaram-se na costa da península meridional em 1100 a.c e fundaram gadir hoje càdiz, Málaga, e Abdra.

O povo fenício não era colonizador por isso não penetrava no interior das terras.

Após seu enfraquecimento os fenícios foram absorvidos pelo povo indígena.

Já os gregos não desistiram mesmo batidos no sul fundaram prosperas feitorias, que são hoje remanescentes alicante (lucentum) , (Denia hemeroscopion), (rosas Rhodes) e (ampurias emporium).

O contato dos dois povos foi útil para o desenvolvimento da arte na península, no norte e oeste da Ibéria os povos europeus se sobrepuseram sobre o povo nativo; no século V e III a.c houve a invasão dos celtas que se estabeleceram na região da galécia e nas regiões altas de Portugal,o domínio celta não foi pacifico porém a convivência dos celtas e iberos resultou no povo celtibero.

Se não fosse o cartaginês que falava um dialeto fenício (o púnico) a presença dos fenícios teria se apagado por completo, mas Roma não via com bons olhos o progresso de Cartago pois temia perder o controle da península, após uma guerra de 118 anos Roma sai vitoriosa e torna a híspania sua vassala.

Em 197 a.c Roma foi anexada como província da península.

A romanização da Ibéria se deu em 2 períodos o primeiro foi desde as guerras punicas até o estabelecer do império, a segunda veio com o advento de augusto e passa durante todo o período imperial uma época tranqüila e de assimilação nessa época a península foi dividida em três: terraconense, bética e Lusitânia.Essa assimilação foi tranqüila devido à proximidade do latim e do celta e deu-se das cidades até os campos.

Essa romanização ocorreu devido a vários fatores sendo eles:

O fato de após o recrutamento militar os jovens voltarem para seu lar levando consigo seu aprendizado o fácil intercambio com a metrópole o direito de cidadania dada aos urbes hispânicos e o cristianismo pregado por um latim acessível que reduz a distancia entre as classes sociais.

O autor relata varias citações em textos da época que comprovam esses fatos.

O latim que se vulgarizou foi o latim sermo vulgaris que nos da noticia os gramáticos latinos, a outra modalidade era o sermus urbanus conhecido sim, mas nas escolas.

O latim falado pelo povo fora levado para a hispania e sofreu modificações inevitáveis e automáticas porem algo perturbou esse processo, pois no século V a península foi invadida pelos vândalos que se fixaram na galécia e bética e firmaram uma dinastia na áfrica que durou por um século, em seguida os suevos ocuparam a galécia e a Lusitânia depois de um tempo foi a vez dos Godos que absorveram os suevos no século (VI).Apesar de vencedoras as tribos germanas acolhem os costumes e a língua da região (latim) já modificado com isso ocorre à queda da nobreza e das escolas onde se cultivavam as línguas cultas.

Como herança germânica ficaram vocábulos de seu uso e costumes armas, vestes, insígnias.

No século VIII foi a vez da invasão mulçumana que após vencer os godos tornou-se soberana no território visigótico.Com isso ocorre mais uma fusão, pois muitos godos adotam a cultura dos conquistadores e surge assim os moçarabes .

Os árabes defendiam as letras e as ciências durante seu domínio progridem a agricultura, comércio e a industria.Foi adotada oficialmente a língua árabe, mas muitos dos conquistados falavam o latim (modificado).

Muitos não aceitam essa dominação árabe e se isolam nas montanhas, seus sucessores foram aos poucos retomando o seu território e por fim acabando de vez com o domínio mouro.A herança do vocabulário árabe foi voltada a nomes de plantas, instrumentos e ofícios entre outros. Os cristãos organizaram cruzadas e devido a essas cruzadas formaram-se os reinos de leão, Castela e Aragão D. Henrique conde de Borgonha se destaca nas cruzadas e casa-se com a filha de D.Afonso VI rei de leão e Castela.

A nacionalidade portuguesa começa com Afonso Henrique filho em 1139 que se tornou rei em 1143.

Nessa região o latim se desenvolve de uma forma diferente pelo fato de ter sido ocupado pelos celtiberos e se torna um feudo independente, Surge então o galego-português,

Que após se espalhar e se fundir com o idioma da região meridional se separa em galego e português.No século IX aparecem textos redigidos nesse idioma.

Surge aproximadamente em 1300 à poesia, o século XVI aparece como o século de ouro da literatura e surge também a gramática disciplinando a língua.

Na renascença o pequeno Portugal se torna grande com os descobrimentos marítimos e o idioma alcança as ilhas do atlântico, as costas da Ásia, e áfrica chegando também na terra de Vera cruz.



No texto o autor nos da uma visão bem ampla e objetiva sobre o nosso idioma, abordando os fatos históricos que influenciaram nas alterações lingüísticas que regem a língua nos tempos contemporâneos.

Sem deixar de exemplificar com citações textuais e históricas dando assim maior credibilidade ao texto abordado, e nos leva para uma viagem através dos tempos, nos dando prazer em saber que o ato da comunicação é bem mais complexo do que se imagina e alem de aprender mais sobre a nossa língua teremos boas horas de entretenimento.