ANÁLISE LITERÁRIA NO EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 20.20-28

Posted by Profº Monteiro on setembro 02, 2011
ANÁLISE LITERÁRIA NO EVANGELHO SEGUNDO MATEUS 20.20-28
Laércio Rios Guimarães1
RESUMO
Trata da análise do texto bíblico partindo das normas para análise literária concentrando-se no texto do evangelho de Mateus no capítulo 20: 20-28. Apresenta a visão e estratégia do narrador, o tempo (velocidade e ordem), o cenário da história; identifica os personagens e traça o perfil e ação deles; e descreve um fio condutor de enredo com os itens exposição, tensão, resolução e desfecho. Toma como referencial teórico as idéias de Daniel Marguerat e Yvan Bourquin, além de João Cesário Leonel Ferreira. Conclui apresentando uma aplicação específica da narrativa à vida do leitor.
Palavras-chave
Análise literária; narrativa bíblica; tensão; resolução; desfecho.
ABSTRACT
This article is a literary analysis of the biblical text found in Gospel of Matthew chapter 20, verses 20 to 28. The narrator’s view and strategy, the time (speed and order of facts), the story’s scenario were herein presented, and also characters were identified together with their profile and type of action. Moreover, this article describes the narrative line of thought composed by exposition, tension, resolution and conclusion. Theory references used were the concepts of Daniel Marguerat, Yvan Bourquin and João Cesário Leonel Ferreira. At last, a specific application of the narrative is made to the reader’s life.
Key words
Literary Analysis; Biblical Narrative; Tension; Resolution; Conclusion.
1 Mestrando em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
78
Introdução
O presente trabalho procura apresentar uma análise bíblica partindo das normas literárias para interpretação das narrativas. Não se trata da única, mas é uma excelente ferramenta que pode dirigir o leitor ao entendimento e aplicação do texto, fazendo-o se aprofundar e adentrar na história narrada, estreitando mais o caminho entre o texto bíblico e o homem de nossa época – tarefa que tem se tornado árdua nos últimos tempos, dada a distância de tempo e conceito atuais com relação aos textos bíblicos. A riqueza da literatura e narrativa bíblica ficarão evidentes aos olhos de qualquer leitor que poderá olhá-la com mais seriedade e menor desconfiança.
Texto Bíblico: Mateus 20.20-282
20 Então, se chegou a ele a mulher de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pediu-lhe um favor.
21 Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda.
22 Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.
23 Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai.
24 Ora, ouvindo isto os dez, indignaram-se contra os dois irmãos.
25 Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles.
26 Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;
27 e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo;
28 tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
Narrador
O narrador se apresenta no texto em terceira pessoa e faz uso da onisciência tanto quanto da onipresença. Os diálogos apresentam os detalhes e os desejos da esposa de
2 Versão utilizada: BÍBLIA Sagrada. 2. ed. Revista e atualizada no Brasil. Tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
79
Zebedeu bem como de seus filhos. Concomitantemente a isso, também as respostas de Jesus informam ao leitor o que se passa na mente dele.
No entanto, não se informa ao leitor como se deu a indignação dos dez discípulos contra os dois irmãos. Teriam eles externado este sentimento? A conversa se deu somente entre eles? Quem sabe algum tipo de suspiro ou burburinho que se podia ouvir no ar? Ou a expressão no rosto de cada um poderia manifestar a contrariedade pelo pedido dos outros dois? O narrador deixa ao leitor a imagem do que ali se passou, convidando-o a se colocar na cena, a entender o sofrimento e luta pelos quais Jesus passou ao perceber a falta de entendimento de seus discípulos mesmo depois de todos seus ensinos referentes à humildade e ao serviço (cf. Mateus 18.1-4; 19.14, 21), e à limitação e defeitos humanos presentes neles.
Tempo
O narrador não explicita o tempo cronológico no texto em si. Pode-se recorrer ao texto anterior, no capítulo 20.17, onde o narrador especifica que Jesus estava para subir, juntamente com seus discípulos, para Jerusalém onde seu ministério terreno teria fim. É nesse momento que a mulher de Zebedeu, com seus dois filhos, faz o pedido por eles e para eles. A decisão de chegar a Jerusalém traz à tona o momento de cumprimento do reino que estava sendo prometido e quando a promessa de assentar-se no trono da glória poderia se cumprir (cf. 19.28). Chegar a Jerusalém é, na mente da mulher e de seus filhos, o momento em que tudo se concretizaria e onde eles poderiam ter primazia entre os demais discípulos.
Há ainda outros aspectos presentes nesta narrativa que tratam do tempo e que se tornam relevantes para o entendimento do texto:
Velocidade da narrativa
Tomando como ponto de partida as idéias de Marguerat e Bourquin (2009: 107-112) sobre velocidade na qual se apresentam a (1) pausa descritiva (desaceleração da narração, quando um segmento da narrativa corresponde a uma duração nula no plano da história contada), (2) a cena (ritmo considerado normal em que narrativa e história contada
80
caminham em tempo igual), (3) o sumário (narrativa é acelerada usando-se poucas palavras para relatar um período longo da história contada) e (4) a elipse (a narração adota uma velocidade extrema, passando em silêncio um período da história contada), o texto pode apresentar a seguinte divisão:
v. 20a - Pausa descritiva:
Então, se chegou a mulher de Zebedeu, com seus filhos [...]
v. 20b -23 – Cena:
[...] e, adorando-o, pediu-lhe um favor.
Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda.
Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.
Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo, é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai
v. 24 –Pausa Descritiva:
Ora, ouvindo isto os dez, indignaram-se contra os dois irmãos
v. 25-28 – Cena:
Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos
Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;
e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo;
tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
Ordem da narrativa
Seguindo ainda Marguerat e Bourquin (2009: 112-119) a ordem da narrativa subdivide-se em: (1) sincronia (que se detém no tempo da história contada em seu começo, meio e fim) e (2) anacronia (que se caracteriza pelos saltos da narrativa seja para o futuro – denominado prolepse -, seja para o passado – denominado analepse). Dessa forma, o texto apresenta os seguintes elementos:
81
v. 20 – sincronia:
Então, se chegou a mulher de Zebedeu, com seus filhos e, adorando-o, pediu-lhe um favor.
v. 21 – anacronia (prolepse externa):
Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda.
v. 22 – anacronia (prolepse mista):
Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.
v. 23 – anacronia (prolepse mista):
Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha
direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo, é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai.
v. 24-27 – sincronia:
Ora, ouvindo isto os dez, indignaram-se contra os dois irmãos.
Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles.
Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;
e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo;
v. 28 – anacronia (prolepse interna):
tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
Pode-se também trabalhar com a idéia de (1) tempo mortal (representado pelos dados históricos) e (2) tempo monumental (representado pelo tempo escatológico) que dará o seguinte quadro:
Mulher de Zebedeu e Dois Filhos
Jesus
Tempo Mortal: Assentar-se à direita e à esquerda no reino de Jesus
Tempo Monumental: sentar-se à direita e à esquerda compete ao Pai
Tempo Mortal: Bebereis o meu cálice
Tabela 1 – Gênero de Tempo em Mateus 20.20-28
A perspectiva de tempo adotada por Jesus, parece ser a interpretação de KECK et al. (1995: 397) que chama o tempo monumental de futuro ultimato e o tempo mortal de futuro imediato:
82
Há uma marcante progressão nos três “Filho do Homem” ditos nesta sessão. Primeiro, um futuro ultimato: O Filho do Homem sentará no seu glorioso trono (19:28). Esta declaração da vitória escatológica do reino de Deus é representada pela base de toda instrução de 19:1-20:34. Segundo, trata-se do futuro imediato: o quadro do sofrimento e vindicação do Filho do Homem (20:18-19). Isso é o que os discípulos têm olhado através do curto significado. Terceiro diz respeito ao presente: a figura da auto-doação do Filho do Homem servindo aos outros (20.28). Este é o modelo para a própria vida e ministério presente dos discípulos (tradução nossa).
Cenário
Responder onde a narrativa ocorre, olhando somente para o texto, traz certa dificuldade. É necessário recorrer ao contexto anterior no capítulo 20.17-19 que afirma que Jesus está para subir a Jerusalém a fim de cumprir o objetivo máximo de seu ministério terreno: ser condenado à morte pelos sacerdotes e escribas, ressuscitando, porém ao terceiro dia. O capítulo 20.29 especifica o local em que a narrativa ocorre, qual seja, a cidade de Jericó de onde eles saem imediatamente depois. Hendriksen confirma isso ao dizer:
Não há nada de preciso acerca de “então”, nem declara Mateus exatamente onde se deu o evento. À luz de uma comparação entre o versículo 18 e o 19 podemos, não obstante, concluir, com boa porcentagem de probabilidade, que ocorreu no caminho para Jerusalém via Jericó (2001: 342).
Tendo poucos dados geográficos neste trecho da narrativa, o enquadramento na perícope deve ser visto muito mais como social e para sua explicação é necessário recorrer ao contexto de desejo de poder na expectativa do reino messiânico. O pedido da mãe dos filhos de Zebedeu é de que eles tenham posição privilegiada quando Jesus reinar sobre Israel e sobre o mundo. Obviamente, pela resposta e comparação dadas por Jesus no versículo 25, o referencial para aqueles homens que estão ao seu redor é o do próprio poder estabelecido naquela época, ou seja, do poder romano com toda sua estrutura. Jesus apresenta outro referencial que vai de encontro àquele que estava na mente da mãe e de seus dois filhos, assim como na dos demais discípulos. Ele inverte o sentido, trazendo como modelo para o cristianismo as pessoas da base da pirâmide social: os servos ou
83
escravos que, na verdade, dentro do padrão romano não passavam de um simples objeto nas mãos de seus proprietários.
A ideia de servir já tinha sido ensinada por Jesus, como pode ser visto em 18.1-5; 19.29-30 e 20.16. Não é difícil supor, portanto, que o conceito estivesse bem evidente na mente de seus discípulos e que, dessa forma, eles deveriam ter entendido tal ensino como a base para a criação de uma nova ordem e de um novo padrão de relacionamento entre eles e os seus futuros seguidores. O reino messiânico não copia os padrões dos reinos dos homens: ele é um reino de glória baseado no serviço e não na opressão e no domínio do mais forte sobre os mais fracos.
Personagens
A ação da narrativa é desenvolvida pelos personagens ali presentes. O texto apresenta-os da seguinte forma: (1) os dez, (2) os dois irmãos (3) Jesus (o Filho do Homem), e a (4) mulher de Zebedeu que não tem o nome conhecido pelo leitor.
Cabe classificar os personagens de acordo com sua função na narrativa. Eles podem ser protagonistas, antagonistas ou personagens cordão. Além desse aspecto, pode-se classificá-los de acordo com suas características: quando há riquezas de descrição tem-se um personagem redondo, quando o narrador apresenta poucas descrições do personagem tem-se um personagem plano, e quando apenas servem limitadamente ao enredo apresentam-se como personagens cordão. Por fim, os personagens podem ser classificados de acordo com o esquema chamado “actantancial” (MARGUERAT; BOURQUIN, 2009: 80-81) que apresenta o actante (aquele que pode realizar a transformação que está no centro da narrativa), o sujeito (aquele que corre atrás de um objeto que julga valioso), o destinador (mobiliza o sujeito para a busca do objeto que ele remeterá ao destinatário), o destinatário, o adjuvante (aquele que ajuda o sujeito na busca e seu objeto), e o oponente (obstáculos à busca do objeto).
