O LIVRO DOS SEGUNDOS SOCORROS Autor: Doutores da Alegria

Posted by Profº Monteiro on março 09, 2017

Nome: O Livro dos Segundos Socorros


Sinopse: Completando dez anos de atividades em setembro, os Doutores da Alegria, grupo de atores profissionais pioneiros especializado em levar alegria para crianças internadas em hospitais de São Paulo e Rio de Janeiro, já visitou mais de 200 mil crianças hospitalizadas.

"Ficar doente não é nada engraçado e, mesmo nessa condição, crianças não deixam de ser crianças", explica Wellington Nogueira. "Todas elas continuam querendo brincar, levando uma vida normal. Isso é o que nós aprendemos ao longo de dez anos de trabalho junto desses professores-mirins e é o que queremos transmitir com este livro".

Com 44 páginas, o livro possui jogos, brincadeiras e dicas paras as crianças hospitalizadas. "A primeira lição que a garotada nos ensina é que não se deve perder aquilo que está bom e saudável em nós: a capacidade de se divertir", explica Wellington. Repleto de ilustrações, desenhos coloridos e personagens cativantes, a publicação oferece, entre outros atrativos:


- Espaços para as crianças escreverem e destacarem bilhetes carinhosos e engraçados para a equipe médica, pais e amigos.
- Um Pequeno Dicionário de Segundos Socorros, como por exemplo: Compressa - Médico que passa rapidinho no quarto / Cesariana - Casal formado por César e Ana.

- Calendário de Enfermérides, com o Dia da Língua (hoje todo mundo mostra a sua para todo mundo), Dia da Piada Infame, Dia Mundial da Abobrinha, Dia do Biscoito.

- Quadro ilustrado com Hospital de Heróis, como o Tocha Humana (que chegou ao pronto-socorro ardendo em febre) e Branca de Neve (que teve uma crise de anemia e veio acompanhada de Atchim, que andava muito resfriado).

- Jogo do Mico - ideal para jogar com o médico ou a enfermeira na hora de tomar o remédio. Basta recortar as cartas, embaralhar e pedir para o participante tirar uma carta e cumprir o que estiver escrito nela.
Os níveis de dificuldades são três: Fácil, Médio e Super-Hiper-Mega Difícil.- Jogo Bem Star Wars - regras, dados e pecinhas vêm junto com este jogo, no qual as crianças partem de um ponto na página e avançam várias casas até chegarem no objetivo final, que é "Parabéns, Você venceu o resfriado".

- Jogo de Adivinhação - O que é o que é uma folha toda furadinha? Uma receita de médico acupunturista.
O que é o que é um pontinho preto num microscópio? É uma black-téria.

- Brincadeira de corte e recorte "Vista seu Médico" - com o desenho de um médico e uma médica e várias peças de roupas "clownescas", para vesti-los.

- Dicas - ilustrações e texto bem humorado explicando o que são germes, quem são os defensores do corpo e como lidar com eles.

- Placas com mensagens engraçadas para recortar, montar e enfeitar o quarto do hospital.

- Receituário de Segundos Socorros - injeção de ânimo, tomar coragem duas vezes ao dia, passar pomada e toda a roupa, jogar a bula e ler a bola.

- Canto Secreto - espaço com o nome preenchido pela criança,para ela escrever algo secreto e seguir as instruções para guardar o texto no esconderijo.

- Exame Médico com testes de múltipla escolha: "O que é um médico de plantão":
a) um médico que cura samambaias
b) um médico que atende palmeiras
c) médico que sobe em coqueiros .

