Prova de Português - 5ª série / 6º ano

Posted by Profº Monteiro on abril 13, 2017

 



COMUNICADO AOS CONSUMIDORES

    Vimos a público para esclarecer ao consumidor as questões levantadas no programa Fantástico de 19 de agosto e detalhadas no Jornal Nacional de 22 de agosto, referentes à redução de peso em alguns de nossos produtos. Para que não fiquem dúvidas quanto às medidas tomadas pela empresa, informamos que:
TODAS AS ALTERAÇÕES EM NOSSOS PRODUTOS FORAM ACOMPANHADAS PELA REDUÇÃO DE SEUS RESPECTIVOS PREÇOS. 
 Leite em pó tradicional: em setembro de 2000, houve uma redução no peso do produto de 454 gramas para 400 gramas, para acompanhar o peso adotado pelo mercado. O preço do produto foi reduzido em 11%.
    Biscoitos Wafer: em janeiro de 1999, houve uma redução no peso de nossa linha de biscoitos Wafer de 200 gramas para 150 gramas. Essa redução foi comunicada ao consumidor por meio de cartazes explicativos no ponto-de-venda.
    Nesse caso também, o preço do produto foi reduzido em 20%. Mais uma vez, reforçamos nosso
compromisso de respeito absoluto pelo consumidor com produtos de alta qualidade e valor nutritivo.

(Texto adaptado de Comunicado aos consumidores, publicado na Folha de S. Paulo, p.A-5)

1) Qual é a finalidade do texto? A quem ele é dirigido?
a)    A finalidade é informar e se dirige aos doutores.
b)    A finalidade é relatar mudanças e se dirige aos nutricionistas.
c)    A finalidade é informar e se dirige aos consumidores.
d)    O texto é informativo e se dirige aos publicitários
e)    Todas as alternativas estão correta.

2) O que motivou a empresa a publicar o comunicado?
a)    As questões levantadas em programa de TV referente a redução de peso em alguns produtos.
b)    O motivo foi o peso do biscoito wafer que aumentou.
c)    A empresa foi caluniada por diminuir o peso de todos os seus produtos.
d)    A empresa se sentiu traída pelos seus consumidores.
e)    As alternativas a e c estão corretas.

3) Qual dos dois programas de televisão deu mais informações sobre a redução do peso dos produtos?
a)    O fantástico.
b)    O Jornal da Globo.
c)    O Jornal Nacional.
d)    O Balanço geral.
e)    O Jornal Hoje.

4) Para atingir os objetivos a que se propõe, de que outras maneiras a empresa poderia divulgar seu
comunicado?
a)    Via correio para todos os consumidores
b)    Via e-mail para todos os consumidores brasileiros.
c)    Via fax para todos os consumidores.
d)    Colocando cartazes em todo o país.
e)    Em revistas, jornais e nas embalagens dos produtos.

5 – Assinale a alternativa correta analisando o tempo verbal.

a)    Foi ( Presente)
b)    Informamos ( Futuro)
c)    Queria (Presente)
d)    Gostarei (Futuro )
e)    Estudarei (Pretérito perfeito)

6 - Assinale a alternativa correta referente a concordância.
a)    Nos compramo os prédio.
b)    Achamos grande tesouros.
c)    Fomos a seus encontro.
d)    Lamentamos suas perda.
e)    Teremos confiança em todos vocês.

7 – Escolha uma sequência de adjetivos.
a)    Maravilhoso, grande, montanha, gelado.
b)    Lindo, gordo, baixo, inteligente.
c)    Tecnologia, vitória, gigante, chato.
d)    Alto, vermelho, neve, levado.
e)    Monte, caramelo, azulado, velho.

8 - Assinale a alternativa onde há apenas substantivos.
a)    Jardim, loira, janela, amarelado.
b)    Bahia, Japão, máquina, fino.
c)    Tapete, borracha, curto, cinza.
d)    Apagador, mesa, cadeira, Cambuí.
e)    Ana, gato, simpático, feliz.

