Aula O Modernismo de Guimarães Rosa

Posted by Profº Monteiro on março 01, 2017
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retirado Equipe Passeiweb



Guimarães Rosa (imagem ao centro), no dia da posse na ABL, em 16 de novembro
de 1967. Cortesia IEB-USP Fundo Guimarães Rosa


Rosa e o Modernismo

O início da carreira literária de Guimarães Rosa aconteceu oficialmente em 1946, com a publicação do livro de contos Sagarana, ao qual se sucederam a reportagem "Com o vaqueiro Mariano", em 1952, (incluída depois em Estas Estórias), o volume de novelas Corpo de Baile e o romance Grande Sertão: Veredas, em 1956; Primeiras Estórias, em 1962, Tutaméia(Terceiras Estórias), em 1967. Em 1969, após a morte do escritor, foram publicados os contos de Estas Estórias, que ele vinha preparando antes de morrer. Em 1970, foram reunidos emAve, Palavra, textos de diversas naturezas (crônicas, discursos etc) escritos durante toda a sua vida.

O livro Corpo de Baile é publicado atualmente em três volumes independentes: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites do Sertão.

Como já visto, a obra de Guimarães Rosa tem início na terceira fase do Modernismo e se impõe como um marco na evolução da literatura brasileira. Os textos regionalistas até então costumavam abordar os problemas brasileiros de uma maneira superficial, transportando para a literatura diversos preconceitos. Nesse aspecto, além de Guimarães Rosa, são também exceções Graciliano Ramos e José Lins do Rego.

O regionalismo de Guimarães Rosa deixa de dar ênfase à paisagem para focalizar o ser humano em conflito com o ambiente e consigo próprio. Dessa maneira, as personagens revelam tanto suas particularidades regionais como sua dimensão universal, ou seja, o que elas têm em comum com o restante da humanidade.
A valorização da cultura sertaneja num momento histórico em que predominava um discurso desenvolvimentista coloca o escritor na contramão da literatura brasileira que, praticamente desde seu início, defendeu a modernização do país. Por trás da atitude de Guimarães Rosa está a percepção de que o progresso condenaria ao silêncio o mundo dos contadores de histórias.

"Está no nosso sangue narrar estórias; já no berço recebemos esse dom para toda a vida. Desde pequenos, estamos constantemente escutando as narrativas multicoloridas dos velhos, os contos e lendas, e também nos criamos em um mundo que às vezes pode se assemelhar a uma lenda cruel. Deste modo a gente se habitua, e narrar estórias corre por nossas veias e penetra em nosso corpo, em nossa alma, porque o sertão é a alma de seus homens."
É possível comparar as diferentes relações que Guimarães Rosa e Graciliano Ramos têm com suas personagens e com o ambiente que elas habitam. Graciliano Ramos aparece como uma consciência crítica, ajudando as personagens a enxergar a miséria de sua condição material e a exploração a que estão sujeitas. Guimarães Rosa tem uma relação de simpatia e identificação com as personagens e a paisagem.

Na obra de Guimarães Rosa, as dualidades e antíteses são comuns para que o conflito do sentimento seja enfatizado. Desse modo, homem e mundo, realidade e devaneio, mundano e divino aparecem sempre em contraste e nos colocam diante de muita angústia, aridez e ceticismo; mas a poesia que perpassa tal obra nos remete a momentos do próprio mundo interior daquelas personagens que, por vezes, retratam nosso desejo de lutas, perdas e glórias.

O sertão e o mundo

Os contos e romances escritos por João Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. A sua obra destaca-se sobretudo pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais. Tudo isso, unindo à sua erudição, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas.

Em Guimarães Rosa transparece todo o misticismo do sertão, uma religiosidade quase medieval, baseada apenas nos dois extremos e marcada pelo medo, pelo pavor, em que há até mesmo a preocupação de não invocar o demo, para que ele não "forme forma"; daí o diabo ser tratado por "o que não existe" ou "o que não é mas finge ser" e expressões semelhantes.

Assim é o sertão de Rosa: ora particular, pequeno e próximo; ora universal e infinito, pois "o sertão é o mundo" ou, melhor ainda, "o sertão é dentro da gente". Por isso, logo na abertura deGrande sertão: veredas, o autor nos situa diante do problema:

"O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucúia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo Jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucúia vem dos montões oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá - fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniões... O sertão está em toda a parte."
O sertão aparece como um lugar político e econômico, mas também como um lugar metafórico e metafísico, refletindo as perturbações interiores das personagens e seus grandes questionamentos. Mais do que um lugar no espaço, entretanto, o sertão rosiano é uma região criada na linguagem, como observou o crítico Antonio Candido.

"Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos [...] O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães... O sertão está em toda parte."
Em Guimarães Rosa, os elementos próprios do sertão são apenas condutores para uma abordagem dos grandes problemas do homem. Suas estórias extraem do regional a elaboração de temas universais, revelando uma visão global da existência: indagações sobre o destino, o significado da vida e da morte, a existência ou não de Deus etc.

As disputas de terra, a utilização de mão-de-obra escrava ou semi-escrava, as gritantes diferenças sócio-econômicas e culturais permeiam toda a obra de Rosa, contemporânea a questões sobretudo relativas a meio-ambiente e sustentabilidade. Em Grande sertão: veredas, Riobaldo, narrador do romance, explica a seu entrevistador que, se ele foi conhecer as potencialidades ambientais e culturais do sertão, havia chegado tarde, pois, naquele momento, tudo já se achava em estado de degradação, em vias de desaparecimento.

Revolução na linguagem

"A música da linguagem deve expressar o que a lógica da linguagem obriga a crer [...]. O melhor dos conteúdos de nada vale, se a linguagem não lhe faz justiça."

A maior inovação nos livros de Guimarães Rosa é a linguagem: criativa, que explora a sonoridade das palavras, incorpora a fala regional, cria termos adaptando expressões de outras línguas. Essa novidade obriga o leitor a refletir sobre o significado das palavras para compreender a nova dimensão dada a conteúdos já conhecidos.

