Exercícios Memórias Sentimentais de João Miramar - Literatura

Posted by Profº Monteiro on junho 02, 2016


Gabarito no final das questões.


Lista de 7 exercícios livro Memórias Sentimentais de João Miramar  - Literatura



1)-As afirmações a seguir referem-se à obra "Memórias Sentimentais de João Miramar" de Oswald de Andrade:
 I - A obra representa um dos pontos mais altos de criação do modernismo brasileiro e entra em sintonia com as vanguardas européias do começo do século.
II - A obra faz uso da paródia como recurso literário, o que pode ser observado, por exemplo, nos discursos a cartas transcritas no decorrer do romance.
III - A obra rompe com as regras de pontuação, transgride os esquemas de tradição romanesca e, ao mesmo tempo, reforça os limites entre poesia a prosa. A leitura da obra permite concluir que apenas

a) as afirmações I e III são corretas.
b) as afirmações II e III são corretas.
c) as afirmações I e II são corretas.
d) a afirmação II é correta.
e) a afirmação III é correta.


2) A abertura de "Memórias Sentimentais de João Miramar" de Oswald de Andrade se faz com um texto, cujo título é (À Guisa do Prefácio). Relacionando prefácio e obra, assinale a alternativa INCORRETA:
a) O estilo do prefácio é empolado e recheado de clichês, contrastando com o estilo do resto do romance.
b) O prefácio modela o romance, segundo os padrões reinantes na prosa acadêmica brasileira.
c) O autor do romance, João Miramar-Oswald, intensifica a crítica à literatura beletrista, já anunciada nas entrelinhas do prefácio.
d) O pseudo-autor do prefácio, Machado Penumbra, converte-se em personagem, adentrando o romance como "orador ilustre escritor".
e) O prefácio revela o romance como renovação da prosa literária brasileira através de um estilo fragmentário e sintético.

3)"Memórias Sentimentais de João Miramar" é um romance:
a) realista que retrata fielmente a vida da burguesia paulista do início do século XX.
b) romântico que contrapõe a riqueza da fazenda de café à hostilidade do meio urbano.
c) modernista que, por meio da linguagem, inova a estrutura do gênero.
d) parnasiano que apresenta um narrador de linguagem difícil e truncada.


 4)O professor Fábio R. de Souza Andrade faz a seguinte afirmação sobre o texto "À guisa de prefácio", de "Memórias Sentimentais de João Miramar": "O 'prefácio' de Machado Penumbra é um bom exemplo dessas falsas pistas/instruções de leitura. O estilo em que foi composto é o predominante no ambiente beletrista pré-modernista, contra o qual Oswald se define." A linguagem utilizada no prefácio de "Memórias Sentimentais de João Miramar" é considerada uma falsa pista para a leitura do livro porque:
a) o autor do prefácio era um membro da Academia Brasileira de Letras, o que explica a maneira pomposa de se expressar.
b) sendo um texto também escrito por Oswald, o prefácio apresenta-se como uma crítica a estilos que antecederam o modernismo.
c) a linguagem do prefácio não precisa ser a mesma da obra; o prefácio emite uma opinião, que, nesse caso, é mais conservadora.
d) uma das exigências do modernismo da primeira fase era que o prefácio apresentasse um elogio grandioso da obra.



 5)Nas alternativas abaixo, os trechos transcritos de "Memórias Sentimentais de João Miramar" correspondem à voz do narrador, EXCETO:
a) "Entrava doméstico para comer e dormir longe de Célia. Os criados eram garçons de restaurante."
b) "Este clube é um lar! Nele, o espírito hospitaleiro é uma prerrogativa ao lado do catecismo moral da juventude!."
c) "Beiramávamos em auto pelo espelho de aluguel arborizado das avenidas marinhas sem sol."
d) "A costa brasileira depois de um pulo de farol sumiu como um peixe. O mar era um oleado azul."

6). (PUCCamp)

O alpinista
de alpenstock
desceu
nos Alpes

O texto acima, capítulo do romance Memória Sentimentais de João Miramar, exemplifica uma tendência do autor de:
a) Procurar as barreiras entre poesia e prosa, utilizando estilo alusivo e elíptico.b) Explorar o poema em forma de prosa, satirizando as manifestações literárias do Pré-modernismo.c) Buscar uma interpretação lírica de seu país, explorando a forca sugestiva das palavras.d) Utilizar o poema-piada, para satirizar tudo o que não fosse nacional.e) Procurar “ser regional e puro em sua época”, negando influencias das vanguardas européias.

