O Grande Irmão Rodrigo Constantino -

Posted by Profº Monteiro on agosto 14, 2011
"Não é fazendo ouvir a nossa voz, mas permanecendo são de mente que preservamos a herança humana." John George Orwell.


Em seu famoso livro 1984, George Orwell descreveu em que se transformaram as nações socialistas. Escreveu o excelente livro ainda na década de 1940, e já tinha os exemplos nazista e bolchevique para sua análise dos resultados práticos do socialismo. Mas      
ainda assim foi de uma clarividência incrível ao mostrar como funciona a mentalidade do socialista, e quais as conseqüências disso. Lembremos também que a propaganda de Stálin e sua “cortina de ferro” não deixavam transparecer ao mundo as atrocidades cometidas em casa. O “profeta” Orwell merece respeito por sua acurácia!

Orwell define que a nova aristocracia que tomaria o poder pelo socialismo seria composta, na sua maioria, de burocratas, cientistas, técnicos, organizadores sindicais, peritos em publicidade, sociólogos, professores, jornalistas e políticos profissionais. Esta gente, cuja origem estava na classe média assalariada e nos escalões superiores da classe operária, fora moldada pelo mundo do governo centralizado, onde a liberdade individual precisa ser combatida. Como o próprio autor diz, “comparada com os seus antecessores, era menos avarenta, menos tentada pelo luxo, mais faminta de poder puro e, acima de tudo, mais consciente do que fazia e mais decidida a esmagar a oposição”. A oligarquia procura o poder pelo poder, sem interesse real no bem-estar alheio. Não é a ditadura um meio para a “revolução”, mas sim a revolução um meio para se chegar à ditadura! São algumas características inerentes dos ícones do socialismo.
A manipulação da mente é um dos principais mecanismos da manutenção do poder. O advento da televisão tornou ainda mais fácil manipular a opinião pública, e pela primeira vez existia a possibilidade de fazer impor não apenas completa obediência à vontade do Estado, como também completa uniformidade de opinião em todos os súditos. A única base segura da oligarquia é o coletivismo, já que a riqueza e o privilégio são mais fáceis de defender quando possuídos em conjunto. Por isso a chamada “abolição da propriedade privada” sempre é defendida pelos socialistas, e acaba sendo, na verdade, a concentração da propriedade em um número bem menor de mãos, as dos donos do poder. Para isso, abusam da distorção lingüística, com termos abstratos como “justiça social”, “direito à cidadania”, “controle participativo da sociedade” etc. Pura retórica coletivista para a tomada de poder da nomenklatura.

No livro, Orwell diz que há quatro modos de um grupo governante abandonar o poder, podendo ser vencido de fora, permitindo o aparecimento de um grupo médio forte e descontente, perdendo a confiança em si e disposição de governar ou pela revolta das massas. Mas estas quase nunca se revoltam espontaneamente, e se não lhes for permitido um padrão de comparação, nem ao menos se darão conta de que são oprimidas. A classe média representa um perigo maior, e por isso é sempre o alvo principal dos governantes socialistas. Os impostos escorchantes já encomendaram sua extinção! A ameaça externa é muitas vezes usada como pretexto para aumento do controle interno, assim como fortalecimento do aparato militar do partido. Hugo Chávez que o diga!

O ódio é sempre fomentado, e quando não há inimigos reais, cria-se. Espera-se que o membro do partido viva num frenesi contínuo de ódio aos “inimigos” estrangeiros e aos “traidores” internos, desviando suas emoções para tais coisas. O “neoliberalismo”, o “império ianque”, o FMI, Bush, são todos os bodes expiatórios usados para despertar esse ódio instintivo. Não pode haver lugar para a razão, para uma busca imparcial de fatos. O domínio do sentimento sobre o cérebro deve ser total. O grande inimigo real do partido é o “pensamento independente”. Ele precisa ser abolido!

Um dos meios de controle mais interessantes, e bastante abordado por Orwell, é a manipulação da mente. O autor criou, em sua Novilíngua, o termo “duplipensar”, que representa a capacidade de guardar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias e aceitá-las ambas. A estupidez não basta. Pelo contrário, é exigido sobre o processo mental do indivíduo controle tão completo quanto o de um contorcionista sobre seu corpo. O Grande Irmão é onipotente e o partido é infalível. Para isso, deve haver uma incansável flexibilidade na interpretação dos fatos. O relativismo deve ser constante, sempre interpretando fatos sem objetividade, para que a “verdade” esteja eternamente com o partido. O passado deve ser alterado, e realmente vemos como os socialistas costumam reescrever a História com freqüência.