Sobre esse aspecto da obra de Rosa, o professor Eduardo Coutinho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, esclarece: "Como tudo na vida, as formas da linguagem também envelhecem e se tornam completamente inexpressivas após uso prolongado: palavras perdem o seu significado originário, expressões se tornam obsoletas, construções sintáticas inteiras caem em desuso e são substituídas por outras. Cabe, então, ao escritor, consciente de sua missão, refletir sobre cada palavra ou construção que utiliza e fazê-la recobrar sua energia primitiva, desgastada pelo uso. Em outras palavras, ele tem que revitalizar a linguagem".

A fala do povo é utilizada na obra de Guimarães Rosa como linguagem literária, aparecendo não só na fala do sertanejo, mas na própria voz do narrador. Assim, o autor rompe com a tradição em que o narrador escreve "certo" e as personagens falam "errado".

"Escrevo, e creio que este é o meu aparelho de controle: o idioma português, tal como o usamos no Brasil; entretanto, no fundo, enquanto vou escrevendo, eu traduzo, extraio de muitos outros idiomas. Disso resultam meus livros, escritos em um estilo próprio, meu, e pode-se deduzir daí que não me submeto à tirania da gramática e dos dicionários dos outros."
A princípio, percebe-se uma revalorização da linguagem; a seguir, a universalização do regional. O valor da linguagem particular de Guimarães Rosa não está no rebuscamento das palavras no uso de arcaísmos, mas sim nos neologismos, na recriação, na invenção das palavras, sempre tendo como ponto de partida a fala dos sertanejos, suas expressões, suas particularidades. Com isso, as palavras recriadas ganham força e significado novos, como afirma o crítico português Oscar Lopes:

"As metáforas de Guimarães Rosa são tantas e tão originais que produzem um efeito poético radical: o efeito de ressaca do significado novo sobre o significado corrente. A gente lê, por exemplo, que `o sabiá veio molhar o pio no poço, que é bom ressoador', e não fica apenas com uma admirável vocação acústica; as palavras `molhar' e `poço' descongelam-se, libertam-se da sua hibernação dicionarística ou corrente, e perturbam como um reachado todavia surpreendente."
O mesmo estranhamento que a linguagem de Guimarães Rosa provocou no crítico lusitano, podemos perceber em passagens como:

"Joãozinho Bem-Bem se sentia preso a Nhô Augusto por uma simpatia poderosa, e ele nesse ponto era bem-assistido, sabendo prever a viragem dos climas e conhecendo por instinto as grandes coisas. Mas Teófilo Sussuarana era bronco excessivamente bronco, e caminhou para cima de Nhô Augusto. Na sua voz:

- Êpa! Nomopadrofilhospritossantamêin! Avança, cambada de filhos-da-mãe, que chegou minha vez! ...

E a casa matraqueou que nem panela de assar pipocas, escurecida à fumaça dos tiros, com os cabras saltando e miando de maracajás, e Nhô Augusto gritando qual um demônio preso e pulando como dez demônios soltos.

- O gostosura de fim-de-mundo!..."
Trânsito livre da prosa à poesia

Guimarães Rosa aboliu as fronteiras entre prosa e poesia: seus textos são sempre em prosa, mas apresentam inúmeras características que se costumam considerar próprias da poesia, como as rimas, aliterações, onomatopéias etc. É certamente reflexo disso o fato de que as duas narrativas que constituem o livro Manuelzão e Miguilim (Campo geral e Uma estória de amor) são anunciadas no índice como poemas, porque para Guimarães Rosa importa tanto o que é dito (conteúdo) quanto como é dito (forma).

Mesmo a pontuação em seus textos não desempenha uma função ortográfica, mas estética, procurando fazer a escrita se aproximar do ritmo da fala, com travessões, reticências, exclamações, interrogações e, muitas vezes, vírgulas que separam sujeito e predicado, o que evidencia o rompimento do autor com os padrões gramaticais tradicionais, para aderir a uma estética da liberdade.

É importante ressaltar, no entanto, ainda com Eduardo Coutinho, que criando novas formas para a língua portuguesa, Guimarães Rosa "não ultrapassa, em momento algum, as barreiras impostas pela sua estrutura".

Trabalhador detalhista, Rosa estava atento a cada palavra que compunha suas criações e um testemunho de seu processo criativo são os inúmeros cadernos, cadernetas e diários em que anotava fragmentos de realidade que depois usaria na ficção: nomes de animais e plantas, expressões, nomes de lugares e pessoas, tudo.

"Você conhece os meus cadernos, não conhece? Quando eu saio montado num cavalo, por Minas Gerais, vou tomando nota de coisas. O caderno fica impregnado de sangue de boi, suor de cavalo, folha machucada. Cada pássaro que voa, cada espécie, tem vôo diferente. Quero descobrir o que caracteriza o vôo de cada pássaro, em cada momento."
Todo esse trabalho com a linguagem confere mais força ao imaginário mágico criado em suas "estórias". Aproximando-se do que está além da realidade, o contista explora os mistérios do pré-consciente e dos mitos inseridos no ser humano. A linguagem – recriada – do sertão ajuda a revelar esse espaço como um espelho do mundo. Partindo da fala peculiar do sertanejo, o autor a submete a um processo de reelaboração e invenção que a leva a atingir significados absolutamente inesperados. Sem dúvida, identifica-se como matéria-prima o sertão brasileiro com sua fauna, flora, o sertanejo e sua cultura. Mas a magia que desabrocha desse espaço é o que garante a universalidade. O espaço torna-se uma extensão das personagens, que estão sob minuciosa investigação psicológica do autor.

Vale lembrar que João Guimarães Rosa juntamente com Clarice Lispector foram dois grandes destaques da prosa na terceira fase do Modernismo. Extremamente preocupados com a elaboração da linguagem em seu grau máximo de expressão, são chamados pela crítica de romancistas instrumentalistas. Une-os ainda o caráter de sondagem psicológica que insere suas obras entre outras grandes de cunho universalista – isto é, de abordagem de temas atemporais, que refletem a alma humana. Mas as aproximações param por aí: enquanto Clarice Lispector intensificava a abordagem psicológica, afastando seus personagens de um enredo tradicional, Guimarães Rosa preocupou-se em trabalhar enredo e suspense, descobrindo o místico em acontecimentos do cotidiano.