7) Leia o seguinte excerto do romance Memórias Sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade.
Noitava o terraço de vista vasta para carregadores dos cafezais em esquadrão e pastos cercados com estrelas. Porteiras batiam pás! longínquos por todo o Brasil. E havia desconjuntamentos de trolleys nacionais chegando de caminhos vermelhos por mato perfumado.Lágrimas anacrônicas de minha sogra evocavam o marido ou o Pantico agora tardiamente transferido a europeus internatos comerciaturos.Eu e Célia fugíamos corpos voluptuosos com catadupa retirada de sentimento para a sala de jantar fazendeira. Mas Cotita e Nair nos vinham dizer banalidades. Barricadávamo-nos então no quarto paiol intransponível da pólvora de nossos corações.E preferíamos até ficar sós na casa de São Paulo reaberto deixando tia Gabriela e cunhadas inúteis transatlanticarem atrás do pantico.
Aponte a alternativa cuja afirmação não condiz com o texto acima.


a) Os parágrafos não apresentam um desenvolvimento fluente, assemelhando-se, por isso, a quadros justapostos, realçando a vivacidade de cada momento.b) A ausência de metáforas é intencional, pois segue um princípio estipulado pelo Modernismo, especialmente pela Geração de 22, à qual o autor se filia.c) Oswald de Andrade revela um aspecto marcante de sua obra, especialmente de sua poesia: a omissão de vírgulas, mesmo daquelas obrigatórias.d) Percebe-se no fragmento a presença de diversos neologismos, principalmente em certas formas verbais.e) “E havia desconjuntamentos de trolleys nacionais chegando de caminhos vermelhos por mato perfumado”. O adjetivo “vermelho” está deslocado e distante do substantivo a que, realmente, caracteriza.



Gabarito
1-C, 2-B,3-C,4-B,5-B,6-A,7-B

Questões sobre Memórias de um sargento de milícias

Posted by Profº Monteiro on junho 02, 2016


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Declaração

Devia começar, como o sabe de cor e salteado a maioria dos leitores, que é sem dúvida nenhuma muito entendida na matéria, por uma declaração em forma.
Mas em amor, assim como em tudo, a primeira saída é o mais difícil. Todas as vezes que esta ideia vinha à cabeça do pobre rapaz, passava-lhe uma nuvem escura por diante dos olhos e banhava-se-lhe o corpo em suor. Muitas semanas levou a compor, a estudar o que havia de dizer a Luizinha quando aparecesse o momento decisivo. Achava com facilidade milhares de ideias brilhantes: porém, mal tinha assentado em que diria isto ou aquilo, já isto ou aquilo lhe não parecia bom. Por várias vezes, tivera ocasião favorável para desempenhar a sua tarefa, pois estivera a sós com Luizinha; porém, nessas ocasiões, nada havia que pudesse vencer um tremor nas pernas que se apoderava dele, e que não lhe permitia levantar-se do lugar onde estava, e um engasgo que lhe sobrevinha, e que o impedia de articular uma só palavra. Enfim, depois de muitas lutas consigo mesmo para vencer o acanhamento, tomou um dia a resolução de acabar com o medo, dizer-lhe a primeira coisa que lhe viesse à boca.
Luizinha estava no vão de uma janela a espiar para a rua pela rótula: Leonardo aproximou-se tremendo, pé ante pé, parou e ficou imóvel como uma estátua atrás dela que, entretida para fora, de nada tinha dado fé. Esteve assim por longo tempo calculando se devia falar em pé ou se devia ajoelhar-se. Depois fez um movimento como se quisesse tocar no ombro de Luizinha, mas retirou depressa a mão. Pareceu-lhe que por aí não ia bem; quis antes puxar-lhe pelo vestido, e ia já levantando a mão quando também se arrependeu. Durante todos esses movimentos o pobre rapaz suava a não poder mais. Enfim, um incidente veio tirá-lo da dificuldade.
Ouvindo passos no corredor, entendeu que alguém se aproximava, e tomado de terror por se ver apanhado naquela posição, deu repentinamente dois passos para trás, e soltou um - ah! - muito engasgado. Luizinha, voltando-se, deu com ele diante de si, e recuando espremeu-se de costas contra a rótula: veio-lhe também outro - ah! - porém não lhe passou da garganta e conseguiu apenas fazer uma careta.
A bulha dos passos cessou sem que ninguém chegasse à sala; os dois levaram algum tempo naquela mesma posição, até que Leonardo, por um supremo esforço, rompeu o silêncio, e com voz trêmula e em tom o mais sem graça que se possa imaginar perguntou desenxabidamente:

- A senhora... sabe... uma coisa?
E riu-se com uma risada forçada, pálida e tola.
Luizinha não respondeu. Ele repetiu no mesmo tom:
- Então... a senhora... sabe ou... não sabe?
E tornou a rir-se do mesmo modo. Luizinha conservou-se muda.
- A senhora bem sabe... é porque não quer dizer...
Nada de resposta.
- Se a senhora não ficasse zangada... eu dizia...
Silêncio.
- Está bom... Eu digo sempre... mas a senhora fica ou não fica zangada?
Luizinha fez um gesto de quem estava impacientada.
- Pois então eu digo... a senhora não sabe... eu... eu lhe quero... muito bem...

Luizinha fez-se cor de uma cereja; e fazendo meia volta à direita, foi dando as costas ao Leonardo e caminhando pelo corredor. Era tempo, pois alguém se aproximava.
Leonardo viu-a ir-se, um pouco estupefato pela resposta que ela lhe dera, porém, não de todo descontente: seu olhar de amante percebera que o que se acabava de passar não tinha sido totalmente desagradável a Luizinha.
Quando ela desapareceu, soltou o rapaz um suspiro de desabafo e assentou-se, pois se achava tão fatigado como se tivesse acabado de lutar braço a braço com um gigante.
(Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um Sargento de Milícias.)



1. (Unirio 2003)  De acordo com a norma culta da língua, o trecho destacado - "- Se a senhora não ficasse zangada... eu dizia..." - apresenta uma inadequação no uso do tempo verbal.
Essa inadequação pode ser corrigida com a seguinte alteração:
a) "- Se a senhora não ficasse zangada... eu dissera..."   
b) "- Se a senhora não ficasse zangada... eu diria..."   
c) "- Se a senhora não ficasse zangada... eu direi..."   
d) "- Se a senhora não ficasse zangada... eu digo..."   
e) "- Se a senhora não ficasse zangada... dirá..."   




TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Os leitores estarão lembrados do que o compadre dissera quando estava a fazer castelos no ar a respeito do afilhado, e pensando em dar-lhe o mesmo ofício que exercia, isto é, daquele arranjei-me, cuja explicação prometemos dar. Vamos agora cumprir a promessa.
Se alguém perguntasse ao compadre por seus pais, por seus parentes, por seu nascimento, nada saberia responder, porque nada sabia a respeito. Tudo de que se recordava de sua história reduzia-se a bem pouco. Quando chegara à idade de dar acordo da vida achou-se em casa de um barbeiro que dele cuidava, porém que nunca lhe disse se era ou não seu pai ou seu parente, nem tampouco o motivo por que tratava da sua pessoa. Também nunca isso lhe dera cuidado, nem lhe veio a curiosidade de indagá-lo.
Esse homem ensinara-lhe o ofício, e por inaudito milagre também a ler e a escrever. Enquanto foi aprendiz passou em casa do seu... mestre, em falta de outro nome, uma vida que por um lado se parecia com a do fâmulo*, por outro com a do filho, por outro com a do agregado, e que afinal não era senão vida de enjeitado, que o leitor sem dúvida já adivinhou que ele o era. A troco disso dava-lhe o mestre sustento e morada, e pagava-se do que por ele tinha já feito.

(*) fâmulo: empregado, criado

(Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias)












2. (Fuvest 2003)  Neste excerto, mostra-se que o compadre provinha de uma situação de família irregular e ambígua. No contexto do livro, as situações desse tipo
a) caracterizam os costumes dos brasileiros, por oposição aos dos imigrantes portugueses.   
b) são apresentadas como consequência da intensa mestiçagem racial, própria da colonização.   
c) contrastam com os rígidos padrões morais dominantes no Rio de Janeiro oitocentista.   
d) ocorrem com frequência no grupo social mais amplamente representado.  
e) começam a ser corrigidas pela doutrina e pelos exemplos do clero católico.   
  