O membro do partido consegue dizer mentiras deliberadas e nelas acreditar piamente. Como descreveu Orwell, “esse particularíssimo amálgama de opostos: sabedoria e ignorância, cinismo e fanatismo, é um dos sinais que distinguem a sociedade (socialista)”. Vamos verificando essas características em todos os países ou partidos socialistas. Ora a “soberania nacional” diz que uma nação democrática não pode criticar outra sem liberdade, como quando Lula defendeu a Venezuela e Cuba das acusações americanas, ora a mesma “soberania nacional” é ignorada quando uma nação autoritária invade outra livre, como China no Tibete ou a ajuda venezuelana na revolução da Nicarágua. São eternos dois pesos, e duas medidas.

Todo partido socialista mantém alguns ou vários desses ensinamentos e características. O que interessa é o poder! Para isso, abusam do relativismo, mantêm sempre idéias contraditórias na mente, gastam bilhões em propaganda e lavagem cerebral, apelam para o culto à personalidade, escancaram no uso da novilíngua, com excesso de termos vagos e maleáveis, dependendo do que se queira defender no momento, e criam constantemente bodes expiatórios externos. O discurso é sempre coletivista, tentando aniquilar com o indivíduo perante a “sociedade”, o “interesse nacional” ou o “bem geral”. Desqualificam oponentes com rótulos, agressões pessoais constantes e apelo numérico, como se fosse o número de adeptos que definisse a lógica do argumento. O Estado é visto como um deus, mesmo que suprima a liberdade dos cidadãos nos mínimos detalhes. Detestam a liberdade de escolha. Todos devem obediência e amor ao “iluminado” Grande Irmão!


O enredo, sob a perspectiva da Oceania, mostra como o Estado vigia os indivíduos e mantém um sistema político cuja coesão interna é obtida não só pela opressão da
, mas também pela construção de um idioma totalitário, a
, que, quando estivesse completo, tornaria o pensamento das pessoas cada vez mais igual e impediria a expressão de qualquer opinião contrária ao Partido. A idéia do idioma é restringir o maior número possível das palavras, de tal forma que não existiria palavras para expressar oposição ao Partido e ao
 – o Grande Irmão.
A característica principal de “1984”, talvez seja o
, que consiste basicamente em se ter duas idéias contrárias, opostas, e aceitar ambas como verdade. Essa característica fica evidente quando se conhece os três lemas do Estado: Guerra é Paz; Liberdade é Escravidão; Ignorância é Força.
O
 fica ainda mais evidente quando conhecemos os nomes dos Ministérios: O
que é encarregado de manter a fome para a prole e membros do Partido Externo, ocultando a baixa produtividade e a péssima distribuição de alimentos sob falsas estatísticas; o
, onde trabalhava o protagonista da história Winston Smith, que tem o dever de manipular fraudulentamente as notícias, levando os cidadãos à crença somente do que lhes é permitido, mudando constantemente o passado para que o Grande Irmão estivesse sempre certo; o
, que se ocupa em engendrar a guerra, levantando a estima dos cidadãos com notícias sempre positivas da guerra; e o
, que reprimia o sexo e estimulava o ódio entre as pessoas, para que o amor se dirigisse apenas ao Grande Irmão. O
 também se encarregava de capturar, torturar, punir, reeducar e
 quem cometesse
 através da
.
O objetivo do Partido era suprimir a individualidade com o propósito de destinar toda a vida dos cidadãos aos seus interesses. Para manter a população entorpecida e influenciada eram freqüentes os eventos com fachadas políticas e patrióticas. Os “
” e as semanas especiais faziam as pessoas esquecerem suas vidas e amar apenas ao Grande Irmão. Aquele que não participasse era acusado de cometer
ou idéias ilegais para o Partido, e, portanto um perigo à segurança nacional. O destino para os que fossem acusados de cometer
 era o mesmo: ser
 e virar
, ou seja, o Estado apagaria todos os registros daquela pessoa como se ela nunca tivesse existido. Não tratava apenas de eliminar alguém que cometesse algum crime, mas fazer com que ela nunca tivesse nascido.
Orwell compõe com brilhantismo uma “utopia negativa” onde os cidadãos são vigiados todo o tempo em todo lugar pelas
(aparelhos que transmitem e captam som e imagem) sob a liderança do Partido e do Grande Irmão. Em todos os lares dos membros do Partido, praças, ruas e locais públicos, as
transmitem a ideologia do Partido. Mais do que isso, captam todos os movimentos de seus filiados.
Onipresente, o Grande Irmão é visto em cartazes espalhados por toda a Oceania. Apesar de estar sempre presente, ele jamais apareceu em público. O Grande Irmão talvez não seja uma pessoa real, pois ninguém nunca o viu. Mas o
 do Partido “O Grande Irmão zela por ti”; seus feitos nas guerras; seu trabalho duro para melhorar a condição de vida do povo da Oceania; e sua liderança firme e constante nas propagandas do Partido, conduz o povo da Oceania a acreditar na sua presença e existência. A eficiência do Partido é maior: faz com que o povo não só acredite na existência do Grande Irmão, mas o ame e o idolatre. Em um mundo onde o Estado domina e nada é de ninguém, mas tudo é de todos, talvez, tudo que reste de privado seja alguns centímetros quadrados no cérebro.