A musicalidade na obra de Guimarães Rosa


Guimarães Rosa com seus gatos, uma
de suas paixões (1944)
“Sou precisamente um escritor que cultiva a idéia antiga, porém sempre moderna, de que o som e o sentido de uma palavra pertencem um ao outro. Vão juntos. A música da língua deve expressar o que a lógica da língua obriga a crer”, afirmou João Guimarães Rosa, dialogando com o crítico alemão Günter Lorenz. As confissões de Rosa a Lorenz evidenciam como o escritor pensava (e sentia) a tensão dinâmica que rege a musicalidade das palavras. O que quer dizer essa musicalidade? Todos os seus significados apresentados pelo Dicionário Houaiss – “caráter, qualidade ou estado do que é musical”; “talento ou sensibilidade para criar ou executar música”; “sensibilidade para apreciar música; conhecimento musical”; “expressão do talento musical de alguém”; e “cadência harmoniosa; ritmo” (Houaiss, 2001) – se mostram oportunos para motivar uma leitura original da obra de Guimarães Rosa.

A prosa do Corpo de Baile, ao encontrar-se tão próxima da poesia em sua essência e origem, contém uma disposição musical que transparece e faz soar sentidos inauditos. Quase desnecessário afirmar que é preciso gostar para dar um acolhimento amoroso. Gostar, verbo que vem da mesma raiz do grego geúo, quer dizer provar ou experimentar. Ler em voz alta ou silenciosamente. Circular na tríade que envolve o leitor, a leitura e o ato de ler. Musicar a obra literária na medida em que o ritmo da leitura venha trazer inevitáveis sugestões melódicas e harmônicas. Aproximar-se da sonoridade de cada palavra.

O encadeamento, a abertura das vogais e a alternância consonantal, por si sós, são elementos que têm como propriedade dar ao leitor a musicalidade do texto. No entanto, a obra de Rosa oferece mais. Faz vibrar a celebração poética dos sons constituídos nas palavras. Sons que prescindem da apreensão representacional do mundo. Palavras que confluem “na alegria de tudo, como quando tudo era falante, no inteiro dos campos-gerais...” (Rosa, 1965, p. 67). Poética no transe de sua sagração sonora, onde o nome e a coisa nomeada se fundem. Unificam-se concomitantemente no mesmo destino cósmico a presença e o som. Consagram-se.

O papel de Guimarães Rosa na Literatura Brasileira

Críticos como Antônio Cândido, Cavalcanti Proença e Benedito Nunes perceberam, desde as primeiras publicações de Rosa, a exuberante e inovadadora riqueza temática, lingüística e estrutural das obras do escritor. Em Grande sertão: veredas, a narrativa radicalmente inovadora se estrutura como um grande diálogo resultante da entrevista concedida pelo ex-jagunço Riobaldo a um homem culto que vem de fora para saber notícias do sertão no tempo da jagunçagem, de suas guerras geradas pelas truculentas disputas de poder e terras. Trata-se de diálogo, ou monodiálogo, em que se houve apenas a voz do entrevistado, como se essa fosse a hora e a vez de um sujeito subalterno pronunciar sua versão da história.

Do ponto de vista lingüístico, Guimarães Rosa operou grandes transformações na sintaxe, na morfologia, nos usos literários em geral, tendo em vista a forma como tais padrões eram empregados até então na literatura brasileira. Além de fragmentar a linearidade das frases para, por exemplo, sugerir a descontinuidade do tempo ou da linguagem oral, ele cria neologismos ou recupera arcaísmos já esquecidos da língua portuguesa. Vale-se, ainda, de construções de palavras que implicam a aglutinação de dois ou mais idiomas no sentido de obrigar sua língua literária a dizer e significar mais do que o habitual, de criar situações inusitadas, de instituir uma espécie de princípio, de inteligibilidade universal, não apenas para sua língua, mas também para os espaços e contextos em que personagens estrangeiros conseguem interagir.

Fonte: José Vinícius Pessoa, Mestre e doutorando em Letras pela UFRJ
retirado passei web

Atividade de produção de Texto- crônica de Luis Fernando Veríssimo motivando o reconto––6º ao 9º ano

Posted by Profº Monteiro on março 01, 2017

A criação de um texto a partir de um outro texto já existente(intertextualizando), buscando através do humor e de textos de interesse dos alunos, tornar a leitura um momento de prazer e dessa forma criar o hábito e o gosto por essa prática. A boa receptividade do aluno, ao utilizar o material de leitura elaborado comprovou que se oferecer um material atrativo, ele é capaz de fazer excelente reprodução e é possível despertar nele o gosto pela leitura.


Nesta atividade há a sugestão de como produzir um texto a partir de uma crônica de Luis Fernando Veríssimo

, que mesmo sendo um texto intertextualizado, é tão atrativo, provocativo, e bem-humorado, que dificilmente os alunos deixarão de se sentirem motivados á uma nova produção com a técnica que vamos descrever.


A crônica que será trabalhada, do Luis Fernando Veríssimo, tem o título “Detalhes” e faz parte da coletânea da obra “O Analista de Bagé”. Nesta crônica o autor reconta com uma grande “pitada” de humor o clássico dos Contos de Fadas “Cinderela” ou a “A Gata Borralheira” que é já do conhecimento dos alunos, e não pense que adolescentes não vão gostar por ser um conto infantil. Ao contrário adolescentes adoram voltar ao tempos de criança, mesmo quando não admitem ou fazem piadas.


O autor, nesta crônica, faz um reconto com muito humor, provoca uma nova visão da trama, indo e vindo nos “detalhes” dos tempos antigos das fadas aos tempos atuais. A trama é narrada por um dos personagens da história, que embora não seja citado, todos sabem que estava lá no local dos acontecimentos. O que é bem divertido.