Cartas de um visionário

Posted by Profº Monteiro on março 08, 2017
rimbaud-paris
Cartas de um visionário
Chega às livrarias Correspondência, o terceiro e último volume da obra completa de Arthur Rimbaud. O tradutor Ivo Barroso comenta a evolução do poeta até atingir o ponto mais alto: Iluminações, com os primeiros versos livres.
Desde o começo do século 20, quando os teóricos russos alcunhados de formalistas deram plena autonomia à literatura — instituindo assim os preceitos da crítica literária moderna — evita-se estabelecer a relação de causa e efeito entre a vida do autor e sua obra. Entrementes, o antigo modelo persiste de modo didático nos mais variados métodos de ensino. Como se pudesse abalizar a obra, a leitura de certos autores inicia-se pela sua biografia; cada linha escrita seria forçosamente fruto de algum fato peculiar na existência do escritor.
No caso de uma vida revolta e múltipla como a de Arthur Rimbaud, a análise da obra dificilmente escapa à associação com sua biografia. Um dos grandes expoentes da poesia francesa, Rimbaud realizou o sumo de sua produção literária entre os 15 e 21 anos, para logo depois dar-lhe as costas e ir à África negociar café, marfim e o que pudesse torná-lo rico (“não tenho a intenção de passar minha vida inteira na escravidão”). As muitas histórias criadas em torno dos excessos que cometeu em sua vida literária, suas andanças, sua problemática relação com o poeta Paul Verlaine e principalmente as muitas e contraditórias interpretações sobre seu rompimento com a poesia, tornam o mito em torno do enfant terrible (a criança terrível, como foi alcunhado) cada vez maior e mais vivo.
Em Arthur Rimbaud: Correspondência, lançado pela editora Topbooks — e traduzido pelo sempre competente Ivo Barroso —, contempla-se pela primeira vez no país a totalidade da correspondência do poeta. A importância do livro reside, entre outros fatos, em observar as profundas mudanças acontecidas em Rimbaud por meio de suas próprias palavras e percepções. As cartas desfazem, assim, boa parte de toda a mística frouxa que acompanha seu nome.
Além das cartas escritas por Rimbaud, é possível conferir toda a troca de correspondência entre ele e Verlaine (no capítulo “Intermezzo verlainiano”), mais os chamados “Depoimentos de Bruxelas”, relativos ao processo criminal decorrente do célebre episódio ocorrido em julho de 1873: Verlaine atirou contra Rimbaud, que foi atingido no pulso. O relacionamento tempestuoso dos dois foi adaptado para o cinema pela diretora Agnieska Holland no filme Eclipse de uma paixão, estrelado por Leonardo DiCaprio.
Identificada como a primeira obra literária de Rimbaud, uma composição em versos latinos – hoje perdida – foi enviada aos 14 anos ao príncipe Louis (12 anos à época) por conta de sua primeira comunhão. A largada da Correspondência realiza-se justamente com o relato de Édouard Jolly, estudante de filosofia contemporâneo do escritor; “... acaba de enviar uma carta de 60 versos latinos ao jovem Infante príncipe imperial a propósito de sua primeira comunhão. Ele mantinha isso dentro do maior segredo e não mostrou esses versos nem mesmo ao professor; daí ter cometido alguns barbarismos condimentados com alguns versos mancos”.
Aos 15 anos, Rimbaud conhece Georges Izambard. O novo professor de retórica de sua provinciana cidade, Charleville, reconhece nele uma invulgar vocação poética, tornando-se seu amigo, confidente e fonte de empréstimo de um considerável número de livros. Em agosto de 1870, Izambard viaja, deixando sua biblioteca à disposição do jovem poeta. Em carta do dia 25 deste mês, Arthur reporta-lhe o tédio que tem sentido, e diz ter-se valido de grande parte dos livros do amigo, inclusive do Quixote de Cervantes; “ontem, passei em revista por duas horas as gravuras de Doré: agora não tenho mais nada!”.
Carta do vidente
Menos de um ano depois, em maio de 1871, Rimbaud (com 16 anos) envia a um amigo de Izambard, Paul Demeny, sua carta mais conhecida, a Lettre du Voyant: Carta do vidente. Um dos elementos fundamentais do esclarecimento de seu gênio e de suas teorias poéticas, esta carta insinua-se como um ensaio sobre a evolução da poesia francesa, sobre os novos pensamentos e atitudes do poeta (“o racional desregramento de todos os sentidos”) e estampa quase uma coletânea de máximas do escritor (é daqui que surge a famosa “Eu é um outro”).
Em setembro do mesmo ano, ele deixará Charleville rumo a Paris para conhecer Paul Verlaine, àquela época o poeta mais importante da França. Às vésperas da partida, escreve Le Bateau Ivre (O barco ébrio), uma de suas obras-primas. As mudanças ocorridas na vida de Rimbaud se sucedem em ritmo brusco e em curtos espaços de tempo. Por meio de suas cartas, acompanhamos, em menos de uma década, o iniciante poeta que pede conselhos tornar-se um grande inovador da poesia — cônscio de seus métodos e de seu ofício — para, logo em seguida, tornar-se outro.
Como lembra o poeta e tradutor Dirceu Villa: “Há ainda muitas coisas a mudar na leitura mais superficial de Rimbaud. As cartas mostram, também, a via crúcis de um poeta genial, na capital da poesia à época (Paris), para receber alguma atenção. Isso não mudou. Os grandes poetas vivem a mesmíssima coisa ainda hoje, embora nossa época goste de pensar que essas injustiças são todas do ‘passado’.”
Entrevista com Ivo Barroso
“Rimbaud abriu as portas do futuro”.
“O encontro de Rimbaud e Verlaine foi um acidente desagradável para ambos”.