Jesus, o Filho do Homem, é o protagonista da narrativa e o personagem principal. É a ele que é dirigido o pedido da mãe dos dois discípulos. Ele é solícito em ouvi-la; esclarecedor quanto à impossibilidade de atender o pedido; apaziguador, pois trata da questão do ciúme entre os seus discípulos. Por ser aquele que pode realizar a
84
transformação que está no centro da narrativa, Jesus atua como actante. É também o destinatário, pois é nele que o objetivo dos sujeitos da narrativa pode ser concretizado.
A Mulher de Zebedeu é um personagem cordão que está a serviço do enredo. Sua característica pode, talvez, ser medida pela maneira pela qual se dirige a Jesus. Ela o adora, pede-lhe um favor e intercede pelos filhos. Reverência, amor maternal e ambição podem ser vistos nesta personagem. Ela se torna a adjuvante da narrativa por tentar fazer seus dois filhos (os sujeitos) atingirem o seu objetivo pretendido.
Os dois filhos da mulher de Zebedeu também são protagonistas na narrativa uma vez que a mãe intercede por eles junto a Jesus e que os mesmos aparecem respondendo afirmativamente à pergunta: “Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber?” Estes dois discípulos são ambiciosos, usam a mãe para atingir seus objetivos e demonstram não entender qual o verdadeiro significado de “beber o cálice” proposto por Cristo. Talvez ainda estivessem pensando na perspectiva do reino de poder de Jesus:
Depois do próximo anúncio do sofrimento e morte inocente pelos quais passaria Jesus, os dois discípulos pedem poder e status na presente perícope. O texto providencia a ocasião para o ensino de Jesus sobre a natureza de servir e a prioridade no reino. Os filhos de Zebedeu mostram estar completamente errados em seu conceito de serviço. Eles demonstram que não entenderam o ensino de Jesus no material precedente a respeito dos primeiros serem os últimos e os últimos serem os primeiros (19:30; 20:16). O verdadeiro servo, o servo no reino, é alcançado somente através de serviço e auto-sacrifício. Jesus é o próprio exemplo supremo deste tipo de serviço (HAGNER, 1995: 578, tradução nossa).
Pode-se também destacar a atitude egoísta e arrogante em relação aos demais companheiros de discipulado. Eles são os sujeitos dentro do sistema “actancial”, pois correm atrás de um objeto que julgam valioso, no caso, uma posição privilegiada no reino de Cristo, o Filho do Homem.
Os outros dez discípulos, semelhantemente à mãe dos dois personagens, aqui aparecem como personagens cordão. A narrativa afirma claramente que se indignaram contra os outros dois companheiros pelo pedido que fizeram a Jesus. A indignação demonstra ciúme e de certa maneira o mesmo desejo por parte deles. Portanto, a visão sobre o reino de Jesus na mente dos dez era a mesma que existia na mente dos outros dois.
85
Tema
O versículo 26 apresenta o tema deste trecho: [...] quem quiser ser o primeiro entre vós, será esse o que vos sirva. Pode-se apresentar o tema: “A Grandiosidade para os Seguidores de Cristo é Servir”.
Enredo
O enredo mostra o desenvolvimento da história e é na tensão que se deve ter especial atenção, pois a partir dela o leitor terá sua expectativa despertada em relação aos fatos. A idéia sobre o reino é primordial neste desenvolvimento. Para os judeus que viviam na época de Jesus, o reino seria político com o devido restabelecimento da glória dos tempos de Davi exercendo poder e total vitória sobre os inimigos. Fica ainda mais fácil entender tal sentimento ao notar-se que Israel já amargara a angústia de ser submetido ao domínio de quatro impérios seguidos: o Babilônico, o Persa, o Grego e, agora, o Romano. Ladd descreve este pensamento judaico sobre o “reino” da seguinte maneira:
A oferta que nosso Senhor fez do reino de Deus não é o oferecimento de um reino político, nem compreendia bênçãos nacionais nem materiais. Os judeus desejavam um rei político para vencer seus inimigos.
[...] Temos descoberto que a esperança popular da vinda do reino de Deus significava o final do século e a manifestação do governo de Deus em poder e em glória, quando todo mal seria exterminado da terra [...].
[...] Este mesmo problema estava implicado na relação do messianismo do Nosso Senhor. Os judeus, inclusive os discípulos de Jesus, esperavam que o Messias fosse um rei “davídico” conquistador, diante do qual os inimigos de Deus e o povo de Deus não poderiam resistir; ou seria um ente sobrenatural que viria à terra com poder e grande glória para destruir aos maus e trazer o reino de Deus com poder (Daniel 7). Em qualquer destes casos, a vinda do Messias significaria o fim deste século e a aparição do reino de Deus em poder.
[...] O fato está em que os judeus da época de Nosso Senhor não entendiam o capítulo cinquenta e três de Isaías. Não sabiam que se referia ao Messias. Esperavam somente um rei conquistador, um poderoso Filho do Homem celestial em vez de um servo sofredor. Conseqüentemente, lhe deram as costas, recusaram segui-lo. Assim como rechaçaram Sua oferta do reino porque não era o que estavam buscando; rechaçaram Seu caráter messiânico porque não era um chefe conquistador, o tipo de monarca que eles desejavam (1988: 145-148, tradução nossa).
86
Registrado este aspecto histórico, pode-se sugerir uma estrutura para o presente texto que conta com as seguintes partes: (1) exposição inicial - que apresenta as circunstâncias da ação; (2) tensão ou nó – o elemento que introduz a tensão narrativa; (3) resolução ou desenlace – aplicação da transformação sobre o sujeito; e (4) desfecho ou situação final – exposição do novo estado após a eliminação da tensão ou dificuldade.
Exposição – v. 20-21
Apresenta os protagonistas (os filhos da mulher de Zebedeu e Jesus), a mulher de Zebedeu e o pedido para que os seus filhos tenham posição de proeminência no reino de Messiânico.
Tensão 1 – v. 22
A primeira tensão é marcada pelo questionamento de Jesus em relação ao pedido feito pela mãe em nome de seus filhos. Ele deixa claro que o pedido está sendo feito por falta de conhecimento em relação a tudo o que ele ensinou até ali e em relação às consequências dele ser realmente atendido, pois o resultado seria acompanhá-lo em seus sofrimentos identificados aqui com a expressão “beber o cálice” que está prestes a acontecer, e que pode ser melhor compreendida a partir da explicação de Hendriksen:
No modo de expressão do Antigo Testamento e dos que estão familiarizados com sua literatura, “beber o cálice”, quer dizer, beber seu conteúdo, significa passar de forma completa por esta ou aquela experiência, seja favorável (Sal. 16:5; 23:5; 116:13; Jer. 16:7) ou desfavorável (Sal. 11:6; 75:8; Is. 51:17, 22; Jer. 25:15; Lm. 4:21; Ez. 23:32; Hab. 2:16). Jesus também falou do cálice de seu amargo sofrimento (Mt. 26:39, 42; Mr. 14:36; Lc. 22:42). E no Novo Testamento veja-se também Ap. 14:10; 16:19; 17:4; 18:6. Então, estão estes discípulos dispostos a serem participantes de seus sofrimentos, quer dizer, dos sofrimentos por seu nome e por sua causa (10:16, 17, 38; 16:24; 2 Co. 1:5; 4:10; Gl. 6:17; Fil. 3:10; Col. 1:24; 1 Pe 4:13; Ap. 12:4, 13, 17). (2003: 555, tradução nossa).
O pedido é respondido com outra pergunta à qual se espera uma reação. Os dois irmãos respondem afirmativamente, persistindo assim em sua falta de conhecimento do que os esperava.
87
Resolução 1 – v. 23
A primeira tensão é solucionada parcialmente: se mesmo sem entender os dois irmãos queriam “beber do cálice”, então isto é o que iria acontecer. Mas o pedido continuaria em aberto. Há um conflito entre ideias e tempo: os dois discípulos pensam no reino terreno e no tempo mortal, enquanto Jesus trata do reino de Deus e do tempo monumental. Para fazer parte deste reino que tem perspectiva futura é necessário passar pelo mesmo caminho do Filho do Homem, que é o da humilhação para depois, sim, alcançar a devida exaltação. Até aqui eles desconheciam esse fato.
Tensão 2 – v. 24
Uma nova tensão é apresentada a partir do momento em que os dez discípulos restantes ficam indignados contra o pedido e contra os autores do pedido de glória. Mas o que teria trazido esta indignação e como ela teria ficado evidente? Como já mencionado no item sobre o narrador, este deixa a cena em aberto para que o leitor a imagine e olhe com mais atenção para a reação do protagonista, Jesus, do que para os demais personagens. Todavia, o fato de terem se indignado com os dois irmãos demonstra ciúmes, inveja e o desejo de terem o mesmo lugar solicitado pelos dois.
Resolução 2 – v. 25-27
A resolução para a segunda tensão vem do próprio Jesus de maneira extremamente didática: ele ensina e prova a possibilidade de obediência deste ensino pelo seu próprio exemplo. O modelo de seu reino é o serviço, tarefa que ele, o Filho do Homem, veio fazer para, então, passar a ser modelo para os súditos. Um pequeno gráfico comparativo pode deixar isso claro:
Reino de Cristo
o primeiro... será vosso servo
grande... será o que vos sirva
Reino dos Povos
governadores dominam
maiorais exercem autoridade
Tabela 2 – Reino de Cristo x Reino dos Homens
88
A resolução passa, obviamente, por uma mudança nas mentes de seus seguidores: o modelo não pode ser mais o que eles conhecem e pelo qual eles tanto almejavam. O modelo agora é a própria liderança e governo de Jesus.
Desfecho – v. 28
Jesus é o próprio exemplo de grandiosidade, pois sua missão é servir. Seu reino não é o que pensam os dois irmãos, a mãe e os dez discípulos. É o reino onde a humildade é a principal virtude dos que dele participam. Não é um reino onde alguns poucos exercem autoridade sobre muitos, mas onde o seu rei ensina o princípio de liderança serva onde muitos servirão uns aos outros, pois “o Filho do homem [...][veio] dar a sua vida em resgate de muitos” (20.28).
Vale à pena apresentar a estrutura quiástica presente no enredo que pode ser vista a seguir:
A – Pedido para sentar à direita e à esquerda (v. 21).
B – Questionamento sobre beber o cálice (v. 22).
B’ – Afirmação sobre beber o cálice (v. 23).
A’ – Resposta sobre sentar a direita e a esquerda (v. 23).
Conclusão
A análise narrativa de Mateus 20.20-28 ajuda os leitores a entenderem a tensão do ser humano diante da possibilidade de experimentar poder e glória. As características de cada personagem, a tensão trazida ao meio por um pedido que gera ciúmes e revela o caráter humano que deve ser transformado pelo ensino de Jesus, são elementos narrativos constitutivos da riqueza textual desta passagem bíblica. A pouca presença do narrador e a falta de detalhes convidam o leitor a penetrar na cena e imaginar a situação ali vivida. A relevância do texto e o ensino presente atingem o comportamento e a vida do homem atual que luta por glória e domínio a qualquer custo. O reino de Cristo é diferente: é formado pelos mansos, humildes, servos, pelos que consideram a si mesmos os menores de todos a
89
fim de serem considerados pelo Grande Rei como os maiores. Enfim, como Hendriksen expressa muito bem:
Jesus esteve enfatizando que em seu reino o maior é medido pela fita métrica da humildade (18.1-4); que a salvação pertence aos pequeninos e aos que se tornam semelhantes a eles (19.14); que confiar plenamente no Senhor, negar-se a si mesmo e dar, em vez de receber, é a marca registrada de seus verdadeiros seguidores (19.21) (2001: 341).
Referências bibliográficas
BÍBLIA de estudo de Genebra. Tradução de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Cultura Cristã; Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
HAGNER, Donald A. Matthew 1-14. Dallas: Word Books, 1995 (Word Biblical Commentary, v. 33b).
HENDRIKSEN, William. Mateus. v. 2. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
______. Exposicion del Evangelio Según San Mateo. Grand Rapids: Libros Desafio, 2003 (Comentario al Nuevo Testamento).
FERREIRA, João Cesário Leonel; AMARO, Diego Werner Cattermol; PROFETA, Helder Graciano. A relevância da teoria literária para a exegese bíblica: Um exercício em 1 Samuel 1.1-28. Revista Teológica, Seminário Presbiteriano do Sul, Campinas, v. 68, n. 65/66, p. 51-69, 2008.
KECK, Leander et al. Matthew. v. 3. Nashville: Abingdon Press, 1995 (The New Interpreter’s Bible).
LADD, George Eldon. El Evangelio del Reino. Miami: Editorial Vida, 1985.
MARGUERAT, Daniel e BOURQUIN, Yvan. Para ler as narrativas bíblicas: iniciação à análise narrativa. São Paulo: Loyola, 2009.