A intenção desta estratégia é perceber todas essas nuances e concluir que os fatos (geralmente contidos em crônicas ou noticiários e até mesmo em contos fictícios,tem diversas maneiras de serem vistas de acordo com o ponto de vista de quem as relata.


Vamos então à atividade. Pode –se introduzir com muito entusiasmo, na sala de aula,“hoje vamos saber tudo sobre uma crônica, e a crônica que eu escolhi para essa primeira vez é muito engraçada e vocês vão adorar” ( e vão mesmo, pode acreditar).


“Sabem o que é uma crônica?” O professor pode relatar todo a história, ou deixar para um segundo momento e resumir assim:


A crônica enquanto estilo literário: Ligada à vida quotidiana; Narrativa informal, familiar, intimista; Uso da oralidade na escrita: linguagem coloquial; Sensibilidade no contato com a realidade; Síntese; Leveza; Diz coisas sérias por meio de uma aparente conversa fiada; Uso do humor; É um fato moderno: está sujeita à rápida transformação e à fugacidade da vida moderna. Enfim, é uma história do dia-a-dia, com uma pitada de humor, transformada em textos maravilhosos aí, o humor faz com que fique mais interessante.


Essa é uma característica bem marcante do Luis Fernando Veríssimo .


A crônica que hoje vamos conhecer é também é intextualizada, significa que Veríssimo escreveu sobre um texto de um outro autor. .


Estratégia da Produção, reprodução ou reconto


1-Conhecimento Prévio dos Alunos


Quem Conhece a historinha “Cinderela”? (explorar o tema com os alunos)





-2-Fazer a leitura do texto original ( no livrinho infantil, resumidinho, mesmo, de preferência) – Cinderela ou a Gata Borralheira .








2- Extrapolação do texto:


Pedir aos alunos que comparem fatos marcantes, como princesas que esperavam os príncipes de suas vidas, para a vida moderna atual.Esse tempo existiu, em que as mulheres esperavam pelos homens que seriam seus maridos e “sonhavam com príncipes encantados”, isso ainda existe, na vida moderna?






3- Analisando a Crônica


(levar um impresso com a transcrição da Crônica para cada aluno)


DETALHES


Luis Fernando Veríssimo


O velho porteiro do palácio chega em casa, trêmulo. Como sempre que tem baile no


palácio, sua mulher o espera com café da manhã reforçado. Mas desta vez ele nem


olha para a xícara fumegante, o bolo, a manteiga, as geleias. Vai direto à


aguardente. Atira-se na sua poltrona perto do fogão e toma um longo gole de


bebida, pelo gargalo.


___ Helmuth, o que foi?


___ Espera, Helga. Deixa eu me controlar primeiro.


Toma outro gole de aguardente.


___ Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu alguma coisa no baile?


___ Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo mundo de gala, todos com


convite, tudo direitinho. Sempre tem, é claro, o filhinho de papai sem convite que


quer levar na conversa, mas já estou acostumado. Comigo não tem conversa. De


repente, chega a maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de ouro. Puxada


por três parelhas de cavalos brancos. Cavalões! Elefantes! De dentro da carruagem,


salta uma dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para barrar a entrada dela


porque mulher desacompanhada não entra no baile do palácio. Mas essa dona tão


bonita, tão sei lá, radiante, que eu não digo nada e deixo ela entrar.


___ Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo mundo de gala, todos com


convite, tudo direitinho. Sempre tem, é claro, o filhinho de papai sem convite que


quer levar na conversa, mas já estou acostumado. Comigo não tem conversa. De


repente, chega a maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de ouro. Puxada


por três parelhas de cavalos brancos. Cavalões! Elefantes! De dentro da carruagem,


salta uma dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para barrar a entrada dela


porque mulher desacompanhada não entra no baile do palácio. Mas essa dona tão


bonita, tão sei lá, radiante, que eu não digo nada e deixo ela entrar.


___ Bom, Helmuth. Até aí...


___ Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes rola um bêbado pela


escadaria, mas nada de mais. E então bate a meia-noite. Há um rebuliço na porta do


palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha que desce pela escadaria,


correndo. Ela perde uma sapato. E o príncipe atrás dela.


___ Bom, Helmuth. Até aí...


___ Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes rola um bêbado pela


escadaria, mas nada de mais. E então bate a meia-noite. Há um rebuliço na porta do


palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha que desce pela escadaria,


correndo. Ela perde uma sapato. E o príncipe atrás dela.


___ O príncipe?


___ Ele mesmo. E gritando para mim segurar a esfarrapada. “Segura! Segura!” Me


preparo para segura-la quando ouço uma espécie de “vum” acompanhado de um


clarão. Me viro e...


___ E o quê, meu Deus?


O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.


___ Você não vai acreditar.


___ O príncipe?


___ Ele mesmo. E gritando para mim segurar a esfarrapada. “Segura! Segura!” Me


preparo para segura-la quando ouço uma espécie de “vum” acompanhado de um


clarão. Me viro e...


___ E o quê, meu Deus? 186


O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.


___ Você não vai acreditar.


___ Conta!


___ A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado numa abóbora.


___ Numa o quê?


___ Eu disse que você não ia acreditar.


___ Uma abóbora?


___ E os cavalos em ratos.


___ Helmuth...


___ Não tem mais aguardente?


___ Acho que você já bebeu demais por hoje.


___ Juro que não bebi nada!


___ Esse trabalho no palácio está acabando com você, Helmuth. Pede para ser


transferido para o almoxarifado.


VERÍSSIMO, L. F. O analista de Bagé. 100. ed. Porto Alegre: L&P Editore


4-Identificação: o narrador é um personagem – o porteiro do palácio do Rei. Vejam o nome dele e da sua mulher:


Helmut e Helga então porque o Luis Fernando Veríssimo escolheu esses nomes?