GABARITO

1 – C
2 – A
3 – C
4 – E
5 – D
6 – E
7 – B
8 – D

Os Olhos nos sonetos de Camões

Posted by Profº Monteiro on abril 12, 2017


A comunicação entre os homens tem grande importância pelo poder de aproximação que exerce entre as pessoas e comumente se faz uso da palavra, do diálogo, para a transmissão de idéias e expressão de sentimentos.
Entendemos que no processo amoroso a comunicação assume um valor especial e, como recurso aproximativo, o olhar favorece a comunicação de pensamentos e emoções e também motiva prazer ou, noutro extremo, causa tormento e angústia. A linguagem do olhar como meio de comunicação, substitui as palavras ou as supera, quando expressa o que não é possível se colocar verbalmente.Em determinadas situações o olhar adquire um papel de destaque devido a sua extraordinária expressividade. Em outros tempos, a obediência às convenções era uma norma a qual não se podia escapar e conseqüentemente as diferenças entre amante frustrado e Amada inacessível tornava o amor, por princípio, irrealizável. Julga-se então, que esta seja a explicação para a origem da tônica dos olhos, do ver, do olhar e contemplar na poesia lírica de Camões. Entende-se perfeitamente esta explicação, considerando que o "amador" é ciente de que não poderá desejar do amor mais do que a linguagem do olhar permitir.
A análise do papel e do sentido do elemento "olhos" nos Sonetos de Camões será o objeto deste estudo.
Na lírica camoniana é constante e evidente o desencadeamento do amor, a sua continuidade, os conflitos resultantes dele ou o fenecimento deste sentimento serem decorrentes de processos relacionados ao fenômeno da visão, portanto, analisar este elemento é de grande importância para a caracterização do processo amoroso em si ou para o desvendar do estado de espírito e dos sentimentos do amante diante de sua Amada.
I – Os olhos como elemento ornamental da beleza da Mulher
Observamos, logo de início, que na poesia camoniana o Poeta se refere insistentemente aos olhos da Amada, falando de sua beleza, inspirando-se e atribuindo-lhes um valor ornamental, conseqüentemente, estético:
"Fermosos olhos (...)" p. 30, v.1.
"Olhos fermosos (...)" p. 31, v.1.
"O lindo ser de vossos olhos" p. 21, v.2.
Há uma freqüência no que se refere à utilização do termo "claros olhos":
"Aqueles claros olhos (...)".p. 144, v.1 e p. 146, v. 4.
Segundo os cânones tradicionais, os olhos verdes eram os mais belos, assim pode-se achar que a designação "claros olhos" supõe também a beleza dos olhos, resultando a referência num elogio. Há também nos Sonetos, uma exceção a essa norma quando o Poeta faz um elogio aos olhos negros, menosprezando os verdes que, segundo ele, se turvam por inveja da beleza superior daqueles:
"Olhos onde tem feito tal mistura
Em cristal branco e preto marchetado
Que vemos já no verde delicado
Não esperança, mas inveja escura" p. 61, vv. 5-8.
Justifica-se isto pelo fato de que a Musa Inspiradora deste Soneto parecer ter sido uma escrava de olhos escuros. Esta variação acidental do conceito de beleza ocorreu por ser uma característica própria da Dama que foi objeto dos amores do Poeta.
Na Renascença era comum valorizar os olhos de acordo com seu brilho: Petrarca faz referência aos "begli occhi lucenti" de sua Musa, e Camões não fugiu a regra quando, expressivamente, evidenciou os olhos da Amada através de metáforas, imagens e comparações:
"Quem pode livre ser, gentil senhora,
Se por entre esta luz a vista passa
Raios de ouro verá, que as duvidosas
Almas estão no peito traspassado
Assi(m) como um cristal o Sol traspassa." p. 29, vv. 1, 11-14
"Dos vosso olhos essa luz febéia" p.78, v. 5.
O brilho dos olhos da Amada assume proporções que podem ser comparados ao sol ou até mesmo superá-lo:
"Mas nos olhos mostrou quanto podia,
E fez deles um sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia" p. 79, vv. 9-11
E noutro Soneto vai além do estético e passa a ser uma qualidade moral, um indício de inocência e candura:
"Movei dos lindos rostos a luz pura
De vossos olhos belos (...)" p. 72, vv. 9 e 10.
É interessante notar que estas figuras têm a característica de hipérbole por enfatizarem o brilho dos olhos relacionando-os com outros brilhos mais intensos, dando-lhes, portanto, um alto valor.
II – A função de revelar as características da Dama.
O poeta se impressiona ainda mais pelo fato dos olhos possuírem não só um valor estético, mas por deixarem transparecer características espirituais das suas musas inspiradoras. Assim, os olhos nos são apresentados revelando diferentes aspectos da dama, como uma criatura meiga e afável que se compadece do amante sofredor:
"Um mover dos olhos brando e piedoso" p. 77, v. 1.
Ou outra que, ciente de sua condição superior, mesmo expressando rigor não esconde sua meiguice:
"De vossa vista branda e rigorosa" p. 15, v. 10.
Encontramos também, verso que revela nobreza:
"Aqueles reais olhos(...)" p. 241, v. 4.
E outro que transmite superioridade social:
"(...)uns olhos de que eu não era digno" p. 50, v. 7.
E ainda temos aquela dama que cativa e destrói corações:
"(...) olhos(...) que triunfando
Derrubam corações (...)" p. 71, vv. 7 e 8.
Nessa poesia o elemento "olhos" freqüentemente revela-nos Damas de grande perfeição e quase sempre idealizadas.
III – O efeito dos olhos da Dama sobre o Poeta.
Analisando agora a atuação do elemento em estudo, temos a influência dos olhos da mulher sobre quem a ama.
Olhos que expressam ora meiguice, ora altivez, desencadeiam no "Amador" sentimentos contraditórios:
"Os olhos(...) (que o conquistaram)
(...) foram causa do mal que vou passando." p. 32, vv 9 e 10:
Ele procura fuga, mas não encontra firmeza e acaba vencido:
"Vossos olhos, Senhora(...)
Meus sentidos vencidos se so(b)metem
Assi(m) cegos a tanta divindade" p.28, vv. 1, 5, 6.
Rendendo todo seu ser:
"Os olhos com que todo nos roubaste" p. 32, v. 9.
Chegando a torna-se uma obra resultante do poder desses olhos.
"Olhos fermosos (...)
Se quiserdes saber quanto possais
vede-me a mi(m) que sou vossa feitura" p. 31, vv. 1, 3, 4.
Apesar de todo sofrimento pelo qual o Amador passa, ele demonstra uma atitude pacífica, não se revoltando contra a Dama , atribuindo a culpa não a ela, mas a beleza de seus olhos:
"Ditoso seja o dia e hora, quando
Tão delicados olhos me feriam" (p.186, vv. 5 e 6)
Ou ao Amor que causa desventuras:
"(...) quando o Amor virou
a roda à esperança que corria
tão ligeira que quase era invisível
converteu-se-me em noite o claro dia" (p. vv. 9 a 12)
E noutras vezes o destino é o grande culpado de tudo:
"Fortuna (...)
Em verde derrubou minha alegria" (p. 198, vv. 1 e 2)
Em dois Sonetos encontramos uma rebelação a atitude da Amada. No primeiro ele reage, armando-se de força:
e, no segundo, diante da não correspondência amorosa o Poeta faz-lhe um ultimato para que ela permita-o desfrutar do seu amor.
IV – Os olhos do Amador
Passando ao estudo do valor dos olhos do amante, notamos que esse elemento aparece como veículo revelador do que vai na alma do Poeta no processo amoroso, expressando ora alegria, ora revelando sentimentos de amor, manifestações essas sempre de cunho positivo. Contudo, freqüentemente há também passagens nas quais os olhos do amante nos comunicam, em oposição, sentimentos de tristeza, mágoa, tormento e cansaço, e há momentos até que os seus olhos exprimem sentimentos paradoxais como, por exemplo, alegria pela dor que experimentam.