RESENHA DO LIVRO A REVOLUÇÃO DOS BICHOS DE GEORGE ORWELL

Posted by Profº Monteiro on agosto 14, 2011





                  
  A estória se passa numa granja, onde os animais, oprimidos e mal-tratados por seu dono, passam a fomentar idéias de revolução, liderados pelos porcos. O autor passa uma visão clara a respeito de como se inicia uma revolução.Major, um porco já idoso, conta a todos os animais da granja o sonho que teve, onde todos os bichos viveriam sem sofrer e serem oprimidos pelos humanos, todos trabalhariam juntos e todos teriam direitos e deveres iguais, tendo que, para isso, tirar de cena o homem,legando todo o comando da granja aos animais.Após a morte do Major,outros dois porcos passam a liderar e começam a alimentar sonhos e desejos de revolução em todos os animais da granja. Eles se organizam e conseguem afugentar o proprietário que, após algumas tentativas de retomar o comando do lugar, todas fracassadas, finalmente desiste.É com assombro que os animais vislumbram o luxo e o conforto em que viviam os humanos da granja, e passam a rejeitar e até proibir todo tipo de facilidade e acúmulo de riquezas.Os porcos assumem a liderança, alegando serem os mais inteligentes e passam a dividir as tarefas, delegar os deveres e formular leis e até um hino, com o tema da revolução: Bichos ingleses e irlandeses, bichos de todas as partes! Eis a mensagem de esperança no futuro que virá!Logo os papéis ficam claramente definidos entre eles, uns são subservientes e nem ao menos pensam por si mesmos, outros tendem mais para o trabalho pesado, outros ainda são donos de uma lealdade genuína à causa da revolução.No início, os animais sentiram dificuldade em se adaptar aos afazeres humanos, mas em pouco tempo, já conseguiam realizar a maioria das tarefas.Logo a vida corria,e os porcos administravam e mantinham todos no prumo,formulando até os sete mandamentos dos bichos.Com o passar dos dias, porém, começaram a existir divergências entre as idéias dos dois porcos líderes, Bola-de-Neve e Napoleão. Não demorou muito até que Napoleão conseguisse um jeito de se livrar do outro, e justificar seu sumiço alegando ter ele traído a causa dos bichos, e estar servindo ao inimigo (o homem).A partir daí, tudo muda na granja dos bichos, ainda que lentamente e sem que a maioria conseguisse notar quase nada. Os antigos preceitos e a filosofia igualitária são substituídos por outras leis, que pelos animais não saberem ler, não conseguiam identificar como novas. Os que sabiam ler eram enganados com desculpas fáceis, e sua lealdade e credulidade os impediam de enxergar o que estava claro: que pouco a pouco todas as idéias revolucionárias foram substituídas por leis de favorecimento aos porcos, leis estas que faziam com que os outros trabalhassem mais e ganhassem menos comida a cada dia, sendo punidos rigorosamente todos aqueles que ousavam levantar a voz em oposição à ordem de coisas  que se seguia, até mesmo com a morte. Aqui o autor faz uma alusão a que é de interesse total das classes dominantes opressoras que o povo permaneça em ignorância, analfabeto, incapacitado para tomar suas próprias decisões e seguir seus próprios rumos. Portanto, quanto mais educada é uma pessoa, mais capacidade de julgar ela tem e isso, decididamente não é interessante para uma minoria que governa e monopoliza as riquezas. A idéia é, de fato, manter a grande maioria em completo desconhecimento , para que possa ser manipulada.Todo o luxo antes desprezado agora fazia parte do dia-a-dia dos porcos, não se via mais nenhum resquício do modelo ideológico que antes lhes fizera sonhar com uma vida melhor. Eles estavam sim,em pior situação do que quando eram subjugados pelos humanos, mas só que desta vez, o sofrimento era mascarado pelo véu da revolução, e muitos dos bichos,de memória comprometida,ainda teimavam em pensar que estavam melhor do que antes,j á que agora,eram os companheiros que lideravam,e ser liderado por um igual é sempre melhor, seja de que jeito for...No final do livro, os porcos já estão em franca associação com os humanos,visando sempre mais e mais lucro,coisa que era proibida de início.Da janela,os bichos observavam lá dentro da casa grande os porcos e os humanos bebendo juntos,e as feições deles se misturando.Já não se podia saber quem era homem,quem era porco...George Orwell é na verdade o pseudônimo de Eric Arthur Blair, indiano de família inglesa nascido em 25 de junho de 1903. Educado em escolas inglesas, foi policial, livreiro, professor e jornalista. Crítico ferrenho do regime stalinista, escreveu, em 1945, A Revolução dos