Surrealismo. O movimento artístico do surrealismo

Posted by Profº Monteiro on março 05, 2017

SURREALISMO

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Nas duas primeiras décadas do século XX, os estudos psicanalíticos de Freud e as incertezas políticas criaram um clima favorável para o desenvolvimento de uma arte que criticava a cultura européia e a frágil condição humana diante de um mundo cada vez mais complexo. Surgem movimentos estéticos que interferem de maneira fantasiosa na realidade.
O surrealismo foi por excelência a corrente artística moderna da representação do irracional e do subconsciente. Suas origens devem ser buscadas no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio De Chirico.
Este movimento artístico surge todas às vezes que a imaginação se manifesta livremente, sem o freio do espírito crítico, o que vale é o impulso psíquico. Os surrealistas deixam o mundo real para penetrarem no irreal, pois a emoção mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar apenas com a aproximação do fantástico, no ponto onde a razão humana perde o controle.
A publicação do Manifesto do Surrealismo, assinado por André Breton em outubro de 1924, marcou historicamente o nascimento do movimento. Nele se propunha a restauração dos sentimentos humanos e do instinto como ponto de partida para uma nova linguagem artística. Para isso era preciso que o homem tivesse uma visão totalmente introspectiva de si mesmo e encontrasse esse ponto do espírito no qual a realidade interna e externa são percebidas totalmente isentas de contradições.
A livre associação e a análise dos sonhos, ambos métodos da psicanálise freudiana, transformaram-se nos procedimentos básicos do surrealismo, embora aplicados a seu modo. Por meio do automatismo, ou seja, qualquer forma de expressão em que a mente não exercesse nenhum tipo de controle, os surrealistas tentavam plasmar, seja por meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas, as imagens da realidade mais profunda do ser humano: o subconsciente.
O Surrealismo apresenta relações com o Futurismo e o Dadaísmo. No entanto, se os dadaístas propunham apenas a destruição, os surrealistas pregavam a destruição da sociedade em que viviam e a criação de uma nova, a ser organizada em outras bases. Os surrealistas pretendiam, dessa forma, atingir uma outra realidade, situada no plano do subconsciente e do inconsciente. A fantasia, os estados de tristeza e melancolia exerceram grande atração sobre os surrealistas, e nesse aspecto eles se aproximam dos românticos, embora sejam muito mais radicais.
Destacamos os artistas:
Salvador Dali – é, sem dúvida, o mais conhecido dos artistas surrealistas. Estudou em Barcelona e depois em Madri, na Academia de San Fernando. Nessa época teve oportunidade de conhecer Lorca e Buñuel. Suas primeiras obras são influenciadas pelo cubismo de Gris e pela pintura metafísica de Giorgio De Chirico. Finalmente aderiu ao surrealismo, junto com seu amigo Luis Buñuel, cineasta. Em 1924 o pintor foi expulso da Academia e começou a se interessar pela psicanálise de Freud, de grande importância ao longo de toda a sua obra. Sua primeira viagem a Paris em 1927 foi fundamental para sua carreira. Fez amizade com Picasso e Breton e se entusiasmou com a obra de Tanguy e o maneirista Arcimboldo. O filme O Cão Andaluz, que fez com Buñuel, data de 1929. Ele criou o conceito de “paranóia critica“  para referir-se à atitude de quem recusa a lógica que rege a vida comum das pessoas .Segundo ele, é preciso “contribuir para o total descrédito da realidade”. No final dos anos 30 foi várias vezes para a Itália a fim de estudar os grandes mestres. Instalou seu ateliê em Roma, embora continuasse viajando. Depois de conhecer em Londres Sigmund Freud, fez uma viagem para a América, onde publicou sua biografia A Vida Secreta de Salvador Dali (1942). Ao voltar, se estabeleceu definitivamente em Port Lligat com Gala, sua mulher, ex-mulher do poeta e amigo Paul Éluard. Desde 1970 até sua morte dedicou-se ao desenho e à construção de seu museu. Além da pintura ele desenvolveu esculturas e desenho de jóias e móveis.