Análise Literária

Posted by Profº Monteiro on setembro 02, 2011

Em resumo é decomposição de um texto em suas partes constitutivas, para perceber o valor e o relacionamento que guardam entre si e para melhor compreender, interpretar e sentir a obra como um todo completo e significativo.
"A análise literária não se reduz, pois, ao comum comentário do texto, trabalho colateral ao mesmo texto, que não vai até à sua essência, nem à sua explicação, nem ao mero estudo da biografia do autor. Deve ir mais além, abrindo caminho para a crítica, para a história, que investigará sobre o autor e os antecedentes da obra; e para a teoria da literatura, que extrairá da obra os princípios suscetíveis de formulação estética". (Herbert Palhano, Língua e Literatura).
A análise de texto, ensina Nelly Novaes Coelho (0 Ensino da Literatura), é o esforço por descobrir-lhe a estrutura, seu movimento interior, o valor significativo de suas palavras e de seu tema, tendo em mira a unidade Intrínseca de todos esses elementos. Pressupõe o exame da estrutura do trecho e da linguagem literária (o vocabulário, o valor das categorias gramaticais usadas), o tipo de figuras predominantes (símiles, imagens, metáforas... ), o valor da sintaxe predominante (frase ampla ou breve, tipos de subordinação e coordenação, frases elípticas...), a natureza dos substantivos escolhidos; tempos ou modos de verbo, uso expressivo do artigo, da conjunção, dos advérbios, das preposições, etc., tudo em função do significado essencial do todo. Uma boa análise de texto, isto é, de fragmento só pode ser realizada quando o todo, a que ele pertence, tiver sido perfeitamente interpretado.
Um esquema-roteiro para a análise crítico-interpretativa de um romance, proposto pela referida professora é o seguinte:
a) Leitura lúdica para contato com a obra. Essa leitura é feita pelo aluno inicialmente.
b) Fixação da Impressão ou impressões mais vivas provocadas pela leitura. Essas impressões levarão à determinação do tema.
c) Fixação do tema ( idéia central, eixo nuclear da ação).
d) Leitura reflexiva norteada pelo tema, e pelas idéias principais pressentidas na obra. É durante esta segunda leitura da obra que se Inicia a análise propriamente dita, pois é o momento em que devem ser fixadas as características de cada elemento estrutural.
e) Anotação meticulosa de como os elementos constitutivos do romance foram trabalhados para Integrarem a estrutura global.
Esta anotação deverá obedecer, mais ou menos, a um roteiro disciplinador:
1) Análise dos fatos que integram a ação (Enredo).
2) Análise dos traços característicos daqueles que vão viver a ação (Personagens).
3) Análise da ação e personagens situadas no meio-ambiente em que se movem (Espaço).
4) Análise do encadeamento da ação e personagens numa determinada seqüência temporal (Tempo).
5) Análise dos meios de expressão de que se vale o autor: narração, descrição, monólogos, intervenções do autor, gênero literário escolhido, foco narrativo, linguagem, interpolações, etc.
Para o Professor Massaud Moisés, ( Guia Prático de Análise Literária ) o núcleo da atenção do analista sempre reside no texto. Em suma: o texto é ponto de partida e ponto de chegada da análise literária.
Fonte: Escola Vesper
Análise Literária
A obra literária é a representação perfeita da relação entre o homem e o mundo em que vive. Vigora na literatura uma correspondência bastante acentuada entre o sofrimento do sujeito enquanto ser agente, metafísico e o local da ação, espaço material e mensurável. Essa dicotomia é que contribui para a criação da obra de arte e é o que gera o conflito que vai desencadear um desfecho de acordo com a intencionalidade do criador. Para atingir essas condições, Rubem Fonseca quebra os padrões convencionais da estrutura narrativa em “Relato de ocorrência em que qualquer semelhança não é mera coincidência”.
Nesse conto, é narrada a história de um acidente que ocorre numa BR, envolvendo um ônibus, que atropela uma vaca, que morre logo em seguida. Os moradores das cercanias, ao verem o acidente, correm na direção do ocorrido. A princípio, pensa-se que vão procurar meios para socorrerem as vítimas. Mas não é que acontece. Eles correm é para aproveitar a carne da vaca morta, e deixam as vítimas à mercê da sorte.
Para desenvolver tal enredo, o autor imbrica duas formas de relatar os fatos da história: estilo de jornal e a narrativa pertencente ao gênero literário. “Na madrugada do dia três de maio, uma vaca marrom caminha na ponte do Rio Coroado, no quilômetro 53, em direção ao Rio de Janeiro”. Nesse fragmento, estão presentes os elementos que constituem o texto jornalístico: o local, a data, o fato, os envolvidos, como forma de comprovação dos acontecimentos. O texto só passa a assumir a estrutura da narrativa literária a partir do sexto parágrafo, quando Elias, uma das personagens do conto, dá início às ações que vão se desenrolar na ponte, local do acidente. “O desastre foi presenciado por Elias Gentil dos Santos e sua mulher Lucília, residente nas cercanias. Elias manda a mulher apanhar um facão em casa. Um facão? Pergunta Lucília.” .
Esse procedimento de unir o jornalístico e a narrativa literária não só contribui para a verossimilhança da história, como também revela um menor grau de formalidade na atitude de narrar, já que se trata de um texto que segue os padrões modernistas. O texto foge ao estilo machadiano, por exemplo. Contudo não deixa de externar a natureza e o comportamento do homem diante dos seus problemas. Rubem Fonseca, nesse conto, apresenta um realismo marcado através da análise de uma situação que revela a intenção de mostrar pessoas preocupadas apenas em matar a fome, fato que representa a realidade de uma grande parte da população.
A onisciência do narrador é percebida através da expressão dos sentimentos das personagens e do modo como os fatos são focalizados. O narrador parece acompanhar cada detalhe dos acontecimentos. “Surge Marcílio da Conceição. Elias olha com ódio para ele. Aparece também Ivonildo de Moura júnior. E aquela besta que não traz o facão! Pensa Elias. Ele está com raiva de todo mundo, suas mãos tremem. Elias cospe no chão várias vezes, com força, até que sua boca seca.” A presença do discurso indireto livre nesse fragmento vem reforçar a expressão da angústia que toma conta de Elias no momento em que os vizinhos também chegam para desfrutar a carne do animal.
Como se pode perceber, as personagens do conto Relato de ocorrência em que qualquer semelhança não é mera coincidência não são apenas um elemento da estrutura narrativa, mas habitantes da realidade ficcional, os quais representam seres que se confundem, em nível de recepção, com o ser humano e sua complexidade. Para criar essa realidade, o autor, sabendo que personagem representa pessoa, o faz através dos recursos lingüísticos, uma vez que se constrói a personagem ficcional por meio das palavras e, quanto ao modo como essa linguagem aparece no texto, nota-se claramente a marca da oralidade no processo da construção do discurso. Nesse conto, tanto narrador, quanto personagem possuem o mesmo nível na utilização da palavra. Isso porque se trata de uma forma de não distanciar lingüisticamente as personagens do narrador. É através da linguagem que, ao lermos o conto de Rubem Fonseca, nos deparamos com uma simulação do real, criada a partir da cosmovisão do autor.
Considerando que um texto é um tecido, em que todos os elementos que o compõem devem estar entrelaçados para que exista significação, o conto de Rubem Fonseca é a representação concreta dessa assertiva. Desde o foco narrativo até o espaço, tudo se encaixa de modo a favorecer a coerência dos episódios narrados. A história é contada em terceira pessoa, por um narrador que presencia todos os acontecimentos. Essa é uma forma cinematográfica de construir o enredo e, com esse procedimento narrativo, o leitor se coloca em contato mais direto com os fatos narrados. O espaço onde se passa a história, a ponte, exerce um papel importante uma vez que, por representar um local perigoso, aparece como o lugar onde ocorre o acidente, deixando várias vítimas sem vida.
Toda a história se passa em um curto intervalo de tempo, de modo linear.
udo acontece “Na madrugada do dia três de maio...” Como se pode notar, trata-se de um tempo cronológico, em que os fatos se dão numa ordem natural, isto é, do início para o final. Primeiro, acontece o acidente; depois, os moradores vão em busca da carne da vaca, que morre atropelada e, para finalizar a história, todos tiram proveito da situação. É, pois, o tempo um elemento responsável pela organização dos fatos no enredo desse conto.
Fonte: www.paratexto.com.br

Textos completos disponíveis em português:

Posted by Profº Monteiro on setembro 02, 2011
Textos completos disponíveis em português:
Livros:
  1. LEFFA, J. Vilson. Aspectos da leitura: uma perspectiva psicolingüística. Porto Alegre: Sagra-Luzzatto, 1996 (Coleção Ensaios, 7) [Nota: com a mesma paginação do texto impresso]

Artigos:
  1. LEFFA, Vilson J. Não tem mais sesta: gestão do tempo em cursos a distância. Letras & Letras. Vol. 25, n. 2, p. 145-162, jul/dez. 2009.

  2. LEFFA, Vilson J. Se mudo o mundo muda: ensino de línguas sob a perspectiva do emergentismo. Calidoscópio, Vol. 7, n. 1, p. 24-29, jan/abr 2009.

  3. LEFFA, Vilson. J. Vygotsky e o ciborgue. In: SCHETTINI, Rosemary H.; DAMIANOVIC, Maria Cristina; HAWI, Mona M.; SZUNDY, Paula Tatianne C.. (Orgs.). Vygotsky: uma revisita no início do século XXI.  São Paulo: Andross Editora, 2009,  p. 131-155.

  4. LEFFA, Vilson J.; VETROMILLE-CASTRO, Rafael. Texto, hipertexto e interatividade. Revista de Estudos da Linguagem. Vol. 16, n. 2, p. 165-192, jul/dez 2008.

  5. LEFFA, Vilson J. Malhação na sala de aula: o uso do exercício no ensino de línguas. Revista Brasileira de Lingüística Aplicada, Belo Horizonte,v. 8, n. 1, p. 139-158, 2008.

  6. LEFFA, Vilson J. Como produzir materiais para o ensino de línguas. In: LEFFA, Vilson J. (Org.). Produção de materiais de ensino: prática e prática. 2. ed. Pelotas: EDUCAT, 2008, p. 15-41

  7. LEFFA, Vilson J. Pra que estudar inglês, profe?: Auto-exclusão em língua-estrangeira. Claritas, São Paulo, v. 13, n. 1, p. 47-65, maio 2007.

  8. LEFFA, V. J. . A aprendizagem de línguas mediada por computador. In: Vilson J. Leffa. (Org.). Pesquisa em lingüística Aplicada: temas e métodos. Pelotas: Educat, 2006, p. 11-36.

  9. LEFFA, Vilson J. O dicionário eletrônico na construção do sentido em língua estrangeira . Cadernos de tradução , Florianópolis, n. 18, p. 319-340, 2006.

  10. LEFFA, Vilson J. Nem tudo que balança cai: Objetos de aprendizagem no ensino de línguas. Polifonia. Cuiabá, v. 12, n. 2, p. 15-45, 2006

  11. LEFFA, V. J. Língua estrangeira hegemônica e solidariedade internacional. In: KARWOSKI, Acir Mário; BONI, Valéria de Fátima Carvalho Vaz (Orgs.). Tendências contemporâneas no ensino de inglês. União da Vitória, PR: Kaygangue, 2006, p. 10-25.

  12. LEFFA, V. J. Uma ferramenta de autoria para o professor: o que é e o que que faz. Letras de Hoje. v. 41, no 144, p. 189-214, 2006.

  13. LEFFA, V. J. . Transdisciplinaridade no ensino de línguas: a perspectiva das Teorias da Complexidade. Revista Brasileira de Lingüística Aplicada, v. 6, n. 1, p. 27-49, 2006

  14. LEFFA, V. J. . Interação simulada: Um estudo da transposição da sala de aula para o ambiente virtual. In: Vilson J. Leffa. (Org.). A interação na aprendizagem das línguas. 2 ed. Pelotas: EDUCAT, 2006, v. 1, p. 181-218.

  15. LEFFA, Vilson J. Interação virtual versus interação face a face: o jogo de presenças e ausências. Trabalho apresentado no Congresso Internacional de Linguagem e Interação. São Leopoldo: Unisinos, agosto de 2005.

  16. LEFFA, Vilson J. O professor de línguas estrangeiras: do corpo mole ao corpo dócil. In: FREIRE, Maximina M.; ABRAHÃO, Maria Helena Vieira; BARCELOS, Ana Maria Ferreira. (Org.). Lingüística Aplicada e contemporaneidade. São Paulo: ALAB/Pontes, 2005, p. 203-218.

  17. LEFFA, V. J. Aprendizagem mediada por computador à luz da Teoria da Atividade.  Calidoscópio, São Leopoldo, v. 3, n. 1, p. 21-30, 2005.