Bichos onde denuncia a hipocrisia e ineficácia dos regimes chamados igualitaristas. Sua obra não pôde ser publicada por um longo período, pois Stalin era aliado da Inglaterra e dos Estados Unidos, e somente após a guerra pode sair da gaveta.O livro é uma analogia, e demonstra o processo pelo qual a maioria das revoluções que carregam preceitos de igualitarismo terminam. Na verdade, apesar de ser um ataque claro à Stalin, pode facilmente ser aplicado a outras inúmeras ocasiões da História onde o interesse pessoal suplantou o idealismo. Podemos identificar sem muito esforço os personagens que se desenham no decorrer desta estória, como uma regra (guardadas as exceções à mesma).Assim como em cada sala de aula sempre existem essencialmente os mesmos tipos de alunos, fato esse facilmente identificável para quem é familiarizado com ela, também em toda revolução aparecem sempre os mesmos tipos, os alienados,os leais até à morte,os trabalhadores braçais que engordam quem está no comando, e também os poucos que se arvoram a combater as incoerências,as injustiças,quase sempre mártires.Assim vemos que A Revolução dos Bichos é ainda uma obra atual em nossos dias, onde idéias revolucionárias de libertação surgem a todo instante. Tais idéias não são fundamentalmente más ou vazias, mas não são um fim em si mesmas. Devem, porém, ser acompanhadas de abnegação genuína, porque do contrário, torna-se um perigoso instrumento de manipulação das massas."Aprendemos por dolorosas experiências históricas, que é da natureza e disposição de quase todos os seres humanos que,tão logo consigam adquirir um pouco de autoridade,começam imediatamente a exercer injusto domínio." ( doutrina e convênios 121 ). E não precisamos falar de acontecimentos grandiosos como revoluções de uma nação inteira,mas esta tendência se observa em todas as relações onde a autoridade e o poder estão presentes,sim,até mesmo em nossas simples relações do dia-a-dia.Podemos traçar paralelos entre nossa realidade política e A Revolução dos Bichos?Certamente. E não seria difícil identificar cada um dos personagens. Mas o verdadeiro desafio é procurar o Napoleão em nós mesmos. Quando conseguirmos enxergar os déspotas que muitas vezes nós mesmos nos tornamos em nossas relações de poder, é que a obra de George Orwell atingirá seu pleno significado. Mudanças bruscas de fora para dentro nunca foram duradouras, é o que mostra a História. Se o homem não mudar sua tendência natural de subjugar seu semelhante em proveito próprio, mais cedo ou mais tarde ele será corrompido, e não há ideologia que o pare.Este é, enfim, o verdadeiro desafio e por isso, A Revolução dos Bichos seguirá sempre atual, denunciando a realidade, pois os humanos serão sempre os mesmos- às vezes homens, às vezes porcos.
                        A REVOLUÇÃO DOS BICHOS - GEORGE ORWEL
                               Lembro-vos também de que na luta contra o Homem não devemos ser como ele. Mesmo quando o tenhais derrotado, evitai-lhe os vícios. Animal nenhum deve morar em casas, nem dormir em camas, nem usar roupas, nem beber álcool, nem fumar, nem tocar em dinheiro, nem comerciar. Todos os hábitos do Homem são maus. E, principalmente, jamais um animal deverá tiranizar outros animais. Fortes ou fracos, espertos ou simplórios, somos todos irmãos. Todos os animais são iguais.George Orwell O início de uma fábula contemporânea. O dono da Granja do Solar, Sr. Jones, embriagado com o poder, tranca o galinheiro e vai para a cama cambaleando. Major, porco ancião e premiado, reúne todos os animais e conta seu sonho visionário de como será o mundo depois que o homem desaparecer. Declara em tom profético a necessidade dos bichos assumirem suas vidas, acabando com a tirania dos homens.                Os animais são contagiados pelos versos revolucionários e entoam apaixonadamente a canção "Bichos da Inglaterra". Sr. Jones acorda alarmado com a possível presença de uma raposa e, com uma carga de chumbo disparada na escuridão, encerra a cantoria.Major falece três noites após. A morte emoldura o mito e suas palavras ganham destaque nas falas dos animais mais inteligentes da granja. Os bichos mais conservadores insistem no dever de lealdade ou no medo do incerto: Seu Jones nos alimenta. Se ele for embora, morreríamos de fome.Os perfis dos animais são traçados: os porcos, as ovelhas, os cavalos, as vacas, as galinhas, o burro... Todos com traços marcantes de manipulação, alienação, rigidez, ignorância, dispersão, teimosia...A rebelião ocorre mais cedo do que esperavam. Com a expulsão do Sr. Jones da granja, surge o