3. (Ufrn 2002)  Em relação a "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antonio de Almeida, pode-se afirmar que
a) o personagem central narra suas aventuras no Rio de Janeiro à época de Dom João VI.   
b) o romance se distancia do caráter idealizante que marcou a prosa romântica brasileira.   
c) o romance focaliza a trajetória de um militar empenhado em manter os ideais monárquicos.   
d) a obra pode ser vista como um romance ligado à vida das elites brasileiras da época.   
  

4. (Pucsp 2002)  Das alternativas abaixo, indique a que CONTRARIA as características mais significativas do romance "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida.
a) Romance de costumes que descreve a vida da coletividade urbana do Rio de Janeiro, na época de D. João VI.   
b) Narrativa de malandragem, já que Leonardo, personagem principal, encarna o tipo do malandro amoral que vive o presente, sem qualquer preocupação com o futuro.   
c) Livro que se liga aos romances de aventura, marcado por intenção crítica contra a hipocrisia, a venalidade, a injustiça e a corrupção social.   
d) Obra considerada de transição para um novo estilo de época, ou seja, o Realismo/Naturalismo.   
e) Romance histórico que pretende narrar fatos de tonalidade heroica da vida brasileira, como os vividos pelo Major Vidigal, ambientados no tempo do rei.   
  


5. (Ufsm 2002)  Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas no período a seguir.

O meirinho __________ e a aldeã __________, vindos juntos de Portugal, têm um filho ilegítimo, __________, personagem central do livro __________.
a) Leonardo Pataca - Maria da Hortaliça - Leonardo - "Memórias de um sargento de milícias"   
b) Olímpico de Jesus - Macabéa - Olímpico de            Jesus - "A hora da estrela"   
c) Vidigal - Maria da Hortaliça - Leonardo Pataca - "Memórias de um sargento de milícias"   
d) Rodrigo S. M. - Macabéa - Olímpico de Jesus - "A hora da estrela"   
e) Miranda - Bertoleza - João Romão - "O cortiço"   



TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
            Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe1em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado, e que exercia, como dissemos, desde tempos remotos. Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria da hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia2rechonchuda e bonitona. O Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade mal apessoado, e sobretudo era maganão3. Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes, e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos.
(Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias)

Glossário:
1 algibebe: mascate, vendedor ambulante.
2 saloia: aldeã das imediações de Lisboa.
3 maganão: brincalhão, jovial, divertido.











6. (Fuvest 2002)  No excerto, o narrador incorpora elementos da linguagem usada pela maioria das personagens da obra, como se verifica em:
a) aborrecera-se porém do negócio.   
b) de que o vemos empossado.   
c) rechonchuda e bonitota.   
d) envergonhada do gracejo.   
e) amantes tão extremosos.   
  


7. (Fuvest 2002)  Neste excerto, o modo pelo qual é relatado o início do relacionamento entre Leonardo e Maria
a) manifesta os sentimentos antilusitanos do autor, que enfatiza a grosseria dos portugueses em oposição ao refinamento dos brasileiros.   
b) revela os preconceitos sociais do autor, que retrata de maneira cômica as classes populares, mas de maneira respeitosa a aristocracia e o clero.  
c) reduz as relações amorosas a seus aspectos sexuais e fisiológicos, conforme os ditames do Naturalismo.   
d) opõe-se ao tratamento idealizante e sentimental das relações amorosas, dominante no Romantismo.   
e) evidencia a brutalidade das relações inter-raciais, própria do contexto colonial-escravista.   
  


8. (Ufpe 2001)                                 TEXTO 1

" - és filho de uma pisadela e de um beliscão; mereces que um pontapé te acabe a casta. (...) O menino suportou tudo com coragem de mártir, apenas abriu ligeiramente a boca quando foi levantado pelas orelhas: mal caiu, ergueu-se, embarafustou pela porta fora, e em três pulos estava dentro da loja do padrinho, e atracando-se-lhe às pernas."
            (Manuel A. de Almeida: "Memórias de um Sargento de Milícias").
                                   TEXTO 2

"- Algum tempo hesitei se deveria abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; (...) Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco."
            (Machado de Assis: "Memórias Póstumas de Brás Cubas").