  18. LEFFA, V. J. Amo a ama mas a ama ama o amo: brincatividades com trava-línguas. Investigações: Lingüística e Teoria Literária. Recife: v.17, n.2, p.243-253, 2004.

  19. LEFFA, Vilson J. Análise Automática da resposta do aluno em ambiente virtual. Revista Brasileira de Lingüística Aplicada. Belo Horizonte: v.3, n.2, p.25 - 40, 2003.

  20. LEFFA, Vilson J. Metodologia do ensino de línguas. In BOHN, H. I.; VANDRESEN, P. Tópicos em lingüística aplicada: O ensino de línguas estrangeiras. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1988. p. 211-236.

  21. LEFFA, Vilson J. O ensino do inglês no futuro: da dicotomia para a convergência. In: STEVENS, Cristina Maria Teixeira; CUNHA, Maria Jandyra Cavalcanti (orgs.). Caminhos e colheita: ensino e pesquisa na área de inglês no Brasil. Brasília: Editora UnB, 2003. p. 225-250.

  22. LEFFA, Vilson J. A língua portuguesa no novo milênio: a pesquisa como fonte de conhecimento para o ensino. In: HENRIQUES, Cláudio Cezar; PEREIRA, Maria Teresa Gonçalves (orgs.) Língua e transdisciplinaridade: rumos, conexões, sentidos. São Paulo: Contexto, 2002, p. 25-42.

  23. LEFFA, V. J. . Quando menos é mais: a autonomia na aprendizagem de línguas. In: Christine Nicolaides; Isabella Mozzillo; Lia Pachalski; Maristela Machado; Vera Fernandes. (Org.). O desenvolvimento da autonomia no ambiente de aprendizagem de línguas estrangeiras. Pelotas: UFPEL, 2003, v. , p. 33-49.

  24. O ensino de línguas estrangeiras nas comunidades virtuais. In: IV SEMINÁRIO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS, 2001, Goiânia. Anais do IV Seminário de Línguas Estrangeiras. Goiânia: UFG, 2002. v. 1, p. 95-108.

  25. Aspectos políticos da formação do professor de línguas estrangeiras. In: LEFFA, Vilson J. (Org.). O professor de línguas estrangeiras; construindo a profissão. Pelotas, 2001, v. 1, p.
    333-355.

  26. O texto em suporte eletrônico. DELTA - Revista de Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada, São Paulo, v. 17, n. especial, p. 121-136, 2001.

  27. Aspectos externos e internos da aquisição lexical. In: LEFFA, Vilson J. (Org.). As palavras e sua companhia; o léxico na aprendizagem. Pelotas, 2000, v. 1, p. 15-44.

  28. Como escrevem os que ensinam a escrever: Análise da produção textual de professores de língua portuguesa.Letras, Santa Maria, RS, n. 17, p. 67-92, 2000.

  29. A Lingüística Aplicada e seu compromisso com a sociedade. Trabalho apresentado no VI Congresso Brasileiro de Lingüística Aplica. Belo Horizonte: UFMG, 7-11 de outubro de 2001.

  30. O uso de dicionários on-line na compreensão de textos em língua estrangeira Trabalho apresentado no VI Congresso Brasileiro de Lingüística Aplica. Belo Horizonte: UFMG, 7-11 de outubro de 2001. p. 39 (resumo). (Arquivo em  html)

  31. Análise sintática: ensinando o que não se sabe para quem já sabe? In: FORTKAMP, Mailce Borges Mota; TOMITCH, Lêda Maria Braga (Orgs.) Aspectos da lingüística Aplicada; estudos em homenagem ao Professor Hilário Inácio Bohn. Florianópolis: Insular, 2000. p. 203-228.

  32. Perspectivas no estudo da leitura; Texto, leitor e interação social    In: LEFFA, Vilson J. ; PEREIRA, Aracy, E. (Orgs.) O ensino da leitura e produção textual; Alternativas de renovação. Pelotas: Educat, 1999. p. 13-37.

  33. A resolução da ambigüidade lexical sem apoio do conhecimento de mundoIntercâmbio. São Paulo, PUC : v. 6, Parte I, p. 869-889, 1996.   

  34. Fatores da compreensão na leitura. Cadernos do IL, Porto Alegre, v.15, n.15, p.143-159, 1996  

  35. A universidade e sua influência no ensino de 1o e 2o graus Trabalho apresentado na 47a Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. São Luís, 09-14 de agosto de 1995, p.176. (Resumo)  

  36. O processo de auto-revisão na produção do texto em língua estrangeira. Trabalho apresentado na 46a Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Vitória, 17 a 22 de julho de 1994. p. 447 (Resumo).

  37. Determinação sócio-lingüística do conceito de leitura. Trabalho apresentado na 46a Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Vitória, 17 a 22 de julho de 1994. p. 447 (Resumo).  

  38. Evolucão do conceito de leitura em alunos da 2a à 8a série. Anais. IX Encontro Nacional da ANPOLL. Caxambu, MG, 12 a 16 de junho de 1994, p. 113-115.        