momento de reorganizar o funcionamento da propriedade. Os porcos assumem a liderança, dirigem e supervisionam o trabalho dos outros. Os demais dão continuidade à colheita. Alguns bichos se destacam pela obstinação, como o cavalo Sansão, cujo lema é Trabalharei mais ainda.Os sete mandamentos declarados por Major são escritos na parede:          Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.O que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.Nenhum animal usará roupa.Nenhum animal dormirá em cama.Nenhum animal beberá álcool.Nenhum animal matará outro animal.Todos os animais são iguais.Bola-de-neve e Napoleão se destacam na elaboração das resoluções. Sempre com posições contrárias. Os demais animais aprenderam a votar, mas não conseguem formular propostas. A pluralidade de pensamentos dá margem aos debates e às escolhas.     Os sete mandamentos elaborados na revolução são condensados no lema Quatro pernas bom, duas pernas ruim. A síntese do animalismo é repetida pelas ovelhas no pasto por horas a fio.Sr. Jones tenta recuperar a propriedade, mas é vencido pelos bichos na Batalha do Estábulo. O porco Bola-de-neve e o cavalo Sansão são condecorados pela bravura demonstrada no conflito. Mimosa foge para uma propriedade vizinha seduzida pelos mimos oferecidos por um humano. Surge a idéia de construção de um moinho de vento... Os animais ficam divididos com a perspectiva do novo.Bola-de-neve e Napoleão sobem ao palanque e montam suas campanhas políticas. A eloqüência de Bola-de-neve conquista os animais, mas a força dos cães de Napoleão expulsa Bola-de-neve da granja e legitima Napoleão no cargo de líder diante dos atemorizados bichos.Os bichos trabalham como escravos na construção do moinho de vento e gradativamente vão perdendo a memória de como era a vida na época do Sr. Jones. Animais trabalhadores, como Sansão, acordam mais cedo, trabalham nas horas de folga e assumem as máximas elaboradas pelos donos do poder: trabalharei mais ainda e Napoleão tem sempre razão.Como a maioria dos animais não aprendeu a ler, os mandamentos vão sendo alterados na medida em que Napoleão e seus assessores vãos assumindo posições contrárias aos princípios que nortearam a revolução: os porcos começam a comerciar a produção da granja, passam a residir na casa do Sr. Jones, dormem em camas, usam roupas, bebem uísque, relacionam-se com homens... A maioria dos animais é facilmente convencida dos seus equívocos de interpretação. Os poucos que conseguem ler e interpretar as adulterações do poder se omitem...Alguns animais são executados sob a alegação de alta traição. Tudo o que ocorre de errado na granja é de responsabilidade de Bola-de-neve. Sua história é enterrada na lama de mentiras e manipulação imposta pelo novo regime. As reuniões de domingo são proibidas e a canção Bichos da Inglaterra é censurada. Os bichos trabalham mais e não são reconhecidos por seus esforços. Todas as condecorações são dadas ao líder.Os animais passam privações. Suas rações são diminuídas em prol do bem comum. Os porcos são agraciados com os privilégios do poder. Uma segunda batalha com os humanos surpreende os animais enfraquecidos, mas, apesar das muitas perdas, eles vencem e permanecem sob a ditadura imposta por Napoleão. Infelizmente perderam os parâmetros para avaliação, perderam a memória da história antes do governo de Napoleão.Os homens destroem o moinho de vento e os animais trabalham mais para reconstruí-lo. A dedicação do cavalo Sansão é assustadora, abdica da própria saúde em prol do ideal. Depois de alguns dias é vencido pela fragilidade da avançada idade e do pulmão debilitado... Os porcos simulam uma internação num grande hospital, mas entregam o velho cavalo ao matadouro. Os direitos do trabalhador e do aposentado se encerram na indiferença dos poderosos.O burro Benjamim que aprendeu a ler, apesar de ter preferido o silêncio durante todo o período, tenta alertar os demais animais, mas é tarde... O porco Garganta convence os bichos de que a carroça que levou o cavalo foi comprada pelo grande veterinário, mas continuou com os letreiros do velho dono... Poucos dias depois, o anúncio da morte de Sansão chega à granja e os porcos recebem uma caixa de uísque...Os animais escravizados ganham alento nas palavras do corvo Moisés que garante que, finda esta vida de sofrimentos, haverá a Montanha de Açúcar  Candeo lugar feliz onde nós, pobres animais, descansaremos para sempre desta nossa vida de trabalho. As atitudes dos porcos com Moisés são ambíguas: afirmam, aos bichos, que a história de Moisés é uma grande mentira, porém ele