A CIDADE E AS SERRAS esquema geral A CIDADE E AS SERRAS EÇA DE QUEIRÓS

Posted by Profº Monteiro on junho 04, 2016


TEMPO E ESPAÇO 
O narrador-personagem, José Fernandes, é quem conta a história do amigo Jacinto. A narrativa se passa no século XIX, quando Paris era considerada a capital da Europa e o centro do mundo. Portugal, no entanto, mantinha-se como um país agrário e decadente. 
Havia grande entusiasmo, nos meios intelectuais da época, pelas teorias positivistas de Augusto Comte, criador do sistema que ordena as ciências experimentais, considerando-as o modelo por excelência do conhecimento humano, em detrimento das especulações metafísicas ou teológicas. 
ENREDO 
A narrativa inicia-se com a história de dom Galião, grande proprietário que, ao escorregar numa casca de laranja, é socorrido pelo infante dom Miguel. Desse dia em diante, o rechonchudo velho torna-se partidário fanático do príncipe. 

Em 1831, dom Pedro retorna do Brasil para assumir o trono português, destronando seu irmão, dom Miguel. Indignado, dom Galião muda-se de Portugal para Paris, levando consigo Grilo, futuro criado de Jacinto. 

Em Paris, o filho de dom Galião, Cintinho, torna-se uma criança doente e tristonha. Quando adulto, seu aspecto não melhora. Em sua única decisão mencionada no livro, prefere ficar em Paris e casar-se com a filha de um desembargador a ir tratar-se no campo. Conclusão: morre três meses antes de nascer Jacinto, seu único filho. 

Jacinto cresce como um menino forte, saudável e inteligente. Na faculdade, seu colega Zé Fernandes (o narrador) o apelida de “Príncipe da Grã-Ventura”. Em Paris, andavam em voga as teorias positivistas, das quais o protagonista se revela entusiasta. Jacinto elabora uma filosofia de vida: 

“A felicidade dos indivíduos, como a das nações, se realiza pelo ilimitado desenvolvimento da mecânica e da erudição”. 

O resultado desse entusiasmo de Jacinto por Paris, porém, se revela desastroso. Zé Fernandes retrata dessa forma a decadência do protagonista, de quem se havia separado durante sete anos: 

“Reparei então que meu amigo emagrecera; e que o nariz se lhe afilara mais entre duas rugas muito fundas, como as de um comediante cansado. Os anéis de seu cabelo lanígero rareavam sobre a testa, que perdera a antiga serenidade de mármore bem polido. Não frisava agora o bigode, murcho, caído em fios pensativos. Também notei que corcovava”. 
Zé Fernandes, então, também se deixa levar por Paris, ao ser dominado por uma paixão carnal pela prostituta Madame Colombe. O caso contraria as teorias de Jacinto, expostas no começo do livro, segundo as quais o homem se tornava um selvagem no campo. Nesse caso, foi a cidade de Paris que transformou Zé Fernandes num escravo de seus instintos. 

Segue-se uma série de episódios que ilustram o ridículo que se escondia sobre a pretensa superioridade dos parisienses. Jacinto torna-se entediado, doente, chega a lembrar seu pai, Cintinho. Então ocorre uma reviravolta: a igreja onde estavam enterrados os avós de Jacinto vem abaixo durante uma tormenta. Ele manda que se reconstrua tudo, sem se importar com os gastos. 

Na viagem de volta a Portugal, Jacinto perde quase toda a bagagem. Seu país, no entanto, devolve a saúde ao protagonista, que, revigorado, promove diversas melhorias em Tormes. Finalmente, ele se casa com Joaninha, camponesa e prima de Zé Fernandes. Na última cena do livro, Zé Fernandes, também enfastiado de Paris, parte para Tormes – o “castelo da grã-ventura” – com Jacinto e Joaninha. 
CAMPO E CIDADE 
A temática do campo versus cidade – recorrente nas obras do escritor português – é o cerne do romance A cidade e as serras, como o próprio título indica. Na tradição da literatura ocidental, o gênero bucólico ou pastoral sempre tratou da oposição entre a vida tranquila e sábia do camponês e a vida urbana, cheia de agitação fútil. Para diferenciar o que ocorre no gênero pastoral e nesse romance, é preciso entender os pressupostos daquela oposição. Por que a vida no campo seria mais “sábia” que a vida na cidade? 

O gênero bucólico, cultivado por inúmeros autores desde a Antiguidade, caracteriza-se pela criação de um personagem lírico – um pastor fictício – cujo conhecimento provém da contemplação minuciosa da natureza. Sua expressão poética será tanto mais eficaz quanto mais transmitir o efeito de possuir duas qualidades principais: sabedoria e simplicidade. 

O conceito de sabedoria mudou muito no decorrer da história. Sem a pretensão de aprofundar aqui os vários significados que a palavra teve, é interessante mostrar como esse conceito se torna problema na obra de Eça. 