  39. O ensino de línguas estrangeiras no contexto nacional. Contexturas, APLIESP, n. 4, p. 13-24, 1999.

  40. A resolução da anáfora no processamento da língua natural (Relatório de pesquisa)

LA e sociedade

Posted by Profº Monteiro on setembro 02, 2011
sociedade
REFERÊNCIA:
LEFFA, Vilson J. A lingüística aplicada e seu
compromisso com a sociedade. Trabalho
apresentado no VI Congresso Brasileiro de
Lingüística Aplica. Belo Horizonte: UFMG, 7-11
de outubro de 2001.
A LINGÜÍSTICA APLICADA E SEU
COMPROMISSO COM A SOCIEDADE
Vilson J. LEFFA (Universidade Católica de Pelotas)
ABSTRACT: The article analyzes trends and
priorities in Applied Linguistics. It is argued that the
area has a commitment to society, both in terms of
teaching and research. The experience it has with
diversity and inter-disciplinary approaches is
viewed as an asset for the solution of many of the
problems where language is used.
KEYWORDS: Applied Linguistics; interdisciplinarity;
methodology
0. Introdução
Uma diferença importante entre o texto literário
e o texto científico, não destacado pela
literatura da área, é a necessidade de mostrar
e ocultar o esforço despendido na produção de
um e outro texto. No texto literário todo o
esforço feito pelo autor não deve transparecer
no texto. Flaubert pode ter reescrito Madame
Bovary cinqüenta vezes e Hemingway pode ter
refeito O velho e o mar mais de trinta, mas
nada desse esforço deve ser percebido no
texto; a impressão do leitor deve ser de que o
texto foi produzido numa versão única e
definitiva, fruto da inspiração do autor, sem
necessidade de transpiração. Assis Brasil, no
romance O pintor de retratos, falando de
pintura, diz que as pinceladas devem ficar
invisíveis e que “um quadro deve parecer que
ninguém o pintou” (Assis Brasil, 2001, p. 18).
No texto literário, como em outras obras de
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (1 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
arte, não há lugar para mostrar o esforço do
próprio autor, que deve desaparecer na fruição
da obra, seja pela leitura ou pela contemplação.
No texto científico acontece o contrário; é
altamente recomendável que se mostre o
esforço que se despendeu para se dizer o que
se está dizendo. Daí, por exemplo, a
necessidade de explicitar a própria
metodologia usada para a obtenção dos dados;
quanto mais o autor mostrar o empenho que
teve em conseguir dados confiáveis, em
aprofundar a análise realizada, talvez até
replicando alguns estudos, voltando aos
sujeitos pesquisados e incluindo outros - toda
a demonstração desse esforço contribui para a
validação do que está sendo afirmado. A
leitura de um texto onde se percebe apenas
inspiração do autor, sem transpiração, a meu
ver, desqualifica o texto científico.
Esta diferença para mim é importante porque
vou apresentar aqui um texto que classifico
não como literário, mas como científico – e
sinto necessidade de mostrar de onde vem
este texto. O que vou dizer aqui não é fruto de
uma contemplação momentânea ou de uma
musa inspiradora, mas - muito pelo contrário -
está baseado na rotina quase diária da
pesquisa - minha e dos outros, mas
principalmente dos outros - incluindo análise
de projetos para a emissão de pareceres, a
leitura de inúmeros manuscritos para possível
publicação, orientação de alunos, etc. Falo,
então, da minha experiência acumulada no
trabalho de pesquisa em Lingüística Aplicada,
como ex-presidente da ALAB, coordenador de
eventos na área, editor da revista Linguagem &
Ensino, coordenador de uma coleção de livros
sobre Lingüística Aplicada e compilador do CDROM
TELA (Textos em Lingüística Aplicada).
São alguns anos de contato diário com textos
produzidos por pesquisadores brasileiros,
emergentes e consolidados. O que vou dizer
aqui, portanto, reflete minha percepção desse
fazimento da pesquisa. Vou tentar abstrair de
todo esse corpus o que acredito ser a essência
da pesquisa em nossa área, detectar algumas
tendências e principalmente sugerir algumas
prioridades.
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (2 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
1. Especialização na diversidade
Sabemos que a comunicação não acontece
sozinha; tipicamente é um ato coletivo que
envolve sempre duas ou mais pessoas,
interagindo através da linguagem. Pode-se
afirmar, com certa tranqüilidade, que a
linguagem nunca é usada apenas para
consumo individual. O monólogo, como uma
fala sem interlocutor, não existe. No exemplo
clássico do teatro, o monólogo acontece entre
o ator e toda a platéia. No exemplo de uma
fala interna, haverá sempre um interlocutor
representado. Mesmo quando se fala sozinho,
fala-se para alguém. Pode ser um ensaio de
algo que se vai falar mais tarde, uma
entrevista para um emprego, um encontro, uma
discussão interrompida. Sempre que se
reflete, está-se refletindo dialogicamente -
mesmo que seja um diálogo consigo mesmo.
Essa perspectiva dialógica mostra que a língua
pode ser vista não apenas como um
conhecimento abstrato na cabeça das
pessoas, não um conhecimento governado por
estruturas, restrições ou regras, em nível de
hipóteses, mas algo concreto que acontece
entre as pessoas no mundo físico e real. Põese,
portanto, a ênfase, não naquilo que
acontece dentro das pessoas, mas naquilo que
acontece entre as pessoas. Este é, como
sabemos, o campo privilegiado da Lingüística
Aplicada: o estudo da língua em uso: a
linguagem como acontece na sala de aula ou
na empresa, falada por uma criança ou por
uma pessoa de idade, expressando uma idéia
ou uma emoção, etc. Atualmente, com a
expansão geográfica das comunidades
discursivas, na medida em que podemos
interagir praticamente com qualquer pessoa
em qualquer lugar do planeta, rompendo
definitivamente o aqui e o agora, vemos a
necessidade de incorporar outros saberes,
outras maneiras de interagir, outros tipos de
relacionamento.
Além da diversidade lingüístico-cultural, com a
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (3 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
qual nós, da Lingüística Aplicada, já
convivíamos há bastante tempo, temos agora
também essa diversidade dos processos de
intermediação entre as pessoas. O predomínio
da voz na comunicação, incluindo a presença
do corpo através de gestos, postura, etc. tem
diminuído bastante. A língua, como parte do
corpo responsável pela fala, tem cedido
espaço aos dedos; pessoalmente já começo a
ficar em dúvida se uso mais a língua ou os
dedos no teclado quando me comunico com as
pessoas. Até que ponto essas novas
tecnologias afetam a linguagem entre as
pessoas é mais um aspecto a considerar no
estudo da comunicação. Se por um lado é a
mesma pessoa que fala, favorecendo uma
abordagem unificadora e, a meu ver, mais fácil
de ser tratada porque incorpora o que já
conhecemos - por outro lado, as novas
tecnologias introduzem mudanças que afetam
a comunicação e nos obrigam a reconsiderar o
que já parecia estar estabelecido. Pesquisar
um fenômeno que ocorre sempre da mesma
maneira, dentro dos mesmos padrões de
regularidade, já é um desafio para o
pesquisador. Estudar um fenômeno que muda
entre o início e o fim da própria pesquisa é um
desafio bem maior; quando termina o estudo o
objeto inicial já se transformou em algo
diferente. A mobilidade desse objeto exige,
portanto, um paradigma de pesquisa altamente
adaptável, que seja capaz de incorporar essas
mudanças no momento em que elas ocorrem,
uma espécie de “just in time” metodológico.
Daí, o grande desafio da pesquisa em
Lingüística Aplicada. Para explicar esse
desafio da maneira mais breve possível, eu
gostaria de usar aqui uma metáfora: pesquisar
em Lingüística Aplicada é como pesquisar
petróleo no mar: precisamos abandonar o
conforto de caminhar em terra firme, com
balizas enterradas no chão, e aprender a
navegar, assestando nossos instrumentos em
plataformas móveis. A dificuldade numa
plataforma móvel é manter o rumo; um rumo
que não é o da lingüística, nem da psicologia,
nem da antropologia, nem de qualquer outra
ciência com a qual nos avizinhamos; temos um
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (4 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
rumo que é o da Lingüística Aplicada. Não é
por conviver com a diversidade e beber de
várias fontes de conhecimento, que deixamos
de ter uma especialidade. Nossa especialidade
é justamente essa diversidade que é o estudo
da língua não como uma entidade abstrata na
cabeça do indivíduo, mas como um
instrumento de uso para a comunicação entre
as pessoas em diferentes contextos. A
diversidade é nossa especialização. Está aí, a
meu ver, a essência da pesquisa em nossa
área.
2. Compromisso com a sociedade
A importância que a Lingüística Aplicada
assumiu entre as demais áreas de
conhecimento deve-se, certamente, a vários
fatores, mas eu destacaria aqui, como um dos
principais, a capacidade da disciplina em
responder ao que a sociedade precisa. Na
medida em que muitas dessas necessidades
se relacionam a questões de linguagem, num
mundo em que as distâncias geográficas
diminuem e as pessoas precisam se comunicar
em contextos cada vez mais diversificados, a
Lingüística Aplicada é a ciência que parece
talhada para atender a essas necessidades.
Qualquer ciência tem a obrigação de dar um
retorno à sociedade. A Lingüística Aplicada dá
esse retorno de duas maneiras: através da
prestação de serviços e pela pesquisa.
Embora um aspecto embase o outro e seja às
vezes difícil separar o que é serviço do que é
pesquisa, eu faço aqui essa diferença para fins
de exposição.
A Lingüística Aplicada é uma prestadora de
serviços quando assessora, por exemplo, o
professor na preparação de material de ensino
de línguas, materna ou não, quando aprimora
um instrumento de trabalho para o tradutor que
precisa verter um texto de uma língua para
outra; quando auxilia um profissional na
maneira como ele deve tratar seu cliente para
obter resultados mais satisfatórios. Em todas
as situações onde duas ou mais pessoas
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (5 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