Como conheceu Rimbaud e decidiu dedicar-se à tradução de sua obra completa? 
Foi curioso. A história é longa e, se você não se importar, vou contá-la toda...

Pode contar, é claro. 
Por volta de 1954, nós tínhamos o suplemento literário do Jornal do Brasil. Ele era dirigido pelo Reynaldo Jardim e lá trabalhavam o Mário Faustino e o Ferreira Gullar. Eu acabei entrando para equipe por conta de um soneto do Rilke que traduzi. Um dia, vi numa antologia aquele soneto das vogais do Rimbaud. Eu não conhecia nada dele a não ser aquilo (tinha lá os meus 20 anos). Então levei pra eles uma tradução minha do soneto das vogais. Mas, como muita gente já o havia traduzido, pediram-me pra eu arrumar outra coisa. Eu, nessa altura, estudava letras, e fui a uma livraria de livros em francês, próxima à faculdade, e encontrei um livrinho do Rimbaud. Era uma espécie de antologia com biografia, e abri aquilo e fui dar em Une saison en enfer (Uma estadia no inferno, na tradução de Ivo). Eu fiquei absolutamente alucinado. Que coisa espantosa!


E depois? 
Reynaldo Jardim me disse que o Ênio Silveira queria que ele traduzisse a Saison, mas ele não tinha disposição nem tempo pra isso. Propôs que eu a fizesse e eu disse: “Você está doido, aquilo é muito difícil”. (risos) Mas o Ênio me telefonou, insistiu, e eu topei fazer a tradução. Ele publicou uma edição feiíssima com uma cobra na capa (risos). A coisa formidável é que acabei conhecendo Alceu Amoroso Lima (o Tristão de Athayde), que era quem mais entendia de Rimbaud no país. Levei pro Ênio e ele ficou de editar, isso foi no fim de 1972, só saiu em 1977, o livro então ficou cozinhando na gaveta da censura. Aí, depois desse primeiro impacto – eu quase morri pra traduzir a Saison – eu quis ler tudo do Rimbaud e fui me empolgando cada vez mais. Daí, botei na cabeça que queria traduzir a poesia completa: era uma missão, eu tinha que traduzir tudo que esse cara escreveu.

Todos consideram um dos maiores mistérios da literatura o fato de Rimbaud ter abandonado a escrita. Isso não seria apenas coerente com a personalidade dele? Uma vida cheia de mudanças bruscas... 
Ele foi o maior poeta. Tinha noção, certeza, consciência de que havia atingido o máximo. Tanto assim que, ao estudar a poesia dele, percebe-se que ele vai evoluindo de poema para poema, até chegar nas Iluminações. E mesmo nas Iluminações, em patamar altíssimo, tem umas que são ainda mais altas do que as outras. E, com o senso crítico que tinha, ele escreveu entre os 16 e 17 anos aquela carta do vidente, que é uma análise de toda a literatura francesa; com o senso crítico que tinha, ele deve ter pensado: “Além disso eu não vou, nem eu, nem a poesia; não tem mais aonde ir”.

Então você acha que o abandono foi muito mais pela consciência de já ter dado o máximo? 
O abandono da poesia dele foi consciente. Ele tinha certeza de que não podia ir além. Tinha chegado ao topo. Se ele continuasse, iria se repetir e não abriria mais nenhuma porta. Ele abriu a porta da poesia moderna: nas Iluminações há os primeiros poemas em versos livres. Então, ele já abriu as portas do futuro.