permanece na granja sem trabalhar e ainda com direito a um copo de cerveja por dia. A religião arrebanha algumas ovelhas.Passaram-se anos. As estações vinham, passavam, e a curta vida dos bichos se consumia. A nova geração só conhecia esta realidade, exceto Quitéria, Benjamim, o corvo Moisés e alguns porcos... A vida era muito difícil, mas existia a certeza de que todos os animais eram iguais... Não tardou para os bichos espantados presenciarem os porcos andando sobre duas patas com chicotes nas mãos.Só restava um único mandamento e mesmo assim adulterado: Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros. Depois disto nada mais se estranhava. Os porcos fumavam, bebiam e andavam vestidos  haviam se assenhorado dos hábitos do Sr. Jones. Uma noite, os porcos receberam os vizinhos humanos para uma reunião na casa. Os demais animais ficaram à espreita na janela da sala de estar.Seguiram-se pronunciamentos, declarações de mútuo afeto e admiração por parte dos porcos e dos homens. Os vizinhos humanos parabenizaram os porcos pelos métodos modernos de ordem e disciplina impostos: "... os animais inferiores da Granja dos Bichos trabalhavam mais e recebiam menos comida do que quaisquer outros animais do condado."Todos os alicerces da revolução estavam corrompidos nas palavras de Napoleão. Até mesmo a granja voltaria a ter o mesmo nome da época do Sr. Jones: Granja do Solar.Os animais estupefatos se afastaram, mas não alcançaram vinte metros quando iniciou uma violenta discussão entre Napoleão e o vizinho humano motivada por uma jogada no carteado...As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.A metáfora da janela é fundamental para a abertura da percepção da realidade. Os ditadores podem estar revestidos em qualquer corpo se conservarem as máscaras capazes de adulterar a memória histórica dos governantes, tornando-os marionetes manipuladas com o medo e a omissão.O que fazer com a última mensagem do livro, qual seja, a impossibilidade de distinguir quem era porco e quem era homem? Pensar que qualquer bicho fará o mesmo quando investido de poder ou refletir sobre as atitudes e omissões de quem legitima o poder com o trabalho diário e a aceitação do crescente empobrecimento?A revolução dos bichos é um texto que, a princípio, parece visionário, mas, em poucos capítulos, identificamos os acontecimentos históricos na sátira elaborada pelo grande escritor. George Orwell conseguiu interpretar a realidade com lucidez e quis alardear suas percepções sobre os movimentos sociais, o poder e os indivíduos.A revolução russa. Major (Lenin); Napoleão (Stalin); Bola-de-neve (Trotsky); as ovelhas, que repetem sem consciência os lemas; os cavalos com seus tapa-olhos que só conseguem olhar para o trabalho; as galinhas que se perdem na dispersão; o burro empacado em suas verdades; os cães fiéis à guarda de seus donos... Todos personagens históricos, escravos da própria revolução, prisioneiros dos sonhos depauperados...Como alterar a história? Tornar-se sujeito ativo de transformação? Reescrever os velhos mandamentos e ensaiar uma precipitada revolução ou elaborar uma nova análise das conjunturas a fim de reavaliar nossos princípios?A revolução dos bichos se repete na história. Novos personagens assumem os papéis dos protagonistas e o enredo continua... Alguns preferem a silenciosa leitura dos fatos, outros desejam escrever novos capítulos...É, caro leitor, precisamos de engajamento, de comprometimento com os mandamentos que norteiam nossas ações e de coragem para espreitar a realidade com olhos de transformação sem apagar a memória de nossas conquistas históricas.George Orwell, escritor, jornalista e militante político, participou da Guerra Civil Espanhola na milícia marxista/trotskista e foi perseguido junto aos anarquistas e outros comunistas pelos stalinistas. Desencantado com o governo de Stalin, escreveu A Revolução dos Bichos em 1944. Nenhum editor aceitou publicar a sátira política, pois, na época, Stalin era aliado da Inglaterra e dos Estados Unidos. Só após o término da guerra, em 1945, é que o livro foi publicado e se tornou um sucesso editorial.
                              

A Revolução dos Bichos

Autor: George Orwell
SINOPSE: O sonho de um velho porco de criar uma granja governada por animais, sem a exploração dos homens, concretiza-se com uma revolução. Como acontecem com as revoluções, a dos bichos também está fadada à tirania, com a ascensão de uma nova casta ao poder. Nesta fábula feita sob medida para a Revolução Russa, “todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que os outros”.