O teórico Walter Benjamin definiu sabedoria como “a teoria entretecida na experiência”, fórmula que desvaloriza tanto a ação que se promove sem o governo da razão, limitada pela ignorância (simbolizada na figura do selvagem), quanto a teoria desvinculada das ações e da vida sensível (simbolizada principalmente pela informação). 
MODERNIDADE 
No romance, um exemplo de como a questão aparece está na cena em que Zé Fernandes, após ter passado sete anos em Portugal, reencontra Jacinto em Paris. Depois de verificar que o amigo parecia mais magro e abatido e admirar-se com as inovações do 202 (número da casa de Jacinto na capital francesa), Zé Fernandes observa espantado o funcionamento de um telégrafo, que transmite a Jacinto a informação de que “a fragata russa Azoff entrara em Marselha com avaria”. 
Enquanto isso, Jacinto está ocupadíssimo ao telefone. O visitante pergunta então ao anfitrião “se o prejudicava diretamente aquela avaria da Azoff”. A resposta do entediado Jacinto é: “Da Azoff?... a avaria? A mim... Não! É uma notícia”. 

Trata-se de um dado que não tem importância para Jacinto, pois sua existência está completamente afastada do destino da embarcação russa. A informação, porém, estabelece um falso vínculo entre ambos os eventos. Jacinto assiste a tudo, mas não pode tomar nenhuma atitude. A constatação é que o homem informado assiste a um jogo complexo de acontecimentos que se desenrolam por todos os lugares do mundo, muitos sem nenhuma relação aparente entre si, e fica como Jacinto diante do telégrafo: agoniado e entediado. 

Quando o protagonista volta a Portugal, encontra o mundo da experiência alheia à teoria. Se em Paris ele tinha um milhão de instrumentos incapazes de proporcionar uma vida saudável, em Portugal falta-lhe até uma cama confortável, sendo preciso improvisar uma entre as pedras. 

Vale lembrar que Jacinto fora chamado a Tormes – sua propriedade em Portugal – para reconstruir o túmulo de seus ancestrais, o que pode ser interpretado como uma religação do protagonista com suas origens, citadas no início do livro. Porém, o Jacinto que retorna é um homem muito informado e pode agora aplicar parte da grande carga teórica que adquiriu ao contexto português. É preciso primeiro livrar-se da complexidade inútil do jogo das informações e articulá-las de modo eficiente. Em resumo: agir com simplicidade. O protagonista, então, torna-se sujeito de uma ação bem direcionada, conseguindo promover muitas melhorias em Tormes, lugar atrasado e pobre.

A ideia de sabedoria encontrada nesse romance, portanto, se desvincula do que determina o gênero bucólico, em que a contemplação da natureza é a responsável pela produção do saber. O que vemos aqui é uma ideia muito mais próxima de nossa modernidade, na qual há uma ruptura entre a informação e a experiência pessoal. 
CONCLUSÃO 
As obras de Eça de Queirós podem ser agrupadas em três fases: a primeira, experimental, em que o autor publicou artigos irregulares em folhetins; a segunda, fortemente realista, que vai desde a publicação de O Crime do Padre Amaro, em 1875, até a de Os Maias, em 1888; e a terceira, pós-realista, na qual o autor se reconcilia com a sua Portugal. Nessa, destaca-se A Ilustre Casa de Ramires, de 1900, além de A Cidade e as Serras. 

A temática tratada, campo versus cidade, vem de uma longa tradição literária e é recorrente na obra do autor. Nesse romance, ele se dedica a mostrar a futilidade reinante em Paris e a satirizar as ideias positivistas que deslumbravam a juventude intelectual da época.

Questões Figuras de Linguagem - Português

Posted by Profº Monteiro on junho 04, 2016
Gabarito no final das questões.

Lista de exercícios Figuras de Linguagem - Português 

Questão 1
(UFPE) Tomando como título de uma de suas obras "AMAR, VERBO INTRANSITIVO", Mário de Andrade reafirma, pelo uso da linguagem, sua atitude de rebeldia quanto às normas gramaticais. Ao explorar a intransitividade gramatical do verbo amar, a linguagem - neste título - passa a ter valor:

a) denotativo, confirmando a única possibilidade de predicação do verbo amar;

b) conotativo, significando uma forma de amar que se esgota em si mesma;

c) denotativo, expressando o egoísmo dos pares amorosos;

d) conotativo, valorizando a idéia de que "quem ama, ama alguém";

e) denotativo, traduzindo a idéia de que, para amar, é imprescindível o complemento








Questão 2 (FUVEST) A catacrese, figura que se observa na frase "Montou o cavalo no burro bravo", ocorre em:

a) Os tempos mudaram, no devagar depressa do tempo.

b) Última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor e sepultura.

c) Apressadamente, todos embarcaram no trem.

d) Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal.

e) Amanheceu, a luz tem cheiro.








Questão 3 (UFF) TEXTO
Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra.
Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
(ASSIS, Machado fr. Quincas Borba. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira/INL, 1976.) 
Assinale dentre as alternativas abaixo, aquela em que o uso da vírgula marca a supressão (elipse) do verbo:

a) Ao vencido, ódio ou compaixão, ao vencedor, as batatas.

b) A paz, nesse caso, é a destruição(...)

c) Daí a alegria da vitória, os hinos, as aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas.

d) (...) mas, rigorosamente, não há morte(...)

e) Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se(...)








Questão 4 (FMU) Rio Abaixo
Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...

Quase noite. Ao sabor do curso lento

Da água, que as margens em redor alaga,

Seguimos. Curva os bambuais o vento.


Vivo há pouco, de púrpura sangrento,

Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga

A derradeira luz do firmamento...

Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga,


Um silêncio tristíssimo por tudo

Se espalha. Mas a lua lentamente

Surge na fímbria do horizonte mudo:


E o seu reflexo pálido, embebido

como um gládio de prata na corrente,

Rasga o seio do rio adormecido.