interagem através da linguagem, a Lingüística
Aplicada pode interferir para tornar a interação
mais eficaz, chamando a atenção para as
barreiras que devem ser evitadas, e
oferecendo estratégias para acelerar os
procedimentos que devem ser intensificados.
É o aspecto essencialmente prático da
Lingüística Aplicada - envolvendo o que não
fazer e o que fazer; o que deve ser evitado e o
que deve ser estimulado.
A prestação de serviços não deve ser feita
apenas a partir daquilo que se tem para
oferecer, mas também a partir daquilo que a
sociedade precisa. Constantemente somos
bombardeados com a oferta de produtos para
o qual não temos a menor necessidade,
quando, por outro lado, temos tantas
necessidades que não são atendidas.
Vivemos numa sociedade que está em
constante desequilíbrio entre o que se oferece
e o que se procura. Se às vezes parece que
encontramos aquilo que procuramos,
acabamos descobrindo que se trata apenas de
mais um paliativo, que pode produzir um alívio
temporário mas que acaba exacerbando a
necessidade que tínhamos.
O ideal, portanto, quando se presta um serviço,
é que se possa oferecer ao cliente aquilo que
ele realmente esteja procurando num
determinado momento. A meu ver, a
necessidade de contato entre as pessoas
nunca foi tão intensa como agora, não só de
contatos interacionais e afetivos, mas também
de contatos transacionais. Na medida em que
todos esses contados se dão através do uso
da linguagem, as necessidades de consultoria
nessa área aumentam em proporções
geométricas.
É onde entra a Lingüística Aplicada. Talvez
por uma coincidência histórica, por já estarmos
estudando a linguagem que as pessoas usam
quando interagem, estejamos agora
preparados para prestar esse tipo de serviço.
Não apenas atendemos a uma necessidade
realmente sentida, mas somos a área em
melhores condições de prestar este serviço
profissional, de modo confiável e competente.
Podemos dar um retorno à sociedade não
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (6 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
apenas através da prestação de serviços mas
também através da pesquisa. Aqui o retorno
pode ser dado de duas maneiras: pelo
problema pesquisado e pela maneira como se
conduz a pesquisa.
Em termos de problema pesquisado, podemos
dizer que em Lingüística Aplicada, não criamos
problema para pesquisar, mas pesquisamos os
problemas que já existem. Não trazemos o
problema para o laboratório, limpo e
desinfetado, cuidadosamente desembaraçado
de todas as variáveis que possam atrapalhar
ou sujar nossas hipóteses. Fazemos o
caminho inverso. Saímos do laboratório e
vamos pesquisar o problema onde ele estiver:
na sala de aula, na empresa ou na rua.
Figurativamente falando, sujamos as mãos na
pesquisa. Fazemos o que já dizia Goodman
na década de 60, ao afirmar que sua pesquisa
sobre leitura era feita com alunos de verdade
em aulas de verdade. Conforme Tucker
(1996), a Lingüística Aplicada é “um meio de
ajudar a resolver problemas específicos da
sociedade onde a linguagem está envolvida”.
A imersão na realidade e o tratamento dos
problemas como eles se encontram - não
como gostaríamos de encontrá-los - oferece, é
claro, vantagens e desvantagens. A principal
desvantagem é a dificuldade de lidar com a
quantidade de dados que aparecem. A
vantagem maior é a relevância social dos
problemas pesquisados. Não se pesquisa para
explicar uma teoria; pesquisa-se
principalmente para resolver um problema, e
por isso, está-se mais próximo de dar um
retorno à sociedade.
O outro retorno é dado pela maneira como se
conduz a pesquisa em Lingüística Aplicada. O
conhecimento é construído não pela extração
de dados a partir de informantes previamente
selecionados, mas pela convivência com esses
informantes - que ajudam a construir o
conhecimento, do qual muitas vezes serão os
primeiros a se beneficiarem. Elimina-se a
distinção entre pesquisador e pesquisado.
Todos participam das diferentes fases do
processo de investigação, alçando-se a uma
categoria superior a de meros informantes. A
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (7 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
Lingüística Aplicada não trabalha com
informantes: requer no mínimo participantes;
em geral trabalha com colaboradores, sejam
eles pesquisadores, professores ou alunos.
A maneira participativa e colaborativa de
pesquisar é provavelmente a única maneira de
se produzir novos saberes - hoje e no futuro.
O homem de conhecimento enciclopédico,
dono de todos os saberes de sua época, já
deixou de existir há muito tempo. O que está
deixando de existir também é o homem de
saber único, dono de um conhecimento que
ninguém mais possui. Estamos entrando em
uma época em que todo conhecimento é
compartilhado - não apenas no sentido de que
todas as pessoas de um mesmo grupo
detenham o mesmo conhecimento, por menor
que seja o grupo - mas no sentido de que o
conhecimento é distribuído entre as pessoas,
tocando a cada um uma parte do todo. Parece
que quanto mais semelhantes forem essas
partes, em tamanho - ou seja, quanto mais
igualitária for a distribuição - melhor e maior
será o conhecimento. Na medida que o
conhecimento existe coletivamente, ninguém
pode dizer que tem um saber melhor do que o
do outro, ou mais útil ou mais verdadeiro. Ele
é igual em todos esses aspectos; difere apenas
na complementação. O que o indivíduo sabe
não é igual ao que o outro sabe - e nem
totalmente diferente - é complementar, como
as partes de um quebra-cabeças.
Quando todos sabem a mesma coisa, ninguém
sabe nada. Por outro lado, quando todos
sabem coisas totalmente diferentes, o
conhecimento também deixa de existir porque
não pode circular - há falta de um ponto de
contato entre as pessoas para que o
conhecimento passe de um para outro. Para
manter o equilíbrio entre um extremo e outro é
preciso, portanto, que se compartilhe o
conhecimento, formando uma rede igualmente
distribuída entre cabeças diferentes. Nada é
único na natureza; nada funciona de modo
autônomo e independente - quer seja uma
máquina, uma pessoa, um país ou a pesquisa
necessária para produzir o conhecimento.
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (8 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
Tudo, em algum momento, é nódulo de uma
rede maior, que para existir precisa dos outros
nódulos.
Estamos caminhando para um mundo em que
não só o conhecimento funciona em rede, mas
a própria inteligência; deixamos de ser
inteligentes como indivíduos para sermos
inteligentes como grupo. Processos de
natureza cognitiva interna como o insight, o
raciocínio e o próprio pensamento transbordam
do indivíduo para o coletivo. Se quando
partimos para uma investigação, somos
obrigados a fazer um corte da realidade para
definir o nosso nicho de pesquisa, logo
descobrimos que esse nicho, ainda que
drasticamente recortado, precisa ser abordado
coletivamente para produzir resultados
relevantes. Além da complexidade do próprio
nódulo selecionado, há também a necessidade
de avaliar as repercussões que a pesquisa
pode encadear nos outros nódulos da rede.
Eu diria, usando mais uma metáfora, que a
ciência não é um arquipélago, com ilhas
isoladas - de competência ou não; a ciência é
um continente onde tudo está intimamente
relacionado. A essência do conhecimento é a
interdisciplinaridade. De onde decorre,
portanto, duas coisas: (1) a necessidade do
trabalho coletivo, (2) a importância da
Lingüística Aplicada como área de saber
interdisciplinar.
3. Fusões
A natureza interdisciplinar da nossa área, a
capacidade de trabalharmos em plataformas
móveis, nossa especialização na diversidade, a
meu ver, nos habilita a trabalhar num mundo
que está em constante processo de fusão. A
fusão, seja ela entre empresas, países, raças,
ou mesmo línguas, se inevitável por um lado, é
traumatizante por outro; as pessoas podem
perder seus empregos, ver sua identidade
ameaçada e, em alguns casos assistir ao
desaparecimento de sua língua. Sabemos que
várias línguas já sumiram da face da Terra e
outras estão sendo invadidas pelas línguas
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (9 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
hegemônicas, num fenômeno que Skutnabb-
Kangas (2000) define como genocídio
lingüístico.
Pretendo ser um pouco mais moderado e
menos pessimista na minha exposição de
algumas fusões que acredito estar ocorrendo
na área da Lingüística Aplicada e para as quais
acho que devemos estar preparados.
Algumas dessas fusões já aconteceram e
parecem que foram bem absorvidas. Um bom
exemplo é a pesquisa ação, que funde o
ensino com a pesquisa, e que era totalmente
inaceitável há alguns anos - mas que hoje já
parece quase universalmente aceito, em que
pese a restrição de alguns pesquisadores (Ex.:
Ferreiro, 2001).
O que caracteriza o processo de fusão é a
unificação da diversidade: dois elementos que
eram distintos unem-se para formar um
terceiro, incorporando traços dos elementos
formadores, mas não necessariamente de
modo equilibrado. Haverá sempre eliminação
de alguns traços, que pode ser maior para um
lado do que para o outro, embora geralmente
fique pelo menos alguns traços de cada um
dos elementos originais. Quando um país
colonizador, por exemplo, impõe sua língua ao
país colonizado, haverá sempre elementos da
língua colonizada que serão incorporados pela
língua imposta.
É óbvio que qualquer tentativa de unificação
provoca sempre uma reação contrária de
dispersão. A natureza humana parece
marcada por essa dualidade: de um lado, uma
força centrípeta que unifica e puxa para o
centro, unindo a todos numa grande
comunhão; do outro, uma força centrífuga, que
separa e dispersa. É como se a história da
humanidade fosse uma seqüência de
contração e expansão. Atualmente, devido ao
processo de mundialização e a crescente
necessidade de comunicação entre as
pessoas, parece que estamos vivendo um
momento de contração, com predominância da
força centrípeta e unificadora, o que favorece
as fusões.