ANÁLISE: A obra de George Orwell é um romance, mas podemos afirmar que é uma fábula sobre o comportamento humano. Destacaremos dois pontos que nos comprovam isso. Primeiro: consideramos uma fábula porque os personagens são animais e agem como homens “ (…) os primeiros foram os três cachorros (…) depois os porcos (…) As galinhas empoleiravam-se nas janelas, e as pombas voaram (…) as ovelhas e as vacas deitaram-se atrás dos porcos.”. Segundo: os fins das fábulas vêm sempre acompanhados por uma lição de moral, e isso também acontece na obra. “ Todos são iguais mas alguns são mais iguais que outros”. A lição que nos é transmitida é que não existe igualdade social devido às relações de concentração de poder nas mãos de uma minoria.
O autor fala diretamente dos humanos ao atribuir a cada animal uma característica na personalidade deles pertencentes aos homens, como: autoritarismo, ingenuidade, crueldade, bondade, egoísmo, indignação, dentre outros. “ (…) Bola-de-Neve era mais ativo que Napoleão, de palavra mais fácil, mais imaginoso, porém não gozava da mesma reputação quanto à solidez do caráter.” Ele também revela traços do comportamento humano quando mostra a busca dos animais por uma vida melhor, a procura da liberdade e de seus direitos.
(…) qual é a natureza desta nossa vida? (…) Nascemos, recebemos o mínimo de alimento necessário (…) e os que podem trabalhar são exigidos até a última parcela de suas forças, (…) trucidam-nos com hedionda crueldade. (…) Nenhum anila é livre.”
A Revolução dos Bichos nos faz entender o funcionamento das sociedades comandadas por diferentes tipos de governo, além de mostrar de forma genial a ambição do ser humano – o sonho pelo poder.
Quando o senhor Jones era o dono da granja explorava o trabalho animal em benefício próprio – acumular mais capital. Em troca de serviços prestados ele pagava com alimentação que nem sempre era boa e suficiente. Temos aí o retrato de uma sociedade CAPITALISTAquem mais trabalha é quem menos ganha.
A Revolução, que se deu por idéia do Major, tinha por princípio básico a igualdade, sendo assim o Animalismo corresponderia ao SOCIALISMO: regime que não existe propriedade privada - em que todos são iguais e trabalham para o bem comum. No princípio até houve um socialismo democrático, juntos participavam de assembléias, contribuíam com idéias e sugestões, todos liderados por Bola-de-Neve, que foi bem aceito pelos animais em geral. “(…) uma sociedade de animais livres da fome e do chicote, todos iguais, cada qual trabalhando de acordo com a sua capacidade, os mais fortes protegendo os mais fracos.”
Os animais, com pretensão de expandir suas idéias sobre o Animalismo, elaboraram sete mandamentos explicitando os direitos e deveres de cada bicho, que de comum acordo deveria ser seguido à risca em suas vidas, igualmente para todos. Porém, o Estado democrático não passou de um sonho, com o decorrer do tempo, de acordo com as atitudes e intenções dos animais que lideravam a fazenda e que se consideravam superiores aos outros, foram modificando totalmente as regras. Os porcos que chegaram ao poder iniciaram um governo incoerente, jogando o ideal de igualdade na lama, uma vez que jamais trabalharam após a Revolução, somente davam ordens aos outros animais.
SETE MANDAMENTOS DO ANIMALISMO
X
1. QUALQUER COISA QUE ANDA SOBRE DUAS PERNAS É INIMIGO.
Esse mandamento muda quando os porcos começam a estabelecer vínculos comerciais com os humanos. “ (…) Napoleão assinara, por intermédio de Whymper, um contrato de fornecimento de quatrocentos ovos por semana.”
2. O QUE ANDA SOBRE QUATRO PERNAS, OU TENHA ASAS, É AMIGO.
Na verdade modifica completamente quando algum animal desobedece ao que eles impõem. “(…) verificaremos que o papel de Bola-de-Neve foi muito exagerado (…), pronuncio a sentença de morte para Bola-de-Neve”.
3. NENHUM ANIMAL USARÁ ROUPA.
Logo depois que passaram a morar na casa grande os porcos começam a usar roupas. “(…) Napoleão apresentando-se com um casaco negro, calções de caça e perneiras de couro.”
4. NENHUM ANIMAL DORMIRÁ NA CAMA.
Os porcos, posteriormente, acrescentaram o termo “com lençóis”, alegando que esses eram invenções humanas. “ (…) Nós retiramos os lençóis das camas da casa e dormimos entre cobertores.”
5. NENHUM ANIMAL BEBERÁ ÁLCOOL.
Quando outros animais encontram garrafas de bebidas alcoólicas na Casa Grande e questionam a respeito eles completam o mandamento com: “EM EXCESSO”. “ (…) os porcos haviam conseguido, não se sabia de que maneira, dinheiro para adquirir outra caixa de uísque”.
6. NENHUM ANIMAL MATARÁ OUTRO ANIMAL.
Os porcos, ao perceberem que alguns animais não estavam de acordo com suas atitudes, resolvem matar a tais para não disseminar a oposição. “(…) E assim prosseguiu a sessão de confissões e execuções, até haver um montão de cadáveres aos pés de Napoleão.”