Olavo Bilac
Observe que o poeta preferiu a ordem indireta à direta: "Treme o rio"; "curva os bambuais o vento", tudo em nome da figura chamada
a) pleonasmo

b) antítese

c) polissíndeto

d) anacoluto

e) hipérbato









Questão 5 (UFPB) I."À custa de muitos trabalhos, de muitas fadigas, e sobretudo de muita paciência..."

II."... se se queria que estivesse sério, desatava a rir..."

III."... parece que uma mola oculta o impelia..."

IV."... e isto (...) dava em resultado a mais refinada má-criação que se pode imaginar."



Quanto às figuras de linguagem, há neles, respectivamente,

a) gradação, antítese, comparação e hipérbole.

b) hipérbole, paradoxo, metáfora e gradação.

c) hipérbole, antítese, comparação e paradoxo.

d) gradação, antítese, metáfora e hipérbole.

e) gradação, paradoxo, comparação e hipérbole.









Questão 6 (UFPB) Um dia, o Simão me chamou: – "Vem ver. Olha ali". Era uma mulher, atarracada, descalçada, que subia o caminho do morro. (Diante do Sanatorinho havia um morro. Os doentes em bom estado podiam ir até lá em cima, pela manhã e à tarde.) Lembro-me de que, de repente, a mulher parou e acenou para o Sanatorinho. Não sei quantas janelas retribuíram. E o curioso é que, desde o primeiro momento, Simão saltou: – "É minha! Vi primeiro!".

Uns oitenta doentes tinham visto, ao mesmo tempo. Mas o Simão era um assassino. Como ele próprio dizia, sem ódio, quase com ternura, "matei um". E o crime pretérito intimidava os demais. Constava que trouxera, na mala, com a escova de dentes, as chinelas, um revólver. Naquela mesma tarde, foi para a cerca, esperar a volta da fulana. E conversaram na porteira. Simão voltou, desatinado. Conversara a fulana. Queria um encontro, na manhã seguinte, no alto do morro.

A outra não prometera nada. Ia ver, ia ver. Simão estava possesso: – "Dez anos!", e repetia, quase chorando: – "Dez anos não são dez dias!". Campos do Jordão estava cheio de casos parecidos. Nada mais cruel do que a cronicidade de certas formas de tuberculose. Eu conheci vários que haviam completado, lá na montanha, um quarto de século. E o próprio Simão falava dos dez anos como se fosse esta a idade do seu desejo.

Na manhã seguinte, foi o primeiro a acordar. (...) Havia uma tosse da madrugada e uma tosse da manhã. Eu me lembro daquele dia. Nunca se tossiu tanto. Sujeitos se torciam e retorciam asfixiados. E, súbito, a tosse parou. Todo o Sanatorinho sabia que, no alto do morro, o Simão ia ver a tal mulher do riso desdentado. E justamente ela estava subindo a ladeira. Como na véspera, deu adeus; e todas as janelas e varandas retribuíram. Uma hora depois, volta o Simão. Foi cercado, envolvido: – "Que tal?". Tinha uma luz forte no olhar: – "Tem amanhã outra vez". Durante todo o dia, ele quase não saiu da cama: – sonhava. Às seis, seis e pouco, um médico entra na enfermaria. Falou pra todos: – "Vocês não se metam com essa mulher que anda por aí, uma baixa. Passou, hoje de manhã, subiu a ladeira. É leprosa". Ninguém disse nada. O próprio Simão ficou, no seu canto, uns dez minutos, quieto. Depois, levantou-se. No meio da enfermaria, como se desafiasse os outros, disse duas vezes: – "Eu não me arrependo, eu não me arrependo".

(RODRIGUES, Nelson. A menina sem estrela. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 132-3.)

A partir da convenção seguinte:

I.Animização

II.Metáfora

III.Metonímia

IV.Silepse

preencha os parênteses com a adequada classificação das figuras de linguagem:

( )"... e todas as janelas e varandas retribuíram."

( )"Campos do Jordão estava cheio de casos parecidos."

( )"... Simão ia ver a tal mulher do riso desdentado."

A seqüência correta encontra-se em

a) I, III, II.

b) I, IV, II.

c) II, III, II.

d) III, IV, II.

e) III, IV, III.









Questão 7 (UFPE) Nos enunciados abaixo, a palavra destacada NÃO tem sentido conotativo em:

a) A comissão técnica está dissolvida. Do goleiro ao ponta-esquerda.

b) Indispensável à boa forma, o exercício físico detona músculos eossos, se mal praticado.

c) O melhor tenista brasileiro perde o jogo, a cabeça e o prestígio em Roland Garros.

d) Sob a mira da Justiça, os sorteios via 0900 engordam o caixa das principais emissoras.

e) Alta nos juros atropela sonhos da classe média.









Questão 8 (UFPE) Observando as figuras de linguagem empregadas nos enunciados abaixo, podemos afirmar que a metáfora só NÃO apareceu em:

a) Delegacia se afoga num mar de inquéritos.

b) Fantasma do desemprego tecnológico assombra trabalhadores que vivem das atividades de calcinadoras a lenha.

c) Dirigir falando no telefone celular aumenta quatro vezes o risco de colisões.

d) De volta à moda e aos pés femininos, o elegante e famigerado salto alto reacende a fogueira da inquisição ortopédica.

e) É grande o nó burocrático de museus e orquestras para liberar obras e instrumentos na alfândega.