Após a leitura atenta dos textos 1 e 2, assinale a alternativa correta.
a) Apesar de ambos os romances intitularem-se 'memórias', o primeiro não é contado em 1a pessoa e relata a vida do protagonista depois que se torna sargento de milícias; já o texto de Machado traz um " defunto autor".   
b) Manuel de Almeida aproxima-se da linguagem coloquial falada no Brasil de seu tempo, enquanto Machado de Assis, não.   
c) O texto de Manuel de Almeida, considerado precursor do Realismo em nossas letras, e o de Machado traduzem o cientificismo dominante na época.   
d) No texto 1, o autor descreve a forma de tratar as crianças na nobreza no Rio de Janeiro de D. João VI.   
e) É característica notória da obra de Machado a ironia, traço que não é apresentado no texto 2.   


Gabarito:  

Resposta da questão 1: [B]  

Resposta da questão 2: [D]  

Resposta da questão 3: [B]  

Resposta da questão 4: [E]  

Resposta da questão 5: [A]  

Resposta da questão 6: [C]  

Resposta da questão 7: [D]  

Resposta da questão 8: [B]  

Exercícios Vidas secas

Posted by Profº Monteiro on junho 01, 2016




VIDAS SECAS

TESTES

1. (FUVEST 2001) Um escritor classificou Vidas secas como “romance desmontável”, tendo em vista sua composição descontínua, feita de episódios relativamente independentes e seqüências parcialmente truncadas. Essas características da composição do livro

a) constituem um traço de estilo típico dos romances de Graciliano Ramos e do Regionalismo nordestino.
b) indicam que ele pertence à fase inicial de Graciliano Ramos, quando este ainda seguia os ditames do primeiro momento do Modernismo.
c) diminuem o seu alcance expressivo, na medida em que dificultam uma visão adequada da realidade sertaneja.
d) revelam, nele, a influência da prosa seca e lacônica de Euclides da Cunha, em Os sertões.
e) relacionam-se à visão limitada e fragmentária que as próprias personagens têm do mundo.

2. (FUVEST 2002) Considere as seguintes comparações entre Vidas secasA hora da estrela:

I. Os narradores de ambos os livros adotam um estilo sóbrio e contido, avesso a expansões emocionais, condizente com o mundo de escassez e privação que retratam.
II. Em ambos os livros, a carência de linguagem e as dificuldades de expressão, presentes, por exemplo, em Fabiano e Macabéa, manifestam aspectos da opressão social.
III. A personagem sinha Vitória (Vidas secas), por viver isolada em meio rural, não possui elementos de referência que a façam aspirar por bens que não possui; já Macabéa, por viver em meio urbano, possui sonhos típicos da sociedade de consumo.

Está correto apenas o que se afirma em

a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.

3. (FUVEST 2008) Considere as seguintes afirmações sobre três obras literárias:

Na primeira obra, o catolicismo apresenta-se como religião absoluta, cujos princípios sólidos mais sobressaem ao serem contrapostos às desordens humanas. Na segunda obra, diferentemente, ele aparece como religião relativamente maleável, cujos preceitos as personagens acabam por adaptar a seus desejos e conveniências, sem maiores problemas de consciência subseqüentes. Já na terceira obra, o catolicismo comparece sobretudo como parte de um resgate mais amplo de valores familiares e tradicionais, empreendido pelo protagonista.



Essas afirmações referem-se, respectivamente, às seguintes obras:

a) Dom CasmurroMemórias de um sargento de milícias Auto da barca do inferno.
b) Memórias de um sargento de milícias, “A hora e vez de Augusto Matraga” e Vidas secas.
c) “A hora e vez de Augusto Matraga”, A cidade e as serras Memórias de um sargento de milícias.
d) Auto da barca do inferno, Dom Casmurro e A cidade e as serras.
e) A cidade e as serrasVidas secas Auto da barca do inferno.

4. (FUVEST 2008) Considere as seguintes comparações entre Vidas secasIracema:

I. Em ambos os livros, a parte final remete o leitor ao início da narrativa: emVidas secas, essa recondução marca o retorno de um fenômeno cíclico; emIracema, a remissão ao início confirma que a história fora contada em retrospectiva, reportando-se a uma época anterior à da abertura da narrativa.
II. A necessidade de migrar é tema de que Vidas secas trata abertamente. O mesmo tema, entretanto, já era sugerido no capítulo final de Iracema, quando, referindo-se à condição de migrante de Moacir, “o primeiro cearense”, o narrador pergunta: “Havia aí a predestinação de uma raça?”
III. As duas narrativas elaboram suas tramas ficcionais a partir de indivíduos reais, cuja existência histórica, e não meramente ficcional, é documentada: é o caso de Martim e Moacir, em Iracema, e de Fabiano e sinha Vitória, emVidas secas.