Falando em verso livre, na Carta do vidente Rimbaud diz que Baudelaire é “um verdadeiro deus”. Podemos dizer que os Pequenos poemas em prosa de Baudelaire pariram Uma estadia no inferno?
Rimbaud foi muito mais além. Ele achava o Baudelaire um verdadeiro deus dentro da literatura francesa, só que ele usava uma linguagem que não era moderna. Rimbaud achava que a ideia do Baudelaire era extraordinária, mas estava sendo expressa por uma língua que ainda não era a língua poética com que Rimbaud sonhava. Então ele deu o grande salto. E fez coisas absolutamente modernas e altamente poéticas com as Iluminações. Ali, para mim, é o máximo dos máximos.

E quanto ao encontro entre Rimbaud e Verlaine, como foi a influência poética? 
Rimbaud tentou, como ele várias vezes fala, transformar o Verlaine num filho do sol. Isso quer dizer: iluminá-lo no sentido de torná-lo capaz de fazer uma poesia tão de vanguarda e tão avançada quanto a dele. Não conseguiu, de jeito nenhum. Os livros posteriores, até a velhice, são livros que não têm nenhum valor comparados com a primeira parte da poesia dele. E o Rimbaud não pegou nada da melodia da poesia do Verlaine porque já tinha a sua melodia própria. As canções finais, que alguns acham até que são canções religiosas, são melódicas, mas é de uma melodia extremamente moderna, não tem nada a ver com aquele pieguismo sonoro do Verlaine. Não há nenhuma influência de um sobre o outro. O encontro foi um acidente desagradável na vida dos dois. Porque o Verlaine poderia ter tido uma carreira muito mais realizada do ponto de vista da poética, e o Rimbaud poderia hoje ser muito mais lido na sua obra do que essa coisa boba das novas gerações de ficarem preocupadas com a biografia dele.

Você já traduziu Blake, Malraux, Breton, Hesse, Strindberg, Svevo, Calvino e tudo de Rimbaud... E agora?
Agora, acabou. Igual ao Rimbaud, que chegou aos 21 anos e falou: “Não tenho mais nada pra fazer”. Eu cheguei à idade dos 80. Também não tenho mais nada para fazer.


A missão de tradutor está completa?
Eu espero que sim. Mas sabe como é… a gente é sensível a seduções. Se o editor miserável chegar e disser: “mas você não traduziu fulano de tal...”, eu sou capaz de quebrar o compromisso comigo mesmo de encerrar (risos).


FOTOS E DESENHOS

A edição bilíngue da Poesia completa de Rimbaud (Topbooks) foi lançada no Brasil pela primeira vez em 1994. Dez anos depois, por ocasião dos 150 anos de nascimento do poeta, ganhou nova edição. A Prosa poética de Rimbaud, por sua vez, foi lançada pela mesma Topbooks em 1998, e rendeu a Ivo Barroso o Prêmio Jabuti de melhor tradução do ano. Agora, em Correspondência, estão incluídas 28 ilustrações, entre elas fotografias feitas pelo próprio Rimbaud na África, além de desenhos feitos por ele, por sua irmã Isabelle e por Paul Verlaine.

Cordialmente, Arthur Rimbaud

Posted by Profº Monteiro on março 08, 2017

Cordialmente, Arthur Rimbaud
Primeira edição brasileira com as cartas do poeta mostra uma vida partida em duas, entre o gênio precoce e a existência errante na África
Miguel Conde

Autorretrato na varanda de casa,
no Harar (1883)
Num dia de julho de 1873, o poeta Paul Verlaine andava pelas ruas de Londres levando uma rara provisão de comida e a dose costumeira de bebida para a casa onde vivia com Arthur Rimbaud, o jovem talentoso por quem há pouco mais de um ano abandonara a mulher, o filho, o emprego, e de modo geral todos os compromissos que até então fazi-am dele um integrante respeitável da sociedade parisiense. Ao se aproximar do número 8 da Great College Street, porém, ouviu o grito sarcástico do amante: "Que ar de babaca, com esse arenque e a garrafa na mão!".