O que é linguística

Posted by Profº Monteiro on abril 12, 2017
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A autora Eni Pulcinelli Orlandi em seu livro "O que é linguística" afirma que o ser humano necessita de conhecimentos para poder se estabelecer no mundo em que vive. É por isso que ela procura explicações para tudo que existe, um exemplo importante é a procura de explicações para a linguagem que o acompanha onde quer que ela esteja, isto é, ela é extremamente necessária para a convivência com os outros.
O homem sempre está a procura de respostas que possam explicar a linguagem, pois ela o acompanha desde sempre, isto através da literatura, poesias, religião, lendas etc. Tudo isso mostra a curiosidade do homem pela linguagem.
Para Eni, a linguística é completamente diferente da gramática tradicional, normativa, que estabelece regras de correção para o uso da linguagem verbal, oral ou escrita. Ela estuda a estrutura (como se forma, sua origem, sua decomposição) e a função (qual papel como elemento comum a uma coletividade de linguagem humana).
Como a linguagem é uma abstração, a lingüística busca o estudo cientifico dessa linguagem, determinando normas que possibilitem o conhecimento no tempo e no espaço. Ela se preocupa com a faculdade humana de produzir signos orais e escritos de comunicação, também leva em conta principalmente a possibilidade de individuo pesquisar e buscar novos conhecimentos. Por esse motivo é que a língua portuguesa deve ser revista não como fator de exclusão, mas como um elo de interação entre os personagens que possuem um bem comum: uma mesma língua-mãe.
Quando o ser humano fala ou escreve ele produz sinais que são chamados de signos. Esses signos é que une o homem com os demais, ou seja, com sua realidade social e natural;
De acordo com Saussure a definição de signo é como uma união entre significante (imagem acústica) e significado (conceito), sendo o significante o suporte material do signo ou de uma expressão.
Saussure também faz uma distinção importante que é a separação da língua e fala. Para ele língua é o conjunto de todas as regras que determinam o emprego de sons e relações sintáticas necessárias para a produção de significados, isto é, fato social, geral e visual, em contrapartida a fala é a execução da língua pelo individuo falante, ela depende do individuo e não da sistemática.
Nesta distinção também há a que separa a sincronia da diacronia. A sincronia é o estado atual do sistema da língua, já a diacronia é a sucessão de diferentes estados da língua em evolução. Ele inclui a fala e a diacronia deixando somente os conceitos de língua, valor e sincronia.
São traçadas pela escritora as funções da linguagem. Essas funções vão ser caracterizadas de acordo com o papel de cada um dos elementos do esquema de comunicação que é: emissor que transmite a mensagem ao receptor, canal que liga o emissor com o receptor e o código de comunicação que une todos estes elementos.
Vamos recapitular as funções:
Expressiva > Centrada no emissor
Conotativa > Centrada no receptor
Referencial > Centrada no objeto de comunicação
Fática > Centrada no canal, ligação entre emissor e receptor.
Poética > Centrada na mensagem
Metalingüística > No código
Quando nós falamos, colocamos em funcionamento todas essas funções, sendo que algumas podem apresentar mais que as outras, isso depende do contexto de cada uma.
A autora também trata neste livro do objetivo da sociolingüística que é sistematizar a variação existente na linguagem. Ela julga que a mesma não é homogênea, mas é heterogênea e dinâmica.
Podemos observar hoje que a linguagem esta sempre em mudança, inovando-se a cada dia conforma a atualidade. Como a sociolingüística mantém separado a lingüística e o social ela não produz inovações quando a análise propriamente lingüística.
A linguagem não é só ordem e principio de classificação. Como o ser humano ela é feita também por suas ilusões e seus mistérios, e são essas ilusões e mistérios é que fascina.
Conclusão
Este livro "O que é lingüística" esclarece todas as duvidas que me acompanhava. Nele a autora traz muitas definições e exemplos do que é realmente lingüística.
Esta leitura possibilitou o aprendizado e me incentivou ainda mais para se interar do assunto, procurando livros, pessoas mais informadas sobre o mesmo, enfim, tudo que pudesse suprir minhas necessidades e expectativas.
Ele me auxiliou no aprendizado e me fez entender o que é lingüística, sua relação com as outras ciências, seus objetivos, sua divisão, a contribuição de Saussure para com ela, a diferença entre a lingüística e a gramática, finalmente tudo que se relaciona com ela.
Evidentemente este trabalho foi muito bom, pois agora não só eu, mas com certeza todos os acadêmicos que o leram estão mais informados, ou seja, obterão com a leitura mais conhecimentos sobre esta disciplina.
Espero que cada vez mais possamos nos interar sobre este assunto para alcançar mais instruções e experiências sobre o mesmo.