Questão 9 (UERJ) TEXTO II
01 Já dois anos se passaram longe da pátria. Dois anos! Diria dois séculos. E durante este tempo
02 tenho contado os dias e as horas pelas bagas do pranto que tenho chorado. Tenha embora Lisboa os
03 seus mil e um atrativos, ó eu quero a minha terra; quero respirar o ar natal (...). Nada há que valha a
04 terra natal. Tirai o índio do seu ninho e apresentai-o d’improviso em Paris: será por um momento
05 fascinado diante dessas ruas, desses templos, desses mármores; mas depois falam-lhe ao coração as
06 lembranças da pátria, e trocará de bom grado ruas, praças, templos, mármores, pelos campos de sua
07 terra, pela sua choupana na encosta do monte, pelos murmúrios das florestas, pelo correr dos seus
08 rios. Arrancai a planta dos climas tropicais e plantai-a na Europa: ela tentará reverdecer, mas cedo
09 pende e murcha, porque lhe falta o ar natal, o ar que lhe dá vida e vigor. Como o índio, prefiro a
10 Portugal e ao mundo inteiro, o meu Brasil, rico, majestoso, poético, sublime. Como a planta dos
11 trópicos, os climas da Europa enfezam-me a existência, que sinto fugir no meio dos tormentos da
12 saudade.

(Abreu, Casimiro de. Obras de Casimiro de Abreu. Rio de Janeiro: MEC, 1955.)
A "hipérbole" é uma figura de linguagem empregada quando há intenção de engrandecer ou diminuir exageradamente a verdade das coisas, dos fatos.

A alternativa em que se usa a hipérbole como conotação do sofrimento do narrador do texto II, pela duração de sua permanência fora do Brasil, é:

a) "Já dois anos se passaram longe da pátria." (linha 1)

b) "Já dois anos se passaram longe da pátria. Dois anos!" (linha 1)

c) "Diria dois séculos." (linha 1)

d) "E durante este tempo tenho contado os dias e as horas..." (linhas 1 e 2)








Questão 10 (UFRRJ) TEXTO
BIBLIOTECA VERDE
01 Papai, me compra a Biblioteca Internacional de Obras Célebres.
02 São só 24 volumes encadernados
03 em percalina verde.
04 Meu filho, é livro demais para uma criança.
05 Compra assim mesmo, pai, eu cresço logo.
06 Quando crescer eu compro. Agora não.
07 Papai, me compra agora. É em percalina verde,
08 só 24 volumes. Compra, compra, compra.
09 Fica quieto, menino, eu vou comprar.
...............................................................................................
10 Chega cheirando a papel novo, mata
11 de pinheiros toda verde. Sou
12 o mais rico menino destas redondezas.
13 ( Orgulho, não; inveja de mim mesmo. )
14 Ninguém mais aqui possui a coleção
15 das Obras Célebres. Tenho de ler tudo.
16 Antes de ler, que bom passar a mão
17 no som da percalina, esse cristal
18 de fluida transparência: verde, verde.
19 Amanhã começo a ler. Agora não.
...............................................................................................
20 Mas leio, leio. Em filosofias
21 tropeço e caio, cavalgo de novo
22 meu verde livro, em cavalarias
23 me perco, medievo; em contos, poemas
24 me vejo viver. Como te devoro,
25 verde pastagem. Ou antes carruagem
26 de fugir de mim e me trazer de volta
27 à casa a qualquer hora num fechar
28 de páginas?
29 Tudo que sei é que ela que me ensina.
30 O que saberei, o que não saberei
31 nunca,
32 está na Biblioteca em verde murmúrio
33 de flauta-percalina eternamente.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião . Rio de Janeiro, José Olympio, 1983. p.672-673.

No fragmento "que bom passar a mão no som da percalina" ( v. 16-17 ) percebe-se

a) a correlação entre o sentido próprio e o sentido figurado das palavras.

b) relação de termos que consiste no uso do todo pela parte.

c) suavização de uma idéia através da substituição de uma palavra.

d) relação entre percepção de sentidos diferentes.

e) emprego de termos que se referem a conceitos contrários.












Gabarito:
1-b 2-c 3-a 4-e 5-d 6-e 7-b 8-c 9-c 10-d

Exercícios Função da Linguagem e do Que-Português

Posted by Profº Monteiro on junho 03, 2016

20MAI

Gabarito no final das questões.

Lista de 7 exercícios Função da Linguagem e do Que-Português





Questão 1
(UNI-RIO) A eclosão do apelo, vai-se construindo por meio de uma função da linguagem nele predominante e que se denomina função:

a) poética.

b) fática.

c) apelativa.

d) emotiva.

e) referencial.








Questão 2 (UCSAL) TEXTO
Quando saí de casa, o velho José Paulino me disse:
Não vá perder o seu tempo. Estude, que não se arrepende.
Eu não sabia nada. Levava para o colégio um corpo sacudido pelas paixões de homem feito e uma alma mais velha do que o meu corpo. Aquele Sérgio, de Raul Pompéia, entrava no internato de cabelos grandes e com uma alma de anjo cheirando a virgindade. Eu não: era sabendo de tudo, era adiantado nos anos, que ia atravessar as portas do meu colégio.
Menino perdido, menino de engenho.
José Lins do Rego - Menino de Engenho, Ed. Moderna Ltda., São Paulo, 1983. 
Tem-se na fala de José Paulino exemplo de função de linguagem denominada:

a) fática.

b) referencial.

c) conativa.

d) poético.

e) metalingüística.