Esses nomes Alemães se referem a quem? - Ao Green. Isso ao Jacob Green, que ele é a referencia no mundo do conto de fadas, aqui o é Jacob Grimm é o sobrenome, ( Jacob grimm e Wilhelm Grimm -autores alemães dos contos de fadas infantis). Então a escolha desses nomes foi intencional, do Luis Fernando.


6- INTERPRETAÇÃO


a)Trabalhar primeiro o título: Porque que o Luis Fernando Veríssimo colocouDetalhes, porque que vocês acham que ele colocou esse título Detalhes? No começo do texto fala dos detalhes da casa do porteiro, a mulher colocou bolo, manteiga, totalmente detalhado o dia dele. Mas há também os detalhes do conto da Cinderela: a abóbora, os ratinhos…


b)o que daria para identificar o humor aqui nesse texto porque que fica engraçado?


c) Por que ele ficou espantado? (Ima moça chegar ao baile sozinha, os bêbados, os que entram sem ingresso) Isso aqui vocês acham que poderia ter ocorrido assim na atualidade ou em tempos lá da Cinderela, o que vocês acham?





7- COMENTANDO PARTES DA CRONICA


Então, vejam que interessante que interessante, o porteiro até gagueja… começou tudo bem, as pessoas chegando todo mundo de gala(O QUE É GALA? enriquecer o vocabulário na interpretação) todos com convite tudo direitinho, sempre tem é clarofilhinho de papai ( É UM FATO ATUAL?) sem convite que “quer levar na conversa”, mas já estou acostumado, esse filhinho de papai è de que tempo? Do nosso tempo, da nossa atualidade. Do nosso tempo: ele conseguiu fazer essa intertextualidade de uma coisa que já aconteceu com os dias atuais por isso que é crônica. E isso que dá humor. Vejam como FICOU BEM INTERESSANTE – CONTADO ASSIM POR VERISSIMO-


7- Após a análise da Crônica vem a produção individual do texto, em que o professor vai propor que cada aluno escola um personagem do texto original e este personagem seja o narrador e reconte a história sob o seu ponto de vista, como “ele viu e imaginou a história da Cinderela”, dentro das característica de uma crônica.


O professor pode começar a relatar, oralmente, como o ratinho(transformado em cocheiro descreveria somente o que viu e o que aconteceu com ele também… apenas um trechinho para que a turma entenda o que se pede), e se prepare para a surpresa de crônicas nunca antes imagináveis escritas pelos alunos da sua turma. Pode abrir um concurso para a melhor, porque vai haver excelentes produções.


Esta estratégia pode ser usada desde o 4º ano das séries iniciais ao Fundamental II, com esta crônica do Veríssimo ou com outros excelentes contos ( que sejam breves, como as fábulas) brasileiros e mesmo com contos sem intertextualizações. Um ideia bem legal, para não recair em contos com cunho mais antigo, peça aos alunos que tragam crônicas de jornais ou revistas sobre assuntos atuais e até mesmo políticos, econômicos, sobre assuntos que estão na mídia, para serem trabalhados na produção de textos intextualizados como o a que foi usada nesta e em outras estratégias de recontos.


Por: Júlia Virginia de Moura – pedagoga

Atividades sobre as dificuldades Ortográficas: c, ç, s, ss, sc, z (6ª série)

Posted by Profº Monteiro on março 01, 2017

Data: 22/07/2008
Leia as palavras da 1ª coluna e relacione-as aos seus respectivos significados, contidos na 2ª coluna.
( ) caçar
( ) cassar
( ) empoçar
( ) empossar
( ) acender
( ) ascender
( ) cozer
( ) coser
( ) costurar
( ) cozinhar, preparar alimentos levando-os ao fogo
( ) pôr fogo a; fazer arder, atear fogo
( ) subir, elevar-se
( ) anular (licenças concedidas), tornar sem efeito
( ) perseguir ou apanhar (animais) a tiro, a laço, a rede...
( ) dar posse a, tomar posse
( ) formar poça, represar

Matemática – Solução de situações – problemas apresentados no filme. Conhecer parte da história da matemática.

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 28, 2017
Resultado de imagem para DONALD NO PAíS DA MATEMáTICA
A melhor aula de matemática já feita no mundo! Parabéns ao grande mestre do desenho animado Walt Disney! Além de ser o autor dos clássicos e verdadeiros desenhos animados, conseguiu criar uma excelente versão educativa, usada até hoje para ensinar a matemática de maneira agradável e produtiva.


Mitologia , O nascimento do deus solar

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 28, 2017



Dias e noites, meses e meses, uma única procura. De porta em porta: dos palácios às cabanas, dos templos aos covis, Latona andou buscando abrigo para pôr no mundo os filhos que levava dentro de si. Filhos de Júpiter.
Mas a própria paternidade de suas crianças barrava-lhe as entradas. Pois Júpiter, senhor supremo do Olimpo, era o marido de Juno, a mais ciumenta das deusas, que costumava perseguir as rivais até os confins da terra, e punir duramente quem ousasse recolhê-las. Apenas um imortal de iguais poderes seria capaz de enfrentar sua cólera.
Netuno, deus dos mares, decidiu ajudar a nobre Latona. Para refugiá-la, escolheu Delos, a ilha flutuante, arisco rochedo sem raízes, áspera paisagem desprovida de plantas e de fontes. Ninguém a habitava: nem deuses, nem homens, nem animais. Talvez por isso a ira de Juno não chegasse até lá. Assim, Netuno fixou Delos ao fundo do mar, e confiou-lhe a missão de hospedar os frutos de Júpiter.
A ilha teve medo. Ouvira dizer que um dos filhos de deus seria excessivamente orgulhoso, e tremeria de raiva quando soubesse, que lugar tão miserável lhe servira de pátria. Talvez jogasse Delos no mar, para sempre.
Latona tranqüilizou-a nada temesse: o novo deus não lhe traria desgraça, e sim prosperidade e alegria. Multidões viriam de longe para adorar seu berço sagrado, e o pequeno torrão sem vida se tornaria rico e respeitado.
Então a ilha consentiu. E Latona deu à luz Diana e Apolo. Nesse instante, o solo estéril de Delos floresceu. Porque Apolo trazia consigo o sol, a vida e a beleza.