Origens do Romantismo na Europa

Posted by Profº Monteiro on abril 11, 2017


No início do século XVIII, a Era Clássica entra em crise, dando origem, na Europa, ao movimento romântico cujas primeiras sementes dão-se na Inglaterra e na Alemanha, cabendo à França, posteriormente, a função de difusora desse movimento.
A Inglaterra enviava para a Escócia, devido à separação geográfica e lingüística, a literatura clássica francesa que, por sua vez, era divergente da literatura popular escocesa. Logo, percebeu-se que a literatura escocesa estava sendo deixada a segundo plano, ficando, cada vez mais, atrelada à oralidade. Esse fato causou uma revolta dos escoceses contra o movimento clássico, tendo como principal objetivo ressuscitar o prestígio das velhas lendas e canções tradicionais escocesas, conforme cita Massaud Moisés, em “A Literatura Portuguesa”, p. 113:

“(...) a Inglaterra exporta para a Escócia os produtos do Classicismo francês, em tudo contrário à literatura popular escocesa que existira até os fins do século XVI e que agora se reduzia à transmissão oral. Tudo, razões políticas e literárias, convidava a uma rebelião que visasse a instaurar o prestígio dessas velhas lendas e canções que corriam na voz do povo (...)”.

O primeiro escritor escocês a rebelar-se contra a poesia clássica foi Allan Ramsay quando, em 1724, publica uma antologia de velhos poemas escoceses: “The Evergreen”, seguida de outra coletânea, “The Teatable Miscellany”, também de velhas canções e, já com base no sentimento da natureza, publica, em 1725, “The Gentle”. Este exemplo não ficou sem eco, pois surgiram vários escritores escoceses e ingleses envoltos pela “escola do sentimento” contra a “escola da razão” e é importante citar os nomes de: James Thomson (1700-1748), autor de “The Seasons” (1726-1730); Edward Young (1683-1745), autor de “The Complaint, or Night Thoughts on Life”, “Death and Immortality” (1742-1745), dando início à poesia funérea; outro nome importante é o de Samuel Richardson (1689-1761), que é considerado o precursor do romance, juntamente com Pamela (1740-1741), Clarrisa Harlowe (1747-1748) e Sir Charles Grandison (1753-1754).