Essas fusões ocorrem predominantemente no
mundo geográfico e físico, incluindo o local e
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (10 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
tipo de trabalho, onde são mais aparentes e
inquestionáveis; mas há também fusões no
mundo das idéias, embora aí possam ser
vistas mais como propostas teóricas, sujeitas a
rejeição, do que fatos evidentes e
inquestionáveis. Para concluir esta
apresentação, vou destacar, e comentar
rapidamente, seis dessas fusões: duas teóricas
e quatro práticas.
No âmbito da teoria, temos (1) a fusão da
inteligência com a emoção e (2) a fusão da
mente computacional com a mente social. No
âmbito da prática, eu destacaria quatro: (1)
presencial com distante, (2) docência com
produção de materiais, (3) escola com
empresa e (4) infância com terceira idade. Não
pretendo aqui apresentar essa seis fusões
como uma proposta de programa para a
Lingüística Aplicada, mas como um convite
inicial à reflexão, em bases que considero bem
gerais, e que permitem, portanto, o encaixe de
propostas mais específicas ou de diferentes
perspectivas teóricas. Defende-se a relevância
dessas questões, como tópicos de interesse
para serem trabalhados, mas deixa-se
totalmente em aberto como essas questões
podem ser abordadas, se pela análise do
discurso, pela psicolingüística, pela
sociolingüística interacional, ou qualquer outra
subárea de conhecimento.
As fusões teóricas são as mais complicadas e
envolvem um grau maior ou menor de rejeição,
sendo, portanto, menos consensuais. Nem
todos vão concordar que seja possível, por
exemplo, juntar, nos estudos do
desenvolvimento da linguagem, o modelo da
mente computacional, baseado nas idéias
inatistas de Chomsky, com o modelo da mente
social, baseado na teoria sociocultural de
Vygostky. Na medida, porém, em que ambos
os modelos estudam os mesmos problemas, a
fusão poderia ser benéfica, permitindo
compartilhar os achados, já que, segundo
Frawley (2000) o que falta num modelo pode
ser encontrado no outro e vice-versa.
A fusão da inteligência com a emoção parte do
pressuposto de que deve haver prazer na
aprendizagem. A hipótese de que o prazer
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (11 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
pode ativar as sinapses entre os neurônios
(Prado, 1998) é fundamental aqui; não apenas
se fixam mais dados na memória mas se
facilita a circulação desses dados – um
problema que está na base do
desenvolvimento da inteligência. Emoção sem
inteligência é irracional, e pode ser até
extremamente perigosa. Transforma-se numa
força bruta que pode levar, por atos arbitrários,
até ao extermínio de uma nação, de uma raça
ou de uma língua. Por outro lado, inteligência
sem emoção não tem força. É fria e estéril;
pode inchar mas não cresce. Fica balofa e
morre. Mas se a inteligência estiver unida com
a emoção ela pode mover, que é justamente
um significado que está na origem da palavra
emoção. Logo, partindo de uma perspectiva
puramente biológica, já é possível a fusão da
inteligência com a emoção. No âmbito das
relações sociais, a fusão torna-se desejável e
necessária. No ensino de línguas me parece
imprescindível, na medida em que esse ensino
envolve não só questões de consciência
crítica, mas também de atitude.
No mundo da prática, há também algumas
fusões que precisam ser feitas. Estamos numa
época em que podemos, com certa facilidade,
fundir proximidade com distância; eu posso
estar aqui e em vários outros lugares ao
mesmo tempo, não só me replicando para ser
visto e ouvido, de modo passivo, mas também
para ver e ouvir, de modo ativo, interagindo
com as pessoas – não só de maneira síncrona
mas também assíncrona, permitindo que a
interação ocorra em diferentes lugares e
horários. Essa fusão do presencial com o
distante possibilitou algo que se convencionou
chamar de Educação a distância e que é vista
por alguns como uma substituição do ensino
presencial Acho que o ensino não deve ser
apenas presencial nem apenas a distância,
mas dos dois modos. Qualquer curso
ministrado presencialmente, qualquer projeto
de melhoria de ensino ou de pesquisa, deverá
ter pelo menos um acervo de textos e
atividades armazenado em algum lugar de fácil
acesso e que o aluno possa consultar quando
tiver alguma dúvida ou precisar de ajuda.
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (12 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
Relacionado à questão do ensino a distância,
está a questão da produção de materiais de
ensino. Eu parto do princípio de que deve
haver uma mediação entre o objeto a ser
aprendido e o aluno. No caso típico da
aprendizagem de uma língua estrangeira,
embora isso também sirva para a língua
materna, não basta pôr o aluno em contato
direto com um exemplo de uso da língua; é
preciso tornar a língua compreensível para o
aluno. Isso é feito basicamente pela mediação
de materiais de ensino, incluindo explicações,
sugestão de estratégias, fornecimento de
pistas, etc. Por maior que seja a massificação
do consumo, por mais que se tente padronizar
as relações entre as pessoas – e talvez por
uma reação natural ao que é impingido – mais
as pessoas, incluindo os aprendizes, sentemse
no direito de exigir um tratamento
personalizado, que leve em consideração não
só suas necessidades mas também seus
interesses. O atendimento a esses dois
aspectos - necessidades e interesses - não
pode ser feito através do uso de materiais que
são produzidos em massa; é preciso no
mínimo uma adaptação do material já existente
pelo professor, embora a melhor solução seja
produzir o próprio material. Eu não proporia
essa fusão de ensino com produção de
materiais há alguns anos, embora ela já exista
desde o tempo da máquina de escrever e do
mimeógrafo a álcool. Hoje, com a tecnologia
existente, ela é improrrogável. Traz vantagens
não só para o aluno, que poderá ser atendido
em suas necessidades mais específicas, mas
também para o professor, que descobrirá o
prazer de produzir seus próprios materiais de
ensino.
É claro que a Lingüística Aplicada não está
restrita ao ensino da língua, materna ou
estrangeira; envolve também o ambiente de
trabalho. O conhecimento não é mais uma
exclusividade da escola. Existe já uma
indústria do conhecimento, onde o
investimento no saber que as pessoas
possuem é muito maior do que o investimento
na aquisição de matérias primas. Saber, hoje,
é mais importante do que ter, e envolve desde
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (13 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
o desenvolvimento de novas literacias, muito
além da alfabetização, até o domínio de várias
línguas. A linguagem perpassa essas
diferentes competências do mundo do trabalho,
nas mais diversas interações para a
transmissão do conhecimento, não só entre
subjetividades, mas também entre o homem e
a máquina e possivelmente até entre
máquinas. Existe já uma engenharia
lingüística altamente desenvolvida, voltada
para o processamento automático da
linguagem. Não podemos - e nem devemos -
impedir que o conhecimento não saia da
escola, mas também seria desastroso para a
sociedade deixar que o conhecimento ficasse
apenas na empresa, para uso particular. O
conhecimento gerado nessas condições já
sabemos que não é socializado; é vendido e,
às vezes por um preço muito caro. Precisamos
nos dar conta de que a Lingüística Aplicada,
hoje, vai muito além dos muros da
universidade. Temos a obrigação de pelo
menos monitorar esses diferentes contextos
profissionais, onde a linguagem está sendo
desenvolvida e pesquisada.
Finalmente, para encerrar, vamos a última
proposta de fusão, que envolve a questão da
terceira idade - um segmento da população
que não está mais preocupado apenas com
planos de aposentadoria e de assistência
médica; têm também uma preocupação com
vários aspectos da linguagem, incluindo a
aprendizagem de línguas estrangeiras. São
necessidades lingüísticas diferentes daquelas
expressas por crianças e adultos, talvez, por
um lado voltando até aos objetivos da infância,
com ênfase maior no lazer, mas, por outro,
com um grau maior de sofisticação e de
exigência.
Não quero puxar a brasa só para a nossa
sardinha, mas considerando todos esses
aspectos - a capacidade de trabalhar na
diversidade, uma metodologia dinâmica de
pesquisa, sensibilidade para responder aos
problemas da linguagem - entendo que a
Lingüística Aplicada é a área de conhecimento
que parece mais bem preparada para dar um
retorno à sociedade. Isso faz com que a área
file:///C|/Documents%20and%20Settings/Usuario%20XP/Meus...entos/Vilson/homepage/textos/trabalhos/la_sociedade.htm (14 of 15)22/12/2008 21:44:47
LA e sociedade
não só esteja vivendo um grande momento,
mas faz também gerar uma grande
responsabilidade. Nosso grande compromisso
no momento é assumir essa responsabilidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSIS BRASIL, Luiz Antonio de. O pintor de
retratos. Porto Alegre: L&PM, 2001.
CHRISTIAN, Donna. Applied Linguistics in 2000
and Beyond. Trabalho apresentado no Annual
Meeting of the Linguistic Society of America, Los
Angeles, Janeiro de 1999.
FRAWLEY, William. Vygotsky e a ciência cognitiva;
Linguagem e integração das mentes social e
computacional. Trad. Marcos A. G. Domingues.
Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
FERREIRO, Emilia. Cultura escrita e educação;
Conversas de Emilia Ferreiro com José Antonio
Castorina, Daniel Goldin e Rosa María Torres.
Porto Alegre: ARTMED, 2001.
PAYRATÓ, Lluís. De profesión, lingüista;
panorama de la lingüística aplicada. Barcelona:
Ariel, 1998.
PRADO, Flávio de Almeida. Prazer, a energia dos
vencedores. São Paulo: Mercuryo, 1998.
Rampton, Ben. Politics and Change in Research in
Applied Linguistics. Applied Linguistics, v. 16, n. 2,
p. 233-256, 1995.
Skutnabb-Kangas, Tove. Linguistic Genocide in
Education; Or Worldwide Diversity and Human
Rights. Mahwah, New Jersey: Lawrence Erlbaum
Associates, 2000.
Tucker, G. Richard. Applied Linguistics. [http://www.
lsadc.org/web2/fldfr.htm], 1996.