Seria apenas uma provocação infantil, não fossem as incontáveis punhaladas (metafóri-cas e literais) já trocadas pelos dois escritores em sua rotina de brigas, bebedeiras e pe-núria. Decidido a encerrar o relacionamento que descreveu como "um amor de tigres", Verlaine embarcou para a Antuérpia. Abandonado, Rimbaud escreveu ao amante uma carta derramada: "Volte, volte, querido amigo, único amigo, volte. Juro que serei bom. Se fui mordaz com você, foi só por besteira e teimosia, arrependo-me mais do que se possa dizer". Verlaine tinha motivos para duvidar. Longe de ser uma besteira ocasional, a mordacidade era um hábito cultivado com prazer pelo remetente, como se pode ver no recém-lançado Arthur Rimbaud: Correspondência (Topbooks, 476 páginas, R$ 59).
Primeira edição brasileira a reunir todas as cartas conhecidas de Rimbaud, o livro traz escritos que vão da adolescência aos últimos dias do poeta, expondo uma vida intensa e atribulada, partida em duas metades: a do jovem brilhante, talentoso e impertinente que entremeava maledicências e trocadilhos escatológicos com poemas hoje contados entre os maiores da literatura moderna; e a do comerciante objetivo que relatava em tom só-brio suas expedições pela África, onde tentava juntar dinheiro para um dia viver de ren-da, sem trabalhar.
Cartas queimadas pela mulher de Verlaine
Tradução, notas e comentários são do poeta Ivo Barroso, um rimbaudiano devotado que conclui assim o trabalho de verter para o português as obras completas de Rimbaud, formadas ainda pelos volumes "Poesia completa" e "Prosa poética" lançados também pela Topbooks. Encerrado o trabalho, iniciado em 1972 com a tradução de "Uma estadia no inferno", Barroso vai doar sua biblioteca de e sobre o poeta para o Centro Cultural Banco do Brasil.

Rimbaud sonhando em se engajar nas tropas carlistas, desenho de Verlaine
– As cartas mostram que Rimbaud era de uma ironia terrível. Era um cara insuportável, mas um gênio indiscutível. Considero as "Iluminações" o maior momento da poesia de todos os tempos. Minha tese é que depois delas Rimbaud sentiu que não havia nada mais a fazer. Ele era incapaz de se repetir, evoluía a cada poema – diz.
As notas contextualizam as cartas e acabam compondo um breve perfil biográfico do escritor. Algumas poucas cartas escritas por Verlaine, pela mãe e pela irmã de Rimbaud também foram incluídas, assim como os depoimentos de Rimbaud e Verlaine à polícia sobre o episódio em que o primeiro foi baleado pelo segundo.
No conjunto da correspondência, o relacionamento dos dois aparece de forma breve, já que a mulher de Verlaine, Mathilde, destruiu todas as cartas enviadas a seu marido pelo amante. Quando a irmã de Rimbaud as solicitou, Mathilde respondeu: "As cartas dirigi-das a Verlaine por seu irmão Rimbaud em nada poderiam servir à glória desse último. Se sua família e seus amigos as tivessem lido, como eu e meu pai, decerto me seriam gratos por havê-las destruído".
Um fragmento de uma carta enviada por Rimbaud queixando-se da modorra em Charle-ville, sua provinciana cidade natal, da qual fugia sempre que possível, dá uma ideia do tom da correspondência: "O trabalho está maisa está de meu olho. Merda para mim! Merda para mim! Merda para mim! Merda para mim? Merda para mim! Merda para mim! Merda para mim! Merda para mim!". longe de mim do que minha unh
Teoria do poeta vidente, que cria sua linguagem
É em suas primeiras cartas, enviadas a poetas menores com cuja ajuda Rimbaud contava para ter suas obras publicadas, que o jovem escritor discorre sobre sua busca por uma poesia nova. A mais famosa é a enviada a Paul Demeny em maio de 1871, que começa com o aviso imperativo "Resolvi proporcionar-lhe uma hora de literatura nova", e pros-segue com a famosa teoria de Rimbaud do poeta como vidente, que por meio do "desre-gramento de todos os sentidos" "alcança o insabido" e deve inventar uma linguagem para dizê-lo: "A Poesia não marcará mais o ritmo da ação; ela estará na frente".
Apenas quatro anos depois, aos 21 de idade, Rimbaud deixaria de lado essas ambições para iniciar uma segunda vida e uma série de viagens que o levariam por fim à África. A vida errante e o trabalho em condições "miseráveis", como diria mais de uma vez, lhe pareciam melhores do que a permanência na França: "É evidente que não vim aqui para ser feliz. E todavia não posso abandonar essas regiões, agora que já sou conhecido e posso encontrar meios de viver — ao passo que em outra parte eu apenas morreria de fome".
Os pedidos por livros são frequentes, mas tudo que o comerciante procura agora são manuais práticos de construção, geologia, mapas. O talento descritivo e o humor negro ainda aparecem no entanto em várias cartas, como aquela em que Rimbaud descreve à mãe e à irmã sua adaptação às muletas, após ter a perna amputada devido ao câncer nos ossos que terminaria por matá-lo. A doença o levaria afinal de volta à França, de onde saíra para ganhar a vida, e para onde retornou em busca de cura.
Publicado na capa do Segundo Caderno de O Globo em 7.12.2009.