Múltiplas eram as faces de Apolo, porque muitas eram suas altas funções

Sem luz nada é possível, acreditavam os antigos gregos. As duas bases essenciais do progresso – o campo e as viagens – adormeceriam para sempre na escuridão, e a Grécia estaria morta.
Para garantirem a própria sobrevivência, os gregos cultuavam Apolo, deus da luz por excelência. A ele reservavam gloriosas cerimônias, soberbos sacrifícios e um lugar de honra entre os seus divinos pares do Olimpo. Pois atribuíam-lhe a múltiplas funções de conduzir os pastores, multiplicar as colheitas, encaminhar os navegantes, iluminar os artistas, protege os médicos, zelar pela saúde, desvendar o futuro. Mágicas atividades para o progresso de um país especialmente agrícola e voltado para o mar como único caminho possível para a expansão da cultura e do poder.
Sem sua proteção os marinheiros ousavam abandonar os portos para aventurar-se em águas desconhecidas e, por isso, repletas de perigos, dos quais só Apolo podia salvá-los. Nesta atribuição o deus era especialmente cultuado nas numerosas ilhas gregas, cuja força econômica, mais do que nas terras continentais, situavam-se essencialmente nas riquezas do mar, tanto como fonte de alimento quanto como caminho de conquista e de troca de mercadorias.
Com o deus da luz que fertiliza a terra, Apolo recebia anualmente o sacrifício dos camponeses, que lhe ofereciam a primeira colheita da primavera, em meio a grandes festas. Pretendiam, assim, assegurar-se da proteção do deus e agradecer-lhe o término do inverno. Pois, estando ele intimamente identificado com o Sol, julgavam-no também responsável pela mudança das estações: o inverno era o tempo sombrio em que o deus viajava para o mítico país dos hiperbóreos; e a primavera começava no seu retorno.
Os guardadores de rebanhos também rendiam-lhe culto, após seu lendário retorno no começo da primavera. Pois era então que mais precisavam de seu apoio , quando levavam os animais a pasto distantes, muitas vezes ameaçados pelas feras ou acessíveis somente através de difíceis caminhos.
O núcleo primitivo e fundamental do mito de Apolo visa, portanto, a explicar a vida em suas necessidades primárias e em seus fenômenos mais diretamente ligados à existência de uma sociedade que tirava os meios de sustentamento de três fontes principais: o campo, a pecuária e o mar.
Com o desenvolvimento da civilização helênica e a concentração da população nas cidades, por volta do século IX a.C., aos atributos de Apolo como protetor dos navegantes e dos camponeses os gregos juntaram também outras funções, como a de inspirar os artistas e as artes. Função que se ajusta perfeitamente às anteriores, de tempos mais rudes e primitivos. Pois a mesma luz que tem força para encaminhar os navios e fecundar os campos e os rebanhos, pode igualmente iluminar a mente dos homens e levá-los a criar belas obras.
A antiga lenda da competição entre Apolo e Mársias (ou Pã, segundo outras fontes) justificava a nova atribuição. O mito simbolizava a superioridade da arte grega sobre a asiática. A lira, usada pelo vencedor Apolo, era instrumento básico da música grega; seu som era considerado o mais puro e harmonioso que jamais se poderia produzir. Enquanto a flauta, de Mársias, era tida como instrumento rude, incapaz de acompanhar as belas canções poetas que se esmeravam em cantar os feitos dos heróis.
Representação da superioridade do belo sobre o feio, do sublime sobre o vulgar, do grego sobre o asiático, da harmonia sobre a desordem, o mito da disputa entre Apolo e Mársias evidencia a grande preocupação do artista – protegido e inspirado por Apolo – em obedecer estritamente os ditames da lei, da harmonia, da medida, para, mediante essa obediência e essa disciplina, conseguir fixar um tipo ideal de beleza absoluta. Ideal nem sempre alcançado, pois muitas vezes se esboroava de encontro à rude opacidade do mundo real, como sucedeu ao próprio Apolo, segundo a lenda de sua perseguição à ninfa Dafne.