Questão 3 (ANHEMBI) Texto I

Tenho fases

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!

Não encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua...)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...

E, quando chega esse dia,

outro desapareceu...

(Lua Adversa - Cecília Meireles)

Texto II
Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.

(Mãos Dadas - Carlos Drummond de Andrade)



Além da função poética, há, nos poemas "Lua Adversa" e "Mãos Dadas", a ocorrência da função da linguagem que deixa transparente as intenções do emissor. Trata-se da:

a) Função emotiva.

b) Função fática.

c) Função referencial.

d) Função metalingüística.

e) Função apelativa.









Questão 4 (UCSAL) TEXTO
Quando saí de casa, o velho José Paulino me disse:
Não vá perder o seu tempo. Estude, que não se arrepende.
Eu não sabia nada. Levava para o colégio um corpo sacudido pelas paixões de homem feito e uma alma mais velha do que o meu corpo. Aquele Sérgio, de Raul Pompéia, entrava no internato de cabelos grandes e com uma alma de anjo cheirando a virgindade. Eu não: era sabendo de tudo, era adiantado nos anos, que ia atravessar as portas do meu colégio.
Menino perdido, menino de engenho.
José Lins do Rego - Menino de Engenho, Ed. Moderna Ltda., São Paulo, 1983. 
Em: "Estude, que não se arrepende", a palavra que introduz oração coordenada,

a) explicativa.

b) conclusiva.

c) causal.

d) alternativa.

e) adversativa.







Questão 5 (CESGRANRIO) A função sintática do que está correta em:

a) "... um adestramento que já não tenho" - predicativo do objeto direto.

b) "... de uma vida que se foi desenrolando" - objeto direto.

c) "... dos seres que me rodeiam" - adjunto adverbial.

d) "Mulheres de meia-idade que comprovam lãs" - aposto.

e) "... os pontos que minha pequena mão infantil executara." - objeto direto.








Questão 6 (UFPB) Considere o seguinte fragmento:

"Vou lançar a teoria do poeta sórdido.

Poeta sórdido:

Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.

(...) O poema deve ser como a nódoa no brim:

Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero."

(Nova poética – Manuel Bandeira)



Tal fragmento se filia ao modernismo literário, entre outros motivos, porque

I.critica o conformismo e a insensibilidade burguesa.

II.manifesta preocupação de natureza metalingüística.

III.sugere o desprezo ao rigor formal.

IV.incorpora o preceito parnasiano do realismo na poesia.



Das afirmativas acima, estão corretas

a) I e II.

b) I e III.

c) I e IV.

d) II e III.

e) I, III e IV.









Questão 7 (UFPA) Tecendo a manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

(MELO, João Cabral de. In: Poesias Completas. Rio de Janeiro, José Olympio, 1979)

No trecho

"...onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo..."

a partícula se é um elemento que

a) indetermina o sujeito

b) introduz a idéia de condicionalidade

c) entra na construção da voz passiva

d) integra uma oração a outra

e) expressa, juntamente com o verbo, ação de reciprocidade












Gabarito:
1-d 2-c 3-a 4-a 5-e 6-a 7-e

EXERCICIOS DE Português

Posted by Profº Monteiro on junho 03, 2016

Stickman Illustration of Kids Riding a Magical Flying Book
Questões

01. Assinale a alternativa onde há erro
a)Sois condidatas- somo-lo
b)Vós é que sois feliz
c)Haverão de ir os convidados
d)Programou-se, para amanhã, três jogos importantes
e)Hão de sorrir os vitoriosos
02. Assinale a alternativa que corresponde à análise correta da função sintática dos termos grifados pela ordem: "com carinhos de mãe que defendeseu filho".
a)Sujeito - obj. direto
b)obj. direto - obj. indireto
c)obj. direto - obj. direto
d)Sujeito - obj. indireto
e)Sujeito - sujeito

03. Determine o número de fonemas

Ontem ................

Também .............

Mirasse ...............

Guerreiro............

Intoxicado ..........

Hombridade.........

Escolaridade......... 

a)A-3, B-5, C-6, D-7, E-10, F-8, G-11
b)A-4, B-5, C-6, D-7, E-10, F-8, G-12
c)A-4, B-6, C-6, D-7, E-10, F-8, G-12
d)A-3, B-5, C-6, D-8, E-10, F-8, G-11
e)A-4, B-5, C-6, D-7, E-11, F-8, G-12


04. Em que período aparece o presente histórico ou narrativo?
a)"D. João VI chega ao Brasil e abre os portos às nações amigas".
b)"Mais valem paciências pequeninas que bravuras de leão".
c)"Vossa Paternidade é o tratamento que se deve usar para superiores de ordens religiosas".
d)"São Paulo é uma cidade agitada".
e)"Sérgio referia-se a quaisquer pessoas".
05. Assinale a alternativa em que todos os verbos são regulares:
a)cantar, vender, partir, falar;
b)mexer, ver, criticar, dizer;
c)trazer, sorrir, mentir, falir;
d)roer, empedernir, explodir, vir;
e)crer, ler, conter, compor.
06. É considerado o maior poeta do Arcadismo brasileiro, tendo escrito peças teatrais, sendo apenas uma conhecida: O Parnaso Obsequioso. Esse autor é:
a)Gregório de Matos
b)Tomás Antônio Gonzaga
c)Guilherme de Almeida
d)Cláudio Manoel da Costa
e)Jorge Amado07. Dessas duas escolas, uma era experimental e a outra apenas procurava descrever a realidade:
a)Parnasianismo e Simbolismo
b)Realismo e Modernismo
c)Naturalismo e Realismo
d)Simbolismo e Modernismo
e)Surrealismo e Dadaísmo