COBRA

Posted by Profº Monteiro on março 07, 2017

COBRA

Movimento artístico criado na Holanda, Sigla de Copenhague-Bruxelas-Amsterdam, grupo artístico europeu que surgiu entre 1948 e 1951. Ligado esteticamente ao expressionismo figurativo, teve como principais representantes Asger Jorn, Karel Appel e Pierre Alechinski. Assim como as obras de Jackson Pollock essa pintura é gestual, livre, violenta na escolha de cores e texturas.
Principais Artistas:
PIERRE ALECHINSKY, pintor e gravador belga. Um dos mais jovens integrantes do grupo Cobra, marcou sua obra pelo tachismo. Participou da XI Exposição Internacional do Surrealismo, em 1965.
ASGER JORN, pintor dinamarquês. Sua obra é caracterizada pelo uso de cores vivas e formas distorcidas. Sofreu influência dos pintores James Ensor e Paul Klee.
KAREL APPEL, pintor holandês. Criador de uma obra vigorosa e colorida, caracterizada pela figuração rude e simplificada. Realizou também esculturas em madeira e metal.

ARTE NAÏF O que é Arte Naïf?

Posted by Profº Monteiro on março 06, 2017

ARTE NAÏF

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É a arte da espontaniedade, da criatividade autêntica, do fazer artístico sem escola nem orientação, portanto é instintiva e onde o artista expande seu universo particular. Claro que, como numa arte mais intelectualizada, existem os realmente marcantes e outros nem tanto.
Art naïf (arte ingênua) é o estilo a que pertence a pintura de artistas sem formação sistemática. Trata-se de um tipo de expressão que não se enquadra nos moldes acadêmicos, nem nas tendências modernistas, nem tampouco no conceito de arte popular.
Esse isolamento situa o art naïf numa faixa próxima à da arte infantil, da arte do doente mental e da arte primitiva, sem que, no entanto, se confunda com elas.
Assim, o artista naïf é marcadamente individualista em suas manifestações mais puras, muito embora, mesmo nesses casos, seja quase sempre possível descobrir-lhes a fonte de inspiração na iconografia popular das ilustrações dos velhos livros, das folhinhas suburbanas ou das imagens de santos. Não se trata, portanto, de uma criação totalmente subjetiva, sem nenhuma referência cultural.

O artista naïf não se preocupa em preservar as proporções naturais nem os dados anatômicos corretos das figuras que representa.

Características gerais:

• Composição plana, bidimensional, tende à simetria e a linha é sempre figurativa
• Não existe perspectiva geométrica linear.
• Pinceladas contidas com muitas cores.

Principal Artista:

Henri Rousseau
(1844-1910), Iníciom de pouca instrução geral e quase nenhuma formação em pintura. Em sua primeira exposição foi acusado pela crítica de ignorar regras elementares de desenho, composição e perspectiva, e de empregar as cores de modo arbitrário. Estreou com uma original obra-prima, "Um dia de carnaval", no Salão dos Independentes. Criou exóticas paisagens de selva que lembram tramas de sonho e parecem motivadas pelos sentimentos mais puros. Nos primeiros anos do século XX, após despertar a admiração de Alfred Jarry, Guillaume Apollinaire, Pablo Picasso, Robert Delaunay e outros intelectuais e artistas, seu trabalho foi reconhecido em Paris e posteriormente influenciou o surrealismo.