Apolo e a Arte


O artista apolíneo, diria o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), não ignorava os riscos de fracasso. Sonhava com a beleza perfeita, centralizada na imagem plástica de Apolo, mas sabia que estava sonhando. Nem por isso desistia de persegui-la, num contínuo, pacienta e solitário exercício, realizado sobretudo a partir da pedra. Pois era um individualista, e sua arte por excelência, embora Apolo fosse indicado principalmente como músico, era a escultura. Dominando a dura pedra, procurava sublimar seus próprios tormentos de sonhar com o intangível e disciplinava as paixões.
Conquanto o cultuassem como protetor das artes, raramente os poetas invocavam diretamente Apolo nessa função, mas recorriam de preferência às Musas, que atuavam como intermediárias do deus. Por meio delas também os médicos – artistas cujo talentos se exercia sobre vidas humanas – tentavam obter a valiosa proteção de Apolo. O médico Erixímacos, personagem da obra O Banquete de Platão (427? – 347? a.C.), explica por que a medicina é uma arte, estabelecendo paralelo entre sua atividade e a de um músico. A saúde, diz ele, nada mais é senão o resultado do perfeito equilíbrio entre as diversas partes do corpo e da mente. Ambos formam um todo indiviso, uniforme, e o bem-estar de um depende estreitamente da ordem do outro. Cabe ao médico – assim como ao músico em sua composição - cuidar para que nesse todo haja dissonância que comprometam a harmonia.
Ao nascer seu filho Asclépio, que os romanos chamavam de Esculápio, Apolo passou-lhe a atribuição de protetor da medicina. Deve Ter havido uma personagem com esse nome, que certamente passava por filho do deus, pois existe ainda hoje na Grécia, na cidade de Epidauro, além de uma templo, um museu em sua homenagem, onde estão conservados instrumentos cirúrgicos e tabuinhas gravadas com fórmulas e receitas. Posteriormente, quando Esculápio, segundo uma lenda, foi fulminado por ordem de Júpiter, Apolo voltou a assumir a função que transmitira ao filho, não apenas curado, mas também algumas vezes enviado pestes e epidemias como, segundo a lenda, a que provocou em Tróia.
Mas de todos os atributos de Apolo como deus da luz o mais importante para a antiga Grécia era, sem dúvida, o de profeta – diante da luz não podiam existir mistérios, em tempo algum. Nessa condição, Apolo mobilizava para seus templos, notadamente para o célebre santuário situado em Delfos, todas as camadas sociais da velha Grécia. Por intermédio do seus sacerdotes, ele respondia às perguntas de chefes militares, navegantes, soberanos, pessoas do povo que ansiosamente procuravam desvendar o futuro e conhecer as probabilidades de êxito nos negócios, nas guerras, nas viagens, nos amores.
Em Delfos, a cada nove anos, os gregos comemoravam a mítica vitória de Apolo sobre a legendária serpente Pitão, revivendo, com pomposa cerimônia, essa vitória da luz e do bem sobre as trevas e o mal.
É fácil ver como os gregos resumiram na figura de Apolo uma multiplicidade de atribuições, algumas das quais até contrastantes entre si. Deve-se isso, possivelmente, ao fato de o culto do deus, em sua origem, não ser grego, mas indo-eu-ropeu, e Ter conservado, portanto, muitas de suas facetas primitivas. Fundamentalmente, contudo, Apolo representa a luz e o triunfo da inteligência sobre as trevas da barbárie: é pois, a figuração das conquistas da civilização na existência prática e nas artes.
Para esculpirem sua imagem, os artistas muitas vezes reuniam os mais belos mancebos e selecionavam , de cada um deles, sua parte mais perfeita. Assim conseguiram os traços para representar o deus: soma do que havia de mais belo na pessoa humana. Estudavam cuidadosamente as proporções dos lineamentos do rosto com os membros. Tudo medido, calculado e disposto de maneira a obter o que mais se aproximava daquilo que consideravam perfeição: a disposição harmônica e proporcional das partes em relação ao todo.
Essa representação do divino segundo modelos humanos constituía uma novidade no mundo antigo. Os deuses de civilizações anteriores à grega não tinham aparência humana porque, em seu conjunto não sintetizavam problemas práticos da vida; procuravam fixar mais a superioridade esmagadora do divino do que solucionar a fragilidade do homem. Assim, no Egito e na Mesopotâmia, por exemplo, muitas divindades eram imaginadas sob uma forma híbrida, em parte humana, em parte animal.
Os gregos só podiam entender o invisível pelo visível e pelo humano. Só podiam sentir e criar a beleza a partir daquela que viam ao redor de si e que abstraíam mediante a luz da mente. Observando os formosos atletas nos estádios, nos jogos esportivos, o escultor grego entendeu que sua fantasia não poderia inventar nada mais belo. Por isso, tirava deles os traços que compunham a perfeição de uma estátua de deus.
Desde as esculturas mais primitivas, em madeira, bronze ou mármore, até as obras mais refinadas dos últimos séculos da antigüidade grega, Apolo é geralmente representado nu; quando alguma roupa o encobre, é apenas um leve manto. Como músico, porém, aparece sempre vestido com uma túnica e levando a lira na mão, personificando assim a severidade e a elegância que se atribuíam a essa arte.
Dos séculos V e IV a.C. datam as mais belas estátuas do deus da luz. Célebre entre todas é a obra de Praxiteles (370?-330? a.C.), cujas feições o artista modelou nos traços selecionados de sete belos atenienses. Famosa tornou-se a estátua do Apolo do Belvedere, de autor desconhecido, conservada no Museu do Vaticano, em Roma. São desta época também dezenas de baixos-relevos, vasos, taças e ânforas decoradas com sua figura.
Mesmo na era cristã, Apolo voltou a inspirar os artistas plásticos e figurativos, sobretudo nas épocas renascentista, barroca, maneirista e arcádia, que acolheram de bom grado as sugestões da mitologia grega. Cellini (1500-1570), Sansovino (1486-1570), Bernini (1598-1680), Ribera (1588-1655), Claude Lorrain (1600-1682) e muitos outros escultores e pintores usaram-no como tema.

O sábio julgamento das nove Musas

Uma lira: primeiro pedido de Apolo, mal abrira os olhos para sua própria luz, na flutuante ilha de Delos.
Uma lira: para acompanhar os cânticos dos homens a cada surgir do sol. Dissipar a melancolia. Marcar o ritmo dos poemas. Engalanar os festins dos justos.
Uma lira: compromisso do deus que decide para sempre iluminar os espíritos dos artistas, enriquecer a inspiração de um povo e conduzi-lo à descoberta da beleza absoluta.
Mas nem mesmo um deus podia arrogar-se uma função sem o consentimento das divindades que até então a presidissem. Assim como fora Hélios, o deus do Sol, quem confiara a Apolo o carro solar, também para assumir a condição de protetor das artes ele precisava ser sagrado pelas Musas, incumbidas de tal missão.
Compareceu, portanto, a uma assembléia no monte Parnaso, onde moravam as nove Musas, para competir com um certo Mársias, afanado flautista que chegara da Frígida e também habitava aquelas cercanias.
Da flauta saíram sons extremamente vulgares, grosseiros, evocativos de vícios, perversidade e luxúria. Da lira fluíram acordes harmoniosos, serenamente belos e elevados. Encantadas com sua esplêndida atuação, as Musas declararam Apolo vencedor – e sagraram-no para sempre deus protetor das artes.
Mas da assembléia participava Midas, o rei dos frígios, que discordou da sábio julgamento. Por Ter escolhido uma arte depravada, o deus puniu-o, fazendo-lhe nascer orelhas de burro. Envergonhando, o rei tratou de esconder a anomalia sob um gorro, mas seu barbeiro descobriu-lhe o segredo e saiu a apregoá-lo aos quatro cantos, atraindo para o infeliz a zombarias de todos. Quanto a Mársias, Apolo esfolou-o vivo e depois suspendeu-lhe o corpo na entrada de uma caverna, para que todos pudessem ver o castigo reservado à perversão.