Está correto o que se afirma em

a) I, somente.
b) II, somente.
c) I e II, somente.
d) II e III, somente.
e) I, II e III.
5. (FUVEST 2009) Quando nos apresentam os homens vistos pelos olhos dos animais, as narrativas em que aparecem o burrinho pedrês, do conto homônimo (Sagarana), os bois de “Conversa de bois” (Sagarana) e a cachorra Baleia (Vidas secas) produzem um efeito de

a) indignação, uma vez que cada um desses animais é morto por algozes humanos.
b) infantilização, uma vez que esses animais pensantes são exclusivos da literatura infantil.
c) maravilhamento, na medida em que os respectivos narradores servem-se de sortilégios e de magia para penetrar na mente desses animais.
d) estranhamento, pois nos fazem enxergar de um ponto de vista inusitado o que antes parecia natural e familiar.
e) inverossimilhança, pois não conseguem dar credibilidade a esses animais dotados de interioridade.



Gabarito
1)E 2)B 3)D 4)C 5)D
LITERATURA

VIDAS SECAS


QUESTÕES DISCURSIVAS

1. (UNICAMP 1998) Em Vidas Secasapós ter vencido as dificuldades, postas no início da narrativa, Fabiano afirma: “Fabiano, você é um homem...”. Corrige-se logo depois: “Você é um bicho, Fabiano”. Em seguida, encontrando-se com a cadelinha, diz: “Você é um bicho, Baleia”. Ao chamar a si mesmo e a Baleia de “bicho”, Fabiano estabelece uma identificação com ela. Na leitura de Vidas Secas, podem-se perceber vários motivos para essa identificação. Cite dois
desses motivos.

Fabiano chega a afirmar que se sente resistente como um bicho, por sobreviver à seca, do
mesmo modo que Baleia; ele também tem enorme dificuldade para se expressar, fazendo-o por meio de gestos e de sons guturais como “Hum!”, “An!”, o que poderia ser comparados aos latidosde Baleia. Fabiano também tem dificuldades para elaborar idéias mais complexas; quase sempre fica confuso, o que pode se relacionar à irracionalidade de Baleia.

2. (UNICAMP 2008) Leia o seguinte trecho do capítulo “Contas”, de Vidas Secas.

Tinha a obrigação de trabalhar para os outros, naturalmente, conhecia do seu lugar. Bem. Nascera com esse destino, ninguém tinha culpa de ele haver nascido com um destino ruim. Que fazer? Podia mudar a sorte? Se lhe dissessem que era possível melhorar de situação, espantar-se-ia. (...) Era a sina. O pai vivera assim, o avô também. E para trás não existia família. Cortar
mandacaru, ensebar látegos – aquilo estava no sangue. Conformava-se, não pretendia mais nada. Se lhe dessem o que era dele, estava certo. Não davam. Era um desgraçado, era como um cachorro, só recebia ossos. Por que seria que os homens ricos ainda lhe tomavam uma parte dos ossos? Fazia até nojo pessoas importantes se ocuparem com semelhantes porcarias.
(Graciliano Ramos, Vidas Secas. 103ª. ed., Rio de Janeiro: Editora Record, 2007, p.97.)

a) Que visão Fabiano tem de sua própria condição? Justifique.

Trata-se de uma visão extremamente alienada e conformista (“Conformava-se, não pretendia mais nada”, diz ele), justificada, inclusive, por uma lógica determinista. Fabiano aceita a exploração e a condição social miserável em que vive como se fossem naturais, produtos de uma sina (“Nascera com esse destino, ninguém tinha culpa de ele haver nascido com um destino ruim. Que fazer? Podia mudar a sorte? [...] Era a sina.”), ou mesmo de uma herança genética, pois, segundo ele, o “pai vivera assim, o avô também [...] aquilo estava no sangue”.

b) Explique a referência que ele faz aos “homens ricos” com base no enredo do livro.