Joan Miró – iniciou sua formação como pintor na escola de La Lonja, em Barcelona. Em 1912 entrou para a escola de arte de Francisco Gali, onde conheceu a obra dos impressionistas e fauvistas franceses. Nessa época, fez amizade com Picabia e pouco depois com Picasso e seus amigos cubistas, em cujo grupo militou durante algum tempo. Em 1920 Miró instalou-se em Paris (embora no verão voltasse para Montroig), onde se formara um grupo de amigos pintores, entre os quais estavam Masson, Leiris, Artaud e Lial. Dois anos depois adquiriu forma La masía, obra fundamental em seu desenvolvimento estilístico posterior e na qual Miró demonstrou uma grande precisão gráfica. A partir daí sua pintura mudou radicalmente. Breton falava dela como o máximo do surrealismo e se permitiu destacar o artista como um dos grandes gênios solitários do século XX e da história da arte. A famosa magia de Miró se manifesta nessas telas de traços nítidos e formas sinceras na aparência, mas difíceis de serem elucidadas, embora se apresentem de forma amistosa ao observador. Miró também se dedicou à cerâmica e à escultura, nas quais extravasou suas inquietações pictóricas.
Frida Kahlo (1907-1954) pintora mexicana e seu nome completo era Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón. Apesar dos seus quadros serem classificados como surrealistas, própria Frida negava que era surrealista, pois dizia que não pintava sonhos, mas sua própria realidade. Destacou-se ao defender o resgate à cultura dos astecas como forma de oposição ao sistema imperialista cultural europeu. Estudou, no início da juventude, na Escola Preparatória Nacional. Com 18 anos de idade sofreu um grave acidente de ônibus. Para ocupar as horas vagas, durante a recuperação, passou a pintar. Em agosto de 1929, casou-se com o pintor mexicano Diego Rivera com quem teve um casamento tumultuado e instável. Morou nos Estados Unidos com o marido entre os anos de 1931 e 1934. Divorciou-se de Rivera em 1939, embora tenha mantido relações com ele nos anos seguintes. Em 1939, Frida expôs sua obra em Paris, na galeria Renon et Collea. Sofreu três abortos durante a vida. Teve uma vida marcada, principalmente após o divórcio, pelo consumo abusivo de álcool. Dizia que era para aliviar o sofrimento que sempre marcou sua vida.
O estilo artístico de Frida Kahlo apresenta:
  • Abordagem de temas pouco ortodoxos;
  • Influência da arte folclórica indígena mexicana, cultura asteca, tradição artística europeia, masrxismo e movimentos artísticos de vanguarda;
  • Pintou muitos autorretratos, paisagens mortas e cenas imaginárias;
  • Uso de cores fortes e vivas e abordagem de temas de sua própria vida;
  • Presença de objetos simbólicos em suas obras.
René Magritte (1898-1967) artista belga, pintou imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou-se de processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros mais, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real. René Magritte praticava o surrealismo realista. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