A ira de Apolo recai sobre Tróia


O governo de Júpiter andava aborrecendo os divinos súditos. Já os ouvidos olímpicos não suportavam seus brados de ira. Já o néctar perdia o doce gosto ante suas terríveis expressões. Era preciso fazer alguma coisa.
Apolo e Netuno, Minerva e Juno decidiram fazê-la, e tramaram uma conspiração para punir o furor de Júpiter.
Mas o rei do Olimpo descobriu a tempo a intriga. Como gentil cavalheiro, poupou às deusas qualquer humilhação, porém submeteu os outros dois conspiradores a duro castigo. Como simples mortais, mandou-os trabalhar para Laomedonte, rei de Tróia. A Netuno incumbiu de erguer as muralhas da cidade. E a Apolo encarregou de apascentar os rebanhos reais. Para o deus da luz tal encargo em si não constituía uma pena, pois amava com carinho os animais, e gostava de apascentá-los ao som de sua lira. O castigo estava na obrigação de submeter-se às ordens de um mortal.
Por longo tempo os dois deuses trabalharam para Laomedonte.
Ao fim da tarefa, prepararam-se para receber o salário combinado, humana recompensa de um trabalho humano. Laomedonte, porém, negou que tivesse combinado um preço, e expulsou-os de seu reino a ameaça de arrancar-lhes as orelhas e vendê-los como escravos.
Nada lhes restava senão se afastarem. Mas não deixaram a ofensa sem vingança. Tão logo recobraram a condição divina, ao tocarem de novo o Olimpo, investiram contra Tróia. Netuno fez surgir do mar um horrendo monstro, que ele conduzia à sua vontade. E mandou-o disseminar o pavor e a morte na cidade. Não o deixou exterminar a população inteira, pois privaria a Apolo o gosto da vingança. Saciado por sua parte, recolheu o animal, e deixou os sobreviventes entregues à fúria de seu companheiro. Então Apolo enviou uma peste que acabou de eliminar a população troiana.

Para os devotos, amor e proteção: para os ímpios, a morte


Crises, o venerável sacerdote de Apolo, tinha uma filho, Criseide, formosa e casta donzela que sonhava casar-se um dia, com jovem de sua escolha.
Mas tal não desejava para ela Agamenão, que raptou a moça e levou-a para seu navio.
O velho Crises, em vão, implorou-lhe que devolvesse Criseide. A cada súplica o guerreiro respondia com insultos e ameaças. E toda a arma da frágil sacerdote era o cajado do culto e as sagradas guirlandas.
Retirou-se, portanto, o ancião, e caminhou pelas praias desertas até chegar ao templo. Ali endereçou ardorosa prece a Apolo, rogando-lhe que vingasse o repto de Criseide.
Então, contra Homero, “Febo Apolo ouviu sua prece. Desceu do Olimpo, com ira no coração, carregando o arco e a aljava. As setas retiniam em seus ombros, enquanto o irado deus movia-se... Firmou os pés a pequena distância dos navios e disparou uma seta. Terrível foi o zunido de seu arco de prata. Primeiro, ele atacou as mulas e os velozes cães, depois disparou suas penetrantes setas contra os homens, e nenhuma errou o alvo. As piras dos mortos começaram a arder incessantemente.”
Durante nove dias as flechas semearam a morte entre os soldados gregos. Ao décimo dia, Agamenão reuniu seus homens e convocou a presença dos deuses, para decidirem a questão. Ao fim de longos discursos, resolveu purificar-se e acalmar a cólera de Apolo, sacrificando ao vingador belos animais.
No entanto, sabia o herói que só teria paz novamente quando devolvesse ao sacerdote a filha raptada. E no duodécimo dia mandou Criseide de volta para o velho pai. Então Apolo recolheu suas setas e deixou-o ir.

Objetivos da Análise Sintática

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 25, 2017



A análise sintática tem como objetivo examinar a estrutura de um período e das orações que compõem um período.
Estrutura de um Período
Observe:
Conhecemos mais pessoas quando estamos viajando.
Ao analisarmos a estrutura do período acima, é possível identificar duas orações: Conhecemos mais pessoas e quando estamos viajando.
Termos da Oração
No período "Conhecemos mais pessoas quando estamos viajando", existem seis palavras. Cada uma delas exerce uma determinada função nas orações. Em análise sintática, cada palavra da oração é chamada de termo da oração. Termo é a palavra considerada de acordo com a função sintática que exerce na oração.
Segundo a Nomenclatura Gramatical Brasileira, os termos da oração podem ser:
1) Essenciais
Também conhecidos como termos "fundamentais", são representados pelo sujeito e predicado nas orações.
2) Integrantes
Completam o sentido dos verbos e dos nomes, são representados por:

complemento verbal - objeto direto e indireto;
complemento nominal;
agente da passiva.
3) Acessórios
Desempenham função secundária (especificam o substantivo ou expressam circunstância). São representados por:

adjunto adnominal;
adjunto adverbial;
aposto.
Obs.:
O vocativo, em análise sintática, é um termo à parte: não pertence à estrutura da oração.

[DOCUMENTÁRIO] Skinhead Atitude - Legendado

Posted by Profº Monteiro on fevereiro 24, 2017


Uma garota viaja a europa em documentário sobre as várias facetas do movimento skinhead. Um DVD que conta com 89 minutos. Contém entrevistas a Roddy Moreno (The Oppressed), Jimmy Pursey (Sham 69), Laurel Aitken, entre outros. Contém ainda bastantes videos e actuações ao vivo de bandas como Bad Manners, Laurel Aitken, The Oppressed, Stage Bottles, Los Fastidios, entre muitas outras! Ska, Oi!, RAC Skinheads, Sharp, Boneheads, Red Skins...