Os “homens ricos” mencionados no trecho são homens de posse, senhores de terras, exploradores como o proprietário das terras em que Fabiano se instala com sua família. Como não tinha roça e apenas se limitava a semear na vazante uns punhados de feijão e milho, Fabiano precisava recorrer à feira para a compra de mantimentos, a fim de alimentar a família. Para isso, negociava os poucos bezerros e cabritos que possuía com o
proprietário das terras, que os comprava a preços baixíssimos. O valor que conseguia com os animais não era suficiente para se manter e precisava recorrer ao patrão, que lhe cobrava juros altíssimos pelos empréstimos. As contas do patrão nunca batiam com as de Sinhá Vitória, em virtude dos juros exorbitantes cobrados por tais empréstimos. Quando Fabiano reclamava, o patrão, irritado, mandava-o procurar outra fazenda. Fabiano, então,
sem alternativa, calava-se e se submetia aos desmandos e à exploração do patrão.

3. (FUVEST 2008) Em seu poema chamado “Graciliano Ramos:”, João Cabral de Melo Neto coloca-se no lugar desse escritor e desenvolve quatro afirmações:

I. “Falo somente com o que falo:” (= com os meios que uso para expressar-me, com o estilo que emprego).
II. “Falo somente do que falo:” (= dos assuntos de que trato, dos aspectos que privilegio).
III. “Falo somente por quem falo:” (= em nome de quem falo, a quem dou voz em minha obra).
IV. “Falo somente para quem falo:” (= a quem me dirijo ao escrever, de que modo trato o leitor).

Imitando o procedimento de João Cabral, coloque-se no lugar de Graciliano Ramos e desenvolva cada uma dessas quatro afirmações, tendo como referência o romance Vidas secas.

I. O estilo adotado é seco, despojado, descarnado (no dizer de Alfredo Bosi). Esses aspectos são confirmados pela valorização do período e do parágrafo curtos, pelo predomínio das orações coordenadas e justapostas; pela economia dos elementos
descritivos (que só estão presentes quando imprescindíveis para a situação que nomeiam). A linguagem, reduzida ao mínimo, mimetiza a miséria do meio e dos próprios personagens.
II. Os assuntos de Vidas Secas são a brutalização do homem, resultante dos elementos geográficos (como a seca), mas, sobretudo de uma ordem sócio-político-econômica que divide os homens entre os donos da terra e do poder (latifundiários e governo) e aqueles que só têm a força de trabalho para oferecer (retirantes) e a incomunicabilidade resultante dessa realidade.
III. O narrador do romance Vidas Secas fala em nome desses oprimidos que não têm voz; daí a presença de um narrador em terceira pessoa onisciente, necessário para exteriorizar os anseios, os sonhos e as necessidades desses desvalidos.
IV. O narrador se dirige ao leitor, que, como ele, está distanciado do universo dos retirantes e pode compreender toda a dinâmica (em seus aspectos sociais, políticos e econômicos) dessa trágica realidade. Essa postura do narrador se evidencia claramente no capítulo final do romance, quando a família vislumbra um futuro melhor na cidade grande e o narrador, irônico e visando à percepção do leitor, afirma: "e o sertão continuaria a mandar para a cidade homens fortes como Fabiano e sinha Vitória".

4. (FUVEST 2009) Leia as afirmações abaixo e responda ao que se pede.

I. A dureza do clima, que se manifesta principalmente nas grandes secas periódicas, explica todas as aflições de Fabiano, ao longo da narrativa deVidas secas, de Graciliano Ramos.

a) Você concorda com essa afirmação (I)? Justifique sucintamente sua resposta.

Não é possível concordar com a afirmação, uma vez que todas as aflições de Fabiano não se explicam apenas pela dureza do clima: ele é oprimido também por fatores do meio social em que vive; basta lembrar os episódios do soldado amarelo e de suas relações com o patrão.

II. Apesar de quase atrofiadas na sua rusticidade, as personagens de Vidas secas, de Graciliano Ramos, conservam um filete de investigação da interioridade: cada uma delas se perscruta, reflete, tenta compreender a si e ao mundo, ajustando-o à sua visão.

b) Você considera essa afirmação (II) correta? Justifique brevemente sua resposta.

Sim, pois, apesar de privadas de linguagem, as personagens têm sua interioridade conhecida graças ao recurso do discurso indireto livre, em que, no meio da fala do narrador, irrompe o próprio pensamento da personagem.