SaibaMais“O sonho não pode ser também aplicado à solução das questões fundamentais da vida?” (fragmento do Manifesto do Surrealismo de André Breton, francês que lançou o movimento).
No mesmo manifesto, Breton define Surrealismo: “Automatismo psíquico pelo qual alguém se propõe a exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento”.

ECLIPSE DE UMA PAIXÃO

Posted by Profº Monteiro on março 05, 2017
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ECLIPSE DE UMA PAIXÃO
(Total Eclipse, EUA/ França, Bélgica, 1995, Cor, 111’)
De: Agnieszka Holland
Com: Leonardo DiCaprio, David Thewlis, Romane Bohringer
Sinopse: Arthur Rimbaud, "o poeta dos sentidos", como ficou conhecido,
revolucionou a poesia do final do século XIX e continua influenciando
escritores e surpreendendo leitores até hoje. O filme foca o turbulento
período de produção literária de Rimbaud, que coincide com o tempo
em que viveu apadrinhado por outro grande poeta, Paul Verlaine. Mas
a admiração de um escritor pelo outro vai além, faz com que ambos
de apaixonem, para desespero da mulher de Verlaine.

Um filme que transcende em si mesmo é assim como pode ser definido Eclipse de Uma Paixão.
Primeiro pela escolha do tema, muito difícil de ser tratado por sinal, que é a vida de Arthur Rimbaud,um dos poetas fundadores da Era Moderna na literatura mundial, sua influência na literatura é absurda, influenciando os mais diversos poetas. Agnieszka Holland conta a vida de Rimbaud  tendo como foco o seu amor, ou pelo menos paixão por outro grande poeta francês do século XIX, Paul Verlaine.
Os elementos estéticos do filme que são dignos de memória são sua trilha sonora belíssima,
a fotografia muito forte e atuações convincentes. A diretora, uma das mais aclamadas diretoras da Polônia – um dos grandes nomes da dita Nova Onda Polonesa – optou por fazer um retrato um pouco mais intimista de um amor, na verdade um confuso triângulo amoroso, homossexual.
Tal triângulo amoroso é formado pelos nossos poetas e a esposa de Verlaine, que passa o filme inteiro explicando que não a ama inteira, que ama apenas seu corpo, nos levando a pensar que se trata apenas de volúpia sexual e luxúria.
Ela, Holland, preferiu não cair nem em um tom panfletário-ideológico nem no juízo de
valor moral. Rimbaud e Verlaine são, antes de serem resumidos às suas respectivas sexualidades,dois seres humanos que se apaixonam perdidamente e decidem viver as suas vidas juntos, até o ponto onde um amor tresloucado pode ser levado. Outro mérito para a diretora polonesa é o fato de as atuações não serem nem caricaturadas, muito fácil de acontecer quando são retratados homossexuais no cinema, nem serem naturalista. Ela preferiu atuações que deixassem revelar o íntimo de cada personagem. Ponto alto para Leonardo DiCaprio, em uma de suas atuações mais maduras, e David Thewlis, ator inglês de muito talento. E não podemos nos esquecer que o  filme retrata a vida de Rimbaud e Verlaine, o primeiro um poeta-revolucionário inquieto e rebelde, e o segundo um dândi excêntrico e tedioso da vida. Enfim, dois personagens muito marcantes e autênticos. Mas voltamos à questão da representação desse relacionamento tão conturbado e ao mesmo tempo tocante, pois fora marcado por agressões físicas e cartas de amor apaixonadas.
É um desafio muito grande para o cinema moderno retratar o homossexualismo, há sempre dois caminhos a serem escolhidos: o da exaltação, como algumas obras de Pasolini, ou do escárnio, como em algumas pornochanchadas brasileiras. Agnieszka Holland acertou em retrata o amor e não a opção sexual dos escolhidos, de longe um dos melhores filmes sobre o gênero, em ambos os sentidos, que eu já vi.
Há somente duas críticas a serem feitas sobre o filme: seu ritmo, às vezes beirando ao monótono e o apelativo (como a cena onde Verlaine perde sua virgindade) e parte do roteiro que se
estendeu demais e se escondeu demais em determinadas partes, como o julgamento de
Verlaine em Bruxelas por agressão física e sodomia, que é uma grande omissão por parte
tanto do roteirista quando do editor, mas principalmente de Agnieszka Holland.

ARTE PRÉ-HISTÓRICA

Posted by Profº Monteiro on março 05, 2017
 Arte Pré-Histórica


Um dos períodos mais marcantes da história humana é a Pré-História. É chamado também de Era Ágrafa, período que antecedeu à invenção da escrita. Ganha esse nome porque é um período que não foi registrado por nenhum documento escrito, no entanto, o homem pré-histórico registrou sua evolução através dos seus instrumentos, armas, fósseis, utensílios, gravuras, pinturas e fragmentos de joalheria e ornamentação.

Tudo o que sabemos da raça humana que viveu nesse tempo é o resultado da pesquisa de antropólogos, historiadores e arqueólogos, que reconstituíram as evoluções dessa época.

A produção artística do homem pré-histórico, pelo menos a que foi encontrada e conservada, em grande parte, é representada por objetos portadores de uma utilidade, seja ela doméstica ou religiosa.

Como a duração da Pré-História foi muito longa, os historiadores a dividiram em períodos: Paleolítico Inferior (c. 500 mil a.C.), Paleolítico Superior (c. 30 mil a.C.), Neolítico (c. 10 mil a.C.) e a Idade dos Metais (c. 6 mil a 4 mil a.C.), baseado nas culturas encontradas na Europa, pois lembramos que no Oriente, desde o ano 5.000 a.C., existiram culturas com alto grau de civilização, que já tinham iniciado sua história.