Em 1760, o escritor escocês James Macpherson (1736-1796) começou a publicar a tradução em prosa dos poemas escritos por Ossian, um velho bardo escocês do século II d. C.; e, o sucesso imediato motivou-o a continuar com o cumprimento da tarefa de fazer conhecida uma tão rica e original tradição poética, segundo Massaud Moisés, em “A Literatura Portuguesa”, p. 114:
“(...) a impressão causada foi a de espanto e surpresa, e logo alguns trechos foram traduzidos para outras línguas, sobretudo os referentes a” “Fingal” e “Temora”. Embora aguardassem vinte ou mais anos para ser inteiramente traduzidas, as baladas e canções de Ossian se beneficiaram em pouco tempo de generalizado aplauso em toda a Europa culta do tempo. Em meio ao unânime elogio, ouviam-se raras vozes discordantes: não poucos elevaram o bardo gaélico ao nível de Homero e Virgílio, quando não acima (...)”.

Com tanto sucesso, o Ossianismo tornou-se uma forte corrente literária cuja influência não deixou nenhum país europeu imune e, quando descobriu-se que tudo não passava de uma mistificação, visto que o autor dos poemas era Macpherson; porém, era já suficientemente tarde para que houvesse um impedimento da difusão do Ossianismo, cuja profunda e benéfica influência, causou inspiração a tantos outros escritores através da simplicidade lexical e sintática, da melodia natural e espontânea das frases utilizadas, bem como um acentuado primitivismo no sentimento da natureza, da guerra e do amor. Com isso, é aberta a senda para a instalação e consolidação do movimento romântico na Inglaterra e na Europa, assim, nos próximos anos houve o aparecimento de vários poetas cujas obras refletiam seus sentimentos, seus transes interiores; citam-se os nomes de: Thomas Gray, Robert Burns, Samuel Taylor Coleridge, Wordsworth, Southey, Byron e Shelley.

Neste contexto, na Alemanha assim como na Escócia, a literatura estava sob influência francesa, bem como os costumes vigentes como retrata em “A Literatura Portuguesa”, p. 114, Massaud Moisés:

“No primeiro quartel do século XVIII, a literatura alemã vive sob influência do rococó francês, última floração do barroco decadente. O afrancesamento manifesta-se ainda no culto das boas maneiras e das modas parisienses”.
Em meio a este clima, desponta o movimento alemão chamado Aufklärung (“filosofia das luzes”), sob a influência do cartesianismo, da ciência de Newton e da filosofia de Locke.

O Aufklärung pregava o uso da razão como condição básica para a reforma e transformação do mundo e da sociedade, porém, devido a seu caráter predominantemente estrangeiro, o movimento não obteve grande êxito; entretanto, deve-se ressaltar que houve um sintoma de renascença alemã após todo um período de transição e conflitos entre espiritualismo e materialismo como foi marcada a Era Clássica.
                                                                                                                               
É importante citar que a influência francesa não desapareceu de repente na Alemanha; contudo, a mesma soma-se à influência das novas correntes literárias inglesas que, após o Aufklärung alemão, passaram a ser exaltadas na Alemanha. Nesse contexto, Lessing, através da “Dramaturgia de Hamburgo”, exalta Shakespeare, declarando-se contra o clássico francês. Com Laocoonte, há uma ruptura do passado de estrangeirismos inseridos à cultura alemã, o que continuou sendo desenvolvido pelos jovens pertencentes ao movimento “Sturm und Drang” (Tempestade e ímpeto).

Goethe, que em 1770 encontra-se com Herder em Estrasburgo, junta-se a ele e a outros escritores para que montassem uma aliança de combate às regras e à separação de gêneros vigentes na escola clássica; além de visarem a um retorno à poesia livre, irracional, de cunho melancólico, sentimental, isto é, anti-Aufklärung.

Com o movimento anti-Aufklärung começando a apagar-se, Goethe publica, em 1774, “Werther”, obra que representa o símbolo acabado dos males da imaginação, levando ao suicídio, ato que teve grande sucesso na Europa da época.

Em 1781, Schiller publica “Os Salteadores”, peça histórica que inaugura o gênero na Alemanha e, assim, o rótulo “Sturm und Drang” é retirado duma peça de igual título feita por Klinger, publicada em 1776, dando início ao Romantismo na Alemanha.