7. TODOS OS ANIMAIS SÃO IGUAIS.
Os porcos líderes, por se considerarem superiores aos outros animais, acrescentam no mandamento “ MAS UNS MAIS IGUAIS QUE OUTROS”. Eles são quem governariam a granja pela sua diferenciação. “ (…) Napoleão habitava um apartamento separado dos demais.”
Napoleão representa o desejo da onipotência, do poder absoluto e para conseguir seus objetivos tudo passa a ser válido: mentiras, traições, mudanças de regras. Tempos depois se instaurava na Granja uma verdadeira DITADURAos poderes se concentravam apenas nas mãos dele, não havendo liberdade de expressão nem direito de opiniões dos outros animais.
Os donos do poder subvertem os mandamentos iniciais em seu próprio benefício, alteram hinos de louvor patriótico em louvor próprio, passam a negociar com humanos e a trazê-los para dentro da fazenda. E a maioria dos animais nem se lembra mais o que pregava a revolução original, pois a história é recontada sempre de acordo com os interesses do Porco do Poder, até que a situação torna-se pior do que era antes e o lema passa a ser: “TODOS IGUAIS, MAS UNS MAIS QUE OUTROS”. Essa expressão define toda a obra, porque nunca existiu e nunca vai existir igualdade entre os homens e nem entre os animais. “(…) Se Vossas Senhorias tem problemas com vossos animais inferiores, nós os temos lá com as nossas classes inferiores.”
Os animais, ao passo que foram conquistando seus objetivos, tornaram-se completamente iguais ao homem, tanto psicologicamente como fisicamente (chegando ao absurdo de andar sobre as duas patas traseiras), não dava mais para se distinguir os animais dos homens, no que se referia ao comportamento. A humanização dos porcos alcança seu ápice quando Napoleão convida proprietários vizinhos para uma festa. Os demais animais, praticamente escravizados, chegam perto da Casa Grande e não conseguem enxergam os porcos.
“(…) Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todos iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir, quem era homem, quem era porco.”
INTERTEXTUALIDADES
REVOLUÇÃO RUSSA
Pode-se perceber claramente que esta incrível obra, lançada durante a ditadura stalinista, é uma alegoria a Revolução Russa e ao seu desdobramento. Vários personagens da trama remetem àquela época.
1. SENHOR JONES, explorador e alcoólatra: poderia se identificar com o czar Nicolau II, que ao que dizem as más línguas – tinha aversão ao povo e era um beberrão;
2. MAJOR, o porco velho: sábio e idealista, morre sem ver a Revolução vingar, podendo ser comparado a Lênin e Marx, que faleceram ser ver os frutos da Revolução;
3. BOLA-DE-NEVE, o expansionista, e NAPOLEÃO, o ditador: suas intrigas fazem-nos lembrar da rixa entre Trotski e Stálin, em que o primeiro acabou sendo perseguido e morto a mando da sanguinária ditadura stalinista;
4. CORJA DE CÃES que fazia a segurança de Napoleão: poderia perfeitamente ser vista como uma espécie de KGB, que fora a perseguição de Bola-de-Neve ainda fez vários animais ficarem contrários ao governo como aconteceu com Stalin.
5. PORCO GARGANTA, o porta-voz de Napoleão: transmitia a propaganda do governo sempre por meio da retórica e da eloqüência, sustentáculo da manutenção de qualquer ditadura;
OUTROS ANIMAIS: os únicos que de fato trabalhavam e que fizeram a Granja crescer podem ser classificados como proletariado russo.
Analisando mais a fundo algumas passagens do livro, ainda é possível dizer que a obsessão pelo trabalho disciplinado e dirigido pelos porcos, que controlam o Estado, na expansão da Granja e na construção do moinho relaciona-se com os onipresentes Planos Qüinqüenais de Stálin.
GOVERNO LULA
Algumas promessas de Lula:
LULA: “Estarei satisfeito se ao final do meu mandato, os brasileiros puderem fazer três refeições diárias.”
REVOLUÇÃO DOS BICHOS: Vote em Napoleão e na manjedoura cheia (comida abundante).
LULA: Deus pôs os pés aqui (no Brasil) e falou: “Olha aqui vai ter tudo. Agora é só homens e mulheres terem juízo que as coisas vão dar certo.”
REVOLUÇÃO DOS BICHOS: O solo da Inglaterra é fértil, o clima é bom, ela pode oferecer alimentos em abundância, a um número de animais muitíssimo maior do que o existente.. Por que então permanecemos nesta miséria? Porque quase todo o produto do nosso esforço nos é roubado pelos seres humanos.
Marli Savelli de Campos