Almas Gêmeas

Posted by Profº Monteiro on agosto 27, 2011


Almas Gêmeas

Escute
a minha Letra A L M A S G Ê M E A S na voz deste talentoso Artista
Carioca André dos Arcanos. Boa audição a todos, até qualquer hora. by
Marcelo Guimarães http://myband.com.br/andrarcanos/
Categoria:

R E L E A SE

Projeto UM RELATO SINCERO EM CENA

No final de 2009 foi impresso em Fortaleza o livro independente “ Um Relato Sincero- Letras,Versos & Poemas.

Ele teve um pré-lançamento no dia 14 de Janeiro de 2010, e uma pequena divulgação na mídia local. Sua 1ª tiragem foi pequena justamente por não ter conseguido nenhum um tipo de incentivo privado ou de órgãos governamentais.

Esta obra na verdade é apenas uma semente que foi plantada nesse estado tão iluminado. O propósito é de apresentar de forma fragmentada alguns textos que serão selecionados para serem apresentados em forma de “Peça teatral”,primeiramente nas escolas secundárias(públicas e privadas) e também nas Universidades.

Logo em seguida encenaremos – o nos palcos do Ceará e nos locais que for possível expor nosso Projeto, em seguida direcionaremos para todo Brasil.

“ Um Relato Sincero- Letras,Versos & Poemas foi elaborado a partir de pequenos rabiscos que avistei nas nuvens e nas ruelas mais sombrias. Muitos deles foram criados em poucos minutos, entretanto alguns demoram dias para serem concluídos.

Gosto de dizer que não escrevo Poesia e sim “textos” que podem caminhar em várias estilos da literatura e infiltrando- se na Música e no Cinema.

Temos como nosso parceiro o artista carioca Andre dos Arcanos que já musicalizou 3 canções entre elas” Mundo Perfeito” que abre o livro e a “Almas Gêmeas “ e “Casarão”,sendo que “Almas Gêmeas” já foi executada em algumas rádios e está com vídeo circulando pela Internet através do Site “you tube”.

A escrita não é rotina do executivo, nem uma partida de futebol que há de haver um resultado,ela é assim,não pede espaço!

Vai,vai,vai,vai... e diz para quem quizer ler que os vocábulos podem ser interessantes para as pessoas sem voz,sem vontade, sem olhos...

“Ingerir uma nova alimentação textual é possível ela nasce inclusive no fim do texto”



Fortaleza 24 de Setembro de 2010



Fraternalmente,

M a r c e l o G u i m a r ã e s V i e i r a

escrevendo textos,criando almas