Temos como objetivo estudar a evolução da arte da Pré-História, assim vamos conhecer sua história partindo do Paleolítico Superior, pois é nesse momento que os pesquisadores registram as primeiras manifestações artísticas.

PALEOLÍTICO SUPERIOR

Os homens do período Paleolítico Superior (c. 30 mil a 10 mil a.C.) eram nômades, deslocavam-se de um lugar para outro em busca de alimentos, ou seja, procuravam tudo o que era necessário para sustentar a vida por meio da caça, da pesca, da coleta de frutos, sementes e raízes. Os indivíduos confeccionavam e utilizavam objetos de pedra lascada, ossos e dentes de animais.

Nessas sociedades, os homens e as mulheres viviam em bandos, dividindo o espaço e as tarefas. Para se protegerem do frio, da chuva, e dos animais ferozes, buscavam abrigo nas cavernas ou reentrâncias de rochas.

A principal característica dos desenhos desse período é o naturalismo. Utilizavam as pinturas rupestres, isto é, feitas em rochedos e paredes de cavernas. Aparecem primeiro macarrões – pintados ludicamente sobre barro mole – impressões de mãos e pés, e mais tarde o desenho.

O artista desenhava e pintava os seres, um animal, por exemplo, do modo como o via de uma determinada perspectiva, reproduzindo a natureza tal qual sua vista captava. Tudo parece indicar uma relação com ritos ou crenças e à apropriação. Para homens como os do Paleolítico Superior, desconhecedores da agricultura e da domesticação de animais, caçadores sempre ao capricho de clemência do tempo e provavelmente ao azar, sempre temerosos pelo dia de amanhã, esses animais eram tudo.

Atualmente, a explicação mais aceita é que essa arte era realizada por caçadores, e que fazia parte do processo de magia por meio do qual se procurava interferir na captura de animais, ou seja, o pintor-caçador do Paleolítico supunha ter poder sobre o animal desde que possuísse a sua imagem. Acreditava que poderia matar o animal verdadeiro desde que o representasse ferido mortalmente num desenho.

Os primeiros Homo Sapiens refugiaram-se nos lugares que a natureza lhes oferecia. Esses locais poderiam ser aberturas nas rochas, cavernas, grutas ao pé de montanhas ou até no alto delas.

As marcas da presença humana do Período Paleolítico podem ser vistas até hoje em pinturas rupestres encontradas em cavernas, preservadas até hoje, onde eles desenhavam cenas do seu cotidiano. Existem vários exemplos pelo mundo, que demonstram a pintura rupestre, destacamos abaixo algumas delas.

A Caverna de Altamira, no município de Santillana Del Mar, na Espanha, há quase uma centena de desenhos feitos há 14 mil anos, descobertos por acaso em 1879, por Marcelino Sanz de Santoula, que morreu em 1888 sem ter conseguido que se reconhecesse a validade do seu achado, pois, a autenticidade só foi reconhecida em 1902.

A Caverna de Lascaux, em Dordonha, na França, que teve suas pinturas descobertas em 1940, datadas de 15 mil a 17 mil anos a.C. As ilustrações retratam com excelentes detalhes numerosas espécies de animais como cavalos, cervos, bovinos e felinos. Entre os desenhos há apenas uma figura humana desenhada na gruta: um homem com cabeça de pássaro. A cor preta, por exemplo, contém carvão moído e dióxido de manganês.

Na Caverna de Chauvet, localizada no sul da França, no Vallon-Pont-d’Arc. São 425 figuras de animais, sendo principalmente rinocerontes, leões e mamutes, gravados nas paredes e estalactites. Descoberta ao acaso por espeleólogos amadores, em 1994, as pinturas presentes na caverna são consideradas as mais antigas produções artísticas que se têm conhecimento. Possuem alto nível de elaboração das representações pictóricas. Técnicas de sombreamento das imagens, de raspagem das paredes antes de pintá-las e o esfumaçamento das cores evidenciam a complexidade técnica desenvolvida pelos seres humanos do Paleolítico para expressar artisticamente as experiências de sua vida.