08. João da Cruz e Sousa, principal poeta simbolista brasileiro, escreveu os seguintes livros:
a)Missal, Broquéis e Faróis
b)Crisálidas, Americanas e Ocidentais
c)Poesias, Tarde e Sarças de Fogo
d)Espectros, Viagem e Vaga Música
e)O Ateneu, Til e Iracema

09. Assinale a alternativa correta:
Grupo romântico ligado à luta pelo abolicionismo:
a)1º grupo
b)2º grupo
c)3º grupo
d)4º grupo
e)5º grupo

10. Poeta nascido em Recife em 1886, é bastante conhecido pelas poesiasEvocação do Recife e Vou-me Embora pra Pasárgada. Trata-se de:
a)Manuel Bandeira
b)João Cabral de Melo Neto
c)Vinicius de Morais
d)Oswald de Andrade
e)Carlos Drummond de Andrade


Gabarito


1- D 2 - A 3 - B 4- A 5 - A
6 - D 7 - C 8 - A 9 - C 10 - A

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS - EXERCÍCIOS

Posted by Profº Monteiro on junho 02, 2016

O romance "Memórias póstumas de Brás Cubas" publicou-se num momento significativo da Literatura Brasileira, tanto para a carreira de Machado de Assis, como para o desenvolvimento da prosa no Brasil. Tornou-se um divisor entre:
a) a prosa romântica e a realista-naturalista;
b) o romantismo e o cientificismo literário;
c) os remanescentes clássicos e a necessidade de modernização;
d) o espírito conservador e o espírito revolucionário;
e) a prosa finissecular e a imposição renovadora da época.



"(...) e tudo ficou sob a guarda de Dona Plácida,
suposta, e, a certos respeitos, verdadeira dona da casa.
Custou-lhe muito a aceitar a casa: farejara a intenção e doía-lhe o ofício: mas afinal cedeu (...)
Eu queria angariá-la (...). Quando obtive a confiança, imaginei uma história patética dos meus amores com Virgília, um caso anterior ao casamento, a resistência do pai, a dureza do marido, e não sei que outros toques de novela. Dona Plácida não rejeitou uma só página da novela; aceitou-as todas. Era uma necessidade da consciência. Ao cabo de seis meses quem nos visse a todos três juntos diria que Dona Plácida era minha sogra.
Não fui ingrato; fiz-lhe um pecúlio de cinco contos."

Considerando o trecho de MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, de Machado de Assis, assinale a alternativa correta quanto ao procedimento do narrador.
a) Denuncia o comportamento de Plácida, que coloca o dinheiro acima de qualquer outro valor.
b) Ironiza a atitude de Plácida, que aceita como verdadeira uma história inventada..
c) Fica comovido com a dor de Plácida e passa a tratá-la como sogra.
d) Identifica-se com Plácida, para quem o ideal amoroso está acima das convenções sociais.
e) Critica a atitude de Plácida, que valoriza a instituição familiar falida.

Todas as afirmativas sobre o narrador de MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, de Machado de Assis, estão corretas, EXCETO
a) Assume a condição de defunto autor para rever sarcasticamente a sua própria vida.
b) Faz constantes referências ao processo de construção do livro.
c) Interrompe com freqüência o fluxo da narrativa para conversar com o leitor.
d) Mantém um compromisso com a verdade ao retratar fielmente a realidade dos fatos.
e) Usa de alegorias para discorrer sobre o tempo, o amor e a miséria humana.



Todas as afirmativas sobre MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS estão corretas, EXCETO
a) Brás Cubas sentia-se orgulhoso e envaidecido da sua condição de amante de uma mulher casada.
b) Dona Plácida aceitou acobertar os encontros de Virgília e Brás Cubas por admirar o amor dos dois.
c) Lobo Neves, diante do olhar da opinião pública, fingia ignorar o caso de Virgília com Brás Cubas.
d) Virgília, embora afeita à transgressão, tentava conservar a integridade do seu casamento.
e) Virgília refutou a proposta de fugir com o amante por temer que o marido a procurasse e a matasse.

Todas as alternativas sobre o narrador de MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, de Machado de Assis, estão corretas, EXCETO
a) Analisa o ser humano, focalizando o seu lado negativo, seus defeitos morais.
b) Conta a história de forma regular e fluente, preocupando-se com a compreensão do leitor.
c) Informa que a causa de sua morte foi uma idéia fixa, a obsessão com o emplasto Brás Cubas.
d) Não hesita em apontar seus próprios erros e imperfeições, pois está a salvo dos juízos alheios.
e) Não vê com bons olhos a figura do crítico, chegando mesmo a ridicularizá-lo.