O amor é difícil por André Abujamra

Posted by Profº Monteiro on março 05, 2017

O amor é difícil 
por André Abujamra


Eu aqui do alto desse edifício penso no fim desde o início
Eu aqui na beira do precipício constato, de fato
Que o amor, esse é difícil
Cai em pingos de piano na minha sopa
Cai em pingos de piano na minha roupa
Pancadas no andar de cima do meu coração
Caldos de piscina são como beijos de paixão
A hipnose da flauta e que é serpente
A última dose afogou o amor da gente
E você é culpada até os dentes
O amor, esse é difícil
O amor, esse é difícil
É mais fácil achar um diamante do tamanho de um ovo de ema
É mais fácil levantar uma montanha com as próprias mãos
É mais fácil tocar tabla indiana de ponta-cabeça
É mais fácil agarrar com a unha vinte touros, dois leões e um tubarão
O amor, esse é difícil
O amor, esse é difícil
É mais fácil limpar o Cristo Redentor com cotonete
É mais fácil dar a volta ao mundo de mobilete
É mais fácil assobiar chupando cana de pijama
É mais fácil ser mais calmo que o Dalai Lama
Sem você eu não sei aonde ir
Je t'aime mois non plus
E sempre bom ver você sorrir
Je vous salue Marie
Onde andarás?

A ERA DO CACAREJO

Posted by Profº Monteiro on março 05, 2017
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A ERA DO CACAREJO
“Num momento como o nosso, em que somos atazanados por um bando
de palpiteiros ensandecidos, que manifestam permanentemente os
próprios pensamentos, Rimbaud recorda as infinitas virtudes do silêncio.
Ele é um modelo para todos nós”.


Rimbaud espancava Verlaine. Eu invejo Rimbaud. Eu gostaria de ter espancado Verlaine. Eu gostaria de ter espancado qualquer poeta simbolista. Verlaine vingou-se alguns anos mais tarde, num quarto de hotel, dando dois tiros em Rimbaud. Eu também invejo Verlaine. Ele tinha apenas má pontaria.
A editora Topbooks, depois de publicar os poemas de Rimbaud, agora publicou suas cartas, otimamente traduzidas e comentadas por Ivo Barroso. O primeiro lote de cartas mostra Rimbaud e Verlaine espancando um ao outro e atirando um no outro. Qual é o interesse disso? Para mim, nenhum. Eu poria os dois na cadeia. De fato, os dois foram parar na cadeia. O que realmente interessa é o segundo lote de cartas, escritas a partir de 1875, quando Rimbaud abandonou a poesia e passou a perambular de um lado para o outro. Num intervalo de apenas dezesseis anos – ele morreu em 1891 –, Rimbaud fez tudo o que uma pessoa dotada de um pingo de senso de dignidade quereria fazer: foi embora de Paris, que é uma cidade de maricotes; entranhou-se no deserto etíope, contraindo uma série de enfermidades; comercializou camelos; ganhou dinheiro e perdeu dinheiro; negociou armas dos mais variados calibres, permitindo o massacre de um monte de gente inocente; pegou um tumor no joelho e teve a perna amputada; morreu em Marselha, com muitas dores e pedindo ajuda a Deus, que caprichosamente se recusou a ajudá-lo.
Os poetas simbolistas, no tempo de Rimbaud, faziam uma grita danada. Eles se reuniam nos bares e bradavam seus versos. Nem quando eram espancados eles se calavam. Hoje é muito pior. A grita aumentou descomunalmente. Há gente demais papagaiando ao mesmo tempo. Estamos cercados de poetas simbolistas. Eles se espalharam por todos os cantos e se acotovelam brutalmente para conseguir recitar uns decassílabos. O presidente da República é um poeta simbolista. O chefe de cozinha é um poeta simbolista. Até o poeta simbolista é um poeta simbolista. Em 1875, depois de levar dois tiros de Verlaine, Rimbaud afastou-se disso tudo. Ele simplesmente resolveu parar de cacarejar e de ouvir o cacarejo alheio. Numa Álbum das Serrarias Agrícolas e Florestaisde suas cartas, de Aden, ele aparece encomendando alguns livros. De poesia simbolista? Ao contrário. Ele encomenda o Livro de Bolso do Carpinteiro, o Manual do Vidraceiro e o .
Num momento como o nosso, em que somos atazanados por um bando de palpiteiros ensandecidos, que manifestam permanentemente os próprios pensamentos, Rimbaud recorda as infinitas virtudes do silêncio. Ele é um modelo para todos nós. Ele é um modelo para o presente. Em suas cartas, Rimbaud mostra que temos poetas simbolistas de mais e carpinteiros de menos. Ele mostra que temos poetas simbolistas de mais e vidraceiros de menos. Eu pergunto: já encomendou seu Livro de Bolso do Carpinteiro?

Publicado na revista VEJA de 6 de fevereiro de 2010