A gruta de Niaux, no sul de França, na região dos Pireneus, no vale de Vicdessos, descoberta pelo arqueólogo Émile Cartailhac, em 1906, possui uma galeria larga designada de Salão Negro. Nessa sala há 13 mil desenhos magníficos de bisontes, cavalos e cabras.

Acredita-se que os materiais mais usados como aglutinante para as pinturas rupestres foram sangue, argila, excrementos humanos, látex de plantas, gordura e clara de ovos de animais. A cor era obtida misturando-se o pó de rochas, com destaque para o óxido de ferro, que tem a coloração vermelho-alaranjada.

Além das pinturas, eles produziram algumas peças de artesanato bastante simples. Vestiam-se de peles e couros de animais que conseguiam abater com suas armas rudimentares.

A descoberta e o domínio do fogo trouxeram-lhe muitos benefícios como aquecimento, cozimento dos alimentos, especialmente a carne, e da argila, e facilitava a habitação em cavernas pela iluminação e proteção contra animais selvagens.















Os artistas do Paleolítico Superior realizaram também trabalhos em escultura. Mas, tanto na pintura quanto na escultura, predominam as figuras femininas com a cabeça surgindo como prolongamento do pescoço, seios volumosos, ventre saltado e grandes nádegas. A maioria dos especialistas coincide em atribuir a estas “vênus” paleolíticas certos fins culto-mágicos relacionados à fecundidade feminina. Estudos etnológicos recentes sobre comunidades primitivas atuais sugerem que ditas estatuetas possam ser representações de divindades ou espíritos protetores de animais e homens, que asseguravam a existência daqueles e o êxito da atividade de caça destes.






MESOLÍTICO

O período Mesolítico ou Idade Média da Pedra (c. 9 mil a 5 mil a.C.) só existiu em algumas regiões do mundo onde não houve transição direta entre os períodos Paleolítico e Neolítico, pois, a evolução histórica se deu diferente em determinadas regiões.

Trata-se de um período de transição, em que as populações se tornaram mais sedentárias e descobriram novas fontes de alimentos, tais como moluscos e ervam comestíveis, agora que a maior parte do mundo encontrava-se livre do gelo.

Os hábitos das culturas do Mesolítico estavam pautados em assentamentos estacionais de inverno e acampamentos de verão, embora em algumas regiões costeiras europeias e no Próximo Oriente começassem a viver de modo mais sedentário.

As armas mais abundantes eram os arcos, feitos de madeira e tendões de animais, com flechas que incorporavam na sua ponta micrólitos de variadas formas geométricas. Também utilizavam flechas manufaturadas inteiramente em osso, em corno ou em madeira.

A arte tornou-se conceitual e racionalista, baseada no geométrico e no abstrato. No Levante espanhol grupos humanos deixaram pinturas mais esquemáticas tratando cenas mais complexas de caça, de danças e ritos mágicos.

Para certos autores a revolução neolítica começou a gestar-se realmente durante o Mesolítico. Durante esse período apareceram grupos de caçador-coletores especializados em escassos tipos de recursos abundantes e seguros, que podiam ser armazenados durante boa parte do ano, o que lhes permitiu aumentar a demografia e tornarem-se sedentários. A acumulação de bens teria provocado as primeiras desigualdades sociais e a aparição das hierarquias, encabeçadas por aqueles que teriam se encarregado da gestão de excedentes.





NEOLÍTICO

O termo Neolítico foi adotado porque as armas e os instrumentos de pedra passaram a ser feitos então pelo método de polimento mediante atrito, ao invés da fratura e separação de lascas, como nos períodos anteriores. Por isso, também é chamada de Idade da Pedra Polida (c. 10 mil a 5 mil a.C.).

A fixação do homem do Neolítico foi garantida pelo cultivo da terra e pela manutenção de manadas, ocasionou um aumento rápido da população e o desenvolvimento das primeiras instituições, como família e a divisão do trabalho.

Assim, o homem do Neolítico desenvolveu a técnica de tecer panos, de fabricar cerâmicas e construiu as primeiras moradias, constituindo-se os primeiros arquitetos do mundo e passou a ser sedentário, fixando-se a terra, criando as primeiras aldeias e cidades.