Todos os trechos extraídos de MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS expressam a idéia de que o ser humano sempre se mira num espelho social, o olhar do público, EXCETO
a) "Então, - e vejam até que ponto pode ir a imaginação de um homem, com sono, - então pareceu-me ouvir de um morcego encarapitado no tejadilho: Sr. Brás Cubas, a rejuvenescência estava na sala, nos cristais, nas luzes, nas sedas, - enfim, nos outros."
b) "Minha mãe era uma senhora fraca, de pouco cérebro e muito coração, assaz crédula, sinceramente piedosa, - caseira, apesar de bonita, e modesta, apesar de abastada; temente às trovoadas e ao marido. O marido era na Terra o seu deus. Da colaboração dessas duas criaturas nasceu a minha educação (...)"
c) "Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo..."
d) "O alienista notou então que ele escancarava as janelas todas desde longo tempo, que alçara as cortinas, que devassara o mais possível a sala, ricamente alfaiada, para que a vissem de fora, e concluiu: - Este seu criado tem a mania do ateniense: crê que todos os navios são dele; uma hora de ilusão que lhe dá a maior felicidade da terra."
e) "Pareceu-me então (e peço perdão à crítica, se este meu juízo for temerário!) pareceu-me que ele tinha medo - não de mim, nem de si, nem do código, nem da consciência; tinha medo da opinião. Supus que esse tribunal anônimo e invisível, em que cada membro acusa e julga, era o limite posto à vontade do Lobo Neves."


Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.

A condição na qual anteriormente se apresenta o narrador das MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, de Machado de Assis, permitiu-lhe
a) isentar-se de qualquer compromisso com a realidade objetiva, permanecendo no plano do imaginário e do fantástico.
b) manter um frio julgamento de sua própria história, dispensando as marcas subjetivas da ironia e do humor.
c) reconstruir caprichosamente a totalidade da própria história, com humor crítico e discreta melancolia.
d) pairar acima das fraquezas humanas, analisando-as com rigor ético e severidade moral.
e) satirizar as tendências românticas e espiritualistas da época, submetendo-as a uma visão cientificista da História.

O capítulo I - ÓBITO DO AUTOR - e o último capítulo - DAS NEGATIVAS -, de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", fazem referências, respectivamente, a uma hesitação sobre a abertura pelo princípio ou pelo fim das memórias do defunto autor, e a um saldo no balanço da vida. Considerando esses capítulos e utilizando informações de que você dispõe sobre o romance, é correto declarar que o narrador Brás Cubas

a) é um autor defunto que oniscientemente começa a narrar, pela morte, as memórias de amigos céticos e vaidosos, incluindo nesse narrar um balanço de sua própria história.
b) estrutura a narrativa de modo a principiá-la pelo fim, ou seja, pela morte, e vai, aos poucos até o final, revelando ao leitor a razão de um defunto autor se interessar em escrever suas memórias.
c) é um autor defunto que relata seu enterro com grandeza, embora não deixe de confessar sua vida de fracassos, confirmados no último capítulo.
d) estrutura a narrativa de modo que o leitor siga a cronologia dos acontecimentos da vida do autor defunto, desde a sua morte até o nascimento.
e) é um autor defunto que relata a própria morte, narrando suas memórias a partir do nascimento, intercalando-as com reflexões psicológicas e finalizando-as com um pequeno saldo.

http://www.professor.bio.br/portugues/search.asp?search=Mem%F3rias+p%F3stumas

Questões Arcadismo - Literatura

Posted by Profº Monteiro on junho 02, 2016


Gabarito no final das questões.



Questão 1
(VUNESP) Há no Arcadismo brasileiro uma obra satírica de forma epistolar que suscitou dúvidas de autoria durante mais de um século. Assinale abaixo a alternativa que apresente o nome correto dessa obra e seu autor mais provável:

a) O Reino da estupidez e Francisco de Melo Franco

b) Viola de Lereno e Domingos Caldas Barbosa

c) O desertor e Manuel Inácio da Silva Alvarenga

d) Cartas chilenas e Tomás Antônio Gonzaga

e) Os Bruzundangas e Lima Barreto







Questão 2 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas.

0) O arcadismo tem como um dos traços principais a inspiração clássica

1) A natureza é a base da sabedoria para os árcades

2) O Arcadismo Brasileiro se caracteriza por sua forte religiosidade

3) Tomás Antônio Gonzaga nos deixou uma poesia marcada pela pobreza de expressão e pela banalidade

4) O melhor da produção dos árcades brasileiros está no teatro








Questão 3 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas.

0) A maior parte da lírica de Tomás Antônio Gonzaga é composta por poemas de difícil compreensão.

1) Com a literatura dos árcades surge na poesia a exaltação da paisagem brasileira e temas como a família.

2) Pastores e pastoras numa paisagem bucólica, este é um dos elementos da literatura arcádica brasileira.

3) Vários poetas pertencentes ao Arcadismo brasileiro foram presos por escreverem romances com assuntos políticos.

4) O Arcadismo brasileiro não nos deixou poemas épicos, estando sua produção limitada à poesia lírica.








Questão 4 (UFPE)
"É bom, minha Marília, é bom ser dono
De um rebanho, que cubra monte e prado;
Porém, gentil Pastora, o teu agrado;
Vale mais que um rebanho, e mais que um trono
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela."
Tomas A. Gonzaga
No poema acima, as marcas do Arcadismo são. Assinale as afirmativas verdadeiras e as falsas.

0) Tema da vida pastoril no contato com a natureza idealizada.

1) Ideal de vida simples retratado através de uma linguagem despojada. Inversões e paradoxos, próprios do Barroco, caem em desuso.

2) Percepção do mundo terreno como efêmero e vão, o que resulta no sentimento de nulidade diante do poder divino.

3) Descrição de um episódio pastoril num ambiente de harmonia, onde inexistem conflitos.

4) Tom épico, relatando grandes feitos heróicos.








Questão 5 (UFPB) Na poesia arcádica ou neoclássica, NÃO se encontra

a) a influência das idéias iluministas.

b) a valorização do campo em detrimento da cidade.

c) a ênfase na interpretação subjetiva da realidade.

d) o retorno aos ideais greco-latinos.

e) a adoção de pseudônimos pelos poetas, que se figuravam pastores.









Questão 6 (UFPA) O Arcadismo é um estilo de época que pode ser definido, segundo o que determina a seguinte afirmação:


a) Nesse período o homem é regido pelas leis físico-químicas, pela hereditariedade e pelo meio social

b) A poesia dessa época dá ênfase ao poder de vidência do artista

c) Destaca-se nessa fase certo gosto pelo equilíbrio, pela simplicidade e pela harmonia, a partir dos modelos clássicos antigos

d) Há nessa Escola literária uma tendência à valorização do humor, com vistas a afugentar as circunstâncias desagradáveis da vida

e) Enfatiza-se na criação poética, desse momento, a utilização do valor sugestivo da música










Questão 7 (UFMG)
Leia o soneto que se segue, de Cláudio Manuel da Costa.


Pastores, que levais ao monte o gado,
Vede lá como andais por essa serra;
Que para dar contágio a toda a terra,
Basta ver-se o meu rosto magoado:

Eu ando (vós me vedes) tão pesado;
E a pastora infiel, que me faz guerra,
É a mesma, que em seu semblante encerra
A causa de um martírio tão cansado.

Se a quereis conhecer, vinde comigo,
Vereis a formosura, que eu adoro;
Mas não; tanto não sou vosso inimigo:

Deixai, não a vejais; eu vo-lo imploro;
Que se seguir quiserdes, o que eu sigo,
Chorareis, ó pastores, o que eu choro.


Todas as alternativas contêm afirmações corretas sobre esse soneto, EXCETO


a) O poema opõe um estilo de vida simples a um estilo de vida dissimulado.

b) A palavra "guerra" enfatiza a recusa da pastora a corresponder aos afetos do poeta.

c) O sentido da visão é o predominante em todas as estrofes do poema.

d) A expressão "para dar contágio a toda a terra" revela a intensidade do sofrimento do pastor.










Questão 8 (PUC-MG) A QUESTÃO APRESENTA TRECHOS DE TEXTOS QUE PERTENCEM A DETERMINADO ESTILO DE ÉPOCA. RELACIONE CADA TRECHO AO SEU RESPECTIVO ESTILO, DE ACORDO COM AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NAS ALTERNATIVAS A SEGUIR.

"Sou pastor, não te nego; os meus montados

São esses, que aí vês; vivo contente

Ao trazer entre a relva florescente

A doce companhia dos meus gados."

a) Barroco:
homem barroco é angustiado, vive entre religiosidade e paganismo, espírito e matéria, perdão e pecado. As obras refletem tal dualismo, permeado pela instabilidade das coisas.

b) Arcadismo:
Em oposição ao Barroco, esse estilo procura atingir o ideal de simplicidade. Os árcades buscam na natureza o ideal de uma vida simples, bucólica, pastoril.

c) Romantismo:
A arte romântica valoriza o folclórico, o nacional, que se manifesta pela exaltação da natureza pátria, pelo retorno ao passado histórico e pela criação do herói nacional.

d) Parnasianismo:
A poesia é descritiva, com exatidão e economia de imagens e metáforas.

e) Modernismo:
Original e polêmico, o nacionalismo nele se manifesta pela busca de uma língua brasileira e informal, pelas paródias e pela valorização do índio verdadeiramente brasileiro.









Questão 9 (UFRRJ) TEXTO
Lira XXX
Junto a uma clara fonte

a mãe do Amor se sentou;

encostou na mão o rosto,

no leve sono pegou.


Cupido, que a viu de longe,

contente ao lugar correu;

cuidando que era Marília,

na face um beijo lhe deu.


Acorda Vênus irada:

Amor a conhece; e então,

da ousadia que teve

assim lhe pede perdão:


- Foi fácil, ó mãe formosa,

foi fácil o engano meu;

que o semblante de Marília

é todo o semblante teu.

(In: GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. Rio de Janeiro, Edições de Ouro, [s/d].p.86-87.)

A reação de Vênus, descrita no poema, se deve ao fato de ter sido

a) confundida por Cupido.

b) acordada por Amor.

c) reconhecida por Amor.

d) identificada por Cupido.

e) comparada com Marília.









Questão 10 (UFRRJ) TEXTO
Lira XXX
Junto a uma clara fonte

a mãe do Amor se sentou;

encostou na mão o rosto,

no leve sono pegou.


Cupido, que a viu de longe,

contente ao lugar correu;

cuidando que era Marília,

na face um beijo lhe deu.


Acorda Vênus irada:

Amor a conhece; e então,

da ousadia que teve

assim lhe pede perdão:


- Foi fácil, ó mãe formosa,

foi fácil o engano meu;

que o semblante de Marília

é todo o semblante teu.

(In: GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. Rio de Janeiro, Edições de Ouro, [s/d].p.86-87.)

No texto, o engano de Cupido pode ser antevisto em


a) "Cupido, que a viu de longe,"

b) "cuidando que era Marília,"

c) "Junto a uma clara fonte"

d) "e então, da ousadia que teve"

e) "Amor a conhece"








Gabarito:
1-d 2-vvfff 3-fvvff 4-vvfvf 5-c 6-c 7-a 8-b 9-a 10-b