Desse período temos as construções denominadas Dolmens, que consistem em duas ou mais pedras grandes fincadas verticalmente no chão, como se fossem paredes, e uma grande pedra era colocada horizontalmente sobre elas, parecendo um teto.

Encontramos também os Menires que são monumentos megalíticos, pedras gigantes cravadas verticalmente no solo, dispostos sozinhos ou em fileiras. Cromlech são menires dispostos em círculo.

O Santuário de Stonehenge, em Salisbury, no sul da Inglaterra, pode ser considerado uma das primeiras obras da arquitetura. Ele apresenta um enorme círculo de pedras erguidas a intervalos regulares, que sustentam traves horizontais rodeando outros dois círculos interiores. No centro do último está um bloco semelhante a um altar. O conjunto está orientado para o ponto do horizonte onde nasce o Sol no dia do solstício de verão, indício de que se destinava às práticas rituais de um culto solar. Lembrando que as pedras eram colocadas umas sobre as outras sem a união de nenhuma argamassa.

Outras construções com função religiosa estão na ilha de Malta, como o Templo de Ggantija e os menires de Carnac, na França.

O homem, que se tornara um camponês, não precisava mais ter os sentidos apurados do caçador do Paleolítico, e o seu poder de observação foi substituído pela abstração e racionalização. Como consequência surge um estilo simplificador e geométrico, sinais e figuras mais que sugerem do que reproduzem os seres. Os próprios temas da arte mudaram, começaram as representações da vida coletiva.

Além de desenhos e pinturas, o artista do Neolítico produziu uma cerâmica que revela sua preocupação com a beleza e não apenas com a utilidade do objeto, pois armazenava e transportava os grãos excedentes da agricultura. Na mesma época em que se inventou a cerâmica – por volta de 5 mil a.C. – o homem conheceu os metais.


















IDADE DOS METAIS

A Idade dos Metais (c. 6 mil a 4 mil a.C.) foi marcada pela descoberta da técnica de metalurgia, fabricando diversos utensílios com metais, como ferramentas, armas e utensílios para a comunidade. O primeiro metal utilizado foi o cobre. De início martelado a frio, depois fundido no fogo e moldado em formas de barro ou pedra. Mais tarde, o homem descobriu a liga do cobre com o estanho, obtendo o bronze, que é um metal mais resistente. O bronze foi muito utilizado na fabricação de espadas, armaduras, ferramentas e objetos de adorno. Com o uso de forjas e foles, a metalurgia melhorou e o homem aprendeu a lidar com ferro.

Nesse período, o homem inventou a roda, o arado de bois e aparecem os primeiros registros da escrita.

Durante esse período, as pequenas aldeias de agricultores transformaram-se em núcleos urbanos, submetidas à autoridade política de um chefe. Apesar da caça ser uma atividade importante, os seus moradores também criavam ovelhas e gado para alimentação e vestimentas.

TÉCNICA DO CARBONO-14

Texto de LAHR, Marta Mirazón. Folha de S.Paulo. 15 Junho 1997.

O carbono é um dos elementos mais importantes na composição dos organismos. Os seres vivos absorvem constantemente uma forma estável desse carbono, o carbono-14, que tem uma “meia-vida” de cerca de 5.730 anos (meia-vida é o tempo necessário para reduzir pela metade, através de desintegração, a massa de uma amostra desse elemento radioativo). Depois que morre, o organismo deixa de receber carbono-14. Esse, agora um fóssil, vai perdendo seu carbono-14 pela desintegração (ou “decaimento”). Para medir o que restou de C-14 é preciso queimar um pedaço do fóssil, transformando-o em gás, que é analisado por detectores de radiação. O C-14, ao se desintegrar emite elétrons que podem ser captados pelos detectores. O índice de C-14 é comparado com o carbono não radioativo, o C-12, para se checar quanto do carbono radioativo decaiu, e com isso determinar a data na qual o organismo morreu. Uma variante mais moderna da técnica é a AMS (sigla em inglês para espectrometria de massa por acelerador), que também mede a proporção na amostra do carbono-14. Sua vantagem é poder fazer a medição, diretamente, sem que seja necessário queimar parte razoável da amostra para fazer o teste. A datação por esse método é especialmente valiosa para materiais orgânicos.

O trajeto marítimo do Homo erectus.
Os primeiros homens da América.